
Assistência da UE a Mianmar/Birmânia
Acerca do relatório O Tribunal examinou o apoio ao desenvolvimento concedido pela UE a Mianmar/Birmânia e concluiu que este tinha sido parcialmente eficaz. A UE desempenhou um papel de liderança no apoio às prioridades de desenvolvimento e atribuiu um financiamento significativo ao país. O TCE relata, no entanto, lacunas na avaliação das necessidades feita pela Comissão e na execução da assistência da UE.
Com base nas observações formuladas neste relatório, o Tribunal formula uma série de recomendações destinadas a melhorar a gestão da ajuda ao desenvolvimento.
Síntese
IDurante o período auditado, Mianmar/Birmânia estava a braços com uma profunda e difícil transição política e económica. Alguns fatores, tais como catástrofes naturais, conflitos étnicos e as capacidades limitadas dos intervenientes e autoridades locais, estavam a prejudicar os esforços em prol do desenvolvimento.
IIO Tribunal examinou se o apoio da UE a Mianmar/Birmânia tinha sido eficaz. Para o efeito, a auditoria procurou responder à questão de saber se o Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) e a Comissão apoiaram prioridades de desenvolvimento sólidas. Além disso, avaliou a gestão da ajuda da UE ao desenvolvimento por parte da Comissão e inquiriu se esta tinha alcançado os seus objetivos. A auditoria incidiu sobre as despesas autorizadas no período 2012-2016 no âmbito do Instrumento de Cooperação para o Desenvolvimento (ICD), na sequência da constituição de um governo de carácter civil em 2011. A UE atribuiu um montante total de perto de mil milhões de euros para o período 2012-2020.
IIIO Tribunal concluiu que o apoio da UE ao desenvolvimento do país tinha sido parcialmente eficaz. A UE desempenhou um importante papel de liderança no apoio às prioridades de desenvolvimento e atribuiu um financiamento significativo ao país. Num contexto difícil, marcado por incerteza quanto à estrutura institucional, aos progressos do processo de paz e ao ritmo das reformas, a UE reagiu de forma ativa às necessidades do país. O Tribunal relata, no entanto, lacunas na avaliação das necessidades feita pela Comissão e na execução da assistência da UE.
IVA decisão da Comissão de concentrar a atenção em quatro sectores não estava em consonância com a Agenda para a Mudança de 2011. Além disso, a capacidade da Delegação da UE para fazer face à pesada carga de trabalho não foi avaliada e a Comissão não avaliou de forma suficiente as prioridades geográficas no interior do país. A mobilização das receitas internas não foi considerada quando da definição das prioridades, embora seja essencial para o desenvolvimento do país. A programação conjunta da UE e de cada Estado-Membro, no âmbito da Estratégia Comum de Programação para o período 2014-2016, foi um passo positivo.
VA gestão da ajuda da UE ao desenvolvimento foi, em geral, satisfatória. As ações dirigiram-se às prioridades de desenvolvimento do país, embora se tenham registado atrasos. A escolha da Comissão quanto às modalidades da ajuda foi razoável. No entanto, as justificações para os montantes de financiamento atribuídos a cada sector e ação não foram documentadas. Além disso, houve atrasos na execução, dado que o Programa de Ação Anual (PAA) de 2016 nunca foi adotado.
VIA execução dos programas dos fundos fiduciários geridos pelas Nações Unidas foi prejudicada por atrasos e por lentidão na absorção do orçamento pelas atividades dos programas. Embora estes fundos tenham acumulado saldos de caixa avultados, a Comissão não garantiu que os juros sobre a contribuição da UE sejam aplicados às ações que estão a ser financiadas. As disposições de controlo de custos previstas nos contratos entre a UE e as Nações Unidas tiveram pouco impacto.
VIIDurante o período 2012-2016, a Comissão fez amplo recurso das disposições para a declaração de situações de crise a fim de celebrar contratos diretamente com os parceiros de execução. A supressão da obrigação da emissão de convites à apresentação de propostas reduziu a transparência do procedimento de seleção, podendo ter um efeito adverso na relação custo-eficácia dos projetos.
VIIIO grau de obtenção de resultados no âmbito dos projetos auditados foi variável. Apenas metade dos projetos auditados alcançou as realizações previstas, devido sobretudo a atrasos na execução. Não foi possível avaliar os efeitos e a sustentabilidade dos resultados produzidos em quase metade dos projetos auditados devido a atrasos na execução das atividades dos programas. Constataram-se igualmente insuficiências relativamente à qualidade dos indicadores e ao acompanhamento dos projetos.
IXCom base nas observações formuladas no presente relatório, o Tribunal formula uma série de recomendações destinadas a melhorar a gestão da ajuda ao desenvolvimento destinada a Mianmar/Birmânia. O SEAE e a Comissão são convidados a:
- aumentar a concentração dos domínios de apoio de forma a aumentar o impacto da ajuda;
- reforçar a coordenação com a Direção-Geral da Proteção Civil e das Operações de Ajuda Humanitária Europeias (DG ECHO);
- justificar e documentar a atribuição de financiamento aos sectores e para as ações;
- melhorar a relação custo-eficácia das ações com vários doadores;
- melhorar a gestão dos projetos e garantir que as ações da UE têm mais visibilidade.
Introdução
01Após várias décadas de um regime autoritário, Mianmar/Birmânia iniciou uma transição política e económica sob a égide de um governo de carácter civil que tomou posse em março de 2011 e que lançou uma série de reformas destinadas a alterar a situação política, democrática e socioeconómica do país.
02No que concerne à situação económica, o PIB cresceu a uma taxa média anual de 7,5%1. O país tem uma mão-de-obra jovem e é rico em recursos naturais, tais como gás, madeira, ouro e pedras preciosas. Fazendo fronteira com os mercados dos dois países mais populosos do mundo, a China e a Índia, o país tem beneficiado de um aumento significativo do investimento direto estrangeiro.
03A população inclui numerosos grupos étnicos, alguns dos quais envolvidos em prolongadas guerras civis. Persistem, assim, tensões interétnicas e inter-religiosas. O governo celebrou um acordo nacional de cessar-fogo com os exércitos de alguns grupos étnicos, mas os progressos do processo de paz têm sido lentos. Prevalecem tensões étnicas nos estados onde vivem grupos de etnia não-birmane, nomeadamente nas regiões de fronteira dos estados de Shan, Kachin e Rakhine (ver mapa no anexo I).
04Em 2016 e 2017, ocorreram novos surtos de violência contra a minoria rohingya, muçulmana, no estado de Rakhine (ver mapa no anexo I), um povo que foi para todos os efeitos tornado apátrida quando a lei da cidadania birmanesa de 1982 entrou em vigor. A violência contínua agrava o conflito e prejudica os esforços humanitários e em prol do desenvolvimento na região.
05A fim de incentivar o processo de reformas, em abril de 2012 a UE suspendeu as sanções impostas ao governo e, em 2013, tinha já levantado todas as sanções salvo o embargo ao armamento. Além disso, a UE abriu uma representação em Rangum, que se tornou numa delegação da UE de pleno direito em 2013.
06As relações bilaterais são enquadradas pelas conclusões do Conselho de 22 de julho de 2013 sobre a panorâmica geral da política a adotar pela UE e do apoio a prestar pela União Europeia a Mianmar/Birmânia. Os objetivos estratégicos desta panorâmica são: (1) apoiar a paz e a reconciliação nacional, (2) ajudar na construção de uma democracia funcional, (3) promover o desenvolvimento e as relações comerciais e (4) apoiar a reintegração de Mianmar/Birmânia na comunidade internacional.
07Em novembro de 2013, teve lugar uma reunião do grupo de trabalho UE-Mianmar/Birmânia para apresentar ao governo os instrumentos e ferramentas que a UE tem ao seu dispor para apoiar o processo de democratização. Foram organizados vários fóruns, presididos pela antiga Alta Representante da UE, Catherine Ashton, e por um dos Ministros da Presidência de Mianmar/Birmânia, U Soe Thane, a fim de aprofundar as relações bilaterais em vários domínios, tais como a ajuda ao desenvolvimento, a sociedade civil, o processo de paz e o comércio e investimento.
08Na sequência da reunião do grupo de trabalho, realizaram-se os Diálogos sobre Direitos Humanos UE-Mianmar/Birmânia, onde se analisou de que forma a UE poderá ajudar nos esforços para promover no terreno os direitos humanos, um governo democrático e o Estado de direito. A UE ofereceu-se para apoiar o governo de Mianmar/Birmânia na ratificação das convenções e instrumentos internacionais em matéria de direitos humanos. Além disso, a UE enviou uma missão de observação eleitoral para acompanhar as eleições gerais de 8 de novembro de 2015.
09A UE atribuiu mais de mil milhões de euros no período 2007-2020 (ver quadro 1), principalmente no âmbito de instrumentos bilaterais, regionais e temáticos2.
| (milhões de euros) | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Fonte | 2007-2011 | 2012-2013 | Pacote especial 2012-2013 | Total 2007-2013 | 2014-2020 | Total 2007-2020 |
| Instrumento de Cooperação para o Desenvolvimento | ||||||
| Dotação bilateral | 32.0 | 93.0 | 125.0 | 688.0 | 813.0 | |
| Programas temáticos | 43.9 | 7.7 | 34.0 | 85.6 | 20.6* | 106.2 |
| Programas regionais | 17.0 | 3.8 | 20.0 | 40.8 | 35.9* | 76.7 |
| Outros instrumentos (IE, IEDDH, ICPI) | 2.2 | 28.9 | 3.7 | 34.8 | 1.8 | 36.6 |
| Total | 95.1 | 40.4 | 150.7 | 286.2 | 746.3 | 1,032.5 |
* Atribuição de fundos até 2017
Fonte: Programas Indicativos Plurianuais (PIP) dos períodos 2007-2013 e 2014-2020 e PAA do período 2007-2015.
10No âmbito do Programa Indicativo Plurianual (PIP) do período 2007-2013, a UE concedeu financiamento bilateral a dois sectores prioritários, designadamente a educação e a saúde. Os instrumentos temáticos e o financiamento regional incidiram essencialmente sobre os programas para a segurança alimentar e para a ajuda às populações desenraizadas.
11Em 2012, a fim de manter a dinâmica das reformas, a UE concedeu apoio adicional ao país ao abrigo de um "pacote especial" no montante de 150 milhões de euros. Tendo em conta este financiamento, o apoio bilateral foi alargado de forma a abranger dois outros sectores prioritários, a consolidação da paz e as relações comerciais.
12No âmbito do PIP do período 2014-2020, foi atribuído um montante de 688 milhões de euros em financiamento bilateral a quatro sectores prioritários: desenvolvimento rural, educação, governação e consolidação da paz. Juntamente com a assistência ao país ao abrigo de programas e instrumentos temáticos e regionais, o financiamento concedido pela UE ao país durante este período de sete anos eleva-se a 746,3 milhões de euros. O financiamento atribuído a cada sector para o período 2007-2020 é indicado na figura 1.
Figura 1
Atribuição de financiamento bilateral, regional e temático de cada sector no âmbito do ICD (em milhões de euros)
Fontes: PIP do período 2007-2013, PIP do período 2014-2020, PAA do período 2007-2015.
Os fundos foram utilizados tanto na modalidade de gestão direta como indireta3. Em 2016, a UE canalizou 63%4 do financiamento destinado ao país através da gestão indireta, regra geral através de agências das Nações Unidas. Estiveram envolvidos os seguintes fundos fiduciários: o Fundo Fiduciário para Meios de Subsistência e Segurança Alimentar (LIFT - Livelihoods and Food Security Trust Fund), o Programa para um Ensino Básico de Qualidade (PEBQ), o Fundo Três Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (F3ODM) e o Fundo Comum para a Paz (FCP). A percentagem das contribuições da UE para estes fundos variou entre 11% e 37% (ver pormenores no anexo II). As despesas da gestão direta, constituídas principalmente por subvenções, representavam 37% da carteira global.
14O país recebeu o apoio de muitos doadores. Ao longo do período 2012-2016, os compromissos assumidos pelos doadores de todas as origens ascenderam a mais de 8 mil milhões de dólares dos Estados Unidos (USD). Além da ajuda da UE, houve compromissos em prol do país por parte do Japão (3,3 mil milhões de USD), do Banco Mundial (mil milhões de USD), do Reino Unido (593 milhões de USD) e dos Estados Unidos (477 milhões de USD)5.
Âmbito e método de auditoria
15A auditoria examinou se o apoio da UE a Mianmar/Birmânia foi eficaz, procurando responder às seguintes três questões:
- O SEAE e a Comissão apoiaram prioridades de desenvolvimento sólidas?
- A Comissão fez uma boa gestão da ajuda da UE ao desenvolvimento?
- O apoio da UE ao desenvolvimento atingiu os objetivos a que se propôs?
A auditoria abrangeu as despesas autorizadas durante o período 2012-2016 e financiadas no âmbito do ICD. O Tribunal examinou 20 projetos, 11 dos quais recorreram à modalidade de gestão indireta (10 eram geridos por fundos fiduciários6 e 1 executado por uma agência de um Estado-Membro7) e 9 à gestão direta8. No anexo III figuram os pormenores dos projetos auditados.
17Os trabalhos de auditoria incluíram uma análise documental de provas, tais como elementos relativos à programação e relatórios de acompanhamento e avaliação. A auditoria incluiu uma missão no local e entrevistas a elementos do pessoal da Direção-Geral da Cooperação Internacional e do Desenvolvimento (DG DEVCO), do SEAE, da Delegação da UE e da DG ECHO, bem como a representantes dos Estados-Membros da UE em Mianmar/Birmânia, a outros doadores e a parceiros de execução. Foram também tidos em conta relatórios de auditoria, de verificação9 e de acompanhamento orientado para os resultados de outros organismos.
Observações
Apesar de algumas insuficiências, a UE desempenhou um papel de liderança no apoio às prioridades de desenvolvimento estabelecidas
18A fim de responder à primeira questão de auditoria (ver ponto 15), o Tribunal avaliou se o SEAE e a Comissão tinham respondido às necessidades do país. Analisou-se igualmente se houve uma concentração suficiente das prioridades de desenvolvimento da Comissão e se foram coordenadas com outros doadores.
O SEAE e a Comissão responderam às necessidades do país
19O SEAE e a Comissão reagiram rapidamente às mudanças políticas no país, através do início do diálogo sobre os direitos humanos, do envio de uma missão de observação eleitoral e do empenho no processo de paz. A Delegação da UE em Mianmar/Birmânia foi criada em 2013. Apesar desta nova estrutura e dos desafios encontrados no terreno, o SEAE e a Comissão encetaram desde logo um diálogo político ativo com as autoridades nacionais e asseguraram uma recolha generalizada de conhecimentos.
20O Governo de Mianmar/Birmânia não acordou um plano nacional para o desenvolvimento. As necessidades do país eram grandes e abrangiam muitos domínios, tais como a paz, a educação, a saúde, o desenvolvimento agrícola, a governação e as capacidades institucionais. A escolha dos sectores a apoiar foi feita em articulação com as partes interessadas, tendo o governo considerado que tal se coadunava com as suas prioridades gerais de desenvolvimento. A UE disponibilizou ao país um montante de financiamento significativo a fim de apoiar as prioridades de desenvolvimento (ver ponto 9).
As prioridades de desenvolvimento escolhidas deveriam ter sido mais reduzidas
21O SEAE e a Comissão determinaram as prioridades de desenvolvimento e as dotações de financiamento no quadro dos PIP para Mianmar/Birmânia. A programação devia estar alinhada com as prioridades globais da política de desenvolvimento da UE e aplicar a Agenda para a Mudança de 201110, devendo igualmente garantir a coerência e a complementaridade entre os vários doadores e a articulação com as prioridades do governo.
22O objetivo principal da Agenda para a Mudança de 2011 consistiu em aumentar significativamente o impacto e a eficácia da política de desenvolvimento da UE. Este documento preconizava a participação da UE num máximo de três sectores prioritários, de modo a aumentar o impacto e a repercussão da sua ajuda. A decisão da Comissão de aumentar o número de sectores prioritários de dois para quatro (ver pontos 10 a 12) não foi justificada claramente em conformidade com as orientações operacionais da própria Comissão e não teve em conta a capacidade da Delegação da UE para fazer face a uma tão vasto conjunto de instrumentos de desenvolvimento num ambiente de trabalho complexo.
23Acresce que a Comissão não avaliou de forma suficiente as prioridades geográficas em termos de regiões. Por exemplo, o primeiro estudo sobre as necessidades específicas do estado de Rakhine (ver ponto 4) apenas foi realizado em 2017. Esta definição de prioridades poderia ter aumentado o impacto do apoio da UE.
24A criação de receitas públicas provenientes de fontes fiscais ou não-fiscais constitui um fator crucial no desenvolvimento sustentável, em particular num país rico em recursos naturais (ver ponto 2). Porém, a mobilização de receitas internas não foi devidamente tida em conta na decisão sobre as prioridades, embora seja essencial para o desenvolvimento de Mianmar/Birmânia.
O nível de coordenação foi variável
25A partir do momento em que o poder em Mianmar/Birmânia passou para um governo de carácter civil, registou-se um rápido afluxo de doadores de fundos para o desenvolvimento (ver ponto 14). O governo e os parceiros de desenvolvimento mantiveram regularmente reuniões e trocas de informações de forma a assegurar a coordenação entre os doadores, o que permitiu melhorar a coerência e a eficácia da ajuda ao desenvolvimento. A UE participou ativamente nestes fóruns de cooperação.
26A fim de promover a eficácia da ajuda, a UE e os seus Estados-Membros instituíram a Estratégia Comum de Programação para o período 2014-2016. Apesar da inexistência de um plano de desenvolvimento nacional, foi possível alcançar uma programação comum, que constitui um dos primeiros exemplos em todo o mundo. Embora os ganhos de eficácia da ajuda tenham sido modestos em termos da redução da sua fragmentação, o processo de programação comum trouxe consigo melhorias na transparência, na previsibilidade e na visibilidade.
27No entanto, a coordenação entre a DG ECHO e a DG DEVCO foi inadequada. A ajuda humanitária é muito necessária em determinadas regiões de Mianmar/Birmânia, em particular nos estados de Rakhine e Kachin. Entre 2012 e 2016, a Comissão Europeia, através da DG ECHO, disponibilizou cerca de 95 milhões de euros a programas de ajuda de emergência para a segurança alimentar e de assistência às vítimas de conflitos. Embora ambas as DG da Comissão estivessem ativas no país, as intervenções humanitárias da UE não foram suficientemente tidas em conta quando da formulação dos programas. Além disso, não existia um plano de execução conjunta de interligação entre as ajudas de emergência, reabilitação e desenvolvimento. Houve exemplos de cooperação nos domínios das ajudas ao desenvolvimento e humanitária, mas foram a exceção e não a regra.
28Acresce que a DG ECHO não foi incluída na Estratégia Comum de Programação para o período 2014-2016 definida pela Comissão e pelos Estados-Membros (ver ponto 26). Tratou-se de uma oportunidade perdida para melhorar a coordenação, pois é de esperar a existência de ajuda humanitária em zonas em situação de crise prolongada, que é o caso de algumas das regiões do país. Apenas em setembro de 2016 foi formalizado um procedimento para o intercâmbio de informações entre a DG DEVCO e a DG ECHO.
A gestão da Comissão relativa à ajuda da UE ao desenvolvimento foi, de um modo geral, satisfatória, mas foi prejudicada por atrasos e insuficiências
29A fim de responder à segunda questão de auditoria (ver ponto 15), o Tribunal avaliou se a Comissão tinha identificado e executado as ações de forma adequada e se tinha escolhido a modalidade de ajuda apropriada. O Tribunal avaliou igualmente se a Comissão tinha coordenado as ações com outros doadores e se as mesmas foram acompanhadas adequadamente.
As ações foram relevantes mas depararam-se com obstáculos
30Dentro de cada PIP, a Comissão toma decisões de financiamento, concretizadas nos Programas de Ação Anual (PAA), que definem as ações, a modalidade de ajuda e o montante total de financiamento para cada ação. As ações escolhidas coadunavam-se com as prioridades definidas. Porém, embora os sectores prioritários e as ações apoiadas estivessem em consonância com as prioridades governamentais (ver ponto 20), a Comissão não documentou a decisão sobre o montante de financiamento, tanto para cada sector no âmbito do PIP como para cada ação no âmbito do PAA.
31O PAA de 2016 não foi aprovado, pois alguns Estados-Membros não eram favoráveis à abordagem proposta antes de uma reunião do Comité do ICD, e a Comissão decidiu retirar a proposta. A não adoção do PAA de 2016 provocou atrasos significativos na execução das ações previstas, uma vez que a execução de 163 milhões de euros no âmbito do PIP de 2016 foi adiada. Da dotação total de perto de mil milhões de euros para o período 2012-2020 (ver quadro 1), os montantes autorizados até abril de 2017 representaram 380,7 milhões de euros.
32Os critérios operacionais considerados quando da escolha das modalidades de ajuda e da criação do plano de execução foram o "volume de trabalho futuro da Delegação" e assegurar "uma combinação de modalidades de ajuda". Nenhum dos PAA analisados incluía o critério da relação custo-eficácia das atividades financiadas. No entanto, tendo em conta as opções disponíveis, a escolha da Comissão quanto às modalidades de ajuda foi razoável.
33Mais de metade dos montantes autorizados foi atribuída no âmbito da modalidade de gestão indireta e canalizada principalmente através de fundos fiduciários geridos pelas Nações Unidas (ver ponto 13). A Comissão pôde, assim, trabalhar em estreita cooperação com outros doadores e participar em ações de desenvolvimento de grande escala. Esta modalidade de ajuda aliviou o ónus sobre o pessoal da Comissão, pois as Nações Unidas eram o principal responsável pela gestão dos fundos.
A execução por parte dos fundos fiduciários foi prejudicada por atrasos na autorização e no desembolso do financiamento
34A Comissão autorizou e desembolsou rapidamente os montantes destinados aos fundos fiduciários, mas a execução dos programas destes fundos geridos pelas Nações Unidas foi prejudicada por atrasos e lentidão na absorção do orçamento pelas atividades desses programas. Os montantes desembolsados no âmbito das atividades do programa do LIFT representaram apenas 53% das contribuições para este fundo (com duração entre 2012 e 2018). No caso do Fundo Três Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (F3ODM), esse valor foi de 68% (com duração entre 2012 e 2017). Embora o FCP tenha sido criado em dezembro de 2015, o montante pago às atividades do programa era de apenas 3% das contribuições para o financiamento11.
35Devido à lentidão na aplicação das atividades dos programas, os saldos de caixa dos fundos fiduciários geridos pelas Nações Unidas eram consideráveis. No caso do LIFT, este saldo elevava-se a 74 milhões de USD, no do F3ODM a 54 milhões de USD e no do FCP a 18 milhões de USD12 13.
36As disposições contratuais celebradas entre a UE e o UNOPS, a agência das Nações Unidas que gere três dos quatro fundos fiduciários em Mianmar/Birmânia, permitem a este último reter os juros gerados pelo financiamento adiantado pela Comissão. A Comissão não exige ao UNOPS que afete os juros ganhos às atividades do programa.
As disposições de controlo de custos previstas nos contratos entre a UE e as Nações Unidas tiveram pouco impacto
37As disposições contratuais que regulam o financiamento da UE pago aos fundos fiduciários multidoadores estão definidas nos acordos de contribuição, que enunciam os compromissos financeiros de ambas as partes. Uma cláusula específica desses acordos estipula que os custos indiretos devem ser limitados a 7% dos custos diretos elegíveis suportados pelos fundos. Dado que a gestão dos fundos cabe às Nações Unidas, o controlo de custos é, em primeiro lugar, da sua responsabilidade. No entanto, a Comissão também tem a obrigação de garantir a relação custo-eficácia no que concerne às contribuições da UE, e uma das formas de o tentar assegurar é a realização de controlos de verificação sobre os fundos.
38No decurso destes controlos, os verificadores analisam a elegibilidade dos custos apresentados pelos fundos fiduciários. Em conformidade com o acordo celebrado entre as partes, as despesas não serão recusadas caso sejam consideradas inelegíveis para financiamento da UE, mas antes suportadas por outros doadores, se existirem fundos suficientes. Trata-se da denominada "abordagem nocional". O Tribunal deparou-se com casos em que as verificações realizadas em nome da Comissão tinham detetado custos inelegíveis e em que a abordagem nocional foi aplicada (ver caixa 1).
Caixa 1
Exemplos de aplicação da abordagem nocional
LIFT
Em 2012, um controlo de verificação realizado pela Comissão permitiu detetar custos inelegíveis no valor de 7,35 milhões de euros, constituídos maioritariamente por adiantamentos e empréstimos incorretamente registados como despesas. Ao aplicar a abordagem nocional, a despesa inelegível total reduziu-se para 2,44 milhões de euros, pois a gestão do fundo fiduciário informou que existiam fundos suficientes oriundos de outros doadores para cobrir 4,91 milhões de euros dos custos considerados pela Comissão como inelegíveis. Posteriormente, a maioria dos restantes 2,44 milhões de euros foi retida pela Comissão em contrapartida de pagamentos subsequentes ao LIFT, tendo um saldo remanescente de 0,35 milhões de euros acabado por ser recuperado ao UNOPS.
F3ODM/F3D
Em 2012, o Fundo de Luta contra Três Doenças (F3D) cessou as suas atividades e foi substituído pelo F3ODM. Um exercício de verificação realizado em 2015 sobre o F3D comunicou a existência de custos indiretos inelegíveis no valor de 640 000 USD. Este montante ultrapassava o limite máximo para os custos indiretos disposto no acordo de contribuição, ou seja, 7% dos custos diretos elegíveis. A gestão do fundo, ao ser notificada dessa situação, comunicou à Comissão que o montante tinha sido coberto por fundos provenientes de outros doadores.
Os exemplos supra ilustram o nível limitado do controlo que a Comissão pode exercer sobre a relação custo-eficácia dos fundos. Como, na maioria dos casos, os custos que sejam considerados inelegíveis pela Comissão serão cobertos por outros doadores, as constatações dos controlos de verificação terão pouco ou nenhum impacto sobre a relação custo-eficácia dos fundos. O mesmo sucede em relação aos custos indiretos, na ausência de acordo entre os doadores sobre a aplicação de uma taxa adequada.
40Nos casos em que um doador é igualmente um parceiro de execução numa ação com vários doadores, como é o caso do PEBQ (ver anexo II e caixa 2), existe um risco significativo de que os custos indiretos que excedam os 7% acordados com a UE sejam atribuídos ao próprio parceiro de execução ou a outros doadores.
Caixa 2
Exemplo de custos indiretos elevados
No caso do PEBQ, os custos indiretos foram duas vezes mais elevados do que o estipulado nos contratos entre a UE e as Nações Unidas: aos 7% de custos indiretos previstos no orçamento geral do PEBQ acrescem outros 7% incluídos no orçamento da subsubvenção para projetos executados através de organizações não-governamentais (ONG). Os custos pagos ao abrigo dessas subsubvenções são atribuídos a fontes de financiamento que não a UE. Contudo, a relação custo-eficácia global das ações é prejudicada pela dupla imputação de custos indiretos, independentemente da fonte de financiamento a que os custos são atribuídos.
Os procedimentos contratuais para situações de crise foram aplicados de forma demasiado lata
41A Comissão tomou decisões sobre todos os projetos geridos diretamente, incluindo o seu âmbito de aplicação e orçamento, e pôde acompanhar de perto os progressos realizados ao longo de todo o seu ciclo de vida. Na sua gestão, a Comissão recorreu a instrumentos como o acompanhamento orientado para os resultados, e podia também tomar medidas no decurso de um projeto. No entanto, tanto o estabelecimento de projetos como o seu acompanhamento são atividades exigentes e morosas, sobretudo quando estes são em grande número e estão dispersos por áreas extensas e de difícil acesso, pelo que a Comissão procurou financiar grandes projetos.
42Durante o período 2012-2016, a Comissão utilizou as disposições para a declaração de situações de crise14 para celebrar contratos diretamente com os parceiros de execução, sem necessidade de convites à apresentação de propostas. O recurso à declaração de uma situação de crise implicava um quadro com "risco imediato ou iminente de se transformar em conflito armado", pelo que as subvenções e os contratos públicos podiam ser negociados sem proceder a convites à apresentação de propostas ou a concursos15. Numa primeira fase, a declaração de situação de crise aplicou-se apenas aos estados de Chin, Kachin, Kayah, Kayin, Mon, Shan e Rakhine e à divisão de Tanintharyi (ver mapa no anexo I). Em 2014, a Comissão alargou a declaração de situação de crise a todos os contratos de apoio à consolidação da paz e do Estado em Mianmar/Birmânia e renovou-a anualmente. A declaração de situação de crise era compreensível no caso das zonas diretamente assoladas por conflitos, mas menos compreensível em zonas onde estes não existiam. A supressão da obrigação de emissão de convites à apresentação de propostas reduziu a transparência do procedimento de seleção, suscitando o risco de provocar um efeito adverso na relação custo-eficácia dos projetos.
43Se bem que a Comissão tenha ela mesma invocado a declaração de situação de crise desde 2012, apenas informou os parceiros de execução da possibilidade de aplicação de procedimentos flexíveis em 2015 e em 2016, não o tendo feito em 2013 e 2014. Embora a Comissão tenha atribuído subvenções diretamente, exigiu que os parceiros de execução aplicassem procedimentos de adjudicação de contratos em 2013 e 2014, mesmo ao nível dos estados.
O risco de duplo financiamento não foi suficientemente atenuado
44Ao avaliar a gestão da ajuda ao desenvolvimento feita pela Comissão, o Tribunal verificou que o risco de duplo financiamento foi, em alguns casos, significativo e que não foi atenuado (ver caixa 3).
Caixa 3
Exemplos de riscos de duplo financiamento
O F3ODM abrange três componentes: (1) saúde materna, neonatal e infantil; (2) tuberculose, malária e VIH/SIDA; (3) apoio a sistemas. A componente 2 é também abrangida pelo Fundo Mundial, com sede em Genebra, na Suíça, que opera a nível mundial, incluindo em Mianmar/Birmânia, sendo cofinanciado pela UE e gerido pelo UNOPS. O financiamento da componente 2 pelo F3ODM destina-se especificamente a complementar aquele que é prestado pelo Fundo Mundial a Mianmar/Birmânia e a colmatar eventuais lacunas. Porém, não foi realizada uma análise completa às lacunas e sobreposições entre ambos os fundos16. Não foram dados pormenores relativos aos domínios de intervenção e aos orçamentos de ambos os fundos ao conselho de administração do F3ODM ou à Comissão, nem foram tomadas medidas de atenuação para evitar o risco de duplo financiamento.
Noutro caso, uma ONG local recebeu apoio da UE para o reforço das capacidades a partir de quatro fontes distintas financiadas pela UE, sem qualquer avaliação quanto a eventuais sobreposições.
Além disso, dois dos projetos auditados mostraram fraca coordenação com outros doadores a nível da execução (ver caixa 4).
Caixa 4
Exemplos de oportunidades perdidas em termos de coordenação
Em 2012, o Banco Mundial atribuiu mais de 80 milhões de USD a um programa nacional de desenvolvimento impulsionado pela comunidade. Este programa foi executado através de diferentes estruturas estatais de desenvolvimento, incluindo autoridades locais.
Numa região, a UE concedeu um financiamento de cinco milhões de euros a um projeto que incluía uma componente de desenvolvimento impulsionado pela comunidade. Um relatório de acompanhamento constatou que as iniciativas tinham sido executadas pelas mesmas partes interessadas a nível local. Esta situação criou estruturas paralelas e sobreposições graves, mesmo que as comunidades tenham beneficiado de investimentos adicionais na sua infraestrutura.
Noutra região, a UE deu um financiamento de sete milhões de euros a um projeto que incluía igualmente uma componente de desenvolvimento impulsionado pela comunidade. O relatório de acompanhamento assinalou uma falta de coordenação sectorial e, também neste caso, um risco de sobreposições.
Registaram-se insuficiências no acompanhamento das ações financiadas pela UE e a visibilidade foi reduzida
46O acompanhamento, comunicação e avaliação das ações da Comissão foi concretizado através de relatórios de projetos, visitas no terreno, relatórios de acompanhamento orientado para os resultados, avaliações e auditorias. O acompanhamento melhorou nos anos subsequentes ao estabelecimento da Delegação da UE, embora subsistissem insuficiências.
47Foi impossível avaliar se as realizações e os efeitos estipulados ao nível de um PAA tinham sido alcançados, por duas razões: por um lado, alguns dos PAA analisados não incluíam indicadores de realizações ou de efeitos que permitissem a avaliação das ações; por outro, mesmo nos casos em que esses indicadores estavam disponíveis, não existiam dados agregados sobre as realizações e os efeitos das várias ações realizadas em cada sector de intervenção abrangido pelos PAA.
48Alguns dos PAA preconizam a criação de um comité de acompanhamento do desempenho das ações financiadas. Nos casos auditados, este comité não tinha sido criado ou tinha-o sido de forma tardia. Além disso, o Tribunal constatou insuficiências a nível do acompanhamento em 50% dos projetos auditados (ver anexo IV), metade dos quais incluía projetos de fundos fiduciários.
A Comissão reagiu aos relatórios das missões de verificação com lentidão
49A Comissão é membro dos conselhos de administração do LIFT, do F3ODM e do FCP, bem como do comité de direção do PEBQ e, além disso, realiza missões de verificação em agências das Nações Unidas. A Comissão iniciou e reagiu aos relatórios das missões de verificação com lentidão (ver caixa 5).
Caixa 5
Missões de verificação
LIFT
A Comissão realizou uma missão de verificação em 2012 que detetou custos inelegíveis no montante de 7,35 milhões de euros. O montante final pendente apenas foi recuperado cinco anos mais tarde, em janeiro de 2017.
F3ODM/F3D
Não obstante o facto de o F3D ter sido suprimido em 2012, não se realizou qualquer missão de verificação até 2015, cujos resultados foram publicados em 2016, ou seja, quatro anos mais tarde. Não foi realizada qualquer missão de verificação em relação ao F3ODM.
A visibilidade da UE foi reduzida
50Tanto os relatórios das missões de verificação como os de acompanhamento apontaram o baixo nível de visibilidade das ações financiadas pela UE. Foi possível avaliar esse nível em dez dos projetos auditados, oito dos quais não cumpriam totalmente as disposições contratuais (ver anexo IV).
51Uma das vantagens dos fundos fiduciários da UE é uma maior visibilidade. Como promotora do FCP, a Comissão desempenhou um papel fundamental na sua criação. Embora tenha inicialmente considerado a possibilidade de um fundo fiduciário da UE, veio mais tarde a excluí-lo formalmente do estudo de criação por não ter convencido os outros potenciais contribuidores das vantagens desta opção.
A realização dos objetivos foi prejudicada por atrasos na execução
52A fim de responder à terceira questão de auditoria (ver ponto 15), o Tribunal avaliou se as ações garantiram as realizações previstas e produziram os efeitos esperados. No anexo III são disponibilizados os pormenores dos projetos auditados e o anexo IV apresenta uma síntese da avaliação de cada projeto.
Obtiveram-se alguns bons resultados, apesar do contexto difícil
53Os projetos financiados pela UE tiveram como objetivos reagir com rapidez e flexibilidade numa série de domínios relevantes para a transição política de Mianmar/Birmânia e apoiar o desenvolvimento de políticas em questões económicas e sociais. O impacto foi prejudicado tanto por fatores internos como externos, os quais diminuíram a eficácia dos projetos financiados. Apesar do contexto difícil, alguns dos projetos auditados pelo Tribunal produziram bons resultados (ver caixa 6).
Caixa 6
Exemplos de projetos que produziram bons resultados
LIFT – Projeto de microfinanciamento
O objetivo do projeto era aumentar o acesso a empréstimos e outros serviços financeiros por parte de mais de 100 000 clientes com baixos rendimentos no país, dos quais pelo menos metade eram mulheres ou residiam em zonas rurais. O apoio disponibilizado pelo LIFT às instituições de microfinanciamento permitiu-lhes operar e continuar a prestar serviços. O projeto foi bem-sucedido, na medida em que muitos tiraram proveito do financiamento para iniciar ou expandir as suas atividades.
F3ODM – Projeto de apoio à saúde materna e infantil
O sector da saúde do país sofre de um nível de despesa pública inadequado, e as taxas de mortalidade materna e infantil são muito elevadas. O projeto financiado pelo F3ODM apoiou consultas de urgência para mulheres grávidas e crianças com menos de cinco anos de idade. Os doentes receberam pagamentos que lhes permitiram cobrir os custos de transporte, alimentação e tratamento. Este projeto deverá contribuir de forma significativa para a redução da mortalidade materna e infantil.
Projeto 20
Este projeto levou à construção e beneficiação de instalações escolares em vários locais no estado de Rakhine, tanto para crianças deslocadas internamente como para outras que não o eram das comunidades rakhine e rohingya. À data da visita do Tribunal, embora fosse ainda demasiado cedo para avaliar os efeitos esperados, o projeto estava a produzir as realizações previstas.
A execução dos projetos foi prejudicada por atrasos e insuficiências
54Embora algumas das realizações previstas pelos projetos auditados tenham sido produzidas atempadamente, muitas outras não o foram. No total, registaram-se atrasos na execução de 75% dos projetos auditados (ver anexo IV).
55A maioria dos projetos, tanto no âmbito dos fundos fiduciários das Nações Unidas como aqueles sob gestão direta, era relevante para os objetivos definidos. Um quarto dos projetos auditados, porém, apresentava insuficiências a este respeito (ver caixa 7).
Caixa 7
Exemplo de um projeto apenas parcialmente relevante para os objetivos definidos
Um importante projeto destinado ao reforço das capacidades a nível institucional tinha como objetivo reforçar as instituições públicas e os intervenientes não estatais. No entanto, o âmbito e as realizações pretendidas para o projeto eram demasiado abrangentes e não se coadunavam completamente com os sectores prioritários, uma vez que estavam também ligadas a domínios como "o ambiente" e "o programa Erasmus".
Os objetivos da maioria dos projetos auditados cumpriam os critérios SMART (específicos, mensuráveis, realizáveis, pertinentes e calendarizados), mas os indicadores de metade dos projetos auditados eram inadequados. De forma geral, não tinham sido fixados valores de referência ou metas para esses projetos, o que dificultou o acompanhamento da taxa de execução por parte da Comissão, bem como a avaliação da medida em que os objetivos tinham sido alcançados.
57A maior parte dos projetos auditados alcançou algumas ou todas as realizações previstas. Contudo, não foi possível avaliar os efeitos e a sustentabilidade dos resultados produzidos em quase metade dos projetos auditados devido a atrasos na execução das atividades dos programas. A obtenção dos efeitos esperados apenas era provável num terço dos projetos auditados.
58Em geral, os relatórios de acompanhamento orientado para os resultados da Comissão avaliaram a eficácia dos projetos sob gestão direta nos sectores como "boa", não obstante a avaliação média da sustentabilidade ter sido "problemática".
O apoio ao estado de Rakhine não produziu resultados significativos
59De um compromisso financeiro total com o país de 380,7 milhões de euros (ver ponto 31), foram atribuídos 38,8 milhões de euros ao estado de Rakhine. A dotação financeira dirigida a este estado baseou-se nos ensinamentos retirados por um pequeno número de parceiros de execução. Os resultados esperados da maioria dos projetos da amostra executados naquele estado foram alcançados apenas parcialmente (ver caixa 8).
Caixa 8
Projeto de segurança alimentar no estado de Rakhine
O LIFT apoiou um projeto de segurança alimentar no estado de Rakhine. Desde o seu início em 2013, os resultados produzidos têm sido medíocres, devido a:
- problemas externos, tais como ataques violentos contra ONG internacionais;
- deficiências internas, como a reduzida capacidade de execução no terreno e a fraca cooperação entre os parceiros de execução.
Embora a gestão do LIFT estivesse consciente dessa situação, após o termo do projeto o Fundo contratou os mesmos parceiros para prosseguirem a execução do projeto, sem que tivesse sido lançado um convite à apresentação de propostas.
O objetivo do recém-criado FCP é o de apoiar um processo de paz gerido a nível nacional e inclusivo em Mianmar/Birmânia (ver anexo II). No entanto, a componente principal deste fundo não tem em vista o estado de Rakhine, o que, tendo em conta a grande vulnerabilidade desta região, representa uma oportunidade perdida.
Conclusões e recomendações
61Ao longo do período 2012-2016, Mianmar/Birmânia estava a passar por um processo de transição política e económica. Alguns fatores, tais como catástrofes naturais, conflitos étnicos e as capacidades limitadas dos intervenientes e autoridades locais, estavam a prejudicar os esforços em prol do desenvolvimento.
62A auditoria examinou se o apoio da UE ao desenvolvimento de Mianmar/Birmânia foi eficaz, tendo concluído que o foi parcialmente. Num contexto difícil, a UE desempenhou um importante papel de liderança no apoio às prioridades de desenvolvimento e atribuiu um financiamento significativo ao país. O Tribunal refere, no entanto, insuficiências na avaliação das necessidades feita pela Comissão e na execução da assistência da UE.
63A decisão da Comissão de concentrar a atenção em quatro sectores não estava em consonância com a Agenda para a Mudança de 2011 nem com as orientações operacionais da própria Comissão. Além disso, não foi tomada em consideração a capacidade da Delegação da UE para fazer face ao grande volume de trabalho e não foi realizada uma avaliação das prioridades do país em termos geográficos. Do mesmo modo, a geração de receitas internas não foi tida em conta na escolha das prioridades de desenvolvimento (ver pontos 22 a 24).
Recomendação 1 – Necessidade de concentrar o apoio de forma a aumentar o impacto
A Comissão e o SEAE devem:
- concentrar-se, no máximo, em três domínios específicos de intervenção, justificando a eventual inclusão de sectores adicionais;
- promover a mobilização de receitas internas;
- ordenar as prioridades em função das necessidades regionais mais urgentes e do nível de apoio dado ao país, em termos geográficos, por outros doadores.
Prazo: até ao início do próximo período de programação, em 2020.
64A programação conjunta da UE e dos vários Estados-Membros no âmbito da Estratégia Comum de Programação para o período 2014-2016 foi um passo positivo (ver ponto 26). A coordenação entre as DG que geriram a ajuda humanitária e ao desenvolvimento nas zonas em situação de crise prolongada não funcionou bem. A Comissão não elaborou um plano de execução conjunta para as ajudas de emergência, reabilitação e desenvolvimento (ver ponto 27).
Recomendação 2 – Coordenação das intervenções
A Comissão deve:
- elaborar um plano de execução com a DG ECHO que interligue as ajudas de emergência, reabilitação e desenvolvimento, com ênfase nas zonas em situação de crise prolongada;
- incluir a ajuda humanitária no novo documento de programação elaborado em conjunto com os Estados-Membros da UE (Estratégia Comum de Programação).
Prazo: até ao final de 2018.
65A gestão da ajuda da UE ao desenvolvimento foi, em geral, satisfatória. As ações deram resposta às prioridades de desenvolvimento do país, embora se tenham registado atrasos. A escolha da Comissão quanto às modalidades da ajuda foi razoável. No entanto, as justificações para a determinação dos montantes de financiamento a atribuir a cada sector e ação não foram documentadas. Além disso, verificaram-se atrasos na execução, dado que o PAA de 2016 nunca foi aprovado (ver pontos 30 a 33).
Recomendação 3 – Execução das ações
A Comissão deve:
- justificar e documentar a atribuição de financiamento a cada sector prioritário e a cada ação.
Prazo: fase de programação do novo PIP (2019/2020).
66A execução dos programas dos fundos fiduciários geridos pelas Nações Unidas foi prejudicada por atrasos e lentidão na absorção do orçamento pelas atividades dos programas (ver ponto 34). Embora estes fundos tenham acumulado saldos de caixa avultados, a Comissão não garantiu que os juros sobre a contribuição da UE sejam aplicados às ações que estão a ser financiadas (ver ponto 36). As disposições de controlo de custos dos contratos entre a UE e a ONU tiveram um impacto limitado (ver pontos 37 a 40). A Comissão reagiu aos relatórios das missões de verificação com lentidão (ver ponto 49).
Recomendação 4 – Relação custo-eficácia das ações com vários doadores
A Comissão deve:
- envidar esforços no sentido de acordar com os restantes doadores um nível adequado para os custos indiretos.
Prazo: até ao final de 2018.
67Durante o período 2012-2016, a Comissão recorreu às disposições para declaração de situações de crise a fim de celebrar contratos diretamente com os parceiros de execução. A supressão generalizada da obrigação de emissão de convites à apresentação de propostas reduziu a transparência do procedimento de seleção, podendo ter um efeito adverso sobre a relação custo-eficácia dos projetos (ver pontos 41 a 43).
68O acompanhamento melhorou ao longo dos anos, mas subsistiram algumas falhas. Os indicadores de realizações e de efeitos existentes não foram suficientes para a avaliação das ações. A Comissão não garantiu a criação de comités de acompanhamento do desempenho em conformidade com as suas próprias decisões (ver ponto 48). De modo geral, o apoio da UE não foi suficientemente visível (ver ponto 50).
Recomendação 5 – Acompanhamento das ações
A Comissão deve:
- consolidar as informações disponíveis, de modo a melhorar a avaliação das realizações e dos efeitos fixados ao nível dos PAA;
Prazo: 2019.
- insistir na necessidade de aplicar as disposições relativas à visibilidade das ações da UE.
Prazo: até ao final de 2018.
69O grau de obtenção de resultados no âmbito dos projetos auditados foi muito variável. Apenas metade dos projetos auditados produziu as realizações planeadas, devido sobretudo a atrasos na execução (ver ponto 54). Os projetos incluídos na amostra do Tribunal executados no estado de Rakhine não alcançaram resultados significativos (ver ponto 59). O facto de o recém-criado FCP não abranger a região altamente vulnerável do estado de Rakhine representa uma oportunidade perdida (ver ponto 60).
Recomendação 6 – Obtenção de resultados
A Comissão deve:
- melhorar a gestão dos projetos, a fim de evitar atrasos na sua execução;
- voltar a explorar a possibilidade de incluir o estado de Rakhine na esfera de competência do FCP.
Prazo: até ao final de 2018.
O presente Relatório foi adotado pela Câmara III, presidida por Karel PINXTEN, Membro do Tribunal de Contas, no Luxemburgo, na sua reunião de 12 de dezembro de 2017.
Pelo Tribunal de Contas

Klaus-Heiner LEHNE
Presidente
Anexos
Anexo I
Mapa de Mianmar/Birmânia
Anexo II
Fundos fiduciários geridos pelas Nações Unidas
O Fundo Fiduciário para Meios de Subsistência e Segurança Alimentar (LIFT) é um fundo fiduciário multidoadores que tem como objetivos ajudar as pessoas pobres e desfavorecidas de Mianmar/Birmânia a sair da pobreza e dar-lhes apoio para superarem a malnutrição e criarem os seus próprios meios de subsistência. É gerido pelo Gabinete das Nações Unidas de Serviços de Apoio a Projetos (UNOPS).
O Fundo Três Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (F3ODM) tem como objetivos reduzir a prevalência de três doenças (VIH/SIDA, tuberculose e malária) e melhorar a saúde das mães e das crianças em Mianmar/Birmânia. O Fundo substituiu o Fundo de Luta contra Três Doenças (F3D) em 2012, quando este cessou as atividades, e é gerido pelo UNOPS.
O Programa para um ensino básico de qualidade (PEBQ) foi criado com o intuito de aumentar o acesso equitativo ao ensino básico e ao desenvolvimento na primeira infância, em especial entre comunidades desfavorecidas e de difícil acesso. É gerido pela UNICEF.
O Fundo Comum para a Paz (FCP) visa apoiar um processo de paz de base nacional e inclusivo em Mianmar/Birmânia. Foi criado em 2015 e é gerido pelo UNOPS.
| (milhões de USD) | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Sector de intervenção | Fundo | Período | Contribuições dos doadores para os fundos | Contribuição autorizada da UE | % da contribuição autorizada da UE em relação às contribuições totais dos doadores | Data |
| Segurança alimentar/ Subsistência/ Desenvolvimento rural |
LIFT | 2009-2017 | 439,7 | 130,2 | 30% | 31.1.2017 |
| Saúde | F3ODM | 2012-2017 | 279,6 | 31,5 | 11% | 1.11.2016 |
| Ensino | PEBQ | 2012-2017 | 76,6 | 28,5 | 37% | 31.12.2016 |
| Consolidação da paz | FCP | 2015-2017 | 105,2 | 20,8 | 20% | 28.2.2017 |
Fonte: TCE.
Anexo III
Amostra de projetos auditados
| (milhões) | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Nº do contrato | Sector de intervenção | Adjudicatário | Montante contratado | Montante pago | Data de início | Data de fim das operações |
| LIFT | UNOPS | 81,8 EUR | 47,5 EUR | 1.1.2012 | 31.12.2018 | |
| 1 | Projeto para empresas agrícolas | Empresa privada | 18,1 USD | 11 USD | 18.12.2015 | 31.12.2018 |
| 2 | Projeto relativo à segurança alimentar | ONG | 22,1 USD | 15 USD | 1.3.2013 | 31.12.2015 |
| 3 | Projeto relativo à segurança alimentar | ONG | 10,5 USD | 4,3 USD | 1.1.2016 | 31.12.2018 |
| 4 | Projeto de microfinanciamento | Agência da ONU | 7,0 USD | 6,7 USD | 1.11.2012 | 31.12.2018 |
| 5 | Projeto de acesso aos mercados | ONG | 4,0 USD | 3,4 USD | 11.6.2014 | 10.6.2017 |
| 6 | Projeto relativo à segurança alimentar | ONG | 2,1 USD | 0,8 USD | 10.6.2016 | 31.5.2019 |
| F3ODM | UNOPS | 27,5 EUR | 22,4 EUR | 1.1.2013 | 31.12.2017 | |
| 7 | Projeto relativo à tuberculose | UNOPS | 13,0 USD | 4,5 USD | 1.10.2014 | 31.12.2017 |
| 8 | Saúde materna e infantil | ONG | 6,8 USD | 5,6 USD | 1.7.2014 | 31.12.2017 |
| PEBQ | UNICEF | 22,0 EUR | 21,7 EUR | 1.1.2013 | 30.6.2017 | |
| 9 | Assistência na primeira infância | Associação religiosa | 4,0 USD | 3,1 USD | 23.10.2014 | 30.6.2016 |
| 10 | Resposta educativa precoce | ONG | 2,4 USD | 1,3 USD | 15.10.2013 | 20.6.2017 |
| (milhões de euros) | ||||||
| 11 | Governação | Agência de Estado-Membro | 20,0 | 9,4 | 1.8.2015 | 31.7.2019 |
| 12 | Governação | Empresa privada | 12,2 | 2,4 | 1.10.2015 | 30.9.2018 |
| 13 | Ajuda a populações desenraizadas | ONG | 8,0 | 5,5 | 10.7.2012 | 9.4.2017 |
| 14 | Consolidação da paz | Agência da ONU | 7,0 | 3,8 | 15.3.2015 | 14.3.2019 |
| 15 | Consolidação da paz | ONG | 7,0 | 4,4 | 1.2.2015 | 31.7.2018 |
| 16 | Ajuda a populações desenraizadas | ONG | 5,6 | 5,0 | 29.12.2012 | 14.8.2017 |
| 17 | Consolidação da paz | ONG | 5,0 | 2,8 | 1.3.2015 | 31.8.2018 |
| 18 | Consolidação da paz | ONG | 5,0 | 1,0 | 1.10.2016 | 30.9.2020 |
| 19 | Ajuda a populações desenraizadas | ONG | 3,2 | 2,9 | 1.2.2013 | 30.4.2017 |
| 20 | Consolidação da paz | Associação religiosa | 2,0 | 1,6 | 1.1.2015 | 31.12.2017 |
Anexo IV
Avaliação dos programas individuais auditados – síntese
| Nº | Escolha adequada | Relevância | Quadro lógico | Acompanhamento apropriado | Cumprimento do prazo/ absorção orçamental |
Realizações produzidas | Probabilidade de obtenção das realizações esperadas | Sustentabilidade da ação/ estratégia de saída | Visibilidade da UE | ||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Objetivos SMART | Indicadores RACER | Valores de referência/ alvo |
|||||||||
| 1 | Parcialmente | Sim | Parcialmente | Parcialmente | Não | Sim | Sim | Sim | Demasiado cedo | Demasiado cedo | Parcialmente |
| 2 | Sim | Sim | Parcialmente | Parcialmente | Parcialmente | Não | Não | Não | Não | Parcialmente | Não |
| 3 | Parcialmente | Sim | Sim | Sim | Sim | Parcialmente | Parcialmente | Parcialmente | Demasiado cedo | Demasiado cedo | Parcialmente |
| 4 | Não | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Parcialmente | Parcialmente | Não |
| 5 | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não | Não | Não | Não | Parcialmente | Não |
| 6 | Sim | Sim | Não | Parcialmente | Parcialmente | Parcialmente | Parcialmente | Parcialmente | Demasiado cedo para avaliar | Demasiado cedo para avaliar | Parcialmente |
| 7 | Não | Sim | Sim | Sim | Sim | Parcialmente | Não | Parcialmente | Demasiado cedo para avaliar | Demasiado cedo para avaliar | Não avaliado |
| 8 | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Parcialmente | Sim | Sim | Parcialmente | Não avaliado |
| 9 | Parcialmente | Parcialmente | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Não avaliado |
| 10 | Parcialmente | Parcialmente | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Demasiado cedo | Não |
| 11 | Sim | Sim | Sim | Não | Não | Não | Parcialmente | Parcialmente | Demasiado cedo | Demasiado cedo | Não avaliado |
| 12 | Sim | Parcialmente | Sim | Não | Não | Não | Sim | Parcialmente | Demasiado cedo | Demasiado cedo | Não avaliado |
| 13 | Sim | Sim | Sim | Parcialmente | Não | Parcialmente | Não | Parcialmente | Parcialmente | Não | Não avaliado |
| 14 | Parcialmente | Parcialmente | Sim | Parcialmente | Parcialmente | Sim | Parcialmente | Parcialmente | Não | Parcialmente | Não avaliado |
| 15 | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Parcialmente | Parcialmente | Sim | Demasiado cedo | Demasiado cedo | Sim |
| 16 | Parcialmente | Sim | Sim | Parcialmente | Não | Sim | Não | Parcialmente | Parcialmente | Sim | Não avaliado |
| 17 | Sim | Sim | Sim | Parcialmente | Parcialmente | Parcialmente | Parcialmente | Sim | Sim | Sim | Parcialmente |
| 18 | Parcialmente | Sim | Sim | Parcialmente | N/A | Demasiado cedo | Não | Demasiado cedo | Demasiado cedo | Demasiado cedo | Demasiado cedo |
| 19 | Parcialmente | Parcialmente | Sim | Sim | Não | Sim | Parcialmente | Sim | Parcialmente | Parcialmente | Não avaliado |
| 20 | Sim | Sim | Sim | Sim | Parcialmente | Sim | Parcialmente | Sim | Demasiado cedo | Demasiado cedo | Sim |
Abreviaturas, siglas e acrónimos
DG DEVCO: Direção-Geral da Cooperação Internacional e do Desenvolvimento
DG ECHO: Direção-Geral da Proteção Civil e das Operações de Ajuda Humanitária Europeias
F3D: Fundo de Luta contra Três Doenças
F3ODM: Fundo Três Objetivos de Desenvolvimento do Milénio
FCP: Fundo Comum para a Paz
ICD: Instrumento de Cooperação para o Desenvolvimento
ICPI: Instrumento de Cooperação com os Países Industrializados
IEDDH: Instrumento Europeu para a Democracia e os Direitos Humanos
IEP: Instrumento para a Estabilidade e a Paz (antigo Instrumento de Estabilidade - IE)
LIFT: Fundo Fiduciário para Meios de Subsistência e Segurança Alimentar (Livelihoods and Food Security Trust Fund)
ONG: Organização não-governamental
PAA: Programa de Ação Anual
PEBQ: Programa para um ensino básico de qualidade
PIP: Programa indicativo plurianual
RACER: Indicadores relevantes, reconhecidos, credíveis, fáceis e rigorosos (Relevant, Accepted, Credible, Easy and Robust)
SEAE: Serviço Europeu para a Ação Externa
SMART: Critérios específicos, mensuráveis, realizáveis, pertinentes e calendarizados (Specific, Measurable, Achievable, Relevant and Timely)
SWITCH-Ásia: Programa financiado pela UE para ajudar os consumidores e as empresas a mudar para um consumo e uma produção sustentáveis
UNICEF: Fundo das Nações Unidas para a Infância
UNOPS: Gabinete das Nações Unidas de Serviços de Apoio a Projetos (United Nations Office for Project Services)
Notas
1 Dados do Banco Mundial, 2012-2016.
2 Os instrumentos de financiamento podem ser de base nacional (bilaterais), regional ou concentrar-se num tema específico.
3 Ao abrigo da gestão direta, a Comissão Europeia é responsável por todas as tarefas de execução orçamental da UE, que são realizadas diretamente pelos seus serviços quer na sede quer nas delegações da UE. Ao abrigo da gestão indireta, a Comissão confia as tarefas de execução orçamental a organizações internacionais, às agências de desenvolvimento dos Estados-Membros da UE, a países parceiros ou a outros organismos.
4 De um total de 438 milhões de euros para todos os contratos (fonte: relatório sobre a gestão da ajuda externa de 2016).
5 Ministério do Planeamento e Finanças, Departamento de Relações Económicas Externas, https://mohinga.info/en/dashboard/location/.
6 Projetos 1 a 10.
7 Projeto 11.
8 Projetos 12 a 20.
9 Auditoria realizada pela Comissão a agências das Nações Unidas.
10 O objetivo principal da Agenda para a Mudança, aprovada em 2011, é o de aumentar significativamente o impacto e a eficácia da sua política de desenvolvimento. Ver https://ec.europa.eu/europeaid/policies/european-development-policy/agenda-change_en.
11 À data de 31 de janeiro de 2017 no caso do LIFT, de 1 de novembro de 2016 no caso do F3ODM e de 28 de fevereiro de 2017 no caso do FCP. As datas variam devido a diferentes ciclos de apresentação de relatórios.
12 Ver supra.
13 A UNICEF não conseguiu facultar demonstrações de fluxos de caixa certificadas para o PEBQ.
14 Artigo 190.º, n.º 2, do Regulamento Delegado (UE) n.º 1268/2012 da Comissão, de 29 de outubro de 2012, sobre as normas de execução do Regulamento (UE, Euratom) n.º 966/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, relativo às disposições financeiras aplicáveis ao orçamento geral da União (JO L 362 de 31.12.2012, p. 1).
15 Como disposto no artigo 128.º do Regulamento Financeiro n.º 966/2012 e no artigo 190.º, n.º 2, do Regulamento Delegado n.º 1268/2012 da Comissão, de 29 de outubro de 2012, quanto às subvenções, no artigo 190.º do Regulamento Financeiro n.º 966/2012 e no artigo 266.º, n.º 1, alínea a), do Regulamento Delegado n.º 1268/2012 da Comissão quanto aos contratos de serviços, no artigo 190.º do Regulamento Financeiro n.º 966/2012 e no artigo 268.º, n.º 1, alínea a), do Regulamento Delegado n.º 1268/2012 quanto aos fornecimentos, e no artigo 190.º do Regulamento n.º 966/2012 e no artigo 270.º, n.º 1, alínea a), do Regulamento Delegado n.º 1268/2012 da Comissão quanto às obras.
16 No que concerne ao maior projeto desta componente, a análise inicial de 2013 indicou que a ação iria necessitar de um orçamento de 0,7 milhões de USD, salientando que o Fundo Mundial já estava a contribuir com cerca de 12,7 milhões de USD para a mesma. No entanto, em 2014 foram atribuídos 11,4 milhões de USD a esta ação, um valor que subiu para 13 milhões de USD em 2015, sem que fosse dada qualquer explicação sobre o motivo pelo qual as necessidades tinham aumentado de forma tão significativa.
| Etapa | Data |
|---|---|
| Adoção do PGA / Início da auditoria | 22.11.2016 |
| Envio oficial do projeto de relatório à Comissão (ou outra entidade auditada) | 11.10.2017 |
| Adoção do relatório final após o procedimento contraditório | 12.12.2017 |
| Respostas oficiais da Comissão e do SEAE recebidas em todas as línguas | 20.12.2017 |
Equipa de auditoria
Os relatórios especiais do Tribunal de Contas Europeu (TCE) apresentam os resultados das auditorias de resultados e de conformidade sobre domínios orçamentais ou temas de gestão específicos. O TCE seleciona e concebe estas tarefas de auditoria de forma a obter o máximo impacto, tendo em consideração os riscos relativos aos resultados ou à conformidade, o nível de receita ou de despesa envolvido, os desenvolvimentos futuros e o interesse político e público.
A presente auditoria de resultados foi realizada pela Câmara de Auditoria III, responsável pela auditoria às despesas das ações externas, segurança e justiça. Na elaboração do relatório, o Membro relator, Karel Pinxten, Decano da Câmara, contou com a colaboração de Gerard Madden, o seu chefe de gabinete, de Mila Strahilova, assessora e responsável de tarefa, de Beatrix Lesiewicz, responsável principal, e de Roberto Ruiz Ruiz e Francesco Zoia Bolzonello, auditores. O apoio linguístico foi disponibilizado por Cathryn Lindsay.
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| ISBN 978-92-872-8975-9 | ISSN 1977-5822 | doi:10.2865/053760 | QJ-AB-17-025-PT-N | |
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