Capítulo 4 – Assegurar energia segura, sustentável e a preços acessíveis para a Europa

Imagem de dois jovens de pé num campo coberto de erva verde, com duas turbinas eólicas visíveis atrás. Um dos jovens tem na mão um modelo de turbina eólica em miniatura que está ligado a um dispositivo portátil segurado pelo outro jovem.
© AFP

Introdução

Depois de atravessar uma das piores crises energéticas mundiais das últimas décadas, a União Europeia tomou medidas drásticas em 2023 para poupar energia, diversificar o seu aprovisionamento energético e acelerar a transição para as energias limpas. As situações de emergência nos domínios do clima, do ambiente e da biodiversidade que se continuam a verificar em todo o mundo tornam ainda mais evidente a necessidade de adotar medidas urgentes. Ao longo do ano, a União Europeia continuou a eliminar progressivamente os combustíveis fósseis russos para salvaguardar a sua economia e, ao mesmo tempo, envidou esforços para que esta última se torne mais sustentável, por meio do aumento da produção de energia renovável e da aplicação de medidas de eficiência energética.

A UE pôs em prática uma reforma abrangente do seu mercado da eletricidade, a fim de melhor proteger os consumidores contra os choques de preços da energia, e introduziu também novas iniciativas para estimular a sua competitividade e aumentar a capacidade industrial no setor das tecnologias limpas. Estas iniciativas visam garantir o acesso a matérias-primas críticas e reduzir as dependências estratégicas em tecnologias e cadeias de valor essenciais, reforçando, desta forma, a segurança económica e a soberania tecnológica da União Europeia.

Segurança energética

Eliminação progressiva dos combustíveis fósseis russos

Por forma a garantir aos cidadãos da União Europeia o acesso a energia segura, sustentável e a preços acessíveis, a UE lançou o plano REPowerEU - abrir num novo separador. em maio de 2022. O plano tem como objetivo reduzir significativamente a dependência da União Europeia em relação aos combustíveis fósseis russos aumentando a produção interna de energia limpa, reduzindo o consumo de energia e diversificando o aprovisionamento energético da UE. Nos primeiros 12 meses após o seu lançamento, a União Europeia tinha já alcançado progressos assinaláveis na realização destes três objetivos - abrir num novo separador..

No final de 2023, as importações totais de gás russo na União Europeia ascendiam a apenas 42,9 mil milhões de metros cúbicos (mil milhões de m³), em comparação com 80 mil milhões de m³ em 2022 e mais de 150 mil milhões de m³ em 2021. Durante o ano, a Noruega e o Norte de África voltaram a ser os principais fornecedores da União Europeia de gás transportado por gasodutos, e os Estados Unidos o principal fornecedor de gás natural liquefeito.

Além do REPowerEU, há uma série de instrumentos que auxiliam os Estados-Membros da UE a diversificar as suas fontes de aprovisionamento de gás. Um deles, o mecanismo de aquisição conjunta de gás AggregateEU - abrir num novo separador., permite que as empresas de gás e as empresas consumidoras de gás unam esforços para agregar a procura, coordenar a utilização das infraestruturas, negociar com parceiros internacionais e preparar a aquisição conjunta de gás e hidrogénio.

Fotografia de Ursula von der Leyen e Jens Stoltenberg sorrindo no meio de um grupo de pessoas. Todos os presentes usam coletes de proteção.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia (quarta a partir da esquerda), e Jens Stoltenberg, secretário-geral da OTAN (quinto a partir da esquerda), visitam uma plataforma de extração de gás natural da empresa norueguesa Equinor localizada ao largo da costa ocidental da Noruega. 17 de março de 2023.

Em 2022, a União Europeia aprovou outra medida para dar resposta aos problemas de segurança do aprovisionamento: o regulamento relativo ao armazenamento de gás - abrir num novo separador., que exigia que, até 1 de novembro, os Estados-Membros aprovisionassem as suas instalações de armazenamento até 90 %, a fim de garantirem reservas suficientes para o inverno. Graças a esta medida, garantiram-se reservas que alcançaram 95 % da capacidade antes do inverno de 2022/2023. Em 2023, com preços substancialmente mais baixos — e menos voláteis — do que os registados em 2022, as instalações de armazenamento foram aprovisionadas com grande rapidez, atingindo-se a meta de 90 % em 18 de agosto - abrir num novo separador. e mantendo-a acima de 95 % no início de dezembro.

Imagem de um grande navio militar com um heliporto à retaguarda, dirigindo-se para uma plataforma petrolífera no oceano.
© NATO

Uma série de novos projetos de infraestruturas energéticas - abrir num novo separador. concluídos nos últimos dois anos ajudou também a UE a garantir fontes alternativas de aprovisionamento de gás. Entre esses projetos contam-se o gasoduto báltico, a interligação entre a Bulgária e a Grécia e novos terminais de gás natural liquefeito em vários Estados-Membros.

Em novembro, a União Europeia deu mais um passo para tornar o seu sistema energético apto para o futuro ao publicar a sua primeira lista de projetos de interesse comum - abrir num novo separador., plenamente consentânea com o Pacto Ecológico Europeu. Prevê-se que seja formalmente adotada no início de 2024. Publicada de dois em dois anos, esta lista - abrir num novo separador. contém projetos suscetíveis de melhorar a interconectividade dos sistemas energéticos dos Estados-Membros. Os projetos podem beneficiar de procedimentos de licenciamento acelerados e de financiamento. Esta é a primeira lista no âmbito do regulamento revisto sobre as redes transeuropeias de energia que exclui projetos relacionados com combustíveis fósseis e inclui projetos relativos ao hidrogénio e a eletrolisadores. A lista abrange também projetos destinados a interligar o sistema energético da União Europeia ao Reino Unido, aos Balcãs Ocidentais e aos países do Norte de África.

Imagem de um navio-tanque de grandes dimensões atracado num porto. Atrás do porto, veem-se campos verdes e uma cidade.
Um navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) num terminal de transporte marítimo recentemente instalado na Alemanha para importar gás, em alternativa aos gasodutos Nord Stream. O GNL é um gás natural arrefecido, com a transformação do gás num líquido que corresponde a 1/600 do seu volume original. Esta redução significativa permite um transporte seguro e eficiente a bordo de navios de transporte de GNL. Brunsbüttel, Alemanha, setembro de 2023.

Acesso a energia a preços acessíveis

Desde o verão de 2021, os preços da energia dispararam, afetando gravemente os consumidores e deixando muitas pessoas em risco de pobreza energética. Em 2023, a União Europeia procurou introduzir regras destinadas a reformar o mercado da energia para proteger os consumidores contra futuros choques no plano dos preços. Estas medidas de longo prazo complementam as medidas de emergência aplicadas em 2022, entre as quais o mecanismo de correção do mercado para limitar os preços excessivos do gás - abrir num novo separador. e a contribuição extraordinária - abrir num novo separador. cobrada a determinadas empresas de energia com lucros excessivos.

Muito embora a União Europeia tenha um mercado único da energia bem integrado, que há mais de 20 anos traz vantagens aos consumidores, a crise energética mostrou que são necessários mais progressos. Consequentemente, em março de 2023 a Comissão apresentou uma proposta de revisão das regras de configuração do mercado da eletricidade da União Europeia - abrir num novo separador.. Esta reforma dará aos consumidores mais direitos e opções e, ao mesmo tempo, reforçará a sua proteção, quebrando a relação entre as faturas de energia e o preço do mercado de curto prazo da eletricidade e tornando o mercado da energia da UE mais resiliente. O Parlamento Europeu e o Conselho chegaram a acordo - abrir num novo separador. sobre a reforma no final do ano.

A revisão da configuração do mercado da eletricidade da UE capacita e protege os consumidores

Os consumidores têm agora direito a:

  • celebrar contratos de preço fixo, garantindo assim preços seguros a longo prazo;
  • contratos múltiplos;
  • partilhar com os vizinhos as energias renováveis que produzem.
  • Protege os consumidores vulneráveis contra cortes de abastecimento.
  • Assegura proteção contra futuras manipulações do mercado e situações de incerteza energética.
  • Obriga os fornecedores de energia a prevenir aumentos súbitos e elevados dos preços e o risco de carência.

Os esforços da União Europeia para diversificar o seu aprovisionamento e os seus fornecedores de energia também contribuíram para reduzir os preços da energia — e a sua volatilidade — em relação aos excessos registados em 2022. A Plataforma Energética da UE - abrir num novo separador. (designadamente o mecanismo AggregateEU, já mencionado neste capítulo) permite agregar a procura e proceder à aquisição conjunta de energia, o que se traduz em melhores preços para os consumidores da União Europeia.

A Comissão introduziu ainda um mecanismo para corrigir os picos de preços no mercado do gás, fixando um novo preço de referência para o gás natural liquefeito. Era necessário criar uma alternativa à abordagem anterior, que utilizava como referência o preço do gás do mercado de transferência de títulos neerlandês (TTF), preço esse que deixara de ser fiável por já não refletir as novas condições de mercado. Agora, a Agência Europeia de Cooperação dos Reguladores da Energia - abrir num novo separador. publica regularmente um valor de referência, que está muito menos exposto à volatilidade do que o preço do mercado de transferência de títulos.

Por último, a União Europeia deu aos Estados-Membros a possibilidade de conceder apoio direto aos agregados familiares vulneráveis e às pequenas e médias empresas através das medidas excecionais no âmbito do programa SAFE (apoio à energia a preços acessíveis). No âmbito das regras da política de coesão - abrir num novo separador., estas medidas permitem que os Estados-Membros recorram aos fundos da UE remanescentes, ao abrigo da sua dotação de 2014-2020, para prestar apoio direto a grupos de risco que enfrentem um aumento dos custos da energia.

Utilização eficiente da energia

O setor da energia — aquecimento das habitações, produção de energia e transportes — é responsável por quase três quartos das emissões mundiais de gases com efeito de estufa. Isto significa que a redução do consumo de energia é um elemento de grande importância na luta contra as alterações climáticas. A União Europeia quer reduzir as suas emissões pelo menos 55 % até 2030 (em relação aos níveis de 1990), em consonância com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu (ver capítulo 3).

No inverno de 2022/2023 — graças ao tempo mais ameno e aos esforços conjuntos da União Europeia e dos seus Estados-Membros, cidadãos e empresas —, o consumo de gás na UE diminuiu 18 % (o equivalente a 53 mil milhões de m³). No entanto, para que haja um equilíbrio adequado entre a oferta e a procura de energia, são ainda necessárias medidas voluntárias de poupança de energia. Por este motivo, foi prorrogado o regulamento de emergência relativo à redução do consumo de gás - abrir num novo separador. (acordado inicialmente em julho de 2022 - abrir num novo separador.), com o objetivo de reduzir o consumo em mais 60 mil milhões de m³ entre abril de 2023 e março de 2024. Outras regras de emergência adotadas em 2022 no que se refere ao mecanismo de correção do mercado, às regras de solidariedade e ao licenciamento foram também prorrogadas para prevenir novos problemas.

Panela de alumínio a aquecer num fogão a gás.
© Adobe Stock

A nova diretiva relativa à eficiência energética - abrir num novo separador. define objetivos de longo prazo mais ambiciosos para o consumo de energia.

Um novo objetivo de redução do consumo de energia de 11,7 % até 2030 em relação ao consumo previsto (o objetivo inicial, proposto em 2021, era de 9 %).

Os Estados-Membros devem assegurar uma redução anual do consumo de energia final de 1,3 % até 2024 e de 1,9 % até 2028, um aumento em relação à redução de 0,8 % alcançada em 2023.

Melhorar a utilização da energia nos edifícios é outra forma importante de poupar energia. O acordo político alcançado em dezembro sobre a revisão da diretiva relativa ao desempenho energético dos edifícios - abrir num novo separador. ajudará o setor da construção a reduzir o seu consumo de energia e a tornar os edifícios mais ecológicos. A revisão introduz uma série de medidas que ajudarão os governos da UE a aumentar o desempenho energético dos edifícios e incide sobretudo na melhoria dos edifícios com pior desempenho.

As poupanças de energia obtêm-se não só utilizando menos energia e fazendo-o de forma mais eficiente, mas também através da conceção de produtos e aparelhos de uso diário por parte dos produtores. As novas regras de conceção ecológica da União Europeia - abrir num novo separador. determinam que os aparelhos elétricos devem utilizar menos energia em modo de espera e dão aos fabricantes dois anos para melhorar o desempenho dos seus produtos. Os secadores de roupa, aquecedores de ambiente local, telemóveis, tábletes e ventiladores industriais são alguns dos produtos sujeitos a regras novas ou revistas mais rigorosas. Estas alterações repercutir-se-ão na etiqueta energética da UE - abrir num novo separador., que continua a ser amplamente reconhecida e utilizada pelos consumidores na União Europeia.

A União Europeia quer que os produtos sustentáveis se tornem a norma. No final do ano, o Parlamento e o Conselho chegaram a acordo sobre a iniciativa relativa aos produtos sustentáveis - abrir num novo separador., proposta em março de 2022, que questiona o tradicional modelo de consumo «extrair, fabricar, utilizar e deitar fora». A iniciativa pretende garantir que os produtos são feitos para durar, reduzindo assim o desperdício e conservando recursos.

Imagem de uma pessoa a segurar dois rótulos energéticos enquanto outra aponta para um deles. Em segundo plano, várias filas de máquinas de lavar roupa e outros eletrodomésticos.

A Comissão estima que a redução do consumo de eletricidade dos produtos em modo de espera permitirá poupar 1,36 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Estas poupanças são também animadoras para o bolso dos consumidores, já que, no total, podem ascender a 530 milhões de EUR por ano até 2030.

Acelerar a produção de energia verde

A transição para energias limpas e renováveis é essencial para concretizar o objetivo do Pacto Ecológico Europeu de uma Europa com impacto neutro no clima. Fundamental para esta transição, o plano REPowerEU concentra-se na produção de energia verde, na eliminação progressiva dos combustíveis fósseis russos e na promoção da poupança energética. O Mecanismo de Recuperação e Resiliência - abrir num novo separador. e o Plano Industrial do Pacto Ecológico - abrir num novo separador. são essenciais para sustentar o REPowerEU e asseguram apoio financeiro e estratégico à transição para as energias renováveis e ao objetivo mais abrangente de uma Europa com impacto neutro no clima.

O Pacto Ecológico Europeu

Tornar a Europa o primeiro continente com impacto neutro no clima até 2050

O Plano Industrial do Pacto Ecológico

Desenvolvimento da capacidade industrial para as tecnologias limpas que compõem o Pacto Ecológico Europeu.

REPowerEU

Resposta às perturbações do mercado da energia com uma energia segura, sustentável e a preços acessíveis para a Europa.

O Mecanismo de Recuperação e Resiliência

Recuperação dos efeitos da pandemia e preparação para as transições ecológica e digital.

O Mecanismo de Recuperação e Resiliência intervém em grande medida no financiamento de projetos e infraestruturas no domínio da energia verde, a fim de acelerar a transição para as energias renováveis, com cerca de 42 % dos seus fundos a serem destinados à transição ecológica (ver capítulo 2 para mais informações sobre o mecanismo). Os Estados-Membros têm vindo a alterar os seus planos de recuperação e resiliência para que incluam um capítulo específico dedicado ao plano REPowerEU, no qual indicarão de que forma tencionam concretizar os seus objetivos. Até à data, 23 Estados-Membros apresentaram capítulos REPowerEU: nos planos alterados, 61,87 mil milhões de EUR foram atribuídos às energias renováveis e às redes de energia, incluindo 35,51 mil milhões de EUR destinados especificamente à produção de energias renováveis. O Mecanismo de Recuperação e Resiliência dá também aos Estados-Membros a possibilidade de atribuir fundos a projetos importantes de interesse europeu comum - abrir num novo separador. em domínios como o hidrogénio e as baterias.

Além do apoio ao investimento, tanto em tecnologias de energia renovável plenamente desenvolvidas como noutras mais inovadoras, concedido pelo mecanismo, em 2023 introduziu-se um conjunto de iniciativas mais amplas para dar resposta aos desafios estruturais que afetam o setor das energias limpas da UE. Uma destas iniciativas, o Plano Industrial do Pacto Ecológico, visa reforçar a competitividade das tecnologias de impacto zero na União Europeia (e acelerar assim a transição para a neutralidade climática), tirando partido dos pontos fortes do mercado único. A União Europeia simplificou a regulamentação, para que seja mais fácil obter as matérias-primas de que as tecnologias limpas necessitam, e facilitou o processo de obtenção de financiamento para as tecnologias de energia verde. A UE está empenhada na requalificação e melhoria das competências das pessoas, por forma a que estas possam trabalhar no setor das tecnologias limpas, e envida também esforços para melhorar o comércio aberto, a fim de garantir acesso às matérias-primas e permitir assim o pleno desenvolvimento das tecnologias verdes. Graças a esta ação, as comunidades usufruirão das vantagens proporcionadas pelos empregos de elevada qualidade oferecidos pela indústria das tecnologias limpas, ao passo que as pessoas tirarão proveito dos benefícios decorrentes de um ambiente mais limpo e de uma economia de mercado mais sustentável.

O Plano Industrial Verde assenta em quatro pilares complementares

Um quadro regulamentar previsível e simplificado

Acesso mais rápido ao financiamento

Competências reforçadas

Comércio aberto para cadeias de abastecimento resilientes

No âmbito do Plano Industrial do Pacto Ecológico — especificamente relacionado com a simplificação do quadro regulamentar aplicável ao setor das tecnologias limpas —, a Comissão apresentou igualmente, em março de 2023, uma proposta de regulamento relativo às matérias-primas críticas - abrir num novo separador. e uma proposta de regulamento relativo a uma indústria de impacto zero - abrir num novo separador.. Estes dois atos funcionarão em paralelo para apoiar a capacidade de produção de impacto zero da União Europeia e assegurar a disponibilidade das matérias-primas necessárias à produção de tecnologias limpas na UE.

Perante a procura mundial de matérias-primas críticas e num contexto geopolítico em rápida mutação e cada vez mais complexo, é fundamental garantir o acesso da União Europeia a um aprovisionamento seguro e sustentável dessas matérias-primas. Esse aprovisionamento é essencial para a competitividade da União, sobretudo no setor das tecnologias verdes e digitais, bem como nas indústrias aeroespacial e da defesa.

Formalmente aprovado pelo Parlamento e pelo Conselho em novembro - abrir num novo separador., o regulamento relativo às matérias-primas críticas reforçará as capacidades internas de matérias-primas críticas ao longo de toda a cadeia de aprovisionamento. Estabelece objetivos claros para aumentar as capacidades de extração, transformação e reciclagem até 2030. A União Europeia irá ainda diversificar as suas fontes de aprovisionamento para que não tenha de depender de um único fornecedor para suprir mais de 65 % do seu consumo. Esta estratégia inclui a criação de parcerias internacionais, apoiadas pela estratégia Global Gateway - abrir num novo separador..

Matérias-primas críticas

As matérias-primas críticas estão na base de muitas cadeias de aprovisionamento industrial e a sua procura está a aumentar à escala mundial.

Os elementos de terras raras são componentes essenciais dos ímanes permanentes utilizados em motores de turbinas eólicas.

O lítio, o cobalto e o níquel são utilizados no fabrico de baterias.

O silício é utilizado nos semicondutores.

O Regulamento Indústria de Impacto Zero reforçará a resiliência e a competitividade da indústria de fabrico de tecnologias de impacto zero da União Europeia e contribuirá para um sistema energético mais seguro e sustentável. O regulamento melhorará as condições necessárias para criar projetos de impacto zero na União Europeia e atrair investimento. Estabelece ainda um objetivo ambicioso: até 2030, a capacidade estratégica de produção de tecnologias de impacto zero da União Europeia deve atingir ou ultrapassar 40 % das suas necessidades de implantação dessas tecnologias. A sua consecução irá acelerar substancialmente os progressos no sentido dos objetivos da União Europeia em matéria de clima e energia para 2030, bem como da transição mais geral rumo à neutralidade climática. Reforçará também a competitividade da indústria da União Europeia, criará empregos de elevada qualidade e sustentará os esforços da UE para atingir a independência energética.

Por último, o objetivo da União Europeia de acelerar a utilização de energias renováveis, nomeadamente as produzidas na Europa, reflete-se também na sua política energética. Um dos principais marcos de 2023 foi a revisão da Diretiva Energias Renováveis, com o objetivo de acelerar a implantação destas energias. Esta revisão aumentou a meta da União Europeia em matéria de energias renováveis até 2030 para um mínimo de 42,5 %, com a ambição de atingir 45 %, em relação ao anterior objetivo de 32 %, fixado em 2018. A diretiva revista procura dar resposta aos recentes estrangulamentos e ineficiências introduzindo novas medidas aplicáveis ao hidrogénio renovável e às energias renováveis nos transportes e na indústria. Esclarece ainda questões de ordem técnica, entre as quais os critérios de sustentabilidade para a bioenergia, e torna permanentes as anteriores regras temporárias instituídas para encurtar e simplificar os procedimentos de licenciamento - abrir num novo separador. de projetos de energias renováveis.

Energias renováveis

Após a adoção da estratégia da UE para a energia solar - abrir num novo separador. e o lançamento da parceria industrial do biometano - abrir num novo separador. em 2022, a União Europeia reorientou a sua ação para o hidrogénio renovável e a energia eólica em 2023.

No que diz respeito ao hidrogénio e ao arranque desta nova tecnologia, o primeiro passo consistiu em definir o que se entende por hidrogénio renovável. Esta definição foi estabelecida nos atos delegados relativos ao hidrogénio - abrir num novo separador., que salientam igualmente a importância de criar capacidades adicionais de energias renováveis para produzir hidrogénio renovável. A definição destas normas da UE é fundamental para a expansão do setor.

Em dezembro, um acordo político sobre o pacote relativo ao gás e ao hidrogénio hipocarbónicos - abrir num novo separador. representou outra etapa importante. Esta iniciativa visa promover a utilização de gases renováveis e hipocarbónicos e incide sobretudo na criação de um mercado de hidrogénio renovável.

Kadri Simson e Pascal De Buck, com capacetes e coletes amarelos de proteção, posam de pé para a fotografia junto de um gasoduto, atrás de dois blocos esculpidos representando a letra H e o número 2.
Kadri Simson, comissária europeia da Energia (à esquerda), e Pascal De Buck, diretor da Fluxys, visitam o local de construção de um gasoduto para transportar hidrogénio. Lokeren, Bélgica, 7 de julho de 2023.

Em março, a Aliança Europeia para o Hidrogénio Limpo - abrir num novo separador. — criada em 2020 para apoiar a implantação em larga escala de tecnologias de hidrogénio limpo até 2030 — publicou um roteiro - abrir num novo separador. sobre a normalização no domínio do hidrogénio, no qual se traça um quadro completo das lacunas, dos desafios e das necessidades de normalização identificadas pelos membros da aliança. A aliança publicou igualmente um manual sobre os corredores de aprovisionamento de hidrogénio - abrir num novo separador., onde se apresenta um quadro atualizado da evolução dos principais projetos de infraestruturas, em toda a União Europeia, que são essenciais para estabelecer a infraestrutura europeia hipocarbónica para o hidrogénio - abrir num novo separador.. Esta iniciativa pretende utilizar tanto os gasodutos existentes como novos gasodutos para criar uma rede de hidrogénio em todo o continente.

No que diz respeito à produção de hidrogénio renovável, a parceria europeia no domínio dos eletrolisadores renovou o compromisso - abrir num novo separador. assumido na declaração conjunta - abrir num novo separador. de 2022 no sentido de decuplicar as capacidades de produção de eletrolisadores da União Europeia até 2025.

A Comissão propôs igualmente a criação de um mecanismo pan-europeu para o hidrogénio, denominado Banco Europeu do Hidrogénio - abrir num novo separador.. O Banco do Hidrogénio garantirá a segurança do investimento e oportunidades comerciais para a produção de hidrogénio renovável na Europa e no mundo. Para esse efeito, recorrerá a dois mecanismos de financiamento (um para estimular a produção de hidrogénio na UE e o outro para as importações internacionais na UE); avaliará a procura e as necessidades de infraestruturas; e coordenará diferentes fontes de financiamento para simplificar o investimento no hidrogénio sustentável.

Frans Timmermans discursa de pé, atrás do púlpito, numa tribuna. Atrás, um cartaz com o título «Cimeira Mundial do Hidrogénio 2023».
Frans Timmermans, então vice-presidente executivo da Comissão Europeia responsável pelo Pacto Ecológico Europeu, intervindo na Cimeira Mundial do Hidrogénio de 2023. Roterdão, Países Baixos, 11 de maio de 2023.

Em março, a Comissão assinou uma declaração conjunta - abrir num novo separador. com as partes interessadas europeias para promover a investigação e a inovação no domínio do hidrogénio renovável, a fim de promover a sua implantação e impulsionar a transição para as energias limpas.

A UE tomou igualmente medidas para acelerar a implantação da energia eólica e a inovação neste domínio. Ao contrário da energia produzida a partir do hidrogénio — que está ainda numa fase incipiente —, o setor da energia eólica da União Europeia já deu provas de sucesso. O custo normalizado da energia neste setor foi equivalente ou mesmo inferior - ficheiro PDF - abrir num novo separador. ao dos combustíveis fósseis e, em 2023 (janeiro a agosto), a energia eólica representou, em média, 17,2 % - abrir num novo separador. da eletricidade consumida na União Europeia. Subsistem, no entanto, algumas questões. Os atrasos no licenciamento, a escassez de competências e a forma como os concursos nacionais são concebidos para favorecer os custos em detrimento da sustentabilidade são alguns dos desafios. Além disso, os fabricantes de turbinas eólicas não obtêm dos Estados-Membros planos claros de implantação de energia eólica, o que complica a planificação de projetos num contexto de concorrência mundial e de aumento dos custos dos produtos de base.

Para resolver algumas das questões que ainda subsistem no setor, a Comissão apresentou, em outubro, o Plano de Ação Europeu para a Energia Eólica - abrir num novo separador..

O Plano de Ação Europeu para a Energia Eólica é composto por seis partes principais que procuram dar resposta às questões neste domínio e contribuirá para aumentar a capacidade de produção de energia eólica de 204 GW em 2022 para o objetivo pretendido de 500 GW em 2030

1. Aceleração da implantação e do licenciamento 2. Melhoria da conceção dos leilões 3. Acesso ao financiamento 4. Um ambiente internacional justo e competitivo 5. Competências 6. Envolvimento da indústria e compromissos dos Estados-Membros

O plano de ação inclui o lançamento da iniciativa Accele-RES, que ajudará a digitalizar o processo de licenciamento e lançará uma ferramenta específica em linha para prestar assistência nos procedimentos de licenciamento. O plano reforçará ainda a competitividade da indústria eólica da União Europeia, facilitando o acesso dos seus fabricantes aos mercados estrangeiros; garantindo a devida proteção contra distorções do comércio (como as subvenções desleais concedidas a produtos relacionados com a energia eólica importados para a União Europeia); e procedendo à normalização dos equipamentos de energia eólica para melhorar a interoperabilidade, a qualidade e a sustentabilidade.

Por último, 21 Estados-Membros apresentaram compromissos em matéria de energia eólica - abrir num novo separador. no final de 2023, nos quais indicam os projetos de energia eólica e os volumes de implantação de energia eólica previstos para o futuro imediato (2024-2026). Graças a estes compromissos, os fabricantes e investidores terão mais garantias e, por conseguinte, serão lançados mais projetos de energia eólica.

Imagem de quatro pessoas de pé sorrindo, com capacetes e coletes amarelos de proteção, entre filas de unidades elétricas brancas de grandes dimensões.
Central de armazenamento de energia por meio de baterias (instalada pela empresa Energy Cells), com uma potência total de 200 megawatts e uma capacidade de 200 megawatts-hora. Este projeto recebeu 87,6 milhões de EUR de financiamento do Mecanismo de Recuperação e Resiliência e permitirá à Lituânia desconectar-se da rede elétrica controlada pela Rússia e sincronizar-se com a rede elétrica continental europeia. Vílnius, Lituânia, 25 de julho de 2023.

Apoiar a transição para energias renováveis

A transição para as energias renováveis implica também encontrar formas de as captar e armazenar, para que possam ser utilizadas quando, por exemplo, o vento não soprar ou o sol não brilhar.

A utilização de baterias é uma das formas de armazenar a energia renovável. Desde 2017, a Aliança Europeia para as Baterias - abrir num novo separador., criada pela União Europeia para apoiar o ecossistema europeu de baterias, tem sido fundamental para garantir os progressos neste domínio. Na sua sétima reunião de alto nível - ficheiro PDF - abrir num novo separador., que decorreu em março de 2023, a aliança salientou a importância de dar a um número suficiente de pessoas as competências de que o setor das baterias necessita.

Assegurar uma transição justa e melhorar as competências dos trabalhadores das indústrias afetadas pela transição para as energias limpas são outros aspetos importantes na transição para as energias renováveis. Neste contexto, a União Europeia designou 2023 como o Ano Europeu das Competências (ver capítulo 6 para mais informações).

Em 2023, além de dar resposta à escassez de competências específicas através de iniciativas como o plano de ação para a energia eólica, a Comissão ajudou a lançar uma parceria de competências em grande escala para as indústrias com utilização intensiva de energia - abrir num novo separador. e uma parceria de competências em grande escala no domínio das energias renováveis - abrir num novo separador.. Estas parcerias assegurarão que os trabalhadores destas indústrias dispõem das competências adequadas para acompanhar a transição da União Europeia para as energias renováveis e ajudá-los-ão a adaptar-se à evolução do mercado de trabalho. As parcerias visam identificar as lacunas de competências e desenvolver os programas de ensino e formação adequados para as colmatar.

Transição energética do setor das pescas e aquicultura

Em fevereiro de 2023, a Comissão apresentou uma comunicação sobre a transição energética do setor das pescas e da aquicultura da UE - abrir num novo separador.. No âmbito desta iniciativa, as medidas visam apoiar a transição do setor para fontes de energia mais limpas, contribuindo assim para reduzir a sua atual dependência em relação aos combustíveis fósseis, que não só é insustentável do ponto de vista ambiental, como também torna o setor vulnerável ao aumento dos preços da energia (ver capítulo 3 para mais informações).

Imagem digitalizada de um navio no oceano.
Um navio de pesca dinamarquês de desenho ecológico, com uma poupança de combustível de pelo menos 25 % por quilo de pescado. Inovações como estas, juntamente com as estruturas criadas pela UE, acelerarão a transição energética deste setor. © ULSTEIN

Estas parcerias complementam também outras iniciativas existentes, como a Academia da Aliança Europeia para as Baterias - abrir num novo separador., que visa formar, requalificar e melhorar as competências dos trabalhadores, com o objetivo de satisfazer a procura de trabalhadores qualificados na cadeia de valor das baterias europeia, que se encontra em franco crescimento. A academia tem vindo a desenvolver e a lançar programas de formação avançada em colaboração com os prestadores de ensino e formação em todos os Estados-Membros.

O Regulamento Indústria de Impacto Zero e o regulamento relativo às matérias-primas críticas introduziram também iniciativas fundamentais para promover uma mão de obra qualificada na União Europeia. O Regulamento Indústria de Impacto Zero cria academias de indústrias de impacto zero para apoiar a produção destas tecnologias. Do mesmo modo, o regulamento relativo às matérias-primas críticas cria uma academia das matérias-primas, orientada para o reforço das competências que são essenciais para a mão de obra na cadeia de aprovisionamento de matérias-primas críticas.

Em 2023, assistiu-se igualmente ao lançamento dos diálogos sobre a transição para energias limpas. O primeiro - abrir num novo separador. destes diálogos, centrado no hidrogénio, reuniu representantes de toda a cadeia de valor do hidrogénio para trocar ideias e melhores práticas sobre como reforçar a dimensão industrial do Pacto Ecológico Europeu. O segundo diálogo - abrir num novo separador. realizou-se com representantes de indústrias com utilização intensiva de energia.

Por último, a fim de apoiar a transição para as energias renováveis, a União Europeia presta aconselhamento prático e orientações específicas aos Estados-Membros através do instrumento de assistência técnica. Em 2023, este instrumento ajudou 17 Estados-Membros a identificar as reformas e os investimentos necessários para eliminar progressivamente os combustíveis fósseis russos - abrir num novo separador.. Entre os domínios que beneficiam de apoio técnico contam-se os seguintes: licenciamento mais rápido para energias renováveis; eficiência energética e renovação de edifícios; produção de hidrogénio e biometano; diversificação das fontes de aprovisionamento de gás; e descarbonização da indústria. Este apoio contribuirá para concretizar a transição ecológica e reduzir o preço da energia, em prol dos cidadãos e das empresas.