Adaptações razoáveis no trabalho Orientações e boas práticas

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Introdução:
finalidade das orientações

As adaptações razoáveis são uma obrigação para os empregadores ao abrigo da legislação da UE ­desde 20001.
No entanto, nem o conceito nem a prática são bem compreendidos em toda a UE, e as pessoas nem sempre sabem onde encontrar informações e apoio2.

As presentes orientações fornecem informações, exemplos práticos e referências para ajudar os empregadores a cumprir este requisito. Foi elaborado com a ajuda dos membros da Plataforma para a Deficiência3 e dos parceiros sociais, que apresentaram não só sugestões, mas também exemplos de boas práticas. As orientações podem constituir um recurso valioso para ajustar as práticas no local de trabalho, a fim de melhor apoiar a mão de obra em geral e criar um ambiente de trabalho mais inclusivo e adaptável a todos os trabalhadores, independentemente das suas capacidades.

As informações práticas e os exemplos de boas práticas contidos na presente brochura devem inspirar o leitor, independentemente de ser um empregador ou proprietário de uma empresa, um gestor ou chefe de equipa, um especialista em recursos humanos ou simplesmente um cotrabalhador, a recrutar, empregar e reter pessoas com deficiência utilizando adaptações ou ajustamentos que beneficiem tanto os trabalhadores como os empregadores4. Conhecer os aspetos práticos das adaptações razoáveis e o seu contexto permitir-lhe-á acolher melhor as capacidades e os contributos do pessoal com deficiência, o que enriquecerá o local de trabalho e beneficiará a sua organização.

As orientações destinam-se principalmente aos empregadores, mas são também extremamente pertinentes para uma variedade de partes interessadas, como associações patronais, sindicatos, autoridades públicas, organismos para a igualdade5, sociedade civil e pessoas com deficiência. As orientações podem ser utilizadas:

  • pelas associações patronais, a fim de fomentar uma cultura de inclusividade entre as organizações que as integram e promover uma filosofia partilhada de adaptação e igualdade de oportunidades,
  • pelos sindicatos e pela sociedade civil para defender práticas laborais mais inclusivas, aumentando a sensibilização e a compreensão da necessidade vital de adaptações razoáveis,
  • pelas autoridades públicas, a fim de definir as políticas, reforçar os quadros regulamentares e fundamentar as suas estratégias para promover a inclusividade no local de trabalho, e, por último,
  • pelas pessoas com deficiência para compreenderem melhor os seus direitos e as adaptações que podem esperar no local de trabalho e defenderem eficazmente as suas necessidades.

1 Obrigações jurídicas, políticas e antecedentes1

«Todas as pessoas têm o direito de trabalhar e de exercer uma profissão livremente escolhida ou aceite. Todos os cidadãos da União têm a liberdade de procurar emprego, de trabalhar, de se estabelecer ou de prestar serviços em qualquer Estado-Membro.»

Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia

1.1 Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CNUDPD)2

Todos os Estados-Membros da UE assinaram e ratificaram a CNUDPD, o que significa que, em conformidade com a mesma, cada um deles é obrigado, por força do direito internacional, a proteger os direitos das pessoas com deficiência. A União Europeia é também parte na Convenção por direito próprio.

A Convenção representa uma mudança de paradigma nas atitudes e abordagens relativamente às pessoas com deficiência, que passam a ser encaradas não como «objetos» da caridade, do tratamento médico e da proteção social, mas como «sujeitos» com direitos, capazes de tomarem decisões e de serem membros ativos da sociedade. Os empregadores são obrigados a prever adaptações razoáveis para permitir que uma pessoa com deficiência desempenhe tarefas relacionadas com o trabalho. A falta injustificada de adaptações razoáveis pode ser considerada uma forma proibida de discriminação em razão da deficiência ao abrigo da legislação nacional ou europeia em matéria de não discriminação, bem como ao abrigo da Convenção.

O artigo 27.º da CNUDPD3, relativo ao trabalho e ao emprego, é particularmente pertinente, juntamente com o Comentário Geral n.º 8 (2022)4 da Comissão para os Direitos das Pessoas com Deficiência, relativo ao direito das pessoas com deficiência ao trabalho e ao emprego. O artigo 27.º proíbe a discriminação com base na deficiência no que respeita a todas as matérias relativas a todas as formas de emprego, incluindo recrutamento, contratação, continuidade do emprego, progressão na carreira e condições de segurança e saúde no trabalho. O Comentário Geral n.º 8 clarifica as obrigações dos governos nos termos do artigo 27.º, salientando que o direito ao trabalho é um direito humano fundamental determinante para o exercício de outros direitos humanos. É uma componente indissociável e intrínseca da dignidade humana, uma vez que afirma o valor de um indivíduo e o seu potencial para contribuir para a sociedade.

«Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência a trabalhar, em condições de igualdade com as demais; isto inclui o direito à oportunidade de ganhar a vida através de um trabalho livremente escolhido ou aceite num mercado e ambiente de trabalho aberto, inclusivo e acessível a pessoas com deficiência.»
Artigo 27.º da CNUDPD

1.2 A Diretiva Igualdade no Emprego5

Na União Europeia, os empregadores têm a obrigação de prever adaptações razoáveis para os trabalhadores com deficiência. A Diretiva 2000/78/CE do Conselho, que estabelece um quadro geral de igualdade de tratamento no emprego («Diretiva Igualdade no Emprego»), contém as disposições mais pertinentes do direito da UE em matéria de pessoas com deficiência e adaptações razoáveis.

«Para garantir o respeito do princípio da igualdade de tratamento relativamente às pessoas deficientes, são previstas adaptações razoáveis. Isto quer dizer que a entidade patronal toma, para o efeito, as medidas adequadas, em função das necessidades numa situação concreta, para que uma pessoa deficiente tenha acesso a um emprego, o possa exercer ou nele progredir, ou para que lhe seja ministrada formação, exceto se essas medidas implicarem encargos desproporcionados para a entidade patronal. Os encargos não são considerados desproporcionados quando forem suficientemente compensados por medidas previstas pela política do Estado-Membro em causa em matéria de pessoas deficientes.»

Artigo 5.º da Diretiva Igualdade no Emprego

1.3 Estratégia sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência 2021-2030

No âmbito da sua política em matéria de deficiência, a UE procura apoiar os Estados-Membros na promoção do emprego das pessoas com deficiência.

A Estratégia sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência 2021-20306 estabelece um quadro para esta política, com vista a melhorar a vida das pessoas com deficiência.

Uma das sete iniciativas emblemáticas da estratégia é o Pacote para o Emprego das Pessoas com Deficiência7, um conjunto de orientações, práticas e oportunidades de aprendizagem destinado aos empregadores, às associações patronais, às autoridades públicas e à sociedade civil, com o objetivo de melhorar os resultados das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. As presentes orientações fazem parte do pacote.

Em dezembro de 2022, o Conselho da União Europeia instou os Estados-Membros a porem em prática as orientações pertinentes, a apoiarem o ensino e formação profissionais das pessoas com deficiência, a facilitarem a transição para o mercado de trabalho e a estabelecerem metas nacionais para o emprego das pessoas com deficiência e a participação na educação de adultos8.

O princípio 17 do Pilar Europeu dos Direitos Sociais9 diz especificamente respeito à inclusão das pessoas com deficiência. Dispõe o seguinte:

«As pessoas com deficiência têm direito a um apoio ao rendimento que lhes garanta uma vida digna, a serviços que lhes permitam participar no mercado de trabalho e na sociedade, e a um ambiente de trabalho adaptado às suas necessidades.»

A recente Diretiva Comunicação de Informações sobre Sustentabilidade das Empresas impõe novos requisitos de comunicação de informações às empresas que operam na UE. Em especial, introduz um requisito de comunicação da política de diversidade da empresa (abrangendo a deficiência), conforme aplicada aos seus órgãos de administração, de direção e de supervisão10.

1.4 Políticas e legislação nacionais

Os 27 Estados-Membros da UE dispõem de legislação nacional e regional que transpõe e aplica a Diretiva Igualdade no Emprego, o que significa também que os empregadores são obrigados a prever adaptações razoáveis em todos esses países. No entanto, alguns países utilizam apenas definições amplas quanto ao que é entendido como uma adaptação razoável e ao que podem ser considerados encargos desproporcionados.

Na maioria dos países, estão disponíveis subvenções, subsídios e apoio logístico para cobrir os custos da realização de adaptações razoáveis, bem como apoio ao planeamento e à execução.

Em 11 países da UE, estão disponíveis reduções fiscais para os empregadores que contratam trabalhadores com deficiência no mercado de trabalho aberto, e 13 oferecem reduções nas contribuições para a segurança social ou nos pagamentos do seguro de saúde a cargo dos empregadores. A maioria dos países oferece subsídios salariais para incentivar o emprego de pessoas com deficiência, e a adesão aos mesmos tem vindo a aumentar. O Fórum Europeu das Pessoas com Deficiência identificou os países da UE onde são apoiados os custos das adaptações razoáveis11 (ver infra).

A maioria dos países implementou iniciativas de sensibilização e disponibiliza informação, aconselhamento e apoio para a contratação de pessoas com deficiência. Em alguns países, existem regimes para facilitar o contacto entre candidatos a emprego com deficiência e potenciais empregadores, bem como prémios para empregadores que demonstrem boas práticas. Por vezes, existe legislação nacional que exige que as organizações nomeiem um gestor para as questões relacionadas com a deficiência ou outra pessoa responsável pelo apoio aos trabalhadores com deficiência.

Para obter mais informações sobre a situação das pessoas com deficiência na UE, pode aceder a relatórios sobre a igualdade das pessoas com deficiência em cada país da UE no sítio Web da Comissão Europeia (ver relatórios dos Peritos Europeus em Deficiência)12. Os relatórios evidenciam as circunstâncias enfrentadas pelas pessoas com deficiência, tanto dentro como fora do mercado de trabalho, nos vários países, o que pode ajudar o leitor a ajustar as estratégias de recrutamento e retenção de pessoas com deficiência. Estes esforços proativos da sua parte — analisar o emprego no contexto mais vasto da vida das pessoas com deficiência — ajudarão a criar um mercado de trabalho mais inclusivo que defenda os princípios da igualdade de oportunidades, das condições de trabalho justas e da proteção e inclusão sociais (todos consagrados no Pilar Europeu dos Direitos Sociais).

EU Member states that provide support for reasonable accomodation in the form of grant, tax subsidies or direct provision of equipment, ect.


EU state members that provide it (24)
1 Ireland
2 Portugal
3 Netherlands
4 Belgium
5 Luxembourg
6 France
7 Spain
8 Denmark
9 Germany
10 Italy
11 Malta
12 Sweden
13 Finland
14 Estonia
15 Lithuania
16 Poland
17 Czechia
18 Austria
19 Slovenia
20 Croatia
21 Slovakia
22 Hungary
23 Romania
24 Bulgaria

EU state members that provide it to a limited extent (2)
25 Latvia
26 Greece

EU state members that do not provide (1)
27 Cyprus

1.5 Tribunal de Justiça da União Europeia

O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) tem por missão determinar se o direito da UE está a ser devidamente interpretado e aplicado em todos os países da UE. Este aspeto é crucial para a Diretiva Igualdade no Emprego, especificamente para a obrigação de prever adaptações razoáveis, a fim de assegurar que os tribunais nacionais de toda a UE não aplicam as regras de formas diferentes.

No seu acórdão histórico HK Denmark, o TJUE considerou que as adaptações razoáveis, entendidas na aceção do artigo 2.º da CNUDPD, têm uma definição ampla que se refere à «eliminação das barreiras à participação plena e efetiva das pessoas deficientes na vida profissional em condições de igualdade com os outros trabalhadores». O conceito de adaptações razoáveis abrange medidas não apenas materiais, mas também organizacionais, que podem incluir uma alteração da velocidade ou da cadência a que se efetua o trabalho. Como tal, uma diminuição do tempo de trabalho pode constituir uma adaptação razoável se permitir ao trabalhador continuar a exercer o seu emprego13.

Mais recentemente, no seu acórdão Ca Na Negreta, o TJUE esclareceu que a Diretiva Igualdade no Emprego protege o trabalhador do despedimento automático quando, durante a relação de trabalho, a ocorrência de uma deficiência deixa o trabalhador permanentemente incapacitado para executar as tarefas previstas no seu contrato de trabalho. O empregador é obrigado a prever ou manter adaptações razoáveis para permitir ao trabalhador conservar o seu emprego; o empregador só pode despedir o trabalhador se puder demonstrar que essas adaptações constituem um encargo desproporcionado14.

Ser um empregador inclusivo é benéfico para todos

UM:

CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES JURÍDICAS E ÉTICAS

Para além da Diretiva Igualdade no Emprego da UE, muitos países dispõem de requisitos legais em matéria de igualdade de oportunidades de emprego e de não discriminação para as pessoas com deficiência15.

Ao recrutarem e empregarem ativamente pessoas com deficiência, os empregadores asseguram o cumprimento destas obrigações e demonstram o seu compromisso com a responsabilidade social, os direitos humanos e as práticas empresariais ­éticas.

DOIS:

INCLUSÃO E DIVERSIDADE

A contratação de pessoas com deficiência demonstra compromisso com uma cultura inclusiva e diversificada no local de trabalho, enviando uma mensagem forte de que a organização valoriza a diversidade e está empenhada em proporcionar igualdade de oportunidades. Os locais de trabalho que promovem a participação dos trabalhadores conseguem atrair os melhores talentos disponíveis.

TRÊS:

ACESSO A UMA RESERVA DE ­TALENTOS DIVERSIFICADA

A contratação de pessoas com deficiência abre acesso a um leque diversificado de competências, capacidades e perspetivas, em especial num contexto de escassez de mão de obra. A experiência dessas pessoas pode trazer ideias novas e abordagens criativas para superar desafios.

QUATRO:

MAIOR PARTICIPAÇÃO E ­LEALDADE DOS TRABALHADORES

Os trabalhadores com deficiência demonstram elevados níveis de participação e de lealdade. Os trabalhadores inseridos num local de trabalho inclusivo sentem-se valorizados e reconhecidos, o que, por sua vez, contribui para aumentar a participação e a produtividade dos trabalhadores, reduzir as taxas de rotatividade e promover relações positivas entre os membros do pessoal na organização.

CINCO:

EXPANDIR A SUA BASE DE CLIENTES E O SEU ALCANCE NO MERCADO

A contratação de pessoas com deficiência pode ajudar as organizações a compreender e satisfazer melhor as necessidades de uma base de clientes diversificada, o que pode conduzir a novas oportunidades de negócio, a um aumento da satisfação dos clientes e a um alargamento do alcance no mercado. Os clientes são mais suscetíveis de apoiar as empresas que dão prioridade à diversidade e à inclusão, o que contribui para uma imagem de marca e uma reputação positivas.

SEIS:

PROMOVER UMA CULTURA ­ORGANIZACIONAL POSITIVA

Ao contratarem pessoas com deficiência, as organizações promovem uma cultura organizacional positiva e inclusiva que sustenta o princípio da igualdade entre todos os trabalhadores, um sentimento de comunidade, o trabalho em equipa e o moral dos trabalhadores. Esta cultura positiva atrai e ajuda a reter os melhores talentos, conduzindo a uma mão de obra mais empenhada e produtiva.

2 Adaptações razoáveis: o que está em causa?

2.1 Noções básicas

O objetivo das adaptações razoáveis é permitir que as pessoas com deficiência tenham acesso a um emprego, o possam exercer ou nele progredir, de modo a poderem alcançar os mesmos resultados no trabalho e ter as mesmas oportunidades que os trabalhadores sem deficiência, fazendo as coisas de forma um pouco diferente.

Por outras palavras, uma adaptação razoável consiste em qualquer mudança numa função ou num ambiente de trabalho que seja necessária para permitir que um trabalhador com deficiência execute o seu trabalho.

O direito a adaptações razoáveis estende-se a todas as atividades relacionadas com o trabalho abrangidas pelo direito da UE, desde o processo de candidatura a um emprego até à cessação do contrato de trabalho. Inclui igualmente as promoções, as condições de trabalho, a formação e quaisquer prestações acessórias oferecidas ao pessoal.

Quando começa a obrigação?

Enquanto empregador, a sua obrigação de prever adaptações razoáveis começa a partir do momento em que uma pessoa com deficiência solicita acesso a locais ou situações que estão atualmente inacessíveis devido a obstáculos que podem, por exemplo, impedi-la de participar numa entrevista de emprego ou de ler um anúncio de emprego.

Trabalhadores que antes não enfrentavam obstáculos significativos podem desenvolver deficiências na sequência de um acidente ou de uma doença, por exemplo. Esses trabalhadores podem precisar de adaptações no local de trabalho que anteriormente não eram necessárias.

Cabe ao empregador tomar medidas proativas para identificar e eliminar quaisquer obstáculos que possam existir nas respetivas políticas ou práticas, ou no ambiente físico de trabalho, a fim de proporcionar igualdade de acesso e de oportunidades às pessoas com deficiência. Uma abordagem baseada em medidas universais de flexibilidade laboral para todos os trabalhadores poderia ser um bom ponto de partida, ao contribuir para a retenção não só das pessoas com deficiência, mas também de outros trabalhadores, por exemplo, trabalhadores mais velhos.

Lembre-se de que é necessário implementar adaptações razoáveis em todas as fases do emprego, nomeadamente o recrutamento, a retenção e a progressão na carreira.

As presentes orientações explicam de que forma o empregador pode assegurar que as medidas tomadas para a adaptação a pessoas com deficiência são suficientes, eficazes e práticas e se ajustam às necessidades específicos de cada trabalhador.

As seguintes ações práticas podem ajudar a assegurar o cumprimento das obrigações previstas no artigo 5.º da Diretiva Igualdade no Emprego:

  • Processo de recrutamento inclusivo
    Assegurar que o processo de contratação é inclusivo e acessível aos candidatos com deficiência, nomeadamente através de apoio à comunicação.
  • Progressão na carreira e formação inclusivas
    Assegurar que as adaptações razoáveis previstas permitem às pessoas com deficiência não só desempenhar uma determinada função, mas também beneficiar de um processo de progressão na carreira e de formação.
  • Adoção de tecnologias de apoio
    Assegurar o alinhamento com a ênfase que a Diretiva Igualdade no Emprego coloca na igualdade de acesso, introduzindo tecnologias de apoio, como leitores de ecrã ou software de reconhecimento de voz, para permitir que as pessoas com deficiência desempenhem as suas funções de forma eficiente.
  • Garantir a acessibilidade digital
    Importa ter em conta que nem todos podem utilizar facilmente sistemas, plataformas e programas informáticos normalizados. Há que avaliar e adaptar essas ferramentas para garantir que são inclusivas e acessíveis a todos.
  • Promoção de uma comunicação acessível
    Criação de canais de comunicação acessíveis, tais como serviços de legendagem durante reuniões ou dispositivos de auxílio à audição, ou disponibilização de intérpretes de língua gestual aos utilizadores da mesma, promovendo um diálogo inclusivo no local de trabalho, tal como previsto na Diretiva Igualdade no Emprego.
  • Garantir a acessibilidade física
    Assegurar que os locais de trabalho são fisicamente acessíveis às pessoas com deficiência, nomeadamente através de rampas, ascensores, sanitários acessíveis e outras instalações e equipamentos adaptados.
  • Promover regimes de trabalho flexíveis
    Criar um ambiente em que os regimes de trabalho flexíveis permitam aos trabalhadores com deficiência trabalhar e gerir os seus problemas de saúde. Estas adaptações devem promover a igualdade de oportunidades, capacitando os trabalhadores com deficiência para demonstrarem as suas capacidades e desempenharem eficazmente as suas funções no trabalho.
  • Sensibilizar para o estigma
    Sensibilizar para o estigma e os preconceitos relacionados com a deficiência e tomar medidas para os combater no local de trabalho.
  • Trabalhar com organizações da sociedade civil
    Trabalhar em estreita colaboração com as pessoas com deficiência e as organizações que as representam para beneficiar dos seus conhecimentos, competências e recursos.
  • Promover redes de apoio
    Criar programas de mentoria ou grupos de apoio entre pares para facilitar a inclusão social e profissional dos trabalhadores com deficiência, incorporando a essência da Diretiva Igualdade no Emprego, que consiste em promover um acesso equitativo para todos.

Estas medidas não devem implicar encargos excessivos para a sua organização, tendo em conta a respetiva dimensão e capacidade financeira e os vários custos em que poderá incorrer, tanto financeiros como não financeiros. Poderá ser útil explorar opções para obter financiamento público ou outros tipos de assistência que ajudem a aplicar as medidas necessárias. Para mais informações, ver a secção «Apoio financeiro» das presentes orientações.

2.2 Cinco métodos de adaptação razoável

Existem métodos complementares para a implementação de adaptações razoáveis no local de trabalho num curto período de tempo. Para mais informações sobre países específicos, ver os relatórios dos EDE: Striving for an inclusive labour market16

Existem métodos complementares para a implementação de adaptações razoáveis no local de trabalho num curto período de tempo. Para mais informações sobre países específicos, ver os relatórios dos EDE: Striving for an inclusive labour market, ou o documento de reflexão da Equinet que enumera práticas jurisprudenciais nacionais específicas, incluindo o anexo sobre casos individuais de pessoas com deficiência17.

Método 1

Disponibilização de tecnologias de apoio

Pode apoiar os trabalhadores que enfrentam obstáculos no seu trabalho disponibilizando-lhes tecnologias de apoio, como um programa informático que possa ser utilizado para ampliar o texto, juntamente com um ecrã gigante especial, ou dispositivos de auxílio à audição para ligação a telefones. Vale a pena verificar — por exemplo, junto das autoridades locais — se existe financiamento para ajudar a cobrir o custo de vários dispositivos e soluções informáticas de assistência.

As adaptações razoáveis não consistem apenas em tornar o local de trabalho acessível, nomeadamente proporcionando acesso a secretárias, sanitários e saídas. Garantir que uma pessoa com deficiência consegue aceder ao seu posto de trabalho ou à cantina, por exemplo, pode exigir alguns ajustamentos (como alterar portas, transferir pessoas para outras salas, deslocar ou substituir mobiliário ou disponibilizar rampas), mas também é necessário assegurar ajustamentos adequados que proporcionem aos trabalhadores com deficiência os meios de que precisam para desempenhar as funções que lhes são confiadas.

Método 2

Assistência pessoal

Os serviços de assistência pessoal podem ser úteis para as pessoas com deficiência, ajudando-as a compreender, organizar e realizar tarefas. Por exemplo, é possível acompanhá-las no trabalho ou realizar uma avaliação individualizada para adaptar um processo de recrutamento, ações de formação ou tarefas. As avaliações individualizadas centram-se nos pontos fortes e nas necessidades de cada trabalhador que enfrenta obstáculos. O empregador pode depois avaliar os domínios em que o trabalhador tem maior potencial. Existem numerosos sítios Web que permitem aos empregadores, aos centros de emprego e às pessoas aceder a assistentes pessoais.

Método 3

Ajustamento do espaço de trabalho
(incluindo teletrabalho)

O apoio ao emprego para trabalhadores com deficiência inclui o ajustamento do espaço de trabalho. Este conceito pode referir-se a uma série de medidas, desde o ajustamento do mobiliário, do equipamento e das instalações nos escritórios ou, mais em geral, no edifício, até à realização de alterações arquitetónicas que facilitem a inclusão e a acessibilidade e à disponibilização de um espaço tranquilo, de um espaço de trabalho individual ou de teletrabalho. Tanto os empregadores do setor público como do setor privado podem oferecer a opção de teletrabalho como uma forma de adaptação razoável. Consequentemente, uma combinação de adaptações razoáveis permite que os utilizadores de cadeiras de rodas com uma deficiência física grave, por exemplo, ou as pessoas com deficiências visuais acedam ao seu trabalho. Por exemplo, poderá ser necessário instalar uma secretária e/ou equipamento informático especializados no domicílio da pessoa em causa, e não num escritório, especialmente se não for possível utilizar transportes públicos. O equipamento informático deve ser acessível e incluir canais de comunicação acessíveis (por exemplo, transcrição de voz para texto durante reuniões virtuais).

No entanto, é importante não impor o teletrabalho, mas oferecê-lo como opção. O trabalho a partir de casa pode afetar a possibilidade de uma pessoa obter reconhecimento profissional e ser promovida. Pode aumentar a solidão e o isolamento, bem como impor custos adicionais (por exemplo, com a energia) ao trabalhador. Por conseguinte, é aconselhável realizar uma avaliação prévia dos riscos (incluindo os riscos psicossociais).

Método 4

Horário de trabalho flexível

A adaptação do dia de trabalho não implica quaisquer ferramentas especiais ou adaptações físicas, nem tão-pouco subsídios públicos. Neste caso, apenas é necessário alterar o horário de trabalho. Os trabalhadores com deficiência podem ter de fazer uma pausa para almoço mais longa do que a maioria dos seus colegas, ou podem querer começar a trabalhar mais cedo ou ficar até mais tarde para beneficiar de períodos em que o local de trabalho é mais tranquilo, de forma a reduzir a sobrecarga sensorial.

A institucionalização de regimes de trabalho flexíveis é crucial para promover uma cultura de inclusividade. Este método não deve estar sujeito ao critério de determinados gestores, mas ser integrado nas políticas organizativas, assegurando uma abordagem estruturada das adaptações razoáveis. Desta forma, a segurança no emprego e a estabilidade financeira das pessoas com deficiência não são afetadas e, ao mesmo tempo, as suas necessidades únicas são reconhecidas e tidas em conta.


Método 5

Regimes flexíveis de tarefas

A reorganização das tarefas profissionais num local de trabalho (conhecida como «modelação do emprego») pode fazer parte de uma estratégia de emprego apoiado, que permita às pessoas aceitarem um emprego apesar dos obstáculos que podem enfrentar. Estes regimes podem começar durante um período inicial de emprego, com avaliações individualizadas. As adaptações razoáveis através da modelação do emprego implicam a troca de funções, ou de tarefas especializadas entre funções, a fim de tirar o máximo partido das competências individuais de uma pessoa com deficiência, permitindo-lhe desempenhar as tarefas em que é mais qualificada ou mais bem-sucedida. Por exemplo, uma pessoa com deficiência intelectual que não consiga gerir pagamentos pode ser capaz de trabalhar numa loja ou num mercado, servindo clientes e entregando-lhes os seus produtos.

Para além das adaptações organizacionais, é importante que os gestores e os colegas de trabalho demonstrem uma atitude acolhedora em relação aos trabalhadores com deficiência. Para tal, os colegas de trabalho têm de compreender que os regimes especiais estão em vigor para facilitar o trabalho das pessoas com deficiência, e não para lhes proporcionar privilégios adicionais. Quando as pessoas com deficiência se sentem à vontade e socialmente incluídas no local de trabalho, para além das disposições logísticas, é provável que executem as suas tarefas de forma mais eficaz e se sintam parte integrante da equipa.

2.3 O que não é considerado uma adaptação razoável?

Algumas práticas ou alterações podem ser erradamente consideradas adaptações razoáveis, embora não cumpram necessariamente os requisitos da Diretiva Igualdade no Emprego ou da Convenção das Nações Unidas. As adaptações razoáveis não são sinónimo de acessibilidade. O Comentário Geral da Comissão para os Direitos das Pessoas com Deficiência relativo à acessibilidade especifica que a acessibilidade diz respeito a grupos, ao passo que as adaptações razoáveis dizem respeito a pessoas18.

Esclarece igualmente que a acessibilidade é uma condição prévia, enquanto as adaptações razoáveis surgem depois, como forma de superar os obstáculos persistentes e de responder a necessidades individuais19. A acessibilidade, em determinadas circunstâncias, pode também ser uma componente das adaptações razoáveis. Além disso, depois de alcançada a acessibilidade, as adaptações razoáveis relacionadas com dispositivos técnicos são muito mais simples e menos dispendiosas.

(i) Ajustamentos mínimos com pouco impacto

Efetuar pequenas alterações no seu local de trabalho pode não ser suficiente para cumprir os requisitos de adaptações razoáveis. Por si só, ajustamentos como disponibilizar caracteres maiores num ecrã de computador ou atribuir um mentor para ajudar um trabalhador com deficiência — embora úteis — podem não resolver adequadamente todos os obstáculos que o trabalhador enfrenta no desempenho das suas funções ou na sua progressão na carreira. O empregador deve ajustar as adaptações razoáveis para satisfazer as necessidades específicas dos seus trabalhadores, permitindo-lhes participar plenamente no local de trabalho.

(ii) Ajustamentos que não satisfazem as ­necessidades expressas

Quando um empregador disponibiliza um serviço que não responde às necessidades expressas pela pessoa com deficiência, tal não constitui uma adaptação razoável ao abrigo da CNUDPD. Por si só, ajustamentos como a disponibilização de legendagem fechada a um trabalhador surdo para reuniões — em vez da interpretação da língua gestual nacional, conforme solicitado — não dão uma resposta adequada aos desafios enfrentados por esse trabalhador no desempenho das suas funções.

(iii) Soluções temporárias

Poder-se-á questionar se a disponibilização de soluções temporárias ou de curto prazo pode ser considerada uma adaptação razoável — por exemplo, permitindo que um trabalhador com mobilidade reduzida trabalhe a partir de casa durante um curto período ou concedendo-lhe uma licença intermitente. Embora as medidas temporárias possam ser adequadas em determinadas situações, podem não ser suficientes para dar resposta às necessidades a longo prazo do trabalhador, pelo que, muito provavelmente, será necessário explorar adaptações de caráter mais permanente. Por outras palavras, as medidas e os procedimentos de adaptação razoável devem ser integrados nos procedimentos do local de trabalho.

(iv) Práticas de segregação ou exclusão

Os empregadores podem pensar que a segregação dos trabalhadores com deficiência — por exemplo, atribuir espaços de trabalho separados aos trabalhadores com deficiência ou limitar as suas interações com os colegas — é uma forma de adaptação razoável. Essas medidas podem, por vezes, ser úteis, por exemplo em circunstâncias em que um trabalhador tem muito mais facilidade em concentrar-se e em trabalhar quando está afastado de outras pessoas. No entanto, a conceção dessas soluções exige cautela. Os trabalhadores com deficiência necessitam de interação com os seus colegas. Um ajustamento do ambiente de trabalho que prejudicasse essa interação e, em geral, as preferências e capacidades individuais dos trabalhadores com deficiência não seria uma adaptação razoável; perpetuaria a estigmatização, prejudicaria as oportunidades de progressão na carreira dos trabalhadores com deficiência e comprometeria a sua inclusão no local de trabalho. Por outras palavras, tratar-se-ia de segregação. As adaptações razoáveis visam facilitar uma participação e uma inclusão equitativas, e não isolar as pessoas devido às suas deficiências.

(v) Proibição da utilização de próteses e ­ortóteses

As próteses e ortóteses são produtos médicos para uso pessoal que corrigem, melhoram ou substituem uma parte ou função do corpo. Trata-se, por exemplo, de aparelhos ou implantes auditivos, braços ou pernas artificiais, cadeiras de rodas e óculos. Por vezes, uma administração pública decidirá que alguns destes dispositivos (principalmente aparelhos ou implantes auditivos) não podem ser utilizados durante os concursos para a função pública, a menos que uma pessoa com deficiência tenha solicitado «adaptações razoáveis». Tal ignora o facto de estes dispositivos (como óculos, implantes e cadeiras de rodas) não constituírem medidas de acessibilidade ou adaptações razoáveis, mas sim objetos indissociáveis da pessoa e inerentes à mesma. Os empregadores devem estar cientes deste facto e ponderar a possibilidade de permitir a utilização desses dispositivos durante os processos de recrutamento.

3 Eliminar os obstáculos ao talento: adotar uma abordagem moderna da deficiência

Em toda a Europa, as nossas atitudes em relação à deficiência e às pessoas com deficiência têm vindo a evoluir ao longo do tempo. Adotar uma abordagem inclusiva e centrada nas pessoas e ajudá-las a superar os seus obstáculos, em vez de centrar a atenção nas suas deficiências, é fundamental para prever ajustamentos eficazes no seu local de trabalho e, desse modo, ajudar todos os seus trabalhadores a prosperar num ambiente produtivo e de apoio mútuo.

Concentre-se nos talentos, méritos, competências e aptidões das pessoas com deficiência, tal como faria com os trabalhadores sem deficiência.

Se uma deficiência afeta a pessoa no trabalho, pergunte-lhe que estratégias utiliza na vida quotidiana, fora do local de trabalho, para superar os obstáculos que enfrenta. Poderá ser possível utilizar algumas dessas estratégias no local de trabalho.

Deve conceber adaptações centradas nas pessoas, tendo em conta as necessidades, os desafios e os pontos fortes específicos de pessoas com diferentes deficiências. Um diálogo aberto e respeitador com os seus trabalhadores pode ajudar a determinar e a compreender as necessidades únicas dos mesmos.

Dialogue com os sindicatos no seu local de trabalho para ponderar soluções de adaptação razoável através da negociação coletiva.

As adaptações razoáveis não têm apenas de cumprir a lei. No contexto do emprego, a abordagem ideal da deficiência deve ser:

  • centrada nas pessoas
  • holística
  • biopsicossocial

e deve abranger:

  • inclusão
  • bem-estar
  • capacitação
  • acessibilidade
  • reconhecimento dos diferentes tipos de deficiência.

O que implica uma abordagem biopsicossocial?

A abordagem biopsicossocial reconhece que a deficiência não diz respeito apenas a fatores biológicos — uma doença ou deficiência, mental ou física, que afeta a pessoa em causa; implica, sim, uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais e coloca o indivíduo no centro do processo de adaptação razoável, tendo em conta as suas necessidades, preferências e pontos fortes únicos.

O modelo biopsicossocial reconhece que a deficiência é multidimensional. Embora tenha em conta as deficiências e as doenças crónicas de uma pessoa, também considera os aspetos psicológicos (fatores cognitivos e emocionais) e os aspetos sociais (relacionados com obstáculos sociais, atitudes e inclusão) que moldam a sua experiência enquanto deficiente.

Por ser centrada nas pessoas, esta abordagem concentra-se nas suas necessidades, preferências e pontos fortes únicos, reconhecendo que cada pessoa com deficiência, embora enfrente desafios específicos, tem as suas próprias capacidades individuais. Não existe uma abordagem única. Através de conversas significativas com os seus trabalhadores, poderá compreender as circunstâncias específicas dos mesmos e ajustar as suas adaptações em conformidade. Esta abordagem individualizada promove um sentimento de apropriação, dignidade e respeito, conduzindo a uma maior satisfação e eficácia no processo de adaptação.

3.1 Ter em conta um vasto leque de deficiências

Ao ter em conta os diferentes tipos de deficiência descritos na CNUDPD e ao adotar uma abordagem abrangente e centrada nas pessoas para as adaptações, pode criar ambientes de trabalho inclusivos que proporcionem igualdade de oportunidades ao pessoal com deficiências físicas, sensoriais, intelectuais e psicossociais, nomeadamente para uma mão de obra em envelhecimento.

Deficiências físicas

Existe um vasto leque de problemas de saúde que podem afetar a mobilidade, a destreza ou o funcionamento físico de uma pessoa. Entre eles incluem-se, por exemplo lesões da espinal medula, distrofia muscular e perda de membros.

Deve assegurar a acessibilidade física no local de trabalho, incluindo rampas, corrimãos, corredores largos, passagens assinaladas, ascensores e instalações sanitárias acessíveis. As adaptações razoáveis podem incluir secretárias ou postos de trabalho ajustáveis, dispositivos de assistência, equipamento modificado e lugares de estacionamento acessíveis.

Deficiências sensoriais

As deficiências visuais podem variar entre a perda parcial de visão e a cegueira completa, ao passo que as deficiências auditivas podem ir da perda parcial de audição à surdez. Algumas pessoas com deficiência auditiva comunicam em língua falada e outras em língua gestual.

Pode disponibilizar secretárias e cadeiras ajustáveis, leitores de ecrã, materiais em Braille, intérpretes de voz para texto, legendagem, intérpretes de língua gestual para as pessoas que a utilizam para comunicar, ou dispositivos de auxílio à audição para quem comunica em língua falada. Poderão ser necessários documentos acessíveis ou formatos alternativos para permitir a comunicação. Realize as reuniões em espaços acessíveis e forneça a documentação das reuniões em formatos acessíveis, como Braille ou versões eletrónicas legíveis por leitores de ecrã.

Deficiências intelectuais

Estas deficiências incluem limitações no funcionamento cognitivo e nas capacidades de adaptação. As pessoas com deficiência intelectual podem necessitar de apoio adicional para compreender e desempenhar funções.

Deve fornecer instruções claras, materiais simplificados e formação. As adaptações podem incluir processos de trabalho modificados, a repartição de tarefas complexas, a concessão de mais tempo para a realização de tarefas, a disponibilização de ajudas visuais e o apoio de orientadores profissionais ou mentores.

Deficiências psicossociais

Algumas doenças mentais, incluindo depressão, perturbações de ansiedade, perturbação bipolar e perturbação de stress pós-traumático, podem afetar o bem-estar emocional de uma pessoa e a sua funcionalidade no quotidiano.

Deve criar um ambiente de trabalho solidário e livre de estigmas, proporcionando flexibilidade de horários e promovendo formação e sensibilização sobre saúde mental. As adaptações razoáveis podem incluir a alteração do horário de trabalho, aconselhamento, ajustamentos no local de trabalho para reduzir o stress ou um espaço tranquilo designado.

A acessibilidade é um dos aspetos fundamentais para assegurar adaptações razoáveis. Inclui a acessibilidade física e digital, a acessibilidade de produtos e serviços20 e a comunicação. Ao garantir a acessibilidade, os empregadores demonstram empenho na criação de locais de trabalho inclusivos.

Ao terem em conta os diversos tipos de deficiência descritos na CNUDPD e ao adotarem uma abordagem abrangente e centrada nas pessoas quando procedem às adaptações, os empregadores podem criar ambientes de trabalho inclusivos que assegurem oportunidades iguais ao pessoal com deficiências físicas, sensoriais, intelectuais e psicossociais.

3.2 Apoiar uma mão de obra em envelhecimento

Ao alargar os princípios das adaptações razoáveis para ter em conta as necessidades de uma mão de obra em envelhecimento, pode tirar partido dos alicerces de um ambiente de trabalho inclusivo. Se aproveitar oportunidades para melhorar a ergonomia e permitir horários de trabalho flexíveis, opções de reforma progressiva e formação contínua para melhorar as competências, poderá beneficiar os trabalhadores mais velhos, tornando o local de trabalho mais adaptável e resiliente para todos. Esta abordagem multigeracional está em consonância com os objetivos mais vastos da sustentabilidade social, assegurando que o local de trabalho é um espaço diversificado, inclusivo e produtivo.

É comum, mas muitas vezes errado, presumir-se que as deficiências das pessoas mais velhas são simplesmente um resultado do processo de envelhecimento, sendo crucial desafiar esta perceção. Deve ter o cuidado de distinguir entre alterações relacionadas com a idade e deficiências específicas que possam exigir adaptações e apoio específicos. Quando a deficiência em idades mais avançadas não é devidamente reconhecida, os obstáculos à acessibilidade podem, por vezes, passar despercebidos, o que pode impedir as pessoas mais velhas com deficiência de aceder plenamente a oportunidades de emprego.

Enquanto empregador, pode criar ambientes solidários através de horários flexíveis, opções de trabalho à distância, espaços de trabalho com uma conceção ergonómica e oportunidades de aprendizagem contínua adaptadas às necessidades das pessoas mais velhas, especialmente as que são portadoras de deficiência. Ao fazê-lo, não só enriquece a sua cultura organizacional, como também reforça a sua vantagem competitiva no mercado das formas a seguir enumeradas.

  • Experiência e conhecimentos especializados
    As pessoas mais velhas acumularam anos de experiência e possuem um vasto repositório de conhecimentos. As suas perceções, reforçadas ao longo de décadas, podem acrescentar um valor inestimável à tomada de decisões, à resolução de problemas, à mentoria dos trabalhadores mais jovens e às relações com os clientes.
  • Diversidade e inovação
    Uma mão de obra diversificada, que englobe várias idades, promove uma variedade de perspetivas que é fundamental para a inovação. Diferentes experiências de vida e pontos de vista podem enriquecer o pensamento coletivo e facilitar soluções criativas.
  • Eficiência em termos de custos
    Ao disponibilizarem horários flexíveis ou opções de trabalho à distância, as empresas podem conservar os conhecimentos especializados inestimáveis dos trabalhadores mais velhos a custos potencialmente reduzidos em comparação com uma configuração tradicional de trabalho no escritório.
  • Imagem de marca do empregador
    Ser reconhecido como um empregador adaptado às pessoas idosas pode melhorar a sua imagem de marca. Demonstra um compromisso com a inclusão e a responsabilidade social, que pode atrair uma reserva de talentos mais vasta e ser bem acolhido pelos consumidores.
  • Conformidade legal e atenuação dos riscos
    A adesão a políticas de inclusão e de adaptação razoável demonstra o cumprimento das normas jurídicas e evita os riscos associados à perda de trabalhadores idosos ou dos seus conhecimentos especializados.

3.3 Contratar pessoal com deficiência utilizando adaptações razoáveis: os benefícios expectáveis

Pessoal apoiado e valorizado

A promoção de adaptações razoáveis como um direito pode ajudar a criar um local de trabalho mais inclusivo, diversificado e solidário, bem como uma cultura de equidade e de igualdade de oportunidades. Envia uma mensagem clara de que o pessoal com deficiência é valorizado e apoiado e de que as pessoas que enfrentam obstáculos podem confortavelmente apresentar-se como são no local de trabalho. Pode mesmo aumentar o número de candidaturas a emprego, se mais pessoas com deficiência se sentirem incentivadas a candidatar-se.

Apoio adequado que conduz a uma melhor taxa de retenção

Os trabalhadores que obtêm adaptações adequadas são mais suscetíveis de se sentirem apoiados, valorizados e capacitados para se distinguirem no seu trabalho, o que, por sua vez, pode melhorar a satisfação no trabalho, a lealdade e as taxas globais de retenção na organização.

Maior eficiência e ­produtividade

Quando os trabalhadores obtêm as adaptações necessárias para superar os obstáculos relacionados com a deficiência, podem desempenhar as suas funções de forma mais eficaz e eficiente; a otimização das condições de trabalho permite-lhes utilizar plenamente as suas competências e aptidões, melhorando a produtividade e os resultados em termos de desempenho. O Fórum Europeu das Pessoas com Deficiência dedicou o seu sétimo Relatório Europeu sobre os Direitos Humanos ao direito ao trabalho das pessoas com deficiência. Cita as conclusões de vários outros relatórios relativos à produtividade das pessoas com deficiência. Por exemplo, um estudo junto de gestores de recursos humanos concluiu que 72 % dos trabalhadores com deficiência aos quais são asseguradas adaptações razoáveis obtêm classificações de desempenho médias, acima da média ou excelentes21.

Benefícios económicos para as empresas inclusivas

Um estudo do Fórum Económico Mundial revelou que, no período de quatro anos analisado, as empresas mais inclusivas alcançaram receitas 28 % superiores às das empresas menos inclusivas, com o dobro do rendimento líquido e margens de lucro 30 % mais elevadas22.

Reforço da reputação ­organizacional

A promoção de adaptações razoáveis como um direito demonstra o compromisso de uma organização com a diversidade, a inclusão e o cumprimento das obrigações legais. Este compromisso reforça a reputação da organização, tanto a nível interno como externo, ajudando a atrair os melhores talentos e a manter relações positivas com os clientes e as partes interessadas, posicionando simultaneamente o empregador como socialmente responsável e inclusivo.

Uma cultura positiva no local de trabalho e uma mão de obra sustentável

Uma cultura positiva no local de trabalho ajuda a quebrar o estigma e os preconceitos associados à deficiência e incentiva o respeito e a compreensão. Podem igualmente ser realizados ajustamentos em benefício de uma mão de obra em envelhecimento, tendo em conta os obstáculos específicos decorrentes da deficiência, mas distinguindo-os das mudanças relacionadas com a idade entre os trabalhadores mais velhos. Esta cultura inclusiva beneficia todo o pessoal e ajuda a criar um ambiente em que a diversidade é celebrada e todos se sentem valorizados e apoiados.

3.4 Como aumentar a sensibilização

Cada vez mais, os empregadores reconhecem e compreendem os potenciais benefícios das adaptações razoáveis e promovem-nas ativamente como prática corrente.

Há várias formas de aumentar a sensibilização na sua organização ou empresa para a importância e os benefícios das adaptações razoáveis.

Formação e seminários

As sessões de formação e os seminários sobre sensibilização para a deficiência e adaptações razoáveis (liderados, por exemplo, pelo departamento de RH da sua organização) podem educar os gestores e outros trabalhadores sobre os direitos dos trabalhadores com deficiência, os benefícios das adaptações e as boas práticas para a aplicação concreta das adaptações. Em seminários interativos, os participantes podem examinar os desafios e as oportunidades que enfrentam, debatendo diferentes estudos de caso e cenários.

Campanhas de comunicação

As campanhas de sensibilização podem ser utilizadas para salientar a importância das adaptações razoáveis e para incentivar uma cultura de inclusividade. Pode utilizar boletins informativos internos, páginas intranet e sinalização digital para partilhar informações, histórias de sucesso e testemunhos de trabalhadores que tenham beneficiado de adaptações, não só para aumentar a sensibilização, mas também para desafiar ideias erradas e promover atitudes positivas em relação às adaptações razoáveis.

Liderança, empenho e defesa da causa

Dirigentes, executivos e gestores devem ajudar a defender a causa das adaptações razoáveis. Se desempenhar uma função de liderança e puder demonstrar o seu empenho, dará o exemplo a partir do topo e incentivará uma adoção e aceitação mais amplas no seio da organização.

Colaboração com organizações de pessoas com deficiência

As parcerias com organizações de pessoas com deficiência, grupos de defesa dessas pessoas ou peritos a nível externo podem proporcionar conhecimentos especializados e orientações adicionais. Os seus conhecimentos e recursos podem melhorar a compreensão, por parte da sua organização, das adaptações razoáveis e das experiências dos trabalhadores com deficiência, conduzindo a novas ideias e abordagens.

Avaliação e melhoria contínua

Deve recolher reações dos trabalhadores, do pessoal de RH e dos gestores, a fim de identificar os aspetos a melhorar, enfrentar os desafios e celebrar os êxitos. O acompanhamento e a avaliação contínuos podem ajudar a sua organização a aperfeiçoar a sua abordagem, aumentando a sensibilização do pessoal e maximizando os benefícios das adaptações razoáveis.

O modelo de «divulgação facultativa»

O modelo de «divulgação facultativa» reconhece o direito de uma pessoa a decidir se divulga ou não a sua deficiência. Permite que as pessoas tenham conversas sobre adaptações razoáveis quando estiverem prontas e dispostas a fazê-lo.

Isto significa que uma pessoa com deficiência pode manter o controlo das suas informações pessoais.

Esta abordagem respeita a autonomia individual e permite que as pessoas partilhem o seu estatuto de deficiência e debatam as suas adaptações (eventualmente com um processo de adaptação flexível) ao seu próprio ritmo.

O respeito desta escolha individual promove a privacidade e a confidencialidade, assegurando que as informações pessoais sensíveis sejam partilhadas apenas com pessoas pertinentes, como o pessoal de recursos humanos (RH) ou os supervisores, o que ajuda a manter um espaço seguro para conversas abertas e honestas.

Ao criar um ambiente em que as pessoas não são obrigadas a revelar as suas deficiências, este modelo pode reduzir o estigma e o risco de tratamento discriminatório, pelo que o trabalho do pessoal que enfrenta obstáculos pode ser avaliado com base nas suas capacidades, competências e desempenho e não na sua deficiência.

3.5 Concessão de adaptações razoáveis

Pode encontrar uma solução sustentável para o seu pessoal com deficiência através de um processo bem organizado para a concessão de adaptações razoáveis. As adaptações previstas têm de ser eficazes, eficientes e adaptadas à pessoa em causa. As soluções apresentadas têm de ser sustentáveis ao longo do tempo. Poderá ter de realizar avaliações exaustivas relativamente aos trabalhadores com deficiência, ponderando o recurso a aconselhamento especializado, quando disponível, e deve integrar os seus trabalhadores no processo de tomada de decisões. O seu objetivo deve ser identificar adaptações que respondam às necessidades imediatas dos trabalhadores que, de outro modo, enfrentariam obstáculos no seu trabalho, tendo simultaneamente em conta a sustentabilidade a longo prazo.

O processo de concessão de adaptações razoáveis rege-se pelas obrigações jurídicas e pela legislação em matéria de luta contra a discriminação. Se tiver dúvidas quanto aos requisitos exatos, deve consultar a autoridade ou associação patronal local, que poderá ajudar a identificar a legislação em causa. O cumprimento da lei protege os direitos dos trabalhadores com deficiência e reduz o risco de litígios ou de queixas por discriminação, ao mesmo tempo que cria e mantém um ambiente de trabalho justo e equitativo.

A negociação coletiva e o diálogo social entre empregadores e sindicatos desempenham um papel importante na negociação e aplicação de medidas de adaptação razoável no local de trabalho para as pessoas com deficiência. Através destes debates colaborativos, os sindicatos tornam-se vigorosos defensores dos trabalhadores com deficiência, utilizando a sua força coletiva para influenciar e assegurar os ajustamentos necessários. Ao dar resposta às necessidades específicas e ao promover um ambiente inclusivo, este diálogo reforça o compromisso com a igualdade de oportunidades, tornando o local de trabalho acessível e favorável a todos.

3.6 Práticas inclusivas em todas as fases do emprego

O emprego de pessoas com deficiência é um percurso que começa com a fase de recrutamento e inclui a retenção e a facilitação de uma progressão harmoniosa na carreira. A presente secção apresenta as medidas que os empregadores podem tomar em cada fase do emprego para promover um ambiente de trabalho inclusivo.

I. Recrutamento

A contratação de uma mão de obra diversificada começa com um processo de recrutamento inclusivo. Enquanto empregador, está na linha da frente, cabendo às agências de recrutamento e às autoridades públicas um papel de apoio.

Colaboração

  • Colabore com agências de recrutamento especializadas com competências em matéria de contratação de pessoas com deficiência.
  • Contacte as autoridades públicas para obter orientação e apoio, a fim de garantir que cumpre os requisitos legais.

Acessibilidade

  • Certifique-se de que os anúncios de emprego são acessíveis e inclusivos, disponibilizando formatos ou formulações alternativos quando necessário.
  • O anúncio de emprego deve solicitar aos candidatos que indiquem se têm uma necessidade específica ou se precisam de uma adaptação para poderem participar na entrevista.
  • Torne o processo de entrevista inclusivo e acessível, disponibilizando adaptações razoáveis, como intérpretes de língua gestual ou locais acessíveis, dispositivos de auxílio à audição, ou transcrição de voz para texto.

Sensibilização e formação

Realize programas de sensibilização e sessões de formação para desconstruir mitos e promover um ambiente acolhedor para os candidatos com deficiência. Para mais informações sobre a organização de programas de formação, ver a secção «Facilitar a comunicação sobre adaptações razoáveis».

II. Retenção

A retenção é decisiva para a construção de um ambiente de trabalho benéfico. Não se trata apenas de manter o pessoal na folha de pagamentos, mas também de garantir o seu bem-estar e a sua produtividade.

Adaptações razoáveis

  • Disponibilizar adaptações razoáveis sem demora excessiva.
  • Criar locais de trabalho inclusivos e acessíveis e fornecer tecnologias de apoio.
  • Fornecer assistência pessoal.
  • Disponibilizar horários de trabalho flexíveis e opções de trabalho à distância (se tal for solicitado pelos trabalhadores com deficiência).
  • Ajustar as funções profissionais de modo a adaptá-las às capacidades das pessoas com deficiência.
  • Assegurar um transporte acessível.
  • Utilizar ferramentas de comunicação acessíveis.
  • Propor um programa de regresso ao trabalho para os trabalhadores que têm de abandonar o local de trabalho para recuperarem de um acidente, doença ou outra condição que possa afetar a sua capacidade para desempenhar as respetivas funções.
  • Proceder a verificações regulares para compreender e satisfazer quaisquer necessidades existentes.

Redes de apoio

Promover grupos de apoio entre pares, por exemplo, um grupo de recursos para trabalhadores com deficiência, e programas de mentoria para apoiar a inclusão social e profissional dos trabalhadores com deficiência.

Aprendizagem e desenvolvimento contínuos

Proporcionar oportunidades de desenvolvimento de competências e formação; assegurar locais e materiais didáticos adequados à sua finalidade e acessíveis.

III. Progressão na carreira

A promoção de uma cultura de crescimento e de oportunidades para todos os trabalhadores é essencial para um local de trabalho equitativo.

Avaliação de desempenho

  • Assegurar que as avaliações de desempenho são justas, imparciais e baseadas nas capacidades e realizações de cada pessoa.
  • Incentivar um diálogo aberto para compreender as aspirações e os objetivos de carreira dos trabalhadores com deficiência.

Oportunidades de promoção

Fomentar um processo de promoção transparente, que garanta que todos os trabalhadores, independentemente da sua deficiência, tenham acesso a oportunidades de progressão na carreira. Se uma pessoa tiver as qualificações e a experiência adequadas para o posto de trabalho e puder disputar a promoção ao mesmo, há que ponderar a necessidade de adaptações ­razoáveis.

Reforço das capacidades

Oferecer programas de formação e mentoria em matéria de liderança para preparar os trabalhadores com deficiência para funções superiores.

Colaboração com parceiros externos

Colaborar com grupos de defesa das pessoas com deficiência e serviços de reabilitação profissional para obter orientações sobre como facilitar a progressão na carreira.

Integrar as adaptações razoáveis e a inclusão em todas as fases do emprego não só é um requisito legal, como também contribui significativamente para um ambiente de trabalho harmonioso e produtivo. Os empregadores, em colaboração com parceiros externos, são motores essenciais da promoção de uma cultura de acessibilidade, igualdade de oportunidades e crescimento para todos os trabalhadores, criando bases sólidas para uma empresa progressiva e socialmente responsável.

O recrutamento, a retenção e a progressão na carreira fazem parte do mesmo processo contínuo de promoção de um ambiente de trabalho inclusivo. Na presente secção, descrevemos o quanto estas fases do emprego estão interligadas. As presentes orientações oferecem uma análise abrangente das medidas destinadas a assegurar um ambiente de trabalho solidário e inclusivo ao longo de todo o ciclo de vida do emprego.

3.7 Facilitar a comunicação sobre as adaptações razoáveis

Existem várias estratégias para assegurar uma comunicação eficaz quando o pessoal solicita e obtém adaptações razoáveis.

Canais de comunicação claros, inclusivos e ­acessíveis

Os trabalhadores com deficiência devem poder utilizar canais de comunicação que lhes permitam aceder facilmente à informação sobre o processo de adaptação. Por exemplo, pode criar um endereço de correio eletrónico específico, eventualmente em conjunto com uma linha de apoio ou uma página Web, para o pessoal poder apresentar pedidos de adaptações razoáveis e solicitar esclarecimentos sobre as suas necessidades individuais. Deve disponibilizar as informações pertinentes numa linguagem facilmente compreensível e em vários formatos, a fim de maximizar a acessibilidade.

Políticas e procedimentos transparentes para as adaptações razoáveis

Pode designar um membro do pessoal para supervisionar a diversidade e a inclusão, o qual, em colaboração com os membros do pessoal com deficiência, pode elaborar um documento estratégico ou material de orientação sobre as adaptações razoáveis. É importante integrar as pessoas com deficiência no processo de elaboração dessas orientações, em consonância com os princípios da inclusividade e a abordagem «nada sobre nós sem nós», utilizados por muitos grupos de defesa das pessoas com deficiência e associados à CNUDPD. As suas políticas e procedimentos devem descrever claramente o processo de adaptação, e os documentos pertinentes devem ser disponibilizados a todos os trabalhadores, incluindo os que são portadores de deficiência, para que possam compreender claramente as etapas em causa. Importa indicar claramente os indivíduos ou serviços a contactar. As políticas e orientações devem realçar a confidencialidade e garantir aos trabalhadores que quaisquer pedidos de adaptação que apresentem serão tratados em privado e com sensibilidade.

Mediação externa

Se não for possível obter facilmente um acordo entre uma pessoa e um empregador, poderá ser útil solicitar assistência a um mediador externo imparcial. Esta solução pode ajudar a mediar um acordo e a obter uma decisão mutuamente aceitável sobre os ajustamentos a efetuar.

Educação e formação para todos

As organizações são aconselhadas a disponibilizar formação ou programas educativos para aumentar a sensibilização e a compreensão do processo de adaptação razoável. Os próprios trabalhadores com deficiência devem receber formação, se necessário, para garantir que compreendem como enfrentar eficazmente o processo. É importante garantir que os membros do pessoal com deficiência compreendem os seus direitos. As organizações devem estar cientes de que, nos termos da CNUDPD, a deficiência é um conceito em evolução que resulta da interação entre pessoas com incapacidades e barreiras comportamentais e ambientais. Nem todas as deficiências são visíveis. O facto de a Convenção ter mudado a abordagem da deficiência, de uma abordagem médica e de caridade para uma outra baseada nos direitos humanos, deve refletir-se no processo de adaptação razoável da organização.

O pessoal de RH e qualquer outra pessoa que desempenhe um papel na coordenação das adaptações razoáveis também necessitarão de formação, nomeadamente sobre as leis e as boas práticas pertinentes, bem como sobre o tratamento sensível dos pedidos. Deve também ser ministrada formação aos chefes de equipa e aos gestores, que devem ajudar a manter um ambiente solidário e inclusivo no seu departamento ou organização — um local onde os trabalhadores com deficiência obtêm as adaptações de que necessitam para superar os obstáculos e desempenham as suas funções aproveitando todo o seu potencial, de uma forma que seja compreendida e apoiada pelos seus colegas.

Quem pode ministrar formação?

  • Peritos internos.
    Se a sua organização tiver um departamento de diversidade e inclusão ou peritos em direitos das pessoas com deficiência e em adaptações razoáveis, eles serão os candidatos ideais para realizar a formação.
  • Consultores externos.
    Podem ser contratados profissionais especializados em diversidade no local de trabalho, inclusão e cumprimento da legislação em matéria de deficiência para realizar ações de formação.
  • Agências governamentais.
    Alguns países têm organizações governamentais dedicadas à diversidade e à inclusão no local de trabalho. Muitas vezes, fornecem recursos de formação ou mesmo serviços de formação direta.
  • Organizações sem fins lucrativos e grupos de defesa.
    As organizações que se centram nos direitos e na inclusão das pessoas com deficiência prestam frequentemente serviços de formação ou podem recomendar formadores ­especializados.

Como deve ser organizada a formação?

  • Avaliação de necessidades.
    Antes da formação, avalie que tipo de formação é necessária — formação para sensibilização geral ou conformidade jurídica, ou formação especializada para pessoal de RH e gestores.
  • Desenvolvimento curricular.
    Com base na avaliação de necessidades, elabore um currículo de formação, que poderá incluir apresentações, seminários, estudos de caso e sessões interativas.
  • Modo de formação.
    Decida se a formação será presencial, em linha ou híbrida. Seja qual for o meio escolhido, certifique-se de que a formação é inclusiva e acessível.
  • Calendário.
    Planeie um calendário para a realização das sessões de formação. Escolha os momentos em que podem participar mais pessoas.
  • Integração das pessoas com deficiência.
    Se possível, integre as pessoas com deficiência no planeamento e na prestação da formação, a fim de garantir que esta é verdadeiramente inclusiva.
  • Reações e avaliação.
    Depois de ministrada a formação, recolha as reações dos participantes para avaliar a respetiva eficácia e os aspetos a melhorar.
  • Formação contínua.
    Considere a possibilidade de fazer da formação um processo contínuo, com atualizações regulares para ter em conta quaisquer alterações na legislação ou nas políticas internas.
  • Documentação.
    Mantenha registos das pessoas que participaram nas sessões de formação, dos momentos em que estas foram realizadas e dos materiais utilizados. Este aspeto poderá ser importante para a conformidade jurídica e para as avaliações internas subsequentes.

Se o planeamento e a prestação da formação forem metódicos, é possível garantir que esta serve eficazmente o seu objetivo na promoção de um ambiente mais inclusivo.

Comunicação e consulta individualizadas

Quando os trabalhadores com deficiência solicitam adaptações razoáveis, deve existir um diálogo aberto e respeitador com os mesmos. Eles devem ter a oportunidade de expressar as suas necessidades e preocupações específicas num ambiente confidencial e compreensivo. Se for necessário definir os pormenores das adaptações dos trabalhadores, estes devem desempenhar um papel ativo na tomada de decisões e na resolução de problemas em relação aos obstáculos que enfrentam. Por outras palavras, a sua voz deve ser ouvida e as suas perspetivas devem ser tidas em conta. Esta abordagem promove um sentimento de apropriação e inclusividade no processo. Trate o pedido o mais rapidamente possível.

Dessa forma, enquanto empregador, pode dialogar com o trabalhador de forma aberta e contar com a participação ativa do mesmo no estabelecimento das adaptações razoáveis.

1. Manifestação inicial da necessidade

O trabalhador comunica a sua necessidade de adaptações razoáveis sem revelar necessariamente a natureza específica da sua deficiência, a menos que se sinta à vontade para o fazer.

O empregador regista o pedido e manifesta a sua disponibilidade para debater possíveis soluções. O debate inicial deve ter lugar sem demora.

2. Preparação

Confidencialidade. Confirme que o debate é confidencial e só será partilhado com quem tem necessidade de tomar conhecimento.

Ambiente respeitador. Crie um ambiente acolhedor que coloque o trabalhador à vontade para poder debater as suas necessidades de forma aberta.

3. Necessidades e desafios

O trabalhador descreve os desafios específicos que enfrenta no local de trabalho devido à sua deficiência.

O empregador faz perguntas abertas para compreender melhor estes desafios, sem fazer suposições.

4. Adaptações propostas

O trabalhador apresenta sugestões de adaptações razoáveis suscetíveis de dar resposta a estes desafios.

O empregador responde com sugestões ou ajustamentos adicionais com base na capacidade operacional da organização.

5. Quadro jurídico

O empregador descreve os direitos legais do trabalhador e as obrigações que incumbem ao empregador por força da legislação e das políticas pertinentes.

O trabalhador confirma que compreende, fazendo perguntas se precisar de esclarecimentos.

6. Custos e logística

O empregador aborda quaisquer preocupações quanto ao custo ou à viabilidade das adaptações propostas.

O trabalhador oferece alternativas ou partilha informações sobre a eficácia de adaptações semelhantes noutros locais.

7. Calendário de execução

O empregador apresenta um prazo razoável para a implementação das adaptações.

O trabalhador aceita o calendário ou negoceia, se necessário.

8. Seguimento e revisão

Ambas as partes chegam a acordo sobre a forma como avaliarão a eficácia das adaptações e o momento em que voltarão a reunir-se para analisar se foram bem-sucedidas.

9. Documentação

O empregador resume os principais pontos do debate, as adaptações acordadas e o calendário num documento escrito que partilha com o trabalhador.

O trabalhador verifica a exatidão do documento e aprova-o. Tal deve ocorrer sem demora.

3.8 Fornecer orientações

Importa fornecer orientações e aconselhamento para responder às necessidades dos trabalhadores com deficiência, dos gestores, do pessoal responsável pelo tratamento dos pedidos de adaptação e dos chefes de equipa ou colegas que acolhem trabalhadores com deficiência no seu departamento ou equipa.

Para o trabalhador com deficiência

Se enfrenta obstáculos no trabalho, deve dispor de recursos educativos e materiais de formação sobre os seus direitos, as diferentes adaptações razoáveis à sua disposição e qualquer outro tipo de apoio e orientação que lhe possa ser oferecido. Pode ser encaminhado para redes de apoio a pessoas com deficiência, serviços especializados ou outros recursos.

Devem ser criados canais que lhe permitam expressar as suas necessidades, preocupações e reações, com um seguimento para garantir a eficácia das adaptações. Se necessário, as suas adaptações devem ser ajustadas ao longo do tempo.

Para os trabalhadores ­responsáveis pelo tratamento dos pedidos de ­adaptação

Deve receber formação abrangente sobre a sensibilização para a deficiência, as adaptações razoáveis, as obrigações jurídicas e as boas práticas no tratamento dos pedidos.

Devem também ser elaboradas orientações sobre a comunicação eficaz com os trabalhadores que solicitaram adaptações, abrangendo a escuta ativa, a manutenção da confidencialidade e formas de demonstrar uma boa compreensão do conceito, empatia e respeito.

Devem ser elaborados procedimentos e orientações claros para o tratamento dos pedidos de adaptação (abrangendo pormenores como prazos e requisitos de documentação). Deve dispor de apoio e recursos contínuos, incluindo o acesso a aconselhamento especializado e mediadores, bem como oportunidades de formação e desenvolvimento pertinentes.

Para os chefes de equipa e as equipas que recebem trabalhadores com deficiência

Deve receber formação contínua e orientação em matéria de sensibilização para a deficiência, de forma a promover um ambiente de trabalho inclusivo e gerir equipas diversificadas. Deve encetar um diálogo aberto com os trabalhadores com deficiência, a fim de alcançar a máxima compreensão e colaboração.

3.9 Procurar adaptações menos dispendiosas: encontrar um equilíbrio

É importante equilibrar a necessidade de adaptação, para satisfazer as necessidades específicas de cada indivíduo, com a exequibilidade e os custos da mesma. O objetivo deve ser encontrar as adaptações mais simples, a um custo razoável, que respondam efetivamente às necessidades e às circunstâncias individuais do trabalhador.

Ao adotar uma abordagem individualizada para dar resposta às necessidades e circunstâncias únicas de cada membro do pessoal com deficiência, pode disponibilizar soluções adaptadas que efetivamente eliminem os obstáculos e promovam a igualdade de oportunidades.

Um estudo da Rede de Adaptação no Trabalho nos Estados Unidos revelou que 60 % das adaptações no local de trabalho podem ser realizadas sem custos, sendo o custo médio de 500 USD (491 EUR) por trabalhador23. As adaptações ajudam a reter os trabalhadores, a melhorar a assiduidade e a produtividade e a reduzir os encargos com os seguros24.

Maximizar a eficácia, a retenção e a ­produtividade

O principal objetivo das adaptações razoáveis é permitir que os trabalhadores com deficiência desempenhem eficazmente as suas funções. Embora os custos e a viabilidade sejam claramente considerações importantes, a prioridade deve ser a eficácia das adaptações na satisfação das necessidades do trabalhador. Quanto mais as adaptações se ajustarem às necessidades específicas e personalizadas dos trabalhadores com deficiência, mais positivo será o efeito na retenção e na produtividade.

3.10 Acompanhamento e revisão

O processo de acompanhamento e revisão das adaptações razoáveis é essencial para garantir que estas se mantêm eficazes e para fazer face a quaisquer alterações ou ajustamentos que possam ser necessários.

Deve avaliar se a solução disponibilizada continua a ser eficaz. Tal pode implicar reuniões regulares de seguimento, análises das métricas de desempenho profissional, recolha de reações de supervisores ou colegas ou entrevistas com o próprio trabalhador para perceber se e de que forma a adaptação facilitou o seu trabalho. Ao avaliar a eficácia da adaptação, poderá identificar aspetos a melhorar ou explorar soluções alternativas se a solução prevista não satisfizer adequadamente as necessidades do trabalhador.

As necessidades dos trabalhadores com deficiência podem evoluir ao longo do tempo, pelo que é importante que introduza quaisquer alterações ou ajustamentos necessários. Poderá ser necessário ajustar a adaptação à luz de novas informações ou de alterações na situação do trabalhador, tais como uma alteração do seu problema de saúde ou novas responsabilidades profissionais. Deve estabelecer uma comunicação aberta e transparente com o trabalhador para determinar se são necessárias adaptações ou alterações alternativas nas medidas existentes para manter a sua eficácia.

Ao longo deste processo de acompanhamento e revisão, é fundamental que mantenha documentação e registos exatos. Tal inclui documentar os pormenores das adaptações, quaisquer alterações efetuadas, as reações do trabalhador e os resultados do processo de acompanhamento. A documentação ajuda a acompanhar o historial das adaptações previstas, facilita a referência futura e assegura o cumprimento dos requisitos legais.

No âmbito das adaptações razoáveis, é preferível adotar uma mentalidade de melhoria contínua. Enquanto dirigente ou gestor, deve aprender com cada experiência de adaptação, identificar boas práticas e proceder às alterações necessárias. As revisões ou avaliações regulares da eficácia das adaptações podem revelar-se extremamente úteis para fundamentar a tomada de decisões futuras.

4 Informação e apoio

Embora a realização de adaptações para o pessoal com deficiência implique frequentemente alterações e custos, está disponível assistência financeira e prática.

Em muitos países da UE, está disponível apoio financeiro para cobrir parte ou a totalidade dos custos da realização de adaptações razoáveis, nomeadamente sob a forma de subvenções ou subsídios, por vezes juntamente com apoio logístico para identificar as adaptações adequadas e ajudar no processo de candidatura a subvenções ou subsídios. O montante do apoio financeiro varia consideravelmente em toda a Europa, tal como os tipos de adaptações que podem ser financiados, mas os regimes de apoio financiam geralmente a adaptação de um posto de trabalho utilizado por uma pessoa com deficiência. Em alguns casos, também estão disponíveis ajudas para pagar aos orientadores profissionais ou custear despesas de viagem.

Para serem elegíveis para financiamento, os auxílios profissionais ou técnicos devem estar relacionados com a deficiência e ser utilizados para atividades profissionais específicas ou outras tarefas pertinentes. Os auxílios técnicos ao trabalho, tanto sob a forma de software como de hardware, podem ser considerados uma forma específica de adaptação. Permitem, por vezes, que os trabalhadores com deficiência desempenhem tarefas que, de outro modo, não poderiam executar.

O financiamento público pode cobrir os custos da formação de uma pessoa para utilizar o auxílio ao trabalho. O montante atribuído é decidido caso a caso e depende de vários critérios, tais como o grau de deficiência, os custos totais das medidas e o montante das despesas relacionadas com a deficiência que, de outro modo, seriam incorridas pelo empregador.

Pode receber financiamento específico para cobrir os custos da criação de novos locais de trabalho para pessoas com deficiências graves, eventualmente após um período de emprego numa oficina protegida. Nessas circunstâncias, os postos de trabalho apoiados devem ser reservados para essas pessoas a longo prazo.

Na maioria dos países da UE, estão disponíveis subvenções ou subsídios para a realização de adaptações razoáveis em algumas circunstâncias, embora os montantes variem e os processos de candidatura sejam, por vezes, onerosos do ponto de vista administrativo. Note-se que o empregador pode ter de reembolsar parcialmente os subsídios se rescindir o contrato num determinado prazo.

Em alguns países da UE, os empregadores podem receber apoio logístico para os ajudar a planear e implementar adaptações razoáveis, eventualmente para além do apoio financeiro. Este apoio é frequentemente prestado pelo setor público, quer por organismos convencionais quer por departamentos governamentais, como o serviço de emprego, embora, em alguns países, existam organizações especializadas que prestam apoio aos empregadores para a contratação de pessoas com deficiência.

A rubrica «Apoio financeiro» no final das presentes orientações apresenta uma seleção de organizações e fontes de assistência a nível da UE.

4.1 Onde procurar assistência

  • Os sítios Web oficiais das administrações nacionais, regionais ou locais responsáveis pelo emprego, pelo trabalho, pelos assuntos sociais ou pelos direitos das pessoas com deficiência fornecem frequentemente informações sobre as subvenções, os subsídios e os programas de apoio que podem estar disponíveis para ajudar os empregadores a estabelecer adaptações razoáveis.
  • Algumas organizações dedicadas às pessoas com deficiência e ao emprego, associações e organizações não governamentais (ONG) especializam-se no apoio aos empregadores e às pessoas com deficiência. Muitas vezes, fornecem recursos, orientações e informações sobre o apoio financeiro e logístico disponível para adaptações razoáveis. É o caso, por exemplo, do Fórum Europeu das Pessoas com Deficiência25 e da União Europeia de Cegos26. A Rede Europeia dos Organismos Nacionais para a Igualdade apresenta uma análise da jurisprudência recente em vários países europeus27.
  • A Comissão Europeia e as suas várias direções disponibilizam informações sobre oportunidades de financiamento, programas e recursos aos empregadores para efeitos de adaptações razoáveis, e várias páginas Web da UE destacam frequentemente iniciativas em matéria de direitos das pessoas com deficiência, emprego e inclusão social.
  • A série «Promoting Equity» da Organização Internacional do Trabalho visa ajudar os empregadores de todas as dimensões e em todos os setores económicos a prever adaptações razoáveis em todas as fases do ciclo de emprego28.
  • Os centros de apoio às empresas, as câmaras de comércio, as organizações profissionais ou setoriais e as associações empresariais disponibilizam frequentemente orientações e recursos para os empregadores, incluindo informações sobre apoio financeiro, subvenções e ajuda logística.
  • As agências de emprego ou os centros de emprego a nível local também podem dispor de informações sobre subvenções, subsídios ou programas de apoio aos empregadores.

4.2 Parcerias

Numa parceria, empregadores individuais e organismos externos podem trabalhar em conjunto para identificar e implementar adaptações razoáveis adequadas para um determinado trabalhador. Para além das parcerias com centros de emprego e outras organizações de recrutamento, centros de reabilitação profissional ou organizações da sociedade civil, os empregadores podem também trabalhar com médicos de trabalho, equipas de saúde no trabalho ou sindicatos.

Na maioria dos países da UE, existem, sob alguma forma, parcerias para ajudar os empregadores a realizar adaptações razoáveis, que muitas vezes os ajudam, através de aconselhamento ou apoio, a identificar adaptações adequadas. Embora, por vezes, possam ser constituídas com organismos públicos, como as agências de emprego responsáveis pela colocação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, essas parcerias também integram frequentemente ONG e associações patronais.

Existem numerosos exemplos em toda a Europa de parcerias que oferecem apoio, tais como assistência financeira, aconselhamento (aconselhamento individualizado sobre adaptações adequadas, guias para empregadores, aconselhamento sobre a conceção de locais de trabalho adaptados às pessoas com deficiência), redes de apoio (de empresas, uma rede de empregadores com experiência de contratação de pessoal com capacidade de trabalho reduzida), um coordenador de trabalho para identificar oportunidades de recrutamento e tarefas adequadas a pessoas com capacidade de trabalho parcial, bases de dados (registo de adaptações numa base de dados e serviços de mediação para chegar a acordo sobre as condições de trabalho). Por vezes, os peritos em saúde no trabalho estão também envolvidos em parcerias com os empregadores.

 

A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) desempenha um papel significativo na facilitação de adaptações razoáveis para as pessoas com deficiência, no âmbito do seu trabalho em matéria de emprego e direitos laborais em toda a Europa. Enquanto organização líder na representação dos trabalhadores e dos sindicatos na UE, a CES defende os direitos e interesses dos trabalhadores, incluindo os que são portadores de deficiência, procurando garantir que as políticas no local de trabalho, as convenções coletivas de trabalho e a legislação laboral promovem práticas inclusivas e adaptações razoáveis. A CES colabora ativamente com os empregadores, os decisores políticos e as partes interessadas para sensibilizar para as necessidades dos trabalhadores com deficiência e promover a integração de medidas inclusivas do ponto de vista da deficiência.

Em alguns países, como a Espanha, os sindicatos e as associações patronais assinaram acordos-quadro, convenções coletivas nacionais e provinciais e acordos a nível das empresas ou organizações relativos a medidas como adaptações e recolocações, se for caso disso.

4.3 Boas práticas

The 'Illustrative Examples' section of the Guide- lines presents best practices for ensuring reasonable accommodation (RA) by employers. Below is an overview of potential measures that can be implemented. For more detailed information, please refer to the 'Illustrative Examples' section.

Medidas técnicas

  • Equipamento para adaptar um posto de trabalho (por exemplo, ampliador de vídeo, assento ergonómico), por exemplo: p X
  • Software para pessoas com deficiências visuais
  • Equipamento de comunicação para pessoas com deficiências sensoriais
  • Utilização de símbolos simples para pessoas com deficiências intelectuais
  • Utilização de cores contrastantes no ambiente de trabalho para ajudar o pessoal com deficiência visual a orientar-se
  • Utilização de plataformas de videoconferência acessíveis (com transcrição de voz para texto)
  • Utilização de alarmes visuais para pessoas com deficiência auditiva (por exemplo, para sinalizar uma emergência, o som de uma campainha, uma chamada telefónica, o início e o fim do dia de trabalho)

Medidas organizacionais

  • Ajustamento do espaço de trabalho, das instalações e do equipamento
  • Modificações físicas/arquitetónicas para facilitar o acesso ao local de trabalho
  • Proporcionar um espaço tranquilo ou espaço de trabalho individual para facilitar a concentração
  • Oferecer a opção de teletrabalho
  • Assistência humana, como um intérprete de língua gestual, codificador de palavra complementada, tutor ou parceiro de trabalho
  • Ajustamento dos horários de trabalho, como o trabalho a tempo parcial ou horários de trabalho diferentes em relação ao resto da equipa — ou seja, horários individualizados aos quais não se aplica um horário coletivo
  • Pausas mais frequentes durante o dia de trabalho (por exemplo, para trabalhadores com diabetes)
  • Comunicação em linguagem simplificada para pessoas com deficiências intelectuais
  • Posição sentada (para um posto de trabalho em que se está normalmente de pé)
  • Tradução de instruções de trabalho para língua gestual ou uma linguagem de fácil leitura e compreensão
  • Afetação a um posto de trabalho geograficamente próximo do domicílio do trabalhador com deficiência
  • Adaptação de um veículo para permitir a uma pessoa com deficiência viajar de e para o trabalho se os transportes públicos não forem acessíveis
  • Escolha dos locais de reunião tendo em conta a acessibilidade e as comunicações
  • Reestruturação de equipas ou distribuição de tarefas dentro de uma equipa (reorganização das tarefas)
  • Sensibilização para a deficiência

Boas práticas de implementação

  • Determinar as limitações funcionais para a descrição das funções e o apoio necessário
  • Implementar adaptações razoáveis, tendo em conta, tanto quanto possível, as necessidades e preferências do trabalhador com deficiência
  • Acompanhar a eficácia da adaptação, procedendo, se for caso disso, aos ajustamentos necessários
  • Consultar peritos, por exemplo consultores em matéria de inclusão de pessoas com deficiência, profissionais de recursos humanos e especialistas em direito do trabalho e direitos das pessoas com deficiência.

4.4 Fontes de informação complementares

Vários Estados europeus dispõem das suas próprias publicações e de outras informações destinadas aos empregadores sobre as adaptações razoáveis. Podem ser disponibilizadas por ministérios governamentais, organismos para a igualdade ou serviços de emprego ou, por vezes, por unidades especializadas no emprego de pessoas com deficiência no setor público. As associações patronais, os sindicatos e as ONG (incluindo as organizações de pessoas com deficiência) também têm um papel a desempenhar em muitos países.

Outras fontes incluem iniciativas de inclusão das pessoas com deficiência, revistas académicas, materiais jurídicos (tais como sínteses da jurisprudência), conjuntos de instrumentos em matéria de deficiência para os empregadores (muitas vezes elaborados por organismos públicos ou organizações sem fins lucrativos, ou através de iniciativas específicas em matéria de deficiência), webinários e formação em linha, bem como orientações de associações específicas do setor.

Apresenta-se a seguir, na secção «Apoio financeiro», uma lista exaustiva dos organismos a consultar a nível europeu.

APOIO FINANCEIRO

Os fundos a nível nacional, regional e local são as principais fontes de apoio financeiro aos empregadores para preverem adaptações razoáveis no local de trabalho. Para mais informações, ver os relatórios por país dos EDE intitulados Striving for an inclusive labour market29.

Algumas fontes de financiamento da UE

A título complementar, pode ser utilizado financiamento da União Europeia para aplicar adaptações razoáveis e promover a acessibilidade e a inclusão no local de trabalho.

 

  • Horizonte Europa30

O Horizonte Europa, o programa de investigação e inovação da UE, proporciona oportunidades de financiamento para projetos relacionados com a deficiência e a acessibilidade. As organizações podem candidatar-se a financiamento no âmbito de convites à apresentação de propostas ou temas específicos centrados em tecnologias inclusivas, dispositivos de assistência ou conceção inclusiva dos locais de trabalho. O programa promove o desenvolvimento de soluções e tecnologias inovadoras que facilitem adaptações razoáveis no local de trabalho.

As organizações podem identificar convites à apresentação de propostas ou oportunidades de financiamento pertinentes publicados pela Comissão Europeia ou por várias agências da UE. Estes convites estabelecem normalmente objetivos específicos, critérios de elegibilidade e prioridades de financiamento relacionados com a acessibilidade e as adaptações razoáveis. As organizações devem analisar atentamente as orientações, elaborar uma proposta de projeto e apresentá-la dentro dos prazos especificados.

O processo de candidatura depende do programa ou iniciativa de financiamento em causa. Normalmente, as organizações são obrigadas a apresentar uma proposta de projeto que descreva os objetivos, as atividades, os resultados esperados e o orçamento para o seu projeto de adaptação razoável. Os critérios de elegibilidade podem incluir o alinhamento do projeto com as prioridades da UE, o seu impacto potencial, os requisitos de parceria e a sustentabilidade financeira. As organizações podem ter de demonstrar a sua capacidade, conhecimentos especializados e experiência na execução de projetos semelhantes.

A obtenção de financiamento da UE para iniciativas de adaptação razoável proporciona vários benefícios. Em primeiro lugar, disponibiliza recursos financeiros para apoiar a execução de projetos que promovam a acessibilidade e a inclusão no local de trabalho. Oferece igualmente oportunidades de ligação em rede, colaboração e intercâmbio de conhecimentos com outras organizações e peritos que trabalham no mesmo domínio. Além disso, receber financiamento da UE reforça a visibilidade e a credibilidade do trabalho da organização e pode conduzir a um maior reconhecimento a nível nacional e internacional.

Se compreenderem o processo de candidatura, os critérios de elegibilidade e os potenciais benefícios da obtenção de financiamento da UE, as organizações podem tirar partido de recursos como os FEEI, o Horizonte Europa e o EaSI para promover a acessibilidade, a inclusão e a igualdade de oportunidades no local de trabalho para os trabalhadores com deficiência.

Organizações que prestam informações e ­aconselhamento

  • Fórum Europeu das Pessoas com Deficiência (EDF)
    Maior organização de cúpula representativa das pessoas com deficiência na Europa, que defende os direitos de todas as pessoas com deficiência, abrangendo vários tipos de deficiência. https://www.edf-feph.org/
  • AGE Platform Europe (AGE)
    Promove uma sociedade para pessoas de todas as idades, na qual todos tenham oportunidades iguais de inclusão e participação em todas as fases da sua vida. https://www.age-platform.eu/
  • União Europeia do Emprego Apoiado (EUSE)
    Organização não governamental que facilita o desenvolvimento do emprego apoiado para ajudar as pessoas com deficiência a aceder a empregos de qualidade com assistência ­contínua. https://euse.org/about-euse/
  • Inclusão Europa
    Uma organização centrada nos direitos e na inclusão das pessoas com deficiências intelectuais e das suas famílias. https://www.inclusion-europe.eu/
  • Rede Europeia para a Vida Independente (ENIL)
    Defende o direito das pessoas com deficiência a viverem de forma independente e a serem incluídas na comunidade. https://enil.eu/
  • Mental Health Europe (MHE)
    Procura promover os direitos e o bem-estar das pessoas com problemas de saúde mental. https://www.mhe-sme.org/
  • União Europeia de Cegos (EBU)
    Representa os interesses das pessoas cegas e com baixa visão na Europa. https://www.euroblind.org/
  • União Europeia de Surdos (UES)
    Promove os direitos das pessoas surdas e o reconhecimento das línguas gestuais na Europa. https://www.eud.eu/
  • Associação Europeia da Dislexia (EDA)
    Defende os direitos e as necessidades das pessoas com dislexia em toda a Europa. https://eda-info.eu/
  • Autism-Europe
    Uma associação internacional centrada na promoção dos direitos e da inclusão das pessoas com perturbações do espetro do autismo. https://www.autismeurope.org/
  • Associação Europeia de Prestadores de Serviços para Pessoas com Deficiência (EASPD)
    Representa os prestadores de serviços que trabalham com pessoas com deficiência, incluindo deficiências físicas, intelectuais e sensoriais. https://www.easpd.eu/
  • Associação Europeia da Síndrome de Down (EDSA)
    Defende os direitos e o bem-estar das pessoas com síndrome de Down. https://www.edsa.eu/
  • COFACE Families Europe
    Defende os direitos e a inclusão das pessoas com deficiência e das suas famílias na Europa. www.coface-eu.org
  • Federação Europeia dos Progenitores de Crianças com Deficiência Auditiva (FEPEDA)
    Promove a igualdade de direitos das crianças e jovens surdos e com deficiência auditiva e das respetivas famílias. https://fepeda.eu/
  • Plataforma Europeia da Esclerose Múltipla (EMSP)
    Procura melhorar a qualidade de vida das pessoas com esclerose múltipla (EM) na Europa. https://emsp.org/
  • Federação Europeia das Pessoas com Deficiência Auditiva (EFHOH)
    Representa os interesses das pessoas com deficiência auditiva em toda a Europa. https://www.efhoh.org/
  • Federação Europeia de Associações Neurológicas (EFNA)
    Centra-se na defesa e no apoio a indivíduos com perturbações neurológicas, incluindo doenças como a epilepsia, a doença de Parkinson e a esclerose múltipla. https://www.efna.net/
  • Rede Europeia dos Serviços Públicos de Emprego
    Criada para maximizar a eficiência dos serviços públicos de emprego (SPE). https://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=1100&langId=pt

Esta lista não é exaustiva. Existem muitas outras organizações e associações a nível nacional, regional e local que defendem os direitos das pessoas com deficiência em toda a Europa. Para mais informações, ver os relatórios por país dos EDE intitulados Striving for an inclusive labour market31.

EXEMPLOS ILUSTRATIVOS

Os métodos de adaptação razoável ilustrados pelos exemplos mostram que medidas podem ser tomadas pelos empregadores para cumprir a obrigação legal (Diretiva 2000/78/CE)32 de adaptações razoáveis e assegurar o emprego de pessoas com deficiência. Seguindo estes métodos, é possível implementar medidas de adaptação razoável num curto espaço de tempo.

Note-se que a lista de métodos apresentada não é exaustiva.

Método 1

Método 1

disponibilização de tecnologias de apoio

Os empregadores podem obter ajuda e apoio para empregar pessoas que enfrentam obstáculos no seu trabalho, disponibilizando-lhes tecnologias de apoio. Por conseguinte, é útil procurar informações sobre a disponibilidade e o acesso a vários dispositivos e soluções informáticas de assistência.

1.1 Gestora de projetos com uma perturbação do ­espetro do autismo na indústria farmacêutica

Método 1
País Áustria
Empregador Uma empresa líder na indústria farmacêutica
Obstáculo para o trabalhador Espetro do autismo, que exige um ambiente orientado para tarefas repetitivas que exigem uma elevada concentração e exatidão.
Adaptações razoáveis previstas Um espaço de escritório tranquilo para permitir que a trabalhadora exerça as suas funções sem perturbações externas.
Objetivo Facilitar o exercício das responsabilidades da gestora de projetos na estruturação e administração de instalações técnicas, alinhando-o com os seus pontos fortes únicos.
Benefício para o empregador Promover a aptidão natural da trabalhadora para tarefas que exigem uma atenção e precisão meticulosas conduz a um trabalho de maior qualidade. A pequena adaptação assente na disponibilização de um escritório tranquilo gera retornos significativos sob a forma de trabalho essencial e de elevada qualidade. Demonstra igualmente o compromisso do empregador com um ambiente de trabalho inclusivo, atraindo uma reserva diversificada de talentos e possivelmente conduzindo a inovações resultantes desta diversidade.
Custo Mínimo, dado que a medida implica a disponibilidade de um espaço de escritório tranquilo.

1.2 Trabalhador do setor retalhista com deficiência visual na zona de vendas

Método 1
País Áustria
Empregador Cadeia de supermercados
Obstáculo para o trabalhador Deficiência visual
Adaptações razoáveis previstas Telemóvel equipado com uma aplicação de leitura em voz alta e uma aplicação de digitalização.
Objetivo Permitir que o trabalhador desempenhe funções como a reposição de produtos nas prateleiras e a formação de novos trabalhadores.
Benefício para o empregador Ao realizar um pequeno investimento tecnológico, o supermercado não só assegura que as tarefas são executadas de forma eficiente, como também tira partido do conhecimento aprofundado do trabalhador sobre a localização dos produtos para a formação de novos funcionários, o que aumenta a produtividade e cria um ambiente de aprendizagem para todos os trabalhadores. O supermercado também adquire a reputação de local de trabalho inclusivo, o que pode atrair uma base de clientes diversificada e diferenciá-lo dos concorrentes.
Custo Mínimo, tendo em conta que se trata de um pequeno investimento tecnológico.

1.3 Coordenador de centro de atendimento com deficiência visual

Método 1
País Áustria
Empregador Prestador de serviços líder no mercado austríaco de imóveis destinados a habitação
Obstáculo para o trabalhador Deficiência visual
Adaptações razoáveis previstas Dispositivos de leitura especializados e um ecrã de computador específico.
Objetivo Permitir ao trabalhador coordenar eficazmente as chamadas e tratar os pedidos de informação dos clientes de forma eficiente.
Benefício para o empregador O empregador beneficia de um coordenador dedicado e eficiente para o centro de atendimento, capaz de gerir facilmente interações complexas com os clientes graças às tecnologias de apoio. Estes ajustamentos não só garantem uma mão de obra competente e leal, como também contribuem para níveis mais elevados de satisfação e retenção dos clientes. Além disso, ao promover um ambiente de trabalho inclusivo, a empresa reforça a sua reputação enquanto organização socialmente responsável, o que a torna mais atrativa para potenciais clientes e trabalhadores.
Custo Mínimo a moderado, tendo em conta a aquisição de dispositivos especializados.

1.4 Técnica de contabilidade e informática com deficiência visual

Método 1
País Áustria
Empregador Organização sem fins lucrativos no setor do comércio justo
Obstáculo para o trabalhador Deficiência visual
Adaptações razoáveis previstas Ampliador elétrico, leitor de ecrã, leitor de monitor para materiais impressos e luzes especiais.
Objetivo Facilitar a transição dos serviços no terreno para um papel especializado em contabilidade e informática após a licença de maternidade.
Benefício para o empregador Com um investimento relativamente modesto em tecnologias de apoio, a organização retém uma trabalhadora qualificada e versátil, capaz de assumir responsabilidades tanto no domínio da contabilidade como no domínio da informática. Tal não só garante que certas funções cruciais são desempenhadas por uma pessoa experiente e empenhada, como também envia uma mensagem forte sobre o compromisso da organização com a inclusividade. O conjunto de competências da trabalhadora, combinado com o espaço de trabalho adaptado, reforça a produtividade e a qualidade do trabalho, o que, em última análise, beneficia a missão e a essência da organização.
Custo Mínimo a moderado, tendo em conta o investimento em tecnologias de apoio.

1.5 Atores cegos e com deficiência visual

Método 1
País Croácia
Empregador Consagrado teatro croata para cegos, conhecido por atrair talentos nacionais de topo nos domínios da encenação, dramaturgia e cenografia.
Obstáculo para o trabalhador Deficiência visual
Adaptações razoáveis previstas Adaptação do espaço, da cenografia, dos guiões e dos estilos de encenação e introdução de um guia sem deficiência visual para os atores.
Objetivo Facilitar as tarefas de representação dos atores cegos e com deficiência visual, proporcionando-lhes simultaneamente os meios para compreender e percorrer o espaço do palco.
Benefício para o empregador O teatro destaca-se não só pelo seu talento, mas também pelas suas abordagens inovadoras e adaptativas, que lhe conferem uma reputação de criatividade e inclusividade capazes de superar os limites. As adaptações permitem empregar um grupo sub-representado de atores altamente talentosos e dedicados, o que enriquece as produções teatrais e diversifica a sua base de talentos. A contratação de atores com capacidades diversas abre novas perspetivas na narração de histórias, o que pode atrair um público mais vasto e mais dedicado.
Custo Moderado, tendo em conta a adaptação do espaço e o ajustamento do método de trabalho.

1.6 Trabalhadores com deficiências visuais no setor bancário

Método 1
País Chipre
Empregador Banco com cerca de 500 trabalhadores
Obstáculo para o trabalhador Deficiências visuais, incluindo cegueira e baixa visão
Adaptações razoáveis previstas Tecnologias de apoio personalizadas, como leitores de ecrã, ampliadores e configurações especializadas para as áreas de trabalho.
Objetivo Adaptar os postos de trabalho individuais às necessidades dos três trabalhadores com deficiências visuais, assegurando que estes possam desempenhar eficazmente as suas funções.
Benefício para o empregador Para além do cumprimento dos requisitos regulamentares e em matéria de responsabilidade social, o banco obtém uma mão de obra diversificada que oferece uma perspetiva única, o que pode atrair uma base de clientes mais vasta. A disponibilização de tecnologia de apoio também reflete uma cultura inclusiva, o que reforça a imagem de marca do empregador e pode atrair os melhores talentos em todos os domínios. O banco também beneficia da dedicação e das competências destes trabalhadores, que se sentem altamente motivados devido, em parte, à disponibilidade do empregador para satisfazer as suas necessidades.
Custo Moderado, investimento em tecnologias de apoio personalizadas.

1.7 Designer gráfico com dificuldade em gerir o tempo

Método 1
País Dinamarca
Empregador Agência de design gráfico
Obstáculo para o trabalhador Dificuldade em gerir o tempo depois de sofrer de stress e depressão grave.
Adaptações razoáveis previstas Uma aplicação que ajuda o designer gráfico a gerir o tempo e distribuí-lo por tarefas e subtarefas de forma eficaz.
Objetivo Permitir que o designer gráfico se concentre no seu trabalho, dotando-o das ferramentas de que necessita para gerir melhor o seu tempo.
Benefício para o empregador Ao oferecer uma adaptação simples, mas eficaz, o empregador mantém um designer gráfico talentoso, que se apresenta agora mais produtivo e concentrado. Este investimento não só reforça o desempenho do trabalhador, como também sinaliza a todos os trabalhadores que a empresa está empenhada em garantir o seu bem-estar e o seu êxito, o que poderá aumentar o moral e a produtividade globais no local de trabalho.
Custo Mínimo, dado que a adaptação diz respeito a uma aplicação informática que apoia a gestão do tempo.

1.8 Utilizador de cadeira de rodas numa carreira progressiva

Método 1
País Dinamarca
Empregador Empresa
Obstáculo para o trabalhador Utilizador de cadeira de rodas com uma doença progressiva
Adaptações razoáveis previstas Inicialmente, foi instalado um escritório em casa do trabalhador, com equipamento especial. Foram elaborados planos para instalar ascensores de cadeiras de rodas e portas de acesso automatizadas e introduzir modificações no local de trabalho e nas instalações sanitárias para serem acessíveis a cadeiras de rodas. Estiveram envolvidas várias partes interessadas, incluindo pessoas que desempenham funções essenciais e consultores em matéria de deficiência.
Objetivo Adaptar o espaço a um trabalhador altamente qualificado que pode contribuir significativamente para os objetivos da empresa, mas necessita de um ambiente acessível a cadeiras de rodas.
Benefício para o empregador O aproveitamento dos conhecimentos especializados de um trabalhador altamente qualificado melhora a produtividade e proporciona uma perspetiva única à equipa. O empenho da empresa em realizar adaptações abrangentes também eleva a sua reputação enquanto empregador inclusivo e capaz de se adaptar, o que pode constituir uma vantagem competitiva tanto na aquisição de talentos como nas relações com os clientes.
Custo Moderado, mas com retorno do investimento a longo prazo, tendo em conta o talento retido.

1.9 Trabalhador com mobilidade condicionada numa empresa de mobiliário

Método 1
País Estónia
Empregador Empresa de média dimensão que fabrica mobiliário, com cerca de 45 trabalhadores
Obstáculo para o trabalhador Mobilidade e movimentos manuais condicionados; incapacidade de realizar trabalhos físicos que impliquem percorrer grandes distâncias ou elevar as mãos acima da altura dos ombros.
Adaptações razoáveis previstas O empregador ajustou o espaço de trabalho para minimizar a necessidade de percorrer grandes distâncias e solicitou auxílios técnicos ao Fundo de Seguro de Desemprego da Estónia. O fundo forneceu um dispositivo de elevação pneumática e compensou o custo de um sistema de elevação por vácuo.
Objetivo Adaptar o ambiente de trabalho e disponibilizar os instrumentos necessários para que o trabalhador possa exercer as suas funções de forma confortável e eficaz, apesar das suas restrições de mobilidade.
Benefício para o empregador O empregador obtém um trabalhador empenhado e capaz, enriquecendo a diversidade no local de trabalho e, possivelmente, tornando-se elegível para incentivos de fundos públicos à contratação de pessoas com deficiência.
Custo Mínimo, financiado pelo Fundo de Seguro de Desemprego da Estónia.

1.10 Diversidade dos trabalhadores numa empresa de fabrico de lâmpadas

Método 1
País Finlândia
Empregador Empresa de fabrico de lâmpadas com 20 trabalhadores, liderada por uma pessoa com deficiência
Obstáculo para o trabalhador Vários obstáculos, incluindo deficiência, idade, estatuto de refugiado e estatuto de imigrante. Cerca de 30 % dos trabalhadores provêm de grupos vulneráveis.
Adaptações razoáveis previstas O empregador disponibiliza aos trabalhadores com deficiências visuais, imediatamente após a sua chegada, o necessário equipamento de iluminação e auxílio visual.
Objetivo Criar um ambiente de trabalho inclusivo em que todos tenham a oportunidade de trabalhar, independentemente da sua origem ou do seu estado de saúde.
Benefício para o empregador Promove a diversidade e a inclusão, introduzindo na empresa uma série de perspetivas e experiências. Pode igualmente reforçar a reputação da empresa enquanto empregador equitativo.
Custo Moderado, autofinanciado pelo empregador, que optou por não se candidatar a apoio financeiro público devido aos obstáculos burocráticos.

1.11 Adaptações do local de trabalho — aplicação dos ajustamentos necessários

Método 1
País França
Empregador Groupe Bonduelle
Obstáculo para o trabalhador Deficiência que exige ajustamentos no local de trabalho
Adaptações razoáveis previstas Alterações nos locais de trabalho para trabalhadores com deficiência reconhecida, a fim de eliminar os obstáculos e transformar o maior número possível de locais de trabalho em locais acessíveis. As alterações podem incluir ajustamentos ergonómicos dos postos de trabalho, equipamento especializado, assistência ao transporte, melhorias na acessibilidade, formação, ferramentas de comunicação para diferentes deficiências e adaptações de software/hardware específicas para várias deficiências.
Objetivo Tornar os postos de trabalho acessíveis através da aplicação dos ajustamentos necessários recomendados pelo médico de trabalho e outros intervenientes envolvidos, incluindo os sindicatos.
Benefício para o empregador Facilita a inclusão e a acessibilidade dos trabalhadores com deficiência.
Custo Custos cobertos pelo fundo Handipol e pela Agefiph em condições específicas, com limites para o montante máximo a faturar. Consulta da Comissão se o orçamento for superior a 5 000 EUR por pessoa e por ano.

1.12 Técnico de apoio informático com hiperacusia

Método 1
País França
Empregador Empresa que presta serviços de apoio informático
Obstáculo para o trabalhador Hiperacusia, uma patologia auditiva que torna uma pessoa excessivamente sensível aos ruídos quotidianos, o que causa desconforto e afeta o desempenho profissional.
Adaptações razoáveis previstas Consulta de um médico de trabalho para uma avaliação ergonómica antes da contratação; aquisição de um auscultador binauricular para isolar o trabalhador de ruídos estranhos; instalação de um filtro de ecrã para reduzir a luminosidade desagradável; adaptação de uma cadeira especializada para maior conforto; extensão do teclado e do rato para os colegas que rodeiam o trabalhador para reduzir o ruído.
Objetivo Permitir que o trabalhador se concentre nas suas tarefas sem ser perturbado pelos ruídos quotidianos do escritório, melhorando assim a sua produtividade e o seu bem-estar.
Benefício para o empregador Aumento do desempenho e da produtividade do trabalhador e melhoria da cultura no local de trabalho, uma vez que os colegas mostraram solidariedade e compreensão. A abordagem adotada pelo empregador foi holística, abrangendo conhecimentos médicos e ergonómicos desde a fase de recrutamento, e revelou-se vantajosa tanto para o empregador como para o trabalhador.
Custo Moderado, dado que os custos do equipamento ergonómico e da consulta foram suportados pelo empregador, mas resultaram num aumento da produtividade, constituindo por isso um valioso investimento.

1.13 Contabilista com hemiplegia do lado esquerdo

Método 1
País França
Empregador Empresa
Obstáculo para o trabalhador Hemiplegia do lado esquerdo, que afeta a mobilidade e a motricidade fina do lado esquerdo do corpo.
Adaptações razoáveis previstas Reunião inicial com um ergonomista e partes interessadas para definir os objetivos e os instrumentos a utilizar; observações no posto de trabalho para destacar as dificuldades enfrentadas pelo trabalhador, tais como a configuração da sala, a disposição do mobiliário e a cadeira sem apoio; apresentação do relatório da atividade com propostas de soluções organizacionais e materiais; apresentação de várias opções de secretárias para o trabalhador escolher, capacitando-o assim para tomar decisões.
Objetivo Adaptar o espaço de trabalho de forma a compensar a deficiência do trabalhador, permitindo-lhe assim prosseguir eficazmente o seu trabalho como contabilista.
Benefício para o empregador Retenção de mão de obra qualificada sem necessidade de recontratação ou requalificação e reforço do moral da equipa, demonstrando o compromisso do empregador com a inclusão e o bem-estar dos trabalhadores.
Custo Moderado, sendo o custo da avaliação ergonómica, do mobiliário e dos outros acessórios suportado pelo empregador.

1.14 Enfermeira com deficiência auditiva numa ala de ­tratamento de cancro pediátrico

Método 1
País Alemanha
Empregador Uma empresa de cuidados de saúde com cerca de 3 400 trabalhadores e vários hospitais afiliados
Obstáculo para o trabalhador Deficiência auditiva, perceção especificamente limitada em determinadas situações, como ruído ou perturbações acústicas, ou quando utiliza o telefone.
Adaptações razoáveis previstas Equipamento de sinalização reforçado na enfermaria, incluindo alertas visuais nos ecrãs centrais no posto de enfermagem e nos corredores; foi instalado um sistema de sinalização por rádio para enviar sinais dos Infusomats para um recetor que a enfermeira usa; foi também instalado um novo telefone sem fios, equipado com controlo de volume, opção de vibração, indicadores luminosos intermitentes e conectividade Bluetooth para ligação com os aparelhos auditivos da enfermeira.
Objetivo Permitir que uma enfermeira qualificada desempenhe eficazmente as suas funções numa ala de tratamento de cancro pediátrico, apesar da sua deficiência auditiva.
Benefício para o empregador A realização destas adaptações especializadas garante a retenção de uma enfermeira altamente qualificada e especializada num contexto de cuidados de saúde sensíveis. Além disso, exemplifica o compromisso da organização com uma mão de obra inclusiva, o que pode melhorar o moral, atrair os melhores talentos e reforçar a reputação da empresa no setor dos cuidados de saúde.
Custo Moderado, mas com um retorno significativo a longo prazo devido à retenção da trabalhadora, à melhoria dos cuidados prestados aos doentes e ao reforço da reputação.

1.15 Funcionário público que utiliza uma cadeira de rodas

Método 1
País Itália
Empregador Organismo do setor público
Obstáculo para o trabalhador Deficiência física que dificulta o acesso ao parque de estacionamento que lhe foi atribuído devido à utilização de cadeiras de rodas.
Adaptações razoáveis previstas A pedido do trabalhador, a disponibilização imediata de um passe para um lugar de estacionamento acessível onde se possa movimentar mais facilmente com uma cadeira de rodas.
Objetivo Facilitar ao trabalhador a chegada e a saída do trabalho sem a dificuldade de se movimentar num lugar de estacionamento menos acessível. O trabalhador chega ao trabalho a tempo e animado, pronto a contribuir de forma produtiva.
Benefício para o empregador O ajustamento da atribuição de lugares de estacionamento implicou custos e esforços mínimos. O pedido do trabalhador foi prontamente tratado, o que tornou a sua deslocação diária para o trabalho mais fácil e menos desgastante. O empregador demonstrou flexibilidade e agiu rapidamente para satisfazer as necessidades específicas do trabalhador. A adaptação mostra igualmente que mesmo pequenas ações podem contribuir para um ambiente de trabalho mais inclusivo, beneficiando tanto os trabalhadores como os empregadores.
Custo Mínimo, uma vez que se tratou apenas da reatribuição de um lugar de estacionamento.

1.16 Adaptações razoáveis para um trabalhador com ­deficiências motoras

Método 1
País Itália
Empregador ASL (autoridade de saúde local)
Obstáculo para o trabalhador Dificuldades no local de trabalho devido a deficiências motoras agravadas por uma doença cardíaca.
Adaptações razoáveis previstas Recolocação no local de trabalho, para um escritório plenamente acessível, e ajustamentos no horário de trabalho para ter em conta a deficiência agravada.
Objetivo Promover um ambiente de trabalho inclusivo e solidário face à alteração das circunstâncias do trabalhador.
Benefício para o empregador Melhoria do desempenho, da retenção e do moral dos trabalhadores devido a um local de trabalho mais adaptável, o que promove a lealdade e a satisfação. Reforço do apoio aos trabalhadores com deficiência, cultivando um local de trabalho que valorize a inclusividade e satisfaça necessidades individuais específicas.
Custo Mínimo ou moderado, incluindo potencialmente o custo das modificações ou ajustamentos no escritório, compensado por uma maior satisfação e produtividade dos trabalhadores.

1.17 Trabalhador recém-contratado com deficiências físicas

Método 1
País Luxemburgo
Empregador Instituição de ensino superior no Luxemburgo com cerca de 300 docentes e 7 000 estudantes
Obstáculo para o trabalhador Deficiências físicas que exigem ajustamentos específicos nas cadeiras e nas secretárias.
Adaptações razoáveis previstas Colaboração com os serviços locais de saúde no trabalho para identificar as necessidades do trabalhador; disponibilização de uma cadeira especializada e de uma secretária ajustável com base nas recomendações.
Objetivo Criar um espaço de trabalho confortável e funcional que permita ao trabalhador desempenhar eficazmente as suas funções.
Benefício para o empregador A consulta de peritos assegura que as adaptações são adequadas e eficazes, melhorando assim o desempenho e a satisfação do trabalhador. Promove uma cultura de inclusividade, que pode reforçar a reputação da instituição e torná-la apelativa para uma reserva de talentos mais vasta.
Custo Moderado, implicando a aquisição de mobiliário especializado e a consulta dos serviços de saúde no trabalho.

1.18 Trabalhador de longa data com miosite por corpos de inclusão

Método 1
País Países Baixos
Empregador Uma empresa onde o trabalhador exerce funções há 35 anos
Obstáculo para o trabalhador Miosite por corpos de inclusão, uma doença muscular rara que afetou gravemente a mobilidade e a força muscular do trabalhador.
Adaptações razoáveis previstas Adaptação da função do trabalhador de canalizador para um posto de trabalho diferente que ele pode suportar fisicamente. Aquisição de cadeiras especializadas, nomeadamente uma cadeira tripla e um banco tipo sela, para minimizar a tensão sobre as pernas durante o trabalho no departamento de alumínio. O trabalhador valoriza as adaptações e a possibilidade de continuar a contribuir para a empresa. Embora a natureza do seu trabalho tenha mudado, continua a sentir-se valorizado e realizado na sua função alterada.
Objetivo Permitir que o trabalhador continue a trabalhar apesar da sua doença, preservando o seu valor para a empresa e a satisfação pessoal que sente por poder trabalhar.
Benefício para o empregador Retém um trabalhador experiente e dedicado, mantendo conhecimento na empresa. Demonstra compromisso com o bem-estar dos trabalhadores e a inclusividade. Apoio financeiro parcial do UWV (Instituto de Gestão dos Seguros) para a adaptação, o que reduziu os custos.
Custo Moderado, principalmente o custo de assentos especializados. No entanto, esta medida é subsidiada pelo UWV, o que reduz o impacto financeiro sobre o empregador.

1.19 Vendedor com visão reduzida na venda por via telefónica

Método 1
País Polónia
Empregador Uma conhecida empresa de venda por via telefónica
Obstáculo para o trabalhador O vendedor tem visão reduzida, o que pode afetar a sua capacidade de utilizar plenamente a burótica normal.
Adaptações razoáveis previstas Computador adaptado para melhor responder às limitações visuais do trabalhador; um ampliador e um sintetizador de voz instalados no posto de trabalho do trabalhador a pedido.
Objetivo Permitir ao trabalhador gerir eficazmente uma equipa de venda por via telefónica, promovendo simultaneamente um local de trabalho inclusivo em que todos, independentemente da sua deficiência, possam contribuir aproveitando todo o seu potencial. Estas adaptações ajudam o trabalhador a gerir dificuldades ocasionais resultantes da sua deficiência e, ao mesmo tempo, ter um desempenho excelente no seu trabalho.
Benefício para o empregador Retém um gestor de equipa altamente capaz e empático que se pode identificar com subordinados que são portadores de deficiência. Estabelece um padrão de inclusão, o que reforça a imagem de marca do empregador e pode atrair uma reserva de talentos mais vasta. Contribui para uma cultura de trabalho globalmente positiva. O compromisso do empregador com as adaptações razoáveis tem duas finalidades: permite ao trabalhador trabalhar de forma eficiente, apesar da sua visão reduzida, e também reforça a eficácia global da equipa.
Custo Moderado, tendo em conta a aquisição de hardware e software especializados.

1.20 Responsável de armazém com deficiências auditivas

Método 1
País Portugal
Empregador Fábrica de gelados
Obstáculo para o trabalhador O candidato tem deficiências auditivas, o que dificulta a gestão das encomendas por telefone, o procedimento habitual da empresa.
Adaptações razoáveis previstas Substituição do sistema de encomendas por telefone por um computador para receber encomendas por correio eletrónico no armazém. A transição de um sistema de encomendas por telefone para um outro baseado em mensagens de correio eletrónico é uma solução simples mas eficaz que não só beneficia o trabalhador, como também pode simplificar o processo de encomenda da empresa.
Objetivo Facilitar o desempenho das funções de responsável de armazém pelo candidato, permitindo-lhe efetivamente gerir as existências, executar encomendas e coordenar-se com lojas sem necessidade de comunicação auditiva. O candidato pode desempenhar as suas funções de gestão sem a dificuldade dos obstáculos à comunicação, o que o torna mais produtivo e eficiente no seu trabalho. As suas deficiências auditivas já não limitam a sua capacidade de gerir eficazmente o armazém.
Benefício para o empregador Simplifica o processo de encomenda, o que pode torná-lo mais eficiente e reduzir o risco de possíveis falhas de comunicação ao telefone. Envia uma mensagem forte sobre o compromisso da empresa com a diversidade e a inclusividade, reforçando a sua reputação empresarial. Alarga a reserva de talentos, demonstrando que a empresa está disposta a adaptar os seus procedimentos a candidatos qualificados com deficiência.
Custo Mínimo a moderado, tendo em conta a instalação inicial de um computador e, eventualmente, de software para gerir encomendas por correio eletrónico.

1.21 Funcionária administrativa com múltiplas ­deficiências num hospital

Método 1
País Suécia
Empregador Hospital do setor público
Obstáculo para o trabalhador Múltiplas deficiências, tais como distrofia muscular, perda de visão e sensibilidade à sobrecarga cognitiva.
Adaptações razoáveis previstas Programa informático especial e ecrã para pessoas com perda de visão; escritório amplo perto de instalações sanitárias e estacionamento designado para cadeiras de rodas; espaço de escritório privado para evitar a sobrecarga cognitiva; cadeira de repouso no escritório; pausas para almoço mais prolongadas; reunião de duas em duas semanas com o respetivo diretor para rever a sua programação e planear o trabalho com antecedência.
Objetivo Facilitar o papel da trabalhadora nas suas funções administrativas, satisfazendo as suas múltiplas necessidades e assegurando que o seu local de trabalho a apoia em todos os aspetos: físico, visual e cognitivo.
Benefício para o empregador Mantém uma trabalhadora valiosa com competências especializadas em funções administrativas. Estabelece um padrão para adaptações razoáveis abrangentes, reforçando a reputação do hospital enquanto empregador inclusivo. Promove o bem-estar dos trabalhadores e a sua satisfação no trabalho, o que provavelmente melhora a produtividade global. O hospital na Suécia estabelece um padrão elevado para a forma como os empregadores podem ir além dos ajustamentos mínimos e, dessa forma, promover verdadeiramente um ambiente de trabalho inclusivo.
Custo Moderado a significativo, tendo em conta a aquisição de equipamento especializado, as alterações no escritório e os ajustamentos na programação.

1.22 Acordo para integração profissional na ENEDIS, mantendo a continuidade no emprego e a progressão na carreira das pessoas com deficiência para o período 2021-2023

Método 1
País França
Empregador ENEDIS
Obstáculo para o trabalhador Algumas deficiências exigem adaptações do posto de trabalho ou das ferramentas para que o trabalhador continue a trabalhar ou volte ao trabalho. As alterações são recomendadas pelo médico de trabalho da empresa, efetuadas em consulta com os sindicatos e concluídas o mais rapidamente possível antes de o trabalhador iniciar funções.
Adaptações razoáveis previstas O acordo alcançado entre os sindicatos e o empregador previa serviços e equipamentos relacionados com a adaptação dos postos de trabalho, também no que respeita especificamente às situações de teletrabalho, tal como recomendado pelo médico de trabalho. Para o trabalho à distância, são realizadas adaptações para facilitar o trabalho do trabalhador em casa, replicando, sempre que possível, ajustamentos físicos no posto de trabalho.
Objetivo Assegurar um quadro fiável na empresa para que os trabalhadores com deficiência tenham acesso aos ajustamentos e adaptações necessários no local de trabalho ou quando trabalham à distância.
Benefício para o empregador Ao facilitar os ajustamentos e adaptações necessários, o empregador apoia a inclusão das pessoas com deficiência e a sua continuidade no emprego.
Custo A empresa tinha previsto um «orçamento para a deficiência», a fim de disponibilizar serviços e equipamentos relacionados com ajustamentos nos postos de trabalho e adaptações para o teletrabalho, incluindo a adaptação física dos postos de trabalho no domicílio e o equipamento de compensação.

Método 2

Método 2

assistência pessoal

As pessoas com problemas de memória ou concentração podem continuar a utilizar os seus conhecimentos recorrendo a serviços de assistência pessoal. Existem numerosos sítios Web que permitem aos empregadores, aos centros de emprego e às pessoas aceder a assistentes pessoais. A Handicap og Job, na Dinamarca, é um bom exemplo. Os empregadores podem obter informações dessas fontes sobre assistência e auxílios pessoais, subsídios salariais para novos diplomados e apoio de mentores. As avaliações individualizadas centram-se nos pontos fortes e nas necessidades de cada trabalhador que enfrenta obstáculos, e o empregador pode depois analisar em que aspetos o trabalhador tem maior potencial.

2.1 Investigador júnior na Escola de Gestão de Antuérpia

Método 2
País Bélgica
Empregador Escola de Gestão de Antuérpia (AMS)
Obstáculo para o trabalhador Deficiência intelectual
Adaptações razoáveis previstas Processo de recrutamento acessível; adaptações razoáveis ajustadas às necessidades individuais; participação e formação de colegas para apoiar o novo funcionário e aplicação de um sistema de mentoria. A pessoa em causa obteve o seu primeiro emprego remunerado e sentiu-se verdadeiramente incluída no local de trabalho.
Objetivo Permitir que a pessoa com deficiência intelectual trabalhe como investigador júnior, executando tarefas de investigação significativas e fazendo parte de uma equipa.
Benefício para o empregador Demonstrou o valor de um ambiente de trabalho diversificado e inclusivo. Criou um sistema de mentoria bem-sucedido que será aplicado aos futuros novos trabalhadores, melhorando assim a integração de todos os colegas. As medidas melhoraram a dinâmica da equipa, ao promoverem um ambiente inclusivo. A iniciativa teve um efeito mais forte: o sistema de mentoria foi de tal forma bem-sucedido que passará a ser aplicado a todos os novos trabalhadores.
Custo Mínimo a moderado, dada a adaptação do processo de recrutamento, algumas adaptações razoáveis no espaço de trabalho ou nas ferramentas e a criação de um sistema de mentoria.

2.2 Titular de pensão por invalidez numa oficina de automóveis

Método 2
País Dinamarca
Empregador Oficina de automóveis local
Obstáculo para o trabalhador O trabalhador tem uma deficiência intelectual, pelo que necessita de apoio adicional para compreender e iniciar tarefas.
Adaptações razoáveis previstas Subsídios salariais para contratar o trabalhador durante 20 horas por semana e um assistente pessoal durante 10 horas por semana, a fim de orientar e apoiar o trabalhador nas suas tarefas.
Objetivo Proporcionar ao pensionista com deficiência a oportunidade de trabalhar num ambiente que lhe agrada e se adequa às suas competências, contribuindo assim para a oficina. O assistente pessoal ajuda o trabalhador a adaptar-se às suas tarefas profissionais, permitindo-lhe desempenhar as suas funções.
Benefício para o empregador A contratação do pensionista com deficiência diversifica a mão de obra e pode tornar o empregador elegível para subsídios salariais públicos, funcionando como um incentivo financeiro. A contratação da pessoa com deficiência pode também melhorar o perfil de responsabilidade social da oficina, atraindo mais clientes que valorizam as empresas inclusivas.
Custo Mínimo a moderado, dado que o custo da contratação de um assistente pessoal durante 10 horas por semana é parcialmente compensado por subsídios salariais públicos para a contratação do pensionista com deficiência.

2.3 Secretária com problemas de memória

Método 2
País Dinamarca
Empregador Empresa
Obstáculo para o trabalhador A secretária tem problemas de memória devido a uma lesão cerebral, o que dificulta o planeamento e a estruturação do seu dia de trabalho.
Adaptações razoáveis previstas Uma hora de assistência pessoal todas as manhãs, em que um colega ajuda a secretária a organizar as tarefas do dia.
Objetivo Prestar à secretária o apoio necessário para desempenhar eficazmente as suas funções de secretariado, assegurando assim o seu crescimento profissional e a sua satisfação no trabalho. Tal ajuda também a manter o seu empenho e a sua produtividade ao longo do dia.
Benefício para o empregador Mantém uma trabalhadora valorizada, cujo papel é crucial para o bom funcionamento das atividades no escritório. A utilização do subsídio para cinco horas por semana ajuda a suportar os custos de pagamento, e a presença de um assistente não só beneficia a secretária, como também simplifica o planeamento no escritório, melhorando assim a produtividade global.
Custo Mínimo a moderado, tendo em conta que o custo é compensado por um subsídio para cinco horas por semana, concedido para apoiar o emprego de pessoas com deficiência.

2.4 Engenheiro informático com autismo

Método 2
País Portugal
Empregador Uma empresa multinacional no setor da energia
Obstáculo para o trabalhador O engenheiro informático é autista, o que pode afetar a sua capacidade para satisfazer determinados requisitos académicos, participar em apresentações em grupo, testes escritos e entrevistas e integrar-se de forma harmoniosa numa equipa.
Adaptações razoáveis previstas Flexibilidade no requisito de grau académico: inicialmente, era necessário um mestrado, mas o grau do candidato foi aceite; processo de recrutamento individualizado: a apresentação e os testes escritos foram realizados individualmente para ir ao encontro das necessidades do candidato; fase de integração: a empresa selecionou a área de trabalho e a equipa que melhor se adequam ao perfil do trabalhador e realizou reuniões com futuros gestores para sensibilização e aconselhamento sobre rotinas diárias.
Objetivo Permitir que o candidato participe plenamente no processo de recrutamento e contribua de forma significativa para a equipa, respeitando simultaneamente os seus desafios e pontos fortes únicos resultantes do seu problema de saúde.
Benefício para o empregador O empregador obtém um engenheiro informático qualificado com capacidades especializadas. A promoção de um ambiente inclusivo demonstra a responsabilidade social da empresa e pode atrair uma reserva de talentos mais vasta. Os futuros gestores são sensibilizados para a diversidade das suas equipas, o que reforça as suas competências de gestão e promove um ambiente de trabalho mais inclusivo.
Custo Mínimo, tendo em conta o custo da adaptação do processo de recrutamento, incluindo o tempo despendido em testes e apresentações individualizados, bem como o tempo dedicado pelos gestores às reuniões de sensibilização.

2.5 Adaptação do processo de recrutamento e orientação profissional para trabalhadores autistas

Método 2
País Dinamarca
Empregador Várias empresas e organizações
Obstáculo para o trabalhador Todas as pessoas autistas são únicas e necessitam de apoio personalizado para aceder ao emprego, por exemplo para garantir que a comunicação seja acessível e para responder a quaisquer necessidades sensoriais no local de trabalho.
Adaptações razoáveis previstas A empresa de orientação profissional oferece apoio aos empregadores para assegurar um processo de recrutamento acessível aos candidatos autistas e prestar apoio ao(s) trabalhador(es) autista(s) e aos gestores tendo em vista a integração e o aconselhamento regular no local de trabalho.
Objetivo A empresa de orientação profissional ajuda a fazer corresponder as competências e características das pessoas autistas com funções que se adequarão às suas formas únicas de trabalhar, aproveitando simultaneamente os seus pontos fortes específicos. Ajuda-as a encontrar empregadores que tirarão o máximo partido das suas capacidades, ao mesmo tempo que darão uma resposta adequada aos seus desafios.
Benefício para o empregador É prestado apoio aos empregadores para criarem equipas com diferentes capacidades.
Custo Moderado

Método 3

Método 3

ajustamento do espaço de trabalho
(incluindo teletrabalho)

EO apoio ao emprego para trabalhadores com deficiência ou doença crónica inclui o ajustamento do espaço de trabalho, nomeadamente através do teletrabalho. Tanto os empregadores do setor público como do setor privado podem não só ajustar o mobiliário, o equipamento e as instalações, mas também oferecer a opção de teletrabalho. Consequentemente, os utilizadores de cadeiras de rodas com uma deficiência física grave, por exemplo, ou as pessoas com deficiências visuais também podem trabalhar à distância, se necessário.

3.1 Juiz que utiliza uma cadeira de rodas

Método 3
País Bélgica
Empregador Sistema judicial no setor público
Obstáculo para o trabalhador Deficiência física na sequência de um acidente de esqui que resultou em tetraplegia, o que coloca desafios no acesso e no trabalho numa sala de audiências tradicional.
Adaptações razoáveis previstas Foi adaptado um posto de trabalho no domicílio do juiz, onde este pode trabalhar à distância três ou quatro dias por semana; outras adaptações incluem horários de trabalho flexíveis e apoio financeiro para alterações do espaço de trabalho.
Objetivo Permitir ao juiz retomar as suas funções e contribuir eficazmente para o sistema judicial, numa relação de igualdade com os seus colegas sem deficiência física.
Benefício para o empregador Retém um juiz experiente, mantendo assim a qualidade do sistema judicial. Demonstra compromisso com a inclusão e a diversidade, o que pode atrair talentos mais diversificados no futuro. Constitui um precedente para adaptações razoáveis no setor público.
Custo Moderado, tendo em conta o custo da adaptação do posto de trabalho no domicílio.

3.2 Operador informático com deficiências visuais

Método 3
País Roménia
Empregador Empresa de TI
Obstáculo para o trabalhador O trabalhador tem deficiências visuais, o que dificulta a utilização de equipamento informático normal e afeta a sua capacidade de deslocação casa-trabalho devido a transportes públicos inacessíveis.
Adaptações razoáveis previstas O empregador cobriu o custo do equipamento especializado encomendado pelo trabalhador em linha; o trabalhador dispõe de prazos mais flexíveis para tratar de vários projetos e está autorizado a trabalhar principalmente a partir de casa; os colegas prestam apoio adicional para as tarefas com que o seu software de apoio não consegue lidar.
Objetivo Permitir ao trabalhador funcionar eficazmente como operador informático e contribuir para os projetos da empresa, tendo simultaneamente em conta as suas deficiências visuais.
Benefício para o empregador Emprega e retém um operador informático talentoso que pode contribuir com competências valiosas para a equipa. Reforça a reputação da empresa em termos de inclusividade, o que pode atrair uma reserva de talentos mais diversificada. As medidas de adaptação também promovem um ambiente de trabalho solidário e colaborativo.
Custo Moderado, tendo em conta a aquisição de equipamento informático especializado e as adaptações de software.

Método 4

Método 4

horário de trabalho flexível

Um dia de trabalho adaptado às necessidades individuais das pessoas com deficiência pode permitir-lhes desempenhar o seu papel no mercado de trabalho. Trata-se de uma solução que, por si só, não implica quaisquer ferramentas especiais ou adaptações físicas, nem tão-pouco subvenções públicas. Neste contexto, o único requisito é que o empregador abra espaço para os trabalhadores com deficiência, que podem ter de funcionar de forma diferente da maioria dos outros trabalhadores.

4.1 Profissional de TI com um filho que padece de múltiplas deficiências

Método 4
País Croácia
Empregador Grande empresa de telecomunicações
Obstáculo para o trabalhador A trabalhadora é mãe de uma criança com múltiplas deficiências e defende ativamente os direitos do seu filho, o que exige um horário de trabalho flexível e um ambiente de equipa solidário.
Adaptações razoáveis previstas A empresa permite horários de trabalho flexíveis e incentiva uma cooperação de qualidade na equipa da trabalhadora; a cultura empresarial promove a colegialidade, que é crucial para que a trabalhadora concilie as suas responsabilidades profissionais com o seu papel de defensora ativa e mãe.
Objetivo Permitir à mãe manter o seu trabalho profissional de elevada qualidade e, simultaneamente, cuidar do seu filho com deficiência.
Benefício para o empregador Mantém uma profissional de TI altamente qualificada, com 20 anos de experiência na empresa. Reforça igualmente a sua reputação de empregador inclusivo e solidário, o que contribuiu para que, em 2020, fosse selecionado como um dos empregadores do ano para as pessoas com deficiência.
Custo Mínimo a moderado, principalmente em termos de esforço de gestão para assegurar um ambiente de trabalho flexível e solidário.

4.2 Especialista em TI com diagnóstico de doença mental

Método 4
País Dinamarca
Empregador Polo de pequenas empresas para empresas de TI em fase de arranque
Obstáculo para o trabalhador Diagnóstico de doença mental relativo a uma forma de esquizofrenia, que exige que a trabalhadora tenha um horário de trabalho diferente e consultas de psicologia durante o período de trabalho.
Adaptações razoáveis previstas O empregador permite que a trabalhadora trabalhe predominantemente à noite, quando é mais produtiva; também se adapta à necessidade de a trabalhadora consultar um psicólogo uma vez por semana durante o período de trabalho.
Objetivo Permitir que a trabalhadora trabalhe de forma eficiente de acordo com as suas necessidades individuais, contribuindo simultaneamente para o objetivo do polo de apoiar as empresas de TI em fase de arranque.
Benefício para o empregador O empregador obtém uma especialista em TI dedicada, cujo horário de trabalho único pode ser um trunfo em projetos que exigem atenção permanente. Além disso, a abordagem inclusiva constitui um exemplo positivo para outras empresas no polo, promovendo uma cultura de diversidade e aceitação.
Custo Mínimo, relacionado principalmente com a flexibilidade de gestão para ter em conta o horário de trabalho da trabalhadora e o facto de esta necessitar de consultas de psicologia.

Método 5

Método 5

Regimes flexíveis de tarefas

A prática conhecida como «modelação do emprego» faz parte da estratégia de emprego apoiado e pode ajudar as pessoas que enfrentam obstáculos específicos a trabalhar e a participar. Estes regimes podem começar durante um período inicial de emprego, com avaliações individualizadas. As adaptações razoáveis através da modelação do emprego possibilitam a troca de funções ou elementos especializados, a fim de tirar o máximo partido das competências individuais de uma pessoa com deficiência, permitindo-lhe desempenhar as tarefas em que é mais qualificada ou mais bem-sucedida.

5.1 Ensino inclusivo de aprendizes (EFP) em engenharia mecânica

Método 5
País Áustria
Empregador Empresa ativa a nível mundial no domínio da engenharia mecânica
Obstáculo para o trabalhador Os jovens alunos com deficiência podem debater-se com os cursos normalizados de três anos do ensino e formação profissionais (EFP) no domínio da engenharia mecânica.
Adaptações razoáveis previstas Em parceria com uma ONG, a empresa oferece um programa de EFP adaptado de dois anos que permite que os aprendizes se concentrem em partes específicas do domínio da engenharia mecânica que se coadunam com os seus pontos fortes e capacidades individuais; o programa utiliza métodos como a desconstrução de postos de trabalho para analisar as tarefas mais adequadas para cada aluno.
Objetivo Oferecer uma educação inclusiva que dote os jovens alunos com deficiência de um diploma de EFP reconhecido em engenharia mecânica. O objetivo final é prepará-los para a entrada no mercado de trabalho em geral e, eventualmente, para um futuro emprego na própria empresa.
Benefício para o empregador Ao oferecer este programa inclusivo, a empresa contribui para a responsabilidade social e pode identificar novos talentos, reduzindo a taxa de abandono escolar em programas de aprendizagem. O programa de EFP inclusivo reforça a reputação da empresa e abre portas a uma mão de obra mais diversificada.
Custo Moderado, relacionado com a parceria com a ONG, a personalização do programa de aprendizagem e a organização do programa nas instalações da empresa.

5.2 Apicultor com deficiência visual

Método 5
País Croácia
Empregador Exploração apícola familiar
Obstáculo para o trabalhador O apicultor tem uma deficiência visual, o que dificulta tarefas que exigem visão, como o manuseamento do equipamento, a aquisição e o controlo da qualidade.
Adaptações razoáveis previstas Utilização de um computador adaptado às suas capacidades, bem como de ferramentas e auxílios personalizados concebidos pelo próprio apicultor; este recebeu formação através de conferências profissionais e mentoria de um apicultor experiente.
Objetivo Gerir todos os aspetos da atividade apícola, desde a aquisição e venda até à comercialização, conceção dos produtos e controlo da qualidade, adaptando simultaneamente as ferramentas e os métodos às suas necessidades únicas.
Benefício para o empregador Enquanto líder da sua própria exploração familiar, o apicultor conseguiu transformou um passatempo numa profissão. As ferramentas adaptadas e a formação não só lhe permitem executar as tarefas de forma eficiente, como também lhe granjearam vários prémios pela qualidade dos produtos.
Custo Mínimo a moderado, tendo em conta o computador adaptado e o desenvolvimento de ferramentas personalizadas.

5.3 Trabalhadores de um hotel

Método 5
País Lituânia
Empregador Hotel em Vílnius
Obstáculo para o trabalhador Pessoas com várias deficiências podem ter limitações que as impedem de desempenhar eficazmente todas as funções tradicionais num hotel.
Adaptações razoáveis previstas Estratégia de modelação do emprego, que implica personalizar as funções com base em avaliações individuais para destacar as competências únicas das pessoas com deficiência.
Objetivo Adaptar as funções de modo que as pessoas com deficiência possam maximizar a sua produtividade e satisfação no trabalho, promovendo assim a diversidade e a inclusão no local de trabalho.
Benefício para o empregador Utiliza as aptidões e competências únicas dos trabalhadores com deficiência, colmatando eventualmente lacunas nas funções ou tarefas que outros trabalhadores podem não desempenhar tão bem. Reforça a diversidade no local de trabalho e sublinha o compromisso do empregador com a responsabilidade social.
Custo Mínimo a moderado, tendo em conta que os custos iniciais associados às avaliações individuais e à modelação do emprego são compensados pelos benefícios de preencher postos de trabalho especializados de forma mais eficaz.

Exemplos de medidas sistémicas

Para além dos valiosos ensinamentos que podem ser retirados de exemplos específicos de adaptações razoáveis, existe uma série de estratégias sistémicas que é possível adotar a nível nacional. Estas estratégias podem ser iniciadas tanto por instituições públicas como por sindicatos e pelo setor privado. A aplicação destas medidas sistémicas permite integrar harmoniosamente a facilitação das adaptações razoáveis em todas as fases do processo de emprego: recrutamento, retenção e progressão na carreira. Tal não só promove um local de trabalho inclusivo e diversificado, como também reforça a produtividade e o moral globais da mão de obra. Os empregadores desempenham um papel central nesta transformação e, ao adotarem estas práticas, podem liderar a criação de um ambiente de trabalho mais equitativo e acessível para as pessoas com deficiência.

1 KLAPjob: empregos flexíveis para pessoas com deficiências intelectuais

País Dinamarca
Empregador Vários municípios, empresas e organizações através da iniciativa KLAPjob
Obstáculo para o trabalhador As pessoas com deficiências intelectuais e outras dificuldades cognitivas enfrentam desafios nos contextos de emprego tradicionais.
Adaptações razoáveis previstas A KLAPjob oferece emprego flexível e adaptado, com salários subsidiados, e ajuda a adequar os candidatos às funções com base nas suas competências e preferências.
Objetivo Permitir que as pessoas com deficiências intelectuais e outras deficiências cognitivas encontrem um emprego gratificante que se adeque às suas capacidades, aumentando assim a sua inclusão social e independência.
Benefício para o empregador Os empregadores podem tirar partido de um subsídio, o que lhes permite reduzir o salário por hora que pagam aos trabalhadores e, ao mesmo tempo, diversificar a sua mão de obra e cumprir os objetivos de responsabilidade social.
Custo Mínimo, uma vez que os empregadores beneficiam de uma redução de 3 EUR sobre o salário por hora, o que poderia compensar os custos relacionados com quaisquer adaptações necessárias.

2 Filmes educativos

País Dinamarca
Empregador Conselho Nacional dos Serviços Sociais
Obstáculo para o trabalhador Vasto leque de deficiências
Adaptações razoáveis previstas Uma série de 10 filmes que apresentam exemplos de boas práticas de adaptações razoáveis em vários contextos de emprego para pessoas com deficiência. Uma série de 10 filmes que ilustram boas práticas em matéria de adaptações razoáveis, com o objetivo de ajudar as pessoas com deficiência a obter ou reter um emprego.
Objetivo Sensibilizar para os desafios das pessoas com deficiência e para as adaptações necessárias para que obtenham ou retenham um emprego. Os filmes visam educar tanto os empregadores como os trabalhadores.
Benefício para o empregador Ao disponibilizar estes recursos educativos, o Conselho Nacional dos Serviços Sociais reforça o seu papel de plataforma de conhecimento e incentiva melhores práticas no local de trabalho. Tal poderá, por sua vez, conduzir a taxas de emprego mais elevadas para as pessoas com deficiência, beneficiando o mercado de trabalho e a sociedade em geral.
Custo Moderado, tendo em conta o perfil da plataforma.

3 Passaporte de adaptações razoáveis

País Irlanda
Empregador Todos: setor privado e setor público
Obstáculo para o trabalhador Solicitar e aceder a adaptações razoáveis.
Adaptações razoáveis previstas Adaptações razoáveis acordadas e implementadas.
Objetivo Permitir que as pessoas com deficiência solicitem e obtenham as suas adaptações razoáveis personalizadas de forma harmoniosa. Esta aplicação das adaptações razoáveis elimina a desinformação sobre o processo de adaptação razoável.
Benefício para o empregador A principal associação patronal e o principal sindicato chegaram a acordo sobre este passaporte. Este facto dá garantias tanto ao empregador como ao trabalhador sobre o processo de adaptação razoável.
Custo Nenhum

4 Promover a contratação de pessoas com deficiências intelectuais

País Malta
Empregador Todos
Obstáculo para o trabalhador Preconceito no recrutamento de pessoas com deficiências intelectuais
Adaptações razoáveis previstas Uma série de 17 currículos em vídeo que ilustram as capacidades das pessoas com deficiências intelectuais.
Objetivo Informar que as pessoas com deficiências intelectuais, se forem apoiadas, são trabalhadores valiosos. Os vídeos contêm comentários dos empregadores, orientadores profissionais, colegas, terapeutas e assistentes sociais dos participantes e outras pessoas que com eles trabalham. Mostram que as pessoas com deficiência intelectual também trazem frequentemente outras competências e aptidões valiosas para o local de trabalho, como a determinação, a pontualidade, a criatividade, o trabalho em equipa e o desejo de aprender.
Benefício para o empregador Estes currículos em vídeo são utilizados como parte de um pacote de recursos em linha disponível no canal YouTube da Universidade de Malta e que mostra o potencial destes trabalhadores, criando um recurso para os empregadores e vários profissionais compreenderem as capacidades das pessoas com deficiência intelectual, bem como para os académicos e os estudantes utilizarem no ensino, na aprendizagem e na investigação.
Custo Moderado

5 Subvenção para adaptações razoáveis destinada a ­empregadores

País Reino Unido
Empregador REISS
Obstáculo para o trabalhador Pessoa com perda de audição que têm dificuldade em compreender os colegas nas reuniões de equipa e nos eventos destinados ao pessoal.
Adaptações razoáveis previstas «Access to Work» é o programa de emprego que apoia empregadores, trabalhadores por conta de outrem e trabalhadores por conta própria através de subvenções personalizadas.
Objetivo Apoiar a pessoa com perda de audição que necessita de apoio à comunicação durante eventos importantes destinados ao pessoal e reuniões de equipa. Tal permite a inclusão do trabalhador e a sua participação significativa.
Benefício para o empregador O empregador pode assegurar a plena inclusão do pessoal através da subvenção do programa «Access to Work», sem ter de suportar o custo dos intérpretes de voz para texto. O empregador pode ajudar com confiança o trabalhador a manter o emprego.
Custo A subvenção cobre o custo do apoio profissional à comunicação (intérprete de voz para texto). Existem também várias percentagens de partilha de custos entre o programa e os empregadores no que diz respeito ao equipamento de auxílio à audição. O montante máximo da subvenção é de 59 200 £ (68 000 EUR) por trabalhador e por ano.

6 Disponibilização de intérpretes profissionais e acreditados das línguas gestuais nacionais para trabalhadores surdos, a fim de cumprirem os seus mandatos políticos

País Variável
Empregador A União Europeia, os parlamentos nacionais e/ou os grupos políticos
Obstáculo para o trabalhador A informação e a comunicação são fornecidas nas línguas faladas nacionais, o que significa que as pessoas surdas não podem contribuir plenamente para o seu ambiente de trabalho devido à diferença linguística associada à falta de informação acessível na língua gestual nacional.
Adaptações razoáveis previstas O Parlamento Europeu / partidos políticos / governos nacionais asseguraram a disponibilização de intérpretes profissionais e acreditados das línguas gestuais nacionais para pessoas surdas titulares de um mandato político. O objetivo era eliminar quaisquer obstáculos de comunicação que prejudicassem a sua capacidade de contribuir plenamente para o seu local de trabalho e de realizar o seu trabalho em pé de igualdade com os seus homólogos sem deficiência auditiva.
Objetivo Aumentar as oportunidades das pessoas surdas para exercerem de forma significativa um mandato político como meio de subsistência e, assim, aumentar a igualdade de oportunidades para todos em todas as esferas da sociedade.
Benefício para o empregador Os empregadores podem promover a diversidade e a inclusão no local de trabalho e contribuir para reduzir a marginalização das pessoas com deficiência, bem como posicioná-las como pessoas que contribuem para a economia e não como encargos para as suas sociedades.
Custo Variável, mas deve ser coberto por financiamento público, em conformidade com os princípios da acessibilidade, igualdade e não discriminação enunciados na CNUDPD (artigos 5.º, 9.º e 27.º).

7 Projeto experimental do Observatório Nacional das Condições das Pessoas com Deficiência destinado a criar uma unidade técnica que cuide de trabalhadores individuais com deficiência

País Itália
Empregador Acordo potencialmente aplicável a todos os empregadores de grandes empresas
Obstáculo para o trabalhador Falta de apoio especializado aos trabalhadores com deficiência nas empresas.
Adaptações razoáveis previstas Criação de unidades técnicas em grandes empresas para resolver problemas individuais enfrentados pelos trabalhadores com deficiência.
Objetivo Criar projetos personalizados através da negociação coletiva que abordem as condições de trabalho dos trabalhadores com deficiência, geridos por profissionais qualificados (gestores para as questões relacionadas com a deficiência, etc.).
Benefício para o empregador Melhoria das adaptações para os trabalhadores com deficiência, promoção de um ambiente de trabalho mais inclusivo e resposta às necessidades individuais.
Custo Variável em função da dimensão e dos recursos da empresa, mas normalmente incorrido como um investimento na promoção de um local de trabalho inclusivo.

8 Dia de trabalho de sete horas para as pessoas com deficiência

País Polónia
Empregador Disposição aplicável a todos os trabalhadores
Obstáculo para o trabalhador Carga física e psicológica de um dia de trabalho de oito horas.
Adaptações razoáveis previstas A NSZZ «Solidarność» tentou e conseguiu que fosse retomado o dia de trabalho de sete horas como forma típica de emprego para pessoas com uma deficiência oficialmente reconhecida. A moção apresentada pelo sindicato ao Tribunal Constitucional foi considerada válida, pelo que a lei foi alterada.
Objetivo Reduzir a carga de trabalho dos trabalhadores com deficiência.
Benefício para o empregador Estabelecimento da cultura de inclusividade.
Custo O custo de uma hora de trabalho por dia.

9 Convenção coletiva no Ministério da Transição ­Ecológica e da Coesão Territorial

País França
Empregador Ministério da Transição Ecológica e da Coesão Territorial
Obstáculo para o trabalhador Algumas situações de deficiência podem exigir vários tipos de adaptações específicas, incluindo medidas humanas, técnicas ou organizativas para fazer face às dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores devido às suas deficiências. O equipamento destinado aos trabalhadores é crucial para compensar eficazmente estes desafios, permitindo que os trabalhadores com deficiência desempenhem as suas funções como qualquer outro trabalhador do pessoal.
Adaptações razoáveis previstas Adaptações razoáveis previstas de acordo com as recomendações do médico de trabalho, em consulta com o conselheiro para a prevenção. O médico de trabalho instrui a hierarquia sobre as necessidades específicas do trabalhador e a razão pela qual as adaptações são razoáveis. Na ausência de um médico de trabalho, pode consultar-se um médico aprovado ou o médico assistente.
Objetivo Aplicar medidas e sistemas de apoio conhecidos para as adaptações e o apoio necessários, incluindo a utilização dos recursos disponibilizados pelo FIPHFP (Fundo para a Inserção de Pessoas com Deficiência na Função Pública).
Benefício para o empregador Maior inclusividade e acessibilidade, assegurando que os trabalhadores com deficiência possam desempenhar eficazmente as suas funções no seio do pessoal.
Custo Custos de execução cobertos pelo FIPHFP para os auxílios e a formação necessários.

Notas

1 Diretiva 2000/78/CE do Conselho, de 27 de novembro de 2000, que estabelece um quadro geral de igualdade de tratamento no emprego e na atividade profissional (JO L 303 de 2.12.2000, p. 16), https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=CELEX:32000L0078.

2 COM(2021) 139 final.

3 Registo dos grupos de peritos da Comissão e outras entidades semelhantes (europa.eu).

4 Fórum Económico Mundial (FEM) (2019), What companies gain by including persons with disabilities (Os benefícios da inclusão de pessoas com deficiência para as empresas), 23 de abril, https://www.weforum.org/agenda/2019/04/what-companies-gain-including-persons-disabilities-inclusion/.

5 Organismos para a igualdade — Comissão Europeia (europa.eu).

 

1 Ver também: i) o relatório de síntese dos EDE — Waddington, L. (2023), Striving for an inclusive labour market in Europe: Positive actions and reasonable accommodation to facilitate hiring and employment of persons with disabilities involving employers and employer initiatives (Lutar por um mercado de trabalho inclusivo na Europa: ações positivas e adaptações razoáveis para facilitar a contratação e o emprego de pessoas com deficiência, com a participação de empregadores e iniciativas de empregadores); i) o relatório estatístico dos EDE — Grammenos, S. (2023), The employment of persons with disabilities: Statistics, Data 2020 (O emprego das pessoas com deficiência: estatísticas e dados de 2020); e iii) a página Web dos Peritos Europeus em Deficiência (EDE): https://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=1532&langId=pt.

2 Ver https://www.un.org/development/desa/disabilities/convention-on-the-rights-of-persons-with-disabilities/convention-on-the-rights-of-persons-with-disabilities-2.html, em especial os artigos 2.º e 5.º.

3 CRPD/C/GC/8: .

4 CRPD/C/GC/8: .

5 Diretiva 2000/78/CE do Conselho, de 27 de novembro de 2000, que estabelece um quadro geral de igualdade de tratamento no emprego e na atividade profissional (JO L 303 de 2.12.2000, p. 16), https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=CELEX:32000L0078.

6 Mais informações em https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/pt/ip_21_810.

7 Ver https://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=1597&langId=pt.

8 Ver https://data.consilium.europa.eu/doc/document/ST-14495-2022-INIT/pt/pdf.

9 Ver https://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=1226&langId=pt.

10 Diretiva (UE) 2022/2464 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 14 de dezembro de 2022, que altera o Regulamento (UE) n.º 537/2014, a Diretiva 2004/109/CE, a Diretiva 2006/43/CE e a Diretiva 2013/34/UE no que diz respeito ao relato de sustentabilidade das empresas.

11 Para mais informações, ver: Relatório Europeu sobre os Direitos Humanos, n.º 7-2023, The Right to Work: The employment situation of persons with disabilities in Europe (O direito ao trabalho: a situação do emprego das pessoas com deficiência na Europa), Relatório Europeu sobre os Direitos Humanos, n.º 7-2023 (edf-feph.org), página 49.

12 Ver https://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=1540&langId=pt.

13 Acórdão de 11 de abril de 2013, HK Danmark, processos apensos C-335/11 e C-337/11, ECLI:EU:C:2013:222.

14 Acórdão de 18 de janeiro de 2024, Ca Ca Negreta, processo C-631/22, ECLI:EU:C:2024:53.

15 Para mais informações, ver: Relatório de síntese dos EDE — Waddington, L. (2023), Striving for an inclusive labour market in Europe: Positive actions and reasonable accommodation to facilitate hiring and employment of persons with disabilities involving employers and employer initiatives (Lutar por um mercado de trabalho inclusivo na Europa: ações positivas e adaptações razoáveis para facilitar a contratação e o emprego de pessoas com deficiência, com a participação de empregadores e iniciativas de empregadores).

16 Ver https://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=1540&langId=pt.

17 Ver Reasonable-Accommodation-Disability-Discussion-Paper.pdf (equineteurope.org), páginas 23 a 26, e o anexo, https://urldefense.com/v3/__https:/equineteurope.org/wp-content/uploads/2021/03/Annex-_Reasonable-Accomodation.pdf__;!!DOxrgLBm!HUfzVgkJ6dC-UBcYKNd8PNF2sRuplVhh8vAyQhiRmIwcCm2JuRJ11F5lcV5YR1W7kP6NG3trjk4bc3wvVcIUdj9YbztZBFNIwuVF$.

18 Comissão para os Direitos das Pessoas com Deficiência (2014), Comentário Geral n.º 2 sobre a acessibilidade, https://www.ohchr.org/en/documents/general-comments-and-recommendations/general-comment-no-2-article-9-accessibility-0.

19 Para mais informações sobre a aplicação do conceito nas práticas jurídicas em matéria de igualdade, ver: documento de reflexão da Equinet, de 2021, intitulado Reasonable accommodation for persons with disabilities: Exploring challenges concerning its practical implementation (Adaptações razoáveis para as pessoas com deficiência: explorar os desafios relacionados com a sua aplicação prática) e a publicação de 2016 da Comissão Europeia e da Rede Europeia de Peritos Jurídicos no domínio da Igualdade de Género e da Não Discriminação.

20 Ver https://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=1202&langId=pt.

21 Para mais informações, ver Relatório Europeu sobre os Direitos Humanos, n.º 7-2023, The Right to Work: The employment situation of persons with disabilities in Europe (O direito ao trabalho: a situação do emprego das pessoas com deficiência na Europa), Relatório Europeu sobre os Direitos Humanos, n.º 7-2023 (edf-feph.org), página 69.

22 Para mais informações, ver Relatório Europeu sobre os Direitos Humanos, n.º 7-2023, The Right to Work: The employment situation of persons with disabilities in Europe (O direito ao trabalho: a situação do emprego das pessoas com deficiência na Europa), Relatório Europeu sobre os Direitos Humanos, n.º 7-2023 (edf-feph.org), página 69.

23 Para mais informações, ver: Relatório Europeu sobre os Direitos Humanos, n.º 7-2023, The Right to Work: The employment situation of persons with disabilities in Europe (O direito ao trabalho: a situação do emprego das pessoas com deficiência na Europa), Relatório Europeu sobre os Direitos Humanos, n.º 7-2023 (edf-feph.org), página 77.

24 Para mais informações, ver: Relatório Europeu sobre os Direitos Humanos, n.º 7-2023, The Right to Work: The employment situation of persons with disabilities in Europe (O direito ao trabalho: a situação do emprego das pessoas com deficiência na Europa), Relatório Europeu sobre os Direitos Humanos, n.º 7-2023 (edf-feph.org), página 77.

25 Ver: Promoting diversity and inclusion through workplace adjustments: .

26 Ver: EBU guidance on reasonable accommodation for visually impaired employees and applicants_Sept2023.pdf (euroblind.org).

27 Ver: Annex-_Reasonable-Accomodation.pdf (equineteurope.org).

28 Ver: https://www.ilo.org/global/topics/equality-and-discrimination/WCMS_536630/lang--en/index.htm.

29 Ver a página Web dos EDE: https://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=1532&langId=pt.

30 Para mais informações sobre o Horizonte Europa, ver https://research-and-innovation.ec.europa.eu/funding/funding-opportunities/funding-programmes-and-open-calls/horizon-europe_en?prefLang=pt.

31 Ver a página Web dos EDE: https://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=1532&langId=pt.

32 Ver https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=celex%3A32000L0078.

ADVERTÊNCIA JURÍDICA

Manuscrito concluído em outubro de 2024

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