CAPÍTULO 3

Reforçar a defesa e segurança da Europa

Grupo de pessoas sentadas à frente de computadores num espaço de trabalho aberto. Ver legenda da fotografia
Coordenadores e membros de uma equipa durante um exercício de defesa da cibersegurança. A UE está a trabalhar no sentido de garantir mais segurança e proteção aos seus cidadãos e de dotar a Europa dos meios necessários para manter a paz. Taline, Estónia, 6 de maio de 2025. © União Europeia. A reutilização só é permitida para fins educativos e informativos.

Os últimos anos lembraram-nos de quão frágil é a paz e serviram de sinal de alerta para a Europa. A União Europeia está a intensificar esforços para proteger os seus cidadãos e garantir que a Europa dispõe dos meios necessários para manter a paz mediante uma dissuasão credível. Em 2025, a UE instituiu um conjunto de novas iniciativas destinadas a ajudar os Estados-Membros a responder à necessidade urgente e a curto prazo de apoiar a Ucrânia, assegurando simultaneamente o reforço a longo prazo da prontidão da Europa no tocante à segurança e defesa. Paralelamente, a UE definiu uma nova Estratégia para a União da Preparação.

O que pensam os europeus sobre a segurança e defesa

69 %

consideram que a UE é um lugar de estabilidade num mundo conturbado.

78 %

estão preocupados com a defesa e segurança da UE nos próximos cinco anos.

81 %

apoiam uma política comum de defesa e segurança entre os Estados-Membros.

77 %

consideram que a invasão da Ucrânia pela Rússia representa uma ameaça para a segurança da UE.

A União Europeia ambiciona reforçar a cooperação entre os Estados-Membros no domínio da defesa e tirar partido do valor acrescentado oferecido pela UE e pelo mercado único com vista a construir uma verdadeira União da Defesa. A OTAN mantém-se uma pedra angular da segurança e defesa europeias e 23 Estados-Membros são também membros dessa organização. No entanto, a UE está a assumir maior responsabilidade pela sua própria segurança, tendo tomado importantes medidas nesse sentido em 2025.

Durante o ano, concluiu duas parcerias fundamentais de segurança e defesa - abrir um novo separador. com o Canadá e o Reino Unido, sinal claro de um empenho comum em reforçar a paz e segurança mundiais, intensificando os esforços conjuntos em áreas como a gestão de crises, questões do ciberespaço, segurança marítima, luta contra o terrorismo e resiliência das infraestruturas essenciais.

Aumentar o investimento na defesa

Em 2025, a UE intensificou de forma decisiva o investimento na defesa graças ao Prontidão 2030 - abrir um novo separador., um plano abrangente para mobilizar até 800 mil milhões de EUR para a segurança e defesa que assenta em dois pilares fundamentais: o Instrumento SAFE (Instrumento de Ação para a Segurança da Europa) e a nova cláusula de derrogação nacional. O SAFE irá disponibilizar até 150 mil milhões de EUR em empréstimos para apoiar os contratos públicos conjuntos no setor da defesa e reforçar a prontidão industrial e operacional da Europa, ao passo que a cláusula de derrogação nacional permitirá aos Estados-Membros mobilizar um montante adicional de 650 mil milhões de EUR para investimentos na defesa sem violar as regras orçamentais da UE estabelecidas no Pacto de Estabilidade e Crescimento - abrir um novo separador..

Kaja Kallas e Andrius Kubilius de pé atrás dos respetivos púlpitos e em frente a um ecrã onde se projeta «White Paper for European Defence — Readiness 2030» (Livro Branco sobre a Defesa Europeia — Prontidão 2030) e «ReArm Europe Plan/Readiness 2030» (Plano ReArm Europe/Prontidão 2030) num fundo com diversos logótipos da Comissão Europeia.
Kaja Kallas, alta representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e vice-presidente da Comissão Europeia, e Andrius Kubilius, comissário europeu para a Defesa e Espaço, apresentam o Livro Branco sobre a Defesa Europeia. Bruxelas, Bélgica, 19 de março de 2025.

Outros investimentos incluem mais de mil milhões de EUR para atividades colaborativas de investigação e desenvolvimento da defesa ao abrigo do Fundo Europeu de Defesa - abrir um novo separador., abrangendo todos os domínios militares, e 300 milhões de EUR do instrumento para reforçar a indústria europeia da defesa por meio da contratação conjunta - abrir um novo separador. destinados a apoiar cinco projetos transnacionais em áreas como munições, defesa aérea e antimísseis, e plataformas antigas em fim de vida útil. O Roteiro Europeu para a Transformação da Defesa - abrir um novo separador. visa melhorar o acesso ao financiamento das empresas do setor mediante um fundo de fundos de até mil milhões de EUR. Procura também acelerar os processos de comercialização e contratação pública, em especial para as empresas em fase de arranque e em expansão, e reforçar o desenvolvimento de competências e talentos em todo o setor da defesa.

Em simultâneo, no âmbito do Fundo Europeu de Competitividade e do próximo orçamento de longo prazo da UE (ver o capítulo 8), a Comissão propôs aumentar o orçamento da defesa e do espaço para 131 mil milhões de EUR - abrir um novo separador. — um valor cinco vezes superior ao do orçamento atual. Além disso, a UE está a avançar com um ambicioso programa de simplificação para acelerar o desenvolvimento das capacidades de defesa e o investimento no setor. Algumas das principais medidas de 2025 incluem propostas para simplificar as regras de investimento na defesa - abrir um novo separador.; o pacote omnibus Prontidão da Defesa - abrir um novo separador., publicado em junho com vista a simplificar a legislação da UE e permitir até 800 mil milhões de EUR de investimento nos próximos quatro anos; e o Roteiro sobre a Prontidão da Defesa - abrir um novo separador., que define objetivos, etapas e indicadores claros para alcançar a prontidão até 2030 e salienta a importância da investigação e inovação de dupla utilização, tal como indicado no Livro Branco sobre a Defesa Europeia - abrir um novo separador.. Estas medidas são complementadas pelo pacote de mobilidade militar - abrir um novo separador..

Um vídeo que mostra como a Comissão Europeia está a dar um grande impulso à defesa, estimulando a inovação, estabelecendo parcerias mais fortes e prestando apoio vital à Ucrânia, mas também propondo novos instrumentos financeiros e regras simplificadas para fomentar o investimento nos setores da defesa e do espaço.
VÍDEO:O que é a Estratégia Europeia da Defesa?

Reforçar a segurança dos céus e oceanos

Com o espaço e os satélites a assumirem uma importância estratégica cada vez maior na nossa vida quotidiana, foi adotada em junho uma proposta de ato legislativo sobre o espaço - abrir um novo separador. com vista a estabelecer um quadro regulamentar harmonizado e unificado para as atividades espaciais da União Europeia. O seu principal objetivo é fortalecer a segurança, sustentabilidade, cibersegurança e resiliência em todo o ecossistema espacial da UE. Paralelamente, a visão para a economia espacial europeia - abrir um novo separador. definiu um quadro estratégico para impulsionar a competitividade, resiliência e autonomia estratégica da Europa no mercado espacial mundial, que deverá valer 1,6 biliões de EUR em 2035.

A função de autenticação de mensagens de navegação do serviço aberto Galileo - abrir um novo separador. foi declarada operacional em julho de 2025, o que representou uma estreia mundial. Introduz um mecanismo de verificação da autenticidade dos dados de navegação transmitidos pelos satélites Galileo, ajudando a proteger contra o spoofing (transmissão de sinais falsos). Reforça também, e significativamente, a confiança no sistema de satélites Galileo da UE, o único no mundo com este elemento de segurança. O relatório de 2024 da Associação do Transporte Aéreo Internacional sobre a segurança registou um aumento de 500 % dos incidentes de spoofing na aviação comercial, afetando 1 500 voos por dia. Em novembro, foi também anunciada a criação do Serviço Público de Observação da Terra, que irá melhorar as capacidades de reconhecimento.

A segurança dos mares e oceanos foi outro dos domínios de ação fundamentais em 2025, com a adoção, em fevereiro, do Plano de Ação da UE para a Segurança dos Cabos - abrir um novo separador.. Durante o ano, foi publicado um importante relatório sobre as infraestruturas de cabos submarinos - abrir um novo separador. e mobilizado novo financiamento no valor de 20 milhões de EUR para reforçar a segurança dos cabos submarinos da Europa - abrir um novo separador.. Este financiamento, ao abrigo do Programa Europa Digital - abrir um novo separador., apoiará a criação de plataformas regionais de cabos e a realização de testes de esforço para verificar a resiliência das infraestruturas de cabos submarinos.

Partindo das recomendações do relatório Niinistö - abrir um novo separador., o Alto Representante e a Comissão apresentaram, em 2025, a Estratégia para uma União da Preparação - abrir um novo separador., com 30 ações-chave destinadas a melhorar a preparação e resiliência da União Europeia perante futuras crises. O objetivo é reforçar a capacidade coletiva da UE para gerir eficazmente desafios como as pandemias, impacto das alterações climáticas, ameaças híbridas e instabilidade geopolítica. Isto requer o envolvimento de todos os níveis de administração (local, regional, nacional e da UE), bem como dos cidadãos, comunidades locais e da sociedade civil, empresas e parceiros sociais, e comunidades científicas e académicas.

A Estratégia da UE para a Constituição de Reservas - abrir um novo separador. constitui a sua primeira abordagem global para salvaguardar bens essenciais, como alimentos, água, combustíveis e medicamentos, em tempos de crise. Em paralelo, a Estratégia para as Contramedidas Médicas reforçará a segurança sanitária da Europa, acelerando o desenvolvimento, produção e acessibilidade de equipamento médico vital. Já o ato legislativo sobre medicamentos críticos - abrir um novo separador. proposto irá aumentar a disponibilidade destes medicamentos, incentivando a diversificação das cadeias de abastecimento e impulsionando o seu fabrico na UE. Por último, no âmbito do quadro mais vasto de preparação e gestão de crises da União Europeia, a Comissão avançou com duas iniciativas emblemáticas: a Estratégia Europeia de Resiliência Hídrica - abrir um novo separador. e o Pacto Europeu dos Oceanos - abrir um novo separador.. Ambos adotados em junho, visam reforçar a capacidade da UE para antecipar, prevenir e responder aos crescentes riscos ambientais e climáticos.

Principais riscos e ameaças

  • Catástrofes naturais:
    inundações, incêndios florestais, sismos, fenómenos meteorológicos extremos.
  • Catástrofes de origem humana:
    acidentes industriais, falhas tecnológicas, pandemias.
  • Ameaças híbridas:
    ciberataques, campanhas de desinformação, manipulação da informação e ingerência por parte de agentes estrangeiros, sabotagem de infraestruturas essenciais.
  • Crises geopolíticas:
    conflitos armados, incluindo agressões armadas contra Estados-Membros.

Para mais informações, ver o documento exaustivo da Comissão Analysis of Risks Europe is Facing - abrir um novo separador..

Funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana, o Centro de Coordenação de Resposta de Emergência - abrir um novo separador. assegura a rápida mobilização de apoio de emergência e serve de plataforma para a coordenação entre os Estados-Membros, 10 outros Estados participantes, o país afetado e os peritos em proteção civil e ajuda humanitária. Em 2025, o Mecanismo de Proteção Civil da UE - abrir um novo separador.foi ativado 64 vezes em todo o mundo e, desde 2001, foram mais de 830 as vezes em que o centro coordenou a assistência prestada.

Um grupo de três bombeiros tenta extinguir um pequeno incêndio florestal.
Bombeiros gregos combatem um incêndio florestal na região de Paiania, operação onde também participaram bombeiros franceses e romenos. Ática Oriental, Grécia, 26 de agosto de 2025.

Emergência climática de 2025 em números

O Mecanismo de Proteção Civil da UE foi ativado 18 vezes para combater incêndios florestais dentro e fora da Europa — o maior número de ativações relativas a incêncios florestais alguma vez registado num determinado ano.

Foram mobilizadas 58 aeronaves — 38 aviões e 20 helicópteros — e mais de 740 bombeiros e equipas de salvamento para combater os incêndios florestais em 11 Estados-Membros durante o verão.

Foi proposta a afetação de 280 milhões de EUR do Fundo de Solidariedade para apoiar os esforços de recuperação na Áustria, Bósnia-Herzegovina, Chéquia, Eslováquia, Moldávia e Polónia, na sequência das inundações de 2024 causadas pela tempestade Boris.

650 bombeiros de 14 Estados-Membros foram destacados para locais de alto risco na Grécia, Espanha, França e Portugal, em preparação - abrir um novo separador. para o verão.

O Fundo de Solidariedade da UE - abrir um novo separador. concedeu um empréstimo de 100 milhões de EUR a Espanha, para ajudar a financiar os esforços de recuperação em Valência, após as catastróficas inundações provocadas por uma tempestade em 2024.

Para responder às crescentes ameaças à segurança, nomeadamente ameaças híbridas como o terrorismo, criminalidade organizada, cibercriminalidade e ataques a infraestruturas vitais, é necessário abordar de forma diferente a segurança interna, o controlo das fronteiras e a gestão da migração. O apoio da UE nestes domínios visa assistir os Estados-Membros na aplicação do Pacto em matéria de Migração e Asilo - abrir um novo separador., que entrará em vigor em junho de 2026 (através, por exemplo, da criação de procedimentos de asilo mais rápidos e de regressos mais eficazes), bem como na digitalização da gestão do controlo das fronteiras, apetrechando melhor os guardas fronteiriços e reforçando a cooperação com países terceiros. Pretende ainda dotar as autoridades policiais de capacidades modernizadas de combate ao terrorismo e à criminalidade organizada, tanto em linha como fora de linha.

Melhorar a segurança interna

A criminalidade está a tornar-se cada vez mais rápida, mais digital e mais organizada. As ameaças híbridas minam as nossas democracias e sociedades e os níveis de ameaças terroristas mantêm-se elevados, alimentados por crises regionais. Em consonância com as prioridades políticas - abrir um novo separador. da Comissão, uma parte importante da resposta da UE a esta nova realidade concretizou--se na primavera de 2025. A ProtectEU - abrir um novo separador., a nova Estratégia Europeia de Segurança Interna, foi lançada em 1 de abril e inclui todas as esferas da sociedade na resposta às ameaças à segurança, em linha e fora de linha (incluindo o terrorismo, criminalidade organizada, cibercriminalidade, ataques a infraestruturas vitais e ameaças híbridas), mobilizando cidadãos, empresas, investigadores e sociedade civil. Além disso, assegura também a integração das questões de segurança na legislação e políticas da UE.

ProtectEU: visão geral

Princípios essenciais

Abranger toda a sociedade, incluindo cidadãos, empresas, sociedade civil, investigadores, meio académico e entidades privadas.

Considerar a vertente da segurança em todas as iniciativas da UE com a introdução de um sistema integrado de verificação da segurança para as novas iniciativas.

Estimular o investimento na segurança com mais recursos consagrados a serviços policiais, melhoria dos equipamentos, investimentos em tecnologia e reforço das agências da UE.

Domínios prioritários e ações fundamentais

Aumentar a perceção das ameaças graças a uma melhor partilha das informações.

Reforçar as capacidades dos serviços policiais, transformando a Europol numa agência policial verdadeiramente operacional e reforçando a Frontex com um máximo de 30 mil efetivos adicionais ao longo do tempo.

Reforçar a resiliência perante as ameaças híbridas, ajudando os Estados-Membros a garantir a segurança de todas as infraestruturas vitais, tanto físicas como digitais.

Combater a criminalidade organizada, garantindo uma melhor proteção dos jovens.

Combater o terrorismo com um novo conjunto de instrumentos para prevenir a radicalização.

Reforçar a cooperação mundial, acelerando a integração dos países candidatos à adesão na arquitetura de segurança da UE.

Fotografia de grupo dos galardoados do prémio, contra um fundo com o título «Security Innovation Award 2025» (Prémio de Inovação no domínio da Segurança 2025).
Galardoados do Prémio de Inovação no domínio da Segurança 2025. Este prémio é atribuído aos visionários na vanguarda do desenvolvimento de soluções avançadas para proteger a nossa sociedade e os nossos cidadãos. O prémio é também uma oportunidade para promover inovações decorrentes de projetos de investigação no domínio da segurança financiados pela UE ao abrigo do Horizonte Europa. Em junho, 250 milhões de EUR foram disponibilizados para novos projetos de investigação e inovação no domínio da segurança. Varsóvia, Polónia, 24 de junho de 2025.

Com um investimento de 30 milhões de EUR do Fundo para a Segurança Interna - abrir um novo separador. em 13 projetos selecionados - ficheiro PDF, abrir um novo separador., a UE fortaleceu o seu compromisso de proteger os cidadãos, prevenir ataques futuros e promover uma Europa mais segura para todos. Este investimento servirá para reforçar a proteção de espaços públicos, como centros comerciais, transportes públicos, salas de espetáculos e locais de culto.

Medidas para combater o tráfico de droga, a criminalidade organizada e o terrorismo

  • Um novo plano de ação contra o tráfico de droga - abrir um novo separador. foca-se em medidas operacionais em seis domínios prioritários: adaptação à evolução das rotas e dos métodos utilizados pelas redes criminosas; prevenção da criminalidade e redução da violência relacionada com a droga; intensificação da cooperação entre as autoridades responsáveis pela aplicação da lei, as autoridades judiciárias e as autoridades aduaneiras; resolução do problema das drogas sintéticas e dos precursores de drogas; promoção da investigação, desenvolvimento e inovação (nomeadamente com um novo Campus de Segurança e Inovação, a lançar em 2026); e reforço da cooperação internacional.
  • Em outubro, à margem do Conselho Justiça e Assuntos Internos, foram assinados acordos com a Islândia - abrir um novo separador. e a Noruega - abrir um novo separador. sobre a transferência dos registos de identificação dos passageiros, com o intuito de reforçar a cooperação entre autoridades policiais e intensificar a luta partilhada contra o terrorismo e a criminalidade grave e organizada, que inclui o tráfico de drogas, armas de fogo e seres humanos.

Últimos dados disponíveis sobre o tráfico de seres humanos na UE

  • 9 678 vítimas do tráfico de seres humanos registadas em 2024.
  • 8 % menos que no ano anterior.
  • 63 % eram mulheres ou raparigas.

Mediante a ProtectEU, a Comissão comprometeu-se a desenvolver uma nova estratégia de luta contra este tipo de tráfico que aborde todas as fases, da prevenção à ação penal.

Durante a sua visita ao Egito, o comissário Brunner esteve presente na cerimónia de assinatura do acordo de cooperação entre a Europol e o Egito - abrir um novo separador., que irá reforçar a colaboração entre autoridades policiais no combate ao terrorismo, tráfico de droga, introdução clandestina de migrantes e crime organizado. Este acordo histórico, o primeiro do género no Norte de África, reforçará a cooperação policial entre o norte e o sul do Mediterrâneo. O comissário participou também na segunda Conferência Ministerial do Processo de Cartum, que promove a cooperação entre países ao longo das rotas migratórias entre o Corno de África e a Europa.

Magnus Brunner e Badr Abdelatty conversam, sentados lado a lado. Em cima da mesa que os separa estão pequenas bandeiras da União Europeia e do Egito.
Magnus Brunner (à esquerda), comissário europeu responsável pelos Assuntos Internos e Migração, debate a cooperação na gestão das migrações com Badr Abdelatty, ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros. Cairo, Egito, 9 de abril de 2025.

Reforçar as fronteiras comuns

Em 2025, a principal preocupação da União Europeia no que se refere às fronteiras comuns foi torná-las mais seguras. A UE estabeleceu um sistema digital de gestão das fronteiras inteiramente funcional, aplicou uma abordagem de gestão integrada das fronteiras e uma estratégia de política de vistos, e garantiu um espaço Schengen completo e plenamente operacional.

Os trabalhos irão prosseguir nos seguintes domínios:

  • Reforço da governação política e operacional por meio da aplicação eficaz das regras acordadas e da utilização de sistemas de informação, recursos e infraestruturas comuns proporcionados pela arquitetura de interoperabilidade.
  • Aceleração da aplicação do quadro de digitalização para prevenir riscos de segurança.
  • Investimento contínuo na investigação e inovação.
  • Adaptação contínua à evolução do panorama da segurança, mediante um quadro de informações comum, ações operacionais conjuntas e uma maior cooperação entre autoridades policiais, incluindo nas regiões fronteiriças internas.
  • Medidas eficazes para repatriar as pessoas sem direito legal de permanência na UE.

A Comissão continuará a monitorizar os progressos realizados mediante o painel de avaliação de Schengen - abrir um novo separador. anual e a consolidar o mecanismo de avaliação e monitorização de Schengen - abrir um novo separador., que inclui sistemas dos países Schengen e dos países candidatos à adesão à UE. A Comissão, com o auxílio do coordenador Schengen, continuará a apoiar os Estados-Membros para garantir uma eficaz cooperação operacional transfronteiriça entre as suas autoridades policiais.

40 anos de isenção de visto

Em 14 de junho, a Europa celebrou o 40.o aniversário da assinatura do Acordo de Schengen. Ao longo destas quatro décadas, este acordo proporcionou maior liberdade, reforçou a segurança e criou oportunidades económicas. O espaço Schengen é mais que uma zona geográfica: é um testemunho vivo do empenho da Europa num continente livre, unido, próspero e seguro. Enquanto maior área de livre circulação transnacional do mundo, é pedra angular da identidade europeia e um ativo estratégico para a Europa.

  • 29 países no espaço Schengen (25 Estados-Membros da UE e quatro países associados).
  • Mais de 450 milhões de pessoas vivem no espaço Schengen.
  • Mais de 3,5 milhões de pessoas atravessam fronteiras internas diariamente.
  • Mais de 32 milhões de empresas no espaço Schengen beneficiam de transportes mais rápidos, custos reduzidos e um maior volume de trocas comerciais.

Gerir a migração de forma firme e justa

A migração permanece um desafio para a Europa ao qual importa responder com uma solução europeia, centrada na solidariedade. Os padrões migratórios continuam a mudar. As chegadas irregulares ao espaço Schengen têm registado um declínio contínuo, mas pressões acumuladas ao longo dos anos continuam a absorver recursos dos Estados-Membros. Embora variem de local para local, os efeitos são comuns: escolas, habitação e serviços locais são diretamente afetados e as comunidades ficam sob pressão acrescida.

É essencial dispor de um quadro jurídico sólido que seja aplicado de forma equilibrada em toda a União Europeia. Em 2025, foi necessário intensificar os esforços políticos e técnicos para assegurar que todos os Estados-Membros estavam devidamente preparados para aplicar os atos jurídicos que compõem o Pacto em matéria de Migração e Asilo, no seguimento do plano de execução comum - abrir um novo separador. apresentado pela Comissão. A UE continuou a registar progressos significativos na aplicação dos atos jurídicos que compõem este pacto e a Comissão continuou a prestar um apoio eficaz aos Estados-Membros. A Comissão apresentou várias medidas para acelerar o plano de execução, incluindo a introdução de duas regras importantes ao abrigo do pacto, a fim de facilitar a aplicação do conceito de «país terceiro seguro» e de acelerar os processos de asilo e reduzir a pressão sobre os sistemas de asilo, preservando em simultâneo as garantias jurídicas para os requerentes e assegurando o respeito pelos direitos fundamentais.

A Comissão também propôs a criação de uma primeira lista da UE de países de origem seguros - abrir um novo separador.. Alguns Estados-Membros já dispõem de listas nacionais que seriam complementadas pela lista da UE, facilitando assim uma aplicação mais uniforme do conceito. Isto permitiria aos Estados--Membros recorrer a um procedimento acelerado no tratamento dos pedidos de asilo provenientes de países incluídos na lista, por ser pouco provável que venham a ser bem-sucedidos.

Novas regras fundamentais para acelerar os processos de asilo

  • Limiar da taxa de reconhecimento de 20 %. Os Estados-Membros podem aplicar o procedimento de fronteira ou um procedimento acelerado a pessoas provenientes de países onde, em média, apenas 20% ou menos dos requerentes obtêm proteção internacional na UE.
  • Os países terceiros seguros e os países de origem seguros podem beneficiar de derrogações. A exclusão de certas regiões específicas ou de categorias de indivíduos claramente identificáveis permite aos Estados-Membros uma maior flexibilidade.

Em março, a Comissão Europeia propôs a criação de um sistema comum de regresso - abrir um novo separador. com procedimentos mais rápidos, simples e eficazes em toda a UE. As regras propostas relativas aos processos de regresso contêm disposições sobre pessoas que representem uma ameaça para a segurança. Preveem também a possibilidade de repatriar para países terceiros com base em acordos ou convénios e em condições que garantam o respeito pelas normas internacionais de direitos humanos e pelo princípio da não repulsão.

Sistema europeu comum de regresso

Um único sistema europeu
  • O regulamento visa estabelecer um sistema comum de regresso e harmonizar ainda mais as regras relacionadas.
  • A «ordem de regresso europeia» uniformiza os procedimentos.
Reconhecimento mútuo
  • Decisões de regresso que podem ser reconhecidas em todos os Estados-Membros.
  • Obrigatório a partir de julho de 2027.
Regresso voluntário primeiro, forçado se necessário
  • Incentivos ao regresso voluntário.
  • Regresso forçado obrigatório em caso de não cooperação, fuga ou riscos para a segurança.
Obrigações e consequências claras
  • É obrigatório cooperar com as autoridades.
  • Sanções em caso de não cooperação.
  • Incentivos à cooperação: apoio ao regresso voluntário.
Garantias e direitos
  • Direito a uma proteção judicial eficaz.
  • Proteção das pessoas vulneráveis, dos menores e das famílias.
  • Pleno respeito pelos direitos humanos e pelo princípio da não repulsão.
Instrumentos de execução mais rigorosos
  • Garantias financeiras e obrigações de apresentação regular.
  • Exigências relativas à permanência no local de residência atribuído.
  • Detenção por um período máximo de 24 meses (prorrogável em caso de riscos para a segurança).
Disposições relativas aos riscos para a segurança
  • Rastreio precoce das ameaças.
  • Proibições de entrada mais longas e regras de detenção mais rigorosas.
  • Regresso forçado obrigatório em caso de riscos identificados.
Plataformas de readmissão e de regresso
  • Pedidos de readmissão sistemáticos enviados a países terceiros.
  • Partilha segura de dados para efeitos de aplicação da legislação.
  • Regresso com base em acordos ou convénios (excluindo menores e famílias).

O primeiro relatório anual europeu sobre o asilo e a migração - abrir um novo separador. revela uma melhoria contínua da situação migratória durante o período de referência (julho de 2024 a junho de 2025), com as passagens ilegais nas fronteiras a diminuírem 35 %, graças, em parte, ao reforço da cooperação com os países parceiros.

O lançamento do primeiro ciclo anual de gestão da migração e do novo mecanismo de solidariedade, que conjuga solidariedade obrigatória com flexibilidade, foi um passo importante no sentido da plena aplicação do pacto. Os Estados-Membros sob pressão migratória encontram-se agora mais apoiados e os Estados-Membros contribuintes dispõem de maior flexibilidade na escolha do destino a dar às suas contribuições: recolocações de requerentes de proteção internacional e de beneficiários de proteção internacional; contribuições financeiras, nomeadamente para ações em países terceiros ou com eles relacionadas; ou outras medidas de solidariedade, como o destacamento de pessoal e ações centradas no reforço de capacidades.

A Comissão continuou também a articular-se com os Estados-Membros para abrir vias legais para a migração, em função das necessidades de competências das respetivas economias e regiões. Em junho, a iniciativa «Parcerias e Financiamento para a Inclusão dos Migrantes - abrir um novo separador.» demonstrou com êxito como o financiamento criativo e a colaboração podem facilitar a integração de nacionais de países terceiros nos Estados-Membros.

Iniciativa «Parcerias e Financiamento para a Inclusão dos Migrantes» promove a integração dos migrantes na Europa

  • 4 projetos-piloto (Bélgica, Itália, Países Baixos, Finlândia).
  • Mais de 600 famílias migrantes participaram em atividades de integração.
  • 848 profissionais receberam formação em inclusão financeira dos migrantes.
  • Mais de 1 200 migrantes beneficiaram de apoio personalizado, incluindo formação e orientação.
  • 77 microempréstimos para promover o trabalho por conta própria e a independência económica.

Eliminação das barreiras relacionadas com:

  1. Integração nos mercados de trabalho.
  2. Inclusão social e discriminação.
  3. Acesso à educação e formação.
  4. Obstáculos administrativos e jurídicos.
Uma pessoa vista de trás caminha num campo de refugiados. Veste um casaco com os símbolos da UE e da Organização Internacional para as Migrações.
Trabalhador humanitário da Organização Internacional para as Migrações num centro de acolhimento de refugiados. O relatório de 2025 sobre o asilo - abrir um novo separador., publicado pela Agência da União Europeia para o Asilo, indica que o número de pedidos de asilo apresentados nos países da UE+ diminuiu 11 % em 2024. Cinco países da UE — Alemanha (237 000), Espanha (166 000), Itália (159 000), França (159 000) e Grécia (74 000) — receberam quase quatro quintos de todos os pedidos apresentados na UE+.