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A UE em 2019 [Updated: 11/03/2020 16:36]

Saiba tudo sobre as realizações da União Europeia em 2019.

O Relatório Geral sobre a Atividade da União Europeia faz o ponto da situação sobre a forma como a União Europeia cumpriu as dez prioridades definidas pela Comissão Juncker.

Além dos resultados das eleições europeias, informe-se sobre as alterações mais importantes das instituições da União Europeia, nomeadamente as primeiras ações da nova Comissão Europeia, que tomou posse em dezembro.

Para obter informações sobre estes e muitos outros temas, consulte A UE em 2019.

A UE em 2019 está disponível em versão integral (Relatório Geral) ou em versão resumida (Destaques) nos seguintes formatos:

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Prefácio

Ursula von der Leyen przemawia z mównicy

Ursula von der Leyen, przewodnicząca Komisji Europejskiej.

 

É com enorme satisfação que apresento o nosso relatório sobre as atividades da União Europeia em 2019. Tendo assumido as minhas funções de presidente da Comissão Europeia em 1 de dezembro de 2019, quero prestar homenagem ao meu antecessor, Jean-Claude Juncker, sob cuja liderança se alcançaram muitos dos resultados significativos apresentados no relatório.

Nas eleições europeias de maio do ano passado, os cidadãos europeus mostraram-nos claramente que querem uma União na linha da frente, capaz de tomar ações concretas. Por esse motivo, ainda antes do final do ano, apresentei o Pacto Ecológico Europeu como primeira iniciativa da nova Comissão. Este Pacto é uma expressão concreta da nossa vontade de transformar a Europa no primeiro continente com impacto neutro no clima até 2050. Será bom para as pessoas, o planeta e a economia.

Espero que, como eu, encontrem neste relatório uma fonte de inspiração. As muitas ações e iniciativas nele descritas dão prova, mais uma vez, de tudo aquilo que conseguimos realizar em conjunto.

Viva a Europa!

Ursula von der Leyen

A União Europeia em 2019: um ano repleto de mudanças

Christine Lagarde, David Sassoli, Ursula von der Leyen i Charles Michel na tle schodów

Nowi przywódcy UE. Christine Lagarde, prezes Europejskiego Banku Centralnego, David Sassoli, przewodniczący Parlamentu Europejskiego, Ursula von der Leyen, przewodnicząca Komisji Europejskiej, oraz Charles Michel, przewodniczący Rady Europejskiej, biorą udział w ceremonii upamiętniającej inaugurację nowej Komisji Europejskiej i dziesiątą rocznicę Traktatu z Lizbony w Domu Historii Europejskiej, Bruksela, Belgia, 1 grudnia 2019 r.

O ano 2019 assinalou o final da Comissão Juncker, encerrando um ciclo de cinco anos marcado pela melhoria significativa da economia europeia, pela adoção de medidas para cumprir os compromissos assumidos pela União Europeia no âmbito do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, pela insistência em melhorar a democracia e a transparência e pelo desafio da saída do Reino Unido da União Europeia. As eleições europeias realizadas em maio registaram a taxa de participação eleitoral mais elevada dos últimos 25 anos; mais de 200 milhões de pessoas votaram naquele que é o maior exercício democrático transnacional do mundo.

David Sassoli assumiu o cargo de presidente do Parlamento Europeu em 3 de julho de 2019, Charles Michel sucedeu a Donald Tusk como presidente do Conselho Europeu, em 1 de dezembro, e Ursula von der Leyen tornou-se presidente da Comissão Europeia na mesma data.

Uśmiechnięci Ursula von der Leyen i Jean-Claude Juncker odsłaniają razem portret Junckera

Ursula von der Leyen, przewodnicząca Komisji Europejskiej, oraz Jean-Claude Juncker, były przewodniczący Komisji Europejskiej, odsłaniają jego portret w galerii przewodniczących Komisji Europejskiej w budynku Berlaymont, Bruksela, Belgia, 3 grudnia 2019 r.

Eleições para o Parlamento Europeu

De 23 a 26 de maio de 2019, realizaram-se eleições nos 28 Estados-Membros da União Europeia para escolher os representantes dos cidadãos no Parlamento Europeu. Foram eleitos, no total, 751 deputados ao Parlamento Europeu e a distribuição dos votos pelos grupos políticos refletiu a mudança das preferências dos eleitores.

Pela primeira vez em décadas, uma maioria de eleitores elegíveis em toda a União Europeia afluiu às urnas. Também pela primeira vez desde 1979 (ano em que foram realizadas as primeiras eleições diretas para o Parlamento Europeu), a taxa global de participação eleitoral aumentou, passando de 42,6 %, em 2014, para 50,7 %. Verificou-se também um elevado nível de mobilização entre os eleitores mais jovens; o número de eleitores com 16 anos e na faixa etária dos 18 aos 24 anos aumentou 14 % e o da faixa etária dos 25 aos 39 anos subiu 12 %.

Um inquérito Eurobarómetro realizado depois das eleições mostrou que as preocupações com a economia e as alterações climáticas foram as principais razões que levaram os eleitores às urnas.

O Parlamento Europeu e a Comissão Europeia colaboraram estreitamente antes das eleições, ao nível tanto da União Europeia como dos Estados-Membros, para mobilizar os cidadãos dando-lhes os meios necessários para poderem tomar decisões informadas sobre o futuro da Europa. Com base nesta experiência, ambas as instituições assinaram, em 5 de dezembro, um acordo sobre a comunicação conjunta ao serviço dos cidadãos e da democracia, a fim de aprofundar a sua cooperação para além das eleições.

Film wideo będący częścią kampanii zachęcającej do głosowania w wyborach do Parlamentu Europejskiego

„Tym razem głosuję” – kampania Parlamentu Europejskiego prowadzona we współpracy z innymi instytucjami UE zachęca społeczeństwo do wzięcia przyszłości projektu europejskiego w swoje ręce.© Parlament Europejski, 2019

Este gráfico mostra a afluência às urnas nas eleições para o Parlamento Europeu, por ano, desde 2004.

A taxa de participação nas quatro últimas eleições para o Parlamento Europeu foi de 45,5 % em 2004, 43 % em 2009, 42,6 % em 2014 e 50,7 % em 2019. Fonte: Parlamento Europeu, em colaboração com a Kantar.

Parlamento Europeu 2019-2024

O Grupo do Partido Popular Europeu manteve a sua posição, continuando a ser o maior grupo do Parlamento Europeu com 182 deputados dos 751 eleitos, seguido de perto pelo grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, com 154 deputados. Apesar de continuarem a ser os dois maiores grupos no Parlamento, ambos perderam eleitores para partidos da esquerda e da direita. O grupo Renew Europe, os Verdes/Aliança Livre Europeia e o grupo Identidade e Democracia registaram aumentos significativos em relação às anteriores eleições. O número total de deputadas no Parlamento Europeu subiu para 40,4 %, o nível mais elevado desde o início das eleições europeias em 1979.

Em 1 de julho, o Parlamento Europeu cessante realizou a última sessão da sua oitava legislatura e o novo Parlamento reuniu-se para a sessão plenária em Estrasburgo no dia seguinte.

Na primeira sessão plenária do novo Parlamento, os deputados elegeram o seu novo presidente e os novos vice-presidentes. Em 3 de julho, David Sassoli, um eurodeputado italiano de longa data, foi eleito presidente. No mesmo dia, foram eleitos os 14 vice-presidentes, provenientes de seis grupos políticos e dez Estados-Membros.

Gráfico com a distribuição dos votos pelos grupos políticos no Parlamento Europeu após as eleições de 2019.

Em 2019, o Parlamento Europeu contava com 751 deputados repartidos por sete grupos políticos, nomeadamente, da esquerda para a direita no espetro político: Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia Esquerda Nórdica Verde, com 41 deputados; Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, com 154 deputados; Verdes/Aliança Livre Europeia, com 74 deputados; Renew Europe, com 108 deputados; Partido Popular Europeu, com 182 deputados; Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus, com 62 deputados; Grupo Identidade e Democracia, com 73 deputados. Havia ainda 57 deputados não inscritos. Fonte: Parlamento Europeu Direitos de Autor: União Europeia

«Os cidadãos votaram nestas eleições europeias manifestando um forte apoio à União Europeia e com uma grande convicção de que a sua voz conta.»

David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu

Conselho Europeu

Eleito pela primeira vez em 1 de dezembro de 2014, Donald Tusk terminou o seu segundo mandato como presidente do Conselho Europeu cinco anos mais tarde. Em 2 de julho de 2019, os dirigentes da União Europeia elegeram para o cargo Charles Michel, que iniciaria as suas funções em 1 de dezembro.

Zdjęcie Charlesa Michela

Charles Michel, przewodniczący Rady Europejskiej.

Comissão Europeia

Em julho, os dirigentes da União Europeia propuseram Ursula von der Leyen como candidata ao cargo de presidente da Comissão Europeia. No mês seguinte, Ursula von der Leyen apresentaria as suas prioridades políticas para os trabalhos da Comissão nos próximos cinco anos.

COLÉGIO DE COMISSÁRIOS 2019-2024
Zdjęcia i zakresy kompetencji poszczególnych członków kolegium komisarzy w latach 2019–2024

W skład kolegium komisarzy na lata 2019–2024 wchodzą następujące osoby: Ursula von der Leyen, przewodnicząca Komisji Europejskiej; Frans Timmermans, wiceprzewodniczący wykonawczy do spraw Europejskiego Zielonego Ładu; Margrethe Vestager, wiceprzewodnicząca wykonawcza do spraw Europy na miarę ery cyfrowej; Valdis Dombrovskis, wiceprzewodniczący wykonawczy do spraw gospodarki służącej ludziom; Josep Borrell Fontelles, wysoki przedstawiciel i wiceprzewodniczący Komisji do spraw silniejszej pozycji Europy na świecie; Maroš Šefčovič, wiceprzewodniczący do spraw stosunków międzyinstytucjonalnych i prognozowania; Věra Jourová, wiceprzewodnicząca do spraw wartości i przejrzystości; Dubravka Šuica, wiceprzewodnicząca do spraw demokracji i demografii; Margaritis Schinas, wiceprzewodniczący do spraw promowania naszego europejskiego stylu życia; Johannes Hahn, komisarz do spraw budżetu i administracji; Phil Hogan, komisarz do spraw handlu; Mariya Gabriel, komisarz do spraw innowacji, badań naukowych, kultury, edukacji i młodzieży; Nicolas Schmit, komisarz do spraw miejsc pracy i praw socjalnych; Paolo Gentiloni, komisarz do spraw gospodarki; Janusz Wojciechowski, komisarz do spraw rolnictwa; Thierry Breton, komisarz do spraw rynku wewnętrznego; Elisa Ferreira, komisarz do spraw spójności i reform; Stella Kyriakides, komisarz do spraw zdrowia i bezpieczeństwa żywności; Didier Reynders, komisarz do spraw wymiaru sprawiedliwości; Helena Dalli, komisarz do spraw równości; Ylva Johansson, komisarz do spraw wewnętrznych; Janez Lenarčič, komisarz do spraw zarządzania kryzysowego; Adina Vălean, komisarz do spraw transportu; Olivér Várhelyi, komisarz do spraw sąsiedztwa i rozszerzenia; Jutta Urpilainen, komisarz do spraw partnerstw międzynarodowych; Kadri Simson, komisarz do spraw energii; Virginijus Sinkevičius, komisarz do spraw środowiska, oceanów i rybołówstwa. Źródło: Komisja Europejska. Prawa autorskie: Unia Europejska

Zdjęcia i zakresy kompetencji poszczególnych członków kolegium komisarzy w latach 2019–2024

W skład kolegium komisarzy na lata 2019–2024 wchodzą następujące osoby: Ursula von der Leyen, przewodnicząca Komisji Europejskiej; Frans Timmermans, wiceprzewodniczący wykonawczy do spraw Europejskiego Zielonego Ładu; Margrethe Vestager, wiceprzewodnicząca wykonawcza do spraw Europy na miarę ery cyfrowej; Valdis Dombrovskis, wiceprzewodniczący wykonawczy do spraw gospodarki służącej ludziom; Josep Borrell Fontelles, wysoki przedstawiciel i wiceprzewodniczący Komisji do spraw silniejszej pozycji Europy na świecie; Maroš Šefčovič, wiceprzewodniczący do spraw stosunków międzyinstytucjonalnych i prognozowania; Věra Jourová, wiceprzewodnicząca do spraw wartości i przejrzystości; Dubravka Šuica, wiceprzewodnicząca do spraw demokracji i demografii; Margaritis Schinas, wiceprzewodniczący do spraw promowania naszego europejskiego stylu życia; Johannes Hahn, komisarz do spraw budżetu i administracji; Phil Hogan, komisarz do spraw handlu; Mariya Gabriel, komisarz do spraw innowacji, badań naukowych, kultury, edukacji i młodzieży; Nicolas Schmit, komisarz do spraw miejsc pracy i praw socjalnych; Paolo Gentiloni, komisarz do spraw gospodarki; Janusz Wojciechowski, komisarz do spraw rolnictwa; Thierry Breton, komisarz do spraw rynku wewnętrznego; Elisa Ferreira, komisarz do spraw spójności i reform; Stella Kyriakides, komisarz do spraw zdrowia i bezpieczeństwa żywności; Didier Reynders, komisarz do spraw wymiaru sprawiedliwości; Helena Dalli, komisarz do spraw równości; Ylva Johansson, komisarz do spraw wewnętrznych; Janez Lenarčič, komisarz do spraw zarządzania kryzysowego; Adina Vălean, komisarz do spraw transportu; Olivér Várhelyi, komisarz do spraw sąsiedztwa i rozszerzenia; Jutta Urpilainen, komisarz do spraw partnerstw międzynarodowych; Kadri Simson, komisarz do spraw energii; Virginijus Sinkevičius, komisarz do spraw środowiska, oceanów i rybołówstwa. Źródło: Komisja Europejska. Prawa autorskie: Unia Europejska

Em 16 de julho, o Parlamento Europeu elegeu Ursula von der Leyen para ser a próxima presidente da Comissão Europeia, escolhendo pela primeira vez uma mulher para este cargo. Em consulta com os dirigentes nacionais, Ursula von der Leyen constituiu um Colégio de comissários, nomeado por 26 Estados-Membros, que prima pelo equilíbrio entre homens e mulheres, integrando 12 mulheres, incluindo a presidente.

Na sequência das audições de cada comissário indigitado e de um debate parlamentar, o Parlamento aprovou, em sessão plenária, o Colégio de comissários von der Leyen, em 27 de novembro. A nova Comissão tomou posse em 1 de dezembro.

David Sassoli i Ursula von der Leyen pozują z urzędowym dokumentem

David Sassoli, przewodniczący Parlamentu Europejskiego, i Ursula von der Leyen, nowo wybrana przewodnicząca Komisji Europejskiej, na sesji plenarnej Parlamentu Europejskiego, Strasburg, Francja, 16 lipca 2019 r.

Banco Central Europeu

O presidente cessante do Banco Central Europeu, Mario Draghi, terminou o seu mandato de oito anos em 31 de outubro de 2019. Seria substituído pela antiga diretora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, que assumiu funções em 1 de novembro. Lagarde é a primeira mulher a assumir a presidência do banco.

Zdjęcie Christine Lagarde

Christine Lagarde, prezes Europejskiego Banku Centralnego.

Primeira procuradora-geral europeia

Em setembro, o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia acordaram na nomeação de Laura Codruţa Kövesi como primeira procuradora-geral europeia. Kövesi dirige a Procuradoria Europeia independente, que protege o dinheiro dos contribuintes investigando fraudes e outras infrações penais que lesem o orçamento da União Europeia.

Zdjęcie Laury Codruțy Kövesi

Laura Codruţa Kövesi, pierwsza Europejska Prokurator Generalna.

Como funcionará a nova Comissão Europeia

A nova Comissão Europeia definiu seis prioridades para o período de 2019-2024:

A presidente Ursula von der Leyen nomeou oito vice-presidentes do Colégio, incluindo o alto representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Josep Borrell Fontelles. Três deles serão também vice-presidentes executivos, cada um responsável por uma das três principais orientações políticas da agenda da presidente, para além das suas próprias pastas.

O vice-presidente executivo Frans Timmermans, responsável pela Ação Climática, coordena os trabalhos da Comissão Europeia no Pacto Ecológico Europeu. A par do seu trabalho como comissária da Concorrência, a vice-presidente executiva Margrethe Vestager é responsável pela prioridade «preparar a Europa para a era digital». O vice-presidente executivo Valdis Dombrovskis, atual comissário responsável pelos Serviços Financeiros, foi incumbido da realização da prioridade «uma economia ao serviço dos cidadãos».

Para além das seis prioridades, a presidente von der Leyen declarou que presidirá a um Colégio empenhado, que compreenda a Europa e que preste atenção ao que os cidadãos europeus querem. Um dos principais objetivos da nova Comissão é facilitar a vida às pessoas e às empresas. Quando adotar novas disposições legislativas e regulamentares, a Comissão aplicará o princípio da comporta regulatória («entra um, sai um»), a fim de reduzir a burocracia para os cidadãos.

Pacto Ecológico Europeu

Ursula von der Leyen na tle logo konferencji ONZ w sprawie zmiany klimatu COP25

Naszym celem jest pogodzenie gospodarki z dobrem naszej planety – pogodzenie sposobu, w jaki produkujemy i konsumujemy, z dobrem naszej planety – i znalezienie rozwiązania korzystnego dla wszystkich. Ursula von der Leyen, przewodnicząca Komisji Europejskiej, Bruksela, Belgia, 11 grudnia 2019 r.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, em Bruxelas, Bélgica, em 11 de dezembro de 2019.

A primeira e mais importante das seis prioridades, o Pacto Ecológico Europeu, foi apresentado pela presidente von der Leyen em 11 de dezembro de 2019, menos de duas semanas após a tomada de posse da Comissão. Esta política emblemática, que visa fazer da Europa o primeiro continente com impacto neutro no clima até 2050, inclui um conjunto de medidas extremamente ambicioso que deverá permitir às empresas e aos cidadãos europeus beneficiar de uma transição ecológica sustentável.

O Pacto Ecológico Europeu é uma resposta global à emergência climática que ameaça o planeta. É também uma oportunidade única para que a União Europeia se posicione na vanguarda da transição mundial para a economia verde. No entanto, abraçar a ecologia não implica sacrificar o crescimento. O Pacto Ecológico Europeu prepara a economia da União Europeia para o futuro protegendo-a do esgotamento dos recursos e define de que modo a União poderá concretizar os seus objetivos de neutralidade climática ao mesmo tempo que cria emprego, melhora a saúde e a qualidade de vida das pessoas, cuida da natureza e não deixa ninguém para trás.

Compromisso de mudança

A primeira legislação europeia em matéria de clima tornará esta transição irreversível. Consagrar-se-á assim na lei a ambição política da Europa de se tornar no primeiro continente com impacto neutro no clima. O Pacto Ecológico Europeu estará na base de todas as políticas futuras da União Europeia e permitir-lhe-á manter-se na vanguarda das ações europeias e mundiais em matéria de sustentabilidade.

Este gráfico mostra a relação inversa entre a redução das emissões e o crescimento económico na União Europeia.

Entre 1990 e 2018, as emissões de gases com efeito de estufa diminuíram 23 %, ao passo que a economia cresceu 61 %.

Este gráfico descreve o empenho da União Europeia na ação climática.

A União Europeia assumiu o compromisso de se tornar climaticamente neutra a partir de 2050 e proteger a vida das pessoas, dos animais e das plantas reduzindo a poluição, bem como de auxiliar as empresas a tornarem-se líderes mundiais em produtos e tecnologias limpas, garantindo, ao mesmo tempo, uma transição justa e inclusiva. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou: o Pacto Ecológico Europeu é a nossa nova estratégia de crescimento. Ajudar-nos-á a reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, a criar emprego. Frans Timmermans, vice-presidente executivo da Comissão Europeia, acrescentou: para melhorar o bem estar das pessoas e garantir que as gerações futuras vivam num planeta saudável, propomos uma transição ecológica e inclusiva. Este compromisso assenta também na convicção da maioria dos europeus; 93 % dos cidadãos europeus consideram que as alterações climáticas são um problema grave e afirmam terem tomado pelo menos uma ação para combater as alterações climáticas. 79 % dos cidadãos concordam que a adoção de medidas contra as alterações climáticas conduzirá a uma maior inovação. Fonte: Comissão Europeia

O acordo repercutir-se-á em todos os domínios da economia da União Europeia, incluindo os grandes emissores, como o setor dos transportes, a construção, a energia e a agricultura e as indústrias como o aço, o cimento, as tecnologias da informação, os têxteis e os produtos químicos.

O seu caráter global centra-se na prevenção e não apenas numa estratégia de remediação. As políticas existentes, que consistem em atenuar o impacto da indústria através da reciclagem, serão reforçadas por políticas destinadas a reduzir desde logo os resíduos ou os danos, a começar pelo processo de fabrico.

Além de reduzir as emissões, o Pacto Ecológico Europeu constituirá a nova estratégia de crescimento da Europa, criando emprego graças a uma nova estratégia industrial da União Europeia que permitirá às empresas europeias inovar e desenvolver novas tecnologias.

Este gráfico resume o plano da União Europeia para alcançar a neutralidade climática.

A União Europeia será climaticamente neutra em 2050. A Comissão proporá um quadro legislativo em matéria de clima, conferindo força de lei a este compromisso político e tornando-o um motor de investimento. Para atingir este objetivo é necessário tomar medidas em todos os setores da nossa economia. Proceder-se-á à descarbonização do setor da energia, que representa mais de 75 % das emissões de gases com efeito de estufa da União Europeia. Os edifícios, que consomem 40 % da nossa energia, serão renovados para ajudar as pessoas a baixar as contas de eletricidade e a reduzir a utilização de energia. A indústria europeia, que atualmente utiliza apenas 12 % de materiais reciclados, será incentivada a inovar e a assumir um papel de liderança mundial na economia verde. No que respeita ao setor dos transportes, que representa 25 % das nossas emissões, serão introduzidas formas de transporte público e privado mais limpas, mais baratas e mais saudáveis. Fonte: Comissão Europeia

Investir na transição ecológica

Para cumprir os objetivos do Pacto Ecológico Europeu, serão necessários investimentos significativos. O financiamento terá de provir do setor privado e do setor público — a Comissão Europeia tomará a iniciativa com um plano de investimento para uma Europa sustentável que ajude a cobrir as necessidades de financiamento. Pelo menos 25 % do orçamento da União Europeia a longo prazo deve ser consagrado a ações a favor do clima e o Banco Europeu de Investimento garantirá apoios adicionais. 

A luta contra as alterações climáticas é um esforço comum, mas o ponto de partida não é o mesmo em todas as regiões e em todos os Estados-Membros. Um mecanismo de transição justa apoiará as regiões fortemente dependentes de atividades hipercarbónicas, bem como os cidadãos mais vulneráveis durante a transição, por exemplo, proporcionando acesso a programas de requalificação e oportunidades de emprego em novos setores económicos.

Resumo do Pacto Ecológico Europeu.

O Pacto Ecológico Europeu tem por objetivo transformar a economia da União Europeia com vista a um futuro sustentável. Para financiar esta transição, o Pacto tornará mais ambicioso o objetivo da União Europeia em matéria de clima para 2030 e 2050, garantindo o aprovisionamento de energia limpa, acessível e segura, mobilizando a indústria em prol de uma economia limpa e circular e utilizando a energia e os recursos de forma eficiente para construir e renovar. Ao mobilizar a investigação e promover a inovação garantir-se-á que a transição é justa e que ninguém ficará para trás. Isto traduz-se, na prática, numa estratégia de poluição zero em prol de um ambiente livre de substâncias tóxicas, na preservação e recuperação de ecossistemas e da biodiversidade e numa nova abordagem «do prado ao prato» para um sistema alimentar justo, saudável e respeitador do ambiente. Além disso, o Pacto acelerará a transição para uma mobilidade sustentável e inteligente. Por último, a União Europeia atuará como líder mundial em questões relacionadas com o clima e envidará esforços para concretizar um verdadeiro pacto europeu para o clima. Fonte: Comissão Europeia Direitos de Autor: União Europeia

Algumas das medidas imediatas a adotar para concretizar o Pacto Ecológico Europeu.

Entre as medidas que serão adotadas para estabelecer a diplomacia ecológica da União Europeia e assumir a liderança mundial na ação climática, contam-se, em março de 2020, a apresentação de uma proposta de legislação europeia em matéria de clima e a introdução de estratégias industriais e de economia circular e, no verão de 2020, o aumento para, pelo menos, 50 %, dos atuais objetivos climáticos da União Europeia para 2030. Fonte: Comissão Europeia

O futuro da Europa

Em Sibiu, Roménia, em 9 de maio, os dirigentes da UE-27 (todos os Estados-Membros, com exceção do Reino Unido) refletiram sobre a próxima agenda estratégica, que define as prioridades e orienta os trabalhos da União Europeia para o período de 2019-2024. Os dirigentes adotaram também a Declaração de Sibiu, que sublinhou a unidade entre os Estados-Membros na véspera das eleições para o Parlamento Europeu. A reunião de Sibiu veio culminar o processo de reflexão sobre o futuro da Europa e reiterar o empenho numa União Europeia capaz de dar resposta às questões verdadeiramente importantes para os seus cidadãos.

Em setembro de 2016, deram-se os primeiros passos rumo a Sibiu quando o presidente Juncker anunciou um programa construtivo para a Europa, dando assim início ao processo de reflexão sobre o futuro da Europa com 27 Estados-Membros. Os dirigentes da União Europeia adotariam, em seguida, duas declarações importantes sobre o caminho a seguir: a primeira em Bratislava, Eslováquia, em setembro de 2016, e a segunda em Roma, Itália, em março de 2017.

Em março de 2017, pouco antes do 60.o aniversário dos Tratados de Roma, a Comissão publicou o Livro Branco sobre o Futuro da Europa, em que delineou cinco cenários possíveis para o futuro da União Europeia com 27 Estados-Membros. Este foi o ponto de partida para um amplo debate sobre o futuro da Europa, que inspirou as principais prioridades políticas da agenda estratégica. A Comissão promoveu fortemente a participação dos cidadãos, criou novas formas de diálogo e de consulta, e tornou o debate mais flexível e interativo, colocando-o em linha e, desta forma, atingindo um público mais vasto e diversificado. Centenas de milhares de pessoas de diferentes nacionalidades, idades, religiões e convicções políticas participaram em quase 1 800 debates públicos, em câmaras municipais, universidades e outros locais, em toda a nossa União. Mais de 80 000 pessoas responderam igualmente ao questionário em linha sobre o futuro da Europa, elaborado por um painel de 96 cidadãos europeus.

A Comissão publicou ainda vários documentos de reflexão que analisaram exaustivamente determinadas questões específicas, a fim de alimentar o debate. O último destes documentos de reflexão, sobre desenvolvimento sustentável, foi publicado em 30 de janeiro de 2019. Nos preparativos para Sibiu, a Comissão publicou igualmente as suas próprias recomendações políticas para a agenda estratégica da União Europeia, centradas em cinco temas: uma Europa protetora, uma Europa competitiva, uma Europa justa, uma Europa sustentável e uma Europa influente. Ao longo do processo de reflexão, os dirigentes da União Europeia reuniram-se regularmente para debater as questões candentes da atualidade com interesse para os cidadãos europeus.

A agenda estratégica da União Europeia tomou em devida consideração os pontos de vista e as preocupações dos cidadãos e assenta nos progressos realizados pela nossa União nos últimos anos. Adotada formalmente pelos dirigentes no Conselho Europeu de junho de 2019, articula-se em torno de quatro grandes prioridades: proteger os cidadãos e as liberdades; desenvolver uma base económica forte e dinâmica; construir uma Europa com impacto neutro no clima, verde, justa e social; e promover os interesses e valores europeus na cena mundial. A agenda constitui a resposta da União Europeia às interrogações dos cidadãos sobre a forma de enfrentar os desafios atuais e de tirar partido das oportunidades que temos à nossa frente.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou a realização de uma conferência sobre o futuro da Europa, para que os cidadãos europeus se possam pronunciar sobre a forma como a sua União deve ser administrada e sobre o que deve alcançar. Esta conferência, que se iniciará em 2020, terá uma duração de dois anos. Congregará cidadãos de todas as idades, oriundos de todos os pontos da União Europeia, bem como representantes da sociedade civil, dos Estados-Membros e das instituições europeias.

Capítulo 1

Um novo impulso para o emprego, o crescimento e o investimento

© Fotolia

Em 2019, a economia europeia cresceu pelo sétimo ano consecutivo, prevendo-se que se continue a expandir em 2020 e 2021. Os mercados de trabalho continuaram a revelar desempenhos robustos, com o emprego a atingir um máximo recorde e o desemprego a cair para 6,3 %, o que corresponde ao nível mais baixo desde o início do século. Os níveis da dívida pública diminuíram pelo quinto ano consecutivo mercê das baixas taxas de juro, e parecem estar no bom caminho para continuar a descer.

Não obstante, a conjuntura económica mundial agravou-se e o elevado grau de incerteza quanto às políticas em muitos Estados-Membros repercutiu-se negativamente no setor da indústria transformadora. Em consequência, as perspetivas de crescimento económico na Europa enfraqueceram e prevê-se que a economia venha a enfrentar um período prolongado de crescimento mais moderado e inflação.

Ao longo do ano e em todo o espectro das suas atividades, a União Europeia colocou uma tónica evidente no crescimento económico, na criação de emprego e no investimento, especialmente no âmbito do Semestre Europeu, o ciclo anual de coordenação das políticas económicas, e do controlo que exerce sobre as finanças públicas.

A União Europeia utilizou o máximo das possibilidades orçamentais para estimular o investimento através de programas inovadores, como o Plano de Investimento para a Europa. Em outubro, o número de pequenas e médias empresas (PME) que tinham beneficiado deste Plano desde o seu lançamento atingiu quase 1 milhão, e o montante total de investimento mobilizado ultrapassou os 439,4 mil milhões de euros.

Investimento no crescimento e no emprego

O Plano de Investimento para a Europa

O Plano de Investimento visa suprimir os obstáculos ao investimento, garantir visibilidade e assistência técnica a projetos de investimento e utilizar os recursos financeiros de forma inteligente. Uma análise dos resultados de 2019 mostra que o Plano teve um impacto macroeconómico significativo e trouxe benefícios tangíveis às pessoas e às empresas.

Este gráfico mostra o impacto macroeconómico do Plano Juncker.

O impacto macroeconómico do Plano Juncker foi um dos principais resultados alcançados no período de 2014 a 2019. Em 2019, os investimentos ao abrigo do Plano Juncker permitiram aumentar o produto interno bruto em 0,9 % e criar 1,1 milhões de postos de trabalho. Até 2022, os investimentos ao abrigo do Plano Juncker permitirão aumentar o produto interno bruto em 1,8 % e criar 1,7 milhões de postos de trabalho. O investimento na União Europeia regressou aos níveis anteriores à crise e tem aumentado continuamente. O Plano Juncker foi ainda fundamental para a promoção do emprego e do crescimento na União Europeia e espera-se agora que mais de um milhão de empresas em fase de arranque e de pequenas empresas beneficiem de um melhor acesso ao financiamento. A partir de outubro de 2019, o Plano Juncker deverá mobilizar 439 400 milhões de euros de investimento adicional em toda a União Europeia. Fonte: Comissão Europeia

Este gráfico mostra as repercussões do Plano Juncker no nosso quotidiano.

Resultados do Plano Juncker: construção ou renovação de 531 000 apartamentos a preços acessíveis; 1 039 000 empresas em fase de arranque e pequenas empresas com acesso a novos financiamentos; instalação de 28,3 milhões de contadores inteligentes de eletricidade; ativação de 8 milhões de linhas de banda larga de alta velocidade; melhoria do tratamento de resíduos para 33,3 milhões de pessoas; 10,4 milhões de agregados familiares têm agora acesso a energias renováveis. Fonte: Comissão Europeia

Durante todo o seu mandato, a Comissão Juncker (novembro de 2014 — novembro de 2019) colocou as prioridades sociais no centro da sua ação e do debate sobre o futuro da Europa. Os progressos são significativos: com mais de 241 milhões de pessoas a trabalhar atualmente, cerca de 14 milhões mais comparativamente a 2014, a taxa de emprego nunca foi tão elevada (73,9 %) e a taxa de desemprego é a mais baixa desde 2000. Embora seja também demasiado elevado, o desemprego dos jovens diminuiu significativamente, passando de um pico de 24,1 % em 2013 para 14,3 % em novembro de 2019.

Este gráfico mostra de que forma os setores estratégicos beneficiaram do Plano Juncker em cada Estado-Membro.

As empresas de menor dimensão foram as principais beneficiárias dos fundos de investimento (30 %), seguindo-se-lhes a investigação, o desenvolvimento e a inovação (26 %), o setor da energia (18 %), o setor digital (11 %), os transportes (7 %), as infraestruturas sociais (4 %) e ainda o ambiente e a eficiência na utilização dos recursos (4 %). O investimento total relacionado com as aprovações do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos ascendeu a 439 400 milhões de euros. Inclui um montante de 81 mil milhões de euros de financiamento aprovado a título do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (58,8 mil milhões de euros autorizados pelo Banco Europeu de Investimento e 22,2 mil milhões de euros autorizados pelo Fundo Europeu de Investimento), dos quais foram já assinados 62,6 mil milhões de euros. O objetivo total para 2020 ascende a 500 mil milhões de euros. No que diz respeito aos investimentos a título do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos em relação ao produto interno bruto, Bulgária, Estónia, Grécia, Espanha, Lituânia, Polónia e Portugal registaram elevados níveis de investimento. No segundo patamar, encontram-se a Irlanda, a França, a Itália, a Letónia, a Hungria, a Finlândia e a Suécia. Com menos investimentos, surgem em seguida na lista a Bélgica, a Chéquia, a Dinamarca, a Croácia, os Países Baixos, a Roménia e a Eslovénia. Por último, no último patamar, encontram-se a Alemanha, Chipre, o Luxemburgo, Malta, a Áustria, a Eslováquia e o Reino Unido. Todos os dados têm por base as operações autorizadas em 15 de outubro de 2019. Graças a estes investimentos, foram construídos ou renovados 531 000 apartamentos a preços acessíveis, melhorou-se o tratamento dos resíduos para 33,3 milhões de pessoas e 10,4 milhões de agregados familiares podem agora usufruir de energias renováveis. Fonte: Banco Europeu de Investimento, Fundo Europeu de Investimento, Comissão Europeia

Este gráfico descreve o estado geral da economia na União Europeia e na área do euro.

A União Europeia e a área do euro, que têm vindo a crescer há 25 trimestres consecutivos, registaram nos últimos anos um crescimento de cerca de 2 %. 49 % dos europeus têm uma opinião positiva sobre a situação atual da economia europeia. O défice público na União Europeia diminuiu de 6,6 % em 2009 para 0,7 % em 2018 e o rácio da dívida pública na União Europeia baixou de 88,3 % em 2014 para 81,9 % em 2018. Fonte: Comissão Europeia

Estes gráficos mostram as taxas de emprego e de desemprego na União Europeia entre 2014 e 2019.

A taxa de emprego na União Europeia tem vindo a aumentar de forma constante desde 2014: 226,8 milhões de pessoas empregadas em 2014, 229,3 milhões em 2015, 232,2 milhões em 2016, 235,9 milhões em 2017, 239,9 milhões em 2018 e 241,3 milhões no final do segundo trimestre de 2019. Desde 2014, a economia ganhou mais 14 milhões de postos de trabalho. Fonte: Eurostat, contas nacionais, Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros. No mesmo período, o nível de desemprego diminuiu também de forma constante, passando de pouco mais de 10 % em 2014 para pouco mais de 6 % em setembro de 2019. Fonte: Eurostat, Inquérito às Forças de Trabalho.

Política económica e orçamental

O Semestre Europeu

O Semestre Europeu é o ciclo anual de coordenação das políticas sociais e económicas dos Estados-Membros que visa fomentar o crescimento económico e a criação de emprego. No âmbito deste processo, a Comissão Europeia propõe anualmente ao Conselho um conjunto de recomendações aos Estados-Membros. Pela primeira vez, e após a saída da Grécia do respetivo programa de ajustamento económico em agosto de 2018, as recomendações específicas por país de 2019 foram dirigidas a todos os 28 Estados-Membros.

Nesse ano, o objetivo geral das propostas da Comissão consistiu em incentivar os Estados-Membros a aumentarem o respetivo potencial de crescimento, modernizando as economias e reforçando a sua resiliência. Dadas as atuais condições económicas favoráveis e as incertezas no plano mundial, todos os Estados-Membros foram instados a dar prioridade a reformas que promovam um crescimento sustentável em benefício de todos, juntamente com estratégias de investimento bem direcionadas e políticas orçamentais responsáveis. As recomendações foram adotadas pelo Conselho em julho.

O conteúdo destas recomendações reflete as grandes prioridades estabelecidas na Análise Anual do Crescimento e na recomendação sobre a política económica para a área do euro. As recomendações assentam na análise pormenorizada dos relatórios por país publicados em fevereiro de 2019 e na avaliação dos programas nacionais apresentados em abril. O Relatório sobre o Mecanismo de Alerta identificou 13 Estados-Membros que deverão ser objeto de uma análise aprofundada, a fim de avaliar se apresentavam, ou se se encontravam em risco de vir a apresentar, desequilíbrios. As análises revelaram que dez Estados-Membros apresentavam desequilíbrios e três apresentavam desequilíbrios excessivos.

As recomendações específicas por país centram-se essencialmente na identificação e na priorização das necessidades de investimento no âmbito nacional e concedem especial atenção às disparidades regionais e territoriais, o que vai ao encontro da análise exaustiva das necessidades de investimento e dos estrangulamentos identificados para cada Estado-Membro nos relatórios, e deverá permitir definir as prioridades da utilização dos fundos da União Europeia no âmbito do próximo orçamento de longo prazo da União Europeia (2021-2027).

As recomendações reconhecem que, para fazer face aos desafios atuais e futuros, as crescentes digitalização e globalização das nossas economias exigem investimentos mais inteligentes em infraestruturas, inovação, educação e competências, bem como medidas adicionais para garantir às populações em envelhecimento sistemas de proteção social sustentáveis e inclusivos.

O Semestre refletiu também princípios consagrados no Pilar Europeu dos Direitos Sociais: igualdade de oportunidades e acesso ao mercado de trabalho; condições de trabalho justas; e proteção e inclusão sociais. Todos os Estados-Membros receberam uma recomendação no que respeita às competências e muitos foram instados a implementar reformas do mercado de trabalho. Outras recomendações incidiram, por exemplo, na necessidade de políticas destinadas a capacitar grupos desfavorecidos, como os trabalhadores pouco qualificados, os jovens, os idosos, as pessoas com deficiência e as pessoas oriundas da imigração. Embora os sistemas de proteção social estejam a melhorar, subsistem ainda algumas lacunas de cobertura e obstáculos ao acesso.

Finanças públicas

A sanidade das finanças públicas é um pilar essencial da estabilidade económica e do crescimento sustentável. A redução da dívida e dos défices é importante para assegurar que os governos dispõem de reservas orçamentais para amortecer os efeitos de uma recessão. Embora a dívida pública continue a diminuir na União Europeia, os progressos têm sido heterogéneos e os níveis continuam a ser demasiado elevados em vários Estados-Membros.

A estabilidade macroeconómica é uma condição essencial para o crescimento, pelo que a União Europeia dispõe de regras e procedimentos para detetar níveis de dívida e défice e evitar que ponham em causa o crescimento dos Estados-Membros. Os desequilíbrios na área do euro continuaram a atenuar-se em 2019, mas são necessárias novas medidas políticas. Em fevereiro, a Análise da Comissão revelou que dez Estados-Membros registavam desequilíbrios, sendo que, na Grécia, na Itália e em Chipre, esses desequilíbrios eram considerados excessivos.

Nas suas propostas de recomendações específicas a cada Estado-Membro, a Comissão fixa objetivos para os ajudar a atingir os seus objetivos orçamentais de médio prazo. Os Estados-Membros que estejam em condições de o fazer devem recorrer a políticas orçamentais e estruturais para aumentar o investimento público de qualidade, em especial em áreas que potenciem o crescimento económico, como a educação e as competências, as infraestruturas e a inovação.

Em junho, a Comissão recomendou ao Conselho que concluísse o Procedimento por Défice Excessivo de Espanha, em reconhecimento de o défice do país ter sido reduzido de forma duradoura para menos de 3 % do produto interno bruto (PIB). Consequentemente, todos os Estados-Membros estão agora fora da vertente corretiva das regras da União Europeia em matéria de défice, em comparação com 24 em 2011.

Ao mesmo tempo, a Comissão analisou o cumprimento, por parte dos Estados-Membros, das regras da União Europeia em matéria de dívida pública e défice, a fim de determinar se se justificava a abertura de procedimentos por défice excessivo. Dessa análise, concluiu que a Bélgica, a França e Chipre não estavam em incumprimento, mas que, no caso da Itália, se justificava a abertura de um procedimento por défice excessivo. No entanto, com o esforço orçamental adicional anunciado pelas autoridades italianas em julho, a Comissão concluiu já não ser necessário avançar nesse sentido.

A Comissão dirigiu igualmente uma advertência à Hungria e à Roménia por estarem demasiado longe dos respetivos objetivos orçamentais de médio prazo, e recomendou que tomassem medidas para os cumprir. Entretanto, as reformas pós-programa encetadas pela Grécia parecem estar no bom caminho, embora se registe um abrandamento na execução de algumas medidas e se corra o risco de alguns compromissos não serem cumpridos.

A elisão fiscal reduz as receitas nacionais, perturba a concorrência leal e tem um impacto negativo no crescimento. Uma vez que o Semestre Europeu visa coordenar as políticas nacionais para assegurar a convergência e uma Europa forte, competitiva e social, é imperativo combater o planeamento fiscal agressivo e trabalhar em prol de uma coordenação fiscal para proteger os cidadãos europeus e assegurar a competitividade. Em consequência, a Comissão emitiu recomendações específicas a vários Estados-Membros e ao conjunto da área do euro no sentido de solucionarem a questão do planeamento fiscal agressivo.

A União dos Mercados de Capitais

A estabilidade e a eficiência dos mercados de capitais são vitais para o crescimento, o emprego e o investimento. A União dos Mercados de Capitais (UMC), que engloba um misto de reformas de índole regulamentar e não regulamentar para estabelecer uma relação mais eficaz entre poupança e investimento, é parte indissociável da estratégia da União Europeia para promover estes domínios.

A UMC visa reforçar o sistema financeiro europeu, criando fontes de financiamento alternativas e mais oportunidades para os consumidores e os investidores institucionais. Significa isto mais oportunidades de financiamento para as empresas, em especial as PME e as start-ups, designadamente o capital de risco e os mercados de capitais. Uma UMC sólida é igualmente necessária para complementar a União Bancária para fortalecer a União Económica (UEM) e Monetária e o papel internacional do euro.

Verifica-se uma forte tónica na sustentabilidade financeira, à medida que o setor financeiro começa a ajudar os investidores movidos por critérios de sustentabilidade a escolher projetos e empresas adequados. A UMC contribui para canalizar o investimento neste sentido, contribuindo assim para a agenda da União Europeia em matéria de energia, clima e ambiente.

Agora que foram acordadas 11 das 13 propostas apresentadas, a UMC deverá tornar-se uma verdadeira força motriz do investimento, proporcionando às empresas da União Europeia novas fontes de financiamento e aos cidadãos oportunidades de aforro para o futuro. Seis propostas destinam-se a tirar o máximo partido do mercado único através de novos produtos, rótulos e passaportes europeus; cinco visam simplificar as regras para as empresas e os investidores, tornando-as mais proporcionadas; duas têm por objetivo reforçar a supervisão dos mercados de capitais.

Em abril, o Parlamento e o Conselho chegaram a acordo sobre alterações específicas a dois atos legislativos fundamentais em matéria de serviços financeiros: o Regulamento Abuso de Mercado e o Regulamento Prospeto. As alterações às regras em matéria de abuso de mercado geram um melhor equilíbrio entre a redução da burocracia para as pequenas empresas e a salvaguarda da integridade do mercado e da proteção dos investidores.

As alterações propostas ao Regulamento Prospeto permitirão aos emitentes de PME aceder a mercados em crescimento e produzir um prospeto mais simples quando se transferem para um mercado regulamentado (ou seja, uma bolsa de valores principal), o que pode conduzir a poupanças significativas para as empresas em crescimento deste tipo.

Outro marco notável na consecução da UMC foi a introdução do Produto Individual de Reforma Pan-Europeu (PIRPE), um regime voluntário de poupança-reforma a disponibilizar por um vasto conjunto de operadores financeiros em toda a União Europeia. O regime virá complementar os regimes de pensões públicos e profissionais em vigor, juntamente com os regimes de pensões privados já existentes. O regulamento foi adotado em 14 de junho e será aplicável dentro de dois anos, quando se prevê que os primeiros produtos sejam colocados no mercado.

O PIRPE dará aos consumidores mais possibilidades de escolha, o benefício de uma maior concorrência, maior transparência e flexibilidade nas opções de produtos. Os cidadãos móveis poderão continuar a contribuir para o mesmo produto, independentemente do seu local de residência na União Europeia.

A partir de 31 de julho, entraram em vigor novas regras para promover a distribuição transfronteiras de fundos de investimento. O quadro atualizado torna esta distribuição mais simples, mais rápida e mais barata e, em última análise, aumentará a concorrência entre os fundos de investimento. Os investidores beneficiarão de maior escolha e de melhor valor, bem como de um nível de proteção mais elevado.

Foi também alcançado um acordo sobre uma diretiva que ajudará as empresas viáveis que atravessam dificuldades financeiras a ser reestruturadas de forma eficiente, e concederá aos empresários honestos uma segunda oportunidade, uma vez superada a situação de falência.

Em março, o Parlamento Europeu e o Conselho também chegaram a acordo sobre novas regras que irão facilitar o financiamento de pequenas empresas através dos mercados de capital. As regras reduzirão a burocracia para as empresas que pretendam aceder a «mercados de PME em crescimento», uma nova categoria de plataforma de negociação reservada aos pequenos emitentes, mediante a introdução de uma abordagem mais proporcionada para apoiar a sua cotação.

Fomentar a investigação, a inovação e a tecnologia

Excelência científica e inovação radical

Em 2019, o programa Horizonte 2020 da União Europeia afetou um orçamento de 11 mil milhões de euros para financiar a investigação e a inovação.

Dada a crescente importância económica da inovação radical e disruptiva, e com base no sucesso da fase piloto do Conselho Europeu da Inovação, os restantes dois anos desta fase piloto conhecerão um expansão significativa. Foram aprovados mais de 2 mil milhões de euros de financiamento para 2019-2020, abrangendo toda a cadeia de inovação, desde os projetos pathfinder de apoio a tecnologias avançadas a partir da base de investigação não convencional, ao financiamento accelerator para ajudar as start-ups e as PME a desenvolver e transpor as inovações para uma maior escala até à fase em que possam atrair investimento privado.

Repartição do orçamento do Horizonte 2020, o programa da União Europeia que investe na investigação e no desenvolvimento.

O orçamento total do programa Horizonte 2020 para o período de 2014 a 2020 é de 77 mil milhões de euros, dos quais 11 mil milhões de euros correspondem aos convites à apresentação de propostas lançados em 2019 Entre os exemplos de financiamento da União Europeia no âmbito deste programa incluem-se: 206 milhões de euros para transformar os setores com utilização intensiva de energia em indústrias competitivas, hipocarbónicas e circulares, e assim reduzir a sua pegada ambiental; 132 milhões de euros para promover a liderança da Europa na próxima geração de baterias, a fim de criar um futuro hipocarbónico e resistente às alterações climáticas; 135 milhões de euros para ações que contribuam de diferentes formas para a estratégia da União Europeia para os plásticos; 396 milhões de euros para promover a inteligência artificial, que é um elemento fulcral dos avanços tecnológicos mais promissores da nossa era; e 116 milhões de euros destinados a desenvolver novas capacidades para combater e prevenir a cibercriminalidade.

Pierścień światła na ciemnym tle

Pierwsze w historii zdjęcie czarnej dziury, opublikowane 10 kwietnia 2019 r. przez program Teleskop Horyzontu Zdarzeń – międzynarodowy zespół, w skład którego wchodzą również naukowcy finansowani przez UE.

A União Europeia no espaço

Para garantir que a União Europeia continua a ser um líder mundial no domínio da tecnologia espacial e a promover uma indústria espacial competitiva na Europa, em 2019, o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia chegaram a um acordo provisório parcial sobre o programa espacial da União Europeia para 2021-2027.

Este gráfico mostra o aumento do investimento da União Europeia no espaço.

O investimento da União Europeia no setor espacial ascendeu a um total de 4,6 mil milhões de euros no período de 2007 a 2013 e de 11,1 mil milhões de euros no período de 2014 a 2020, prevendo-se que atinja 16 mil milhões de euros no período de 2021 a 2027. Valores expressos a preços correntes Fonte: Comissão Europeia Direitos de Autor: União Europeia

Com um orçamento proposto de 16 mil milhões de euros, o programa reunirá todos os apoios da União Europeia à indústria espacial e reforçará os atuais níveis de financiamento em mais de um terço. Terá por base novas necessidades e tecnologias disponíveis, reforçando o acesso da Europa ao espaço e definindo uma abordagem europeia favorecedora de uma indústria espacial inovadora e competitiva.

Galileo, o sistema global de radionavegação por satélite, é o sistema mundial de navegação por satélite mais exato. Em setembro, o número de utilizadores do Galileo, incluindo utilizadores de telefones inteligentes ou tabletes compatíveis com o Galileo, atingiu cerca de mil milhões em todo o mundo. O programa Copernicus, o maior fornecedor mundial de dados de observação da Terra, contribui para acompanhar as alterações climáticas, bem como gerir a segurança nas fronteiras e as grandes catástrofes naturais em todo o mundo. Todos os dias, o Copernicus produz 12 terabytes de dados, que podem ser usados livre e gratuitamente por pessoas e empresas, representando uma mina de ouro para os grandes volumes de dados e o processamento da computação em nuvem. Desde 2019, o Copernicus permitiu melhorar as transferências de dados, em especial de imagens, e possibilita aos utilizadores descobrir, descarregar e processar os seus dados mais facilmente graças a novas atualizações dos serviços de acesso aos dados e às informações.

Defesa e indústria da União Europeia

Três em cada quatro cidadãos da União Europeia querem mais segurança (Eurobarómetro, novembro de 2018). Por conseguinte, a União Europeia intensificou a sua ambição e o seu compromisso no que respeita a uma União da Defesa. Ativada em dezembro de 2017, a cooperação estruturada permanente reúne 25 Estados-Membros que estão dispostos a assumir compromissos mais vinculativos no sentido de trabalhar em conjunto nos domínios da segurança e da defesa e participar em missões mais exigentes. Já foram lançados 34 projetos, nomeadamente em matéria de mobilidade militar, vigilância marítima e cibersegurança. A Comissão participa na qualidade de observador, a convite dos Estados-Membros participantes.

Os dois projetos-piloto do Fundo Europeu de Defesa, correspondendo a um orçamento combinado de 590 milhões de euros, foram concluídos de acordo com o previsto, no momento em que a Ação preparatória da União em matéria de investigação no domínio da defesa (2017-2019) entrava no último ano da sua vigência. O Programa Europeu de Desenvolvimento Industrial no domínio da Defesa (2019-2020) cofinancia o desenvolvimento cooperativo de capacidades de defesa. O seu programa de trabalho foi acordado em março e os convites à apresentação de propostas foram publicados em abril.

Investir nas regiões, nas cidades e nas zonas rurais

Ao longo de 2019, a política de coesão continuou a favorecer o emprego e o crescimento, com milhares de investimentos, grandes e pequenos, em toda a União Europeia. Nos últimos cinco anos, 1 milhão de empresas foram apoiadas, o que levou à criação de centenas de milhares de novos postos de trabalho. Milhões de pessoas receberam ajuda nos seus esforços de formação, educação ou procura de emprego, as suas casas estão agora ligadas a uma banda larga de melhor qualidade, beneficiam de infraestruturas de transporte mais eficientes e de inovações no setor da saúde.

O Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional apoiou ainda dois Estados-Membros e dez regiões da União Europeia em transição industrial: a Lituânia, a Eslovénia, as regiões da Finlândia Norte e Oriental (Finlândia), Suécia Centro-Norte (Suécia), Grande Manchester (Reino Unido), Saxónia (Alemanha), Valónia (Bélgica), Piemonte (Itália), Cantábria (Espanha) e Altos de França, Centro-Vale de Loire e Grande Leste (França). Cada um destes 12 projetos-piloto receberá uma subvenção da União Europeia no valor de 300 000 euros para ajudar à transição industrial e à conceção de estratégias de desenvolvimento baseadas nas respetivas vantagens comparativas, os chamados ativos de especialização inteligente.

Zebrani czekają na prelegenta na konferencji prasowej

Sesja dyskusyjna podczas Europejskiego Tygodnia Regionów i Miast, Bruksela, Belgia, 9 października 2019 r.

Os fundos da política de coesão estão também a ser investidos em start-ups inovadoras. Por exemplo, graças a 32,5 milhões de euros do Fundo Europeu de Investimento, anunciados em abril, o Fundo de Capital de Risco na Croácia irá investir em novos projetos com elevado potencial de crescimento no país. Mais de 100 start-ups irão beneficiar de melhor acesso ao financiamento.

Numa escala mais vasta, no mesmo mês de abril, a Comissão anunciou 4 mil milhões de euros de financiamento do Fundo de Desenvolvimento Regional e do Fundo da Coesão para 25 grandes projetos de infraestruturas em dez Estados-Membros. Os projetos incidem em várias áreas e materializam-se em gasodutos transfronteiriços entre a Bulgária e a Grécia, na gestão da água em Malta, em instalações de investigação numa universidade na Alemanha e na modernização das linhas ferroviárias no norte de Portugal. Com o cofinanciamento nacional, o investimento total nestes projetos ascende a 8 mil milhões de euros.

Agricultura e desenvolvimento rural

A política agrícola comum continuou a contribuir para o crescimento e o investimento através do apoio à produção alimentar viável, à gestão sustentável dos recursos naturais, à modernização das infraestruturas rurais e à inclusão social. Até finais do terceiro trimestre de 2019, o Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER) tinha prestado apoio a programas de desenvolvimento rural (período 2014-2020) no valor de 8 mil milhões de euros. O financiamento visou reforçar a viabilidade das explorações e a competitividade de todos os tipos de agricultura, ao mesmo tempo que promove as tecnologias agrícolas inovadoras e a gestão sustentável das florestas.

A política de desenvolvimento rural tem igualmente por objetivo a proteção do ambiente, bem como a atenuação e a adaptação às alterações climáticas. Os agricultores puderam receber apoio financeiro para aderir a programas destinados a desenvolver práticas de gestão das explorações agrícolas respeitadoras do ambiente, criar condições favoráveis à biodiversidade ou recriar zonas húmidas para a fixação de carbono no solo. De modo geral, o apoio do FEADER à recuperação, à preservação e à valorização dos ecossistemas relacionados com a agricultura e a silvicultura ascendeu a quase 27 mil milhões de euros. Além disso, foram canalizados 2 mil milhões de euros para promover a eficiência na utilização dos recursos e a passagem para uma economia de baixo teor de carbono e resistente às alterações climáticas nos setores agrícola, alimentar e florestal. O FEADER também disponibilizou cerca de 5 mil milhões de euros para promover a inclusão social, a redução da pobreza e o desenvolvimento económico nas zonas rurais.

Para ajudar os agricultores a reforçar a sua posição num setor agroalimentar cada vez mais orientado para o mercado, a Comissão tem vindo a trabalhar para alcançar uma cadeia de abastecimento alimentar mais equilibrada e justa. Em abril, entraram em vigor novas regras em matéria de práticas comerciais desleais, com o objetivo de proteger os agricultores e as empresas do setor agroalimentar de práticas abusivas. Os Estados-Membros devem transpor as regras para o direito nacional até maio de 2021. Foi também adotada uma iniciativa para aumentar a transparência do mercado agroalimentar, o que permitirá disseminar mais informações a todos os operadores do mercado ao longo da cadeia de abastecimento de produtos alimentares.

A Economia Azul

Estes gráficos mostram o impacto económico da economia azul da União Europeia.

O contributo da economia azul para a economia global da União Europeia em termos de valor acrescentado bruto permaneceu relativamente estável, em cerca de 1,5 %, entre 2009 e 2017, registando uma ligeira tendência descendente desde 2011. No mesmo período, o emprego na economia azul como contributo para a economia da União Europeia no seu conjunto manteve-se entre 1,5 % e 2 %, tendo crescido de forma acentuada no período posterior a 2015. Os dados relativos a 2017 são provisórios. Fonte: Eurostat (estatísticas estruturais das empresas), quadro de recolha de dados, Direção-Geral dos Assuntos Marítimos e das Pescas e cálculos do Centro Comum de Investigação. No que se refere ao crescimento do produto interno bruto em termos reais, considerando o produto interno bruto ao custo dos fatores e, por conseguinte, equivalente ao valor acrescentado bruto, o crescimento flutuou entre 2004 e o início de 2020. Entre 2004 e 2006, o produto interno bruto registou um crescimento superior a 3 %, mas a crise financeira de 2008 provocou uma queda abrupta para −5 %, em 2009. Igualmente rápido foi o aumento do produto interno bruto da economia azul que, em 2010, ascendeu a 2 %, antes de sofrer uma queda para um nível ligeiramente inferior a 0 % em 2012. Entre 2012 e 2014, o crescimento foi estável e atingiu cerca de 2 %, valor ao qual se manteve até ao início de 2020, salvo ligeiras flutuações. Os dados relativos a 2019-2020 são previsões. Fonte: Comissão Europeia.

A economia azul da União Europeia, que engloba todas as atividades económicas sustentáveis relacionadas com os oceanos, os mares e as zonas costeiras, continua em expansão. De acordo com o Relatório sobre a Economia Azul da UE, publicado em maio, em 2017, o setor gerou 74,3 mil milhões de euros de lucros brutos e empregou mais de 4 milhões de pessoas. Os valores mais recentes indicam taxas de crescimento elevadas, tanto nos setores tradicionais como nos setores emergentes da economia azul. O relatório visa contribuir para estimular o crescimento, fornecendo dados, análises e conhecimentos de maior qualidade sobre o mar.

Rybak na statku rybackim pokazuje złowioną langustę

Rybak łowiący langusty, Guilvinec, Francja, 20 sierpnia 2019 r.

O Relatório económico anual de 2019 sobre a frota de pesca da UE, publicado em agosto, revelou que o setor continuou a registar um desempenho robusto em 2017, o que se ficou a dever principalmente a métodos de pesca sustentáveis, bem como a um aumento dos preços médios do peixe, à redução do preço do combustível e à melhoria do estado de algumas importantes unidades populacionais. Prevê-se que a tendência positiva se mantenha.

Transportes para uma Europa interligada

Em 2019, foram selecionados 108 projetos para receber 538 milhões de euros em subvenções ao abrigo do Mecanismo Interligar a Europa (MIE) destinados a infraestruturas de transportes mais seguras, inteligentes e ecológicas. Trinta e nove destes projetos (no valor de 117 milhões de euros) irão reduzir o ruído gerado pelos comboios de mercadorias, desenvolver ligações ferroviárias transfronteiriças e modernizar infraestruturas cruciais nos portos. Um montante adicional de 109 milhões de euros irá financiar plataformas logísticas multimodais, tornando possível transferir o transporte de mercadorias entre diferentes modos de transporte. Duas outras prioridades dizem respeito aos sistemas de transporte inteligentes para o transporte rodoviário (80 milhões de euros de financiamento), à inovação e às novas tecnologias (71 milhões de euros).

Em março, a Comissão Europeia, em cooperação com o Banco Europeu de Investimento, lançou o novo mecanismo de financiamento misto do MIE-Transportes, um instrumento financeiro inovador destinado a apoiar projetos que contribuam para a sustentabilidade ambiental e a eficiência do setor dos transportes na Europa. Com um orçamento inicial de 200 milhões de euros, o mecanismo financiará investimentos no sistema europeu de gestão do tráfego ferroviário e em infraestruturas para combustíveis alternativos. Ambas as organizações uniram forças para apoiar investimentos na segurança dos transportes. Assim, a plataforma para transportes mais seguros proporcionará um acesso fácil a aconselhamento técnico e financeiro, em especial no que respeita aos transportes rodoviários.

Investir nas empresas

As PME representam 99 % de todas as empresas na Europa e são uma parte vital da economia da União Europeia. A União Europeia presta-lhes apoio, trabalhando para melhorar o ambiente empresarial, facilitando o acesso ao financiamento e disponibilizando-lhes diferentes serviços para as ajudar a expandir-se dentro e fora da União Europeia.

Em particular através do programa para a competitividade das pequenas e médias empresas (COSME), a União Europeia contribuiu, em 2018, para angariar 10 mil milhões de euros de financiamento para 140 000 empresas, mediante um conjunto de instrumentos financeiros, nomeadamente o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE).

Investir nas pessoas

A reforma dos sistemas de educação e de formação constitui uma prioridade importante na maioria dos Estados-Membros, ocupando um lugar de destaque no Semestre Europeu de 2019. Investir na educação e nas competências é essencial para favorecer a inovação e o crescimento da produtividade, especialmente num mundo do trabalho em rápida evolução marcado por uma escassez crescente de certas competências. A desigualdade nos resultados escolares representa uma ameaça para a coesão social e a prosperidade futura da Europa. A igualdade de acesso a uma educação de qualidade é também vital para os grupos desfavorecidos e, porque o mundo do trabalho está a mudar rapidamente, impõe-se incentivar mais adultos a melhorarem continuamente as respetivas competências através da aprendizagem ao longo da vida. Todos os Estados-Membros foram destinatários de recomendações específicas no domínio da educação e da formação.

Em maio, no âmbito dos trabalhos desenvolvidos para a criação de um Espaço Europeu da Educação até 2025, o Conselho adotou uma recomendação sobre a educação e o acolhimento na primeira infância, bem como sobre o ensino e a aprendizagem de línguas. No mês seguinte, no âmbito do programa Erasmus+, a Comissão anunciou as primeiras 17 alianças de universidades europeias que envolvem 114 instituições de ensino superior em 24 Estados-Membros. Cabe a estas alianças promover a qualidade e a atratividade do ensino superior e fomentar a cooperação entre as instituições, os alunos e o pessoal do ensino superior.

A União Europeia continuou também a investir na formação. Ao abrigo dos apoios e do cofinanciamento do programa Erasmus para Jovens Empreendedores (EYE), novos e futuros empresários têm a oportunidade de trabalhar com um empresário experiente na gestão de uma PME num outro país. No ano passado, participaram 1 300 novos empresários dentro e fora da Europa, e 120 beneficiam da Iniciativa EYE Global, programa-piloto que envolve Israel, Singapura e dois Estados dos EUA, Nova Iorque e Pensilvânia.

Resumo dos resultados da Garantia para a Juventude.

A Garantia para a Juventude constitui um compromisso político assumido pelos Estados-Membros em abril de 2013 para proporcionar a todos os jovens com menos de 25 anos uma boa oferta de emprego, formação contínua, aprendizagem ou estágio no prazo de quatro meses após a perda do emprego ou o termo da educação formal. Lançada pela Comissão, a Garantia permitiu reduzir o desemprego dos jovens. Desde 2013, há menos 2,5 milhões de jovens desempregados e menos 2 milhões de jovens que não trabalham, não estudam nem se encontram em formação. Desde 2014, inscreveram-se na Garantia para a Juventude mais de 25 milhões de jovens, e mais de 18 milhões receberam uma oferta de emprego, formação contínua, estágio ou aprendizagem. Fonte: Comissão Europeia Direitos de Autor: União Europeia

Com um orçamento superior a 3,2 mil milhões de euros, o programa Erasmus+ para a educação, a formação, a juventude e o desporto beneficiou cerca de 650 000 jovens e 237 000 membros do pessoal de estabelecimentos de ensino e organizações de juventude. A Iniciativa para o Emprego dos Jovens disponibilizou 350 milhões de euros a jovens que vivem em regiões onde a taxa de desemprego juvenil é particularmente elevada.

Interligar as pessoas

Cerca de 35 000 jovens tiveram oportunidade de explorar a Europa com o passe DiscoverEU, e mais de 90 000 pessoas inscreveram-se no Corpo Europeu de Solidariedade, estando 12 000 a participar em atividades de solidariedade em toda a Europa em 2019.

Participantes na iniciativa DiscoverEU debatem questões de sustentabilidade no primeiro encontro DiscoverEU, que decorreu em Nijmegen, Países Baixos, em 12 de julho de 2019.

Participantes na iniciativa DiscoverEU debatem questões de sustentabilidade no primeiro encontro DiscoverEU, que decorreu em Nijmegen, Países Baixos, em 12 de julho de 2019.

Uma Europa mais saudável

A Comissão juntou-se à Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos e ao Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde para, em conjunto, trabalharem na realização de estudos aprofundados sobre os sistemas de saúde na União Europeia. O documento sobre a Situação da Saúde na UE e o seu relatório de acompanhamento incluem 30 perfis de sistemas nacionais e, em 2019, focaram-se em cinco temas horizontais: as hesitações em relação à vacinação; a transformação digital da promoção da saúde e da prevenção das doenças; as lacunas na acessibilidade dos sistemas de saúde; a delegação de tarefas entre os profissionais da saúde; o acesso dos doentes aos medicamentos.

Jean-Claude Juncker i dr Tedros Adhanom Ghebreyesus prezentują koszulkę z napisem „Szczepienia działają”

Jean-Claude Juncker, przewodniczący Komisji Europejskiej, wraz z dr. Tedrosem Adhanomem Ghebreyesusem, dyrektorem generalnym Światowej Organizacji Zdrowia, prezentują koszulkę #VaccinesWork, podczas światowego szczytu w sprawie szczepień, Bruksela, Belgia, 12 września 2019 r.

Em fevereiro de 2019, a União Europeia tomou medidas para garantir a segurança dos medicamentos vendidos nos Estados-Membros, introduzindo novos dispositivos de verificação e segurança para os medicamentos sujeitos a receita médica. Desde então, os fabricantes terão de apor um código de barras 2D e um dispositivo de prevenção de adulterações nas caixas de medicamentos sujeitos a receita médica, e as farmácias (incluindo as farmácias em linha) e os hospitais devem verificar a autenticidade dos medicamentos antes de os ministrarem aos doentes. Trata-se da última etapa da aplicação da Diretiva Medicamentos Falsificados, de 2011, que visa garantir a segurança e a qualidade dos medicamentos vendidos na União Europeia.

Młodzieżowy mecz rugby przed siedzibą Komisji Europejskiej

Młodzieżowy mecz rugby zorganizowany przed budynkiem Berlaymont, siedzibą Komisji Europejskiej, w ramach Europejskiego Tygodnia Sportu, Bruksela, Belgia, 23 września 2019 r.

Um orçamento da União Europeia centrado na produção de resultados e na continuidade

O orçamento da União Europeia contribuiu para a solidez e a resiliência da economia europeia e para a promoção da solidariedade e da segurança, dentro e fora das suas fronteiras.

As medidas destinadas a apoiar o crescimento económico e a reduzir as disparidades económicas entre as regiões absorveram quase metade dos fundos autorizados (80 mil milhões de euros). No âmbito do programa Horizonte 2020, o financiamento da União Europeia contribuiu com 12,2 mil milhões de euros para a investigação e a inovação, incluindo a nova Empresa Comum para a Computação Europeia de Alto Desempenho. O orçamento da educação e da formação foi reforçado (mais 17,8 % para o programa Erasmus+ em 2018), bem como o dos transportes e das infraestruturas digitais (mais 37,0 % para o MIE). O apoio à agricultura e às zonas rurais permaneceu estável em quase 60 mil milhões de euros, contribuindo para a luta contra as alterações climáticas e para a promoção do crescimento sustentável. O orçamento de 2019 proporcionou a flexibilidade necessária para dar resposta à vertente interna da problemática da migração. De um total de 1,2 mil milhões de euros do Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração, os Estados-Membros beneficiaram de 386,3 milhões de euros através de programas operacionais nacionais, juntamente com 442,7 milhões de euros para a gestão das fronteiras e 92,7 milhões de euros do Fundo para a Segurança Interna. Foi afetado um total de 5 milhões de euros à criação da nova Procuradoria Europeia para intentar ações penais por crimes lesivos do orçamento da União Europeia, incluindo fraude, branqueamento de capitais e corrupção.

Capítulo 2

Um mercado único digital conectado

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Dois mil e dezanove foi mais um ano de importância capital no processo de transformação digital da nossa economia e da nossa sociedade, que já está a gerar benefícios para os consumidores e as empresas em toda a União Europeia e além das fronteiras europeias, o que só foi possível graças a uma abordagem concertada da União Europeia.

Em maio, o custo das chamadas e mensagens entre Estados-Membros tornou-se mais acessível devido à aplicação de novas regras que estabelecem um preço máximo para chamadas ou mensagens provenientes de linhas fixas ou telemóveis. O número de locais de acesso gratuito à Internet sem fios (wi-fi) em toda a Europa aumentou graças a uma iniciativa da União Europeia que dá apoio financeiro às localidades para cobrir os custos de instalação.

Outros desenvolvimentos lançaram as bases do futuro digital da Europa. Os produtos e serviços que utilizam a inteligência artificial (IA) estão a generalizar-se e as novas orientações da União Europeia contribuirão para tranquilizar os cidadãos, pois defendem que a tecnologia vai ajudar as pessoas e não substituí-las.

A ambição da Europa de assegurar a liderança mundial no domínio da supercomputação foi bastante impulsionada com a inauguração de oito novos centros para supercomputadores. Deu-se resposta a questões relacionadas com a segurança das principais redes de comunicação e dos dados que transportam, o que incluiu novas propostas relativas ao reforço da cibersegurança das redes 5G, à consolidação do papel da Agência da União Europeia para a Cibersegurança e às normas da União Europeia para a certificação da cibersegurança de produtos, processos e serviços, bem como a um compromisso no sentido de se desenvolverem novas redes de segurança quântica extremamente seguras.

A criação de novas regras em matéria de direitos de autor significa que o trabalho em linha de jornalistas e criadores será mais bem remunerado e protegido.

Melhor conectividade, mais segura e a preços mais acessíveis

A conectividade voltou a ser uma questão muito importante para a União Europeia em 2019. À medida que a nossa economia e a nossa sociedade se tornam cada vez mais digitais e que recorremos com frequência a produtos e serviços em linha, é crucial que a conectividade seja segura e fiável e que tenha preços acessíveis.

Film wideo na temat rozwoju jednolitego rynku cyfrowego

Jednolity rynek cyfrowy: tańsze połączenia telefoniczne z innymi krajami UE. © Unia Europejska, 2019

O custo das chamadas e das mensagens entre Estados-Membros e outras partes da Europa variava de forma significativa. Em média, o preço normal de uma chamada fixa ou móvel para um número noutro país era três vezes superior ao preço normal de uma chamada nacional, e uma mensagem SMS custava mais do dobro de uma mensagem SMS nacional. Os limites de preço introduzidos em maio fixam o custo máximo das chamadas efetuadas a partir de telefones fixos ou móveis num valor não superior a 0,19 euros + imposto sobre o valor acrescentado (IVA) por minuto, e as mensagens SMS não custam agora mais de 0,06 euros + IVA. Após a abolição das tarifas de roaming em 2017, os limites de preço para as chamadas internacionais na Europa representam benefícios claros e imediatos para os consumidores e as empresas.

Este gráfico mostra a redução das barreiras digitais em benefício dos consumidores e das empresas.

A supressão das barreiras digitais é fundamental para os consumidores e as empresas. No mundo digital, as quatro liberdades da União Europeia — a livre circulação de mercadorias, de capitais, de serviços e de trabalhadores — ainda não são uma realidade. Por este motivo, a Comissão Juncker tentou dar resposta a estes problemas. Antes de 2014, quando viajavam, os cidadãos europeus não podiam utilizar os serviços digitais que tinham subscrito, e a transmissão em linha das suas séries de TV preferidas podia ser bloqueada no estrangeiro. As tarifas de roaming para utilizar o telemóvel noutro país europeu eram também muito elevadas: em 2007, as chamadas de voz custavam mais de 50 cêntimos por minuto e pagava-se 28 cêntimos por uma mensagem de texto. Os direitos dos consumidores não estavam adaptados à era digital e o acesso dos consumidores a bens e serviços em linha noutros países estava sujeito a bloqueios geográficos como, por exemplo, a exigência de pagamento com um cartão de débito ou de crédito de um determinado país. Desde abril de 2018, os cidadãos europeus têm acesso aos serviços em linha que subscreveram — filmes, eventos desportivos, livros eletrónicos, jogos de vídeo ou música — quando viajam para outro Estado-Membro. Os cidadãos europeus não pagam tarifas de roaming quando viajam no interior da União Europeia e 70 % consideram que as vantagens desta política são já bem evidentes. Além disso, a atualização das regras de proteção dos consumidores e as novas regras em matéria de contratos digitais darão aos consumidores mais direitos no mundo digital e confiança quando comprarem em linha e em diferentes Estados-Membros. Desde 3 de dezembro de 2018, as novas regras contra o bloqueio geográfico injustificado garantem que os consumidores têm acesso a bens e serviços em linha sem se preocuparem com discriminações ou restrições geográficas. Fonte: Comissão Europeia

Resumo da iniciativa Wifi4EU.

As redes financiadas pela WiFi4EU têm de ser gratuitas e não podem ter publicidade nem fazer uma reutilização comercial dos dados. Além disso, nos espaços públicos comuns deve mostrar-se a identidade visual WiFi4EU e indicar-se que estas redes são cofinanciadas pela União Europeia. Fonte: Comissão Europeia

A iniciativa que ajuda as autoridades locais a instalar pontos de acesso gratuito à Internet sem fios (wi-fi) trouxe outros benefícios tangíveis. A iniciativa WiFi4EU visa apoiar 8 000 comunidades em toda a União Europeia para que consigam melhorar a respetiva conectividade. As autoridades locais vão dispor de 15 000 euros de financiamento da União Europeia para a instalação de locais de acesso à Internet sem fios. Foram lançados dois convites à apresentação de candidaturas, e mais de 5 000 comunidades irão beneficiar da iniciativa, além das 2 800 comunidades que já foram apoiadas em 2018. Cada comunidade tem 18 meses para investir os fundos no equipamento necessário para instalar locais de acesso à Internet sem fios (wi-fi) em zonas públicas.

Durante o ano, também a conectividade nas zonas rurais foi reforçada. Apenas 53 % das pessoas que vivem em zonas remotas e rurais dispõem de acesso rápido à Internet, em comparação com 82 % no conjunto da União Europeia. Colmatar esta disparidade no plano digital é uma prioridade fundamental. A rede de serviços competentes em matéria de banda larga cresceu significativamente em 2019, com 116 serviços nacionais e regionais que ajudam a coordenar os esforços para que a cobertura de banda larga chegue às regiões mais remotas da União Europeia. Uma cobertura de banda larga mais ampla e mais rápida melhorará o acesso à educação, à saúde, aos serviços públicos e às empresas, facilitará o emprego e o investimento e apoiará as comunidades nestes domínios.

A expansão da rede foi uma vontade assumida pelos Estados-Membros em abril, quando se comprometeram a trabalhar em conjunto para explorar o potencial das tecnologias digitais, para fazer face aos importantes e urgentes desafios económicos, sociais, climáticos e ambientais que se colocam à economia rural em geral, incluindo o setor alimentar e agrícola da União Europeia.

No período que antecedeu as eleições para o Parlamento Europeu, em maio, a campanha de sensibilização para a violência em linha contra as mulheres, #DigitalRespect4Her, contou com o apoio de parlamentares, peritos e jornalistas do sexo feminino, cujos depoimentos salientaram os problemas específicos que as mulheres enfrentam nas redes sociais e na Internet de modo geral.

A digitalização contribui também para apoiar o trabalho mais vasto de eliminação de obstáculos no mercado único da União Europeia, sendo o lançamento do Intercâmbio Eletrónico de Informações de Segurança Social um exemplo concreto desse facto. O projeto permite que as instituições de segurança social da União Europeia, da Islândia, do Listenstaine, da Noruega e da Suíça troquem informações sobre processos que envolvem cidadãos que se deslocam nesses países e neles vivem e trabalham. Entrou em funcionamento em janeiro de 2019 e 31 países estão agora a implantar o sistema. No final do ano, já tinham sido trocadas informações sobre mais de 175 000 processos. O sistema pretende, por um lado, ajudar os cidadãos a aceder com maior facilidade às informações que lhes dizem respeito e a calcular mais rapidamente e com maior exatidão as suas prestações de segurança social, e, por outro, ajudar as administrações da segurança social a lutar de forma mais eficaz contra a fraude.

De igual modo, a cobrança do IVA devido pelos vendedores em linha melhorará também graças às novas regras adotadas em março, as quais permitirão que as empresas em linha se registem uma única vez para efeitos de IVA e não em cada Estado-Membro onde vendem. Assim se reduzirão substancialmente custos e dispêndio de tempo para as empresas de menor dimensão que trabalham em linha, em vários países. As novas regras também ajudarão as autoridades fiscais nacionais a cobrar mais facilmente o IVA devido por empresas de países terceiros que vendem bens aos consumidores da União Europeia a partir dos mercados em linha que utilizam, permitindo que se recuperem os cinco mil milhões de euros de receitas fiscais perdidas anualmente no setor.

Proteção dos direitos na era digital

Foram introduzidas outras iniciativas para proteger os direitos dos consumidores e das empresas em linha, incluindo novas regras para contratos de fornecimento de conteúdos digitais e de serviços digitais, bem como contratos de venda de bens, que contribuem para tornar mais clara e mais simples a atividade comercial em linha. Um único conjunto de regras em toda a União Europeia ajudará as empresas a compreender as suas obrigações, enquanto os consumidores beneficiarão de soluções claras quando os conteúdos, serviços e bens digitais, incluindo os produtos com um elemento digital (por exemplo, frigoríficos inteligentes), forem defeituosos.

Foram também adotadas novas regras da União Europeia para atualizar os complexos regulamentos em matéria de direitos de autor e os adaptar ao mundo digital. Os serviços de transmissão de música, as plataformas de vídeo a pedido, os agregadores de notícias e as plataformas de conteúdos carregados pelos utilizadores são agora o principal meio de acesso a obras criativas e artigos de imprensa. As novas regras garantem a remuneração mais justa dos criadores, direitos mais sólidos para os utilizadores e uma responsabilidade mais clara para as plataformas. O objetivo é melhorar o acesso transfronteiras a material em linha protegido por direitos de autor, estabelecer novos direitos e responsabilidades para as plataformas em linha que acolhem obras protegidas por direitos de autor, incentivar a imprensa e o jornalismo em linha e melhorar a remuneração dos jornalistas, bem como facilitar a utilização de material protegido por direitos de autor para fins educativos e de investigação.

A Europa persistiu de forma decisiva na luta contra as práticas comerciais desleais na economia digital. Em março, foi aplicada à Google uma coima de 1,49 mil milhões de euros por ter imposto restrições contratuais anticoncorrenciais a sítios Web de terceiros, o que impediu ou dissuadiu os concorrentes da Google de colocar os seus próprios anúncios de pesquisa nesses sítios Web. Em junho, foi lançada uma investigação formal sobre as práticas da Broadcom, líder mundial em componentes para dispositivos de comunicação com fios, como modems e descodificadores de televisão, para avaliar se a empresa excluiu ilegalmente os concorrentes. Em outubro, a Comissão instituiu medidas provisórias no intuito de assegurar que não se verifique um prejuízo grave e irreparável para a concorrência enquanto decorre a sua investigação sobre certas práticas de exclusão que a empresa alegadamente seguiria. Em julho, foi aplicada uma coima de 242 milhões de euros à Qualcomm por vender abaixo do custo os circuitos integrados que ligam telemóveis inteligentes e tabletes a redes celulares, com a intenção de eliminar o seu principal concorrente no segmento de mercado. Foi igualmente iniciado um inquérito sobre a forma como a Amazon utiliza dados de outros comerciantes que vendem produtos nos seus sítios Web.

De julho em diante, começaram a aplicar-se novas regras em matéria de relações entre plataformas em linha e empresas, que criam um quadro harmonizado para a transparência e os direitos de recurso mínimos. Estas regras protegem as empresas que dependem de plataformas em linha para chegar aos consumidores, sem deixar de salvaguardar o potencial de inovação das plataformas; são acompanhadas pelo Observatório da Economia das Plataformas em Linha.

Redes mais seguras

Estabeleceram-se também novas regras da União Europeia em matéria de cibersegurança das redes no seu conjunto, que incluem recomendações sobre a segurança das redes 5G da próxima geração, pois espera-se que a elevada capacidade de desempenho conduza a uma nova expansão do número e da gama de produtos e serviços digitais, com receitas estimadas em 225 mil milhões de euros, em 2025. Entre março e junho, os Estados-Membros efetuaram avaliações de risco exaustivas da sua infraestrutura de rede 5G e reforçaram as regras para melhorar a segurança das redes públicas.

O Regulamento Cibersegurança, que entrou em vigor em junho, define a futura orientação da política de cibersegurança da União Europeia, o que inclui o desenvolvimento de um novo quadro de certificação da cibersegurança para produtos, serviços e processos digitais e o reforço do papel da Agência da União Europeia para a Cibersegurança. Além de desempenhar um papel fundamental na criação e manutenção do quadro de certificação, a agência está mandatada para reforçar a cooperação operacional ao nível da União Europeia, o que implica ajudar os Estados-Membros que o solicitem a lidar com incidentes de cibersegurança e apoiar a coordenação da União Europeia em caso de ciberataques e crises transfronteiras de grande escala.

No mesmo mês, sete Estados-Membros (Bélgica, Alemanha, Espanha, Itália, Luxemburgo, Malta e Países Baixos) comprometeram-se a intensificar o desenvolvimento de redes quânticas ultrasseguras para impulsionar as capacidades europeias em matéria de tecnologias quânticas e cibersegurança e garantir a segurança das redes do futuro. As suas propostas ambiciosas exigem uma nova infraestrutura de comunicação quântica que permita que as informações e os dados sejam transmitidos e armazenados em condições de extrema segurança e que liguem os recursos de comunicação de toda a União Europeia. Integraria as tecnologias e os sistemas quânticos nas infraestruturas de comunicação convencionais e consistiria em dois elementos: uma componente de base terrestre que utilizasse as redes de comunicação por fibra existentes, ligando sítios estratégicos nos planos nacional e transfronteiriço, e uma componente espacial para cobrir longas distâncias em toda a Europa e noutros continentes.

A utilização desta rede em infraestruturas críticas e sistemas de cifragem irá ajudar a proteger da pirataria informática as redes energéticas inteligentes, o controlo do tráfego aéreo, os bancos, os serviços de saúde e outros. Permitirá também que os centros de dados armazenem e troquem informações em segurança e preservem a privacidade a longo prazo dos dados do setor público.

Em maio, o Conselho estabeleceu um quadro que permite à União Europeia impor medidas restritivas específicas para dissuadir e reagir a ciberataques que constituam uma ameaça externa para a União Europeia ou para os seus Estados-Membros. Incluem-se os ciberataques contra países terceiros ou organizações internacionais, num contexto em que sejam consideradas necessárias medidas restritivas para alcançar os objetivos da política externa e de segurança comum.

Preparação para as tecnologias do futuro

Inteligência artificial

Olhando para o futuro, a Europa quer beneficiar plenamente das muitas melhorias potenciais que a inteligência artificial poderá trazer e, nos últimos anos, investiu de forma substancial na promoção da sua capacidade neste domínio. No entanto, perante uma forte inquietude quanto ao desenvolvimento da inteligência artificial, em 2019, um grupo de peritos de alto nível começou a preparar orientações para o desenvolvimento ético da tecnologia, com o intuito de garantir que a inteligência artificial continua a servir a sociedade sem a prejudicar. As orientações éticas para uma inteligência artificial de confiança foram elaboradas por peritos de toda a União Europeia e espera-se que façam parte de futuras propostas sobre a inteligência artificial centrada no ser humano, previstas para o início de 2020. Abrangem questões tão diversas como a forma de evitar a discriminação no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial e de garantir que tais sistemas são sustentáveis e ecológicos.

Supercomputação

Os volumes de dados necessários para apoiar o desenvolvimento da inteligência artificial exigem uma apreciável capacidade de computação e, neste contexto, a Europa costuma estar atrasada em relação ao resto do mundo. Em junho, foram escolhidos oito sítios em todo o continente que irão acolher novos supercomputadores europeus, com um financiamento de 840 milhões de euros da União Europeia e dos Estados-Membros. Esses sítios, em Sófia (Bulgária), Ostrava (Chéquia), Barcelona (Espanha), Bolonha (Itália), Bissen (Luxemburgo), Minho (Portugal), Maribor (Eslovénia) e Kajaani (Finlândia), irão acolher novos supercomputadores que poderão quadruplicar ou quintuplicar a capacidade de supercomputação da Europa, com o objetivo de alcançar a liderança mundial neste domínio. Os supercomputadores podem ser utilizados para ajudar a desenvolver medicamentos personalizados, melhorar a conceção de medicamentos e materiais e conceber novas técnicas de bioengenharia, bem como para a previsão meteorológica e a modelização das alterações climáticas.

Perspetivas para o futuro: realização do mercado único digital

A realização do mercado único digital irá contribuir para que a União Europeia se mantenha na vanguarda da economia digital. Desde o lançamento da estratégia, em 2015, foram apresentadas 30 propostas legislativas diferentes e, até ao final de 2019, tinham sido adotadas 28 dessas propostas, mais cinco do que no final do ano anterior. As duas propostas restantes, a primeira relativa à privacidade em linha e a segunda relativa ao Centro Europeu de Competências Industriais, Tecnológicas e de Investigação em Cibersegurança e à Rede de Centros Nacionais de Coordenação, deverão ser adotadas em 2020. A Comissão Europeia deu também prioridade a uma série de aspetos digitais: com base nas orientações éticas, irá apresentar legislação tendo em vista uma abordagem europeia coordenada sobre as implicações humanas e éticas da inteligência artificial, e tenciona adotar um novo ato legislativo sobre os serviços digitais, para atualizar as regras em matéria de responsabilidade e segurança aplicáveis às plataformas, serviços e produtos digitais.

Capítulo 3

Uma União da Energia resiliente, com uma política climática virada para o futuro

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A crise climática continuou a ser uma prioridade política em 2019: os efeitos das alterações climáticas, que se continuaram a fazer sentir na Europa e no mundo, intensificaram os apelos para a tomada de medidas mais ambiciosas à escala mundial.

A União Europeia marcou a sua posição de líder mundial no domínio do clima. Introduziu legislação para cumprir e até para ir mais além dos seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris, e adotou uma estratégia de longo prazo para que a Europa se torne no primeiro continente sem impacto no clima até 2050. Em dezembro, o lançamento do Pacto Ecológico Europeu, a iniciativa emblemática da Comissão von der Leyen, representou um avanço decisivo para concretizar este objetivo ambicioso. O Pacto permitir-nos-á produzir, circular, consumir e viver de forma mais responsável do ponto de vista ambiental, sem deixar para trás nenhuma pessoa ou região.

A conclusão da União da Energia consolidou a posição de vanguarda da Europa no mundo relativamente à eficiência energética e às tecnologias de energia renovável e servirá de base à transição para as energias limpas em todos os setores da economia. Ao abrigo das novas regras de governação, os Estados-Membros submeteram o anteprojeto dos respetivos planos nacionais em matéria de energia e clima à apreciação da Comissão.

A União Europeia está a acelerar a sua transição para a economia circular, e todas as 54 ações do plano de ação para a economia circular foram já postas em prática. As novas regras da União Europeia que proíbem os plásticos descartáveis entraram em vigor em julho e deverão agora ser transpostas para a legislação nacional dos Estados-Membros.

A União Europeia continuou a reforçar o financiamento necessário para introduzir tecnologias inovadoras e hipocarbónicas no mercado, e adotaram-se importantes medidas para reduzir as emissões de CO2 do transporte rodoviário e marítimo, que contribuíram para a descarbonização do setor dos transportes.

Uma Europa com impacto neutro no clima até 2050

As alterações climáticas e a degradação do ambiente são uma ameaça existencial para a Europa e para o mundo. Para superar este desafio, a Europa necessita de um novo modelo de crescimento, que transforme a União Europeia numa economia moderna, eficiente no aproveitamento dos recursos e competitiva, em que não haja emissões líquidas de gases com efeito de estufa no horizonte de 2050, em que o crescimento económico seja dissociado da utilização dos recursos e em que ninguém nem nenhuma região seja deixado para trás.

Em 2018, a Comissão apresentou a sua visão para uma União Europeia com impacto neutro no clima até 2050, assente em sete componentes estratégicas: maior eficiência energética; aumento da utilização de energias renováveis; sistema de mobilidade limpo e conectado; economia circular competitiva; infraestruturas conectadas de alta qualidade; promoção da bioeconomia e dos sumidouros de carbono naturais; e captura e armazenamento de carbono. Na sequência de um amplo debate entre partes interessadas, e à luz da comunicação da presidente von der Leyen sobre o Pacto Ecológico Europeu, este objetivo foi aprovado pelo Conselho Europeu de dezembro de 2019.

A União Europeia tem já um historial sólido de redução das suas emissões de gases com efeito de estufa, sem prejuízo do crescimento económico: em 2018, as emissões foram 23 % inferiores aos valores de 1990; por seu turno, a economia cresceu 61 % no mesmo período. No entanto, há ainda muito a fazer. Graças à sua vasta experiência, a União Europeia colocou-se na vanguarda da criação de uma economia verde e inclusiva com a apresentação, em dezembro, do Pacto Ecológico Europeu, a iniciativa emblemática da Comissão von der Leyen. O Pacto Ecológico assenta no compromisso de transformar a Europa no primeiro continente com impacto neutro no clima até 2050.

O Pacto é um enorme passo em frente para que este compromisso se torne realidade. Redefine o compromisso da Comissão de enfrentar os desafios climáticos e ambientais e traça o rumo a seguir nos próximos meses e anos. Para mais informações, consultar a secção «A União Europeia em 2019: um ano repleto de mudanças».

Para marcar o empenhamento da União Europeia, a primeira legislação europeia em matéria de clima irá consagrar o objetivo de assegurar a neutralidade climática até 2050. Acima de tudo, o Pacto Ecológico Europeu abre o caminho para uma transição justa e socialmente equitativa. Foi concebido por forma a não deixar para trás ninguém nem nenhuma região na grande transformação que se avizinha.

A União Europeia é a primeira grande economia a transformar os compromissos que assumiu no Acordo de Paris em legislação vinculativa, tendo já ultrapassado o seu objetivo de reduzir as emissões em 20 % até 2020. Se todas as medidas acordadas forem aplicadas na íntegra, ultrapassar-se-á mesmo o objetivo de redução de 40 % até 2030. No entanto, é preciso definir metas ainda mais ambiciosas, pelo que o Pacto Ecológico aumentará este objetivo para, pelo menos, 50 % (procurando aproximar-se dos 55 %) em relação aos níveis de 1990.

A União Europeia já iniciou o processo de modernização e transformação da economia. Em 2019, a ação climática prosseguiu em todas as frentes: tornar os veículos e o ar mais limpos, investir em soluções tecnológicas, adotar medidas para proteger as nossas florestas e dar às pessoas as capacidades necessárias para poderem fazer a sua parte.

Konferencja Narodów Zjednoczonych w sprawie zmian klimatu COP25 – uczestnik zmierza w kierunku pawilonu oznaczonego logo Unii Europejskiej

Pawilon UE na konferencji ONZ w sprawie zmian klimatu COP25, Madryt, Hiszpania, 3 grudnia 2019 r.

De acordo com as novas regras de governação da União da Energia, os Estados-Membros elaboraram pela primeira vez os seus projetos de planos nacionais integrados em matéria de energia e de clima. A avaliação da Comissão dos projetos de planos, publicada em junho, concluiu que os Estados-Membros teriam de demonstrar mais ambição nos seus planos finais, a apresentar até ao fim do ano, para poderem alcançar os objetivos da União Europeia em matéria de clima.

Este gráfico mostra a redução dos gases com efeito de estufa desde 1990 e os objetivos de redução emissões até 2030.

Está já traçado o rumo para o objetivo de 2030, que consiste na redução das emissões de gases com efeito de estufa em, pelo menos, 40 %. Entre 1990 e 2018, a União Europeia reduziu em 23 % as emissões de gases com efeito de estufa, ultrapassando o objetivo de redução de 20 % estabelecido para 2020. As estimativas apontam para uma redução total de 45 % em 2030, ou seja, mais 5 pontos percentuais do que o objetivo definido para esse ano (40 %). Fonte: Conselho da União Europeia

Colaborar à escala internacional na luta contra as alterações climáticas

As emissões da União Europeia representam apenas cerca de 9 % do total mundial, pelo que é evidente que a Europa não pode lutar sozinha contra as alterações climáticas e que todos os países têm de colaborar para encontrar uma solução. A cimeira da ONU sobre a ação climática que decorreu em Nova Iorque, em setembro, constituiu uma oportunidade para que a União Europeia debatesse com os seus parceiros formas de reforçar o nível de ambição e acelerar as ações destinadas à aplicação do Acordo de Paris. No âmbito dos preparativos para a cimeira da ONU, a Comissão adotou uma comunicação, na qual se reitera o empenho da União Europeia em reforçar as ambições em matéria de clima.

Em dezembro, os negociadores da União Europeia participaram na conferência da ONU sobre alterações climáticas (COP 25), que decorreu em Madrid. A conclusão bem-sucedida da segunda avaliação do Mecanismo Internacional de Varsóvia e o plano de ação da União Europeia em matéria de igualdade de género deram algum alento.

Apesar dos esforços da delegação da União Europeia para chegar a consenso sobre os mercados internacionais do carbono, a COP25 não produziu o resultado ambicioso de que o mundo necessita e muitos desejavam. No entanto, este desfecho vem mostrar como é necessário que a Europa assuma um papel de liderança com o Pacto Ecológico Europeu e colabore com os seus parceiros ao nível internacional. O ano 2020 será de maiores ambições em matéria de ambiente à escala mundial: até à COP26, que se realizará em Glasgow em novembro, as partes terão de atualizar os contributos determinados no âmbito nacional e comunicar as suas estratégias de longo prazo, em consonância com os objetivos do Acordo de Paris. A União Europeia está preparada para isso.

A eliminação progressiva, à escala mundial, dos hidrofluorocarbonetos, os gases perigosos que contribuem para o aquecimento global e são comummente utilizados em equipamentos de aquecimento e refrigeração, começou em 1 de janeiro de 2019. Espera-se que esta ação liderada pela União Europeia contribua significativamente para o objetivo, fixado no Acordo de Paris, de manter o aumento global das temperaturas bem abaixo dos 2 °C.

Ao longo do ano, a União Europeia prosseguiu as suas ações de sensibilização e cooperação internacionais em matéria de clima. Em junho, a Comissão, o Canadá e a China organizaram em Bruxelas um importante encontro internacional sobre o clima; o terceiro Encontro Ministerial sobre a Ação Climática reuniu representantes de alto nível de mais de 30 países, incluindo ministros do G20.

A União Europeia continua firmemente empenhada em apoiar a ação climática nos países em desenvolvimento. Em conjunto com os seus Estados-Membros, é ainda o maior contribuinte para o financiamento público da ação climática — em 2018, foram disponibilizados 21,7 mil milhões de euros para os países em desenvolvimento, um aumento em relação aos 20,4 mil milhões de euros disponibilizados em 2017.

Grupa osób na plaży z banerem „Unia Europejska – inicjatywa sprzątania plaż”

Pracownicy UE razem z przedstawicielami społeczności lokalnej czyszczą plaże z odpadów morskich w ramach światowej kampanii #EUBeachCleanUp, Koh Sak, Tajlandia, 13 września 2019 r.

Concluir uma União da Energia ambiciosa e moderna

Lançada em 2015, a estratégia da União da Energia visa oferecer às famílias e às empresas europeias energia segura, sustentável, competitiva e a preços acessíveis. O Quarto relatório sobre o estado da União da Energia mostra que a Comissão concretizou plenamente a sua visão estratégica. Entre os principais êxitos, é de destacar a conclusão, em maio, do pacote legislativo Energias Limpas para Todos os Europeus, que integra oito atos legislativos. Este pacote levará à transformação radical do sistema energético da Europa, que não só se tornará respeitador do ambiente como passará a estar ao serviço dos consumidores e da economia e competitividade europeias.

O pacote inclui objetivos novos e ambiciosos para 2030: aumentar a eficiência energética, pelo menos, 32,5 % e fixar, no mínimo, em 32 % a parte das energias renováveis no consumo de energia. Lança uma reforma profunda dos mercados da eletricidade para poder integrar as energias renováveis na rede e assegura a participação de todos na transição energética, dando aos consumidores e às comunidades os meios necessários para gerarem a sua própria eletricidade. Acima de tudo, as novas regras irão pôr termo ao subvencionamento das centrais mais poluentes.

Resumo da ação em prol da eficiência energética na União Europeia.

A União Europeia estabeleceu um novo objetivo de eficiência energética de, pelo menos, 32,5 % até 2030. Graças a regras de etiquetagem energética mais claras e simples, as famílias poderão poupar quase 150 euros por ano; entre 2014 e 2020, foram atribuídos 18 mil milhões de euros dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento à eficiência energética. O setor da eficiência energética na Europa emprega atualmente 900 000 pessoas. Fonte: Comissão Europeia

A União Europeia adotou também um novo conjunto de etiquetas energéticas, mais simples e claras, que ajudarão os consumidores a poupar energia (o equivalente ao consumo anual de energia da Dinamarca) e dinheiro (em média, 150 euros por ano, por família) até 2030. Em outubro, a Comissão adotou ainda novas medidas para que os eletrodomésticos (frigoríficos, máquinas de lavar roupa e loiça e televisores) sejam mais sustentáveis. Pela primeira vez, foram estabelecidos requisitos de reparação e reciclagem, que contribuirão para a economia circular.

Em novembro, a Comissão apresentou os primeiros resultados de uma iniciativa lançada em 2018 para auxiliar dez regiões da União Europeia e dois Estados-Membros em transição industrial a construir economias resilientes e hipocarbónicas. Para o efeito, foram lançados 12 projetos-piloto com vista a ultrapassar obstáculos específicos, tendo cada um beneficiado de uma subvenção da União Europeia no valor de 300 000 euros. A Comissão continuou igualmente a apoiar as regiões carboníferas em transição, a fim de promover uma «transição justa» que não deixe nenhuma região para trás.

Em fevereiro, 26 ilhas europeias iniciaram a sua transição para energias limpas. Os seus programas serão publicados em meados de 2020. 

Segurança e solidariedade no setor energético

A segurança do aprovisionamento energético dos cidadãos da União Europeia é um elemento essencial da estratégia para a União da Energia. No âmbito destes esforços, chegou-se a acordo para garantir que todos os gasodutos de e para países terceiros respeitam a legislação da União Europeia em matéria de energia.

Para reforçar a segurança do aprovisionamento nos Estados bálticos, a Comissão, a Estónia, a Letónia, a Lituânia e a Polónia subscreveram um roteiro político com vista à sincronização dos mercados elétricos dos Estados bálticos com a rede continental europeia através da Polónia. Este projeto beneficiou de uma subvenção da União Europeia no valor de 323 milhões de euros.

A União Europeia continuou a investir em infraestruturas de energia seguras e sustentáveis através do MIE, que inclui 800 milhões de euros para projetos de infraestruturas energéticas prioritárias e 750 milhões de euros para projetos com grandes benefícios transfronteiras. Foram ainda concedidos 214,9 milhões de euros ao projeto de infraestruturas que ligará a Polónia à Dinamarca e à Noruega.

Resumo da ação para a segurança no setor energético na União Europeia.

No domínio da segurança energética, foram executados mais de 30 projetos de interesse comum e outros 75 serão executados até 2022. Desde 2014, o Mecanismo Interligar a Europa recebeu 3,4 mil milhões de euros para o financiamento da energia; foram ainda afetados à segurança energética 1,3 mil milhões de euros do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos. No total, o financiamento público da União Europeia em infraestruturas energéticas gerou investimentos totais de cerca de 50 mil milhões de euros.

Dar resposta às questões de cibersegurança no setor da energia é hoje uma prioridade absoluta, pois todos os Europeus estão dependentes dos recursos energéticos. Para enfrentar potenciais ameaças, a União Europeia adotou uma recomendação que contém orientações para a resolução de determinados aspetos específicos da cibersegurança.

A União Europeia prosseguiu os seus trabalhos sobre aplicações inovadoras e seguras das ciências e tecnologias nucleares para fins diversos da produção de energia nuclear. Ao longo de 2019, manteve-se a colaboração com países terceiros para garantir um nível máximo de segurança nuclear.

Descarbonizar a economia

O sistema de comércio de licenças de emissão da União Europeia continuou a dar bons resultados, já que as emissões das instalações diminuíram 4,1 %, em 2018, em relação aos valores de 2017.

A fim de resolver a questão do atual excedente de licenças, entrou em funcionamento, em janeiro, a reserva de estabilização do mercado, que melhorará a resiliência do sistema a grandes choques, mediante o ajustamento da oferta de licenças de emissão a leiloar. A União Europeia deu mais incentivos para que as empresas reduzam as suas emissões ao transferir 400 milhões de licenças do sistema para a reserva, entre setembro de 2019 e agosto de 2020, aumentando assim o preço das emissões e a rendibilidade das tecnologias limpas. Em 2018, os preços mais elevados no mercado europeu do carbono geraram um nível recorde de receitas para os Estados-Membros (cerca de 14 mil milhões de euros — mais do dobro do montante registado em 2017).

Em dezembro, a União Europeia e a Suíça concluíram o processo que lhes permite associar os seus sistemas de comércio de licenças de emissão. De 2020 em diante, as licenças de emissão de ambos os sistemas podem ser utilizadas para efeitos de conformidade para compensar as emissões produzidas em qualquer dos sistemas. Este acordo de ligação, o primeiro do género, mostra que estes sistemas podem preparar o caminho para mercados internacionais de carbono mais alargados. No início do ano, a eliminação dos entraves regulamentares permitiu que a Islândia, o Listenstaine e a Noruega participassem plenamente na plataforma da União Europeia de leilões de licenças de emissão.

Com vista a redobrar os esforços internacionais de criação de um quadro internacional sólido para os mercados de carbono, a Comissão realizou várias conferências a fim de identificar possíveis soluções para os obstáculos à instituição de sistemas internacionais fiáveis de comércio de licenças de emissão.

Transportes sustentáveis e não poluentes

É essencial realizar uma transição mais rápida para um transporte limpo e sustentável para melhorar a saúde e a qualidade de vida dos cidadãos europeus, contribuir para os objetivos climáticos da União Europeia e estimular a competitividade da indústria. Em março, a Comissão apresentou um roteiro com ações para garantir uma transição mais rápida para veículos não poluentes. Entre as principais conquistas de 2019 ao abrigo da agenda da União Europeia para a mobilidade ecológica, segura e conectada, conta-se a adoção dos primeiros objetivos de emissões de CO2 à escala da União Europeia para camiões, novas normas de emissões de CO2 para automóveis e veículos comerciais ligeiros e novas regras para incentivar as autoridades públicas a utilizar transportes respeitadores do ambiente.

Naukowiec korzysta z wyposażenia w laboratorium

Naukowiec ze Wspólnego Centrum Badawczego monitoruje zanieczyszczenie powietrza zgodnie z wymogami unijnych przepisów, Obserwatorium Atmosferyczne Komisji Europejskiej, Ispra, Włochy, 1 maja 2019 r.

Na sequência do escândalo das emissões dieselgate, a União Europeia estabeleceu regras mais exigentes para garantir procedimentos de ensaio de veículos mais independentes e fiáveis. Em janeiro, entrou em vigor o procedimento de ensaio harmonizado a nível mundial para veículos ligeiros e o pacote de regras de emissões em condições reais de condução. Em setembro, as medições de NOx (óxidos de azoto) efetuadas ao abrigo das novas regras de emissões em condições reais de condução passaram a ser obrigatórias para todos os novos veículos vendidos na Europa.

Avançou-se igualmente no combate às emissões provenientes do transporte marítimo graças à adoção de uma proposta de revisão do sistema da União Europeia para o acompanhamento, comunicação e verificação das emissões de CO2 dos navios, bem como à publicação, pela primeira vez, destes dados. Trata-se de um passo importante para garantir que o transporte marítimo internacional assume a sua quota-parte na redução das emissões globais de gases com efeito de estufa.

Baterias

As baterias são fundamentais quer para a transição para a energia limpa quer para a eletromobilidade. A Comissão está a colaborar com os Estados-Membros e com as principais partes interessadas do setor para criar um ecossistema de baterias competitivo, sustentável e inovador na Europa. Este é, aliás, o principal objetivo da Aliança Europeia para as Baterias. Esta iniciativa liderada pela indústria, que conta com cerca de 260 organizações da indústria e da inovação, avalia atualmente o potencial de realização de projetos transfronteiras. Em abril, a Comissão apresentou um relatório sobre os progressos realizados na execução do seu plano de ação estratégico para as baterias. Em junho, a Comissão lançou uma nova plataforma europeia para a tecnologia e a inovação no domínio das baterias, a fim de intensificar o apoio prestado à investigação e inovação. Em 2019, a União Europeia disponibilizou ainda 132 milhões de euros para projetos de baterias ao abrigo do programa Horizonte 2020.

Este gráfico mostra as previsões da oferta e procura de tecnologias energéticas sustentáveis.

Em 2018, havia mais de 4 milhões de veículos elétricos a circular em todo o mundo; prevê-se que, até 2028, circularão nas estradas europeias entre 50 e 200 milhões de veículos elétricos, número este que continuará a aumentar até cerca de 900 milhões em 2040. Em 2018, as baterias de iões de lítio vendidas representavam mais de 77 gigawatt-hora; prevê-se que, até 2028, esse valor atinja entre 250 e 1 100 gigawatt-hora e, até 2040, entre 600 e 4 000 gigawatt-hora. Por seu turno, a quota europeia na produção de células de baterias deverá aumentar de 3 % em 2018 para 7 % a 25 % em 2028, com tendência para uma melhoria contínua até 2040. Fonte: JRC

Rumo a uma economia circular

Transformar a forma como produzimos e utilizamos a energia é essencial para combater as alterações climáticas, mas é apenas uma parte da solução. Hoje em dia, a economia circular é já um elemento central na estratégia industrial e económica da União Europeia e um dos alicerces das suas medidas destinadas a prevenir os resíduos, melhorar a conceção dos produtos e aumentar as taxas de reciclagem. As 54 ações medidas enunciadas no plano de ação da Comissão para a economia circular foram já concluídas ou encontram-se em fase de execução, estabelecendo assim as bases para um desenvolvimento futuro.

Resolver a questão dos plásticos tem sido uma das principais prioridades, porque a forma como são atualmente produzidos, utilizados e eliminados é geralmente nociva para o ambiente e não permite tirar partido das vantagens económicas de uma abordagem mais «circular». Os milhões de toneladas de resíduos de plástico que, anualmente, se acumulam nos oceanos são um dos sinais mais visíveis e alarmantes deste problema.

Em julho, entraram em vigor novas regras europeias para combater o lixo marinho proveniente dos dez artigos de plástico mais frequentemente encontrados nas praias europeias — pratos, talheres, palhas, varas para balões e cotonetes feitos de plástico de utilização única —, que serão proibidos até 2021. Os Estados-Membros chegaram a acordo para recolher, até 2029, 90 % das garrafas de plástico, as quais terão de conter, pelo menos, 25 % de material reciclado até 2025 e 30 % até 2030. Esta ação insere-se na primeira estratégia para os plásticos à escala europeia, lançada em 2018 com o objetivo de assegurar que, até 2030, só sejam colocadas no mercado da União Europeia embalagens de plástico reutilizáveis ou recicláveis.

Pracownik fabryki przy maszynie

Pracownik fabryki wytwarza worki nadające się do kompostowania i folię z materiałów odnawialnych, Herent, Belgia, 28 października 2019 r.

Embora quase tenha duplicado desde 2005, a taxa de reciclagem das embalagens de plástico na Europa continua a representar menos de 30 % dos 25 milhões de toneladas de resíduos de plástico produzidos anualmente pelos cidadãos europeus. No quadro dos esforços para impulsionar ainda mais a reciclagem e a reutilização de plásticos, mais de 170 parceiros públicos e privados do setor dos plásticos comprometeram-se, em outubro, a utilizar 10 milhões de toneladas de plástico reciclado em novos produtos até 2025. A iniciativa foi lançada pela Aliança para os Plásticos Circulares, que se reuniu pela primeira vez em fevereiro.

Em janeiro, após avaliar os riscos para a saúde e o ambiente, a Agência Europeia dos Produtos Químicos considerou que se justifica restringir a adição intencional de microplásticos aos produtos da União Europeia.

Resumo da indústria europeia dos plásticos.

A indústria europeia dos plásticos emprega quase 1,5 milhões de pessoas e tem um volume de negócios anual de 350 mil milhões de euros, representando 18 % da produção anual de plásticos a nível mundial. As pequenas e médias empresas afirmam já ter tomado medidas para utilizar os recursos de forma mais eficiente, minimizando os resíduos (65 %) e poupando energia (63 %). 41 % das pequenas e médias empresas creem que as medidas de eficiência na utilização dos recursos reduziram os custos de produção. Fonte: Eurobarómetro, 2018.

Financiamento da ação climática e das novas tecnologias

Em 2019, o Plano de Investimento para a Europa auxiliou mais cidadãos europeus a obter a sua energia a partir de fontes renováveis, elevando a 7,4 milhões o número de agregados que já beneficiaram do plano. O novo Fundo de Inovação constitui um instrumento essencial para que a União Europeia cumpra os compromissos que assumiu em todos os setores da economia no quadro do Acordo de Paris, bem como para apoiar a visão estratégica da Comissão para uma Europa com impacto neutro no clima até 2050. Em fevereiro, a Comissão anunciou um investimento de 10 mil milhões de euros através do Fundo, destinado a tecnologias hipocarbónicas em diversos setores, com o objetivo de melhorar a sua competitividade mundial. Os montantes de financiamento provirão da venda em leilão de 450 milhões de licenças no âmbito do sistema de comércio de licenças de emissão da União Europeia entre 2020 e 2030. As iniciativas financiadas ao abrigo do programa Horizonte 2020 darão também um importante contributo para a introdução de novas tecnologias no mercado.

Por si só, os fundos públicos não bastarão para combater as alterações climáticas, pelo que a União Europeia pretende auxiliar os investidores a identificar e tirar partido das oportunidades de investimento ecológico em todo o mundo. Em outubro, lançou a plataforma internacional de financiamento sustentável em conjunto com as autoridades competentes da Argentina, do Canadá, do Chile, da China, da Índia, do Quénia e de Marrocos.

Resumo do Fundo de Inovação da União Europeia.

O primeiro convite à apresentação de projetos do Fundo de Inovação em 2020 mobilizará 10 mil milhões de euros de investimentos em prol do futuro da União Europeia com impacto neutro no clima até 2030, sobretudo evitando as emissões e promovendo a competitividade. Graças ao financiamento do sistema de comércio de licenças de emissão, o fundo apoiará também a inovação nas indústrias com utilização intensiva de energia, bem como a inovação no domínio das energias renováveis e do armazenamento de energia, e da captura, da utilização e do armazenamento de carbono. Fonte: Comissão Europeia

O círculo virtuoso do financiamento sustentável.

São necessários investimentos privados e públicos avultados para transformar a economia da União Europeia, a fim de concretizar os objetivos no domínio do clima e da sustentabilidade ambiental e social, incluindo o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. O financiamento sustentável integra as considerações de sustentabilidade no processo de tomada de decisões financeiras. Isto significa mais projetos circulares, sem impacto no clima e eficientes na utilização de recursos. O financiamento sustentável é necessário para executar a estratégia definida pela Comissão Europeia para concretizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Em última análise, a integração das considerações de sustentabilidade atenuará o impacto das catástrofes naturais e dos problemas de sustentabilidade ambiental e social que podem afetar a economia e os mercados financeiros. Se os investidores utilizarem o seu capital em investimentos sustentáveis, estarão a contribuir para um planeta mais saudável com menos perdas económicas resultantes do agravamento dos danos causados por fenómenos meteorológicos, o que permitirá obter um retorno positivo do investimento inicial. Além disso, a realização de investimentos sustentáveis regulares permitirá que, no futuro, se dê mais atenção às preferências dos investidores em matéria de sustentabilidade. Fonte: Comissão Europeia

Uczestnicy biorą udział w dyskusji wokół stołu pokrytego dokumentami przed ekranem z informacjami o Zielonym Tygodniu

Uczestnicy konferencji biorą udział w dyskusji grupowej podczas unijnego Zielonego Tygodnia, Bruksela, Belgia, 16 maja 2019 r.

Em junho, a Comissão publicou novas orientações para a comunicação, pelas empresas, de informações relacionadas com o clima, no âmbito do seu plano de ação para o financiamento sustentável. Trata-se de recomendações práticas destinadas a cerca de 6 000 empresas, bancos e companhias de seguros cotados na União Europeia, para que comuniquem com maior precisão o impacto das suas atividades no clima, bem como o impacto das alterações climáticas nas suas atividades.

Proteção do ambiente

Em abril, a Comissão publicou o segundo reexame da aplicação da política ambiental, que faz parte da iniciativa de 2016 para melhorar a aplicação da política ambiental da União Europeia, bem como as normas acordadas por todos os Estados-Membros. Esta medida é essencial não só para garantir um ambiente mais saudável, mas também para criar novas oportunidades de crescimento económico sustentável, inovação e emprego. A plena aplicação desta legislação permitirá que a economia europeia poupe cerca de 55 mil milhões de euros por ano em custos de saúde e custos diretos para o ambiente. O pacote inclui uma comunicação de caráter geral e 28 relatórios por país sobre o estado da aplicação da legislação ambiental da União Europeia e sobre as oportunidades de aperfeiçoamento em cada Estado-Membro.

A revisão intercalar da estratégia florestal da União Europeia concluiu que foram realizados progressos assinaláveis para alcançar os objetivos definidos para 2020. Desde a sua adoção, a estratégia facilitou a coordenação de todos os domínios de intervenção da União Europeia ligados às florestas e ao setor florestal, promovendo uma abordagem coerente das políticas internas e internacionais. Em julho, a Comissão estabeleceu um novo quadro de medidas de proteção e restauração das florestas à escala mundial. As florestas abrigam 80 % da biodiversidade em terra, são fonte de subsistência de cerca de um quarto da população do mundo e são vitais para a luta contra as alterações climáticas.

A União Europeia lidera a cooperação internacional para tornar os oceanos mais seguros e mais limpos e assegurar a sua gestão sustentável na Europa e no mundo. Em março, publicou um relatório conjunto que afere a situação da agenda da União Europeia de governação internacional dos oceanos. Até à data, foram executadas com sucesso 50 ações concretas, entre as quais ações de combate à pesca ilegal e à poluição marinha.

O futuro orçamento de longo prazo da União Europeia

Em 2019, a Comissão, o Parlamento Europeu e os Estados-Membros prosseguiram os seus trabalhos com vista a um acordo sobre o futuro orçamento de longo prazo da União Europeia para 2021-2027.

Em maio de 2018, a Comissão apresentou a sua proposta com vista a um orçamento justo, equilibrado e moderno para esse período. A proposta, que resultou de um debate aberto e inclusivo com o Parlamento Europeu, os Estados-Membros, os beneficiários do financiamento da União Europeia e outras partes interessadas, visa dotar a Europa de recursos suficientes para concretizar as suas prioridades, responder aos desafios futuros e ir ao encontro das necessidades dos cidadãos.

O orçamento proposto equivale a 1,114 % do rendimento nacional bruto (RNB) — ou riqueza nacional — da UE-27. Em comparação, os orçamentos nacionais equivalem a uma média de 47,1 % do RNB dos 27 Estados-Membros (valor médio para 2014-2020).

Esta proposta-quadro foi imediatamente seguida de projetos de legislação para os 37 programas setoriais que fazem parte do futuro orçamento de longo prazo. São estas as disposições que especificam, por exemplo, a forma como os agricultores continuarão a receber os subsídios ou de que modo os jovens se poderão candidatar à próxima geração de bolsas ao abrigo do programa Erasmus+.

O ano 2019 foi marcado por intensas negociações. O Parlamento, a Comissão e os Estados-Membros fizeram progressos para chegar a acordo no que respeita ao quadro geral e às propostas setoriais.

Relativamente ao quadro geral, em junho, o avanço das negociações permitiu que os dirigentes da União Europeia debatessem a questão pela primeira vez desde a apresentação da proposta. Por ocasião do Conselho Europeu de dezembro, decidiram que as negociações seriam lideradas pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, com vista à celebração de um acordo no início de 2020. Depois de os Estados-Membros chegarem a consenso, o acordo final terá de ser aprovado pelo Parlamento Europeu.

Em paralelo, prosseguiram as negociações sobre os programas setoriais. O Parlamento e os Estados-Membros estabeleceram acordos preliminares sobre programas relacionados com prioridades como a investigação, a defesa, o investimento e a transformação digital. Uma vez acordados, estes programas poderão, por exemplo:

  • dar a centenas de milhares de pessoas a possibilidade de estudar, receber formação, ensinar, trabalhar ou fazer voluntariado no estrangeiro ao abrigo do Erasmus+, o programa europeu de mobilidade dos jovens;
  • estimular investimentos de várias centenas de milhares de milhões de euros ao abrigo do programa InvestEU, criando assim oportunidades de negócio e emprego;
  • facilitar a transformação digital da Europa através de investimentos em supercomputação, inteligência artificial, cibersegurança e confiança, e garantir que os cidadãos europeus possuem as competências necessárias para a era digital.

Estes são apenas alguns dos benefícios do orçamento da União Europeia para a Europa e os seus cidadãos. Enquanto prosseguem as negociações, convém recordar que o orçamento não é um simples jogo de soma nula.

Graças ao orçamento, os Estados-Membros usufruem das vantagens de pertencer ao mercado único e podem enfrentar em conjunto desafios como a migração e a luta contra o terrorismo e as alterações climáticas. Podem também aproveitar as oportunidades que a política de coesão — a principal política de investimento da União Europeia — cria para as empresas de toda a União.

A União Europeia também contribui de forma significativa para as economias dos seus Estados-Membros. De acordo com os dados da Comissão, os Estados-Membros contribuem com cerca de 0,9 % do seu RNB para o orçamento da União Europeia e obtêm 5,92 % do seu RNB graças ao mercado único. Por outras palavras, os Estados-Membros pagam 1 euro para o orçamento, mas, ao mesmo tempo, recebem 6 euros graças ao mercado único.

Capítulo 4

Um mercado interno mais aprofundado e mais equitativo, dotado de uma base industrial reforçada

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O mercado interno, também conhecido como mercado único, é uma das maiores realizações da União Europeia. Melhora a nossa vida quotidiana e oferece um trampolim único para as empresas inovarem e se expandirem além-fronteiras. O ano de 2019 foi igualmente marcado pelo 25.o aniversário do Espaço Económico Europeu (EEE), que alarga o mercado à Islândia, ao Listenstaine e à Noruega.

A União Europeia trabalha incessantemente para aprofundar o mercado único e alargar os seus benefícios. Em 2019, a Comissão apresentou as suas propostas finais para completar o ambicioso conjunto de medidas anunciado no contexto da Estratégia para o Mercado Único, da UMC e da estratégia para o Mercado Único Digital, enquanto o Parlamento Europeu e o Conselho adotaram outras propostas ainda pendentes.

Deste modo, os cidadãos europeus beneficiam agora de produtos mais seguros no mercado da União, incluindo automóveis menos poluentes e mais seguros, de maior proteção contra os produtos químicos nocivos e de melhor informação sobre os produtos alimentares.

A União Europeia simplificou ainda mais os procedimentos administrativos a fim de permitir que as empresas operem em todo o continente, assegurando que as normas sejam aplicadas e respeitadas. Simplificou igualmente as transações em euros em todo o seu território e tornou mais fácil para as autoridades detetar fraudes ao imposto sobre o valor acrescentado (IVA). Uma nova Autoridade Europeia do Trabalho permitirá também aconselhar os cidadãos e as empresas sobre as possibilidades de viver, trabalhar ou exercer uma atividade noutro Estado-Membro.

A Comissão tomou várias decisões importantes no domínio da concorrência, a fim de assegurar condições equitativas para as empresas e garantir o bom funcionamento do mercado único. A União Europeia está também a desenvolver esforços, em conjunto com a indústria e as autoridades nacionais, no sentido de assegurar que as nossas indústrias se adaptem aos desafios futuros em matéria de inovação e sustentabilidade e continuem a ser competitivas à escala mundial.

Celebração dos 25 anos do Espaço Económico Europeu

Dokument urzędowy z czerwoną pieczęcią

Parafowanie Porozumienia o Europejskim Obszarze Gospodarczym między Europejską Wspólnotą Gospodarczą a Europejskim Stowarzyszeniem Wolnego Handlu, Bruksela, Belgia, 14 kwietnia 1992 r.

Após a comemoração do 25.o aniversário do mercado único da União Europeia em 2018, o ano seguinte assinalou outro marco importante: a celebração dos 25 anos do Espaço Económico Europeu. O Acordo EEE, que foi assinado em 1992 e entrou em vigor em 1994, alarga as quatro liberdades do mercado único e as políticas conexas à Islândia, ao Listenstaine e à Noruega. As pessoas, as mercadorias, os serviços e os capitais podem agora circular nos 31 países do EEE quase tão livremente como dentro do mesmo país. Os cidadãos do EEE podem estudar, viver, fazer compras, trabalhar e reformar-se em qualquer dos países que dele fazem parte. Foram eliminadas centenas de obstáculos técnicos, jurídicos e burocráticos ao comércio livre e à livre circulação entre estes países. As empresas puderam assim expandir os seus negócios, e a concorrência contribuiu para baixar os preços e proporcionar aos consumidores uma oferta mais variada.

Algumas das vantagens do Espaço Económico Europeu.

Todos os cidadãos da União Europeia e do Espaço Económico Europeu podem participar no programa Erasmus+. O cartão europeu de seguro de doença dá aos cidadãos acesso aos cuidados de saúde de que podem necessitar durante uma estadia temporária em qualquer país do Espaço Económico Europeu. Além disso, sem tarifas de roaming, podem telefonar, enviar mensagens e usar dados em qualquer país do Espaço Económico Europeu como se estivessem no seu país. Por seu turno, os clientes das companhias aéreas podem pedir-lhes uma indemnização se chegarem ao seu destino final com um atraso superior a três horas.

Melhorar o funcionamento do mercado único em benefício dos cidadãos e das empresas

A União Europeia prossegue os seus esforços com vista a reforçar e aprofundar o mercado único, para que este possa estar à altura dos novos desafios e proporcionar benefícios aos nossos cidadãos e empresas.

No âmbito destes esforços, a União Europeia aprovou, em junho, novas regras para assegurar uma melhor conformidade com a legislação do mercado único relativa aos produtos não alimentares. As referidas regras, aplicáveis a partir de 2021, reforçarão os controlos realizados pelas autoridades nacionais e os funcionários aduaneiros e melhorarão os controlos dos produtos no mercado da União. Além disso, intensificarão a cooperação entre as autoridades e permitirão atuar mais rapidamente contra os produtos ilegais.

A União Europeia adotou igualmente um novo regulamento que reforça a aplicação do princípio do reconhecimento mútuo aos produtos não abrangidos pela legislação da União, oferecendo deste modo às empresas maiores oportunidades de expansão da sua atividade através das fronteiras da União Europeia. De abril de 2020 em diante, as empresas poderão obter rapidamente melhores informações sobre as normas técnicas nacionais aplicáveis noutro Estado-Membro e utilizar procedimentos simplificados para demonstrar que o seu produto cumpre os requisitos nacionais relevantes.

Além disso, a nova norma sobre faturação eletrónica, que entrou em vigor em abril, ajudará as autoridades públicas a processar rapidamente os pagamentos de todas as empresas de forma automática.

Uma base industrial forte e inovadora

As indústrias europeias são líderes mundiais em muitos domínios, mas precisam de se adaptar a novos desafios como a rápida evolução das tecnologias, as alterações climáticas e o contexto geopolítico mundial em mutação. A fim de delinear uma nova visão para a indústria europeia, a Comissão criou a Mesa-Redonda Industrial de Alto Nível «Indústria 2030», e publicou as suas recomendações em junho. Estas centram-se na forma como a indústria europeia deve tirar partido da sua vantagem competitiva através de tecnologias de ponta e inovadoras, do respeito pelo ambiente e pela biodiversidade, do investimento nas pessoas e de alianças europeias e globais inteligentes.

A Europa deve, pois, aproveitar os seus pontos fortes e os seus trunfos para desenvolver a sua base industrial. A inteligência artificial, as baterias e a cibersegurança são alguns dos muitos domínios estratégicos e orientados para o futuro em que a promoção da vantagem competitiva da Europa pode gerar crescimento. A fim de identificar as áreas de importância estratégica, a Comissão criou o Fórum Estratégico de Estados-Membros e representantes da indústria, que, no seu relatório, publicado em novembro, definiu seis domínios prioritários e apresentou recomendações para a futura ação política e para investimentos transnacionais coordenados.

Também as indústrias fortes têm de se adaptar e inovar constantemente. O relatório de 2019 do Painel Europeu da Inovação concluiu que a União Europeia continua a progredir, tendo-se observado resultados positivos em matéria de inovação em 24 Estados-Membros. O líder da União Europeia em inovação foi a Suécia, seguida da Finlândia, da Dinamarca e dos Países Baixos. Os países onde a inovação progrediu mais rapidamente foram a Lituânia, a Grécia, a Letónia, Malta, o Reino Unido, a Estónia e os Países Baixos. Mais importante ainda, o desempenho da União Europeia em matéria de inovação ultrapassou pela primeira vez o dos Estados Unidos e regista um avanço considerável em relação ao Brasil, à Índia, à Rússia e à África do Sul.

Seis domínios estratégicos para a indústria europeia.

Os seis domínios estratégicos para a indústria europeia são os seguintes: veículos limpos, conectados e autónomos; saúde inteligente; uma indústria com baixas emissões de dióxido de carbono; tecnologias e sistemas de hidrogénio; Internet industrial das coisas e a cibersegurança.

Mapa que classifica os Estados-Membros da União Europeia em função do seu desempenho em matéria de inovação em 2019.

O Painel Europeu da Inovação de 2019 classifica a Dinamarca, os Países Baixos, a Finlândia e a Suécia como líderes de inovação na Europa, e a Bélgica, a Alemanha, a Irlanda, a França, o Luxemburgo, a Áustria, a Eslovénia e o Reino Unido como grandes inovadores. A Chéquia, a Estónia, a Grécia, a Croácia, a Itália, Chipre, a Letónia, a Lituânia, a Hungria, Malta, a Polónia, Portugal e a Eslováquia são inovadores moderados, e a Bulgária e a Roménia são inovadores modestos. Fonte: Comissão Europeia

Garantir condições de concorrência equitativas no mercado único

A política de concorrência da União Europeia visa apoiar o crescimento, o investimento e a criação de emprego ao proteger os consumidores e as empresas que cumprem a lei contra comportamentos empresariais anticoncorrenciais e ilegais. As empresas podem competir entre si para oferecer preços mais baixos e uma maior escolha de produtos inovadores, o que é benéfico para os consumidores e permite que a economia europeia se torne mais forte, mais competitiva e mais atrativa para os investidores.

Em 2019, a Comissão emitiu 362 decisões relativas a concentrações, dez decisões antitrust, cinco decisões sobre cartéis e 248 decisões em matéria de auxílios estatais. No total, aplicou coimas de mais de 4 mil milhões de euros a empresas consideradas em situação de violação das regras de concorrência da União e ordenou aos Estados-Membros que recuperassem junto dos beneficiários pelo menos 65 milhões de euros em auxílios ilegais e incompatíveis.

A Comissão recorre ao controlo das concentrações de empresas para assegurar que o mercado único cumpre todo o seu potencial ao prevenir os riscos para a concorrência. A maioria das operações de concentração apresentadas à Comissão é aprovada. Até à data, apenas foram proibidas dez, três das quais em 2019. Tratou-se da aquisição da Alstom pela Siemens, no setor ferroviário, da aquisição da Aurubis Rolled Products e Schwermetall pela Wieland, ambas em fevereiro, e da empresa comum entre os gigantes siderúrgicos Tata Steel e ThyssenKrupp, em junho. Nestes casos, as empresas em causa não propuseram soluções para proteger os consumidores e as empresas contra eventuais riscos. Noutros processos de grande visibilidade, como o Praxair/Linde e o GSK/Pfizer, as partes na concentração ofereceram soluções adequadas e a Comissão pôde então aprovar as operações.

Este gráfico explica a decisão da Comissão sobre a fusão da Siemens e da Alstom.

A Comissão vetou a fusão da Siemens e da Alstom para proteger os operadores ferroviários e os passageiros. Os sistemas de sinalização ferroviária são essenciais para evitar colisões e garantir a segurança dos passageiros dos comboios e metropolitanos e os comboios de alta velocidade são importantes para a transição para transportes eficientes e sustentáveis. Se a fusão fosse avante, a Siemens e a Alstom deixariam de competir, o que resultaria em preços mais elevados, numa menor escolha e em menos inovação para os operadores ferroviários.

A Comissão atua também contra as empresas que tentam obter uma vantagem competitiva desleal. Em janeiro, foi aplicada à Mastercard uma coima de 570 milhões de euros por ter imposto restrições à utilização transfronteiras de cartões de pagamento. Em maio, a AB InBev, a maior fabricante de cerveja do mundo, foi condenada ao pagamento de 200 milhões de euros por abuso de posição dominante no mercado belga da cerveja. A Comissão aplicou ainda coimas a outras empresas por restringirem as vendas transnacionais de produtos promocionais de alguns dos clubes de futebol mais conhecidos da Europa e de produtos da empresa Sanrio com personagens Hello Kitty. Em processos que envolveram grandes estúdios cinematográficos de Hollywood, estes comprometeram-se a eliminar as restrições que impediam a concorrência transfronteiras entre os organismos de radiodifusão televisiva por assinatura e propuseram compromissos que a Comissão tornou juridicamente vinculativos em março.

A Comissão continuou a desmantelar cartéis e a impor coimas elevadas às empresas envolvidas. Em março, aplicou coimas no montante de 368 milhões de euros a três empresas que fornecem cintos de segurança e outros equipamentos de segurança aos fabricantes europeus de automóveis e, dois meses mais tarde, impôs coimas no valor de mais de mil milhões de euros a cinco grandes bancos (Barclays, RBS, Citigroup, JPMorgan e MUFG) por participação num cartel no setor das operações cambiais à vista com divisas.

Além disso, a Comissão assegura que o apoio prestado pelos Estados-Membros às empresas não favorece injustamente algumas empresas em detrimento de outras. Em abril, a Comissão adotou uma decisão em matéria de auxílios estatais que obriga o Reino Unido a recuperar as vantagens fiscais seletivas concedidas pelas autoridades a empresas multinacionais por via de derrogações às disposições destinadas a combater a elisão fiscal praticada pelas empresas.

Este gráfico explica as conclusões da Comissão sobre uma parte do regime fiscal do Reino Unido.

Uma multinacional «X» com sede no Reino Unido transferiu capital para uma das suas filiais offshore que, por sua vez, fez um empréstimo a uma empresa do grupo estrangeiro dessa multinacional «X». Os juros gerados pelo empréstimo a favor da filial offshore não eram tributáveis pela administração fiscal do Reino Unido devido à isenção sobre o financiamento dos grupos, criando assim uma vantagem fiscal ilegal.

A política de concorrência pode também ajudar a União Europeia a conduzir uma política industrial moderna, como demonstra a ajuda pública de 3,2 mil milhões de euros proposta por sete Estados-Membros e aprovada pela Comissão para um projeto importante de interesse europeu comum (IPCEI) no domínio da investigação e inovação na produção de baterias. Trata-se do segundo grande investimento num IPCEI aprovado após a autorização, em dezembro de 2018, de uma verba de 1,7 mil milhões de euros para um projeto de microeletrónica que envolveu a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido.

Remover os obstáculos à livre circulação de bens e serviços

A União Europeia trabalhou no sentido de reforçar as regras em setores específicos, para permitir que as empresas vendam mais facilmente os seus bens e serviços além-fronteiras e a melhorar a segurança dos produtos no mercado da União Europeia.

Melhoria das regras nos setores químico e farmacêutico

Em junho, a Comissão publicou igualmente os resultados de um reexame da legislação da União Europeia sobre os produtos químicos. Nesse reexame, a Comissão concluiu que a harmonização e as normas comuns tornaram o mercado único dos produtos químicos mais forte e mais eficiente, garantindo ao mesmo tempo os níveis de proteção da saúde humana e do ambiente mais elevados do mundo. A União Europeia tomou também um conjunto de medidas para proteger os trabalhadores e os consumidores contra os produtos químicos nocivos, entre as quais 29 decisões de autorização, no âmbito do Regulamento REACH, que estabelecem condições para o uso de determinados produtos químicos, uma decisão de recusa de autorização, bem como uma restrição respeitante a um amplificador de fibra ótica dopada com túlio, substância que causa problemas respiratórios quando utilizada em nebulizações. Além disso, a diretiva relativa aos agentes cancerígenos e mutagénicos foi atualizada mediante a adição de cinco substâncias à lista de produtos químicos reconhecidos como cancerígenos no local de trabalho. Isto significa que a diretiva abrange agora 27 produtos químicos cancerígenos.

A União Europeia adotou igualmente novas regras para melhorar as condições de concorrência no setor farmacêutico. Estas medidas tornarão mais fácil para as empresas da União Europeia exportar medicamentos genéricos e biossimilares para países terceiros onde a proteção da propriedade intelectual expirou ou nunca existiu, preservando simultaneamente os sólidos direitos existentes na UE para incentivar a inovação e a investigação.

Um mercado único para os contratos públicos

A União Europeia dispõe de um mercado aberto de contratos públicos, o maior do mundo, com um valor estimado em 2 biliões de euros por ano. Dada a natureza cada vez mais global dos contratos públicos, a União está a adotar uma abordagem estratégica com o objetivo de garantir que todos os proponentes, nacionais e estrangeiros, cumprem as regras da União Europeia. Para o efeito, a Comissão publicou em julho orientações sobre a participação de proponentes estrangeiros no mercado da União.

Melhores serviços financeiros

No âmbito dos esforços para criar uma UMC mais profunda e mais integrada na Europa, a União Europeia adotou um regulamento revisto sobre os pagamentos transfronteiras, o qual assegura o alinhamento dos encargos de pagamentos transfronteiras em euros na União com os encargos dos pagamentos nacionais correspondentes efetuados na moeda do Estado-Membro em que o prestador de serviços de pagamento do utilizador desses mesmos serviços está situado. Tal permite que os consumidores e as empresas de países não pertencentes à área do euro efetuem transações transfronteiras em euros a baixo custo, tal como na área do euro. Assim, por exemplo, prevê-se que o preço de uma operação intra-UE em euros entre a Bulgária e a Finlândia diminua dos atuais 15 a 24 euros para cerca de 1 euro. O regulamento assegurará a transparência e comparabilidade das taxas de conversão cambial em caixas automáticas ou nos pontos de venda, permitindo aos consumidores poupar nas despesas de conversão quando viajam ou fazem compras no estrangeiro. Além disso, a União Europeia intensificou os seus esforços de apoio ao desenvolvimento e à disponibilidade de pagamentos transfronteiras instantâneos.

Este gráfico mostra a evolução do custo das transferências em euros tanto na área do euro como entre países pertencentes e não pertencentes à área do euro.

Antes de 15 de dezembro de 2019, o envio de dinheiro de um país da área do euro para um país não pertencente à área do euro representava encargos nulos ou reduzidos para o remetente e encargos elevados para o destinatário. Enviar dinheiro de um país não pertencente à área do euro para outro país não pertencente à área do euro ou para um país da área do euro também representava encargos elevados. Só as transferências na área do euro representavam encargos nulos ou reduzidos para ambas as partes. Desde 15 de dezembro de 2019, todas as transferências em euros, tanto na área do euro e na área não euro ou entre estas áreas estão sujeitas a encargos nulos ou reduzidos.

Garantir um sistema fiscal justo

A política fiscal da União Europeia visa apoiar a competitividade da União e estimular o investimento, o crescimento e o espírito empresarial no seu mercado único. A simplificação dos sistemas fiscais tornará mais fácil para as empresas operar transfronteiras e para os cidadãos trabalhar além-fronteiras. Além disso, a União pretende favorecer uma fiscalidade equitativa e socialmente justa, nomeadamente lutando contra os abusos fiscais no plano internacional e da União e travando a concorrência fiscal desleal no mercado único e para além dele.

A fim de combater a fraude fiscal e facilitar a cooperação administrativa para a cobrança de receitas ao nível nacional e da União, a Comissão lançou, em maio, o instrumento de análise da rede de operações, que fornece à rede de peritos antifraude da União Europeia acesso célere e fácil a informação sobre transações transfronteiras, o que conduzirá a uma reação rápida e coordenada sempre que seja detetada uma potencial fraude ao IVA. Em setembro, realizou-se a primeira sessão da Cimeira da Administração Fiscal da União Europeia, uma rede de cooperação que reúne os chefes das administrações fiscais dos Estados-Membros e a Comissão.

Para combater a fraude ao IVA relacionada com os veículos novos e os veículos em segunda mão, a Comissão adotou, em julho, medidas de execução que apoiam o intercâmbio automatizado de informações aduaneiras e de dados de registo de veículos entre as autoridades nacionais. A lista da União Europeia de jurisdições não cooperantes para efeitos fiscais, um instrumento comum que permite aos Estados-Membros combaterem os riscos externos de abuso fiscal e concorrência fiscal desleal, foi adotada em março. Em setembro, a Comissão publicou as avaliações de duas diretivas: a diretiva relativa à cooperação administrativa no domínio da fiscalidade e a diretiva relativa à tributação da energia.

Rumo a uma mobilidade laboral justa

A União Europeia está a desenvolver esforços com vista a reforçar a mobilidade laboral, estabelecendo para tal regras claras e justas, facilitando a cooperação entre os Estados-Membros e combatendo as causas dos abusos. Neste contexto, foi instituída em julho a Autoridade Europeia do Trabalho, que deu início às suas atividades em outubro. Este órgão tem como função ajudar a fazer cumprir as regras de mobilidade laboral em todos os Estados-Membros. Para tal, facilitará a prestação de informações aos cidadãos e às empresas sobre os seus direitos e obrigações quando vivem, trabalham ou exercem atividades noutro país, reforçará a cooperação entre as autoridades dos Estados-Membros e assegurará a mediação para encontrar soluções em caso de litígios transfronteiras. A Autoridade ficará sediada em Bratislava, Eslováquia, e deverá atingir a plena capacidade operacional em 2024.

Resumo das funções da Autoridade Europeia do Trabalho.

A Autoridade Europeia do Trabalho aplicará a legislação da União Europeia em matéria de mobilidade laboral de forma justa, simples e eficaz. Visa eliminar os obstáculos à mobilidade laboral, por exemplo, a falta de apoio a pessoas e empresas, as dificuldades de coordenação transfronteiras entre autoridades nacionais, a inexistência de atividades conjuntas de aplicação da legislação a nível transfronteiras e a falta de mediação entre os Estados-Membros em litígios transfronteiras. Tem igualmente por objetivo promover a mobilidade laboral através de um acesso mais fácil às informações sobre os direitos e as obrigações no domínio da mobilidade transfronteiras, do reforço da coordenação entre os Estados-Membros na aplicação transfronteiras do direito da União Europeia, de uma melhor cooperação entre os Estados-Membros para combater o trabalho não declarado, e da assistência às autoridades dos Estados-Membros na resolução de litígios transfronteiras. Fonte: Conselho da União Europeia. Direitos de Autor: União Europeia

Progressos em matéria de mobilidade segura, limpa e conectada

A mobilidade desempenha um papel importante na conexão e integração do mercado único. A União Europeia está a modernizar os sistemas de transportes europeus, o que permitirá aos cidadãos beneficiar de maior segurança rodoviária, de veículos menos poluentes e de melhores soluções tecnológicas, apoiando simultaneamente a competitividade da indústria dos transportes.

Em março, o Parlamento e o Conselho chegaram a acordo sobre o regulamento relativo à segurança geral revisto, que visa introduzir novas tecnologias de segurança obrigatórias em todos os veículos vendidos, matriculados ou postos em circulação de 2022 em diante. Tal permitirá reforçar a proteção dos cidadãos da União, reduzir o número de acidentes nas estradas e melhorar o quadro jurídico para a homologação de veículos automatizados e conectados. Em fevereiro, a Comissão preparou igualmente orientações sobre a homologação de veículos automatizados e, em junho, lançou uma plataforma da União Europeia para a coordenação de ensaios com veículos automatizados e conectados.

No início do ano, a União Europeia tomou medidas para avaliar a segurança das infraestruturas nas estradas principais, ajudar a direcionar melhor os investimentos e preparar o caminho para a condução autónoma em toda a União. A Comissão adotou igualmente novas regras harmonizadas relativas ao tráfego de drones, a fim de fazer face à sua proliferação em toda a Europa.

Este gráfico mostra como se poupará tempo graças à documentação eletrónica para os transportes.

Utilizar a nova documentação eletrónica para a movimentação das mercadorias na Europa permitirá que todos intervenientes poupem muito tempo. Atualmente, o tratamento das informações sobre o transporte de mercadorias requer cerca de 390 milhões de horas de trabalho por ano. No futuro, o intercâmbio eletrónico destas informações permitirá que as empresas poupem entre 75 e 102 milhões de horas de trabalho. Fonte: Comissão Europeia

Foram também adotadas várias medidas para reduzir os encargos administrativos no setor dos transportes. Em junho, a Agência Ferroviária da União Europeia emitiu a primeira autorização de veículo europeia, válida em vários países do continente. Foi ainda alcançado um acordo sobre uma proposta relativa a informações eletrónicas sobre o transporte de mercadorias, que permitirá economizar os milhões de horas anteriormente despendidos na gestão de documentos em papel.

Para melhorar a interoperabilidade dos sistemas de transporte, a Comissão adotou, em maio, um conjunto de medidas relativas à interoperabilidade ferroviária, à acessibilidade dos comboios e ao ruído ferroviário. A diretiva relativa aos sistemas eletrónicos de portagem entrou em vigor e irá reforçar a interoperabilidade das portagens eletrónicas, simplificar os procedimentos administrativos e reduzir a fraude.

Capítulo 5

Uma União Económica e Monetária mais aprofundada e mais equitativa

A União Europeia considera que o aprofundamento da UEM é uma prioridade, visto que se trata de um instrumento poderoso para criar mais postos de trabalho, reforçar o crescimento, o investimento e a equidade social, bem como a estabilidade e resiliência macroeconómicas.

Em junho, os Estados-Membros chegaram a um amplo acordo sobre várias medidas importantes, entre as quais a criação de um instrumento orçamental para a convergência e a competitividade na área do euro.

A proposta de revisão do Tratado que cria o Mecanismo Europeu de Estabilidade permitiria que o fundo de resgate constituísse um mecanismo de apoio financeiro do Fundo Único de Resolução, que se ocupa dos bancos em dificuldades.

A nova legislação adotada em abril para reduzir os riscos no setor bancário contribuirá para reforçar a União Bancária. Prosseguiram também os planos para criar um sistema comum de seguro de depósitos para os bancos da área do euro e a Comissão tomou medidas para assegurar uma concorrência leal no setor.

O Pilar Europeu dos Direitos Sociais contribuiu para pôr em destaque a equidade na UEM, com a adoção, em junho, de legislação para melhorar as condições de trabalho e a entrada em vigor, em agosto, de uma nova medida legislativa para promover a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar, bem como a utilização equilibrada, em termos de género, da licença parental.

A União Europeia tomou igualmente medidas para melhorar o acesso aos sistemas de proteção social e incentivar o empreendedorismo.

Aprofundamento da União Económica e Monetária

O aprofundamento da UEM é uma prioridade para a União Europeia, já que reforçaria a sua estabilidade económica, a sua resiliência e o seu potencial de crescimento.

Em junho, os Estados-Membros da área do euro deram mais um passo no sentido da consecução deste objetivo ao chegarem a acordo sobre as principais características de um instrumento orçamental para a área. Conhecido como o Instrumento Orçamental para a Convergência e a Competitividade, destina-se a apoiar as reformas estruturais e o investimento, com o objetivo de impulsionar o crescimento e aumentar a resiliência económica das economias da área do euro, bem como a sua capacidade de recuperação depois de choques. Em outubro, foram tomadas mais decisões sobre a forma como o instrumento irá funcionar. No contexto dos debates sobre o próximo orçamento de longo prazo da União Europeia, terá de se chegar a acordo quanto à sua dimensão.

Os Estados-Membros da área do euro acordaram igualmente em permitir que o Mecanismo Europeu de Estabilidade sirva de mecanismo de apoio financeiro que só seria ativado como seguro de último recurso em caso de resolução bancária. O mecanismo adotaria a forma de linha de crédito ou de garantias para o Fundo Único de Resolução, de modo que os contribuintes não fossem obrigados a pagar pela resolução de bancos em dificuldades. Os recursos utilizados pelo mecanismo de apoio seriam reembolsados, em última instância, através das contribuições do setor bancário europeu.

Resumo das iniciativas destinadas a reforçar o papel internacional do euro.

As iniciativas destinadas a reforçar o papel internacional do euro podem dividir-se em quatro domínios diferentes. O primeiro é a conclusão da União Económica e Monetária, a União Bancária e a União dos Mercados de Capitais. O segundo domínio abrange medidas para aprofundar o setor financeiro europeu, por exemplo, reforçar a liquidez e a resiliência da infraestrutura do mercado europeu; garantir um quadro fiável conducente a taxas de juro de referência sólidas; apoiar um sistema de pagamentos imediatos totalmente integrado na União Europeia e lançar uma consulta sobre a liquidez do euro nos mercados cambiais. O terceiro domínio abrange as iniciativas relacionadas com o setor financeiro internacional, por exemplo, apoiar a colaboração entre os bancos centrais para salvaguardar a estabilidade financeira mundial; aumentar a percentagem da dívida expressa em euros emitida por organismos europeus; fomentar a diplomacia económica para promover a utilização do euro nos pagamentos e como moeda de reserva; prestar assistência técnica para melhorar o acesso dos países em desenvolvimento ao sistema de pagamentos em euros. O quarto promove a utilização do euro em setores estratégicos fundamentais, como o da energia, com recomendações destinadas a promover uma utilização mais ampla do euro nos acordos e transações internacionais no domínio da energia e consulta sobre uma utilização mais ampla das transações em euros nos setores do petróleo, dos produtos refinados e do gás. Inclui ainda consultas sobre uma utilização mais ampla do euro no comércio de matérias-primas e de produtos alimentares e sobre a utilização mais ampla do euro pelos fabricantes do setor dos transportes (aéreos, marítimos e ferroviários). Fonte: Comissão Europeia Direitos de Autor: União Europeia

A União Europeia realizou grandes progressos no aprofundamento da UEM desde a crise financeira de 2008. Em junho, a Comissão publicou uma comunicação em que fez o ponto da situação sobre a evolução da posição da União Europeia desde a primeira apresentação da sua visão para uma UEM mais aprofundada no relatório dos cinco presidentes de 2015. De acordo com a comunicação, foram realizados progressos significativos no quadro da governação económica e na aplicação de melhores regras orçamentais, fazendo recair a tónica nas prioridades sociais, ao proporcionar mais oportunidades aos parceiros sociais para debater essas prioridades a todos os níveis. Além disso, o Conselho Orçamental Europeu (criado em 2015) tornou-se parte integrante do quadro orçamental da União Europeia, mediante as avaliações e o aconselhamento independentes que faculta à Comissão.

Foram também consolidados os elementos fundamentais da União Bancária e da União dos Mercados de Capitais, como o pacote bancário que visa reforçar a resiliência e a resolubilidade dos bancos da União Europeia, bem como uma proposta para um Sistema Europeu de Seguro de Depósitos. A Comissão apresentou o conjunto das propostas legislativas constantes do plano de ação para a UMC e uma revisão intercalar para estabelecer os principais alicerces dessa união. A Comissão propôs seis medidas legislativas que introduzem novas regras ao nível da União Europeia para os produtos, os rótulos e os passaportes, e cinco medidas legislativas que visam estabelecer regras mais simples, mais claras e mais proporcionadas para os empresários, as empresas e as instituições financeiras (ver capítulo 1).

A Comissão propôs igualmente duas medidas legislativas para assegurar uma supervisão mais integrada e eficiente dos mercados de capitais, que ocupa um lugar central na UMC e é necessária para uma maior integração financeira e uma maior partilha de riscos pelo setor privado. A Comissão adotou também três propostas legislativas destinadas a permitir que o setor financeiro assuma a liderança na transição para uma economia circular com impacto neutro no clima, mais eficiente e resiliente no que à utilização dos recursos diz respeito.

O Parlamento Europeu e o Conselho chegaram a um acordo político sobre quase todas estas propostas. No entanto, é necessário ir mais longe. O relatório da Comissão de junho apelou para novas melhorias em matéria de transparência e eficácia do quadro de coordenação das políticas da União Europeia e da sua dimensão social. Poderiam igualmente ser introduzidas alterações institucionais para reforçar a responsabilização democrática na União Europeia e o processo de tomada de decisões económicas na área do euro, bem como para integrar o Mecanismo Europeu de Estabilidade no quadro jurídico da União Europeia. Em caso de choques, os mecanismos de estabilização da área do euro seriam igualmente benéficos e poderiam incluir uma Função de Estabilização do Investimento e um regime comum de resseguro de desemprego.

Concluir a União Bancária

Os mercados bancários e de capitais da União Europeia são elementos vitais da sua UEM. Em conjunto, promovem um sistema financeiro mais integrado e estável na União Europeia. Os mercados aumentam a resiliência da UEM contra choques adversos e facilitam a partilha de riscos no setor privado no plano transfronteiriço, ao mesmo tempo que reduzem a necessidade de partilha pública dos riscos. Os trabalhos relativos a ambos os projetos prosseguiram ao longo do ano.

Em especial, registaram-se progressos significativos na redução dos riscos na União Bancária. A adoção do pacote bancário em abril constituiu um marco importante no reforço do setor bancário da União Europeia. O pacote define um conjunto abrangente de reformas que irão melhorar a resiliência e a resolubilidade dos bancos, além de incluir a proposta relativa ao Sistema Europeu de Seguro de Depósitos. Além disso, estabelece uma série de normas internacionais importantes e visa contribuir para a conclusão da agenda regulamentar pós-crise.

A Comissão tem colaborado com os Estados-Membros em causa para reduzir o elevado nível de créditos não produtivos, nomeadamente através do Semestre Europeu, e encontrar soluções abrangentes para lidar com os créditos malparados, em conformidade com as regras em matéria de auxílios estatais. As autoridades de supervisão dos Estados-Membros e os bancos também realizaram progressos consideráveis na redução dos seus níveis de dívida, na melhoria da qualidade das suas carteiras de empréstimos e no aumento da liquidez desde a crise.

O último relatório intercalar da Comissão revelou que o rácio de créditos não produtivos para todos os bancos da União Europeia continuou a diminuir para níveis anteriores à crise, tendo descido para 3,3 % no penúltimo trimestre de 2018. Em 2019, o Parlamento Europeu e o Conselho chegaram a acordo sobre novas regras para aplicar os requisitos de capital aos bancos com créditos não produtivos nos seus balanços. A reforma tem por objetivo garantir que os bancos reservam recursos próprios suficientes para os casos em que novos créditos deixem de ser produtivos, e criar incentivos adequados para evitar a acumulação de créditos não produtivos.

Um próximo passo importante na União Bancária e no aprofundamento da UEM consistirá em fazer avançar um sistema comum de garantia de depósitos para a área do euro.

O papel internacional do euro

Os esforços da União Europeia para promover a utilização internacional do euro estão estreitamente ligados ao aprofundamento da UEM. Um setor financeiro e uma UEM mais fortes e robustos tornariam o euro numa moeda internacional mais atrativa e uma moeda do euro mais importante à escala mundial reforçaria o sistema financeiro da Europa. A área do euro está também a crescer na União Europeia, visto que a Croácia e a Bulgária decidiram iniciar os preparativos para aderir ao Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio (MTC II), como primeiro passo para a adesão à área do euro.

Uma maior utilização internacional do euro teria também muitos benefícios para as empresas, os consumidores e os governos europeus, tais como menores custos comerciais, taxas de juro mais baixas, melhor acesso ao financiamento, maior autonomia jurídica e um sistema financeiro mais resiliente e menos vulnerável a choques cambiais.

Balony z flagami Unii Europejskiej i znakami waluty euro wypuszczane podczas ceremonii

Unia Europejska obchodzi rocznicę wprowadzenia wspólnej waluty #EUROat20 w 2019 r. Na zdjęciu balony wypuszczane przed budynkiem Rady Europejskiej po ceremonii upamiętniającej pierwsze ustalenie kursu wymiany między euro a walutami państw członkowskich, które utworzyły strefę euro, Bruksela, Belgia, 31 grudnia 1998 r.

Em 2019, a Comissão Europeia realizou uma ampla consulta dos representantes dos mercados cambiais e dos setores da energia, das matérias-primas, da agricultura e dos transportes. Estas consultas confirmaram que existe um amplo apoio à maior utilização internacional do euro e que o euro é a única moeda internacional que serve de alternativa viável ao dólar norte-americano. As partes consultadas concordaram também em que havia potencial para realizar mais transações em euros, em especial nos mercados de produtos energéticos e de gás natural, e a Comissão afirmou-se disposta a trabalhar para suprimir os obstáculos identificados.

Este gráfico mostra a utilização do euro à escala mundial.

O euro traz muitas vantagens à economia, pois tem um historial sólido de estabilidade dos preços e oferece um ambiente empresarial previsível. É a segunda moeda mais utilizada no mundo. Por isso, 60 países e territórios de fora da União Europeia (onde vivem, no total, 175 milhões de pessoas) indexaram, direta ou indiretamente, as suas moedas ao euro. Fonte: Comissão Europeia

A União Europeia realizou igualmente progressos no que diz respeito às medidas de apoio à utilização do euro, incluindo alterações regulamentares destinadas a aumentar a resiliência e a liquidez das infraestruturas dos mercados financeiros, o aumento da fiabilidade das taxas de juro de referência e a promoção da utilização de pagamentos instantâneos.

Igualdade de oportunidades e concorrência leal

Uma UEM aprofundada e equitativa tem como fundamento a igualdade de oportunidades e a concorrência leal. Para melhorar a igualdade de oportunidades, a União Europeia adotou em junho a diretiva relativa à reestruturação e à segunda oportunidade, a fim de permitir que as empresas viáveis em dificuldades sejam salvas e de conceder uma segunda oportunidade a empresários idóneos em situação de falência.

A nova diretiva facilitará o acesso das empresas viáveis com dificuldades financeiras a regimes de reestruturação preventiva numa fase precoce para evitar situações de insolvência, ajudar as empresas a prosseguir a sua atividade e a preservar os postos de trabalho.

Ao abrigo das novas regras, a União Europeia concede uma segunda oportunidade a empresários idóneos em situação de falência, dando-lhes acesso à exoneração total do passivo depois de um período máximo de três anos, com isenções justificadas a fim de evitar abusos.

As regras aumentarão também a eficiência dos processos de insolvência, reestruturação e quitação de dívidas, mediante a redução da duração e dos custos processuais excessivos em muitos Estados-Membros.

As regras contribuirão para eliminar importantes obstáculos ao desenvolvimento dos mercados de capitais, proporcionando mais segurança jurídica aos investidores transnacionais e às empresas que operam na União Europeia.

A União Europeia está sempre vigilante para assegurar as condições de concorrência leal no setor bancário e o ano de 2019 não foi exceção. Embora o setor tenha recuperado, em grande medida, desde a crise, subsistem zonas de vulnerabilidade: os bancos em alguns Estados-Membros continuam a ter de suportar um volume elevado de créditos não produtivos. A Comissão continuou a ajudar os bancos em fase de reestruturação e que enfrentam restrições temporárias de liquidez ou problemas estruturais, sem distorcer indevidamente a concorrência. Por exemplo, os bancos da Eslovénia concluíram o processo de reestruturação que tinham começado em 2012/2013. A Eslovénia privatizou 75 % do banco NLB e 100 % do Abanka, duas antigas entidades mutuantes em dificuldade. Os bancos italianos tomaram novas medidas para reduzir o volume de crédito malparado. A aplicação de um mecanismo de garantia foi fundamental para permitir aos bancos reduzir o volume de crédito malparado em condições de mercado. Também em Itália, a Comissão aprovou o apoio para cobrir as necessidades temporárias de liquidez até três mil milhões de euros para a Carige, um banco regional de média dimensão no noroeste do país.

Uma explicação dos créditos não produtivos e do seu impacto negativo.

O que são créditos não produtivos? Um empréstimo é classificado como não produtivo quando um mutuário não consegue efetuar os pagamentos agendados para cobrir os juros ou os reembolsos de capital 90 dias ou mais em relação à sua data de vencimento ou ainda está a reembolsar o crédito mas é pouco provável que o faça num futuro próximo. Por que motivo é necessário resolver este problema? Para reduzir os riscos para a estabilidade dos bancos e o sistema financeiro no seu conjunto, para que os bancos possam conceder mais crédito às famílias e às empresas e para incentivar o crescimento económico disponibilizando fundos a empresas viáveis.

Maior equidade social na União Económica e Monetária

O Pilar Europeu dos Direitos Sociais tornou-se parte integrante do Semestre Europeu, o ciclo anual de coordenação da política económica e social da União Europeia. Com a ajuda do pilar, foram promovidas numerosas medidas de política social em matéria de conciliação entre a vida profissional e a vida familiar, de condições de trabalho transparentes e previsíveis e de uma mobilidade transfronteiriça justa. O pilar consagra um conjunto de 20 princípios de política social orientados para o futuro que os Estados-Membros acordaram.

Um novo começo para apoiar a conciliação da vida profissional e familiar dos progenitores e cuidadores

A diretiva relativa à conciliação entre a vida profissional e a vida familiar foi adotada em junho e incentiva uma partilha mais equitativa das responsabilidades familiares entre homens e mulheres. A diretiva estabelece requisitos mínimos para os Estados-Membros e confere a cada progenitor o direito a pelo menos quatro meses de licença parental, dois meses dos quais não podem ser transferidos de um progenitor para outro e ambos devem ser compensados a um nível adequado estabelecido pelos Estados-Membros. A diretiva introduz também o direito a uma licença de paternidade de pelo menos dez dias após o nascimento de um filho, remunerada pelo menos ao mesmo nível que a baixa por doença. Por outro lado, a nova legislação reconhece aos cuidadores trabalhadores o direito de usufruírem de cinco dias por ano para cuidar dos familiares. Além disso, todos os pais trabalhadores de crianças com idade, no mínimo, até oito anos têm o direito de solicitar regimes de trabalho flexíveis (horário de trabalho reduzido, horário de trabalho flexível e flexibilidade no local de trabalho). Estas novas regras visam aumentar a participação das mulheres no mercado de trabalho e melhorar a igualdade entre homens e mulheres.

Resumo da evolução positiva da conciliação da vida profissional e familiar de progenitores e cuidadores.

A nova diretiva sobre a conciliação da vida profissional e familiar dará, pelo menos, 10 dias de licença de paternidade a todos os pais trabalhadores na altura do nascimento do filho e, pelo menos, quatro meses de licença parental a cada um dos progenitores, dos quais dois meses não são transferíveis. Os progenitores podem também gozar a licença parental de forma mais flexível. Por último, todos os trabalhadores terão direito a, pelo menos, cinco dias de licença de cuidador por ano. Fonte: Comissão Europeia

Novos direitos para mais trabalhadores

Em junho, foi também adotada a diretiva relativa a condições de trabalho transparentes e previsíveis. Tem por objetivo alargar e modernizar as obrigações existentes de informar todos os trabalhadores, incluindo os trabalhadores em formas atípicas de emprego, das suas condições de trabalho. A diretiva introduz também uma série de novos direitos mínimos, por exemplo, um limite da duração dos períodos de estágio no início de um emprego. Os Estados-Membros têm até meados de 2022 para transpor as novas regras para a respetiva legislação nacional.

Melhor acesso à proteção social para todos os trabalhadores

Os Estados-Membros comprometeram-se a garantir que todos os trabalhadores têm acesso efetivo à proteção social, independentemente do seu estatuto profissional. Em novembro, o Conselho adotou uma recomendação para ajudar os Estados-Membros a colmatar as lacunas que afetam os trabalhadores atípicos e os trabalhadores por conta própria e a fazer face aos desafios que a rápida digitalização do mundo do trabalho implica.

Este gráfico mostra como o acesso à proteção social dos trabalhadores por conta de outrem e por conta própria melhorou.

O mundo do trabalho está a mudar. 40 % das pessoas empregadas são trabalhadores com contratos atípicos (que não trabalham com um vínculo convencional de emprego a tempo inteiro ou com um contrato por tempo indeterminado) ou trabalham por conta própria. O trabalhador médio europeu terá 10 empregos diferentes ao longo da sua carreira e as novas formas de trabalho são cada vez mais numerosas. Os sistemas de segurança social têm de se adaptar; estes sistemas não se adequam geralmente às pessoas que trabalham por conta própria ou com formas atípicas de emprego, o que as deixa sem uma proteção suficiente. Por exemplo, nem todos os trabalhadores têm direito a contribuir e participar em todos os regimes de segurança social. Entre os obstáculos ao acesso às prestações, contam-se os seguintes: em 13 Estados-Membros, alguns trabalhadores com contratos atípicos não têm acesso a regimes de pensões; em 10 Estados-Membros, os trabalhadores por conta própria não estão cobertos em caso de acidentes de trabalho e, em nove Estados-Membros, é exigido um período mínimo de trabalho aos trabalhadores por conta própria. As novas orientações da União Europeia pretendem melhorar esta situação e alargar a cobertura a todas as pessoas que trabalham por conta de outrem ou por conta própria às prestações de desemprego, às prestações por doença e cuidados de saúde, às prestações por maternidade e por paternidade, às prestações de invalidez, às prestações de velhice e às prestações relativas a acidentes de trabalho ou doenças profissionais. As orientações eliminarão os obstáculos ao acesso às prestações, contribuindo para preservar, acumular e/ou transferir direitos, assegurando um nível de proteção adequado e fornecendo informações transparentes sobre os direitos e deveres de cada um em matéria de segurança social. Alguns Estados-Membros estão já a tomar medidas para alargar a cobertura. Na Eslovénia, todas as formas de trabalho estão agora incluídas nos sistemas de segurança social e, na Dinamarca, os trabalhadores com contratos atípicos e os trabalhadores por conta própria estão integrados no regime geral de seguro de desemprego.

O ano em imagens

Jacinda Ardern i Jean-Claude Juncker przy mównicach podczas konferencji prasowej

Jacinda Ardern, premier Nowej Zelandii, spotyka się z Jeanem-Claude’em Junckerem, przewodniczącym Komisji Europejskiej, Bruksela, Belgia, 25 stycznia 2019 r.

Greta Thunberg trzyma baner „Szkolny strajk na rzecz klimatu” na czele marszu

Greta Thunberg uczestniczy w strajku szkolnym na rzecz klimatu, Bruksela, Belgia, 21 lutego 2019 r.

Jean-Claude Juncker, Xi Jinping, Emmanuel Macron i Angela Merkel pozują do zdjęcia

Jean-Claude Juncker, przewodniczący Komisji Europejskiej, Xi Jinping, prezydent Chin, Emmanuel Macron, prezydent Francji, i Angela Merkel, kanclerz Niemiec, na spotkaniu poświęconym globalnemu rządzeniu, Paryż, Francja, 26 marca 2019 r.

Paul Kagame i Jean-Claude Juncker z płonącymi pochodniami przed pomnikiem

Paul Kagame, prezydent Rwandy, spotyka się z Jeanem-Claude’em Junckerem, przewodniczącym Komisji Europejskiej, aby upamiętnić ludobójstwo w Rwandzie, Kigali, Rwanda, 8 kwietnia 2019 r.

Plakat ze zdjęciami osób występujących w serii filmów wideo

Plakat promujący serię filmów wideo „Dzień z życia” w ramach kampanii #EUandMe wyjaśniającej, w jaki sposób UE przyczynia się do poprawy życia młodych ludzi.

Stary plakat promujący wybory do Parlamentu Europejskiego w 1984 r.

Historyczne plakaty w Berlaymont, siedzibie Komisji Europejskiej, podczas Dnia Otwartych Drzwi, Bruksela, Belgia, 4 maja 2019 r.

Unia Europejska i lokalni eksperci do spraw pożarów oceniają szkody spowodowane przez pożary lasów

Eksperci ds. pożarów z unijnego zespołu ds. ochrony ludności doradzają lokalnym strażakom w Gwatemali, po tym, jak państwo to zwróciło się o pomoc za pośrednictwem Unijnego Mechanizmu Ochrony Ludności w związku z przedłużającymi się pożarami lasów, Petén, Gwatemala, 24 maja 2019 r.

Przechodzień mija duże drukowane litery z pianki ułożone w słowo „głosuj” z flagą Unii Europejskiej

Instalacja na dworcu kolejowym Brussels–Luxembourg w Brukseli promuje kampanię UE „Tym razem głosuję”, zachęcającą do udziału w wyborach do Parlamentu Europejskiego, Bruksela, Belgia, 24 maja 2019 r.

Dwie flagi Unii Europejskiej opuszczone do połowy masztu

Unijne flagi przy budynku Berlaymont, siedzibie Komisji Europejskiej, opuszczone do połowy masztu po śmierci byłego prezydenta Francji, Jacques’a Chiraca, Bruksela, Belgia, 30 września 2019 r.

Filippo Grandi przemawia z mównicy

Filippo Grandi, Wysoki Komisarz Narodów Zjednoczonych ds. Uchodźców, na międzynarodowej konferencji solidarnościowej poświęconej wenezuelskiemu kryzysowi uchodźczo-migracyjnemu, Bruksela, Belgia, 29 października 2019 r.

Kawałek muru berlińskiego zatopiony w szkle

Fragment muru berlińskiego przedstawiający prezydenta USA Kennedy’ego przed budynkiem Berlaymont, siedzibą Komisji Europejskiej, w przededniu 30. rocznicy upadku muru berlińskiego, Bruksela, Belgia, 29 października 2019 r.

Nowe kolegium komisarzy na schodach

Pierwsze wspólne zdjęcie nowej Komisji Europejskiej po jej zatwierdzeniu przez Parlament Europejski, Bruksela, Belgia, 27 listopada 2019 r.

Jean-Claude Juncker żegna się z mównicy

Jean-Claude Juncker podczas swojej ostatniej konferencji prasowej w charakterze przewodniczącego Komisji Europejskiej, Bruksela, Belgia, 29 listopada 2019 r.

Ursula von der Leyen otrzymuje lampion od dziecka

Ursula von der Leyen, przewodnicząca Komisji Europejskiej, otrzymuje bożonarodzeniowe „światło pokoju”, Bruksela, Belgia, 11 grudnia 2019 r.

Christine Lagarde, Ursula von der Leyen, Charles Michel i David Sassoli trzymają urzędowy dokument

Czterech przewodniczących instytucji. Christine Lagarde, prezes Europejskiego Banku Centralnego, Ursula von der Leyen, przewodnicząca Komisji Europejskiej, Charles Michel, przewodniczący Rady Europejskiej, oraz David Sassoli, przewodniczący Parlamentu Europejskiego, z kopią Traktatu z Lizbony z okazji dziesiątej rocznicy jego wejścia w życie, Strasburg, Francja, 17 grudnia 2019 r.

Jewher Ilham trzyma zdjęcie ojca, podczas gdy David Sassoli przyznaje jej ojcu Nagrodę im. Sacharowa

Jewher Ilham przyjmuje Nagrodę im. Sacharowa za wolność myśli w 2019 r. w imieniu swojego więzionego ojca, Ilhama Tohtiego, ujgurskiego uczonego walczącego o prawa muzułmańskiej mniejszości Ujgurów w Chinach, Strasburg, Francja, 18 grudnia 2019 r.

Capítulo 6

Uma política comercial equilibrada e progressiva para tirar partido da globalização

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A União Europeia consolidou a sua posição de vanguarda como potência comercial em 2019 e mantém-se uma das economias mais abertas do mundo, com um programa ambicioso de negociações comerciais que visa abrir mercados em todo o mundo e criar condições de concorrência equitativas para as empresas da União Europeia. A economia europeia depende do comércio: cada 1 000 milhões de euros de exportações corresponde a 14 000 postos de trabalho na Europa. A abertura, conjugada com normas elevadas, continua a ser a melhor forma de conseguir que a globalização beneficie todos os cidadãos europeus.

A União Europeia está empenhada num sistema de comércio multilateral assente em regras como base para a prosperidade. Continuou a desempenhar um papel de relevo na Organização Mundial do Comércio (OMC), instância que defende, tendo proposto ideias para a sua reforma. Em caso de infração das regras do comércio mundial ou de práticas comerciais desleais, a União Europeia defende as empresas, os trabalhadores e os cidadãos europeus.

A União Europeia protegeu os seus interesses perante as tendências protecionistas e os obstáculos que cada vez mais se colocam ao comércio. Entraram em vigor regras mais rigorosas e eficazes em matéria de defesa comercial. A União Europeia estabeleceu também um novo quadro para o escrutínio dos investimentos estratégicos externos.

A União Europeia celebrou acordos comerciais com 72 países de todo o mundo, que representam 40 % do produto interno bruto mundial. Em 2019, chegou a um novo acordo com o bloco comercial americano do Mercosul, assinou um acordo com o Vietname e o acordo comercial com o Japão entrou em vigor. Foi celebrado um acordo com a China sobre a proteção das indicações geográficas. A União Europeia realizou igualmente progressos significativos noutras negociações comerciais, nomeadamente com a Austrália, o Chile e a Nova Zelândia.

Defender as regras multilaterais

A política comercial deve ser eficaz e transparente e assentar em valores. Os princípios fundamentais da estratégia Comércio para Todos, de 2015, continuaram a orientar a abordagem adotada em 2019: a abertura, conjugada com normas elevadas, continua a ser a melhor forma de conseguir que a globalização seja profícua.

Resumo da política comercial da União Europeia e do seu impacto no emprego e no crescimento.

A política comercial da União Europeia conta com uma rede de 41 acordos comerciais com 72 países, 15 dos quais celebraram acordos comerciais com a União Europeia que estão em vigor desde 2014. Graças a estes acordos comerciais, as exportações da União Europeia aumentaram 15 % entre 2014 e 2018. O comércio com países terceiros apoia 36 milhões de postos de trabalho na União Europeia — mais 5 milhões do que em 2014. A eliminação de obstáculos comerciais trouxe oportunidades de exportação adicionais num valor de 6,1 mil milhões de euros. Em 2018 — o primeiro ano completo de aplicação do Acordo entre a União Europeia e o Canadá — as exportações de mercadorias da União Europeia para o Canadá aumentaram 10 %. Fonte: Eurostat.

Os desafios ao sistema de comércio multilateral assente em regras, apoiado pela OMC, redobraram em 2019. O aumento do nacionalismo e do protecionismo desencadeou a multiplicação de medidas unilaterais, bem como a ameaça de um sistema de comércio mundial assente na força, e não na equidade. Com base nas suas iniciativas de 2018, a União Europeia apresentou propostas à OMC para melhorar a transparência e resolver de forma mais eficiente os problemas dos Estados-Membros no que se refere a práticas comerciais específicas.

A União Europeia colaborou com os principais parceiros comerciais para aperfeiçoar as regras em matéria de subvenções e transferências forçadas de tecnologia. Para defender o sistema de resolução de litígios da OMC, apresentou propostas para desbloquear as nomeações pendentes para o Órgão de Recurso. O órgão deixou de ter quórum, uma vez que os mandatos de dois dos três últimos membros chegaram ao seu termo em dezembro, pelo que é impossível apreciar recursos nos processos de litígio. A Comissão Europeia reagiu a este impasse com a proposta de alteração do regulamento da União Europeia relativo ao cumprimento das regras do comércio internacional, a fim de poder agir com determinação para proteger os seus interesses se os parceiros comerciais impedirem a resolução eficaz de litígios. Com base nas regras da OMC em vigor, a União Europeia celebrou também um acordo provisório em matéria de arbitragem com o Canadá e a Noruega para preservar um sistema de resolução de litígios vinculativo e o direito de recurso em litígios que os envolvam, dada a situação de bloqueio do Órgão de Recurso.

Uma Europa que protege

Quando as intervenções diplomáticas falham, a União Europeia não hesita em desencadear o mecanismo de resolução de litígios da OMC para fazer valer os seus direitos e tirar o máximo partido das vantagens de ser membro da organização, para defender as empresas, os trabalhadores e os agricultores europeus. Em 2019, a União Europeia iniciou procedimentos contra a Turquia relacionados com os produtos farmacêuticos, contra a Índia devido ao tratamento dos produtos das tecnologias da informação e da comunicação, contra os Estados Unidos no que se refere às medidas anti-dumping e aos direitos de compensação aplicáveis às azeitonas espanholas e contra a Colômbia por causa das medidas anti-dumping em relação às batatas fritas congeladas provenientes da Bélgica, da Alemanha e dos Países Baixos.

A União Europeia também utilizou os seus acordos bilaterais para resolver litígios, tendo dado início a um processo contra a Coreia do Sul para defender as normas laborais fundamentais, contra a Ucrânia sobre a proibição de exportação de madeira e contra a União Aduaneira da África Austral devido às restrições impostas em matéria de importações de aves de capoeira.

Em consonância com as regras da OMC e a legislação da União Europeia, foram iniciados 15 novos inquéritos e instituídas sete novas medidas de defesa comercial contra as importações objeto de dumping e de subvenções, entre as quais medidas sobre as importações de bicicletas elétricas provenientes da China e de biodiesel proveniente da Argentina e da Indonésia. A União Europeia também iniciou seis novos inquéritos de reexame e renovou 16 medidas em vigor por um novo período de cinco anos.

Em 2019, a União Europeia instituiu medidas de salvaguarda definitivas sobre as importações de 26 categorias de produtos siderúrgicos em resposta ao potencial desvio para a União Europeia dos fluxos comerciais desses produtos provenientes de outros países, em consequência dos direitos de importação adicionais aplicados pelos Estados Unidos. Procedeu à sua revisão no final do verão, para as adaptar à situação mais recente.

A União Europeia defendeu também as indústrias europeias quando países terceiros abriram inquéritos de defesa comercial contra as suas exportações. Entre vários exemplos contam-se o inquérito de salvaguarda da Turquia sobre as importações de pneus, o inquérito anti-dumping da Índia sobre as importações de papel revestido e as medidas da Colômbia sobre as importações de batatas fritas congeladas.

Em março, a OMC confirmou que, em 2020, a União Europeia poderia aplicar medidas de retaliação no âmbito do litígio comercial com os Estados Unidos sobre as subvenções concedidas ao fabricante de aeronaves Boeing. Os Estados Unidos não tinham dado cumprimento a anteriores decisões sobre as subvenções ilegais à empresa, causando danos significativos à Airbus, o seu concorrente europeu. Em outubro, num litígio comercial paralelo, a OMC autorizou os Estados Unidos a aplicar direitos de retaliação no caso da Airbus. Os Estados Unidos aplicaram direitos de importação adicionais a diversos produtos provenientes dos Estados-Membros. A União Europeia continua determinada a chegar a acordo com os Estados Unidos para encontrar uma solução equilibrada e negociada para esta questão.

A Comissão concluiu a alteração dos procedimentos de defesa comercial para os adaptar à versão modernizada da legislação anti-dumping e antissubvenções, que entrou em vigor em 2018 e 2017. Colmatou ainda uma lacuna, de modo que, do outono de 2019 em diante, pôde aplicar medidas de defesa comercial às mercadorias (por exemplo, condutas submarinas) importadas na plataforma continental ou na zona económica exclusiva dos Estados-Membros. A Comissão intensificou a luta contra a evasão às medidas de defesa comercial e, neste contexto, iniciou inquéritos sobre as exportações chinesas de produtos de aço resistentes à corrosão, persulfatos e artigos para serviço de mesa ou de cozinha, de cerâmica, tendo instituído medidas sobre as importações deste último produto.

Em abril, entrou em vigor um novo regulamento relativo ao primeiro quadro de análise dos investimentos diretos estrangeiros na União Europeia, que, de outubro de 2020 em diante, permitirá aos Estados-Membros e à Comissão identificar e resolver os problemas de segurança relacionados com investimentos específicos provenientes de países terceiros.

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Os instrumentos de defesa comercial da União Europeia protegem 360 000 postos de trabalho na Europa.

Os direitos de propriedade intelectual são importantes para o crescimento económico e cruciais para que a União Europeia salvaguarde a sua capacidade de estimular a inovação e manter a competitividade à escala mundial. A União Europeia redobrou os esforços para proteger e fazer cumprir esses direitos no plano internacional, nomeadamente através da realização de programas de cooperação com a China, o Sudeste Asiático e a América Latina e do lançamento de um novo projeto de assistência a África. Promoveu também diálogos com países prioritários como a China, a Tailândia, a Turquia e a Ucrânia. No âmbito dos trabalhos sobre a lista de vigilância da contrafação e da pirataria, a Comissão intensificou a cooperação com o Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia, a Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol) e a Agência da União Europeia para a Cooperação Judiciária Penal e manteve conversações regulares com as empresas da União.

O aumento do protecionismo implicou o recrudescimento de obstáculos com que se confrontam estas empresas no âmbito do comércio internacional. O relatório anual sobre os obstáculos ao comércio e ao investimento confirmou que a estratégia de acesso ao mercado da União Europeia era eficaz neste contexto.

Resumo dos obstáculos ao comércio e ao investimento com que se deparam os exportadores da União Europeia

Os exportadores da União Europeia enfrentam 425 obstáculos comerciais em 59 países; só em 2018, surgiram mais 45 obstáculos. Nesse mesmo ano, foram eliminados 35 obstáculos (no total, foram eliminados 123 durante o mandato da Comissão Juncker). A eliminação dos obstáculos entre 2014 e 2017 permitiu que as empresas da União Europeia realizassem exportações adicionais num valor de 6 mil milhões de euros em 2018. Fonte: Comissão Europeia, «Relatório da Comissão ao Parlamento Europeu e ao Conselho sobre as Barreiras ao Comércio e ao Investimento: 1 de janeiro de 2018 - 31 de dezembro de 2018», junho de 2019.

Ao longo do ano, a União Europeia prosseguiu as conversações trilaterais com o Japão e os Estados Unidos sobre aspetos essenciais do comércio mundial, entre os quais a forma de propiciar condições equitativas para os comerciantes, através de novas regras multilaterais no que se refere a subvenções industriais e à transferência forçada de tecnologias.

Enquanto membro fundador da Aliança para o Comércio sem Tortura, criada em 2017, a União Europeia continuou a adotar uma posição clara sobre as mercadorias utilizadas para aplicar a pena de morte e infligir tortura. No seguimento do compromisso adotado pela aliança em 2018 a favor de uma resolução das Nações Unidas sobre esta questão, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, em junho, uma resolução com o objetivo de abolir o comércio de equipamentos utilizados para infligir tortura.

Uma política comercial orientada para o futuro

Os acordos comerciais da União Europeia pretendem não só abrir novos mercados, mas também assegurar que o comércio é vantajoso para todos. Estes acordos respeitam as normas da União em matéria de ambiente, segurança alimentar e direitos dos trabalhadores e dos consumidores e ajudam os países parceiros a cumprir as suas obrigações internacionais. Por exemplo, estabeleceram-se programas de reforço das capacidades e de sensibilização no valor de 9 milhões de euros para ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar os desafios laborais e ambientais ao longo de cadeias de abastecimento responsáveis, tanto na Ásia como na América Latina.

A União Europeia desempenhou um papel de relevo nos debates das Nações Unidas sobre a reforma das modalidades de resolução de litígios entre investidores e países. Em janeiro, apresentou à Comissão das Nações Unidas para o Direito Comercial Internacional a proposta de criação de um tribunal multilateral para a resolução desses litígios, o que representa uma inovação importante na governação mundial.

Em setembro, a Comissão Europeia organizou uma conferência de alto nível em Bruxelas sobre a emancipação das mulheres através do comércio.

Um processo de negociação transparente e inclusivo

A transparência e o diálogo com o público continuam a ser aspetos indispensáveis da política comercial da União Europeia para assegurar um processo democrático, a confiança do público e a responsabilização. Devem respeitar-se antes, durante e após as negociações, bem como no contexto da aplicação dos acordos.

Este gráfico mostra o aumento da transparência nas negociações comerciais da União Europeia desde 2016.

Em 2019, realizaram-se 24 reuniões com a sociedade civil (associações de beneficência, organizações de cidadãos, grupos de empresas, etc.) e 14 reuniões oficiais com a Comissão do Comércio Internacional do Parlamento Europeu, para a promoção de um diálogo aberto sobre comércio. O número de propostas de textos de negociação aumentou de 11 em 2016 para 48 em 2017, atingiu um pico de 177 em 2018 e voltou a diminuir para 42 em 2019. O número de relatórios de rondas de negociações aumentou de forma constante, passando de 11 em 2016 para 16 em 2017, 18 em 2018 e 19 em 2019. O número de fichas informativas registou um aumento acentuado, passando de seis em 2016 para 93 em 2017, atingiu um máximo de 103 em 2018 e voltou a cair para 17 em 2019.

A Comissão continuou a publicar relatórios das rondas de negociação, posições escritas e propostas de textos a incluir nos acordos comerciais que está a negociar. Publicou igualmente o terceiro relatório anual em que avalia de forma exaustiva a aplicação dos acordos comerciais da União Europeia. Permitiu, assim, às partes interessadas, à sociedade civil e a outras instituições da União Europeia analisar a forma como se aplicam os acordos e tirar ensinamentos para as negociações comerciais em curso e futuras.

Este gráfico mostra o alcance do diálogo com a sociedade civil sobre a política comercial da União Europeia.

A Comissão trabalha com 529 organizações da sociedade civil registadas através de um quadro permanente específico de diálogo com a sociedade civil. Em 2019, mais de 1 000 pessoas participaram em 24 encontros de diálogo com a sociedade civil e Cecilia Malmström, a comissária da União Europeia responsável pelo comércio, realizou dois Diálogos com os Cidadãos em Estados-Membros.

O grupo de peritos sobre acordos comerciais reuniu-se seis vezes em 2019 para debater temas como o comércio eletrónico, a reforma da OMC e a aplicação dos acordos comerciais. Composto por 28 organizações que representam empresas, sindicatos, consumidores e organismos de proteção do ambiente, o grupo tem por objetivo promover o diálogo e recolher os pontos de vista de um vasto leque de partes interessadas.

O Acordo Comercial UE-Mercosul

Em junho, a União Europeia conseguiu o acordo político sobre um acordo comercial abrangente com o Mercosul, que inclui a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai.

Resumo do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul é importante porque ambas as partes assumem um compromisso inequívoco no sentido de um comércio internacional aberto e baseado em regras. O acordo eliminará mais de 4 mil milhões de euros de direitos de importação do Mercosul e dará aos países que o integram um melhor acesso ao mercado da União Europeia. Consolidará e apoiará ainda as reformas económicas internas nos países do Mercosul, consagrando os mais elevados padrões em matéria de segurança alimentar e defesa dos consumidores. Sublinha o direito de basear as normas ambientais no princípio da precaução e contém compromissos juridicamente vinculativos em matéria de direitos laborais e de proteção do ambiente, incluindo a aplicação efetiva do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas. O Acordo Comercial com o Mercosul irá proteger mais de 350 especialidades europeias tradicionais contra as imitações. Garantirá também a eliminação de direitos aduaneiros sobre as importações de produtos da União Europeia, por exemplo, veículos automóveis (direito atual: 35 %), produtos farmacêuticos (até 14 %), vestuário (35 %), calçado de couro (35 %), vinho (27 %) e chocolates (20 %). Fonte: Comissão Europeia

Como parte do Acordo de Associação mais amplo entre os dois blocos, o novo acordo irá consolidar as estreitas relações políticas e económicas recíprocas e criar um mercado de 780 milhões de pessoas. A União Europeia é o mais importante parceiro do Mercosul, e conseguiu negociar o primeiro acordo comercial abrangente com este vasto mercado regional.

Quando entrar em vigor, o acordo permitirá reduzir direitos aduaneiros, aumentar as oportunidades de negócio, alargar a escolha dos consumidores, reduzir a burocracia, estimular o crescimento e a competitividade, promover valores comuns como o desenvolvimento sustentável e criar emprego. Promoverá ainda normas laborais e ambientais rigorosas. Além disso, a União Europeia e o Mercosul comprometeram-se a aplicar efetivamente o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas.

Acordo de Parceria Económica com o Japão

Em 1 de fevereiro de 2019, entrou em vigor o Acordo de Parceria Económica entre a União Europeia e o Japão, assinado em julho de 2018, que cria uma zona de comércio livre abrangendo mais de 570 milhões de pessoas. Elimina a quase totalidade dos 1 000 milhões de euros anuais em direitos de importação japoneses pagos pelas empresas da União que exportam para o Japão, bem como vários obstáculos regulamentares de longa data.

Shinzō Abe, primeiro-ministro do Japão, e Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, no Fórum UE-Ásia sobre a Conectividade que decorreu em Bruxelas, Bélgica, em 27 de setembro de 2019.

Shinzō Abe, primeiro-ministro do Japão, e Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, no Fórum UE-Ásia sobre a Conectividade que decorreu em Bruxelas, Bélgica, em 27 de setembro de 2019.

O acordo aumenta as exportações da União, cria novas oportunidades para as empresas europeias, nomeadamente porque facilita o acesso aos mercados de contratos públicos japoneses, proporciona aos consumidores mais possibilidades de escolha e contribui para os esforços de ambas as partes no sentido de definir as regras do comércio mundial. É o primeiro acordo comercial da União Europeia que inclui o compromisso específico de respeitar o Acordo de Paris. Ao longo do ano, a União prosseguiu as negociações com o Japão sobre normas de proteção do investimento e de resolução de litígios.

Ásia e Australásia

Em 30 de junho, a União Europeia e o Vietname alcançaram uma etapa importante na sua parceria com a assinatura dos acordos de comércio livre e de proteção dos investimentos. Os acordos são os mais ambiciosos alguma vez negociados entre a União Europeia e uma economia emergente. Enquanto se aguarda a ratificação, o acordo de comércio livre poderá entrar em vigor em meados de 2020. Por seu turno, o Acordo de Comércio Livre UE-Singapura entrou em vigor em 21 de novembro.

Os acordos com estes dois países reforçam ainda mais o compromisso da União Europeia com esta parte do mundo. Realizaram-se também três rondas de negociações com a Indonésia tendo em vista um acordo comercial, três rondas de conversações com a Austrália e quatro com a Nova Zelândia, no âmbito das negociações de acordos comerciais.

Resumo do acordo comercial entre a União Europeia e o Vietname.

A União Europeia e o Vietname assinaram um acordo comercial e um acordo de proteção dos investimentos em 30 de junho de 2019. Trata-se do mais ambicioso acordo comercial alguma vez celebrado com um país em desenvolvimento. Graças a ele, 99 % dos direitos aduaneiros entre a União Europeia e o Vietname serão eliminados. Em 2018, o comércio de mercadorias entre a União Europeia e o Vietname ascendeu a 49 mil milhões de euros. A União Europeia irá exportar produtos de alta tecnologia, produtos elétricos, máquinas e aeronaves e importará aparelhos telefónicos, calçado, arroz e têxteis. O acordo tem igualmente em conta o desenvolvimento sustentável, tendo o Vietname assumido o compromisso de aplicar as normas laborais fundamentais, combater as alterações climáticas e proteger a biodiversidade. Fonte: Conselho da União Europeia.

Resumo do acordo de comércio livre entre a União Europeia e Singapura.

Singapura é o primeiro parceiro comercial da União Europeia no Sudeste Asiático. Os acordos de comércio e investimento celebrados constituirão uma referência para a cooperação da União Europeia com os outros países da região. Os principais domínios abrangidos por estes acordos são a rotulagem e os ensaios de segurança, a propriedade intelectual, a energia de fontes renováveis, as empresas de menor dimensão, os contratos públicos, o ambiente e o trabalho. O valor total do comércio bilateral ascenderá a 58,1 mil milhões de euros e o valor das exportações europeias ascenderá a 21,1 mil milhões de euros. A União Europeia irá exportar automóveis e máquinas e importar produtos químicos e farmacêuticos. No que diz respeito ao comércio de serviços, o valor total do comércio bilateral ascenderá a 44,4 mil milhões de euros. Cerca de 10 000 empresas da União Europeia utilizam Singapura como plataforma regional. O valor dos investimentos bilaterais da União Europeia em 2016 ascendeu a 255,5 mil milhões de euros, graças a um aumento de 25 % dos investimentos bilaterais totais entre 2014 e 2015. O novo acordo entre a União Europeia e Singapura trará ainda outras vantagens: a eliminação de todos os direitos aduaneiros de Singapura sobre as exportações da União Europeia e a maioria dos direitos aduaneiros da União Europeia aplicáveis aos produtos de Singapura, bem como a eliminação das barreiras não pautais em domínios como a eletrónica, pois Singapura reconhecerá as normas da União Europeia. O acordo contribuirá também para proteger os direitos laborais e introduzir um acordo de proteção do investimento a nível da União Europeia. Fonte: Conselho da União Europeia.

Estados Unidos

Em relação aos Estados Unidos, a tónica recaiu de novo sobre a preparação de uma agenda comercial positiva para tratar de aspetos de interesse comum e evitar diferendos comerciais. Neste contexto, foi decisiva a declaração conjunta do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2018, tendo sido criado o grupo de trabalho executivo para facilitar o comércio e desenvolver a agenda sobre um comércio transatlântico positivo.

Breve resumo do comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos.

Os Estados Unidos são o maior mercado de exportação de mercadorias da União Europeia. Em 2018, este país representou 407 mil milhões de euros (21 %) do total das exportações de mercadorias da União Europeia. Fonte: Eurostat.

Em 2019, os trabalhos do grupo incidiram sobre problemas regulamentares. Em abril, o Conselho mandatou a Comissão para negociar com os Estados Unidos os direitos aduaneiros sobre produtos industriais e a avaliação da conformidade.

Em julho, a Comissão publicou um relatório intercalar sobre a aplicação da declaração conjunta, que assinalou resultados positivos, nomeadamente em setores como a energia, a soja, os produtos farmacêuticos, a cibersegurança e os dispositivos médicos. Em 2019, as importações da União Europeia de gás natural liquefeito provenientes dos Estados Unidos atingiram o volume mais elevado de sempre, tornando o aprovisionamento energético mais diversificado e seguro. Outros trabalhos incidiram sobre a avaliação da conformidade, normas para as tecnologias novas e emergentes e a importância de se continuar a avançar em setores específicos. Enquanto este trabalho decorre, ambas as partes decidiram não introduzir novos direitos aduaneiros.

Em julho, a União Europeia acordou em aumentar a quota dos Estados Unidos no seu contingente de importação de carne de bovino não tratada com hormonas. Em contrapartida, os Estados Unidos aceitaram não reintroduzir medidas contra a União Europeia no inquérito no âmbito da secção 301, sobre as medidas da União relativas à carne e aos produtos à base de carne. Entrou ainda em vigor o acordo de reconhecimento mútuo das inspeções das instalações de fabrico de medicamentos para uso humano.

China

Na cimeira UE-China realizada em abril, assumiram-se vários compromissos conjuntos. A China aceitou suprimir vários obstáculos comerciais e comprometeu-se a celebrar um acordo para proteger as indicações geográficas (denominações dos produtos alimentares e bebidas tradicionais europeus) e a concluir negociações abrangentes sobre o investimento até 2020.

Resumo do acordo entre a União Europeia e a China relativo às indicações geográficas.

O acordo entre a União Europeia e a China sobre as indicações geográficas é um tratado histórico entre ambas as partes. Trata-se de um exemplo concreto de cooperação entre duas partes e ilustra bem a abertura e o respeito das regras internacionais que constituem a base das relações comerciais. 100 indicações geográficas da União Europeia são protegidas na China e outras tantas indicações geográficas chinesas são protegidas na União Europeia. A lista das indicações geográficas da União Europeia a proteger na China inclui produtos como Mozzarella di Bufala Campana, Languedoc, Elia Kalamatas e Münchener Bier. A lista dos produtos chineses inclui, entre outros, Wuyuan Lü Cha (chá verde Wuyuan), Chaidamu Gou Qi (bagas de goji Chaidamu), Panjin Da Mi (arroz Panjine) e Wuchuan Yue Bing (bolo de lua de Wuchuan). A China tem um mercado de 1,4 mil milhões de consumidores é o segundo maior destino das exportações de produtos agroalimentares da União Europeia, que atingiram 13,5 mil milhões de euros entre novembro de 2018 e outubro de 2019, ou seja, um aumento de 27,2 % num ano. O mercado para a alimentação e as bebidas europeias na China tem um elevado potencial de expansão, com uma classe média em crescimento que gosta de produtos europeus icónicos. A China dispõe igualmente de um sistema bem consolidado de indicações geográficas, que este acordo ajudará a divulgar junto dos consumidores da União Europeia. Após a conclusão das negociações, o acordo será agora objeto de análise jurídica. Do lado da União Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho serão convidados a aprová-lo. O acordo deverá entrar em vigor até ao final de 2020. Quatro anos após a sua entrada em vigor, o âmbito do acordo será alargado para abranger mais 175 nomes de indicações geográficas de ambas as partes. Estes nomes terão de cumprir os mesmos procedimentos de registo que já foram cumpridos pelos 100 nomes cobertos pelo acordo agora negociado. Fonte: Eurostat.

Em novembro, nove anos após o seu início, foram concluídas as negociações sobre a proteção destas indicações. Este acordo deverá proporcionar um elevado nível de proteção para 200 designações, quando entrar em vigor, e para outras 175 no prazo de quatro anos a contar dessa data. A China é o segundo maior mercado para produtos agroalimentares da União Europeia e constitui um mercado cada vez mais importante para produtos com uma indicação geográfica específica.

A União Europeia e a China realizaram seis rondas de conversações para um acordo de investimento e prosseguiram a sua colaboração tendo em vista a reforma da OMC.

Resumo das trocas comerciais entre a União Europeia e a China.

A União Europeia é o maior parceiro comercial da China, sendo a China o segundo maior parceiro comercial da União Europeia. O comércio de mercadorias entre a União Europeia e a China representou 1,7 mil milhões de euros por dia em 2018. Em 2018, a União Europeia exportou mercadorias no valor de 211 mil milhões de euros para a China e importou 395 mil milhões de euros de mercadorias. A União Europeia exportou serviços no valor de 51 mil milhões de euros para a China, que por sua vez exportou para a União Europeia serviços no valor de 30 mil milhões de euros. A União Europeia está atualmente a negociar um acordo global em matéria de investimento com a China. Este acordo deverá criar condições de concorrência mais equitativas para as empresas e novas oportunidades comerciais para ambas as partes. Incentivará igualmente a China a fazer avançar as suas reformas económicas e dar ao mercado um papel mais decisivo. Abrir-se-á assim o caminho a ambições comerciais mais amplas, desde que estejam reunidas as condições necessárias. Fonte: Eurostat.

As vizinhanças meridional e oriental

O Acordo de Associação com Marrocos foi alterado para incluir o povo do Sara Ocidental, abrindo caminho para o relançamento das conversações sobre o aprofundamento do acordo comercial entre a União Europeia e Marrocos. Em maio, foram suspensas as negociações para uma zona de comércio livre abrangente e aprofundado com a Tunísia, devido à situação política do país.

A União Europeia realizou debates bilaterais sobre comércio e investimento com alguns dos países do Conselho de Cooperação do Golfo. No início de 2019, entraram em vigor os melhoramentos negociados com a Jordânia sobre o regime das regras de origem para apoiar o emprego de refugiados sírios.

Tendo concretizado as zonas de comércio livre abrangente e aprofundado com a Geórgia, a Moldávia e a Ucrânia, a atenção da União Europeia centrou-se na respetiva execução. Chegou também a acordo com a Ucrânia no sentido de limitar as suas exportações de aves de capoeira para a União. Em 6 de julho, a União Europeia rubricou um acordo de parceria e cooperação reforçadas com o Quirguistão, que inclui importantes capítulos comerciais.

América Latina

Em 2019, prosseguiram os trabalhos tendo em vista a assinatura e a celebração do Acordo Global Modernizado com o México. A União Europeia e o Chile realizaram três rondas de negociações para atualizar o acordo comercial de 2002. O objetivo é alcançar um acordo ambicioso, equilibrado e progressivo que intensifique a liberalização do comércio e do investimento, promova os valores da União Europeia e aborde temas como o comércio e as questões de género. As disposições relativas a este último tema irão aprofundar a compreensão dos condicionalismos e das possibilidades com que as mulheres se veem confrontadas no comércio internacional e partilhar as melhores práticas para facilitar a sua participação na cena internacional.

Półka z butelkami wina w supermarkecie

Wino francuskie w supermarkecie sprzedającym produkty europejskie w Meksyku. Zmodernizowana umowa ogólna między UE a Meksykiem doprowadzi do liberalizacji 99 proc. handlu między obiema stronami.

Em junho, no âmbito da aplicação dos acordos comerciais, o Comité de Associação UE-América Central realizou a sua quinta reunião e, em outubro, reuniu-se o comité de comércio no qual participam a União Europeia, a Colômbia, o Equador e o Peru.

Países de África, das Caraíbas e do Pacífico

Os acordos de parceria económica são acordos comerciais e de desenvolvimento entre a União Europeia e os países e as regiões de África, das Caraíbas e do Pacífico. Atualmente, estão em vigor, a título provisório, acordos com 31 desses países ou regiões, que podem ser considerados elementos constitutivos da futura zona de comércio livre intercontinental, um dos objetivos da nova Aliança África-Europa para Investimentos e Empregos Sustentáveis, que também apoia os esforços africanos no sentido de uma zona de comércio livre continental. Em fevereiro, as Comores aderiram ao acordo com a África Oriental e Austral e, em outubro, a União Europeia encetou conversações com os cinco países que estão a aplicar o atual acordo no intuito de o alargar para além das reduções pautais, e abranger aspetos como a eliminação de outras barreiras ao comércio e ao investimento e a criação de oportunidades. A União Europeia também debateu o comércio e o investimento, no âmbito das negociações em curso de um acordo-quadro que irá substituir o Acordo de Cotonu.

Capítulo 7

Um espaço de justiça e de direitos fundamentais baseado na confiança mútua

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Para que na nossa sociedade a democracia prospere, são necessários tribunais independentes que garantam a proteção dos direitos fundamentais e das liberdades cívicas, bem como uma sociedade civil ativa e meios de comunicação social livres que assegurem o pluralismo. Em 2019, a Comissão adotou um conjunto de medidas para reforçar o Estado de direito na União Europeia mediante uma melhor promoção, prevenção de ameaças e resposta a violações deste princípio.

A modernização da legislação da União Europeia veio consolidar a proteção dos consumidores, visando práticas comerciais enganosas, introduzindo regras eficazes em matéria de sanções e proporcionando vias de recurso para as vítimas de práticas desleais.

A nova proteção dos denunciantes de irregularidades leva mais longe a aplicação das regras da União Europeia nos casos em que as infrações possam lesar gravemente o interesse público. A União Europeia adota uma posição firme para proteger os que se arriscam a denunciar publicamente violações do direito da União Europeia. Estas regras protegem igualmente a liberdade de expressão e a liberdade dos meios de comunicação social, uma vez que os denunciantes são fontes cruciais para os jornalistas de investigação.

As eleições de 2019 para o Parlamento Europeu registaram a taxa de participação mais elevada (50,7 %) desde 1994. A abordagem coordenada seguida pelos Estados-Membros e as instituições da União Europeia, incluindo a aplicação do pacote eleitoral da Comissão, contribuiu para proteger de manipulações e interferências o segundo maior processo eleitoral democrático do mundo.

Reforço do Estado de direito

O Estado de direito constitui um dos valores comuns em que assenta a União Europeia. Defendê-lo é uma responsabilidade partilhada de todos os Estados-Membros e das instituições da União Europeia.

O respeito do Estado de direito é essencial para o funcionamento da União Europeia em todas as áreas: do mercado interno à cooperação no domínio da justiça e dos assuntos internos. Defender o Estado de direito implica ainda assegurar que os juízes nacionais, que são também juízes da União Europeia, podem desempenhar o seu papel quando tratam questões relativas à aplicação do direito da União Europeia.

Em abril, a Comissão lançou um exercício de avaliação dos instrumentos disponíveis para acompanhar, avaliar e proteger o Estado de direito na União. Fez o balanço da experiência adquirida nos últimos anos e apelou para um debate europeu mais alargado sobre a forma como se poderia reforçar o Estado de direito. Essa experiência mostra que é necessário promover melhor este princípio, prevenir riscos ou infrações numa fase precoce e dar uma resposta eficaz quando estes problemas ocorrem.

Em julho, a Comissão adotou uma segunda comunicação em que apresentou as suas próprias propostas nos três domínios da promoção, prevenção e resposta.

No que se refere ao primeiro domínio (promoção), a Comissão irá intensificar a comunicação sobre o Estado de direito junto do grande público, reforçar a cooperação com o Conselho da Europa e outras organizações internacionais e financiar as partes interessadas, incluindo a sociedade civil, que asseguram a promoção de uma cultura comum do Estado de direito.

Quanto ao segundo domínio (prevenção), a Comissão decidiu criar um ciclo anual de análise do Estado de direito para acompanhar a situação em todos os Estados-Membros. A fim de apoiar este processo, elaborará um relatório anual sobre o Estado de direito, desenvolverá o Painel de Avaliação da Justiça na União Europeia e aprofundará o diálogo com as outras instituições da União Europeia, os Estados-Membros e as partes interessadas.

No que toca ao terceiro domínio (resposta), a Comissão prosseguirá uma abordagem estratégica dos processos por infração, com base na evolução da jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia.

Uma explicação resumida do funcionamento do quadro do Estado de direito.

O quadro do Estado de direito tem por objetivo enfrentar as ameaças sistémicas ao Estado de direito através de um diálogo em várias fases entre a Comissão e os Estados-Membros em causa. Inicia-se com uma apreciação da Comissão, seguida de um parecer e recomendação da Comissão e de um processo de monitorização do seguimento dado a essa recomendação. O artigo 7.o do Tratado da União Europeia constitui uma medida excecional e de último recurso para prevenir ou resolver uma violação grave do Estado de direito por um Estado-Membro. O mecanismo é desencadeado pelo Parlamento, pela Comissão ou por um terço dos Estados-Membros, a que se segue a constatação pelo Conselho Europeu de uma violação dos valores referidos no artigo 2.o. A decisão do Conselho prevê a possibilidade de sanções de grande envergadura, incluindo a suspensão dos direitos de voto no Conselho. Os processos de infração têm por objetivo assegurar a correta aplicação e o respeito da legislação da União Europeia a nível nacional. Trata-se de um processo em três fases entre a Comissão e o Estado-Membro, após o que a Comissão pode remeter o assunto para o Tribunal de Justiça da União Europeia.

A Comissão apelou igualmente para a rápida adoção da proposta apresentada no contexto do quadro financeiro plurianual para a proteção do orçamento da União Europeia, caso as deficiências generalizadas em matéria de Estado de direito constituam um risco para os interesses financeiros da União Europeia.

A Comissão intentou vários processos por infração relacionados com o Estado de direito. Em 24 de junho e 5 de novembro de 2019, o Tribunal de Justiça proferiu decisões finais no âmbito de processos por infração instaurados pela Comissão contra a Polónia, confirmando que a legislação polaca relativa à redução da idade de reforma dos juízes do Supremo Tribunal e dos juízes dos tribunais comuns viola a legislação da União Europeia em matéria de independência do poder judicial. Além disso, em 10 de outubro de 2019, a Comissão decidiu intentar uma ação contra a Polónia no âmbito do processo por infração relativo ao novo regime disciplinar aplicável aos juízes, uma vez que este regime compromete a independência do poder judicial, ao não oferecer as garantias necessárias para proteger os juízes polacos do controlo político.

No contexto do Semestre Europeu e com base numa proposta da Comissão, o Conselho formulou recomendações específicas por país sobre o funcionamento do sistema judicial no que se refere à Croácia, a Itália, a Chipre, à Hungria, a Malta, a Portugal e à Eslováquia.

Proteger os direitos e combater a discriminação

Salvaguardar os direitos das pessoas com deficiência

A Lei Europeia da Acessibilidade foi adotada em abril e garante o acesso das pessoas com deficiência a determinados produtos e serviços, como telemóveis, computadores, livros eletrónicos, comércio eletrónico, sítios Web de transportes e serviços bancários destinados aos consumidores.

Film wideo o dostępności Warszawy

W grudniu Warszawie przyznano nagrodę Access City 2020 w uznaniu chęci, zdolności i starań miasta, by stać się bardziej dostępnym.© Unia Europejska, 2019

Em maio, a Comissão lançou a campanha de sensibilização, «Como contribui a UE para combater a discriminação no trabalho», para informar as pessoas e as empresas sobre os seus direitos e obrigações.

Proteção dos denunciantes

Em outubro, foram adotadas normas à escala da União Europeia para garantir um elevado nível de proteção das pessoas que denunciam violações do direito da União Europeia. A diretiva abrange um vasto leque de domínios fundamentais, como a contratação pública, a segurança dos produtos, dos alimentos e dos transportes, a proteção do ambiente, a saúde pública e a segurança nuclear. As novas regras estabelecem canais de comunicação confidenciais, tanto no âmbito das organizações públicas como privadas e das autoridades públicas, e protegerão os trabalhadores contra o despedimento e outras formas de retaliação.

Combater a desinformação, os crimes de ódio e o discurso de incitação ao ódio

Em janeiro, a quarta avaliação do código de conduta da União Europeia sobre discursos ilegais de incitação ao ódio na Internet, assinado em 2016 com as principais empresas de tecnologias da informação, confirmou que a iniciativa continua a ter resultados positivos. As empresas de tecnologias da informação analisam 89 % do conteúdo assinalado no prazo de 24 horas e eliminam 72 % dos conteúdos considerados ilegais, em comparação com 40 % e 28 %, respetivamente, quando o código foi lançado em 2016. A avaliação revelou igualmente os domínios em que as empresas precisam de melhorar as informações dirigidas aos utilizadores.

Antes das eleições europeias, a Comissão publicou relatórios mensais elaborados pelo Facebook, Google e Twitter que assinalavam alguns progressos no que diz respeito ao escrutínio dos anúncios publicados, à transparência da propaganda política, ao encerramento de contas falsas e aos sistemas que permitem assinalar os robôs digitais. No entanto, os signatários devem redobrar os seus esforços, em especial com o objetivo de desenvolver instrumentos para aumentar a transparência e a fiabilidade dos sítios Web que acolhem os anúncios.

Resumo do impacto do código de conduta da União Europeia na eliminação dos discursos de incitamento ao ódio em linha.

Na primeira monitorização, realizada em dezembro de 2016, a percentagem de notificações analisadas nas primeiras 24 horas foi de 60 % no YouTube, 50 % no Facebook e 20 % no Twitter. Na segunda monitorização, realizada em maio de 2017, a percentagem de notificações analisadas nas primeiras 24 horas foi de 40 % no YouTube, perto de 60 % no Facebook e perto de 40 % no Twitter. Na terceira monitorização, realizada em dezembro de 2017, a percentagem de notificações analisadas nas primeiras 24 horas foi de 60 % no YouTube, perto de 90 % no Facebook e 80 % no Twitter. Na quarta monitorização, realizada em dezembro de 2018, a percentagem de notificações analisadas nas primeiras 24 horas foi de 80 % no YouTube, mais de 90 % no Facebook e perto de 90 % no Twitter. O Instagram e o Google+ foram analisados pela primeira vez no decurso desta monitorização, e a percentagem de notificações analisadas nas primeiras 24 horas foi de 80 % e 60 %, respetivamente. Em média, as notificações analisadas continuaram a aumentar, passando de 40 % em dezembro de 2016, a 50 % em maio de 2017, 80 % em dezembro de 2017 e quase 90 % em dezembro de 2018.

Resumo da ação conjunta e coordenada da União Europeia contra a desinformação.

A União Europeia implementou uma ação conjunta e coordenada contra a desinformação. Esta ação teve início com a criação do grupo de trabalho East StratCom do Serviço Europeu para a Ação Externa, em março de 2015, a que se seguiria a criação, em abril de 2016, do quadro comum em matéria de luta contra as ameaças híbridas. Na primavera de 2018, foi publicada a comunicação «Combater a desinformação em linha: uma estratégia europeia», a que se seguiriam um pacote de medidas para garantir eleições europeias livres e justas e um código de conduta sobre desinformação em setembro de 2018, e a criação do observatório para a análise dos meios de comunicação social, em novembro desse mesmo ano. No mês seguinte, foi lançado um plano de ação contra a desinformação. Em janeiro de 2019, decorreu a reunião inaugural da rede europeia para a cooperação no domínio das eleições; a partir daí e até maio de 2019, as plataformas em linha apresentaram as suas comunicações. Em março de 2019, realizou-se a Semana Europeia da Literacia Mediática e foi criado o sistema de alerta rápido. Em maio de 2019, a Comissão Europeia contribuiu para a reunião informal dos líderes da UE-27 (todos os Estados-Membros com exceção do Reino Unido) em Sibiu.

Reforçar a proteção dos dados pessoais

No primeiro ano após o lançamento do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), a prioridade da Comissão consistiu em assegurar a sua correta aplicação. Num relatório de julho, a Comissão concluiu que a maioria dos Estados-Membros tinha criado o quadro jurídico necessário para controlar a respetiva conformidade com o RGPD e limitar a fragmentação do quadro de proteção de dados.

As empresas estão a desenvolver uma cultura de conformidade e os cidadãos estão mais conscientes da importância da proteção de dados e dos seus direitos e exercem-nos cada vez mais. Simultaneamente, os esforços de convergência, no plano internacional, sobre normas elevadas de proteção de dados têm vindo a avançar.

Zdjęcie Wojciecha Wiewiórowskiego

W grudniu 2019 r. Wojciech Wiewiórowski został mianowany Europejskim Inspektorem Ochrony Danych na okres 5 lat.

Um exemplo dos benefícios decorrentes desta convergência global é o acordo de adequação recíproca entre a União Europeia e o Japão, que entrou em vigor em fevereiro, criando o maior espaço de livre circulação segura de dados do mundo. Os cidadãos europeus vão usufruir de normas exigentes em matéria de privacidade quando os seus dados são transferidos para o Japão, e as empresas da União Europeia beneficiarão de um acesso privilegiado ao mercado japonês.

A Comissão acompanha também a transposição da diretiva sobre a proteção de dados na aplicação da lei para o direito nacional, tendo, nesse contexto, iniciado vários processos por infração contra os Estados-Membros.

Igualdade

Em junho, foi adotada a diretiva relativa à conciliação entre a vida profissional e a vida familiar que incentiva uma partilha mais equitativa das responsabilidades familiares entre homens e mulheres. No capítulo 5, encontram-se mais informações a este respeito.

A Comissão continuou os seus esforços de sensibilização para a igualdade de direitos das pessoas LGBTI, ou seja, lésbicas, homossexuais, bissexuais, transexuais e intersexuais. O mais recente relatório anual sobre a promoção da igualdade das pessoas LGBTI, publicado em março, apresenta uma panorâmica do conjunto de medidas da Comissão para combater a discriminação.

Kolory tęczy oświetlają budynek

Z okazji Międzynarodowego Dnia Przeciwko Homofobii, Transfobii i Bifobii budynek Europejskiej Służby Działań Zewnętrznych został oświetlony kolorami tęczowej flagi, Bruksela, Belgia, 16 maja 2019 r.

A Comissão intensificou a preparação do quadro europeu para as estratégias nacionais de integração dos ciganos após 2020. Este quadro é essencial para o desenvolvimento de instrumentos e estruturas da União Europeia e dos Estados-Membros com o objetivo de promover a inclusão dos ciganos.

A cidadania da União Europeia

Em janeiro, a Comissão publicou um relatório sobre os regimes de «passaportes dourados», aplicados por alguns Estados-Membros. Estes regimes de cidadania e de residência a favor dos investidores permitem a uma pessoa obter a nacionalidade ou o título de residência de um Estado-Membro, em contrapartida de um investimento, sem necessidade de provar um vínculo genuíno a esse Estado-Membro. Esta situação tem repercussões sobre a cidadania da União Europeia. De modo geral, os Estados-Membros exigem que esse vínculo seja uma condição para a cidadania nacional e, nessa base, aceitaram que a cidadania da União Europeia seja automaticamente adquirida por qualquer pessoa que se torne cidadão de um Estado-Membro.

O relatório da Comissão identificou os riscos que os regimes de cidadania e residência a favor dos investidores representam para a União Europeia, nomeadamente em termos de segurança, branqueamento de capitais, evasão fiscal e corrupção, e manifestou a sua preocupação pelo facto de as medidas tomadas pelos Estados-Membros nem sempre serem suficientes para os atenuar. A Comissão criou um grupo de peritos dos Estados-Membros para analisar os riscos decorrentes dos regimes e resolver as questões da transparência e da boa governação, e continuará a monitorizar a conformidade destes regimes com o direito da União Europeia. Encontram-se mais informações sobre este tema no capítulo 8.

No âmbito dos grandes esforços envidados para proteger as eleições para o Parlamento Europeu de 2019, a Comissão apoiou os Estados-Membros no estabelecimento e na organização de reuniões da rede europeia para a cooperação no domínio das eleições. Esta rede permite que os representantes das autoridades dos Estados-Membros responsáveis pelas questões eleitorais troquem experiências sobre aspetos pertinentes para a realização de eleições livres e justas, incluindo a proteção de dados, a cibersegurança, a transparência e a sensibilização. Continuará a controlar os riscos potenciais, a identificar soluções e a contribuir para a criação de sistemas eleitorais e democráticos mais resilientes em toda a União Europeia.

Este gráfico mostra as medidas tomadas para reforçar a segurança dos bilhetes de identidade e as suas vantagens.

Para que sejam mais seguros, todos os bilhetes de identidade nacionais devem conter um chip sem contacto e ter um suporte de plástico sólido e não de papel. O chip de alta segurança deve incluir uma imagem facial e duas impressões digitais, que é o meio mais fiável de verificar a identidade de uma pessoa e a autenticidade de um documento de viagem. Os cidadãos irão beneficiar de melhor proteção contra a falsificação, cópia, fraude e utilização indevida dos seus documentos. Se as verificações forem mais fáceis irão permitir que os controlos nas fronteiras sejam mais rápidos e eficientes, por exemplo nos aeroportos. Os novos bilhetes de identidade serão válidos por um período máximo de dez anos, a fim de ter em conta as alterações das imagens faciais e a evolução futura em matéria de segurança. Os bilhetes de identidade das pessoas com idade igual ou superior a 70 anos podem ser válidos por mais de dez anos. Os bilhetes de identidade antigos e insuficientemente seguros ainda em uso terão de ser substituídos para eliminar as lacunas existentes em matéria de segurança.

Em junho, foi adotado o regulamento relativo à segurança dos bilhetes de identidade e dos cartões de residência, no âmbito das ações para facilitar o exercício do direito de livre circulação e residência na União. As novas regras definem normas mínimas comuns para os bilhetes de identidade dos cidadãos da União Europeia e para os cartões de residência dos membros das suas famílias que são nacionais de países terceiros, bem como um conteúdo mínimo para os documentos de residência dos cidadãos da União Europeia. Assim, estes documentos tornar-se-ão mais seguros e fiáveis, reforçar-se-á a confiança e a aceitação neste contexto, os cidadãos poderão viajar mais facilmente em toda a União Europeia, reduzir-se-ão os obstáculos ao exercício do direito de livre circulação, e colmatar-se-ão lacunas que os terroristas e outros criminosos tentem explorar.

No intuito de reforçar o direito dos cidadãos da União Europeia à proteção consular em países terceiros onde o seu próprio Estado-Membro não está representado, foram adotadas novas regras para a emissão de um título de viagem provisório da União Europeia. Estas regras garantem que os cidadãos da União Europeia podem requerer na embaixada ou no consulado de qualquer Estado-Membro este documento seguro e de ampla aceitação, que lhes permite regressar ao seu país de origem em segurança.

Proteção dos consumidores

Em julho, a fim de chamar a atenção do público para a proteção contra as cláusulas abusivas nos contratos celebrados com os consumidores, como a restrição indevida dos direitos legais dos consumidores e alterações unilaterais, a Comissão publicou orientações sobre a aplicação da diretiva relativa às cláusulas contratuais abusivas.

Em novembro, foi adotada a diretiva relativa a uma melhor aplicação e modernização das normas da União Europeia em matéria de defesa do consumidor, no âmbito do novo acordo para os consumidores, proposto pela Comissão em abril de 2018. Adapta os direitos dos consumidores às novas tecnologias e introduz novos requisitos importantes no que se refere à informação em linha. Entre estes inclui-se a proibição da publicidade oculta nos resultados das pesquisas e avaliações falsas dos consumidores, bem como a obrigação de prestar informações sobre a identidade da contraparte nas plataformas em linha (consumidor privado ou retalhista profissional) e sobre os parâmetros utilizados na classificação e personalização dos preços através de decisões automatizadas.

As novas regras estabelecem igualmente sanções dissuasoras para as «infrações generalizadas» dos direitos dos consumidores, sujeitas a ações coordenadas no âmbito do regulamento relativo à cooperação no domínio da defesa do consumidor. Uma proposta distinta relativa a um sistema europeu de recurso coletivo para grupos de consumidores que tenham sofrido prejuízos encontra-se ainda na fase de negociações entre o Parlamento e o Conselho.

Na sequência das negociações com a Comissão e as autoridades nacionais de proteção dos consumidores, a plataforma Airbnb harmonizou as suas práticas de venda e respetivas condições com as regras da União Europeia em matéria de proteção dos consumidores. Por exemplo, o preço final e o facto de o alojamento ser proposto por um indivíduo ou por um profissional são agora claramente apresentados nas páginas de resultados.

Na sequência de um apelo da Comissão e das autoridades de proteção dos consumidores da União Europeia, cinco líderes do setor — Avis, Europcar, Enterprise, Hertz e Sixt alteraram a forma como apresentam os preços de aluguer de automóveis, tornando-os plenamente transparentes para os consumidores.

No rescaldo do escândalo da Cambridge Analytica e após um longo diálogo com a Comissão e as autoridades de proteção do consumidor da União Europeia, o Facebook alterou as suas condições de utilização. A rede social explica agora mais claramente de que forma utiliza os dados dos seus utilizadores para desenvolver atividades de definição de perfis e de direcionamento da publicidade para se financiar e para reconhecer a sua responsabilidade em caso de negligência.

A União Europeia facilita as compras em linha, permitindo aos consumidores tomar decisões informadas e comprar com segurança. A campanha de sensibilização #YourEURight foi lançada em 2019 para recordar aos consumidores que têm direitos significativos quando fazem compras em qualquer loja em linha aberta a clientes europeus. 

Foram adotadas novas regras para dar resposta ao problema da dualidade de critérios na qualidade dos produtos. Em paralelo, a Comissão procurou esclarecer em que situações a venda de produtos em relação aos quais exista dualidade de critérios (mercadorias vendidas na Europa com diferentes composições em embalagens idênticas ou semelhantes) constitui uma prática comercial ilegal, tendo, para o efeito, preparado uma metodologia comum e publicado, em junho de 2019, os resultados da campanha de ensaios à escala da União Europeia que comparou vários produtos alimentares de diferentes Estados-Membros. Os resultados mostraram que, embora quase um terço dos produtos alimentares testados tivesse uma apresentação idêntica ou semelhante, mas uma composição diferente, não foi possível identificar nenhum padrão geográfico específico. Não se chegou a uma conclusão sobre se as diferenças afetam a qualidade ou se estão associadas a uma prática enganosa em casos individuais.

Na sequência da adoção de orientações para auxiliar as autoridades nacionais a aplicar a legislação da União Europeia em matéria de consumo e alimentação no que se refere à dualidade de critérios na qualidade dos produtos alimentares, a Comissão consagrou mais de 4,5 milhões de euros para limitar as diferenças na qualidade e reforçar as organizações de consumidores. Além disso, entrou em vigor, em abril, a diretiva relativa às práticas comerciais desleais na cadeia de abastecimento agrícola e alimentar.

Em junho, a Comissão publicou o relatório final do fórum de alto nível sobre a melhoria do funcionamento da cadeia de abastecimento alimentar, que formula recomendações sobre práticas comerciais justas e eficientes, bem como em matéria de transparência. O relatório destaca igualmente os problemas decorrentes de restrições territoriais de abastecimento, que impedem os retalhistas de se abastecerem onde desejam. A Comissão lançou também um projeto com o objetivo de intensificar a sensibilização dos consumidores para a distribuição dos recursos financeiros ao longo da cadeia de abastecimento alimentar.

Justiça civil

Também em junho, o Conselho adotou uma revisão do Regulamento Bruxelas II-A, que melhora as normas jurídicas de proteção das crianças em litígios transfronteiriços de responsabilidade parental, como os relacionados com a guarda dos filhos, os direitos de visita e o rapto de crianças. Com as novas regras, a cooperação judiciária será mais rápida e eficiente para garantir que os interesses das crianças sejam prioritários.

Direito das sociedades

Ainda em junho, adotaram-se as novas regras da União Europeia graças às quais as empresas poderão, em todos os Estados-Membros, registar-se, criar novas sucursais ou juntar documentação ao registo comercial em linha. Em novembro, adotou-se um conjunto complementar de regras da União Europeia em matéria de direito das sociedades que facilita as transformações, fusões e cisões transfronteiras de empresas, assegurando simultaneamente uma melhor proteção dos direitos dos trabalhadores, dos acionistas minoritários e dos credores. As novas regras proporcionam segurança jurídica, poupam dinheiro, reduzem os encargos administrativos e conferem os poderes necessários para bloquear eventuais abusos.

As novas regras sobre a governação das empresas de investimento e a remuneração dos gestores, adotadas em novembro, visam ser proporcionais à dimensão, aos riscos e às atividades das empresas de investimento, e assegurar a supervisão adequada de todas as grandes instituições que possam constituir um risco sistémico. Em maio, foram atualizadas as regras relativas à governação dos bancos e à remuneração dos membros dos órgãos de direção. Em especial, reforçaram-se os poderes das autoridades para afastar os membros do órgão de direção de um banco se houver suspeitas de envolvimento em operações de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo.

Combater o terrorismo e o branqueamento de capitais

Em 2019, a Comissão intensificou o seu apoio financeiro, operacional e político aos Estados-Membros para acelerar a aplicação da União da Segurança. Até ao final do ano, 16 das 22 iniciativas legislativas da União em matéria de segurança passaram a ter força de lei. A União Europeia colocou-se na vanguarda da luta contra os conteúdos terroristas em linha com uma proposta de regulamento que obriga as plataformas na Internet a eliminar conteúdos terroristas no prazo de uma hora a contar da receção da ordem de remoção. Os trabalhos do Parlamento Europeu e do Conselho sobre a proposta da Comissão avançaram de forma apreciável e continuarão no primeiro trimestre de 2020.

Paralelamente, a Comissão, os ministros dos Assuntos Internos dos Estados-Membros e os representantes do setor privado aprovaram um protocolo de crise da União Europeia — um mecanismo que visa conter a propagação viral de conteúdos terroristas ou extremistas violentos na Internet — como parte da resposta global ao apelo para a ação de Christchurch. Continuaram a ser aplicadas medidas ao abrigo do plano de ação de 2017 sobre a proteção dos espaços públicos, inclusive de ameaças terroristas.

A União Europeia prosseguiu a sua linha de ação — que é fundamental para privar os terroristas dos meios necessários para perpetrarem os seus ataques — com a adoção de regras atualizadas em matéria de comercialização e acesso a produtos químicos utilizados pelos terroristas como componentes de explosivos artesanais, e ainda de novas medidas de combate ao financiamento do terrorismo. A União Europeia continuou a colaborar no plano internacional, nomeadamente através do intercâmbio de dados dos registos de identificação dos passageiros (PNR) com a Austrália e os Estados Unidos. Pretende ainda finalizar um novo projeto de acordo com o Canadá e assinou o quadro das Nações Unidas para a cooperação na luta contra o terrorismo.

No final do ano, a Comissão propôs a abertura de negociações com o Japão sobre o intercâmbio de dados PNR e com a Nova Zelândia sobre o intercâmbio de dados pessoais para efeitos de aplicação da lei entre as autoridades neozelandesas e a Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol). A Comissão aprovou igualmente acordos bilaterais com as autoridades da Albânia, da Bósnia-Herzegovina e do Kosovo (esta designação não prejudica as posições relativas ao estatuto e está conforme com a Resolução 1244/1999 do CSNU e o parecer do TIJ sobre a declaração de independência do Kosovo), o Montenegro, a Macedónia do Norte e a Sérvia para a aplicação do plano de ação conjunto de combate ao terrorismo para os Balcãs Ocidentais.

A União Europeia adotou várias medidas para combater o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo. Em 2019, reforçou o papel de supervisão da Autoridade Bancária Europeia. Serão introduzidas regras uniformes ao nível da União Europeia para permitir que as autoridades dos Estados-Membros tenham acesso aos registos nacionais centralizados de contas bancárias ou aos sistemas de recuperação de dados e melhorar a cooperação entre as autoridades. Além disso, quatro relatórios da Comissão salientaram que era necessário aplicar plena e corretamente as quarta e quinta diretivas relativas ao branqueamento de capitais. Em dezembro, o Conselho adotou conclusões sobre prioridades estratégicas no domínio da luta contra o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo. O texto é ambicioso no que diz respeito à necessidade de regras mais pormenorizadas e à atribuição de determinadas tarefas a organismos da União Europeia.

Intensificar a luta contra a criminalidade

O Conselho autorizou a Comissão a negociar, em nome da União Europeia, um acordo com os Estados Unidos sobre o acesso transfronteiras a provas eletrónicas em matéria penal, bem como a participar na negociação sobre um segundo protocolo adicional à Convenção do Conselho da Europa sobre o Cibercrime.

Em 2019, a Comissão trabalhou na criação da Procuradoria Europeia, que deverá estar operacional no final de 2020. O Parlamento e o Conselho nomearam Laura Codruţa Kövesi como primeira procuradora-geral europeia.

A União Europeia tomou medidas para prevenir o tráfico ilegal de bens culturais. O regulamento relativo à introdução e importação de tais bens na União Europeia, adotado em abril, tem por objetivo pôr termo ao tráfico ilícito que frequentemente apoia o terrorismo e outras atividades criminosas.

Reforçar o sistema europeu de resposta a catástrofes naturais

Helikopter podnosi ratownika z morza za łodzią straży przybrzeżnej

Operacja Shark Bait: relacja na żywo z unijnej misji ratowniczej z wykorzystaniem danych satelitarnych systemu Galileo, Ostenda, Belgia, 26 września 2019 r.

O aumento da frequência e muitas vezes simultaneidade de catástrofes naturais em toda a Europa tem posto à prova a capacidade de entreajuda dos Estados-Membros nestas situações. Assim, a União Europeia lançou a iniciativa rescEU, a fim de reforçar o atual Mecanismo de Proteção Civil da União. Em 2019, a Comissão prosseguiu as diligências para pôr em funcionamento a rescEU, cuja frota de transição se revelou crucial no combate aos incêndios florestais na Grécia, em agosto de 2019.

Um resumo dos recursos da frota rescEU inicial.

A frota rescEU inicial (uma reserva europeia de capacidades de emergência) será composta por recursos da Grécia, Espanha, França, Croácia, Itália e Suécia e incluirá nove aviões e seis helicópteros de combate a incêndios.

Capítulo 8

Rumo a uma nova política de migração

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Em 2019, a União Europeia continuou a implementar a Agenda Europeia da Migração, com uma abordagem abrangente e humana da gestão da migração. Desde 2015, os regimes de reinstalação financiados pela União Europeia garantiram a mais de 67 000 refugiados vulneráveis rotas legais e seguras para a Europa, tendo sido implementados vários projetos-piloto inovadores com os Estados-Membros interessados, a fim de permitir a migração laboral de países parceiros em África.

Prosseguiram, em colaboração com países parceiros, os trabalhos para prevenir a migração ilegal, combater as redes de introdução clandestina de migrantes na região do Sael e aumentar, assim, a taxa efetiva de regresso das pessoas sem direito de residência na União Europeia. Estas ações foram possíveis graças a acordos formais de readmissão celebrados com 23 países ou a disposições práticas em matéria de regresso e readmissão.

No final do ano de 2019, o número de travessias irregulares das fronteiras registava uma diminuição de 92 % relativamente aos níveis recorde de 2015. A União Europeia deu provas de solidariedade, disponibilizando, desde 2015, mais de 12 mil milhões de euros para ajudar os refugiados e os migrantes vulneráveis em países vizinhos e parceiros, a que se acrescentaram quase 11,3 mil milhões de euros de apoio aos Estados-Membros para poderem garantir uma gestão mais eficaz da migração e das fronteiras.

O ano 2019 foi histórico para a gestão das fronteiras europeias e, em dezembro, entrou em vigor um regulamento destinado a reforçar o papel da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira. Este novo instrumento legislativo ambicioso criará um corpo permanente de 10 000 agentes operacionais, dotados de poderes executivos e de equipamento próprio para intervir sempre que necessário ao longo das fronteiras externas da União Europeia, bem como a pedido de países não vizinhos.

A Agenda Europeia da Migração

Em setembro de 2017, os Estados-Membros assumiram o maior compromisso coletivo até à data de reinstalar mais de 50 000 pessoas necessitadas de proteção internacional. A execução prática deste compromisso avançou ao longo de 2019 e a Comissão continuou a ajudar os Estados-Membros a cumprirem as obrigações que tinham assumido. Uma vez que as necessidades de reinstalação permanecem elevadas à escala mundial, é essencial o prosseguimento dos esforços europeus. Até dezembro, tinham sido reinstaladas 43 800 pessoas ao abrigo do regime acordado, o que corresponde a mais de 87 % do compromisso global assumido pelos Estados-Membros.

Film wideo o działaniach Unii Europejskiej w dziedzinie migracji

Kontynent solidarności: film wideo towarzyszący sprawozdaniu z postępu prac w zakresie realizacji Europejskiego programu w dziedzinie migracji.© Unia Europejska, 2019

Um resumo dos resultados dos programas de reinstalação da União Europeia.

Desde 2015, dois programas de reinstalação da União Europeia bem-sucedidos ajudaram mais de 67 000 pessoas muito vulneráveis, que necessitavam de proteção internacional, a encontrar refúgio na União Europeia. Os Estados-Membros que, no contexto destes programas, reinstalam pessoas que necessitam de proteção internacional recebem apoio financeiro do orçamento da União Europeia. Ao abrigo do atual programa de reinstalação da União Europeia (2017-2019), esta contribuição é de 10 000 euros por pessoa reinstalada.

Gestão das fronteiras

Em dezembro, foram consagradas na lei novas medidas que reforçam a forma como a União Europeia gere as suas fronteiras externas e que permitirão à Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira criar um corpo permanente de 10 000 agentes operacionais.

Os membros do corpo permanente serão dotados de poderes executivos e de equipamento próprio para intervir sempre que necessário ao longo das fronteiras externas da União Europeia, bem como em países terceiros que estejam dispostos a acolher equipas da Guarda de Fronteiras e Costeira no seu território. Os Estados-Membros (e os países terceiros em causa) mantêm a respetiva soberania e responsabilidade pelas operações realizadas nas suas fronteiras e pelos procedimentos de regresso que aplicam. Serão designados 40 agentes de defesa dos direitos fundamentais para garantir que os membros do corpo permanente respeitam os direitos dos nacionais de países terceiros que atravessam as fronteiras externas (legalmente ou não) ou que são alvo de operações de regresso.

A Comissão negociou com êxito acordos com cinco países dos Balcãs Ocidentais que permitem o destacamento de equipas europeias da Guarda de Fronteiras e Costeira. O acordo com a Albânia entrou em vigor em 1 de maio de 2019, sendo seguido do destacamento operacional das equipas três semanas mais tarde. A Comissão e a Presidência finlandesa do Conselho assinaram um acordo com o Montenegro em 7 de outubro, e com a Sérvia em 19 de novembro. Está também em curso a conclusão de acordos da mesma natureza com a Bósnia-Herzegovina e a Macedónia do Norte.

Sistemas de informação sobre segurança, migração e gestão das fronteiras

Em junho, entrou em vigor nova legislação europeia que possibilita o intercâmbio de dados e a partilha de informações entre vários sistemas de informação que contribuem para o espaço de liberdade, segurança e justiça sem controlos nas fronteiras internas. Uma vez criada esta plataforma interligada (prevista para 2023), as autoridades responsáveis pela gestão das fronteiras, a migração e a emissão de vistos, bem como as autoridades judiciais e policiais, poderão comparar os dados de identificação com todos os sistemas de informação de que a União Europeia dispõe nesta área e assinalar, de imediato, qualquer tentativa de utilização de várias identidades por um mesmo indivíduo.

Este gráfico mostra o reforço dos fundos e do pessoal afetados à agência europeia da guarda de fronteiras e costeira ao longo dos anos.

O reforço da agência europeia da guarda de fronteiras e costeira permitiu que o número de guardas de fronteira da União Europeia mobilizados aumentasse de menos de 300 em 2014 para os atuais 1 300, aos quais se veio juntar, em 2019, um contingente de reserva de 1 500 guardas. O investimento na gestão das fronteiras tem vindo a aumentar de forma constante desde 2006 (2,4 mil milhões de euros de 2006 a 2013 e 5,6 mil milhões de euros de 2014 a 2020). O orçamento aprovado para o período de 2021 a 2027 representa um aumento considerável do investimento, para 21,3 mil milhões de euros. Fonte: Comissão Europeia.

Este gráfico explica o sistema de entrada/saída.

A Comissão propôs a criação de um sistema de entrada/saída para contribuir para a modernização da gestão das fronteiras externas, melhorando a qualidade e a eficiência dos controlos das fronteiras externas do espaço Schengen. Este sistema irá ajudar os Estados-Membros a tratar o número crescente de pessoas que viajam para a União Europeia sem ter de aumentar o número de guardas de fronteira. Reforçará a segurança interna, a luta contra o terrorismo e a criminalidade grave e identificará sistematicamente as pessoas pessoa que excedam o período de estada autorizada (ou seja, as pessoas que permaneçam no espaço Schengen após o termo da sua estada autorizada).

Prosseguiram os trabalhos sobre a implementação do Sistema de Entrada/Saída (EES) e do Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem (ETIAS). O primeiro substitui o atual método de aposição manual de carimbo nos passaportes por um registo eletrónico dos dados de identificação e dos documentos de viagem, bem como dos locais e das datas de entrada e saída. Contribuirá para garantir que os nacionais de países terceiros não permaneçam mais tempo do que o autorizado, melhorar a qualidade e a eficiência dos controlos nas fronteiras externas e ajudar os Estados-Membros a fazer face ao número crescente de viajantes. O ETIAS velará igualmente por que as autoridades nacionais disponham de mais informações sobre a eventualidade de as pessoas que viajam para a União Europeia sem visto representarem um risco de segurança ou imigração clandestina, antes de chegarem às fronteiras externas. Se necessário, a sua autorização de viagem poderá ser recusada.

Film wideo na temat Europejskiej Straży Granicznej i Przybrzeżnej

Wzmocnienie Europejskiej Straży Granicznej i Przybrzeżnej. © Unia Europejska, 2019

Gerir as migrações e salvar vidas no mar

As operações conjuntas da União Europeia e as missões navais contribuíram para o salvamento de mais de 760 000 pessoas no mar e prestaram assistência aos Estados-Membros que acolhem recém-chegados do Mediterrâneo.

Em conformidade com o Plano de Ação da UE de 2015 contra o tráfico de migrantes, entrou em vigor, em agosto, a versão revista do regulamento relativo às redes de agentes de ligação da imigração. Garante-se, deste modo, uma cooperação e uma coordenação melhoradas entre os agentes de ligação da imigração que os Estados-Membros, a Comissão e as agências da União Europeia destacam para países terceiros, a fim de dar respostas mais eficazes e prevenir e combater a imigração clandestina e a criminalidade transfronteiriça.

Este gráfico mostra o aumento e a diminuição das passagens irregulares das fronteiras no Mediterrâneo desde 2014.

Entre 2014 e 2019, as passagens irregulares das fronteiras nas três principais rotas migratórias, nomeadamente o Mediterrâneo Oriental, o Mediterrâneo Central e o Mediterrâneo Ocidental, registaram uma tendência flutuante, que, de modo geral, se manteve abaixo das 50 000 chegadas por mês. A rota do Mediterrâneo Oriental registou sistematicamente o maior número de passagens, seguida da rota do Mediterrâneo Central e da rota do Mediterrâneo Ocidental. Os números mais elevados de passagens foram registados desde o início de 2015 até ao início de 2016; o número de passagens na rota do Mediterrâneo Oriental aumentou muito acima da média, atingindo um pico de 200 000 passagens por mês em outubro de 2015; só no dia 20 desse mês registaram-se 10 000 entradas. Desde então, o número de passagens irregulares das fronteiras nas três rotas principais diminuiu para os níveis de 2014, muito abaixo das 50 000 chegadas por mês. Fonte: dados provenientes do Relatório sobre a aplicação da Agenda Europeia da Migração [COM(2019) 481 final, de 16 de outubro de 2019]. Fonte dos dados: Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira

A Comissão continuou a contribuir para os esforços destinados a impedir os potenciais migrantes de optarem por rotas migratórias irregulares para a União Europeia e de arriscarem as suas vidas nas mãos de redes de passadores. Financiou oito campanhas de informação e sensibilização, dirigidas diretamente às potenciais comunidades de migrantes irregulares em países terceiros e às respetivas diásporas na Europa, com informações objetivas que permitam aos migrantes tomar decisões em perfeito conhecimento de causa. A Comissão reforçou também o financiamento de parcerias operacionais que incluem equipas de investigação conjuntas, que absorvem agora 22,5 milhões de euros. Estas parcerias entre os Estados-Membros e as autoridades competentes pela aplicação da lei nos países terceiros visam pôr cobro à ação dos passadores de migrantes na África Ocidental e no Norte de África.

Acordos temporários

As operações de desembarque no Mediterrâneo Central demonstraram claramente a necessidade de encontrar soluções europeias baseadas na solidariedade, na responsabilidade conjunta e no respeito dos direitos fundamentais. A Comissão tem apoiado ativamente a celebração de acordos temporários entre Estados-Membros, que facilitem o desembarque após operações de busca e de salvamento no Mediterrâneo, na pendência de um acordo sobre um sistema mais permanente no quadro da reforma do sistema europeu de asilo. Ao longo de 2019, a Comissão, com o apoio das agências da União Europeia e a pedido dos Estados-Membros, coordenou a recolocação voluntária de 1 608 pessoas.

Regresso e readmissão

O Parlamento Europeu e o Conselho continuaram a negociar a proposta da Comissão de 2018 para reforçar a Diretiva Regresso. As alterações às regras comuns da União Europeia nesta matéria incluem a simplificação das operações de regresso para as pessoas a quem é recusado asilo durante os procedimentos na fronteira, a introdução de formalidades mais claras e mais rápidas no que respeita às decisões de regresso e a exigência de que uma decisão que ponha termo à permanência regular seja imediatamente seguida de uma decisão de regresso.

A capacidade de a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira apoiar as operações de regressos foi reforçada em dezembro com a adoção de um novo regulamento da União Europeia, o qual confere à Agência um papel mais proativo na assistência aos Estados-Membros em função das suas necessidades e alarga o âmbito da assistência potencial em todas as fases do procedimento de regresso.

A União Europeia acordou 23 instrumentos de readmissão com países terceiros. Em 2019, prosseguiram os trabalhos nesta área, estando em curso negociações de acordos ou quadros de cooperação mais amplos em matéria de migração com seis outros países.

Proporcionar proteção aos que dela necessitam

Reforma do sistema de asilo

Apesar dos intensos esforços envidados pelas Presidências romena e finlandesa do Conselho, os Estados-Membros não conseguiram chegar a um consenso e as propostas de reforma da política de asilo da União Europeia continuam estagnadas. Imediatamente após a tomada de posse, em dezembro, a vice-presidente Margaritis Schinas e a comissária Ylva Johansson deram início a rondas de consulta dos governos dos Estados-Membros, com visitas à Dinamarca, à Alemanha, à Grécia, à França, à Itália e à Hungria. Cada uma lançou igualmente um debate estruturado com o Parlamento Europeu. A consulta é um aspeto importante do compromisso assumido pela presidente von der Leyen de encontrar uma solução para a questão da migração, e ajudará a definir os contornos do novo Pacto sobre a Migração e o Asilo que será proposto em 2020.

Centros de registo e equipas de apoio na Grécia, Chipre, Malta, Itália e Espanha

Desde 2015, a Comissão disponibilizou 2,2 mil milhões de euros de financiamento para ajudar as autoridades gregas, as organizações internacionais e as organizações não governamentais (ONG) a gerir a migração. Os apoios foram prestados no âmbito do Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração (FAMI), do Fundo para a Segurança Interna (FSI) e do Instrumento de Apoio de Emergência. Além disso, a Comissão continuou a prestar apoio estrutural às autoridades gregas, mercê de uma presença permanente nas ilhas do mar Egeu.

Desde setembro de 2019, a Comissão assegura uma presença permanente em Chipre para apoiar as autoridades cipriotas a gerir a migração de forma eficaz. O financiamento disponibilizado pela União Europeia ao país desde 2014 atingiu 103,5 milhões de euros. Entre 2014 e o final de 2019, a União Europeia concedeu igualmente verbas num total de 112,85 milhões de euros a Malta, ao abrigo do FAMI e do FSI.

O montante de 59,4 milhões de euros atribuído à Itália em 2019 elevou o valor total da ajuda de emergência para 285,2 milhões de euros. Esta verba complementa os 737,4 milhões de euros da União Europeia concedidos à Itália no âmbito dos seus programas ao abrigo do FAMI e do FSI entre 2014 e 2020.

Com a concessão de mais de 52 milhões de euros de ajuda de emergência desde 2018, a Comissão continuou a ajudar a Espanha a prestar apoio aos migrantes, a criar centros locais de registo e de pré-acolhimento e a mobilizar forças suplementares da Guardia Civil.

Os migrantes que chegam aos centros de registo na Grécia e em Itália, bem como na costa sul de Espanha, continuaram a ser devidamente registados e identificados, com recolha de impressões digitais.

Apoio financeiro a uma gestão eficiente da migração

A União Europeia apoia os esforços nacionais para melhorar a gestão da migração e das fronteiras com um financiamento significativo canalizado através dos programas de ação geridos pelos Estados-Membros. Em 2019, foram disponibilizados 467 milhões de euros ao abrigo do FAMI, bem como 442,7 milhões de euros ao abrigo do FSI (Fronteiras e Vistos) e 92,7 milhões de euros ao abrigo do FSI (Polícia).

Resumo dos fundos destinados à gestão da migração.

O financiamento ao abrigo do Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração apoia os Estados-Membros na gestão dos fluxos migratórios, nomeadamente nos domínios do asilo, da integração, da migração legal e do regresso. O financiamento ao abrigo do Fundo para a Segurança Interna apoia os esforços dos Estados-Membros para melhor proteger a segurança dos cidadãos e melhor proteger e gerir as fronteiras externas da União Europeia. É composto por dois instrumentos: o Fundo para a Segurança Interna (Fronteiras e Vistos) e o Fundo para a Segurança Interna (Polícia). Direitos de Autor: União Europeia

A Declaração UE-Turquia

A Declaração UE-Turquia continuou a oferecer alternativas às rotas perigosas e a salvar vidas no mar Egeu. Em 2019, o número de migrantes em situação irregular que chegaram por via marítima à Grécia vindos da Turquia (cerca de 60 000) foi consideravelmente mais baixo do que antes da assinatura da declaração (antes de outubro de 2015). Os Estados-Membros abriram rotas organizadas, seguras e legais para os refugiados sírios na Turquia viajarem para a Europa, mediante a reinstalação de cerca de 25 700 deles (até ao final de 2019). Em 2019, registaram-se 3 854 regressos voluntários da Grécia para países terceiros, no âmbito do Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração, 3 260 dos quais provenientes do continente e 594 das ilhas. Desde 2016, 17 900 migrantes regressaram voluntariamente com o apoio do programa.

Ao mesmo tempo, a União Europeia continuou a apoiar a Turquia nos seus esforços de acolhimento de refugiados, contribuindo com 6 mil milhões de euros do Mecanismo em Favor dos Refugiados na Turquia, no período de 2016-2019.

Até finais de 2019, o orçamento tinha sido afetado na sua totalidade. Dos 4,7 mil milhões de euros acordados, haviam sido pagos 3,2 mil milhões de euros. Mais de 1,7 milhões de refugiados continuam a beneficiar de um apoio pecuniário mensal designado Rede de Segurança Social de Emergência, para os ajudar a satisfazer as necessidades básicas, e mais de 500 000 crianças refugiadas têm acesso à educação.

Starszy mężczyzna rozmawia z pracownikiem pomocy humanitarnej

Syryjski uchodźca z Rakki, beneficjent finansowanej przez UE siatki bezpieczeństwa socjalnego w sytuacjach nadzwyczajnych, rozmawia z pracownikami Światowego Programu Żywnościowego w swoim domu, Ankara, Turcja, 24 września 2019 r.

Criar rotas de migração seguras, ordenadas e legais para a Europa

Política de vistos

A União Europeia continuou a atualizar e a simplificar a política de vistos para os nacionais de países terceiros que viajem para o espaço Schengen. De fevereiro de 2020 em diante, o Código de Vistos revisto reduzirá a burocracia e facilitará os procedimentos de concessão de vistos para estadas de curta duração, preservando a segurança. O código revisto estabelece um novo mecanismo que impõe condições mais rígidas no tratamento dos vistos em relação aos países parceiros que não cooperem o suficiente para a readmissão dos seus nacionais que se encontram em situação irregular no território da União Europeia. Para determinadas categorias de viajantes, os Estados-Membros poderão prolongar os prazos de tratamento dos vistos, reduzir a validade dos vistos emitidos e aumentar as taxas devidas, bem como rever as condições em que é concedida a isenção dessas taxas.

Facilitação de vistos e suspensão de vistos

Em junho, foram concluídas as negociações entre a União Europeia e a Bielorrússia sobre os acordos de facilitação de vistos e de readmissão, tendo os acordos sido rubricados pelos negociadores principais. As partes estão agora a trabalhar para finalizar os procedimentos internos, a fim de permitir a assinatura dos acordos. Os dois acordos serão assinados e entrarão em vigor simultaneamente.

O mecanismo de suspensão de vistos foi reforçado em 2017, para permitir uma resposta rápida em caso de urgência. Em junho de 2019, a Comissão recebeu uma notificação dos Países Baixos ao abrigo do mecanismo relativo à Albânia. Após uma análise cuidadosa do conteúdo da notificação e com base nas informações disponíveis e nos dados pertinentes, a Comissão considerou que não estavam reunidas as circunstâncias necessárias para desencadear o mecanismo, e comprometeu-se a acompanhar a situação.

Reciprocidade em matéria de vistos

Atualmente, os cidadãos de cerca de 60 países de todo o mundo podem viajar para a União Europeia sem precisar de visto. Por sua vez, os cidadãos da União Europeia devem ter a mesma facilidade de viajar para esses países. Este princípio de reciprocidade é fundamental para a política comum em matéria de vistos. Registaram-se progressos com os Estados Unidos quando, em setembro, a administração americana anunciou que a Polónia já podia fazer parte do seu programa de isenção de vistos. Embora os Estados Unidos continuem a exigir vistos para os cidadãos da Bulgária, da Croácia, de Chipre e da Roménia, a medida anunciada relativamente à Polónia justifica a abordagem de diplomacia paciente que a Comissão adota com a administração dos EUA.

Os Estados Unidos indicaram que estão dispostos a admitir estes Estados-Membros no programa de isenção de vistos, assim que os mesmos cumprirem os requisitos estabelecidos pela legislação americana, por exemplo no que diz respeito à cooperação em matéria de segurança e à redução da taxa de vistos recusados.

Passaportes dourados e vistos dourados

Em janeiro, a Comissão apresentou um relatório exaustivo sobre os regimes de concessão de cidadania e residência a favor dos investidores aplicados em vários Estados-Membros. Estes regimes, comummente conhecidos como «passaportes dourados» e «vistos dourados», respetivamente, permitem que se obtenha uma nova nacionalidade ou uma autorização de residência com base exclusivamente no facto de se realizar um investimento. No que respeita aos países que beneficiam da isenção de visto para entrar na União Europeia, o relatório da Comissão sublinhou que devem garantir rigorosamente a segurança e verificar os antecedentes dos investidores candidatos aos regimes de concessão de cidadania. A Comissão acompanha esta situação no âmbito do mecanismo de suspensão de vistos. No que diz respeito aos países candidatos e aos países potencialmente candidatos à adesão à União Europeia, os regimes de concessão de cidadania são igualmente monitorizados no contexto do processo de adesão. Consultar igualmente o capítulo 7.

Incentivar a migração em função das necessidades

Em 2019, a União Europeia reforçou a cooperação bilateral com países de origem e de trânsito e com organizações internacionais, no intuito de combater as causas profundas da migração clandestina e das deslocações forçadas, melhorar a gestão das fronteiras e favorecer os regressos voluntários e a mobilidade em condições humanas. Trabalhou também com a União Africana e as Nações Unidas através de um grupo de trabalho conjunto.

A Comissão continuou a trabalhar no desenvolvimento de rotas de migração legal, a fim de ajudar a trazer para a União Europeia pessoas com as competências e os talentos de que o mercado de trabalho europeu necessita. Na primavera, a Comissão finalizou uma avaliação global das regras da União Europeia em matéria de migração legal. Os resultados deste «balanço da qualidade» confirmaram a importância de uma política de migração legal eficaz, como elemento essencial de uma política europeia de migração.

Ao longo do ano, a Comissão continuou a trabalhar em cooperação com os Estados-Membros no desenvolvimento de projetos-piloto de migração laboral, com a participação dos principais países parceiros, a começar pelos países africanos. Para o efeito, a Comissão prestou apoio financeiro, nomeadamente ao abrigo do Fundo Fiduciário de Emergência para África.

Integração

A política de integração é uma responsabilidade nacional. Contudo, em 2019, a Comissão continuou a apoiar os esforços dos Estados-Membros, dos órgãos de poder local e regional, das ONG e de outros agentes através da coordenação das políticas, do intercâmbio de práticas, de ações de acompanhamento e de financiamento. Estas medidas foram adotadas para promover a integração de nacionais de países terceiros a quem tenha sido concedido o estatuto de refugiado. Em 2019, a Comissão financiou oito grandes redes transnacionais de 40 municípios e dez regiões para fomentar a cooperação em questões de integração. No contexto da Rede Europeia de Integração, a Comissão apoiou várias atividades de aprendizagem mútua entre as autoridades nacionais, incluindo um programa inovador de ajuda entre os Estados-Membros para criar ou melhorar uma política ou um programa específico em matéria de integração.

Capítulo 9

Uma Europa mais forte na cena mundial

Nestes tempos conturbados do mundo atual, em que o multilateralismo está sob ataque, a União Europeia colocou-se na vanguarda dos esforços mundiais que visam responder aos desafios de hoje através da cooperação internacional. Em 2019, a União Europeia pugnou pela defesa e pelo reforço das Nações Unidas e de acordos multilaterais fundamentais, entre os quais o acordo nuclear com o Irão, o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A União Europeia apoiou as conversações no quadro das Nações Unidas com vista a encontrar uma solução para os piores conflitos dos nossos tempos, por exemplo na Síria e na Líbia, e contribuiu para o Acordo de Estocolmo relativo ao Iémen celebrado sob os auspícios da ONU. Acompanhou as negociações que conduziram ao acordo de paz em Moçambique, testemunhou a sua assinatura e apoiou a sua aplicação.

A União Europeia criou o grupo internacional de contacto para a Venezuela, que integra países da Europa e da América Latina, a fim de tentar encontrar uma solução pacífica e democrática para a crise, e organizou igualmente uma conferência internacional de solidariedade sobre a crise dos refugiados e migrantes da Venezuela. Realizaram-se importantes cimeiras com a Ucrânia, a China, o Japão e, pela primeira vez, com a Liga dos Estados Árabes.

A União Europeia apoiou as reformas nos Balcãs Ocidentais, bem como nos países da vizinhança oriental e meridional, e consolidou as suas parcerias com estes países.

A União Europeia reforçou o seu papel em matéria de segurança e defesa, investindo para o efeito na indústria de defesa europeia e em tecnologia e capacidades militares e civis. Prosseguiu também os trabalhos com vista à criação do Fundo Europeu de Defesa e estreitou relações com a NATO.

A União Europeia continuou a sua missão humanitária, tendo atribuído 1,6 mil milhões de euros em auxílios a países afetados por catástrofes naturais e de origem humana.

A política de vizinhança da União Europeia

A vizinhança oriental

Em 2019, a União Europeia continuou a apoiar e a promover a estabilidade, a segurança e a prosperidade no quadro da política europeia de vizinhança e estabeleceu parcerias sólidas com os países vizinhos a leste e a sul.

Em maio, realizaram-se em Bruxelas uma reunião ministerial e uma conferência de alto nível para assinalar o décimo aniversário da Parceria Oriental. As reformas realizadas com vista a concretizar os objetivos fixados na agenda «20 resultados para 2020» avançaram em todos os domínios, sobretudo nos setores digital, da economia, dos transportes, da conectividade, da energia e da mobilidade; subsistem ainda desafios nos domínios da governação e do desenvolvimento institucional. Os objetivos estratégicos de longo prazo definidos na sequência da ampla consulta sobre o futuro da parceria, realizada em 2019, deverão ser apresentados antes da cimeira da Parceria Oriental, que deverá ocorrer no primeiro semestre de 2020.

Grupa młodych ludzi siedzi na boisku

Młodzież z UE i sześciu państw Partnerstwa Wschodniego (Armenii, Azerbejdżanu, Białorusi, Gruzji, Mołdawii i Ukrainy) uczestniczy w trzeciej edycji europejskiego obozu letniego dla szkół, Tbilisi, Gruzja, 17 sierpnia 2019 r.

Relações com a Ucrânia

Na cimeira de Kiev, em julho, a União Europeia e a Ucrânia emitiram uma declaração conjunta, e a União reafirmou o seu empenho na independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia. A União Europeia reiterou igualmente o seu apoio à aplicação dos acordos de Minsk e aos esforços envidados pelo Quarteto da Normandia, o Grupo de Contacto Trilateral sobre a Ucrânia e a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) no sentido de alcançar uma solução pacífica e sustentável para o conflito. Em 2019, a Comissão e o Governo ucraniano assinaram quatro programas no valor de 109 milhões de euros, provenientes do pacote de apoio que a Comissão concede anualmente a este país. Os programas visarão sobretudo a descentralização, a luta contra a corrupção, o apoio à sociedade civil e a cooperação técnica para a realização de reformas fundamentais, e ainda a aplicação do Acordo de Associação, incluindo a zona de comércio livre abrangente e aprofundado nele prevista.

Rússia

A União Europeia manteve a sua abordagem dual em relação à Rússia, que continua a representar um desafio estratégico: impôs sanções em resposta às violações, pela Rússia, da soberania e integridade territorial da Ucrânia e mantém um diálogo seletivo, em função das necessidades, em questões de interesse para a União Europeia, como os intercâmbios juvenis e culturais e a cooperação no domínio da educação entre a União e a Rússia.

A vizinhança meridional

A assistência técnica e financeira concedida pela União Europeia em 2019 contribuiu para a resposta aos principais desafios da região: os conflitos na Síria, na Líbia e entre Israel e a Palestina (esta designação não deve ser interpretada como o reconhecimento de um Estado da Palestina e não prejudica a posição de cada um dos Estados-Membros sobre esta questão), a pressão migratória constante, a má governação e o enquadramento empresarial deficiente. As relações entre a União Europeia e Marrocos ganharam novo ímpeto em junho, na sequência da declaração política conjunta em que se advoga o desenvolvimento de uma parceria de prosperidade partilhada. O Plano de Investimento Externo foi determinante para financiar o setor privado e promover o desenvolvimento económico e a criação de emprego na região da vizinhança meridional e em África.

Os Balcãs Ocidentais e o processo de alargamento

Em 2019, as instituições da União mantiveram a sua determinação em apoiar a perspetiva de adesão à União Europeia dos Balcãs Ocidentais, em consonância com a estratégia para os Balcãs Ocidentais e a agenda de prioridades de Sófia, que visam reforçar a transformação política, económica e social da região. A União Europeia confirmou ainda o seu apoio contínuo à cooperação, para que a região possa explorar todo o seu potencial económico e social e libertar-se da herança do passado. A título de exemplo, o acordo de itinerância (roaming) regional dos Balcãs Ocidentais, que entrou em vigor em julho, veio reduzir consideravelmente as tarifas de roaming na região, e aboli-las-á por completo em 2021. A entrada em vigor do Acordo de Prespa entre a Grécia e a Macedónia do Norte, em fevereiro, foi um marco histórico e uma conquista importante para a região.

A primeira reunião ministerial sobre emprego e assuntos sociais entre a União Europeia e os Balcãs Ocidentais realizou-se no Luxemburgo, em 12 de junho. Os ministros da presidência tripartida do Conselho (Roménia, Finlândia e Croácia), em conjunto com a Comissão, reuniram-se com os seus homólogos dos Balcãs Ocidentais para discutir uma série de questões de emprego e política social. Esta reunião, que deverá realizar-se todos os anos, tem por objetivo trocar opiniões sobre os desafios que se colocam ao emprego e as reformas sociais que podem trazer vantagens a todos os cidadãos da região.

Em outubro, o Conselho Europeu analisou as recomendações da Comissão no sentido de dar início às negociações de adesão com a República da Macedónia do Norte e a Albânia e decidiu voltar a debruçar-se sobre a questão do alargamento antes da cimeira UE-Balcãs Ocidentais, que se realizará em Zagreb, em maio de 2020.

Turquia

As relações entre a União Europeia e a Turquia continuaram a ser postas em causa pela situação crítica do Estado de direito, dos direitos fundamentais e da independência do poder judicial na Turquia, bem como pela escalada das tensões no Mediterrâneo Oriental. A União Europeia continuou a prestar assistência aos refugiados no âmbito do mecanismo em favor dos refugiados na Turquia, que gere 6 mil milhões de euros de financiamento para ajudar mais de 4 milhões de refugiados acolhidos no país.

Relações África-Europa

A União Europeia iniciou uma parceria sem precedentes com África, para estabelecer uma verdadeira relação política entre iguais. A Parceria África-UE abrange uma série de domínios, entre os quais o desenvolvimento, a paz e a segurança, a migração, o clima, a energia, a agricultura, o comércio, o investimento e o emprego sustentáveis, a inovação, a educação, a juventude, a democracia e os direitos humanos.

Em 2019, avançou-se na execução da Aliança África-Europa para Investimentos e Empregos Sustentáveis de 2018. A União Europeia já contribuiu com 3,7 mil milhões de euros no âmbito do Plano de Investimento Externo, que deverá mobilizar 37,1 mil milhões de euros de investimentos nos países da Vizinhança Europeia e na África Subsariana. O compromisso de afetar mais de 300 a 350 milhões de euros por ano entre 2018 e 2020 à consolidação do ambiente empresarial e do clima de investimento está também a ser cumprido — logo em 2018, a União Europeia investiu 718 milhões de euros.

Ursula von der Leyen rozmawia z Gedu Andargachewem

Ursula von der Leyen, przewodnicząca Komisji Europejskiej, i Gedu Andargachew, minister spraw zagranicznych Etiopii, Addis Abeba, Etiopia, 7 grudnia 2019 r.

No que diz respeito à mobilidade, o compromisso assumido pela União Europeia no sentido de apoiar 35 000 estudantes e pessoal docente até 2020 está também a produzir bons resultados: no final de 2019, o número de beneficiários ascendia já a 25 000. Quanto à integração económica e ao comércio, a União Europeia apoiará a zona de comércio livre continental africana com 62,5 mil milhões de euros até 2020. Por último, os esforços envidados pelos quatro grupos de trabalho constituídos por peritos africanos e europeus nos domínios da agricultura, da economia digital, da energia e dos transportes deram os seus frutos.

América do Norte e América Latina

A União Europeia continuou a trabalhar com um dos seus principais parceiros, os Estados Unidos. Os Balcãs Ocidentais e a Ucrânia, a energia, a luta contra o terrorismo e a cibersegurança são alguns dos exemplos desta cooperação. A parceira reforçada entre a União Europeia e a NATO é prova de que o espaço de segurança transatlântico está cada vez mais interligado.

A União Europeia uniu esforços com o Canadá para defender o multilateralismo e a ordem mundial assente em regras, e nomeadamente um sistema de comércio internacional livre e equitativo. Na cimeira realizada em Montreal, em julho, a União Europeia e o Canadá comprometeram-se a aplicar integralmente o acordo de comércio livre que celebraram.

Em abril, a Comissão e a alta representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e vice-presidente da Comissão Europeia publicaram uma comunicação conjunta que traça os planos para construir uma parceria mais sólida e moderna com os países da América Latina e das Caraíbas, centrada no comércio, no investimento e na cooperação setorial. Em 2019, a União Europeia continuou a apoiar o acordo de paz na Colômbia, consolidou a nova fase das suas relações com Cuba por ocasião do segundo Conselho Conjunto UE-Cuba a nível ministerial realizado no âmbito do Acordo de Diálogo Político e de Cooperação e criou o Grupo Internacional de Contacto para a Venezuela para ajudar a superar a crise neste país. Em outubro, a conferência internacional de solidariedade sobre a crise dos refugiados e dos migrantes da Venezuela congregou os países da região, a União Europeia, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU, com o objetivo de tentar melhorar a coordenação da paz e a resposta humanitária.

Ásia e Pacífico

A União Europeia e os cinco países da Ásia Central — Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turquemenistão e Usbequistão — mantêm uma relação de longa data, assente em fortes interesses mútuos. Em maio, a União Europeia apresentou a sua visão para uma parceria reforçada com estes países, centrada na promoção da resiliência, da prosperidade e da cooperação.

Japão

O acordo de parceria estratégica entre a União Europeia e o Japão, celebrado em 2018 e aplicado a título provisório desde fevereiro de 2019, e o acordo de parceria económica, em vigor desde essa data, começaram a produzir resultados em 2019. Em abril, realizou-se em Bruxelas a 26.a cimeira entre a União Europeia e o Japão. Em 7 de setembro, o presidente Juncker e o primeiro-ministro Shinzo Abe assinaram uma parceria em matéria de conectividade sustentável e infraestruturas de qualidade. Esta parceria, a primeira do género, põe em evidência a importância estratégica desta relação, que ambas as partes se comprometeram a reforçar.

China

Em março, face ao protagonismo crescente da China na esfera económica e política, a Comissão Europeia e a alta representante passaram em revista as relações entre a União Europeia e a China e analisaram as oportunidades e os desafios a elas associados numa comunicação conjunta, na qual definiram dez ações concretas que seriam posteriormente debatidas pelos dirigentes no Conselho Europeu de 21 de março.

Na sua cimeira de abril, a União Europeia e a China comprometeram-se a aprofundar a parceria estratégica e a adotar uma nova agenda de cooperação para o período após 2020 até à próxima cimeira. Ambas concordaram em identificar corredores ferroviários comuns entre a União Europeia e a Ásia e estão a promover o desenvolvimento local nos países de trânsito. As duas partes estão especialmente empenhadas na segurança na Ásia, desde a cooperação militar com a Associação das Nações do Sudeste Asiático até ao apoio à desnuclearização da península coreana.

Em 2019, o objetivo da União Europeia de adotar uma abordagem coerente no que respeita aos planos ambiciosos da China de alargar a conectividade ao ocidente passou também por uma linha de ação mais estratégica em relação à Ásia. A estratégia da União Europeia para Interligar a Europa e a Ásia promove uma política que inclui projetos de infraestruturas que criem oportunidades económicas justas e promovam a conectividade sustentável.

Médio Oriente

Irão

Em 2019, a União Europeia continuou a apoiar o acordo nuclear com o Irão e a aplicação plena e efetiva de todos os seus aspetos. A União Europeia lamenta a retirada dos Estados Unidos do plano de ação conjunto global e a reimposição de sanções por este país e manifesta a sua profunda preocupação pelo facto de o Irão ter começado a desenvolver atividades incompatíveis com os compromissos assumidos no âmbito do acordo. Em consonância com as conclusões do Conselho de 4 de fevereiro de 2019, a União Europeia adotou uma abordagem global com o Irão, no intuito de dar resposta a todas as questões que suscitam preocupação e equilibrar as perspetivas críticas com um diálogo construtivo de alto nível, inclusive no quadro do diálogo político com o Irão encetado pela União Europeia sobre questões regionais.

Israel, Palestina e processo de paz no Médio Oriente

A União Europeia continuou a defender e a promover a solução do conflito israelo-palestiniano assente no princípio da coexistência de dois Estados com base nos parâmetros acordados à escala internacional. A União Europeia concedeu ainda aos palestinianos perto de 350 milhões de euros em auxílio financeiro, que se destina, em grande parte, aos esforços de consolidação das bases do futuro Estado palestiniano.

Ambasadorzy Erasmusa+ na stoisku odpowiadają na pytania innych studentów

Studenci na stoisku informacyjnym Erasmus+ podczas wystawy i sesji networkingowej programu objazdowego kampusów #EU4YOUth, promującego UE wśród młodzieży, Birzeit, Palestyna, 21 lutego 2019 r.

Síria

Na Conferência de Bruxelas III sobre a Síria, realizada em março, a União Europeia comprometeu-se a atribuir, em 2020, um montante de 560 milhões de euros ao financiamento destinado a apoiar as atividades humanitárias, de resiliência e de desenvolvimento no país, bem como na Jordânia e no Líbano.

Líbia

Em 2019, a União Europeia empenhou-se no apoio aos esforços internacionais e regionais, com vista a encontrar uma solução sustentável para a crise política na Líbia e promover o seu desenvolvimento económico.

Segurança e defesa

Atualmente, os Estados-Membros podem proteger melhor os cidadãos, investir na cooperação em matéria de defesa, utilizar de melhor forma os fundos existentes e colaborar ainda mais estreitamente com os seus parceiros e países vizinhos.

Em 2019, a União Europeia prosseguiu os seus esforços para combater as ameaças híbridas. A alta representante e a Comissão apresentaram um relatório sobre a aplicação do quadro comum de 2016 em matéria de luta contra as ameaças híbridas e a comunicação conjunta de 2018 «Aumentar a resiliência e reforçar a capacidade de enfrentar ameaças híbridas».

A União Europeia reforçou ainda os três grupos de trabalho de comunicação estratégica (Leste, Balcãs Ocidentais e Sul). São igualmente de assinalar progressos na luta contra a desinformação proveniente de fontes externas e internas. Estes trabalhos, norteados pelo plano de ação contra a desinformação, publicado em 2018, incidiram na deteção e análise das atividades de desinformação, no apoio à colaboração entre Estados-Membros através da criação de um sistema de alerta rápido, nos esforços envidados em conjunto com as plataformas de redes sociais no âmbito do código de conduta de 2018 e no reforço das atividades de sensibilização. A União Europeia intensificou igualmente a cooperação com outros parceiros internacionais neste domínio, como o G7 e a NATO. Ver também o capítulo 7.

Os progressos realizados pelo Centro de Excelência Europeu de Luta contra as Ameaças Híbridas em 2019 traduziram-se no aumento dos seus membros, na aprovação do programa de trabalho e num orçamento operacional. O centro continuou a prestar apoio em domínios fundamentais como a formação e a realização de exercícios.

Em 2019, fez-se um balanço dos progressos realizados pelos Estados-Membros para cumprirem os compromissos assumidos no âmbito da cooperação estruturada permanente (CEP). A União Europeia tomou nota dos progressos dos Estados-Membros participantes no sentido de reforçar os orçamentos da defesa e o investimento conjunto na defesa, com um aumento dos orçamentos da defesa agregados de 3,3 %, em 2018, e 4,6 %, em 2019. Os Estados-Membros participantes estão a utilizar cada vez mais os instrumentos da União Europeia no planeamento da defesa nacional, tais como o plano de desenvolvimento de capacidades revisto e a análise anual coordenada da defesa, que serviram de base ao programa de trabalho para o Programa Europeu de Desenvolvimento Industrial no domínio da Defesa.

Este gráfico explica as vantagens do Fundo Europeu de Defesa.

A União Europeia precisa de um Fundo Europeu de Defesa por várias razões. Em primeiro lugar, estima-se que a ausência de cooperação entre os Estados-Membros no domínio da segurança e da defesa custe anualmente entre 25 e 100 mil milhões de euros. Além disso, cerca de 80 % dos concursos públicos no domínio da defesa são geridos hoje em dia a nível puramente nacional, o que cria uma onerosa duplicação das capacidades militares. Por último, desde 2010, foram gastos anualmente menos de 200 milhões de euros em investigação e tecnologia colaborativas europeias no domínio da defesa.

Ajuda ao desenvolvimento e assistência humanitária

Ajuda ao desenvolvimento

A União Europeia continuou a ser uma das forças motrizes da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Em setembro, reuniu-se com os dirigentes mundiais em Nova Iorque por ocasião da primeira cimeira das Nações Unidas sobre os objetivos de desenvolvimento sustentável e apresentou um relatório de síntese conjunto, em que deu conta dos progressos realizados.

Grupa młodych ludzi siedzi wokół logo „Faces2Hearts”

Uczestnicy kampanii „Faces2Hearts” omawiają nierówności w rozwoju na świecie podczas Europejskich Dni Rozwoju 2019, Bruksela, Belgia, 19 czerwca 2019 r.

As Jornadas Europeias do Desenvolvimento de 2019 centraram-se na questão das desigualdades, e os serviços da Comissão Europeia publicaram um documento de trabalho sobre o tema. Além disso, a União Europeia ajudou a combater a violência baseada no género com a sua iniciativa «Spotlight», unindo esforços com as Nações Unidas e novos países parceiros para prosseguir trabalhos decisivos em programas regionais, que incluem o lançamento de uma consulta aos parceiros do Pacífico sobre a conceção de um programa de 50 milhões de euros que beneficiará a região.

A União Europeia continuou a desenvolver a sua parceria com África. A Aliança África-Europa para Investimentos e Empregos Sustentáveis registou progressos assinaláveis, tendo conseguido mobilizar, até à data, mais de 40 mil milhões de euros de investimentos ao abrigo do Plano de Investimento Externo.

Este gráfico mostra o aumento do financiamento humanitário da União Europeia para a educação em situações de emergência desde 2015.

O financiamento humanitário da União Europeia para a educação em situações de emergência aumentou de 13 milhões de euros em 2015 para 63 milhões de euros em 2016 e 2017, 91 milhões de euros em 2018 e 164 milhões de euros em 2019.

Resposta às crises humanas e às situações de emergência

O orçamento da União Europeia para a ajuda humanitária, que ascende a 1,6 mil milhões de euros, ajudou milhões de pessoas em todo o mundo em 2019. A maior parte reverteu a favor dos refugiados e das pessoas deslocadas internamente em virtude dos conflitos na Síria e no Iémen. Mais de 10 % do orçamento foi afetado a «crises esquecidas», como a situação dos refugiados regionais no Burundi, o conflito na Ucrânia e as questões humanitárias na Colômbia.

A União Europeia atribui um montante recorde — 10 % do seu orçamento de ajuda humanitária — para assegurar o acesso seguro a um ensino de qualidade às crianças em situações de emergência. Foi também um dos principais doadores nas ações de luta contra o ébola.

Em 2019, a União Europeia ativou o seu Mecanismo de Proteção Civil em 17 ocasiões para responder a catástrofes súbitas na Albânia, em África, na Ásia e na América Latina. Quando o ciclone Idai devastou Moçambique em 2019, foram enviadas oito equipas de especialistas em proteção civil e ainda equipamento de purificação de água, tendas, estojos de higiene e alimentos.

Resumo da ajuda humanitária da União Europeia em 2019.

O orçamento total da União Europeia relativo à ajuda humanitária para 2019 ascendeu a 1,6 mil milhões de euros. Desse total, foram afetados 385 milhões de euros à África Subsariana; 860 milhões de euros à crise síria, com financiamento para a Síria, o Líbano, a Jordânia, a Turquia e o Egito; 88 milhões de euros ao Iraque, ao Iémen e à Palestina; 105 milhões de euros foram afetados à Ásia, América Latina, Caraíbas e Pacífico e 32 milhões de euros ao Norte de África e aos países da vizinhança europeia. Outros 174 milhões de euros foram afetados às reservas e a dotações não geográficas. Fonte: Comissão Europeia Direitos de Autor: União Europeia

Direitos humanos e democracia

A União Europeia continuou profundamente empenhada em promover e defender os direitos humanos e a democracia em todo o mundo: participou em ações conjuntas com as Nações Unidas, das quais se destaca a campanha emblemática UE-Unicef #TheRealChallenge, que assinalou o 30.o aniversário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, e, recentemente, atualizou as diretrizes para a política da União Europeia de combate à tortura à escala mundial. A União Europeia participou ativamente no sétimo Congresso Mundial contra a Pena de Morte, realizou inúmeras missões de observação eleitoral e, em outubro, adotou novas conclusões sobre a democracia.

Apoio da União Europeia ao multilateralismo, à governação mundial e ao sistema baseado em regras

Relações entre a União Europeia e as Nações Unidas

Donald Tusk przemawia z mównicy

Donald Tusk, przewodniczący Rady Europejskiej, zwraca się do Zgromadzenia Ogólnego ONZ, Nowy Jork, Stany Zjednoczone, 26 września 2019 r.

Numa altura em que se põe em causa o sistema das Nações Unidas, a União Europeia reiterou o seu empenho no multilateralismo e na organização internacional. A União Europeia é quem mais contribui para as missões de manutenção da paz das Nações Unidas e para o orçamento desta organização. Apoiou as conversações de paz lideradas pelas Nações Unidas, da Síria à Líbia, e lançou iniciativas como a parceria trilateral entre a União Europeia, as Nações Unidas e a União Africana. A sessão anual da Assembleia Geral das Nações Unidas pôs em evidência a amplitude deste compromisso.

Reforço da parceria entre a União Europeia e a NATO

A cooperação entre a União Europeia e a NATO faz parte integrante da ação da União para reforçar a segurança e a defesa europeias. Publicado em junho, o quarto relatório intercalar relativo à aplicação do conjunto comum de propostas aprovado pelos Conselhos da União Europeia e da NATO, em 2016 e 2017, destacou resultados concretos em todos os domínios da cooperação e, em especial, nos domínios fundamentais do reforço do diálogo político, da mobilidade militar, da luta contra as ameaças híbridas, dos exercícios paralelos e coordenados e das capacidades de defesa.

A União Europeia no G7 e no G20

Lee Hsien Loong, Jean-Claude Juncker, Donald Trump, Shinzō Abe i Xi Jinping siedzą za stołem

Światowi przywódcy Lee Hsien Loong, premier Singapuru, Jean-Claude Juncker, przewodniczący Komisji Europejskiej, Donald Trump, prezydent Stanów Zjednoczonych, Shinzō Abe, premier Japonii i Xi Jinping, prezydent Chin, na szczycie grupy G-20, Osaka, Japonia, 28 czerwca 2019 r.

A União Europeia é membro de pleno direito do G7 e do G20. Nestes fóruns, luta para preservar a ordem internacional assente em regras, que se encontra atualmente sujeita a grande pressão, no que toca ao comércio, à segurança, às alterações climáticas e aos direitos humanos. À semelhança de anos anteriores, ao longo de 2019, a União Europeia continuou a ser uma acérrima defensora da cooperação internacional. Na cimeira do G20 em Osaka, Japão, a coordenação entre os dirigentes europeus foi fundamental para chegar a uma declaração final que preserva os compromissos anteriormente assumidos no que diz respeito à aplicação do Acordo de Paris e à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e insta à realização de progressos ambiciosos no que se refere à reforma da Organização Mundial do Comércio e a uma solução à escala mundial para a tributação do setor digital. Em agosto, os líderes do G7 reunidos em Biarritz, França, acordaram numa declaração que aborda uma série de importantes desafios da política externa, entre os quais a situação no Irão, na Ucrânia, na Líbia e em Hong Kong. Em consonância com as suas prioridades de cooperação com África, a União Europeia aprovou igualmente novas iniciativas do G7 destinadas a melhorar as condições dos contratos públicos, promover a digitalização, aumentar o acesso ao financiamento pelas empresárias em África, reforçar a cooperação no Sael, combater as doenças pandémicas e apoiar as mulheres vítimas de violência sexual em zonas de conflito.

Capítulo 10

Uma União de mudança democrática

«Recuperar a confiança dos cidadãos no projeto europeu» foi o objetivo do presidente Jean-Claude Juncker para o ciclo que teve início em 2014 e terminou no final de 2019. Para atingir este objetivo, a Comissão Juncker comprometeu-se a tornar a União Europeia mais democrática e mais transparente.

A reunião informal dos dirigentes da União Europeia em Sibiu, na Roménia, em 9 de maio, foi a oportunidade para a União Europeia renovar a sua unidade e o seu sentido de missão. A declaração de Sibiu foi adotada. Foi o momento e o local indicados para demonstrar que as preocupações dos cidadãos estavam a ser tidas em conta no âmbito da Agenda Estratégica da União. Os cidadãos responderam através do voto nas eleições para o Parlamento Europeu, que registaram a maior taxa de participação desde 1994: mais de 50 % dos Europeus aproveitaram a oportunidade para exercer o seu direito de voto.

O ano 2019 foi também marcado por uma alteração das regras da iniciativa de cidadania europeia, para dar aos cidadãos mais oportunidades de transformar a Europa: podem agora convidar a Comissão Europeia a apresentar uma proposta legislativa. As regras revistas tornarão a iniciativa mais acessível e mais fácil para os utilizadores.

O Parlamento Europeu

Nas suas últimas sessões antes das eleições de maio, o Parlamento cessante adotou legislação que proíbe os artigos de plástico de utilização única e assegura uma melhor proteção das fronteiras externas da União Europeia. O Parlamento estabeleceu um objetivo ambicioso de redução das emissões de CO2 dos novos veículos ligeiros de passageiros e veículos comerciais ligeiros até 2030. Adotou novas regras em matéria de direitos de autor, deu a sua aprovação ao acordo comercial entre a União Europeia e o Japão e apoiou planos para melhorar a qualidade da água potável. Atualizou igualmente o seu regimento.

A nova legislatura teve início em 2 de julho, na sequência das eleições para o Parlamento que decorreram de 23 a 26 de maio. A taxa de participação de 50,7 % foi a mais elevada desde 1994 e superou a de 2014 (42,6 %).

Em 16 de outubro, o Parlamento adotou a sua lista de «questões pendentes», essencial para prosseguir as negociações informais entre as instituições da União Europeia sobre projetos de regras da União que não foram concluídos antes do final do mandato do Parlamento. Em 22 de outubro, o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, fez uma declaração perante os deputados ao Parlamento em que analisou as principais ações e realizações da Comissão nos últimos cinco anos.

O Conselho Europeu

Em março, o Conselho Europeu debateu questões económicas, as alterações climáticas, a desinformação e as relações externas. A reunião dos 27 Estados-Membros que debateram o Brexit incidiu sobre a prorrogação do artigo 50.o até 12 de abril ou 22 de maio, consoante o acordo de saída fosse ou não ratificado pelo Reino Unido durante a semana seguinte à reunião. Posteriormente, em abril, os 27 dirigentes da União Europeia acordaram em prorrogar o artigo 50.o até 31 de outubro de 2019.

Os dirigentes da União Europeia reuniram-se informalmente em Sibiu, na Roménia, em 9 de maio, para refletir sobre a Agenda Estratégica para 2019-2024. Para mais informações sobre estes debates, consultar a secção «O futuro da Europa».

Num jantar informal realizado mais tarde nesse mesmo mês, os membros do Conselho analisaram os resultados das eleições para o Parlamento Europeu e iniciaram o processo de nomeação dos novos presidentes das instituições da União Europeia.

Donald Tusk i Charles Michel witają się

Donald Tusk, były przewodniczący Rady Europejskiej, i Charles Michel, obecny przewodniczący Rady Europejskiej, przy okrągłym stole Rady Europejskiej, Bruksela, Belgia.

Em junho, os dirigentes prosseguiram os debates sobre as nomeações para cargos de alto nível da União Europeia, o quadro financeiro plurianual, as alterações climáticas, a desinformação e as ameaças híbridas, o alargamento, o Semestre Europeu e as relações externas. Adotaram igualmente a Agenda Estratégica.

Os dirigentes da União Europeia reuniram-se novamente no final do mês para debater e chegar a acordo quanto às nomeações para cargos de alto nível nas instituições da União.

Em outubro, os dirigentes debateram o futuro orçamento da União Europeia (2021-2027) e o seguimento da Agenda Estratégica, bem como as alterações climáticas, o alargamento da União Europeia, a Turquia e o abate do voo MH17 da Malaysia Airlines. O Conselho Europeu reuniu-se com a configuração prevista no artigo 50.o para debater os últimos acontecimentos relacionados com o Brexit. No final de outubro, os dirigentes da UE-27 (todos os Estados-Membros exceto o Reino Unido) acordaram em prorrogar o artigo 50.o até 31 de janeiro de 2020.

Posteriormente, os dirigentes reuniram-se em dezembro para debater as alterações climáticas e, mais uma vez, o orçamento de longo prazo da União Europeia.

O Conselho da União Europeia

A Roménia e a Finlândia exerceram a presidência rotativa do Conselho da União Europeia. Durante o primeiro semestre do ano, a Roménia centrou-se em temas como a migração e a segurança, o quadro financeiro plurianual, a economia e a Europa enquanto protagonista à escala mundial. Durante o segundo semestre do ano, a Finlândia centrou-se na ação climática e na segurança, bem como no reforço dos valores comuns, incluindo o Estado de direito, para tornar a União Europeia mais competitiva e inclusiva do ponto de vista social.

Widok na publiczność ceremonii inauguracyjnej w sali koncertowej

Inauguracyjne posiedzenie rumuńskiej prezydencji Rady UE, Bukareszt, Rumunia, 11 stycznia 2019 r.

O Comité Económico e Social Europeu e o Comité das Regiões Europeu

O Comité Económico e Social Europeu apoiou a campanha do Parlamento «Desta vez eu voto!» com a realização de uma série de atividades. Entre elas, salienta-se o evento A sociedade civil pelo rUEnascimento, realizado em fevereiro, que contou com a participação do presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, e da ativista ambiental Greta Thunberg.

O tema das Jornadas da Sociedade Civil de 2019 foi a «democracia sustentável», tendo a corrupção e as notícias falsas sido identificadas como as principais ameaças à democracia na Europa. Em novembro, o Comité realizou uma conferência sobre o Estado de direito, apelando para um diálogo estruturado entre os governos e a sociedade civil para contrariar os retrocessos em matéria de Estado de direito na União Europeia.

Em março, apresentou «Sibiu e mais além», a sua visão do futuro, na qual se espera que a Europa venha a ser líder mundial em matéria de desenvolvimento sustentável. Numa série de pareceres orientados para o futuro, apresentou propostas sobre a forma de alcançar a sustentabilidade, a transição justa para uma economia digital e a tributação equitativa.

Na oitava Cimeira Europeia das Regiões e dos Municípios, realizada em março, em Bucareste, o Comité das Regiões Europeu adotou uma declaração sobre o tema «Construir a União Europeia a partir das bases com as nossas regiões e os nossos municípios», na qual alegou que, para recuperar a confiança dos cidadãos e dispor dos recursos adequados, as decisões e as políticas da União Europeia devem ser consolidadas no plano local. Defende veementemente a subsidiariedade ativa e sublinha a importância de envolver as autoridades nacionais, regionais e locais em cada fase do processo de decisão da União Europeia. O Comité assinalou o seu 25.o aniversário realizando uma cerimónia na reunião plenária de dezembro.

No âmbito do tema «Legislar melhor», o Comité lançou uma rede de polos regionais («RegHub») para avaliar a execução da legislação da União aos níveis local e regional. A rede inclui 20 regiões que prestam informações sobre a execução das políticas. Em 2019, foram organizadas três avaliações: em matéria de contratação pública, qualidade do ar e cuidados de saúde transfronteiriços.

Ao longo do ano, ambos os Comités organizaram atividades para promover a sua ideia comum no sentido de criar um mecanismo permanente de consultas e diálogos estruturados com os cidadãos, bem como a sua participação na Conferência sobre o Futuro da Europa.

Ver também a secção intitulada «O futuro da Europa».

Completar o programa «Legislar Melhor»

Trabalhar para simplificar a legislação

Resumo da simplificação regulamentar e legislativa durante o mandato da Comissão Juncker.

A simplificação regulamentar e legislativa foi um dos principais resultados alcançados entre 2014 e 2019. Durante a Comissão Barroso II, houve, em média, 130 iniciativas principais por ano (117 nos últimos 11 meses de 2010, 196 em 2012, 108 em 2013, 146 em 2014 e 79 em outubro de 2015). Durante a Comissão Juncker, este número diminuiu 83 %, tendo sido apresentadas 23 iniciativas principais em 2015 e 2016, 21 em 2017, 26 em 2018 e apenas 15 em 2019. No período de 2015 a 2019, houve 142 propostas de retirada, foram revogados 84 atos legislativos e registaram-se 162 iniciativas de simplificação regulamentar. Fonte: Comissão Europeia.

O acordo interinstitucional «Legislar Melhor»

Em 2016 e 2017, o Parlamento Europeu, o Conselho e a Comissão Europeia assinaram duas declarações conjuntas sobre as prioridades legislativas da União Europeia, tendo destacado 89 iniciativas que exigiam tratamento prioritário no âmbito do processo legislativo. Este compromisso comum assumido pelas três instituições visava assegurar progressos significativos e, se possível, obter resultados concretos antes das eleições europeias de maio de 2019.

Até ao final do primeiro semestre de 2018, a Comissão tinha adotado todas as iniciativas anunciadas nas declarações conjuntas e, até às eleições europeias, 61 das 89 iniciativas da declaração conjunta tinham sido acordadas ou formalmente adotadas pelo Parlamento e pelo Conselho. No final do ano, estavam ainda pendentes 22 iniciativas.

Em 2019, a Comissão Europeia concluiu com êxito as negociações com o Parlamento e o Conselho sobre os critérios não vinculativos para a escolha entre atos de execução e atos delegados. Esta escolha dificulta muitas vezes as negociações legislativas e a existência de critérios pode contribuir para a agilização do processo. Estas negociações levaram à celebração do Acordo Interinstitucional sobre Legislar Melhor, publicado em julho. Além disso, o colegislador concordou com a adaptação dos 68 atos em vigor ao Tratado de Lisboa, alterando o procedimento de regulamentação utilizado. Para tal, é realizado um controlo da forma como a Comissão exerce as suas competências executivas sobre os atos delegados e os atos de execução, em conformidade com o Regulamento (UE) n.o 182/2011 do Parlamento Europeu e do Conselho.

Controlo da aplicação do direito da União Europeia

O relatório anual sobre o controlo da aplicação do direito da União Europeia, publicado em julho, expõe a forma como a Comissão acompanhou e controlou a aplicação do direito da União em 2018.

Por exemplo, a Comissão agiu com firmeza ao garantir a aplicação das regras nos domínios do ambiente, da mobilidade e dos transportes, bem como do mercado interno, da indústria, do empreendedorismo e das PME. Apoiou as autoridades nacionais e regionais na execução das regras em matéria de qualidade do ar e da água. Também tomou medidas contra os Estados-Membros que não cumpriram os seus compromissos e não aplicaram as regras da União Europeia em matéria de registo de identificação dos passageiros, de luta contra o terrorismo e de luta contra o branqueamento de capitais. Por outro lado, a Comissão utilizou as suas competências executivas quando alguns Estados-Membros não agiram de forma suficientemente rápida para melhorar o acesso das pessoas com deficiência a sítios Web e a outras aplicações móveis. Se o direito da União Europeia não for corretamente aplicado, os cidadãos e as empresas não podem exercer os seus direitos ou usufruir dos benefícios nele consagrados.

Resumo dos processos por infração abertos e encerrados pela Comissão Europeia entre 2014 e 2019.

Processos por infração abertos entre o final de 2014 e 11 de outubro de 2019. Em 2014, a Comissão Europeia tinha dado início a 1 347 processos por infração. A Comissão Juncker entrou em funções em novembro de 2014 e no ano seguinte foram abertos 1 368 processos por infração. Este número subiu para 1 657 em 2016, desceu para 1 559 em 2017 e voltaria a subir para 1 571 em 2018; em 11 de outubro de 2019, estavam pendentes 1 581 processos por infração. Em 2014, foram encerrados 699 processos por infração antes de serem submetidos ao Tribunal de Justiça. Desde a entrada em funções da Comissão Juncker, em novembro de 2014, o número de processos por infração encerrados antes de serem submetidos ao Tribunal de Justiça foi de 657 em 2015, 646 em 2016, 772 em 2017, 564 em 2018 e 663 até 11 de outubro de 2019. Fonte: Comissão Europeia.

Legislar melhor no centro do processo de decisão da UE

A Comissão compromete-se a intervir apenas nos aspetos em que a União Europeia representa um valor acrescentado e proporciona benefícios às pessoas e às empresas, evitando custos desnecessários. Fá-lo com base nos melhores dados disponíveis sobre os impactos significativos ao nível económico, social, ambiental e outros. Antes de rever a legislação da União Europeia em vigor, avalia-a para compreender o que funciona e não funciona, contribuindo assim para melhorar o desempenho da legislação.

No âmbito do seu programa «Legislar Melhor», a Comissão está mais atenta às opiniões dos cidadãos e das partes interessadas para dar resposta às suas necessidades. Desde 2015, organizou mais de 400 consultas públicas, que contaram com a participação de milhões de Europeus. O número de contributos recebidos desde então mais do que quadruplicou.

O novo portal «Dê a sua opinião», um sistema de «balcão único» para que os Europeus contribuam para a elaboração de políticas da União Europeia, foi visitado quase 900 000 vezes em 2018 e ultrapassou um milhão de visitas em 2019. Em abril, a Comissão publicou um relatório para fazer o balanço das medidas tomadas pela Comissão Juncker para obter melhores resultados para os cidadãos e as empresas da União Europeia através de um processo de elaboração de políticas mais aberto, transparente e baseado em dados concretos. Os resultados do balanço foram claros: o programa «Legislar melhor» permitiu aperfeiçoar a forma como as políticas da União Europeia são elaboradas e, no futuro, deve permanecer no centro dos seus métodos de trabalho, continuando simultaneamente a melhorar os seus instrumentos, em especial a divulgação e a informação dos cidadãos e das partes interessadas, a análise do impacto e a qualidade das avaliações.

Transparência e responsabilização

Registo comum de transparência

O contacto com as partes interessadas e a sociedade civil faz parte do trabalho das instituições da União Europeia. A transparência e a responsabilização são essenciais para manter a confiança dos cidadãos europeus na legitimidade dos processos políticos, legislativos e administrativos da União.

A transparência da representação de interesses é especialmente importante para que os cidadãos possam acompanhar as atividades das entidades que procuram influenciar o processo legislativo da União Europeia. Foi por esta razão que, em 2016, a Comissão apresentou a proposta para um novo acordo interinstitucional sobre um registo de transparência obrigatório que abrange o Parlamento, a Comissão e, pela primeira vez, o Conselho da União Europeia. Estão atualmente em curso negociações sobre esta proposta.

Estão inscritas no registo cerca de 12 000 entidades. Estas entidades estão vinculadas por um código de conduta que estabelece as normas éticas que os representantes devem observar quando interagem com as instituições da União Europeia.

Código de conduta dos membros da Comissão

Em 2018, a Comissão adotou um novo código de conduta dos comissários, que estabelece regras mais rigorosas e normas éticas mais exigentes e introduz uma maior transparência em vários domínios. Desde fevereiro de 2018, a Comissão publica, a cada dois meses, informações sobre as despesas de viagem dos comissários nos respetivos sítios Web.

Em junho de 2019, a Comissão publicou o primeiro relatório anual sobre a aplicação do código de conduta atualizado, que confirmou que, desde a sua adoção, a Comissão alcançou um nível de transparência ainda maior no que se refere à conduta dos seus membros.

Por outro lado, ao abrigo do novo código, foi criado um Comité de Ética independente reforçado, composto por três membros externos altamente qualificados, que aconselha a Comissão sobre todas as questões éticas.

No início do ano, a Comissão publicou orientações éticas destinadas aos comissários que participam nas eleições para o Parlamento Europeu. Estas orientações foram aprovadas devido ao facto de o novo código permitir aos comissários participarem em campanhas eleitorais sem que tenham de pedir uma licença, tal como acontecia no passado.

A Comissão pôs igualmente em prática uma nova disposição do código, que prevê que sejam publicadas as decisões sobre as atividades que os membros da Comissão pretendem exercer após o final do mandato e os pareceres conexos do Comité de Ética independente. Em outubro, publicou-se a primeira decisão deste tipo, tendo outras sido publicadas antes do final do ano.

Acesso aos documentos

Em julho, a Comissão adotou o seu relatório sobre o acesso aos documentos. O relatório mostra que o número de pedidos iniciais de acesso aos documentos, apresentados ao abrigo das regras aplicáveis em matéria de acesso do público aos documentos, aumentou quase 9,5 % (de 6 716 pedidos em 2017 para 7 257 em 2018); o número de pedidos confirmativos registou um aumento de 4,4 % (passando de 288 em 2017 para 318 em 2018).

A Comissão continua a ser a instituição da União Europeia que trata o maior número de pedidos de acesso, registando uma constante tendência ascendente desde 2016. Os cidadãos da União e os outros requerentes estão, assim, a exercer ativamente o seu direito de acesso aos documentos.

Em 2018, a Comissão divulgou, total ou parcialmente, os documentos solicitados em mais de 80 % dos casos, e concedeu um acesso mais amplo — ou mesmo total — em quase 41 % dos 288 casos analisados na fase confirmativa.

Paralelamente, a Comissão continuou a publicar, por sua própria iniciativa, grandes volumes de documentação e informação nas suas páginas Web e nos seus vários registos públicos, que abarcam todos os domínios da atividade da União Europeia. Os dados confirmam não só a abertura da Comissão, como também a importância do direito de acesso aos documentos no âmbito da política geral de transparência da instituição.

Controlo do orçamento da União Europeia

Estabeleceu-se um quadro de controlo e um quadro de desempenho para garantir de forma razoável que os fundos da União Europeia são pagos de acordo com as regras aplicáveis e que são adotadas medidas que previnam, detetem e corrijam erros, centrando-se sobretudo na obtenção de resultados.

Em março, na sequência de uma recomendação favorável do Conselho, o Parlamento deu a sua aprovação final à execução do orçamento da União Europeia por parte da Comissão em 2017. Através do procedimento de quitação anual, o Parlamento Europeu e o Conselho responsabilizam politicamente a Comissão pela execução do orçamento e garantem que a gestão do dinheiro dos contribuintes está sob controlo democrático.

Em julho, a Comissão apresentou o seu pacote integrado de relatórios financeiros e de prestação de contas, que reúne todas as informações disponíveis sobre a execução, o desempenho, os resultados, a boa gestão financeira e a proteção do orçamento da União Europeia. Os relatórios demonstraram que o orçamento produziu resultados em consonância com as prioridades da Comissão e que foi executado de forma correta.

A Comissão continuou a trabalhar no sentido da criação de uma Procuradoria Europeia, que irá instaurar ações penais contra a criminalidade transfronteiras que afete o orçamento da União, incluindo a fraude, o branqueamento de capitais e a corrupção, nos 22 Estados-Membros participantes. A Procuradoria Europeia deverá estar operacional no final de 2020.

Em outubro, pelo 12.o ano consecutivo, o Tribunal de Contas Europeu validou as contas anuais da União Europeia, considerando-as verdadeiras e fidedignas. O Tribunal confirmou o seu parecer com reservas (mas não desfavorável) sobre a regularidade das despesas. O nível global de erro, estimado em 2,6 %, foi ligeiramente superior ao de 2017 (0,2 %), mas muito inferior ao dos anos anteriores. Relativamente a cerca de metade da despesa da União Europeia, a taxa de erro não atingiu sequer o nível considerado pelo Tribunal como significativo. Não foram detetados erros materiais no lado das receitas do orçamento, nem nas despesas administrativas.

Parlamentos nacionais

Em julho, a Comissão adotou o relatório anual de 2018 sobre as suas relações com os parlamentos nacionais e sobre a aplicação dos princípios da subsidiariedade e da proporcionalidade. O relatório apresenta uma panorâmica das relações intensas e profícuas dos parlamentos nacionais com a Comissão e as outras instituições da União Europeia. Os parlamentos nacionais apresentaram 569 pareceres, um número semelhante ao de 2017. Estes dados mostram que a maioria deles participa ativamente nas iniciativas da Comissão, que abrangem um amplo conjunto de temas.

Apenas 37 «pareceres fundamentados» manifestaram preocupações quanto ao respeito do princípio da subsidiariedade por parte das propostas da Comissão, o que significa que as políticas europeias são decididas e executadas ao nível mais adequado, seja ao nível europeu, nacional ou regional. O Grupo de Trabalho Subsidiariedade, Proporcionalidade e «Fazer menos com maior eficiência», criado em 2018 pelo presidente Juncker e presidido pelo primeiro vice-presidente, Timmermans, analisou formas de melhorar a participação dos parlamentos nacionais e das autoridades regionais e locais na preparação e no acompanhamento da legislação e das políticas da União Europeia. As medidas adotadas pela Comissão para atingir este objetivo incluem a apresentação de respostas agregadas caso um número significativo de parlamentos nacionais manifeste preocupações em matéria de subsidiariedade, permitindo assim incluir, num documento público único, um panorama completo de todas essas preocupações, bem como a posição da Comissão em relação a estas.

As visitas realizadas pelos membros da Comissão aos parlamentos nacionais ou pelas delegações dos parlamentos nacionais à Comissão (55 visitas em 2019 e 915 visitas durante todo o mandato da Comissão Juncker) reforçaram o diálogo entre as partes.

O Provedor de Justiça Europeu

Os inquéritos do Provedor de Justiça Europeu sobre casos de alegada má administração nos órgãos e instituições da União Europeia incidiram sobre uma série de temas, como a transparência do processo de decisão, o fenómeno das «portas giratórias», as atividades desenvolvidas após o final do mandato dos antigos comissários, o acesso a documentos, os direitos fundamentais, as questões éticas, os contratos, as subvenções ou questões relativas a funcionários. Em média, a Comissão segue cerca de três quartos das propostas do Provedor de Justiça (propostas de solução, sugestões de melhoria e recomendações) e em cerca de 95 % dos inquéritos não foram detetados casos de má administração.

Em junho, o Provedor de Justiça atribuiu o seu segundo Prémio Europeu de Boa Administração às iniciativas da Comissão de sensibilização para a redução do uso de plástico. O prémio tem por objetivo reconhecer iniciativas, projetos e outros tipos de trabalho de diferentes serviços das instituições da União Europeia que tenham um impacto direto positivo e visível na vida das pessoas, na Europa e não só.

Em outubro, a Comissão emitiu igualmente um parecer sobre o projeto de regulamento do Parlamento que estabelece o estatuto e as condições gerais de exercício das funções de Provedor de Justiça (estatuto revisto).

Em dezembro, o Parlamento reelegeu Emily O’Reilly para o cargo de Provedor de Justiça Europeu. O seu segundo mandato terá uma duração de cinco anos.

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Em 29 de março de 2017, o Reino Unido notificou o Conselho Europeu da sua intenção de sair da União Europeia e da Comunidade Europeia da Energia Atómica (Euratom) em conformidade com o artigo 50.o do Tratado da União Europeia.

Esta declaração desencadeou um período de dois anos para negociar e celebrar um acordo com o Reino Unido que estabelece as condições da sua saída tendo em conta o quadro das suas futuras relações com a União Europeia.

Negociação do acordo de saída e declaração política sobre o quadro das futuras relações entre a União Europeia e o Reino Unido

A Comissão Europeia foi designada para negociar um acordo de saída com o Reino Unido em nome do Conselho Europeu (artigo 50.o, composto pelos dirigentes de todos os Estados-Membros, com exceção do Reino Unido) e nomeou Michel Barnier como seu negociador principal. As negociações formais tiveram início em 19 de junho de 2017, logo após as eleições gerais no Reino Unido.

Após 17 meses de intensas negociações, em >a target="_blank" href="https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/pt/IP_18_6424"#14 de novembro de 2018, os negociadores da Comissão e do Reino Unido publicaram o acordo de saída que estabelece os termos da saída ordenada do Reino Unido da União Europeia e, em 22 de novembro, chegaram a acordo quanto à declaração política que define o quadro das futuras relações entre a União e o Reino Unido.

Em 25 de novembro de 2018, o Conselho Europeu aprovou formalmente o acordo de saída e a declaração política.

Em 11 de janeiro de 2019, o Conselho adotou uma decisão que autorizou a assinatura do acordo de saída, tendo transmitido ao Parlamento Europeu, para aprovação, o projeto de decisão do Conselho relativa à celebração desse acordo.

Prorrogações do artigo 50.o

Apesar dos esclarecimentos apresentados numa troca de cartas em 14 de janeiro de 2019 entre a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, e os presidentes Donald Tusk e Jean-Claude Juncker, e do acordo adicional de 11 de março de 2019 sobre o instrumento relativo ao acordo de saída e a declaração conjunta que complementa a declaração política, o Governo do Reino Unido não obteve o apoio necessário do seu Parlamento para dar seguimento à assinatura e ratificação do acordo de saída.

Em resposta ao pedido de prorrogar o prazo para além de 29 de março apresentado pelo Reino Unido, o Conselho Europeu (artigo 50.o) concedeu inicialmente uma prorrogação até 12 de abril de 2019 e, posteriormente, uma nova prorrogação até 31 de outubro de 2019. Estas decisões foram tomadas de comum acordo com o Reino Unido.

Os dirigentes da UE-27 salientaram que o Reino Unido teria de organizar eleições para o Parlamento Europeu entre os dias 23 e 26 de maio de 2019, caso fosse ainda membro da União Europeia nessa data. Foram eleitos, no total, 751 deputados ao Parlamento Europeu, 72 dos quais provenientes do Reino Unido.

Esforços contínuos por todos os intervenientes para garantir a preparação para todos os cenários

Ao longo do ano, tal como em 2018, a União Europeia prosseguiu os seus trabalhos, em estreita coordenação com os Estados-Membros, em matéria de preparação a todos os níveis para as consequências da saída do Reino Unido, inclusive num cenário de ausência de acordo. Em abril, junho e setembro, a Comissão adotou três comunicações adicionais, em que definiu a abordagem coordenada da União em matéria de preparação e os princípios que lhe estão subjacentes e fez o ponto da situação dos preparativos ao nível da União Europeia. Instou ainda todos os intervenientes a tomar as medidas necessárias para se prepararem para todos os cenários possíveis.

A fim de atenuar as consequências mais graves que um eventual cenário de saída sem acordo teria para a UE-27, a Comissão adotou um conjunto de medidas de emergência unilaterais, entre as quais uma série de propostas legislativas em vários domínios, como a coordenação da segurança social, o programa Erasmus+, a possibilidade de o Reino Unido continuar a contribuir para os orçamentos da União Europeia de 2019 e 2020 e as autorizações de pesca. Estas medidas legislativas foram complementadas por cerca de 60 atos não legislativos em vários domínios. A Comissão publicou ainda 102 avisos, com informações às partes interessadas sobre as consequências da saída do Reino Unido sem acordo.

A Comissão colaborou estreitamente com os Estados-Membros para assegurar a coerência e a eficácia da abordagem da União, tendo organizado um número considerável de seminários com os Estados-Membros para fomentar discussões setoriais e de ordem técnica e ajudá-los nos seus preparativos. Entre janeiro e março, os representantes da Comissão visitaram os 27 Estados-Membros para se assegurarem do bom desenrolar dos planos de contingência nacionais e prestarem os esclarecimentos necessários sobre as ações de preparação e contingência.

Negociações com o novo governo do Reino Unido

Na sequência da demissão de Theresa May como primeira-ministra do Reino Unido, o novo governo do Reino Unido solicitou a substituição do protocolo relativo à Irlanda/Irlanda do Norte anexo ao acordo de saída que o Conselho Europeu (artigo 50.o) aprovara em 25 de novembro de 2018. O governo do Reino Unido solicitou ainda que fossem efetuadas alterações à declaração política, para que esta refletisse o seu novo nível de ambição para as futuras relações com a União Europeia.

Na sequência das negociações entre a União Europeia e o Reino Unido nos meses de setembro e outubro de 2019, chegou-se a acordo sobre um texto revisto do protocolo e da declaração política.

Em 17 de outubro de 2019, o Conselho Europeu aprovou o acordo de saída alterado e o texto revisto da declaração política.

Em 19 de outubro, o Reino Unido solicitou a prorrogação do prazo de 31 de outubro de 2019. A fim de dispor de mais tempo para ultimar o processo de ratificação do acordo de saída, o Conselho Europeu aprovou uma decisão de prorrogação do prazo previsto ao abrigo do artigo 50.o até 31 de janeiro de 2020. Esta decisão foi tomada com o acordo do Reino Unido.

Durante o período de prorrogação, o Reino Unido continuou a ser um Estado-Membro com todos os direitos e obrigações estabelecidos nos Tratados e no direito da União.

O acordo de saída revisto

O protocolo revisto relativo à Irlanda/Irlanda do Norte prevê uma solução juridicamente viável que evita a criação de uma fronteira física na ilha da Irlanda, protege a economia na globalidade da ilha e o Acordo de Sexta-Feira Santa (Acordo de Belfast) em todas as suas dimensões, salvaguardando simultaneamente a integridade do mercado único. Esta solução tem em conta as circunstâncias peculiares da ilha da Irlanda, com o objetivo de proteger a paz e a estabilidade. 

A Irlanda do Norte continuará a estar alinhada por um conjunto limitado de regras do mercado único, a fim de evitar criar uma fronteira física na ilha. O protocolo revisto evitará igualmente uma fronteira aduaneira na ilha da Irlanda. Embora a Irlanda do Norte continue a fazer parte do território aduaneiro do Reino Unido, as autoridades do Reino Unido aplicarão o código aduaneiro da União a todas as mercadorias que entrarem na Irlanda do Norte e o protocolo prevê mecanismos adequados de supervisão e execução por parte da União Europeia. A Assembleia da Irlanda do Norte terá uma voz decisiva sobre a aplicação a longo prazo da legislação pertinente da União Europeia na Irlanda do Norte. Ao contrário do protocolo anterior, este tem caráter permanente e não será substituído por disposições alternativas.

Todos os outros elementos do acordo de saída permanecem inalterados na sua substância, em conformidade com o acordo alcançado em 14 de novembro de 2018. O acordo de saída proporciona segurança jurídica nos domínios em que a saída do Reino Unido da União Europeia veio criar incertezas: os direitos dos cidadãos, o acordo de liquidação financeira, um período de transição pelo menos até ao final de 2020, a governação, os protocolos sobre Chipre e Gibraltar, bem como um conjunto de outros aspetos relativos à saída do Reino Unido da União.

A declaração política revista

A principal alteração na declaração política revista diz respeito à futura relação económica entre a União Europeia e o Reino Unido, domínio em que o atual governo do Reino Unido optou por um modelo baseado num acordo de comércio livre. A declaração confirma a vontade de celebrar um acordo de comércio livre ambicioso, sem direitos aduaneiros nem contingentes entre a União Europeia e o Reino Unido e afirma que os compromissos sólidos assumidos no sentido da igualdade de condições de concorrência deverão assegurar uma concorrência aberta e leal e evitar vantagens concorrenciais desleais.

Em 22 de outubro de 2019, a Comissão decidiu, por iniciativa da então presidente eleita Ursula von der Leyen, reestruturar o grupo de trabalho existente e criar um novo para as relações com o Reino Unido. Chefiado por Michel Barnier, este grupo coordenará o trabalho da Comissão sobre todas as questões estratégicas, operacionais, jurídicas e financeiras relacionadas com a saída do Reino Unido da União Europeia. Esta decisão começou a produzir efeitos em 16 de novembro de 2019.

Próximas etapas

Para poder entrar em vigor, o acordo de saída tinha de ser ratificado pela União Europeia e pelo Reino Unido.

Na sequência dos resultados eleitorais de 12 de dezembro de 2019 no Reino Unido, previa-se que o acordo de saída seria ratificado e celebrado por ambas as partes até ao final de janeiro de 2020, permitindo assim que a saída do Reino Unido se processasse de forma ordenada e este se tornasse um país terceiro em 1 de fevereiro de 2020.

O acordo de saída prevê um período de transição até 31 de dezembro de 2020. Este período pode ser prorrogado por um ou dois anos, mas apenas se a União Europeia e o Reino Unido tomarem essa decisão, por acordo mútuo, antes de 1 de julho de 2020. Neste período, a legislação da União Europeia continuará a ser aplicável ao Reino Unido e no seu território. A União Europeia tratará o Reino Unido como se fosse um Estado-Membro, com exceção da participação nas instituições e nas estruturas de governação da União.

A União Europeia declarou-se pronta a apresentar ao Conselho um mandato de negociação para as futuras relações com o Reino Unido, assim que este se tornasse um país terceiro. A Comissão declarou igualmente a sua disponibilidade para encetar as negociações logo que o mandato fosse aprovado.

Chegar aos cidadãos

Iniciativa de cidadania europeia

A Comissão registou 16 novas iniciativas de cidadania em 2019 (mais do dobro das registadas em 2018), tantas quantas as realizadas em 2012, o primeiro ano da iniciativa.

Este aumento deve-se, em grande parte, à campanha de comunicação específica lançada em abril de 2018, que procurou sensibilizar o público para este instrumento através da promoção nas redes sociais e de eventos específicos nos Estados-Membros. Por seu turno, a plataforma colaborativa em linha, lançada em maio de 2018, promove o intercâmbio de boas práticas facultando um fórum de discussão e presta aconselhamento independente a peritos em questões jurídicas ou organizacionais.

Em 17 de abril de 2019, o Parlamento Europeu e o Conselho chegaram a acordo sobre a reforma da iniciativa de cidadania europeia. As novas regras, aplicáveis de janeiro de 2020 em diante, pretendem facilitar a organização e o apoio a iniciativas por parte dos cidadãos. Incluem procedimentos melhorados, mais informações e mais assistência aos cidadãos e novos instrumentos informáticos. A criação de um sistema central para a recolha em linha de declarações de apoio, que será gerido pela Comissão, constitui um dos principais requisitos e é uma prioridade.

Um novo regulamento relativo à transparência e sustentabilidade do sistema da União Europeia para a avaliação dos riscos na cadeia alimentar foi aprovado formalmente em 13 de junho de 2019. O regulamento foi elaborado em resposta a uma iniciativa de cidadania europeia relacionada com a política da União Europeia no domínio dos pesticidas.

Diálogos com os Cidadãos

Os Diálogos com os Cidadãos mostraram de forma claríssima que é possível combater o populismo, os mitos e a desinformação sobre a Europa se a União Europeia se aproximar dos seus cidadãos e explicar como funciona e o que faz. Os diálogos permitiram que a Comissão alargasse o debate sobre a Europa a um público mais vasto e mostraram que há uma procura crescente de eventos em que os cidadãos possam ser ouvidos.

Ouvir, associar e envolver os cidadãos na definição da União Europeia do futuro foi uma das prioridades estabelecidas pela Comissão Juncker. Este compromisso traduziu-se na realização de mais de 1 800 Diálogos com os Cidadãos em mais de 600 cidades desde janeiro de 2015. Mais de 212 000 pessoas de todas as idades e origens tiveram a oportunidade de debater as questões que mais as preocupam com o presidente e o vice-presidente da Comissão, com os comissários, os deputados do Parlamento Europeu e políticos ao nível nacional e funcionários da União Europeia.

Organizados sob a forma de debates públicos, muitas vezes com parceiros nacionais e locais, estes diálogos têm sido um valioso instrumento de comunicação para falar diretamente com os cidadãos sem quaisquer filtros ou intermediários. As opiniões manifestadas pelos cidadãos durante os diálogos contribuíram para o processo de tomada de decisão e poderão mesmo vir a ter um papel mais decisivo no futuro.

De um exercício de auscultação a um verdadeiro envolvimento

Os Diálogos com os Cidadãos têm vindo a evoluir ao longo dos anos, acompanhando os debates sobre o futuro da Europa desencadeados pelo Livro Branco de março de 2017 e complementando as consultas aos cidadãos realizadas nos Estados-Membros. Os diálogos alargaram-se e ganharam novas formas, por exemplo, seminários participativos de base, debates em linha e diálogos transnacionais em regiões fronteiriças.

Este mapa mostra a distribuição geográfica dos Diálogos com os Cidadãos no período de 2014 a 2019.

Desde o início da Comissão Juncker, realizaram-se Diálogos com os Cidadãos por toda a Europa.

Os debates mostraram que os cidadãos estão na vanguarda da mudança e têm muitas expectativas em relação à economia circular e digital e às novas formas de participação democrática. Os cidadãos clamam por ação em questões como as alterações climáticas e a proteção do ambiente, mas esperam também que a União Europeia garanta o seu bem-estar, o seu nível de vida e as suas pensões. Os cidadãos veem também a União Europeia como garante das suas tradições agrícolas e rurais, bem como da identidade, cultura e valores europeus.

A Comissão continuará empenhada em dialogar com os cidadãos e incentivar a sua participação, para o que desenvolverá instrumentos que lhe permitam interagir mais estreitamente com os mesmos e integrará melhor as suas preocupações e expectativas na elaboração de políticas. A experiência adquirida entre 2015 e 2019 constituirá um ponto de partida para a conceção da conferência sobre o futuro da Europa, anunciada por Ursula von der Leyen no âmbito da prioridade política da Comissão «Um novo impulso para a democracia europeia».

Um fórum para debates em evolução

Quando os diálogos se iniciaram em 2015, coincidindo com o pico de chegadas de refugiados e migrantes à União Europeia, a migração foi um dos temas mais controversos das discussões. No ano seguinte, as preocupações com o aumento do terrorismo e da radicalização na Europa dominaram os debates, paralelamente ao interesse pelo Brexit com todas as suas ramificações e pelas relações com a nova Administração Trump nos Estados Unidos. Em 2017 e 2018, os Diálogos com os Cidadãos foram-se centrando cada vez mais no futuro da União Europeia, um tema que continuou a dominar em 2019, juntamente com os receios causados pelo populismo, o euroceticismo, as notícias falsas e a desinformação. A transformação digital, em especial a inteligência artificial, também deu azo a muitos debates. Além disso, as questões prementes do clima e do ambiente geraram debates acesos, especialmente entre os jovens.

Dzieci w mundurkach szkolnych machają flagami Unii Europejskiej w parku

Dzieci uczestniczą w akcji sadzenia drzew podczas konferencji „Nasze lasy, nasza przyszłość”, aby podkreślić zaangażowanie UE w zrównoważony rozwój sektora leśnictwa, Bruksela, Belgia, 26 kwietnia 2019 r.

Preparar o futuro

Em 2019, mais de 60 000 pessoas participaram em 547 Diálogos com os Cidadãos organizados nos 27 Estados-Membros. As suas opiniões deram a conhecer aos dirigentes dos 27 Estados-Membros da União Europeia as esperanças e os ideais dos cidadãos para o futuro da Europa antes da reunião informal de dirigentes da UE-27, que se realizaria em Sibiu, na Roménia, em maio.

As conclusões extraídas dos diálogos e das consultas em linha realizados ao longo do ano contribuíram para a visão que a Comissão apresentaria no documento «A Europa em maio de 2019: preparar uma União mais unida, mais forte e mais democrática num mundo cada vez mais incerto». A mensagem é inequívoca: para que a Europa prospere, é imperativo que os Estados-Membros da União Europeia atuem em conjunto.

Este documento, enriquecido com as reações e as trocas de opinião com os cidadãos, foi apresentado como contributo da Comissão para a agenda estratégica da União Europeia para 2019-2024, que seria adotada em junho. A secção «o futuro da Europa» contém mais informações a este respeito.

Comunicar sobre a Europa

Comunicar eficazmente com os cidadãos de um continente é um desafio único para a União Europeia. A política e a comunicação são as duas faces da mesma moeda. Nesta perspetiva e pela primeira vez, a Comissão elaborou um conjunto de cinco recomendações sobre a comunicação ao serviço dos cidadãos e da democracia no seu contributo para a nova agenda estratégica da União Europeia, por ocasião da Cimeira de Sibiu, em 9 de maio de 2019. Ciente de que a comunicação sobre a União Europeia é uma responsabilidade partilhada por todas as suas instituições, os Estados-Membros e os governos a todos os níveis, a primeira recomendação sublinha a necessidade de comunicar mais, fazendo passar mensagens comuns, que expliquem aquilo que as diferentes decisões e políticas implicam para as pessoas e indiquem os resultados concretos obtidos. A segunda visa o aumento da participação e da interação com os cidadãos sobre as políticas e as questões da União Europeia. A terceira recomendação pretende assegurar que as instituições da União Europeia colaboram mais estreitamente na realização das campanhas de comunicação institucional da União, baseadas em valores europeus comuns. Outra recomendação da Comissão refere a necessidade de unir forças para combater a desinformação, por meio de uma comunicação da União Europeia baseada em factos. Por último, a Comissão recomenda que se promova o ensino e a aprendizagem sobre a União Europeia em todos os níveis de ensino.

O «espaço de aprendizagem», lançado pela Comissão Europeia em março de 2019, ajuda as crianças do ensino básico e secundário a descobrir a União Europeia de forma divertida, tanto na sala de aula como em casa.

O «espaço de aprendizagem», lançado pela Comissão Europeia em março de 2019, ajuda as crianças do ensino básico e secundário a descobrir a União Europeia de forma divertida, tanto na sala de aula como em casa.

A União Europeia na minha região

Ao longo do mês de maio, graças à campanha «A UE na minha região», que incentiva os cidadãos a descobrir os projetos financiados pela União Europeia na região onde vivem, cerca de meio milhão de cidadãos visitou mais de 2 000 projetos. A campanha foi criada e é gerida conjuntamente pelas regiões e pela Comissão.

Seminários deliberativos para cidadãos: uma abordagem de base para conhecer as prioridades políticas dos cidadãos

Em 2017, a Comissão introduziu um novo tipo de evento, os seminários participativos com cidadãos. Nestes seminários, os cidadãos discutiram os temas que lhes interessam, elaboraram propostas sobre o futuro que pretendem para a Europa e, em seguida, debateram estas ideias com um decisor político da União Europeia. Os seminários revelaram-se uma forma eficaz de conhecer as posições dos cidadãos sobre determinados assuntos, deixando-os imprimir o rumo ao debate. Em 2019, realizaram-se oito seminários sobre o futuro da Europa na Bélgica, em Itália, em Chipre, na Hungria, na Polónia e na Finlândia, que chamaram a atenção para domínios em que os cidadãos creem que a ação no âmbito europeu pode ser decisiva.

Debates sobre questões relacionadas com as eleições para o Parlamento Europeu

Em 2018 e no início de 2019, as eleições para o Parlamento Europeu foram um tema recorrente nestes diálogos. Os cidadãos manifestaram a sua preocupação pela ascensão do populismo e do euroceticismo em vários Estados-Membros e muitos expressaram também apreensão relativamente ao uso que se faz da desinformação. Foram discutidas questões conexas, nomeadamente as medidas que a Europa pode adotar para contrariar este fenómeno, os efeitos desestabilizadores que as potências estrangeiras podem ter em alguns países, influenciando eleições importantes, a liberdade de expressão e a forma como os cidadãos podem distinguir entre fontes de informação fiáveis e não fiáveis.

A voz e a ação dos jovens durante o ano

Em muitos dos diálogos realizados em 2019, os jovens deram conta das suas apreensões sobre a situação do Estado de direito em vários Estados-Membros e muitos quiseram saber o que a União poderia fazer para garantir o seu cumprimento. Em alguns países, manifestaram-se também vivas preocupações quanto à corrupção.

Os participantes instaram também os políticos nacionais e da União Europeia a proteger ativamente o ambiente, a combater as alterações climáticas e a utilizar energia mais limpa proveniente de fontes europeias.

Seria zdjęć osób, które słuchają i biorą udział w dyskusjach

Wydarzenie Dialog z młodzieżą podczas szczytu w Sybinie, Sybin, Rumunia, 9 maja 2019 r.

Afirmaram ainda que contam com a União Europeia para regular e facilitar a transição para uma sociedade mais sustentável e incentivar mudanças de comportamento em domínios como a economia circular, o desperdício alimentar e a redução dos plásticos.

Em muitos diálogos com os cidadãos levantaram-se questões sobre as disparidades salariais persistentes entre homens e mulheres e a necessidade de a União Europeia tomar medidas para garantir a igualdade entre homens e mulheres em cargos de tomada de decisão. Apelou-se igualmente para uma Europa mais social, inclusive ao aumento do orçamento da União Europeia para as questões sociais, e à redução das desigualdades, tanto nos Estados-Membros como entre eles.

O diálogo com os jovens «Vamos moldar em conjunto o futuro da Europa!» realizou-se em 8 de maio, em Sibiu. Mais de 300 jovens de toda a Europa com idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos participaram no debate sobre o futuro da Europa com os dirigentes da União Europeia antes da cimeira de 9 de maio. Trocaram ideias e debateram questões relacionadas com cinco tópicos principais: participação, democracia, justiça, Europa digital e alterações climáticas. No que respeita ao futuro da União Europeia, pediram para ter mais influência na elaboração das políticas, sobretudo tendo em conta o recente aumento do ativismo juvenil relacionado com as alterações climáticas.

Perspetivas futuras

Neste relatório descreveram-se os numerosos resultados alcançados pela União Europeia em 2019 e os desafios com que ainda nos defrontamos. Com novos dirigentes e cidadãos cada vez mais empenhados em participar na vida democrática da Europa, a União Europeia está bem preparada para responder a esses desafios com confiança.

Quando este relatório for publicado, na primavera de 2020, a União Europeia estará a trabalhar com afinco para transformar o Pacto Ecológico Europeu numa realidade concreta, adequar a Europa à era digital, velar pela justiça social e pela prosperidade numa economia ao serviço dos cidadãos e preparar a conferência sobre o futuro da Europa. Estas são apenas algumas das prioridades e iniciativas que serão descritas na edição de 2020 do Relatório Geral.

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As publicações da União Europeia, quer gratuitas quer pagas, podem ser descarregadas ou encomendadas no seguinte endereço: https://op.europa.eu/pt/publications. Pode obter exemplares múltiplos de publicações gratuitas contactando o serviço Europe Direct ou um centro de informação local (ver https://europa.eu/european-union/contact_pt).

Legislação da UE e documentos conexos

Para ter acesso à informação jurídica da União Europeia, incluindo toda a legislação da UE desde 1952 em todas as versões linguísticas oficiais, visite o sítio EUR-Lex em: https://eur-lex.europa.eu

Dados abertos da UE

O Portal de Dados Abertos da União Europeia (https://data.europa.eu/euodp/pt) disponibiliza o acesso a conjuntos de dados da União Europeia. Os dados podem ser utilizados e reutilizados gratuitamente para fins comerciais e não comerciais.

Acerca desta publicação

A UE em 2019 — Relatório Geral sobre a Atividade da União Europeia

Comissão Europeia
Direção-Geral da Comunicação
Serviço editorial e medidas de sensibilização específicas
1049 Bruxelles
BÉLGICA

A UE em 2019 — Relatório Geral sobre a Atividade da União Europeia foi adotado pela Comissão Europeia em 19 de fevereiro de 2020 com a referência C(2020) 860.

Identificadores

Relatório Geral sobre a Atividade da União Europeia

Print ISBN 978-92-76-14803-6 ISSN 1608-7283 doi:10.2775/473542 NA-AD-20-001-PT-C
PDF ISBN 978-92-76-14795-4 ISSN 1977-3536 doi:10.2775/590231 NA-AD-20-001-PT-N
EPUB ISBN 978-92-76-14733-6 ISSN 1977-3536 doi:10.2775/696732 NA-AD-20-001-PT-E
HTML ISBN 978-92-76-14773-2 ISSN 1977-3536 doi:10.2775/713315 NA-AD-20-001-PT-Q

Destaques

Print ISBN 978-92-76-14855-5 ISSN 2443-9207 doi:10.2775/00540 NA-AP-20-001-PT-C
PDF ISBN 978-92-76-14893-7 ISSN 2443-9436 doi:10.2775/173496 NA-AP-20-001-PT-N
EPUB ISBN 978-92-76-14826-5 ISSN 2443-9436 doi:10.2775/80683 NA-AP-20-001-PT-E

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CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS
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Na capa

  1. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, apresenta o Pacto Ecológico Europeu no Conselho Europeu, em Bruxelas, Bélgica, em 12 de dezembro de 2019. (© União Europeia, 2019)
  2. Os dirigentes da UE-27 por ocasião de uma reunião informal do Conselho Europeu em que debateram o futuro da União Europeia, em Sibiu, Roménia, em 9 de maio de 2019. (© União Europeia, 2019)
  3. Participantes na iniciativa DiscoverEU no primeiro encontro DiscoverEU, que decorreu em Nijmegen, Países Baixos, em 12 de julho de 2019. (© União Europeia, 2019)
  4. Um jogo de râguebi para jovens organizado durante a Semana Europeia do Desporto junto ao edifício Berlaymont, a sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, Bélgica, em 23 de setembro de 2019. (© União Europeia, 2019)
  5. Os quatro novos dirigentes das instituições da União Europeia: Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu; David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu; Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia; e Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, em Bruxelas, Bélgica, em 1 de dezembro de 2019. (© União Europeia, 2019)
  6. Uma instalação na estação ferroviária de Bruxelas-Luxemburgo promove a campanha da União Europeia «Desta vez eu voto» para incentivar a participação nas eleições para o Parlamento Europeu, em Bruxelas, Bélgica, em 24 de maio de 2019. (© União Europeia, 2019)
  7. Num dos eventos da conferência «as nossas florestas, o nosso futuro», um grupo de crianças planta árvores ilustrando o empenho da União Europeia num setor florestal sustentável, em Bruxelas, Bélgica, em 26 de abril de 2019. (© União Europeia, 2019)
  8. Antonio Tajani, o anterior presidente do Parlamento Europeu, num encontro com David Sassoli, o atual presidente do Parlamento Europeu. (© União Europeia, 2019)
  9. Charles Michel, o atual presidente do Conselho Europeu, cumprimenta Donald Tusk, o anterior presidente do Conselho Europeu. (© União Europeia, 2019)
  10. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Jean-Claude Juncker, o anterior presidente, descerram o retrato oficial deste último no edifício Berlaymont (Galeria dos Presidentes), a sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, Bélgica, em 3 de dezembro de 2019. (© União Europeia, 2019)
  11. Uma equipa da proteção civil da União Europeia numa reunião operacional com autoridades albanesas locais na sequência de um sismo de magnitude 6,4 e de uma série de réplicas, em Krujë, Albânia, em 4 de dezembro de 2019. (© União Europeia, 2019)

A UE em 2018