Prefácio

Ursula von der Leyen caminha em direção à câmara.

Ursula von der Leyen

Presidente da Comissão Europeia

Espero que 2021 fique na memória como o ano em que a Europa começou a deixar para trás a pandemia e a encarar um futuro mais promissor. O ano em que a nossa União assegurou vacinas para todos os seus cidadãos. O ano de arranque da retoma económica. O ano em que o nosso plano de recuperação NextGenerationEU fez avançar a Europa para a tornar mais ecológica e digital. Realizámos grandes progressos em 2021, mas só o conseguimos porque a Europa se uniu para agir.

A vacinação foi um passo decisivo. Graças aos esforços envidados no início da crise, não só conseguimos garantir doses de vacinas para todos os nossos Estados-Membros, como partilhámos ou exportámos mais de 1 700 milhões de doses para países de todo o mundo. No final de 2021, a União Europeia (UE) era o maior doador mundial de vacinas contra a COVID-19. Continuaremos a partilhar e exportar as nossas vacinas, porque sabemos que só venceremos a COVID-19 se a combatermos em todas as frentes.

O Certificado Digital COVID, lançado a tempo da época de verão, permitiu que os cidadãos viajassem em toda a UE e foi já adotado por mais de 60 países e territórios. Ajudou o setor do turismo, bem como as empresas e as atividades culturais que dele dependem, a resistir aos efeitos da pandemia.

Em 2021, lançámos também as bases para evitar que futuras pandemias nos voltem a apanhar desprevenidos. Em maio, tive o privilégio de copresidir à Cimeira Mundial da Saúde, em Roma, por ocasião da qual os dirigentes mundiais chegaram a acordo sobre princípios comuns, com vista a superar a COVID-19, preparar-se para pandemias futuras e preveni-las. Estamos já a agir com base nos ensinamentos retirados da pandemia. A nova Autoridade de Preparação e Resposta a Emergências Sanitárias (HERA) garantirá que dispomos dos tratamentos e do equipamento médico necessários caso surjam ameaças para a saúde.

Enquanto enfrentámos a pandemia e as suas consequências, nunca perdemos de vista os objetivos que nos propusemos alcançar no início do nosso mandato: continuámos a trabalhar para que a Europa se torne mais ecológica e mais digital e seja um espaço de igualdade e oportunidades para todos. O NextGenerationEU colocou estes objetivos no centro da retoma económica. Os primeiros milhares de milhões de euros começaram já a ser transferidos para os nossos Estados-Membros, que apresentaram programas de reforma ambiciosos para transformar as suas economias. O NextGenerationEU está a investir não só na recuperação da Europa, mas também na sua prosperidade a longo prazo — quer digitalizando as nossas economias e garantindo que os cidadãos europeus possuem as competências necessárias para os empregos do futuro, quer pondo em prática as medidas necessárias para alcançar o nosso objetivo de neutralidade climática até 2050.

A nossa nova lei em matéria de clima, que transforma os nossos objetivos em obrigações legais, ajudar-nos-á a concretizá-los. Em 2021, definimos as ações que tencionamos empreender nesta década decisiva para o nosso planeta. Mas a Europa não pode resolver a crise climática sozinha. Embora se tenham realizado alguns progressos na COP26 em Glasgow, todos os países têm ainda muito por fazer. Temos de envidar todos os esforços para combater as perigosas alterações climáticas: devemo-lo aos nossos filhos e aos nossos netos.

Eis porque colocámos os jovens no centro de tudo o que fazemos — do NextGenerationEU ao Pacto Ecológico Europeu. Por este motivo, no meu discurso sobre o estado da União, propus que o ano de 2022 fosse declarado Ano Europeu da Juventude, um ano de atividades e iniciativas para apoiar esta geração corajosa, que tanto sacrificou durante a pandemia.

Não lhes podemos devolver o tempo perdido, mas podemos ajudá-los a construir um futuro melhor para a UE. Os jovens são já uma parte importante da Conferência sobre o Futuro da Europa, que foi lançada no passado mês de maio — um exercício de democracia participativa sem precedentes na nossa história. Este importante debate contou com a participação de pessoas de todas as idades, oriundas de toda a União.

Não quero terminar sem antes recordar que, nos primeiros dias de 2022, a Europa perdeu um homem de bem e um grande europeu: o meu amigo David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu. David Sassoli acreditava que a Europa tinha de lutar por mais: mais democracia, mais direitos, mais solidariedade, mais responsabilidade, mais dignidade para todos os cidadãos europeus. A memória de David Sassoli perdurará e guiará as nossas ações no próximo ano. A nossa União honrará sempre o seu legado.

Viva a Europa!

Ursula von der Leyen

Um profissional de saúde vestido com equipamento de proteção individual desinfeta, através da janela do carro, o braço esquerdo de uma mulher de máscara que ergue o polegar da mão direita em sinal de aprovação.
Vacinação contra a COVID-19 num centro móvel, em Milão, Itália, 23 de março de 2021.

A resposta da União Europeia à COVID-19

Introdução

Em 2021, após um dos anos mais difíceis da sua história, a UE começou a encarar de novo o futuro e iniciou a recuperação da pandemia de COVID-19.

A UE redobrou os esforços para aumentar a produção de vacinas e apoiar os Estados-Membros e os países parceiros na tentativa de acelerar a vacinação. Foram bem sucedidas as medidas tomadas no início de 2020 através da estratégia da UE para as vacinas, que apostou em várias vacinas diferentes. Assim, em 2021, as vacinas generalizaram-se, apesar de uma fase inicial mais lenta do que previsto devido a problemas de produção e entrega com uma das vacinas.

Na sequência da vacinação em larga escala nos Estados-Membros, em 31 de agosto de 2021, a UE atingiu um marco crucial: a vacinação de pelo menos 70 % da sua população adulta. No final do ano, a percentagem tinha aumentado para 79,8 %. Com a recrudescência da pandemia na Europa e pelo mundo no final do ano, a contenção da propagação do vírus manteve-se uma prioridade fundamental. A Comissão apresentou uma abordagem comum e coordenada da UE para enfrentar o desafio em todos os Estados-Membros — vários dos quais voltaram a introduzir restrições —, prosseguindo simultaneamente os esforços para aumentar a cobertura vacinal, incluindo a vacinação de reforço.

Durante o ano, a Comissão Europeia colaborou com os Estados-Membros no sentido de reforçar as respetivas capacidades de despistagem e rastreio e de realizar a sequenciação de todo o genoma (que se revelou crucial com a propagação da variante Ómicron). A Comissão continuou também a investir na investigação e na inovação para obter vacinas e tratamentos novos, capazes de combater melhor a COVID-19. O Certificado Digital COVID da UE, lançado em julho, tornou mais fácil viajar em condições de segurança por toda a Europa e no resto do mundo. Até ao final de 2021 tinham sido emitidos mil milhões de certificados.

Em paralelo, a UE mobilizou-se para executar o mais ambicioso plano de recuperação da Europa. O orçamento de longo prazo da UE (1 211 mil milhões de euros), juntamente com o NextGenerationEU, o instrumento temporário concebido para impulsionar a recuperação (800 mil milhões de euros), é o maior pacote de medidas de estímulo alguma vez financiado pelo orçamento da UE, com o montante sem precedentes de 2 biliões de euros. Os Estados-Membros reagiram com planos nacionais de recuperação e resiliência, definindo investimentos e reformas para fazer face ao impacto da pandemia e acelerar a dupla transição ecológica e digital. O Mecanismo de Recuperação e Resiliência, elemento central do NextGenerationEU, disponibilizará 723,8 mil milhões de euros em subvenções e empréstimos para apoiar as reformas e os investimentos dos Estados-Membros. No final do ano, a Comissão tinha avaliado positivamente 22 planos nacionais num montante superior a 445 mil milhões de euros de financiamento, que foram aprovados pelo Conselho da União Europeia. A Comissão desembolsou 54,3 mil milhões de euros de pré-financiamento ao abrigo do Mecanismo de Recuperação e Resiliência para 20 Estados-Membros e efetuou um primeiro pagamento de 10 mil milhões de euros a Espanha. Embora a rapidez da recuperação possa variar consoante os países da UE, prevê-se que as economias de todos os Estados-Membros atinjam os níveis anteriores à crise no início de 2023.

Com base nos primeiros ensinamentos retirados da pandemia, as propostas iniciais da União Europeia da Saúde centraram-se na preparação para enfrentar situações de crise. Assim que forem aprovadas, dotarão a UE dos meios necessários para prevenir e combater de modo mais eficaz futuras pandemias e outras ameaças sanitárias transfronteiras e para melhorar a resiliência dos sistemas de saúde. O lançamento, em setembro, da nova Autoridade Europeia de Preparação e Resposta a Emergências Sanitárias (HERA) constituiu um importante passo em frente para ajudar a proteger a saúde dos cidadãos europeus, concluindo a União Europeia da Saúde (ver o capítulo 4 para mais informações).

A UE também trabalhou no sentido de aprofundar a cooperação internacional contra a pandemia, nomeadamente através da Cimeira Mundial da Saúde do G20+, realizada em Roma, Itália, em maio, e da iniciativa «acelerador do acesso aos meios de combate à COVID-19» (ACT-A), que visa intensificar o desenvolvimento e a produção de testes, tratamentos e vacinas para a COVID-19 e o acesso equitativo a estes recursos. A Cimeira Mundial da Saúde adotou a Declaração de Roma, estabelecendo princípios comuns para superar a COVID-19, prevenir futuras pandemias e assegurar a preparação face a um tal cenário. A Comissão, os Estados-Membros e as instituições financeiras, em especial o Banco Europeu de Investimento e o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, sob a égide da Equipa Europa, reforçaram o financiamento e a ação noutros continentes. Até 4 de janeiro de 2022, a Equipa Europa tinha partilhado 380 milhões de doses de vacinas com países parceiros, 255,4 milhões das quais já tinham sido entregues, principalmente através do mecanismo COVAX (o pilar «vacinas» do ACT-A). O objetivo geral é partilhar 700 milhões de doses até meados de 2022.

Reforçar a resposta à crise

Em 2021, a UE prosseguiu e intensificou os esforços para fazer face ao impacto da crise; neste contexto adotaram-se, no total, mais de 2 326 medidas de apoio desde o início da pandemia.

A ativação sem precedentes da cláusula de derrogação de âmbito geral do Pacto de Estabilidade e Crescimento, ao abrigo da qual os Estados-Membros se podem desviar temporariamente das rigorosas regras orçamentais, continuou a aplicar-se em 2021, permitindo-lhes prestar um forte apoio orçamental. Durante o ano, a Comissão continuou a utilizar a plena flexibilidade das regras em matéria de auxílios estatais como parte da sua resposta política em apoio de uma economia duramente afetada pelos efeitos da pandemia. Entre o início da pandemia e o final de 2021, adotou mais de 730 decisões, em que aprovou cerca de 900 medidas nacionais notificadas pelos Estados-Membros, num montante total de 3,17 biliões de euros. No decurso de 2021, a tónica passou gradualmente da necessidade urgente de manter em funcionamento as empresas em dificuldades para o imperativo de facilitar uma recuperação pujante, rápida e sustentada. A sexta alteração do quadro temporário relativo a medidas de auxílio estatal, adotada em novembro de 2021, reflete esta mudança, já que permite a eliminação gradual e coordenada dos auxílios ao nível da UE, mas prevê simultaneamente medidas para acelerar a recuperação. Graças a estas regras mais flexíveis e ao seu constante aperfeiçoamento à medida que a crise avança no sentido da recuperação, a Comissão ajudou os Estados-Membros a conter o impacto da recessão económica provocada pela pandemia, a preservar o bom funcionamento e a competitividade do mercado único e a preparar o caminho para a recuperação.

Apoio e ajuda de emergência

Os Estados-Membros puderam contar com o orçamento da UE para os ajudar a fazer face às numerosas consequências da pandemia no que se refere à saúde. Em 2021, foi financiada uma vasta gama de iniciativas no domínio da saúde ao abrigo do Instrumento de Apoio de Emergência, financiado pelo orçamento da UE, incluindo a garantia da disponibilidade de vacinas mediante a celebração de acordos prévios de aquisição com fabricantes de vacinas.

Em janeiro, a Comissão anunciou os 24 projetos selecionados que irão criar novos programas, ou alargar programas existentes, para a colheita de plasma de dadores recuperados da COVID-19. A UE disponibilizou igualmente um montante adicional de 65 milhões de euros do seu orçamento em 2021 para adquirir equipamento de proteção individual e medicamentos, dar formação em cuidados intensivos a profissionais de saúde e testar pessoas em zonas de difícil acesso. Desbloqueou ainda um montante adicional de 100 milhões de euros para adquirir diretamente mais de 20 milhões de testes rápidos de deteção de antigénios, que foram entregues a 25 Estados-Membros a partir de fevereiro.

Um doente hospitalizado ligado a um equipamento hospitalar olha para a câmara.
A utilização do plasma no tratamento da COVID-19 revelou-se promissora. Nesta fotografia, um doente que recuperou da COVID-19 doa plasma para o tratamento de doentes com a doença. Foram concedidos 36 milhões de euros a 24 projetos relacionados com plasma em 14 Estados-Membros e no Reino Unido, ao abrigo do Instrumento de Apoio de Emergência.

Na globalidade, o Mecanismo de Proteção Civil da UE contribuiu para a disponibilização de mais de 30 milhões de doses de vacinas e mais de 200 milhões de artigos de equipamento médico aos Estados-Membros da UE e a outros países, desde o início da pandemia. Em 2021, a UE mobilizou também equipas médicas de emergência na Roménia e na Eslováquia e ainda em países terceiros como a Guiné, a Papua-Nova Guiné e a Tunísia. A UE continuou a desenvolver a reserva estratégica rescEU de material médico em estreita cooperação com os Estados-Membros, e financiou a aquisição de equipamento de proteção individual adicional, unidades de cuidados intensivos e concentradores de oxigénio. Através da rescEU foi possível colmatar o défice de seis milhões de artigos médicos de emergência relacionados com a COVID-19 na Letónia e na Roménia, na UE, bem como no Montenegro, na Macedónia do Norte e na Sérvia, nos Balcãs Ocidentais. Foram entregues mais de 3,4 milhões de máscaras de proteção, 2,5 milhões de pares de luvas, 150 000 batas e outros artigos de equipamento de proteção individual, como escudos faciais, óculos de proteção e proteções de calçado. Durante o ano, a ponte aérea humanitária continuou a prestar apoio, incluindo o fornecimento de material médico essencial, a algumas das comunidades mais vulneráveis do mundo.

Cerca de 305 robôs de desinfeção foram entregues a hospitais de todos os Estados-Membros. Foram disponibilizados até 12 milhões de euros para a aquisição destes robôs, que, em apenas 15 minutos, podem desinfetar os quartos normais dos doentes utilizando luz ultravioleta.

A UE pôs à disposição dos Estados-Membros 43 milhões de euros para a emissão de certificados digitais COVID da UE e um montante adicional de 7 milhões de euros para a revogação de certificados falsos. Foram mobilizados 2,5 milhões de euros para desenvolver a aplicação ligada ao formulário digital europeu de localização dos passageiros, a fim de facilitar o rastreio de contactos quando os viajantes estão expostos a uma doença infeciosa no decurso da sua viagem. Foi igualmente desbloqueado um total de 220 milhões de euros, em 2020 e 2021, destinados a financiar tanto o transporte de equipamento como tratamentos relacionados com a vacinação contra a COVID-19 e a apoiar a transferência de doentes e o destacamento de equipas médicas.

Despistagem e rastreamento da COVID-19

Em janeiro, a Comissão definiu os elementos essenciais das estratégias gerais de despistagem a ter em conta nas abordagens de despistagem nacionais, regionais ou locais, nomeadamente o âmbito de aplicação, os grupos prioritários, as capacidades e os recursos de despistagem, bem como indicações sobre as circunstâncias em que possam justificar-se testes rápidos de antigénio. A Comissão instou os Estados-Membros a aumentarem a sequenciação do genoma e disponibilizou 110 milhões de euros de apoio através do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças. Para retardar a propagação de novas variantes que suscitam preocupação, o centro recomendou aos Estados-Membros que criassem as capacidades necessárias para sequenciar um número total de amostras que detetasse uma variante preocupante com um nível de prevalência de 1 %.

Em março, a Comissão adotou uma recomendação para acompanhar a evolução da COVID-19 através da monitorização das águas residuais. Recomendou-se aos Estados-Membros que criassem sistemas de vigilância das águas residuais e que os dados pertinentes fossem rapidamente comunicados às autoridades sanitárias competentes.

Apoiar o emprego e salvaguardar meios de subsistência

Esta infografia mostra a repartição dos fundos do instrumento Sure, indicando o montante total e os montantes específicos atribuídos a cada Estado-Membro.

Do fundo de 94,3 mil milhões de euros ao abrigo do instrumento Sure, foram atribuídos 8,2 mil milhões de euros à Bélgica, 511 milhões de euros à Bulgária, 2 mil milhões de euros à Chéquia, 230 milhões de euros à Estónia, 2,5 mil milhões de euros à Irlanda, 5,3 mil milhões de euros à Grécia, 21,3 mil milhões de euros a Espanha, mil milhões de euros à Croácia, 27,4 mil milhões de euros a Itália, 603 milhões de euros a Chipre, 305 milhões de euros à Letónia, 957 milhões de euros à Lituânia, 504 milhões de euros à Hungria, 420 milhões de euros a Malta, 11,2 mil milhões de euros à Polónia, 5,9 mil milhões de euros a Portugal, 4,1 mil milhões de euros à Roménia, 1100 milhões de euros à Eslovénia e 630 milhões de euros à Eslováquia. Os montantes foram arredondados.

A iniciativa de apoio para atenuar os riscos de desemprego numa situação de emergência (SURE), criada em 2020 para proteger o emprego e apoiar as famílias afetadas pela pandemia, representa um elemento importante da resposta da UE à crise da COVID-19. No âmbito da iniciativa, a Comissão contraiu um empréstimo de 89,64 mil milhões de euros, entre outubro de 2020 e maio de 2021, que distribuiu por 19 Estados-Membros, sob a forma de empréstimos. Um montante suplementar de 4,62 mil milhões de euros de apoio já aprovado deverá ser mobilizado e desembolsado em 2022. Outros Estados-Membros podem apresentar pedidos de apoio ao abrigo do SURE, que ainda pode disponibilizar quase 6 mil milhões de euros em assistência financeira.

Entre 1,5 milhões e 2,5 milhões de empresas beneficiaram do apoio do SURE, que lhes permitiu manter os seus trabalhadores.

Calcula-se que, ao recorrerem ao instrumento SURE em vez de emitirem dívida soberana, os Estados-Membros tenham poupado mais de 8 mil milhões de EUR em pagamentos de juros.

Um relatório publicado pela Comissão em setembro confirma o êxito da iniciativa na atenuação das repercussões da crise através da assistência financeira a regimes de tempo de trabalho reduzido e de medidas para os trabalhadores por conta própria. Em 2020, o SURE apoiou 31 milhões de pessoas — 22,5 milhões de trabalhadores por conta de outrem e 8,5 milhões de trabalhadores por conta própria. Estes valores representam mais de um quarto da mão de obra total nos 19 Estados-Membros beneficiários.

A UE está empenhada em ajudar os Estados-Membros a manter e a criar postos de trabalho para uma recuperação justa, inclusiva e resiliente da crise da COVID-19. Em março, a recomendação da Comissão sobre um apoio ativo e eficaz ao emprego deu orientações aos Estados-Membros sobre as políticas ativas do mercado de trabalho. Visa dar resposta aos desafios gerados pela pandemia, colmatar a escassez de competências que está a travar o crescimento económico durante a recuperação e ajudar todos os indivíduos no sentido de garantir o êxito da dupla transição ecológica e digital. O objetivo é a passagem gradual das medidas de emergência adotadas para preservar postos de trabalho durante a pandemia para novas medidas geradoras de emprego.

Em agosto, a Comissão tomou medidas para apoiar os agricultores afetados pela pandemia e por condições meteorológicas adversas, permitindo-lhes receber pagamentos antecipados mais elevados no âmbito da política agrícola comum. A Comissão também apoiou o setor agroalimentar através de uma maior flexibilidade e de medidas de mercado específicas orientadas para os setores do vinho, da fruta e dos produtos hortícolas.

A fim de garantir a reabertura segura dos setores cultural e criativo, a Comissão publicou, em junho de 2021, orientações da UE para garantir uma abordagem coordenada em função das especificidades nacionais, regionais e locais. Em novembro, publicou um guia em linha sobre o financiamento da UE para a cultura, abrangendo cerca de 20 programas da UE em vigor a que os Estados-Membros e o setor podem aceder para se candidatarem a financiamento.

Estratégia da União Europeia para as vacinas

Grande plano de um tapete transportador com frascos para soluções injetáveis.
Uma linha de produção na sede da empresa farmacêutica Reig Jofre, em Sant Joan Despí, Espanha, 26 de março de 2021.
Grande plano de uma mão, com uma luva médica, que retira um frasco de uma caixa de vacinas.
Um auxiliar de serviços médicos abre uma caixa de vacinas da BioNTech/Pfizer contra a COVID-19 num centro de vacinação temporário, no Terminal 5 do Aeroporto de Berlim-Brandemburgo, Alemanha, 25 de março de 2021.

A UE, juntamente com os Estados-Membros, constituiu uma carteira ampla e diversificada de milhares de milhões de doses de vacinas seguras e eficazes contra a COVID-19, provenientes de vários fabricantes. No final de 2021, cinco dos oito contratos de vacinas tinham permitido a obtenção de vacinas seguras e eficazes. O mesmo poderá suceder em relação a dois outros contratos, e só um contrato foi anulado. A estratégia da UE para as vacinas resultou em entregas aos Estados-Membros de quase mil milhões de doses, com praticamente o mesmo volume de doses exportadas para outras partes do mundo.

O trabalho preparatório nas fases iniciais da pandemia culminou na entrega de centenas de milhões de doses de vacinas contra a COVID-19 na sequência da aprovação e autorização da primeira vacina, desenvolvida pela BioNTech/Pfizer, no final de 2020.

Em 2021, a Comissão concedeu outras quatro autorizações condicionais de introdução no mercado às vacinas desenvolvidas pela Moderna, AstraZeneca, Janssen Pharmaceutica NV e Novavax, na sequência da avaliação positiva da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) relativamente à sua segurança e eficácia. Várias outras vacinas se encontram em diferentes fases de avaliação pela Agência. Na sequência da retirada da vacina da CureVac do processo de revisão contínua da EMA, em 11 de outubro, o contrato com a CureVac foi anulado e deixou de fazer parte da carteira de vacinas da UE.

A avaliação científica pela EMA das vacinas produzidas pela Valneva e pela Sanofi ainda estava em curso no final de 2021. Se a EMA emitir um parecer científico favorável tendo em vista uma autorização condicional de introdução no mercado de vacinas por parte da Comissão, essas vacinas estarão igualmente à disposição dos Estados-Membros.

Desde meados de 2020, a Comissão garantiu, assim, o direito de comprar até 4,2 mil milhões de doses de vacinas através de acordos prévios de aquisição e acordos de aquisição. Em contrapartida, a Comissão financiou uma parte dos custos iniciais graças ao Instrumento de Apoio de Emergência. Este financiamento, na sequência de um convite aberto aos criadores de vacinas, foi considerado um adiantamento do pagamento das vacinas adquiridas pelos Estados-Membros ao abrigo dos acordos prévios de aquisição. A carteira consiste em vacinas promissoras selecionadas pela Comissão, em relação às quais os fabricantes receberam financiamento para o desenvolvimento inicial, dado que a Comissão tinha a intenção de adquirir doses assim que a vacina fosse aprovada pela EMA.

O gráfico mostra as quantidades de doses de vacinas que serão adquiridas pela União Europeia, divididas por tipo de vacina.

No total, a União Europeia vai adquirir até 2,4 mil milhões de doses da vacina da Bio N Tech Pfizer, com a opção de adquirir 900 milhões de doses adicionais, até 460 milhões de doses da vacina da Moderna, até 400 milhões de doses da vacina da Astra Zeneca, até 400 milhões de doses da vacina da Johnson and Johnson, que requer apenas uma dose, até 200 milhões de doses da vacina da Novavax, com a opção de adquirir 100 milhões de doses adicionais, até 300 milhões de doses da vacina da Sanofi GSK e até 60 milhões de doses da vacina da Valneva.

Embora se esperasse que a produção e a entrega no primeiro trimestre do ano fossem relativamente baixas, a situação foi agravada pelo facto de uma empresa não ter cumprido o seu contrato. Em fevereiro, a Comissão criou um grupo de trabalho que funciona como um balcão único para os fabricantes que necessitam de apoio, com o objetivo de aumentar a capacidade de produção de vacinas na UE, assim como identificar e resolver problemas relacionados com a capacidade de produção e as cadeias de abastecimento. A Comissão também apoiou os Estados-Membros na distribuição das vacinas, preparando-os para a vacinação em grande escala, desde a instalação de infraestruturas de cadeia fria que asseguram que as vacinas são armazenadas à temperatura correta até à definição de grupos prioritários para a vacinação e aos esforços de comunicação.

Vacinação contra a COVID-19: ponto da situação no início de 2022

981 milhões

de doses distribuídas

79,8 %

da população adulta inteiramente vacinada na UE

Fonte: dados de produtores de vacinas e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.

A partir de abril de 2021, as entregas destinadas à UE aumentaram de forma apreciável, como previsto. Até meados de julho, tinham sido produzidas na UE mais de mil milhões de doses de vacinas, tendo sido entregues 500 milhões de vacinas aos Estados-Membros, quantidade suficiente para alcançar o objetivo de vacinar 70 % dos adultos até ao final do verão. Este objetivo foi alcançado em 31 de agosto de 2021.

Na sequência de um ressurgimento do vírus no outono de 2021, e com a variante Ómicron a circular no final do ano, os Estados-Membros redobraram os esforços para limitar a transmissão do vírus, nomeadamente através da reintrodução de medidas como o distanciamento social e as restrições de viagem internacionais e graças aos programas nacionais de vacinação. A Comissão Europeia trabalhou com os Estados-Membros e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças para definir uma abordagem coordenada destas questões. A Comissão trabalhou igualmente com os Estados-Membros no sentido de aumentar a taxa de vacinação, combatendo a hesitação vacinal e a desinformação.

A taxa de vacinação continuou a aumentar ao longo de 2021, tendo a EMA recomendado determinadas vacinas aos adolescentes e às crianças com mais de 5 anos. Até ao final do ano, todos os Estados-Membros tinham começado a oferecer doses adicionais a grupos clinicamente vulneráveis e doses de reforço à população em geral.

Desenvolver tratamentos contra a COVID-19

Para superar a pandemia não bastam as vacinas. Apesar do aumento das taxas de vacinação, em 2021 continuaram a ser necessárias medidas como o uso de máscaras faciais e o distanciamento social. São necessários tratamentos contra a COVID-19 para evitar ou reduzir as hospitalizações, acelerar a recuperação e salvar vidas. Em maio, a Comissão propôs uma estratégia da UE em matéria de terapêuticas contra a COVID-19, que visa apoiar o desenvolvimento e a disponibilidade de tratamentos indispensáveis, incluindo o tratamento da «COVID longa». Complementa a estratégia da UE para as vacinas e baseia-se tanto na estratégia no domínio farmacêutico para a Europa como na cooperação da Comissão com a EMA para apoiar a investigação, o desenvolvimento, o fabrico e a implantação de tratamentos.

Em outubro, a Comissão estabeleceu uma carteira das 10 terapêuticas mais promissoras contra a COVID-19. A lista baseou-se no exame, por um grupo de peritos científicos independentes, de 82 terapêuticas candidatas em fase avançada de desenvolvimento clínico. Estas terapêuticas abrangem diferentes tipos de produtos para diferentes fases e graus de gravidade da doença e serão ministradas a doentes em toda a UE o mais rapidamente possível, assim que a EMA confirme que os medicamentos são seguros e eficazes.

No final de 2021, a Comissão tinha autorizado cinco tratamentos da lista tendo em vista a sua utilização na UE, após a avaliação da EMA. Os anticorpos monoclonais Ronapreve, Xevudy e Regkirona foram autorizados para doentes nas fases iniciais da doença, enquanto dois medicamentos já presentes no mercado — os imunomoduladores RoActerma e Kineret — foram autorizados para o tratamento de doentes hospitalizados com COVID-19.

A Comissão está a apoiar os Estados-Membros no acesso a terapêuticas e celebrou dois contratos conjuntos para a aquisição de anticorpos monoclonais. Estão também em curso negociações relativamente a outros produtos que estão a ser avaliados pela EMA.

A Comissão investiu 119 milhões de euros no âmbito do programa Horizonte 2020 para apoiar 45 projetos de investigação e inovação sobre terapêuticas e opções de tratamento da COVID-19, nomeadamente através do Conselho Europeu da Inovação e da Iniciativa sobre Medicamentos Inovadores. A Comissão apoia atualmente três ensaios clínicos — os ensaios REMAP-CAP, Discovery e EU-SolidAct — que obtiveram resultados significativos em matéria de tratamentos em desenvolvimento.

Combater as novas variantes

As novas variantes, sendo que algumas são mais transmissíveis do que outras, aumentaram a complexidade e os desafios da pandemia. A HERA reuniu investigadores, empresas biotecnológicas, fabricantes e autoridades públicas na UE e a nível mundial a fim de antecipar a reação a novas variantes. Embora a primeira geração de vacinas aprovadas na UE tenha dado provas de eficácia contra as variantes iniciais, as futuras variantes podem revelar-se mais resistentes às vacinas. Tais circunstâncias exigem vigilância e acompanhamento constantes das mutações da COVID-19. A HERA oferece esta proteção contra essas potenciais variantes futuras, juntamente com incentivos para desenvolver vacinas novas e adaptadas, acelerar o processo de aprovação dessas vacinas e assegurar o reforço das capacidades de fabrico.

Em junho, a Comissão adotou uma decisão relativa à criação de um grupo europeu de peritos sobre as variantes do SARS-CoV-2, que reúne cientistas de renome no domínio da COVID-19. Este grupo tem desempenhado um papel fundamental na análise dos dados sobre as variantes emergentes e no aconselhamento sobre a necessidade de vacinas adaptadas à luz dos dados científicos disponíveis. O grupo de peritos foi mobilizado rapidamente no início da crise Ómicron no intuito de estudar soluções para partilhar as possibilidades de acesso a amostras do vírus, organizar capacidades científicas e divulgar amplamente os resultados, com o apoio financeiro da HERA.

Em 2021, a Comissão aumentou o financiamento da investigação de variantes, afetando um montante suplementar de 30 milhões de euros a vários projetos em curso no âmbito do programa Horizonte 2020, e lançou a rede de ensaios clínicos Vaccelerate ao nível da UE. A rede é a espinha dorsal da aceleração da segunda e terceira fases dos ensaios de vacinas contra a COVID-19 na UE e associa todas as partes interessadas envolvidas no desenvolvimento de vacinas, proporcionando uma plataforma pan-europeia para a conceção e realização de ensaios clínicos.

No âmbito do programa de investigação e inovação Horizonte Europa, foram mobilizados 120 milhões de euros para 11 novos projetos de investigação. A maior parte deste montante destina-se a ensaios clínicos de novos tratamentos e vacinas, juntamente com a criação de coortes e de redes COVID-19 em larga escala, para além das fronteiras da UE. Outros projetos reforçarão e alargarão o acesso às infraestruturas de investigação, incluindo a plataforma de dados europeia COVID-19.

Reabrir a Europa em segurança

Esta infografia apresenta as características e as principais vantagens do Certificado Digital Covid da União Europeia.

O que é o Certificado Digital Covid da União Europeia? O certificado digital Covid da União Europeia é um comprovativo digital de que uma pessoa foi vacinada contra a Covid 19, fez um teste cujo resultado foi negativo ou recuperou da Covid 19. Pode ser emitido em formato digital e/ou em papel, tem um código QR, é gratuito e é redigido na língua nacional e em inglês. É seguro e protegido e válido em todos os Estados-Membros da União Europeia.

Em maio, à medida que a situação sanitária melhorou e a vacinação começou a acelerar em toda a UE, a Comissão propôs que os Estados-Membros atenuassem gradualmente as restrições de viagem. Em junho, o Parlamento e o Conselho aprovaram uma proposta de regulamento da Comissão que estabelece o Certificado Digital COVID da UE, a fim de facilitar as viagens em condições de segurança na UE. Também em junho, o Conselho adotou uma recomendação atualizada sobre as restrições à livre circulação. Todos os Estados-Membros, juntamente com a Islândia, o Listenstaine, a Noruega e a Suíça, aplicaram o certificado em 2021. Utilizando o sistema do Certificado Digital COVID da UE, o Conselho atualizou as suas recomendações sobre as restrições de viagem. As recomendações previam igualmente medidas com o objetivo de limitar o risco de entrada de novas variantes na UE: foi introduzido um mecanismo de «travão de emergência» para permitir aos Estados-Membros agir rapidamente e aplicar restrições temporárias aos viajantes provenientes dos países afetados.

Ursula von der Leyen, de máscara, mostra o seu telemóvel e aguarda enquanto um funcionário, também de máscara, procede à verificação do certificado de vacinação.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, apresenta o seu Certificado Digital COVID da UE para verificação antes da reunião constitutiva da Presidência eslovena do Conselho da União Europeia, em Liubliana, Eslovénia, 1 de julho de 2021.

O Certificado Digital COVID da UE tem-se revelado uma medida muito bem-sucedida. Graças à sua rápida adoção pelo Parlamento e pelo Conselho, ficou operacional em apenas três meses e a tempo do início das férias de verão, em julho. A UE criou um quadro comum para a emissão, verificação e aceitação de certificados. Muitos Estados-Membros adotaram legislação nacional para reforçar a utilização dos certificados a nível nacional. O sistema contribuiu para manter em funcionamento lojas, serviços e empresas e permitiu que as pessoas participassem em eventos culturais, desportivos e de lazer. Ajudou o setor do turismo, facilitando às autoridades e às companhias aéreas a verificação da documentação apresentada pelos viajantes, dando aos cidadãos a confiança de que a sua documentação será aceite quando viajam na UE.

Até ao final do ano, os Estados-Membros da UE e os países do Espaço Económico Europeu tinham emitido mais de mil milhões de certificados. O Certificado Digital COVID da UE é também um êxito mundial: 33 países terceiros (e territórios) haviam aderido ao sistema de Certificado Digital COVID da UE até ao final de 2021, com base em decisões de equivalência da UE. O sítio Web Re-open EU atua, juntamente com a aplicação associada, como plataforma de informação sobre as medidas em matéria de saúde e viagens nos Estados-Membros, na Islândia, no Listenstaine, na Noruega e na Suíça.

NextGenerationEU: o plano de recuperação da União Europeia em ação

Em 2021, entrou em vigor o histórico plano de recuperação NextGenerationEU, que possibilitou a transferência de fundos para as economias da UE a partir do verão, marcando assim o início da recuperação após a pandemia. O NextGenerationEU não só ajudará a reparar os danos causados pela pandemia, como também permitirá aos Estados-Membros investir no futuro e na resiliência da UE a longo prazo, com uma forte ênfase na aceleração da dupla transição ecológica e digital. Constitui uma oportunidade única para a UE sair mais forte da pandemia, transformar as economias nacionais e criar oportunidades e emprego.

Esta infografia mostra as principais características do pacote next generation EU e os montantes atribuídos.

Next generation EU: principais características No total, o pacote next generation EU ascende a 806,9 mil milhões de euros. O montante total do mecanismo de recuperação e resiliência ascende a 723,8 mil milhões de euros, dos quais 338,0 mil milhões de euros em subvenções e 385,8 mil milhões de euros em empréstimos. O instrumento visará os seguintes objetivos: o reforço da capacidade energética por meio do financiamento de tecnologias limpas e fontes de energia renováveis; a renovação melhorando a eficiência energética dos edifícios; o recarregamento e reabastecimento concedendo apoio aos transportes sustentáveis e às estações de carregamento; a conectividade através da implantação de serviços de banda larga rápida; a modernização através da digitalização da administração pública e da expansão das infraestruturas de computação em nuvem de dados e processadores sustentáveis; e a requalificação e melhoria das competências financiando a educação e formação para apoiar as competências digitais. O contributo do instrumento next generation EU para outros programas, que ascende a 83,1 mil milhões de euros, é repartido da seguinte forma: 50,6 mil milhões de euros para o programa react EU, 10,9 mil milhões de euros para o fundo para uma transição justa, 8,1 mil milhões de euros para o desenvolvimento rural, 6,1 mil milhões de euros para o programa invest EU, 5,4 mil milhões de euros para o programa horizonte Europa e 2,0 mil milhões de euros para a iniciativa resc EU. Todos os montantes estão indicados a preços correntes.

Esta infografia apresenta uma repartição da composição e das contribuições do instrumento next generation EU e do orçamento de longo prazo da União Europeia para o período de 2021 a 2027.
O instrumento NextGenerationEU faz parte do maior pacote financeiro da história da UE. Combinado com o orçamento de longo prazo para 2021-2027, disponibiliza mais de 2 biliões de EUR (a preços correntes) para ajudar a construir uma Europa mais ecológica, mais digital e mais resiliente.

O orçamento de longo prazo da União Europeia para o período de 2021 a 2027 ascende a 1210,9 mil milhões de euros e os pacotes do instrumento next generation EU a 806,9 mil milhões de euros, o que corresponde a um montante total de 2,018 biliões de euros (a preços correntes). Serão atribuídos à rubrica coesão, resiliência e valores 426,7 mil milhões de euros ao abrigo do orçamento de longo prazo e 776,5 mil milhões de euros ao abrigo do instrumento next generation EU. Serão atribuídos à rubrica recursos naturais e ambiente 401 mil milhões de euros ao abrigo do orçamento de longo prazo e 18,9 mil milhões de euros ao abrigo do instrumento next generation EU. Serão atribuídos à rubrica migração e gestão das fronteiras 25,7 mil milhões de euros ao abrigo do orçamento de longo prazo. Serão atribuídos à rubrica segurança e defesa 14,9 mil milhões de euros ao abrigo do orçamento de longo prazo. Serão atribuídos à rubrica vizinhança e mundo 110,6 mil milhões de euros ao abrigo do orçamento de longo prazo. Serão atribuídos à rubrica administração pública europeia 82,5 mil milhões de euros ao abrigo do orçamento de longo prazo. Serão atribuídos à rubrica mercado único, inovação e digital 149,5 mil milhões de euros ao abrigo do orçamento de longo prazo e 11,5 mil milhões de euros ao abrigo do instrumento next generation EU.

O elemento fulcral do NextGenerationEU é o Mecanismo de Recuperação e Resiliência. Lançado em fevereiro de 2021, disponibiliza até 723,8 mil milhões de euros (a preços correntes) sob a forma de subvenções e empréstimos para apoiar as reformas e o investimento em todos os Estados-Membros. Trata-se de um instrumento baseado no desempenho, pelo que o desembolso dos fundos depende do cumprimento satisfatório das metas e dos objetivos intermédios acordados. Para poderem beneficiar do mecanismo, os Estados-Membros têm de apresentar à Comissão Europeia planos nacionais que definam os programas de investimento e reforma que tencionam realizar até ao final de 2026, os quais devem em seguida ser aprovados pelo Conselho.

O gráfico mostra as metas de despesa dos Estados-Membros com medidas climáticas e de transição digital estabelecidas nos planos nacionais de recuperação e as percentagens já alcançadas.
Nos 22 planos de recuperação e resiliência aprovados até à data, os Estados-Membros afetaram quase 40 % das despesas neles previstas a medidas climáticas e mais de 26 % à transição digital, superando assim os objetivos acordados de 37 % para o clima e 20 % para as despesas digitais.

Nos seus planos, os Estados-Membros afetaram 39,9 por cento das despesas a medidas climáticas e 26,4 por cento à transição digital, o que ultrapassa os objetivos acordados de 37 por cento para o clima e 20 por cento para as despesas digitais.

Todos os planos têm de cumprir objetivos climáticos e digitais vinculativos, designadamente, um mínimo de 37 % das despesas tem de se destinar aos investimentos e às reformas no domínio climático e 20 % à transição digital. Na prática, os Estados-Membros comprometem-se a ir além destas metas, visto que quase 40 % das despesas devem ser consagradas a investimentos e reformas no domínio climático, enquanto 26,4 % vão para a transição digital, o que ajudará a UE a atingir o seu objetivo de neutralidade climática até 2050 e a colocar-se numa via de transição digital, num processo que criará emprego e estimulará o crescimento.

No âmbito do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, até ao final de 2021, a Comissão tinha avaliado positivamente 22 planos nacionais de recuperação e resiliência, num valor total superior a 445 mil milhões de euros (dos 723,8 mil milhões de euros disponíveis). Estes planos foram em seguida aprovados pelo Conselho. Os planos nacionais foram avaliados de acordo com 11 critérios, incluindo a forma como respondem aos desafios identificados nas recomendações específicas por país do Semestre Europeu. Para conceber e executar as reformas inclusivas e favoráveis ao crescimento necessárias, os Estados-Membros podem contar com o apoio da Comissão através do Instrumento de Assistência Técnica. Este apoio espelha-se numa vasta gama de domínios, como a transição ecológica, os cuidados de saúde, as finanças públicas, a digitalização da educação e dos serviços públicos, o ambiente empresarial e o setor financeiro.

Ursula von der Leyen discursa de uma tribuna à frente de um cartaz do Next Generation EU.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, apresenta a avaliação da Comissão sobre o plano nacional de recuperação de Portugal no âmbito do NextGenerationEU, em Lisboa, Portugal, 16 de junho de 2021.

Até à data, a Comissão distribuiu 54,3 mil milhões de euros por 20 Estados-Membros ao abrigo do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, tanto a título de pré-financiamento como em resposta ao primeiro pedido de pagamento de um Estado-Membro. Em dezembro, na sequência de uma avaliação da Comissão e confirmação de que o país tinha atingido os objetivos e as metas pertinentes, Espanha recebeu 10 mil milhões de euros.

Os pagamentos seguiram o bom desempenho da Comissão nos mercados de capitais. Para financiar o NextGenerationEU, a instituição, em nome da UE, irá contrair empréstimos no montante de cerca de 800 mil milhões de euros nos mercados financeiros até ao final de 2026. Graças à elevada notação de crédito da UE, a Comissão pode contrair empréstimos a taxas mais favoráveis do que muitos dos Estados-Membros, em benefício desses Estados-Membros e do orçamento da UE. A Comissão pretende angariar 30 % dos fundos através da emissão de obrigações verdes, no quadro do NextGenerationEU, e utilizará as receitas para financiar políticas ecológicas.

Johannes Hahn discursa de uma tribuna.
Johannes Hahn, comissário europeu responsável pelo Orçamento e Administração, participa na cerimónia «Ring the Bell», por ocasião da admissão à cotação da primeira obrigação verde NextGenerationEU na Bolsa de Valores do Luxemburgo, em 19 de outubro de 2021.

Em abril de 2021, a Comissão anunciou que utilizaria uma estratégia de financiamento diversificada para angariar o financiamento necessário. Na sequência da aprovação por todos os Estados-Membros da UE da decisão relativa aos recursos próprios — o instrumento jurídico que permite a contração de empréstimos —, a Comissão procedeu à primeira emissão em junho de 2021. Até ao final do ano, tinha angariado um total de 71 mil milhões de euros em obrigações da UE e fundos suplementares em títulos de curto prazo da UE. Trata-se, designadamente, da primeira obrigação verde NextGenerationEU, de 12 mil milhões de euros — a maior emissão de obrigações verdes do mundo. Foi emitida na sequência da adoção, em setembro de 2021, de um enquadramento avançado para as obrigações verdes NextGenerationEU, que garante aos investidores destas obrigações que os fundos mobilizados serão afetados a projetos ecológicos.

Todos os empréstimos contraídos ao abrigo do NextGenerationEU serão reembolsados até 2058. Para facilitar o reembolso dos fundos angariados — e contribuir também para os objetivos políticos da UE no lado das receitas orçamentais —, a Comissão propôs a introdução de novas fontes de receitas para o orçamento da UE. Em janeiro de 2021, foi introduzido um recurso próprio baseado nos resíduos de embalagens de plástico não reciclados, que contribuirá para os objetivos do Pacto Ecológico Europeu. Em dezembro, a Comissão propôs a criação de três novos recursos próprios para o orçamento da UE, com base nos seguintes elementos:

  • receitas do regime de comércio de licenças de emissão,
  • recursos gerados pelo mecanismo de ajustamento carbónico nas fronteiras da UE, proposto pela Comissão, e
  • a reafetação de parte dos lucros residuais das empresas multinacionais aos Estados-Membros em conformidade com a futura diretiva relativa à aplicação do acordo global sobre a reatribuição dos direitos de tributação.

Estas receitas contribuirão igualmente para o financiamento do Fundo Social para o Clima, concebido no intuito de garantir que a transição para uma economia descarbonizada reverte em benefício de todos. A Comissão proporá novos recursos próprios adicionais até ao final de 2023.

INICIATIVA REACT-EU

7,7 mil milhões de EUR

para ajudar os hospitais a obter dispositivos médicos, equipamento de proteção individual, ventiladores e testes de despistagem.

11,5 mil milhões de EUR

para apoiar as empresas de todos os setores da economia, nomeadamente os mais afetados, como a cultura, o turismo e a restauração.

4,1 mil milhões de EUR

para prestar ajuda direta às pessoas, incluindo os trabalhadores, através da aplicação e do apoio a regimes de conservação dos postos de trabalho.

Alguns exemplos de financiamento da REACT-EU.

No âmbito do NextGenerationEU, a REACT-EU (assistência à recuperação para a coesão e os territórios da Europa) prossegue e alarga as medidas de resposta à crise e as medidas destinadas a remediar as consequências da crise aplicadas através da Iniciativa de Investimento de Resposta ao Coronavírus e da Iniciativa de Investimento de Resposta ao Coronavírus + e constitui uma via de acesso ao plano de recuperação a longo prazo. A REACT-EU contribuirá para uma recuperação ecológica, digital e resiliente da economia.

Este financiamento, que ascende a 50,6 mil milhões de euros, é inteiramente novo. Trata-se de um complemento ao financiamento ainda disponível ao abrigo dos programas de 2014-2020, que deve ser acrescentado às dotações de financiamento da coesão para 2021-2027. As verbas serão orientadas para o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, o Fundo Social Europeu e o Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas mais Carenciadas.

As zonas rurais da UE foram igualmente apoiadas ao abrigo do instrumento de recuperação NextGenerationEU, no montante de 8 mil milhões de euros, distribuídos através dos programas de desenvolvimento rural financiados no âmbito da política agrícola comum. Este financiamento permitiu aos Estados-Membros apoiar a dupla transição ecológica e digital nas zonas rurais.

Política de coesão da UE na linha da frente da recuperação.

Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional

O fundo concedeu apoio à aquisição de vacinas para mais de metade da população de Portugal e financiou a instalação de novos sistemas informáticos no setor da saúde na Eslovénia. Tem financiado a aquisição de novos equipamentos médicos na Chéquia, para que as regiões possam resistir melhor a futuras crises sanitárias, e auxiliado as pequenas empresas a gerirem a transição digital na Suécia.

Fundo Social Europeu

Em todos os Estados-Membros, as pessoas receberam formação, preparação e orientação profissional para aumentar as possibilidades de manter os empregos ou encontrar novos empregos. Em Itália, as empresas receberam subsídios à contratação para apoiar o emprego das mulheres e dos jovens. O fundo também apoiou a prestação de serviços de aconselhamento financeiro e alojamento a pessoas sem abrigo.

Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas mais Carenciadas

Na Áustria e na Roménia, as crianças necessitadas receberam material escolar. Na Estónia, em França, no Luxemburgo e noutros Estados-Membros, foi fornecida ajuda alimentar às pessoas mais carenciadas, incluindo refeições quentes e artigos essenciais, como produtos de higiene.

Combater a desinformação sobre a COVID-19

Em 2021, a UE continuou a combater as informações falsas e a desinformação sobre a COVID-19 provenientes tanto do interior como do exterior das fronteiras europeias. Esta ação implicou a monitorização de informações provenientes de uma vasta gama de fontes e a desmontagem de narrativas de conspiração, nomeadamente sobre os efeitos das vacinas ou que minam a confiança na vacinação. Todas as medidas foram tomadas em estreita cooperação com a EMA, os Estados-Membros e os parceiros internacionais, como o G7 e a NATO. As conclusões foram regularmente publicadas pelo Serviço Europeu para a Ação Externa e pela Comissão.

Face à crescente desinformação no que se refere à pandemia na UE, a Comissão publicou orientações sobre o reforço do Código de Conduta sobre Desinformação, a fim de o tornar um instrumento mais eficaz para combater as informações falsas ou enganosas, e sugerindo uma participação mais ampla. Em julho, a Comissão e os atuais signatários do código apelaram para que mais empresas e organizações se associassem, com o objetivo de consubstanciar a posição da UE contra este fenómeno e as suas consequências nefastas. Desde então, 26 potenciais signatários aderiram ao processo de elaboração de um código de conduta reforçado, que está previsto para a primavera de 2022.

No contexto da ação externa, envidaram-se esforços no sentido de intensificar a sensibilização para os benefícios da vacinação, incluindo através de campanhas nas redes sociais, como a campanha #VaccToNormal, que apresenta testemunhos de pessoas vacinadas de todo o mundo. Os esforços centraram-se em iniciativas de diplomacia pública nos países vizinhos da UE — em especial nos Balcãs Ocidentais — e em todo o mundo para garantir o acesso a informações fidedignas. A UE também prestou apoio aos meios de comunicação social independentes e aos jornalistas dos Estados-Membros e de países terceiros. Além disso, a Comissão financiou projetos de investigação que abordam a exatidão das informações nas redes sociais e noutros meios de comunicação social, bem como a desinformação relacionada com o coronavírus.

Em outubro, a Comissão criou um grupo de peritos para combater a desinformação e promover a literacia digital através da educação e da formação. A missão geral do grupo é contribuir para a elaboração de orientações práticas destinadas a professores e educadores; reforçar-se-á, assim, o objetivo do Plano de Ação para a Educação Digital da Comissão, que visa assegurar que todos os alunos de todas as escolas da UE recebam a melhor educação digital possível.

Agir a nível mundial

Vacinas

Uma enfermeira com equipamento de proteção individual agarra uma seringa esterilizada e olha diretamente para a câmara. © Quantik, 2021.
Uma enfermeira da Costa do Marfim prepara uma dose de vacina contra a COVID-19 no lançamento da campanha de vacinação do país, em Abidjã, Costa do Marfim, 1 de março de 2021. © Quantik, 2021

Desde o início da pandemia, a UE tem estado na vanguarda da solidariedade mundial. Continuou a honrar o compromisso de garantir que a todo o mundo cheguem vacinas seguras, assim como equipamentos de proteção individual, ventiladores e outros equipamentos, nomeadamente através do Mecanismo de Proteção Civil da UE. No final de 2021, a UE tinha exportado ou partilhado 1,7 mil milhões de doses de vacinas para 165 países, o que representa dois terços do número total de doses produzidas na Europa. Assim, desde o primeiro dia da produção de vacinas, a UE afirmou-se como o maior exportador mundial de vacinas.

Em fevereiro de 2021, o COVAX, o Mecanismo de Acesso Mundial às Vacinas contra a COVID-19, começou a distribuir vacinas contra a COVID-19 em todo o mundo, com o objetivo de garantir um acesso justo e equitativo às vacinas contra a COVID-19 em todos os países. A Equipa Europa — constituída pelas instituições da UE, pelos Estados-Membros e por instituições financeiras europeias — é um dos principais contribuintes, tendo mobilizado mais de 3 mil milhões de euros para ajudar o COVAX a adquirir 1,4 mil milhões de doses até ao final de 2021, sendo que mais de 981 milhões de doses foram entregues a 144 países e territórios.

Complementando a aquisição direta de doses pelo COVAX, a Comissão Europeia criou um mecanismo da UE de partilha de vacinas para ajudar os Estados-Membros a facilitar as doações a países terceiros, tanto diretamente como através do COVAX. A UE apoia os seus parceiros nas respetivas estratégias de vacinação e na distribuição de material, bem como no aumento do fabrico local de vacinas. Os Estados-Membros comprometeram-se a partilhar mais de 200 milhões de doses até ao final de 2021, um objetivo que foi largamente ultrapassado, pois foram partilhados 380 milhões de doses com países terceiros, dos quais 255,4 milhões tinham sido entregues até ao final do ano (87 % através do COVAX). Na Cimeira Mundial da Saúde do G20+, os parceiros industriais comprometeram-se igualmente a disponibilizar, sem realizar lucros ou a baixo custo, 1,5 mil milhões de doses de vacinas a, respetivamente, países de baixo rendimento e de rendimento médio, até ao final de 2021. Graças à sua ajuda humanitária, a UE também respondeu às necessidades urgentes decorrentes da COVID-19 entre os países mais vulneráveis através da criação da reserva humanitária COVAX.

Além disso, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, anunciou, em novembro, que a UE partilharia um total de 700 milhões de doses de vacinas com os países mais vulneráveis até meados de 2022, sendo que 200 milhões seriam pagos a partir do orçamento da UE.

Estes esforços foram completados com a iniciativa da Equipa Europa que apoiou a produção local e o acesso a vacinas, medicamentos e tecnologias da saúde em África. Para o efeito foram disponibilizados mil milhões de euros provenientes do orçamento da UE e das instituições europeias de financiamento do desenvolvimento, e estabeleceu-se a cooperação entre o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças e os Centros Africanos de Prevenção e Controlo das Doenças.

Esta infografia mostra alguns dos objetivos da iniciativa da Equipa Europa para o apoio à vacinação em África.
Apoio da Equipa Europa para a produção local e o acesso a vacinas, medicamentos e tecnologias da saúde em África.

Uma nova iniciativa da Equipa Europa pretende mobilizar mil milhões de euros, que contribuirão para impulsionar a oferta de vacinas, ajudando a desenvolver polos regionais de produção e concentrando as atenções nos países com o maior potencial. Consolidará a procura, auxiliando os países africanos a coordenarem as suas necessidades. Por último, facilitará o acesso a vacinas e medicamentos reforçando o quadro propício. Os países possíveis são, por exemplo, a África do Sul, o Egito, a Etiópia, o Gana, o Quénia, Marrocos, a Nigéria, o Ruanda e o Senegal.

Cimeira Mundial da Saúde

Em maio, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, coorganizaram a Cimeira Mundial da Saúde do G20+, em Roma, Itália, na qual os líderes mundiais apoiaram o papel de liderança e de coordenação da Organização Mundial da Saúde na resposta à COVID-19, bem como o programa mundial mais vasto em matéria de saúde. Os dirigentes assinaram a Declaração de Roma sobre a preparação e a prevenção de futuras pandemias.

Os 16 princípios da declaração reiteram o empenho dos dirigentes a favor da solidariedade mundial, da equidade e da cooperação multilateral, de uma governação eficaz, de uma abordagem centrada nas pessoas, da importância da ciência e de políticas alicerçadas em dados concretos e na confiança, e da promoção do financiamento sustentado da saúde mundial. Na declaração, os dirigentes políticos rejeitam as proibições de exportação e comprometem-se a manter em funcionamento as cadeias de abastecimento mundiais para diversificar a capacidade mundial de fabrico de vacinas.

Os princípios da Declaração de Roma servem de base aos trabalhos em curso no contexto do G7 e do G20, incluindo a recente criação de um grupo de trabalho conjunto do G20 para as finanças e a saúde, com o objetivo de assegurar o financiamento adequado da prevenção, da preparação e da resposta a pandemias. A UE liderou as diligências que culminaram na decisão tomada na sessão extraordinária da Assembleia Mundial da Saúde, em novembro e dezembro, de criar um órgão intergovernamental de negociação, a fim de reforçar a prevenção, a preparação e a resposta a pandemias.

Em setembro, a UE e os Estados Unidos (EUA) assumiram compromissos conjuntos em matéria de partilha de vacinas, preparação, abastecimento (incluindo tratamentos), financiamento sustentável e produção regional de vacinas na sua agenda para vencer a pandemia mundial.

Mitigação dos efeitos da pandemia

A abordagem da Equipa Europa auxiliou mais de 130 países parceiros em todo o mundo com um apoio financeiro flexível. Desde o início da pandemia até ao final de 2021, a Equipa Europa mobilizou mais de 46 mil milhões de euros para dar resposta às necessidades humanitárias, melhorar os sistemas de saúde, água e saneamento e atenuar as consequências socioeconómicas da pandemia.

Em 2021, a UE intensificou os esforços para relançar a recuperação mundial. A Comissão tem trabalhado para reunir os intervenientes internacionais, criando novas coligações e iniciativas para combater a COVID-19 e lançar uma recuperação mundial sustentável. Em fevereiro, a presidente Ursula von der Leyen aderiu à campanha da Global Citizen «Um Plano de Recuperação para o Mundo». Esta campanha de um ano articula-se em torno de cinco prioridades: ajudar a pôr termo à COVID-19, dar resposta à crise alimentar, retomar a aprendizagem em todo o lado, proteger o planeta, e incentivar a equidade para todos.

Desde o início da pandemia até julho de 2021, a UE disponibilizou mais de 4,35 mil milhões de euros aos Balcãs Ocidentais e à Turquia e mais de 3,41 mil milhões de euros às regiões da vizinhança para dar resposta às necessidades imediatas em matéria de saúde e reduzir o impacto socioeconómico da crise. Trata-se, designadamente, de programas e subvenções que asseguram a disponibilidade e a distribuição de vacinas contra a COVID-19 autorizadas pela UE e se destinam a acelerar as campanhas de vacinação. Até ao final de dezembro, tinham sido entregues aos Balcãs Ocidentais e às regiões da vizinhança oriental e meridional mais de 77 milhões de doses de vacinas através do mecanismo COVAX e quase 32 milhões de doses tinham sido partilhadas pelos Estados-Membros com países parceiros (diretamente ou através do COVAX) com o apoio da UE.

Uma criança ergue nas mãos uma flor pronta a ser plantada.

Criar uma Europa mais verde e com impacto neutro no clima

Concretizar o Pacto Ecológico Europeu

Em 2021, a UE continuou a lutar contra as alterações climáticas através de políticas ambiciosas a nível interno e de uma cooperação estreita com os parceiros internacionais. Em fevereiro, a Comissão Europeia adotou uma nova Estratégia da UE para a Adaptação às Alterações Climáticas, que define a forma como a UE se pode adaptar aos impactos inevitáveis das alterações climáticas e tornar resiliente a estas alterações até 2050. A primeira Lei Europeia do Clima foi adotada em junho pelo Parlamento Europeu e pelos Estados-Membros e consagra na lei as metas para reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa, em toda a economia, em pelo menos 55 % até 2030, em comparação com os níveis de 1990, e alcançar a neutralidade climática até 2050.

Seguidamente, em julho e dezembro, a Comissão apresentou uma série de propostas destinadas a preparar a UE para realizar as suas ambições em matéria de clima através da revisão das políticas existentes e da apresentação de novas medidas. As propostas legislativas para concretizar o Pacto Ecológico Europeu abrangem uma vasta gama de domínios de intervenção, incluindo o clima, a energia, os transportes e a fiscalidade. Definem a forma como a UE atingirá a sua meta para 2030, que passou a ser juridicamente vinculativa. As propostas foram comunicadas à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas enquanto contributo da UE para o cumprimento dos objetivos do Acordo de Paris.

Metas climáticas da União Europeia para 2030.
As propostas legislativas apresentadas pela Comissão proporcionarão os instrumentos necessários para a transformação profunda e justa da economia da UE prevista no Pacto Ecológico Europeu.

As metas climáticas da União Europeia para 2030 envolvem: o fundo social para o clima; o comércio de licenças de emissões para os transportes rodoviários e os edifícios; o mecanismo de ajustamento carbónico fronteiriço; o sistema de comércio de licenças de emissão da União Europeia para a eletricidade, a indústria, a aviação e os transportes marítimos; o regulamento relativo ao uso dos solos, à alteração do uso dos solos e às florestas; a diretiva relativa à tributação da energia; a estratégia da União Europeia para as florestas; a diretiva relativa à eficiência energética; o regulamento partilha de esforços; a diretiva energias renováveis; o regulamento relativo à criação de uma infraestrutura para combustíveis alternativos; as normas de emissões de CO2 para veículos de passageiros e veículos comerciais ligeiros; a iniciativa fuel UE transportes marítimos; e a iniciativa refuel UE aviação.

Os benefícios da ação climática são claros: prevenir ou atenuar a emergência climática; um planeta mais saudável para deixar às gerações futuras; ar mais limpo; cidades mais frescas e mais verdes; cidadãos mais saudáveis; consumo e faturas de energia mais reduzidos; maior independência energética; novas tecnologias e oportunidades industriais; e setores industriais e mais espaço para a natureza. Por último, mas não menos importante, a transição ecológica criará novos tipos de emprego. Acompanhada das políticas adequadas, poderá criar cerca de um milhão de postos de trabalho na UE até 2030 e dois milhões até 2050, bem como reforçar a competitividade da União num mundo em que muitos outros países procuram soluções climáticas.

Embora sejam, a médio e longo prazo, claramente superiores aos custos desta transição, os benefícios das políticas da UE em matéria de clima podem, a curto prazo, exercer uma pressão adicional sobre famílias, microempresas e utilizadores de transportes vulneráveis. As políticas visam, por conseguinte, repartir equitativamente os custos da luta contra as alterações climáticas e da adaptação a estas, a fim de assegurar uma transição justa para todos. Esta é uma das razões pelas quais um Fundo Social para o Clima acompanha a proposta da Comissão relativa ao novo sistema de comércio de licenças de emissão para os setores dos transportes rodoviários e dos edifícios. Os impactos sociais potencialmente significativos são abordados de forma mais aprofundada na proposta de recomendação que visa assegurar uma transição justa para a neutralidade climática (ver abaixo).

Revisão do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão

O Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da UE é o primeiro grande mercado de carbono no mundo. Estabelece um limite máximo para a quantidade total de determinados gases com efeito de estufa que podem ser emitidos pelos setores abrangidos. O limite vai sendo reduzido ao longo do tempo para que as emissões totais diminuam. As empresas abrangidas pelo sistema compram licenças de emissão em leilões ou recebem essas licenças através da atribuição gratuita. Podem também, se necessário, negociar licenças de emissão entre si. Todos os anos, cada empresa tem de devolver um número suficiente de licenças de emissão para cobrir totalmente as suas emissões; caso contrário, são aplicadas coimas pesadas.

Desde o lançamento do sistema, em 2005, as emissões de gases com efeito de estufa foram reduzidas em cerca de 43 % nos setores abrangidos (produção de eletricidade, indústria com utilização intensiva de energia e aviação no Espaço Económico Europeu). Em conjunto, estes setores representam 41 % das emissões totais da UE. Em julho de 2021, no âmbito do pacote legislativo para concretizar o Pacto Ecológico Europeu, a Comissão propôs uma nova meta de redução das emissões dos setores abrangidos pelo sistema de comércio de licenças de emissão de 61 % até 2030, em comparação com os níveis de 2005. Para o efeito, a Comissão propõe uma redução única do total das licenças de emissão e um aumento da taxa de redução para 4,2 % por ano, contra 2,2 % no âmbito do atual sistema.

Este gráfico mostra as reduções das emissões no atual sistema de comércio de licenças de emissão e nos setores de partilha de esforços em comparação com 2005.

Nos setores de partilha de esforços, que incluem o transporte rodoviário, a habitação e a agricultura, a variação em relação a 2005 foi de menos 16 por cento em 2020 e a meta para 2030 corresponde a menos 40 por cento. Nos setores abrangidos pelo atual sistema de comércio de licenças de emissão, nos quais se incluem o setor da energia, as indústrias com utilização intensiva de energia, os voos no interior do Espaço Económico Europeu e, após 2022, o transporte marítimo, a variação em relação a 2005 foi de menos 43 por cento em 2020 e a meta para 2030 corresponde a menos 61 por cento. A Comissão propôs um novo sistema de comércio de licenças de emissão especifico para as emissões provenientes do transporte rodoviário e dos edifícios, que estão também abrangidas pelo Regulamento Partilha de Esforços. Neste novo sistema, o limite máximo será reduzido anualmente de modo a obter uma redução das emissões de 43 por cento em 2030, em comparação com 2005.

A Comissão propôs igualmente um Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço. Compatível com as regras da Organização Mundial do Comércio, este mecanismo garantirá que uma ação climática ambiciosa da Europa não conduza a uma «fuga de carbono», em que as empresas transferem a produção para países com regras menos rigorosas em matéria de emissões. A sua introdução gradual, paralelamente à eliminação progressiva das licenças de emissão gratuitas no âmbito do atual sistema de comércio de licenças de emissão, garantirá que determinados produtos com utilização intensiva de carbono importados na UE — como o cimento, o ferro e o aço, o alumínio, os fertilizantes e a eletricidade — custam tanto como os mesmos produtos produzidos na UE.

A Comissão apresentou uma proposta para reforçar a reserva de estabilização do mercado. Esta reserva aumenta a resiliência do sistema a grandes choques, deixando de parte algumas licenças de emissão, que podem ser utilizadas para ajustar a oferta de licenças em leilão. No setor da aviação, a Comissão propôs eliminar gradualmente a atribuição gratuita de licenças de emissão às companhias aéreas que operam voos no Espaço Económico Europeu, passando para a venda integral em leilão das licenças de emissão para o setor. A Comissão propõe igualmente a aplicação do Regime de Compensação e Redução das Emissões de Carbono da Aviação Internacional aos voos com origem ou destino no Espaço Económico Europeu.

Para que a UE atinja a sua meta de redução das emissões para 2030, os setores atualmente não abrangidos pelo sistema de comércio de licenças de emissão têm de intensificar os seus esforços de descarbonização. Para o efeito, a Comissão propôs alargar o comércio de licenças de emissão ao transporte marítimo e introduzir um sistema de comércio de licenças de emissão distinto para os setores dos transportes rodoviários e dos edifícios.

Em julho, a Comissão propôs igualmente reforçar o financiamento da inovação no domínio do clima, aumentando significativamente a dimensão dos seus fundos para a Modernização e a Inovação. Financiados pelas licenças de emissão leiloadas no âmbito do sistema de comércio de licenças de emissão, os fundos apoiam, respetivamente, os Estados-Membros com rendimentos mais baixos na sua transição para a neutralidade climática e financiam as tecnologias hipocarbónicas inovadoras necessárias para a transição ecológica.

Uma transição justa para a neutralidade climática

No centro do Pacto Ecológico Europeu está o compromisso de realizar de uma forma justa a transição para uma economia com impacto neutro no clima, sem deixar ninguém para trás.

Em julho, foi proposto um novo Fundo Social para o Clima destinado a ajudar os Estados-Membros a apoiar a transição para a neutralidade climática dos cidadãos vulneráveis mais dependentes dos combustíveis fósseis. A Comissão propõe financiar o fundo através do orçamento da UE com um montante equivalente, em princípio, a 25 % das receitas esperadas do novo sistema de comércio de licenças de emissão para os setores dos transportes rodoviários e da construção, mobilizando 72,2 mil milhões de euros para o período 2025-2032. Esta verba será utilizada para ajudar os Estados-Membros a apoiar as famílias e as microempresas vulneráveis, para investir na eficiência energética e na renovação dos edifícios e para ajudar a financiar a mobilidade com nível nulo ou baixo de emissões. Enquanto se aguarda o impacto destes investimentos na redução dos custos e das emissões, o fundo poderá também financiar o apoio direto temporário ao rendimento das famílias vulneráveis.

Em dezembro, a Comissão emitiu orientações políticas para incentivar os Estados-Membros a tomarem medidas para uma transição justa e inclusiva para a neutralidade climática. A proposta de recomendação do Conselho aborda os aspetos sociais e de emprego relevantes da transição. Presta uma atenção especial às necessidades das pessoas e dos agregados familiares altamente dependentes dos combustíveis fósseis e suscetíveis de serem mais afetados pela transição ecológica. Convida igualmente os Estados-Membros a utilizarem da melhor forma possível o financiamento público e privado e a trabalharem em estreita cooperação com os parceiros sociais. A proposta inclui medidas e orientações para:

  • apoiar o emprego de qualidade e facilitar as transições entre empregos,
  • promover a igualdade de acesso a educação e formação de qualidade,
  • garantir sistemas fiscais e de proteção social equitativos,
  • facilitar o acesso a serviços essenciais a preços comportáveis,
  • coordenar a ação política e seguir uma abordagem holística da economia, e
  • utilizar da melhor forma possível o financiamento público e privado.

Revisão da legislação para os setores não abrangidos pelo sistema de comércio de licenças de emissão

Para os setores não abrangidos pelo sistema de comércio de licenças de emissão, o regulamento da UE sobre a partilha de esforços define metas vinculativas de redução das emissões anuais de gases com efeito de estufa até 2030, para a União e para os seus Estados-Membros. O esforço de redução das emissões é repartido entre os Estados-Membros de acordo com a sua riqueza relativa, medida em produto interno bruto per capita, e tendo em conta a relação custo-eficácia.

Em julho, a Comissão apresentou uma proposta para aumentar a meta da UE, passando da atual redução de 29 % das emissões, em comparação com os níveis de 2005, para uma redução de 40 %. As metas nacionais propostas para a redução das emissões variam entre 10 % e 50 %, também em comparação com 2005.

O gráfico mostra as metas nacionais propostas para as reduções das emissões em comparação com os níveis de 2005.

Metas revistas de redução das emissões ao abrigo do Regulamento Partilha de Esforços.

Fonte: COM(2021) 555, de 14 de julho de 2021, anexo relativo às reduções das emissões de gases com efeito de estufa dos Estados-Membros nos termos do artigo 4.o, n.o 1.

As metas propostas são as seguintes: Bulgária menos 10 por cento; Roménia menos 13,7 por cento; Croácia menos 16,7 por cento; Letónia menos 17 por cento; Polónia menos 17,7 por cento; Hungria menos 18,7 por cento; Malta menos 19 por cento; Lituânia menos 21 por cento; Grécia menos 22,7 por cento; Eslováquia menos 22,7 por cento; Estónia menos 24 por cento; Chéquia menos 26 por cento; Eslovénia menos 27 por cento; Portugal menos 28,7 por cento; Chipre menos 32 por cento; Espanha menos 37,7 por cento; UE 27 menos 40 por cento; Irlanda menos 42 por cento; Itália menos 43,7 por cento; Bélgica menos 47 por cento; França menos 47,5 por cento; Áustria menos 48 por cento; Países Baixos menos 50 por cento; Dinamarca menos 50 por cento; Alemanha menos 50 por cento; Luxemburgo menos 50 por cento; Finlândia menos 50 por cento; Suécia menos 50 por cento.

Em conjunto, as florestas e as terras agrícolas cobrem mais de três quartos do território da UE. As florestas bem geridas e resilientes são fundamentais para alcançar a neutralidade climática, uma vez que removem o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Em julho, a Comissão apresentou uma proposta no sentido de aumentar a remoção de carbono para o equivalente a 310 milhões de toneladas de CO2 até 2030 e alcançar a neutralidade climática no setor combinado do uso do solo, da floresta e da agricultura ao nível da UE até 2035.

Em dezembro, a Comissão adotou uma comunicação sobre os ciclos do carbono sustentáveis. Esta define a forma como a UE pode remover o carbono da atmosfera, reduzindo a sua dependência do carbono fóssil, aumentando a fixação de carbono nos solos agrícolas para armazenar mais carbono na natureza e promovendo soluções industriais para remover e reciclar o carbono de forma sustentável e verificável.

Estratégia da UE para a adaptação às alterações climáticas

Embora esteja a fazer tudo o que está ao seu alcance para atenuar as alterações climáticas, tanto a nível interno como internacional, a UE deve também preparar-se para enfrentar as suas consequências incontornáveis. Desde vagas de calor mortais e inundações devastadoras a florestas degradadas e à erosão do litoral devido à subida do nível do mar, as alterações climáticas já se fazem sentir.

Foi por esta razão que, em fevereiro, a Comissão adotou uma nova Estratégia da UE para a Adaptação às Alterações Climáticas, que define a forma como a UE se pode tornar resiliente às alterações climáticas até 2050. Os seus objetivos são tornar a adaptação mais inteligente, mais rápida e mais sistémica e intensificar a ação internacional. Visa transferir a tónica do planeamento para a execução, desenvolvendo e aplicando soluções à escala.

Por exemplo, Climate-ADAPT, a plataforma europeia de conhecimentos em matéria de adaptação, passará a ser mais acessível a todos, dispondo agora de um observatório específico para ajudar a detetar e a prevenir as ameaças para a saúde relacionadas com as alterações climáticas. Outro exemplo é o lançamento de uma missão relativa à adaptação às alterações climáticas no âmbito do programa Horizonte Europa. Esta iniciativa emblemática trará às regiões da UE as mais recentes tecnologias de adaptação, soluções baseadas na natureza e boas práticas, para que possam tornar-se resilientes face às alterações climáticas.

Tornar os nossos edifícios mais sustentáveis

Na sequência da Iniciativa Vaga de Renovação de 2020, a ambição da Comissão de duplicar a taxa de renovação de edifícios em toda a UE refletiu-se numa série de novas iniciativas. A proposta de revisão da diretiva relativa ao desempenho energético dos edifícios apresentada em dezembro visa, em especial, assegurar que a UE está no bom caminho para descarbonizar o seu parque imobiliário. A revisão garante que o consumo de energia dos edifícios na União diminui graças à melhoria da sua eficiência energética através de renovações profundas. A proposta estabelece normas mínimas de desempenho energético e exige que 15 % do parque imobiliário de cada Estado-Membro passe da classe G para, no mínimo, a classe F até 2030. No âmbito da revisão, a Comissão propôs igualmente que todos os edifícios novos devam ter emissões nulas a partir de 2030 e os edifícios públicos novos, a partir de 2027.

A proposta da Comissão sobre uma nova diretiva relativa à eficiência energética inclui uma meta mais ambiciosa de poupança de energia até 2030 em toda a economia, incluindo através da renovação dos edifícios públicos. A proposta de diretiva relativa às energias renováveis estabelece também um novo valor de referência de utilização de 49 % de energias renováveis nos edifícios até 2030 e exige aumentos anuais da quantidade de energias renováveis utilizadas para aquecimento e arrefecimento. O novo sistema de comércio de licenças de emissão proposto para os edifícios inclui os combustíveis para aquecimento. O Fundo Social para o Clima financiado pelo novo sistema prestará apoio financeiro para a renovação aos agregados familiares e às microempresas vulneráveis.

Por último, dado que a renovação pode funcionar como um trampolim para a recuperação económica, o Mecanismo de Recuperação e Resiliência da UE dá especial ênfase ao setor da construção, e muitos Estados-Membros incluíram o investimento na eficiência energética e na renovação nos seus planos nacionais de recuperação.

Novo Bauhaus Europeu

Lançado em 2020, o Novo Bauhaus Europeu visa acelerar a transformação da nossa sociedade e de vários setores económicos, como a construção e as indústrias do estilo de vida, facilitando aos cidadãos o acesso a bens e serviços circulares, a preços acessíveis e com menor intensidade de carbono. Ao fazê-lo, contribui para traduzir o Pacto Ecológico Europeu em mudanças concretas no terreno que melhoram a vida quotidiana, nos edifícios e nos espaços públicos, bem como na moda e no mobiliário. O Novo Bauhaus Europeu introduz uma dimensão cultural no Pacto Ecológico Europeu e envolve grupos como arquitetos, designers e artistas para tirar o máximo partido das suas contribuições para a transformação.

A inspiração de projetos locais provenientes de toda a Europa e não só ajudou a moldar o conceito da Comissão relativo à iniciativa do Novo Bauhaus Europeu, publicada em setembro de 2021. A fase de conceção conjunta do projeto, que decorreu de janeiro a julho, suscitou mais de 2 000 contribuições. Os programas da UE — incluindo Horizonte Europa, LIFE, o programa a favor do mercado único e o programa Europa Digital — disponibilizarão cerca de 85 milhões de euros para projetos do Novo Bauhaus Europeu em 2021-2022. Além disso, a iniciativa será integrada em muitos outros programas da UE, como o Erasmus+ e o Corpo Europeu de Solidariedade. A Comissão também criará um laboratório do Novo Bauhaus Europeu destinado a cocriar, produzir protótipos e testar novas ferramentas, soluções e recomendações políticas em colaboração com a comunidade.

De um jardim selvagem «flutuante» no coração de Barcelona a uma casa «sem resíduos» na Eslovénia, os vencedores dos primeiros prémios do Novo Bauhaus Europeu mostraram que o que é sustentável também pode ser belo e inclusivo. Os 20 vencedores foram anunciados em setembro.

Apoiar uma economia com impacto neutro no clima

Com base nas várias estratégias definidas em 2020, nomeadamente em matéria de integração do sistema energético, de energia de fontes renováveis ao largo, de hidrogénio e de emissões de metano, a Comissão tomou uma série de medidas, em 2021, a fim de integrar estas ideias na legislação da UE. Em julho e dezembro, apresentou propostas para reformular as regras da UE em matéria de política energética e acelerar a transição para as energias limpas.

A Comissão propôs que as energias renováveis atingissem uma quota de 40 % do cabaz energético da UE até 2030, o que representa o dobro do valor registado em 2020 e um aumento significativo em relação à meta anterior de 32 %. Os dados do Eurostat confirmaram que a UE atingiu confortavelmente as suas metas para 2020.

A proposta de revisão da diretiva relativa às energias renováveis, apresentada em julho, inclui medidas que visam domínios (como os transportes e os edifícios) em que os progressos têm sido mais lentos do que o previsto. Do mesmo modo, a proposta de revisão da diretiva relativa à eficiência energética visa reduzir coletivamente o consumo de energia em mais 9 %, em comparação com o compromisso já assumido pelos Estados-Membros nos seus planos nacionais em matéria de energia e clima para 2021-2030, e tenciona atingir quase o dobro da obrigação anual de eficiência energética.

Kadri Simson, acompanhada por outras pessoas, desce umas escadas numa grande fábrica.
Kadri Simson (no centro), comissária responsável pela Energia, visita uma nova central hidroelétrica em Brežice, Eslovénia, em 20 de setembro de 2021.

Seguiram-se em dezembro outros elementos do pacote de medidas destinadas a concretizar o Pacto Ecológico Europeu, que incluem propostas para descarbonizar o setor do gás e criar um mercado do hidrogénio. Estas propostas para o mercado do gás da UE facilitam a transição dos combustíveis fósseis para os gases renováveis e hipocarbónicos. Visam também a criação a médio prazo de um mercado funcional para o hidrogénio, promovendo simultaneamente outras tecnologias de gás limpo.

Enquanto força motriz do Compromisso Mundial sobre o Metano, assinado pela UE e por 110 países no âmbito da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP26), realizada em Glasgow, Reino Unido, a União também ajudou a criar um Observatório Internacional das Emissões de Metano a fim de medir as emissões e acompanhar os progressos realizados. Em dezembro, foi apresentada a primeira proposta legislativa para combater as emissões de metano da UE.

A infografia mostra as principais diferenças entre as antigas e as novas etiquetas energéticas.
Comparação entre a atual e a nova etiqueta energética de um frigorífico sem congelador.

Novas etiquetas energéticas: como reconhecer um produto reescalonado. A nova etiqueta tem um código QR que dá acesso a mais informações sobre o modelo. As classes de eficiência energética foram reescalonadas. Um frigorífico de classe C na nova etiqueta teria sido classificado como A +++ na etiqueta anterior. Do mesmo modo, o método de cálculo do consumo anual de energia foi aperfeiçoado. Por exemplo, este frigorífico tem um consumo declarado de 66 quilowatts hora por ano na nova etiqueta, mas apenas 62 na etiqueta anterior. Por último, o volume do frigorífico é expresso em litros e o nível de ruído indicado na nova etiqueta é medido em decibéis utilizando uma escala de quatro classes.

Em 2021, assistiu-se também a um reescalonamento das etiquetas energéticas da UE para determinados produtos domésticos (das máquinas de lavar às lâmpadas elétricas). Isto mostra que a etiqueta contribui para impulsionar a inovação no domínio da eficiência energética, já que os fabricantes desejam pertencer à classe mais elevada disponível no mercado, e que os consumidores são influenciados por essas etiquetas quando compram os produtos.

O pacote do Pacto Ecológico Europeu, apresentado em julho, também incluía uma proposta de revisão da diretiva relativa à tributação da energia da UE. O seu objetivo é garantir que a tributação dos produtos energéticos reflita melhor o impacto que têm no ambiente e apoie os objetivos da UE em matéria de alterações climáticas. A revisão eliminará as atuais desvantagens para os produtos e tecnologias de energia limpa e introduzirá níveis de tributação mais elevados para os combustíveis mais poluentes. Isto contribuirá para definir os sinais de preços adequados para os produtos energéticos, reforçando assim a inovação ecológica e o investimento em energias sustentáveis e limpas.

Em resposta imediata ao fenómeno mundial dos preços excecionalmente elevados da energia, a Comissão publicou, em outubro, uma comunicação relativa a um pacote de medidas que incluía iniciativas a curto, médio e longo prazo que os Estados-Membros e a UE podem pôr em prática para aliviar a situação dos agregados familiares e das empresas. Até janeiro de 2022, a maioria dos Estados-Membros tinha introduzido medidas previstas nesse pacote, a fim de atenuar o impacto do aumento dos preços. A Comissão deu seguimento à comunicação através de propostas legislativas apresentadas em dezembro para melhorar a utilização do armazenamento. Em seguida, estabeleceu um quadro propício à aquisição conjunta de reservas de gás e disposições destinadas a reforçar a solidariedade entre os Estados-Membros.

Mobilidade sustentável e inteligente

No âmbito do pacote legislativo apresentado em julho para concretizar o Pacto Ecológico Europeu, a Comissão propôs novas regras para incentivar e aumentar a utilização de combustíveis limpos nos setores da aviação e dos transportes marítimos (ReFuelEU Aviação e FuelEU Transportes Marítimos). Essas regras contribuirão não só para reduzir as emissões destes dois setores, como também para promover a inovação e a atividade económica na UE através da necessária adaptação tecnológica e do desenvolvimento de combustíveis alternativos.

A fim de cumprir as metas de descarbonização para os transportes, a base industrial da UE tem de desenvolver novas capacidades de aprovisionamento, de produção e de armazenamento e novas redes de distribuição, num período muito curto. Para completar as propostas legislativas apresentadas em 2021, a Comissão lançou igualmente a Aliança da Cadeia de Valor dos Combustíveis Renováveis e Hipocarbónicos, que visa impulsionar a oferta e a acessibilidade dos preços dos combustíveis gasosos e líquidos renováveis e hipocarbónicos nos transportes, centrando-se nos setores da aviação e marítimo.

O Ano Europeu do Transporte Ferroviário em 2021 salientou o papel crucial que os caminhos de ferro desempenham na nossa sociedade, permitindo ligar as pessoas e as empresas em toda a UE através de um dos meios mais sustentáveis e mais seguros de que dispomos. O Ano Europeu do Transporte Ferroviário também pôs em evidência os desafios ligados ao aumento do número de pessoas que viajam de comboio, ao maior número de empresas que transportam as suas mercadorias por caminho de ferro e ao maior número de pessoas que trabalham no setor ferroviário.

Um dos momentos altos do ano foi a viagem do «Connecting Europe Express» por todo o continente, que deu a conhecer a força e o potencial do setor ferroviário europeu. A viagem foi uma oportunidade para confirmar que é necessário fazer mais para que o transporte ferroviário desempenhe o seu papel legítimo na transição ecológica. Em dezembro, a Comissão adotou um plano de ação para reforçar o transporte ferroviário de passageiros transfronteiriço e de longo curso e está a preparar novas regras relativas aos corredores de transporte ferroviário de mercadorias (ver também «Perguntas e Respostas: Estratégia de Mobilidade Sustentável e Inteligente»). Tal contribuirá para tornar o transporte ferroviário de mercadorias transfronteiriço mais competitivo, melhorando a gestão da capacidade da infraestrutura ferroviária e maximizando a utilização das infraestruturas ferroviárias existentes, complementando os esforços em curso no setor ferroviário para melhorar a velocidade, a pontualidade e a fiabilidade do transporte ferroviário de mercadorias.

Adina Vălean aplaude em frente a uma carruagem do comboio Connecting Europe Express.
Adina Vălean, comissária responsável pelos Transportes, junto do «Connecting Europe Express», em Bucareste, Roménia, 17 de setembro de 2021.

Em dezembro, a Comissão apresentou propostas de revisão das orientações para a rede transeuropeia de transportes, uma diretiva revista relativa a sistemas de transporte inteligentes e um novo quadro da UE para a mobilidade urbana.

A rede transeuropeia de transportes é uma rede à escala da UE de caminhos de ferro, de vias navegáveis interiores, de rotas marítimas de curta distância e de estradas. Liga grandes cidades, portos, aeroportos e terminais. É crucial para o funcionamento do mercado interno, uma vez que garante o transporte eficiente de mercadorias e passageiros. Graças às medidas propostas, a rede tornar-se-á mais ecológica, mais eficiente e mais resiliente.

A mobilidade inteligente torna os transportes mais seguros e mais sustentáveis. A revisão da diretiva relativa a sistemas de transporte inteligentes abordará a emergência de novas opções de mobilidade rodoviária, de aplicações de mobilidade e da mobilidade conectada e automatizada. Estimulará a implantação mais rápida de novos serviços inteligentes, propondo que determinados dados cruciais sobre as estradas, as viagens e o tráfego — como limites de velocidade, planos de circulação do tráfego ou obras rodoviárias — sejam disponibilizados em formatos digitais.

A proposta relativa ao novo quadro para a mobilidade urbana responde a alguns dos desafios de mobilidade decorrentes da intensa atividade nas cidades — incluindo o congestionamento, as emissões e o ruído — e beneficiará os utilizadores dos transportes e todas as pessoas que as rodeiam.

Veículos mais limpos e mais seguros

Os automóveis de passageiros e os veículos comerciais ligeiros são, em conjunto, responsáveis por cerca de 15 % das emissões totais de CO2 na UE, pelo que a cooperação destes setores é crucial para alcançar as metas de redução das emissões da UE. São necessárias normas mais ambiciosas para as emissões de CO2 dos automóveis e veículos comerciais novos, a fim de ajudar a aumentar o número de veículos com nível nulo ou baixo de emissões nas estradas da União. No âmbito do pacote para concretizar o Pacto Ecológico Europeu, a Comissão propôs, em julho, introduzir metas mais ambiciosas em matéria de emissões de CO2 dos automóveis e veículos comerciais novos a partir de 2030:

  • uma redução de 55 % das emissões dos automóveis até 2030,
  • uma redução de 50 % das emissões dos veículos comerciais ligeiros até 2030,
  • emissões zero dos automóveis novos até 2035.
Ursula von der Leyen e Kaja Kallas, sentadas lado a lado, olham para a câmara.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia (à esquerda), e Kaja Kallas, primeira-ministra da Estónia, num autocarro autónomo, em Taline, Estónia, 5 de outubro de 2021.

A fim de apoiar a ecologização da frota de transportes da Europa, a Comissão apresentou uma proposta de regulamento relativo a uma infraestrutura para combustíveis alternativos destinado a garantir a existência, em todos os Estados-Membros, de capacidade de carregamento e de abastecimento público suficiente para satisfazer as exigências de uma frota crescente de automóveis e camiões com emissões zero. O regulamento garantiria igualmente a cobertura, à escala da UE, das infraestruturas de carregamento a intervalos fixos ao longo dos principais corredores de transporte, para que os condutores possam facilmente recarregar ou reabastecer os seus veículos elétricos ou movidos a pilha de hidrogénio em toda a União. De acordo com as regras propostas, as aeronaves, os navios e os batelões terão acesso ao fornecimento de eletricidade nos principais portos e aeroportos.

Agir a nível mundial

O mapa mostra a diferença de temperatura entre 2021 e a média do período de 1991 a 2020.
Temperatura do ar a uma altura de 2 metros em 2021, em relação à média no período de 1991-2020.

Os maiores aumentos de temperatura (de mais de 3 graus) foram registados na América do Norte, na Ásia Oriental, no Médio Oriente e no Norte de África e nas regiões do Antártico mais próximas da América do Sul.

A Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP26) realizou-se em Glasgow, Reino Unido, de 1 a 13 de novembro. No início da conferência, a UE definiu três objetivos:

  • Em primeiro lugar, chegar a compromissos de redução das emissões durante esta década, a fim de manter o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 °C.
  • Em segundo lugar, alcançar o objetivo de disponibilizar 100 mil milhões de dólares por ano para o financiamento da luta contra as alterações climáticas aos países em desenvolvimento e vulneráveis.
  • Em terceiro lugar, chegar a acordo sobre o conjunto de regras do Acordo de Paris.

Foram realizados progressos em relação a cada um dos objetivos.

No âmbito do Acordo de Paris, 195 países estabeleceram o objetivo de manter o aumento médio da temperatura mundial muito abaixo dos 2 °C e o mais próximo possível dos 1,5 °C. Antes da COP26, o planeta estava a caminho de um aquecimento global crítico de 2,7 °C. Com base nos novos anúncios feitos durante a conferência, os peritos estimam que os cenários prováveis colocam agora o mundo no bom caminho para conseguir um aquecimento global situado entre 1,8 °C e 2,4 °C. Nas conclusões da conferência, as partes acordaram agora em rever os seus compromissos, se necessário, até ao final de 2022, no sentido de limitar o aquecimento global a 1,5 °C até ao final do século, mantendo o limite superior da ambição no âmbito do Acordo de Paris.

Frans Timmermans toma a palavra numa mesa-redonda perante um grupo de jovens ativistas, todos de máscara.
Frans Timmermans, vice-presidente executivo da Comissão Europeia responsável pelo Pacto Ecológico Europeu, informa os representantes da juventude sobre as negociações da COP26 no pavilhão dos delegados da Comissão, em Glasgow, Reino Unido, 8 de novembro de 2021.

A fim de cumprir estas promessas, os participantes na COP26 acordaram também, pela primeira vez, em acelerar os esforços no sentido de, progressivamente, reduzir a eletricidade produzida a partir do carvão sem dispositivo de atenuação e eliminar as subvenções ineficazes concedidas aos combustíveis fósseis, e reconheceram a necessidade de apoio para gerir uma transição justa.

No âmbito da COP26, os participantes concluíram igualmente as negociações técnicas sobre o conjunto de regras do Acordo de Paris, que estabelece os requisitos para que todas as partes acompanhem os progressos em relação às suas metas de redução das emissões. O conjunto de regras define também a forma como os mercados internacionais do carbono funcionarão, a fim de promover uma maior cooperação mundial em matéria de redução das emissões.

No que diz respeito ao financiamento da ação climática, os países desenvolvidos acordaram em duplicar a parte coletiva do apoio para ajudar outros países a adaptarem-se às consequências das alterações climáticas, dentro do objetivo anual de 100 mil milhões de dólares para 2021-2025, e em atingir o objetivo atual de lhes fornecer 100 mil milhões de dólares por ano o mais rapidamente possível. As partes também se empenharam a favor de um processo para chegar a acordo sobre o financiamento a longo prazo da luta contra as alterações climáticas para além de 2025. A conferência decidiu ainda estabelecer um diálogo entre as partes, as partes interessadas e as organizações pertinentes, a fim de apoiar os esforços para prevenir, minimizar e combater os danos associados às alterações climáticas.

A UE participou igualmente nos seguintes anúncios na COP26:

  • O Compromisso Mundial sobre o Metano, lançado pela UE e pelos EUA. Mais de 100 países, que representam 70 % da economia mundial e quase metade das emissões antropogénicas de metano, estão agora empenhados num objetivo coletivo de redução das emissões globais de metano em, pelo menos, 30 % até 2030, em comparação com os níveis de 2020.
  • A UE comprometeu-se a disponibilizar mil milhões de euros ao longo de cinco anos para apoiar o Compromisso Global de Financiamento Florestal. Ajudará os países parceiros a proteger, restaurar e gerir de forma sustentável as florestas em todo o mundo. Mais de 100 líderes mundiais, que representam cerca de 85 % das florestas do mundo, comprometeram-se a pôr termo e a inverter a desflorestação até 2030.
  • Juntamente com a França, a Alemanha, o Reino Unido e os EUA, a UE lançou uma Parceria para uma Transição Energética Justa com a África do Sul, a fim de acelerar a descarbonização da economia deste país, com especial destaque para o sistema elétrico. Com um compromisso inicial de 8,5 mil milhões de dólares (cerca de 7,4 mil milhões de euros) para a primeira fase de financiamento, a parceria ajudará a África do Sul a atingir os ambiciosos objetivos de emissões estabelecidos na sua contribuição atualizada determinada a nível nacional.
  • A UE anunciou uma doação de 100 milhões de euros para o Fundo de Adaptação das Nações Unidas, tornando-se o maior contribuinte para o total recorde de 351,6 milhões de dólares.
  • Uma parceria entre a Comissão, o Banco Europeu de Investimento e o Breakthrough Energy Catalyst — Parceria UE-Catalyst — mobilizará até 820 milhões de euros (mil milhões de dólares) entre 2022 e 2026, para acelerar a implantação e a comercialização de tecnologias inovadoras que contribuirão para concretizar as ambições do Pacto Ecológico Europeu e as metas climáticas da União para 2030. Prevê-se que por cada euro de fundos públicos sejam mobilizados três euros de fundos privados. Os investimentos privilegiarão projetos de elevado potencial, sediados na UE, em quatro setores: hidrogénio limpo, combustíveis sustentáveis para a aviação, captura direta do ar e armazenamento de energia de longa duração.

Há ainda muito a fazer para manter o aquecimento global a 1,5 °C. A UE procurará agora cumprir as promessas da Conferência de Glasgow o mais rapidamente possível e continuará a trabalhar com os seus parceiros internacionais para concretizar o Acordo de Paris.

Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade

Em 26 de janeiro de 2021, aquando da sua participação virtual na Agenda de Davos, um evento em linha que reuniu dirigentes de empresas, de governos, de organizações internacionais, da sociedade civil e do meio académico, a presidente Ursula von der Leyen afirmou que a Cimeira das Nações Unidas sobre Biodiversidade, a realizar em Kunming, China, «terá de ser como a COP 21 foi para o clima, porque precisamos de um acordo na linha do de Paris para a biodiversidade». A UE está a liderar os esforços e a trabalhar com parceiros que partilham das mesmas ideias para chegar a um acordo, na 15.a reunião da Conferência das Partes na Convenção sobre a Diversidade Biológica (COP15), em Kunming, China, sobre um quadro mundial ambicioso para a biodiversidade pós-2020, a fim de travar e inverter a perda de plantas, animais e ecossistemas do planeta. A primeira parte desta cimeira ocorreu em outubro de 2021 e demonstrou, de um modo geral, um forte empenho em todo o mundo, refletindo uma sensibilização crescente para a necessidade urgente de dar resposta à crise ecológica. A Declaração de Kunming deve traduzir-se num acordo concreto, cuja adoção está prevista para a primavera de 2022, durante a segunda fase da conferência.

Aliança Verde UE-Japão

Em junho, a UE e o Japão anunciaram a sua intenção de criar uma Aliança Verde para acelerar a transição das suas economias no sentido de se tornarem climaticamente neutras, circulares e eficientes em termos de recursos. Tanto o Japão como a UE partilham o objetivo de alcançar a neutralidade climática até 2050. Trata-se da primeira Aliança Verde para a UE, e o reforço da cooperação com o Japão ajudá-la-á a criar uma coligação mundial a favor de emissões líquidas nulas de gases com efeito de estufa.

Produção e consumo sustentáveis

O novo Plano de Ação para a Economia Circular, adotado em 2020, constitui um pilar fundamental do Pacto Ecológico Europeu. Para alterar a forma como produzimos e consumimos, abrange todo o ciclo de vida dos produtos, da sua conceção e fabrico até ao seu consumo, reparação, reutilização e reciclagem, reintroduzindo recursos no ciclo económico.

A Comissão tomou medidas para garantir que a UE não exporta os seus problemas em matéria de resíduos para países terceiros. A proposta de revisão aprofundada das regras da UE aplicáveis às transferências de resíduos apresentada em novembro beneficiará a economia circular de várias formas, tanto dentro como fora da União.

  • Em primeiro lugar, a proposta melhorará o funcionamento do mercado interno da UE de resíduos para reciclagem e reutilização, a fim de impulsionar o mercado dos materiais secundários e a economia circular (transferências dentro da União).
  • Em segundo lugar, reduzirá as exportações de resíduos e garantirá que os resíduos só sejam transferidos para fora da União se forem geridos de forma ambientalmente correta nos países de destino.
  • Em terceiro lugar, a proposta irá combater as transferências ilegais, melhorando o sistema de execução e de sanções e aumentando a transparência na cadeia de abastecimento de resíduos.

A Comissão propôs valores-limite para a presença de poluentes orgânicos persistentes nos resíduos, de modo a eliminar ou minimizar as suas emissões, o que assegurará ciclos de materiais limpos e garantirá a confiança nos mercados das matérias-primas secundárias e dos produtos que as utilizam. Assegurará ainda o mais elevado nível de proteção da saúde humana e do ambiente.

Sistemas alimentares sustentáveis

Em julho, a Comissão, juntamente com 65 partes interessadas do setor, apresentou o Código de Conduta da UE sobre práticas empresariais e comerciais responsáveis no setor alimentar, um resultado da Estratégia do Prado ao Prato. O código tem dois objetivos: que as associações da UE incentivem os seus membros a adotar objetivos, metas e ações específicos, todos eles centrados na transição para a sustentabilidade; e que as empresas pioneiras assumam compromissos ambiciosos em domínios como o bem-estar dos animais, a redução do teor de açúcar e de sal e a redução das emissões de gases com efeito de estufa.

A UE contribuiu de forma significativa para a primeira Cimeira das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares, convocada em setembro por António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas. Alguns dos resultados da cimeira são uma declaração de ação, vias de transformação dos sistemas alimentares e mais de 30 coligações para ação. A Comissão contribui para essas vias e participará ativamente em várias das coligações. De dois em dois anos, será organizada uma reunião mundial para analisar os progressos realizados.

Agricultura, pescas e zonas rurais

A nova política agrícola comum (PAC) para 2023-2027 foi adotada em 2 de dezembro de 2021. O direito derivado que especifica a aplicação da nova PAC será adotado no início de 2022. A nova CAP será mais ecológica, mais justa e mais flexível, fortemente centrada na inovação, garantindo simultaneamente a segurança alimentar dos cidadãos da UE. Será essencial para alcançar os objetivos do Pacto Ecológico Europeu e das suas Estratégias do Prado ao Prato e da Biodiversidade. Até ao final de 2021, a maioria dos Estados-Membros tinha apresentado os seus planos estratégicos para a aplicação da nova PAC a nível nacional. A Comissão avaliará os planos, tendo em conta a forma como contribuem para as metas até 2030 estabelecidas nas duas estratégias. Após a aprovação da Comissão, os planos serão aplicáveis a partir de 2023.

Dubravka Šuica numa tribuna, à frente de um cartaz alusivo à visão a longo prazo da União Europeia para as zonas rurais da União.
Intervenção de Dubravka Šuica, vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela Democracia e Demografia, na apresentação da visão a longo prazo para as zonas rurais da UE, em Bruxelas, Bélgica, 30 de junho de 2021.

As zonas rurais cobrem 83 % do território da UE e nelas reside 30 % da sua população. A visão a longo prazo para as zonas rurais da UE, apresentada em junho, analisa os desafios socioeconómicos associados à consecução de zonas rurais mais fortes, interligadas, resilientes e prósperas até 2040. Estes domínios são fundamentais para os objetivos de sustentabilidade da UE, proporcionando segurança alimentar e matérias-primas sustentáveis, melhorando a qualidade da água e a biodiversidade e atuando como sumidouros de carbono. A visão pretende revitalizar as zonas rurais e repensar o desenvolvimento em consonância com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu, as políticas setoriais da UE, o pacote de recuperação NextGenerationEU, a Agenda Territorial 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, combatendo simultaneamente as tendências demográficas negativas.

Em cooperação com as autoridades locais, regionais e nacionais, a visão apoiará, nomeadamente, a especialização inteligente, a proteção do ambiente, a melhoria da competitividade das pequenas e médias empresas, a digitalização e a inclusão social.

Em dezembro, a Comissão adotou uma comunicação sobre os ciclos do carbono sustentáveis, que indica como remover mais carbono da atmosfera. Para contrabalançar o impacto das suas emissões de CO2, a UE deverá reduzir drasticamente a sua dependência do carbono fóssil, aumentar a fixação de carbono nos solos agrícolas com vista a armazenar mais carbono na natureza e promover soluções industriais para remover e reciclar o carbono de forma sustentável e verificável. A comunicação estabelece iniciativas a curto e médio prazo no domínio da fixação de carbono nos solos agrícolas, a fim de recompensar melhor os gestores de terras pelo sequestro de carbono e pela proteção da biodiversidade. Até ao final de 2022, a Comissão proporá um quadro regulamentar da UE para a certificação das remoções de carbono.

Este mapa mostra as percentagens das terras agrícolas da União Europeia utilizadas na agricultura biológica e o objetivo do pacto ecológico europeu.

8,5 por cento das terras agrícolas da UE são utilizadas na agricultura biológica. O pacto ecológico europeu pretende aumentar essa percentagem para 25 por cento até 2030. As percentagens de cada Estado-Membro são as seguintes: Bélgica 6,9 por cento, Bulgária 2,3 por cento, Chéquia 15,2 por cento, Dinamarca 10,9 por cento, Alemanha 7,7 por cento, Estónia 22,3 por cento, Irlanda 1,6 por cento, Grécia 10,3 por cento, Espanha 9,7 por cento, França 7,7 por cento, Croácia 6,9 por cento, Itália 15,2 por cento, Chipre 5,0 por cento, Letónia 14,8 por cento, Lituânia 8,1 por cento, Luxemburgo 4,4 por cento, Hungria 5,6 por cento, Malta 0,5 por cento, Países Baixos 3,7 por cento, Áustria 25,3 por cento, Polónia 3,5 por cento, Portugal 8,2 por cento, Roménia 2,9 por cento, Eslovénia 10,3 por cento, Eslováquia 10,3 por cento, Finlândia 13,5 por cento, Suécia 20,4 por cento.

Em março, a Comissão adotou um Plano de Ação para o Desenvolvimento da Agricultura Biológica na UE. O seu objetivo é contribuir para o objetivo do Pacto Ecológico Europeu de consagrar 25 % das terras agrícolas à agricultura biológica até 2030, juntamente com um aumento significativo da aquicultura biológica. Fá-lo-á estimulando a procura dos consumidores, alargando a produção e a oferta de produtos biológicos e aumentando a sustentabilidade do setor.

Janusz Wojciechowski numa tribuna, em frente a um cartaz sobre o Dia Europeu do Bio.
Janusz Wojciechowski, comissário responsável pela Agricultura, participa no Dia Europeu do Bio, em Bruxelas, Bélgica, 23 de setembro de 2021.

Os Estados-Membros são convidados a fixar metas e a apoiar medidas para a produção biológica no âmbito da nova PAC e dos planos de ação nacionais. A Comissão incentiva também os Estados-Membros a incluírem o aumento da produção aquícola biológica nos seus planos estratégicos nacionais para a aquicultura, que são atualmente objeto de reexame pelos Estados-Membros. A inovação, a investigação e o intercâmbio de boas práticas receberão um estímulo significativo em toda a UE, a fim de continuar a apoiar a expansão sustentável da agricultura biológica. O apoio à aquicultura biológica ficará também disponível ao abrigo do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas 2021-2027.

A crise da COVID-19 demonstrou a resiliência do setor agroalimentar da UE. A ação da UE assegurou que as linhas de abastecimento alimentar continuavam a funcionar, impedindo que a crise sanitária fosse agravada pela escassez de alimentos. Consciente do impacto crescente das alterações climáticas e da degradação ambiental na produção de alimentos — juntamente com os riscos relacionados com a saúde pública, as ciberameaças ou as mudanças geopolíticas que ameaçam o funcionamento da cadeia de abastecimento alimentar —, a Comissão adotou, em novembro, um plano de contingência destinado a garantir o abastecimento alimentar e a segurança alimentar em períodos de crise, conforme previsto na Estratégia do Prado ao Prato. Este plano assenta na cooperação entre todos os intervenientes na cadeia alimentar, a fim de assegurar a preparação em períodos de crise.

Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura

O Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura, criado em 2021, apoia a execução da política comum das pescas, da política marítima e da agenda de governação internacional dos oceanos da UE. Promove a utilização e a gestão sustentáveis dos recursos marinhos e o desenvolvimento de uma economia azul resiliente. Enquanto interveniente mundial nos oceanos e importante produtor de produtos do mar, a UE procura proteger e utilizar de forma sustentável os oceanos e os seus recursos, garantindo a disponibilidade de alimentos, a competitividade da economia marítima e os meios de subsistência das comunidades costeiras. O fundo contribui igualmente para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável n.o 14 das Nações Unidas («Conservar e usar de forma sustentável os oceanos, os mares e os recursos marinhos») e para cumprir os objetivos do Pacto Ecológico Europeu.

O apoio do fundo está especialmente orientado para projetos inovadores que facilitem a transição para uma pesca sustentável e hipocarbónica; a proteção da biodiversidade marinha; o fornecimento de produtos do mar saudáveis e de qualidade; a vitalidade económica e social das comunidades costeiras; a melhoria das competências e das condições de trabalho nos setores da pesca e da aquicultura; e a cooperação internacional em matéria de oceanos saudáveis, seguros e geridos de forma sustentável. O orçamento total para 2021-2027 ascende a 6,1 mil milhões de euros.

A economia azul

A economia azul da UE, que abrange todas as indústrias e setores relacionados com os oceanos, os mares e as costas, é fundamental para o Pacto Ecológico Europeu e para o Plano de Recuperação para a Europa. A nova abordagem da UE para uma economia azul sustentável é um fator indispensável para alcançar os objetivos ambientais e climáticos da UE. Para tal, promove o desenvolvimento da energia de fontes renováveis ao largo, a descarbonização do transporte marítimo e a ecologização dos portos, introduz orientações para uma aquicultura sustentável e renova as normas aplicáveis à conceção das artes de pesca, à reciclagem de navios e à desativação de plataformas marítimas.

Esta infografia contém dados sobre as áreas marinhas protegidas e as energias marítimas renováveis.
A descarbonização do transporte marítimo e das operações de pesca reduzirá as emissões de gases com efeito de estufa, a poluição atmosférica e aquática e o ruído submarino. A energia dos oceanos é ilimitada e pode ser utilizada sem emitir gases com efeito de estufa. Assim, a energia marítima renovável é um elemento fundamental da transição da UE para as energias limpas.

Até 2030, 30 por cento dos mares da União Europeia serão zonas protegidas. Atualmente, as centrais de energia ao largo da costa têm capacidade para produzir 12 gigawatts de energia renovável. O objetivo para 2050 é aumentar esta capacidade para 300 gigawatts.

Por outro lado, o desenvolvimento de novas infraestruturas verdes nas zonas costeiras contribuirá para preservar a biodiversidade e as paisagens, beneficiando simultaneamente o turismo e a economia costeira. A nova abordagem proporciona coerência entre os vários setores da economia azul, facilita a sua coexistência e procura sinergias no espaço marítimo. Sublinha igualmente a necessidade de investimento na investigação, nas competências e na inovação.

A bordo de uma embarcação, Virginijus Sinkevičius com equipamento de pesca e um pescador que mostra um peixe capturado.
Virginijus Sinkevičius, comissário responsável pelo Ambiente, Oceanos e Pescas, visita a Associação das Pescas de Åland, em Mariehamn, Finlândia, 30 de agosto de 2021.

Cooperação internacional

A UE tem a ambição e o saber-fazer para liderar o mundo na transição para uma economia circular. Em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, lançou a Aliança Mundial para a Economia Circular e a Eficiência de Recursos em 21 de fevereiro. A aliança tem por objetivo apoiar uma transição mundial justa para uma economia com impacto neutro no clima, eficiente em termos de recursos e circular, utilizar os recursos de forma mais equitativa e alcançar um consumo e uma produção sustentáveis. Assenta nos esforços internacionais e coloca a UE na vanguarda da transição ecológica.

Métodos da pegada ambiental

A melhoria do desempenho ambiental dos produtos e das organizações constitui uma parte essencial da transição para uma economia circular e é necessária para alcançar outros objetivos do Pacto Ecológico Europeu. Em dezembro, a Comissão adotou uma recomendação sobre a utilização de métodos comuns de pegada ambiental para medir e comunicar o desempenho ambiental dos produtos e das organizações, que ajudará muitas pessoas e organizações que participam na tomada de decisões sobre o ambiente.

Proteger o ambiente e a biodiversidade

A visão de poluição zero para 2050

Reduzir a poluição do ar, da água e do solo para níveis que deixem de ser prejudiciais para a saúde e os ecossistemas naturais, criando assim um ambiente sem substâncias tóxicas.

Porque é necessário um Plano de Ação para a Poluição Zero?

  • Na UE, a poluição é responsável, todos os anos, por uma em cada oito mortes.
  • A poluição pode causar cancro, doenças cardiovasculares, doenças pulmonares obstrutivas, doenças mentais e neurológicas, diabetes e outras doenças.
  • Os grupos mais vulneráveis são os mais afetados, o que agrava as desigualdades.
  • A poluição é um dos cinco principais fatores da perda de biodiversidade.
  • A poluição ameaça a sobrevivência de mais de um milhão dos oito milhões de espécies vegetais e animais que se estima existirem no planeta.
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Plano de Ação para a Poluição Zero — metas fundamentais para 2030

  • Ar. Reduzir em mais de 55 % as mortes prematuras causadas pela poluição atmosférica.
  • Água. Reduzir os resíduos e o lixo plástico no mar em 50 % e os microplásticos libertados no ambiente em 30 %.
  • Solo. Reduzir as perdas de nutrientes e a utilização de pesticidas químicos em 50 %.
  • Biodiversidade. Reduzir em 25 % o número de ecossistemas da UE em que a poluição atmosférica constitui uma ameaça para a biodiversidade.
  • Ruído. Reduzir em 30 % o número de pessoas com perturbações crónicas causadas pelo ruído dos transportes.
  • Resíduos. Reduzir consideravelmente a produção total de resíduos e reduzir em 50 % os resíduos urbanos não recicláveis.

Em maio, a Comissão adotou o Plano de Ação para a Poluição Zero, que visa alcançar o objetivo de poluição zero até 2050. Significa isto que a poluição será reduzida para níveis que já não são prejudiciais para a saúde nem para os ecossistemas naturais. O plano de ação combina todas as políticas pertinentes da UE para combater e prevenir a poluição do ar, da água e do solo, a poluição marinha e sonora e a poluição causada por produtos de consumo. Em conjunto com o Comité das Regiões Europeu, a Comissão lançou, em 16 de dezembro, a Plataforma das Partes Interessadas para a Poluição Zero, destinada a reunir pessoas de diferentes comunidades e áreas de especialização para enfrentar estes desafios inter-relacionados.

Ao longo de 2021, a Comissão implementou várias das 80 medidas anunciadas na Estratégia para a Sustentabilidade dos Produtos Químicos de 2020. Criou uma mesa-redonda de alto nível, a fim de alcançar os objetivos da estratégia, através do diálogo com as partes interessadas. Para garantir que os produtos químicos mais nocivos deixem de ser utilizados em produtos de consumo, exceto quando essenciais para a sociedade, a Comissão está a rever a legislação e a estabelecer critérios para a «utilização essencial» de um produto químico. Foram criadas oportunidades de financiamento para a investigação sobre os impactos dos produtos químicos na saúde, bem como para a transição ecológica para produtos químicos seguros e sustentáveis, através dos programas Horizonte Europa e LIFE, do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, dos fundos de coesão e do InvestEU.

O último relatório da Agência Europeia do Ambiente, intitulado «Air quality in Europe 2021», publicado em dezembro, concluiu que, apesar das melhorias, a poluição atmosférica continua a ser uma grande preocupação para a saúde das pessoas na Europa. Do mesmo modo, o segundo relatório sobre o Programa Ar Limpo salientou que a plena aplicação das medidas relativas ao ar limpo e ao clima poderia reduzir em 55 % as mortes prematuras causadas pela poluição atmosférica em 2030, em comparação com 2005. O relatório salientou ainda que é possível fazer mais, uma vez que existem ainda muitas medidas para reduzir a poluição atmosférica que trariam mais benefícios do que custos para a sociedade.

O PROBLEMA DO PLÁSTICO EM NÚMEROS

O plástico representa 80-85 % do lixo marinho encontrado nas praias da UE.

50 % do lixo marinho da UE são artigos de plástico de utilização única.

27 % são artes de pesca que contêm plástico.

O plástico causa anualmente danos na ordem dos 13 mil milhões de EUR aos ecossistemas marinhos em todo o mundo.

Estima-se que o turismo e as comunidades costeiras da UE sofram prejuízos anuais de cerca de 630 milhões de EUR devido à poluição causada pelo plástico.

Calcula-se que o setor da pesca perde anualmente 300 milhões de EUR por causa do plástico.

Impacto previsto

Reduzir em mais de 50 % o lixo causado pelos 10 principais artigos de plástico de utilização única.

Evitar 3,4 milhões de toneladas de emissões de CO2 por ano.

Evitar danos ambientais na ordem dos 22 mil milhões de EUR até 2030.

Poupar aos consumidores 6,5 mil milhões de EUR por ano, reduzindo as despesas com produtos descartáveis.

Deixa de haver…

Artigos de plástico de utilização única proibidos em 2021:

talheres

pratos

palhas

agitadores de bebidas

copos e recipientes para alimentos e bebidas de poliestireno, incluindo coberturas e tampas

cotonetes e varas para balões

todos os produtos de plástico oxodegradável (muito utilizados em sacos de compras).

Passa a haver…

  • 2021 Rotulagem clara dos copos, toalhetes húmidos, pensos higiénicos, tampões e aplicadores e produtos de tabaco com filtros, destacando o seu teor de plástico, os métodos de eliminação recomendados e os riscos ambientais.
  • 2024 Cápsulas e tampas feitas para permanecerem fixadas aos recipientes de bebidas e garrafas com capacidade máxima de 3 litros.
  • 2025 As garrafas de plástico têm de conter, pelo menos, 25 % de plástico reciclado.

    Recolha seletiva de 77 % das garrafas de plástico com uma capacidade máxima de 3 litros.

  • 2026 Os Estados-Membros da UE têm de realizar cortes ambiciosos e sustentados nos níveis de consumo de copos de plástico de utilização única (incluindo tampas) e recipientes para alimentos, em relação aos níveis de 2022.
  • 2029 Recolha seletiva de 90 % das garrafas de plástico com uma capacidade máxima de 3 litros.
  • 2030 As garrafas de plástico têm de conter, pelo menos, 30 % de plástico reciclado.

Os resíduos de plástico acumulam-se nos mares e oceanos e nas praias da UE e de todo o mundo. A UE está a tomar medidas contra a poluição por plástico. As regras da UE em matéria de produtos de plástico de utilização única visam prevenir e reduzir o impacto ambiental de determinados produtos de plástico, proibindo do mercado da UE pratos, talheres, palhinhas, varas para balões e cotonetes de plástico de utilização única, juntamente com copos, recipientes para alimentos e bebidas feitos de poliestireno expandido e todos os produtos feitos de plástico oxodegradável. Para reduzir a poluição e os resíduos de plástico, a UE está a promover a reciclagem. A Aliança para a Economia Circular dos Plásticos reúne 300 partes interessadas e comprometeu-se a garantir que pelo menos 10 milhões de toneladas de plástico reciclado são incorporados em novos produtos na UE até 2025.

Proteger o ambiente através do direito penal

Em dezembro, a Comissão adotou uma proposta para reforçar a proteção do ambiente através do direito penal, cumprindo assim um dos principais compromissos assumidos no Pacto Ecológico Europeu. A proposta apresentada pretende melhorar a proteção do ambiente obrigando os Estados-Membros a adotar medidas de caráter penal. Define novos crimes ambientais, estabelece níveis mínimos para as sanções e reforça a eficácia da cooperação policial. Obriga ainda os Estados-Membros a prestar apoio às pessoas que denunciem crimes ambientais e que cooperem com a justiça. Visa contribuir para a proteção da natureza e dos recursos naturais, juntamente com a saúde pública e o bem-estar.

Iniciativa Internacional para os Recifes de Coral

Em fevereiro de 2021, a UE aderiu à Iniciativa Internacional para os Recifes de Coral. Tal ajudará a UE a defender os princípios da agenda de governação internacional dos oceanos, apoiando simultaneamente a ação climática e reforçando o seu compromisso de proteger a biodiversidade. No âmbito das suas atividades ao abrigo da iniciativa, a UE está a promover o seu objetivo de proteger os ecossistemas marinhos vulneráveis em cooperação com outras organizações e países que partilham as mesmas ideias, através da adoção de boas práticas na gestão sustentável dos recifes de coral e ecossistemas associados, do reforço das capacidades e da sensibilização.

Florestas

As florestas de todo o mundo estão a degradar-se e a ser destruídas a um ritmo alarmante. Cerca de 80 % da desflorestação mundial decorre da expansão agrícola, e a UE também é um consumidor de produtos de base ligados à desflorestação mundial, como a soja, o óleo de palma, a madeira, o cacau e o café. Graças a uma proposta legislativa adotada em novembro para proibir o acesso ao mercado da UE de matérias-primas provenientes da desflorestação, a Comissão procura minimizar o contributo da UE para a desflorestação e a degradação florestal em todo o mundo e promover o consumo de produtos provenientes de cadeias de abastecimento não associadas à desflorestação na UE.

O consumo de carne de bovino, óleo de palma, grãos de soja, madeira, cacau e café na UE contribui para a desflorestação e a degradação florestal em todo o mundo. A UE pretende pôr termo a esta situação, deixando de permitir no seu mercado produtos de base e derivados associados à desflorestação.

© Avigator Fortuner/Shutterstock.com

Numa consulta pública que suscitou 1,2 milhões de respostas, os cidadãos manifestaram apoio à tomada de medidas pela UE, para combater a desflorestação e a degradação florestal.

A desflorestação e a degradação florestal contam-se entre os principais fatores que impelem o aquecimento global e a perda de biodiversidade. A agricultura, a silvicultura e outros usos do solo são responsáveis por 23 % das emissões de gases com efeito de estufa.

O novo regulamento relativo à desflorestação irá:

garantir aos cidadãos da UE que os produtos que compram, utilizam e consomem não contribuem para a desflorestação nem para a degradação florestal a nível mundial,

reduzir as emissões de carbono na atmosfera decorrentes do consumo e da produção na UE dos produtos de base relevantes em, pelo menos, 32 milhões de toneladas anuais, o que permitirá poupar, no mínimo, 3,2 mil milhões de EUR por ano e reforçar o papel das florestas na luta contra as alterações climáticas,

combater a desflorestação ilegal e a degradação florestal, mas também qualquer desflorestação resultante da expansão agrícola associada à produção dos produtos de base.

A nova Estratégia da UE para as Florestas 2030, adotada em julho, contribuirá para atingir os objetivos da UE em matéria de biodiversidade e clima. Reconhece o papel central e multifuncional das florestas, bem como o papel dos silvicultores e da cadeia de valor florestal, na consecução de uma economia sustentável e com impacto neutro no clima até 2050 e na preservação de zonas rurais vivas e prósperas. A estratégia define uma visão e iniciativas concretas para melhorar a quantidade e a qualidade das florestas da UE e investir na investigação e na inovação enquanto motores da mudança, e inclui um compromisso de plantar mais três mil milhões de árvores até 2030.

Florestas saudáveis e ricas em biodiversidade são também fundamentais para reduzir o risco de incêndios florestais, que mais uma vez devastaram várias regiões da Europa durante o verão. Os esforços de prevenção, de preparação e de resposta para combater os incêndios florestais no âmbito do Mecanismo de Proteção Civil da UE são um elemento integrante da ação da União para proteger as pessoas e a natureza. A Comissão continuou a reforçar as capacidades de combate aéreo aos incêndios florestais da UE, a fim de colmatar as lacunas nacionais na resposta aos incêndios florestais. Em março de 2021, a Comissão publicou também novas orientações relativas à prevenção de incêndios florestais em espaço rural e à adoção de respostas eficazes.

Estratégia de proteção do solo

Os solos albergam um quarto de toda a biodiversidade do planeta e, até 2050, terão de alimentar uma população mundial de quase 10 mil milhões de pessoas. No entanto, na UE, continuam a degradar-se. Em novembro, a Comissão adotou uma Estratégia de Proteção do Solo da UE para 2030, em conjunto com uma missão no domínio da saúde dos solos e da alimentação ao abrigo do Horizonte Europa, para restaurar os nossos solos e alcançar os objetivos da UE em matéria de clima e biodiversidade, reconhecendo simultaneamente o papel fundamental dos agricultores e silvicultores.

Os solos saudáveis são essenciais para alcançar a neutralidade climática, criar uma economia circular e limpa, reverter a perda de biodiversidade, produzir alimentos saudáveis, salvaguardar a saúde humana e travar a desertificação e a degradação das terras.

A nova Estratégia de Proteção do Solo da UE:

estabelece um quadro e medidas concretas para a proteção, recuperação e utilização sustentável dos solos, em sinergia com outras políticas do Pacto Ecológico Europeu,

define uma visão para obter solos saudáveis até 2050 e objetivos conexos, com medidas concretas até 2030,

anuncia um novo ato legislativo sobre a saúde dos solos, que deve ser proposto até 2023, para garantir condições de concorrência equitativas e um elevado nível de proteção do ambiente e da saúde, em complemento da futura legislação sobre a restauração da natureza.

Água limpa

A maioria das pessoas que vivem na UE já beneficia de um acesso muito bom a água potável, graças, em parte, a mais de 30 anos de legislação da UE sobre a qualidade da água potável segura. Em janeiro, entrou em vigor a diretiva revista relativa à água potável. No seguimento direto da primeira e bem-sucedida iniciativa de cidadania europeia, «Right2Water», a diretiva inclui medidas para melhorar e manter o acesso a água potável segura para todos na União, em especial para os grupos vulneráveis e marginalizados. Abrange igualmente os mais recentes desenvolvimentos científicos e os contaminantes que suscitam preocupação emergente, em consonância com a ambição de poluição zero da UE.

A Estratégia da UE para a Adaptação às Alterações Climáticas salienta a importância de medidas como as soluções baseadas na natureza, a redução do consumo de água e a estabilidade do abastecimento de água potável. Neste contexto, a Comissão publicou, em dezembro, um relatório de avaliação dos programas atualizados de medidas dos Estados-Membros ao abrigo da Diretiva-Quadro da Água e das avaliações preliminares nacionais dos riscos de inundações, atualizadas, ao abrigo da Diretiva Inundações.

Comércio de marfim

Apesar de uma proibição internacional do comércio de marfim ao abrigo da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção, a caça furtiva de elefantes e o tráfico de marfim atingiram recentemente níveis recorde. Em dezembro, a Comissão propôs medidas adicionais destinadas a proibir efetivamente a maioria das formas de comércio de marfim na UE. Embora a UE não seja identificada como uma região preocupante no que diz respeito ao comércio ilegal de marfim, esta revisão das regras da União em vigor reafirma e cumpre o seu compromisso de tomar novas medidas contra a caça furtiva de elefantes e o tráfico de marfim a nível mundial. Segue igualmente o compromisso assumido na Estratégia de Biodiversidade da UE de continuar a reforçar as regras relativas ao comércio de marfim na UE. As orientações revistas da Comissão sobre o regime da UE que rege o comércio de marfim suspendem, nomeadamente, o comércio de marfim em bruto no mercado da União, ao passo que as alterações introduzidas num regulamento da Comissão em vigor garantem que qualquer comércio remanescente de objetos de marfim antigos estará sempre sujeito a autorização prévia.

Uma captura de ecrã de um jardim urbano digital extraída da experiência Parque Polinizador.
Em março, a Comissão lançou o Parque Polinizador uma experiência de realidade virtual distópica, destinada a aumentar a sensibilização para o declínio alarmante dos polinizadores e mobilizar medidas para o combater.

8.o Programa de Ação em matéria de Ambiente

O 8.º Programa de Ação em matéria de Ambiente centra-se no apoio à aplicação do Pacto Ecológico Europeu a todos os níveis de governação e no acompanhamento dos progressos realizados. O programa baseia-se na visão a longo prazo para 2050 de «viver bem, dentro dos limites do planeta» e estabelece seis objetivos prioritários para o período até 2030: atenuação das alterações climáticas e adaptação a estas, economia circular, poluição zero, biodiversidade e combate às principais pressões ambientais e climáticas.

O programa apela para a boa governação; o financiamento sustentável; a integração das preocupações ambientais em todos os domínios de intervenção; uma série de medidas que permitem a eliminação progressiva dos subsídios prejudiciais para o ambiente; e o desenvolvimento do conhecimento e da inovação a fim de apoiar a transição para uma economia que promova o bem-estar. O programa proposto foi aprovado em dezembro pelos Estados-Membros no âmbito de um acordo político provisório.

Investigação e inovação ajudam a concretizar o Pacto Ecológico Europeu

Mais de 35 % do orçamento de 95,5 mil milhões de euros do programa Horizonte Europa para 2021-2027 será investido em investigação e inovação para combater as alterações climáticas e contribuir para os objetivos do Pacto Ecológico Europeu. Em junho, a Comissão propôs um conjunto de novas parcerias europeias nos domínios do clima, da energia e dos transportes. Estas parcerias mobilizarão mais de 22 mil milhões de euros em contribuições financeiras e em espécie do setor privado e promoverão o desenvolvimento e o fornecimento de novas tecnologias, materiais e produtos com menos emissões de gases com efeito de estufa e um melhor desempenho ambiental global.

Em setembro, a Comissão lançou cinco novas missões da UE — uma nova forma de trabalhar em conjunto para dar resposta aos grandes desafios em matéria de saúde, clima e ambiente. Uma novidade do Horizonte Europa e um conceito original na política da UE, que reúne vários serviços da Comissão sob a autoridade de nove membros do Colégio de Comissários, as missões apoiarão a investigação para concretizar as principais prioridades da Comissão e encontrar respostas para alguns dos maiores desafios que a sociedade enfrenta atualmente. As missões incluem projetos de investigação e inovação, medidas políticas e iniciativas legislativas para encontrar soluções para os principais desafios mundiais até 2030. A Comissão disponibiliza cerca de 2 mil milhões de euros do programa Horizonte Europa entre 2021 e 2023 para lançar as cinco missões, prevendo-se um financiamento adicional de outros programas. Das cinco missões lançadas em setembro de 2021, quatro visam concretizar os objetivos do Pacto Ecológico Europeu:

Em setembro e outubro, a Comissão aprovou um financiamento de mil milhões de euros para 73 projetos de investigação e inovação destinados a apoiar o Pacto Ecológico Europeu. Para além de investir num vasto leque de tecnologias essenciais — desde as fontes de energia e a biomassa até às tecnologias e infraestruturas de transporte —, o convite à apresentação de projetos também incluiu dois domínios centrados no ser humano: reforçar o conhecimento e capacitar os cidadãos.

Financiamento sustentável

Em abril, a Comissão adotou um pacote de iniciativas destinado a ajudar a melhorar o fluxo de financiamento para atividades sustentáveis em toda a UE. O ato delegado da UE relativo à taxonomia e ao clima estabelece os critérios técnicos de avaliação para as atividades económicas que contribuem substancialmente para os objetivos climáticos ao abrigo do regulamento relativo à taxonomia, sem prejuízo significativo para outros objetivos ambientais da UE. Uma proposta de diretiva sobre a comunicação de informações em matéria de sustentabilidade pelas empresas visa melhorar a qualidade das informações comunicadas pelas empresas em matéria de sustentabilidade. Tornará a comunicação de informações sobre sustentabilidade mais coerente, para que as empresas financeiras, os investidores e o público tenham acesso a informações comparáveis e fiáveis sobre os riscos e impactos das empresas no que respeita à sustentabilidade. Foram adotados seis atos delegados de alteração no domínio dos deveres fiduciários e da consultoria em matéria de investimento e de seguros, a fim de garantir que as empresas financeiras incluem informações sobre sustentabilidade nos seus procedimentos e nos seus conselhos de investimento aos clientes.

Mairead McGuinness com roupa desportiva numa floresta.
Mairead McGuinness, comissária responsável pela Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e União dos Mercados de Capitais, visita uma floresta na Finlândia, 11 de novembro de 2021. Durante a sua visita à Finlândia, a comissária reuniu-se também com Sanna Marin, primeira-ministra da Finlândia, com Annika Saarikko, ministra das Finanças da Finlândia, e com Jari Leppä, ministra da Agricultura e das Florestas da Finlândia, para debater o sistema de classificação do financiamento sustentável da UE, com especial destaque para temas relacionados com a energia e as florestas.

A Estratégia de Financiamento Sustentável, adotada em julho de 2021, visa apoiar o financiamento da transição para uma economia sustentável através de ações em quatro domínios: facilitar o financiamento de transição; apoiar um quadro de financiamento sustentável mais inclusivo; reforçar o trabalho sobre a resiliência e o impacto do setor financeiro; e adaptar-se a uma ambição mundial renovada.

Financiamento da transição para a sustentabilidade

Esta estratégia dá aos intervenientes em todos os setores da economia os instrumentos e as políticas que lhes permitem financiar os seus planos de transição e alcançar objetivos climáticos e ambientais mais amplos, independentemente do seu ponto de partida.

Inclusividade

Esta estratégia responde às necessidades das pessoas e das pequenas e médias empresas e cria oportunidades para que tenham maior acesso ao financiamento sustentável.

Capacidade de resistência e contribuição do setor financeiro

Esta estratégia define a forma como o próprio setor financeiro pode contribuir para o cumprimento dos objetivos do Pacto Ecológico, aumentando ao mesmo tempo a sua capacidade de resistência e combatendo o ecobranqueamento.

Ambição global

Esta estratégia define a forma de promover a cooperação internacional para estabelecer uma agenda mundial ambiciosa em matéria de financiamento sustentável.

Em julho, a Comissão apresentou uma proposta de regulamento relativo a uma norma para as obrigações verdes europeias. Esta proposta visa criar uma norma voluntária de elevada qualidade que todos os emitentes de obrigações poderão utilizar para financiar investimentos sustentáveis.

As obrigações «verdes» já são utilizadas para angariar financiamento em setores como a produção e distribuição de energia, a habitação eficiente em termos de utilização de recursos e as infraestruturas de transportes hipocarbónicas. Existe, por um lado, uma grande apetência dos investidores por estas obrigações verdes, e existe, por outro, potencial para expandir o mercado. A norma para as obrigações verdes europeias definirá um «padrão ouro» para a forma como as empresas e as autoridades públicas poderão utilizar esse tipo de obrigações para angariar junto dos mercados de capitais fundos destinados a financiar ambiciosos investimentos, cumprindo ao mesmo tempo rigorosos requisitos de sustentabilidade e protegendo os investidores do ecobranqueamento. Os emitentes de obrigações «verdes» terão à sua disposição, em especial, um instrumento sólido para demonstrar que financiam projetos ecológicos alinhados com a taxonomia da UE. Por outro lado, os investidores que adquirem as obrigações poderão ver mais facilmente que os seus investimentos são sustentáveis, reduzindo assim o risco de ecobranqueamento.

Grande plano de um microcircuito.

Uma Europa preparada para a era digital

A pandemia de COVID-19 veio alterar o papel desempenhado na nossa sociedade e economia pela digitalização e a perceção que as pessoas dela têm, além de ter acelerado o seu ritmo. As tecnologias digitais, que têm sido fundamentais para manter a vida económica e social e para garantir a manutenção da educação durante a crise, serão o principal fator de diferenciação numa transição bem-sucedida para uma economia e uma sociedade sustentáveis no pós-pandemia.

A UE tem a visão e os recursos necessários para fazer da transição digital um êxito. O nível de financiamento disponível ao abrigo do plano de recuperação NextGenerationEU permitirá que os Estados-Membros cooperem numa escala e com uma intensidade sem precedentes, necessárias para concretizar a transformação digital de forma bem-sucedida até 2030.

A Década Digital da Europa

A UE está a aproveitar esta oportunidade para fazer dos próximos 10 anos a Década Digital da Europa, pois acalenta a ambição de se tornar um modelo mundial para a economia digital, criar e promover normas digitais e pôr em prática políticas digitais que empoderem as pessoas e as empresas.

Estas políticas destinar-se-ão a apoiar as pequenas empresas na adoção de tecnologias; a garantir que a tecnologia funciona para as pessoas, dotando-as de competências digitais básicas e avançadas; e a garantir que todos têm acesso à Internet e a serviços públicos em linha. Ao mesmo tempo, a UE continuará também a pugnar pela excelência nas tecnologias avançadas, como a computação quântica e em nuvem e a inteligência artificial, que podem ajudar a resolver muitos dos problemas com que a nossa sociedade atualmente se depara.

Para concretizar as ambições da UE, será necessário resolver os problemas que a pandemia pôs a descoberto, desde as lacunas na conectividade e nas competências digitais até à clivagem entre as empresas com capacidades digitais e aquelas que ainda não adotaram soluções digitais. A digitalização oferece muitas novas oportunidades de emprego. A título de exemplo, em 2020 ficaram por preencher na UE mais de 500 000 vagas para peritos em cibersegurança e dados.

As Orientações para a Digitalização da Europa traduzem os objetivos digitais da UE para 2030 em ações e resultados. Estes visam principalmente o seguinte:

  • uma população proficiente nas tecnologias digitais e profissionais do setor digital altamente qualificados,
  • infraestruturas digitais fiáveis e seguras,
  • uma elevada percentagem de empresas digitalizadas,
  • serviços públicos modernizados que respondam às necessidades da sociedade.
A infografia contém dados sobre as competências digitais, as infraestruturas digitais, a transformação digital das empresas e a digitalização dos serviços públicos.

No que diz respeito às competências digitais, 56 por cento dos adultos possuem atualmente competências digitais básicas, mas pretende-se fazer subir essa percentagem para 80 por cento. Atualmente, há 8,4 milhões de especialistas em tecnologias da informação e comunicação empregados; o objetivo é chegar aos 20 milhões. No domínio das infraestruturas digitais, a cobertura por uma rede a gigabits estende-se atualmente a 59 por cento dos agregados familiares, sendo o objetivo chegar aos 100 por cento. A cobertura 5G abrange 14 por cento das zonas povoadas, sendo o objetivo chegar aos 100 por cento. No que diz respeito à transformação digital das empresas, 42 por cento das empresas utilizam atualmente serviços de computação em nuvem, mas o objetivo é chegar aos 75 por cento. 14 por cento das empresas utilizam megadados; pretende-se aumentar essa percentagem para 75 por cento. 25 por cento utilizam a inteligência artificial, sendo o objetivo chegar aos 75 por cento. Atualmente, 55 por cento das pequenas e médias empresas atingem, pelo menos, um nível básico de intensidade digital, mas pretende-se elevar essa percentagem acima dos 90 por cento. Por último, existem atualmente 112 empresas unicórnio em fase de arranque na União Europeia, e o objetivo é duplicar este número. No que diz respeito à digitalização dos serviços públicos, 75 por cento dos cidadãos e 84 por cento das empresas têm acesso em linha a serviços públicos essenciais (relacionados, por exemplo, com a carreira profissional, os estudos, a família, as operações comerciais correntes ou a circulação de um Estado-Membro para outro); pretende-se, em ambos os casos, que essa percentagem chegue aos 100 por cento. A União Europeia definiu como meta que 100 por cento das pessoas na União Europeia tenham acesso a registos de saúde digitais e 80 por cento utilizem uma identidade digital.

A Comissão está a finalizar a proposta de «Declaração Conjunta sobre os Princípios Digitais» que o Parlamento Europeu, o Conselho e a Comissão irão apresentar em 2022, com o intuito de assegurar que os valores e direitos europeus se refletem no espaço digital. Deste modo, todos poderão beneficiar das oportunidades digitais, como o acesso universal à Internet, algoritmos respeitadores das pessoas e um ambiente em linha seguro e fiável. Um inquérito Eurobarómetro especial realizado em setembro e outubro de 2021 revelou que a esmagadora maioria dos cidadãos da UE considera que a Internet e as ferramentas digitais irão desempenhar um papel importante no futuro. Além disso, uma grande maioria dos inquiridos considera que a UE deve definir e promover os direitos e princípios europeus a fim de garantir o êxito da transformação digital. Antes disso, a Comissão realizou também uma consulta pública aberta sobre os princípios digitais, que revelou um amplo apoio à iniciativa.

Em setembro, a Comissão propôs um plano para concretizar a transformação digital da UE até 2030. O Guião para a Década Digital visa criar um quadro de governação sólido que permita aos Estados-Membros trabalhar coletivamente para alcançar os objetivos acordados, mas que, ao mesmo tempo, reconheça os seus diferentes pontos de partida. O Guião inclui um sistema de acompanhamento para medir os progressos na consecução de cada uma das metas para 2030 e roteiros plurianuais para cada Estado-Membro, nos quais estes definirão as suas políticas e medidas adotadas ou planeadas. Inclui ainda projetos que contarão com a participação de vários países e que congregarão recursos da UE, nacionais e privados para alcançar progressos em domínios essenciais, progressos esses que nenhum Estado-Membro poderia alcançar isoladamente.

Os projetos plurinacionais facilitarão o investimento nos seguintes domínios.

In­fra­es­tru­tu­ras e serviços de dados comuns

Cadeias de blocos

Pro­ces­sa­do­res de baixa potência

Implantação pan-europeia de corredores 5G

Computação de alto desempenho

In­fra­es­tru­tu­ra quântica segura e rede de centros de cibersegurança

Administração pública digital

Polos de inovação digital

Parcerias de alta tecnologia para as competências digitais

A dimensão internacional das Orientações para a Digitalização está a ser desenvolvida através de uma série de parcerias digitais. O Conselho de Comércio e Tecnologia foi lançado na Cimeira UE-EUA de junho de 2021. Desde então, 10 grupos de trabalho começaram a identificar os possíveis resultados a curto, médio e longo prazo. Está também na forja uma parceria digital com o Japão, e a UE está a trabalhar no sentido de estabelecer uma parceria digital com África e uma aliança digital com a América Latina e as Caraíbas.

Margrethe Vestager gesticula animada durante uma conversa.
Margrethe Vestager, vice-presidente executiva da Comissão Europeia com o pelouro Uma Europa Preparada para a Era Digital e comissária responsável pela Concorrência, na terceira cimeira transatlântica sobre empresas da Câmara do Comércio Norte-Americana, em Washington DC, EUA, 9 de dezembro de 2021.

Educação digital

Em agosto, a Comissão publicou uma proposta de recomendação do Conselho sobre aprendizagem mista em prol de um ensino primário e secundário inclusivo e de elevada qualidade. O Conselho adotou esta recomendação em apenas quatro meses.

A aprendizagem mista pode ajudar a tornar a educação mais inclusiva, sobretudo porque permite grande flexibilidade. O termo refere-se à situação em que uma escola, um educador ou um aprendente adota mais do que uma abordagem no processo de aprendizagem, nomeadamente combinando a aprendizagem na escola com outros ambientes físicos (como empresas, centros de formação ou ensino à distância) ou combinando várias ferramentas de aprendizagem digitais e não digitais. A aprendizagem mista pode, por exemplo, permitir um melhor acesso à educação em zonas remotas e rurais, ou às pessoas que fazem parte de comunidades de viajantes ou que se encontram hospitalizadas. A tónica no desenvolvimento de uma abordagem de aprendizagem mista no ensino primário e secundário será incluída nos relatórios intercalares regulares do Espaço Europeu da Educação e do Plano de Ação para a Educação Digital (2021-2027).

Programa Europa Digital

Com um orçamento de 7,5 mil milhões de euros para os próximos sete anos, o novo Programa Europa Digital é o primeiro programa de financiamento da UE que visa disponibilizar tecnologias digitais às administrações públicas, às empresas e aos cidadãos. Os primeiros programas de trabalho, no valor de 1,98 mil milhões de euros, centram-se no investimento nos domínios da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos espaços de dados, das infraestruturas de comunicação quântica, das competências digitais avançadas e da cibersegurança, bem como na generalização da utilização das tecnologias digitais em toda a economia e sociedade. Os primeiros convites à apresentação de propostas para o Programa Europa Digital foram publicados no final de novembro e outros sê-lo-ão em 2022.

Regulamento Serviços Digitais e Lei dos Mercados Digitais

O Regulamento Serviços Digitais e a Lei dos Mercados Digitais, propostos pela Comissão em dezembro de 2020, visam criar um espaço digital mais seguro e mais aberto para todos os utilizadores, no qual os seus direitos fundamentais estejam protegidos e tenham acesso a serviços digitais de qualidade a preços mais baixos. Um acordo sobre estas propostas deverá ser alcançado em 2022.

Cibersegurança, proteção de dados e segurança em linha

Com a vida social e económica a desenrolar-se cada vez mais em linha, os ciberataques estão a tornar-se uma ocorrência regular e são cada vez mais nocivos. Em 2021, houve vários ataques de software de sequestro (ransomware) a nível mundial que foram utilizados para desestabilizar sistemas de saúde, administrações públicas, instalações de produção de energia e outras infraestruturas essenciais. A UE não está imune a este tipo de ataques.

Uma boa proteção contra os ciberataques exige uma ação unificada para além das fronteiras nacionais. Por conseguinte, no âmbito da Estratégia da UE para a Cibersegurança, a Comissão deu início, em 2021, à criação da Ciberunidade Conjunta, uma nova plataforma que visa reforçar a cooperação entre as instituições e agências da UE e as autoridades nacionais dos Estados-Membros. A nova unidade beneficiará igualmente dos conhecimentos especializados do setor da cibersegurança, o que ajudará a UE no seu todo a responder às ciberameaças. Os trabalhos para tornar operacional a Ciberunidade Conjunta estão em curso.

Na sequência da adoção e entrada em vigor do Regulamento que cria o Centro Europeu de Competências Industriais, Tecnológicas e de Investigação em Cibersegurança e a Rede de Centros Nacionais de Coordenação, a Comissão já deu início aos trabalhos, em conjunto com as autoridades romenas, para criar o centro em Bucareste. Este centro irá contribuir para reforçar as capacidades de cibersegurança da UE, promover a excelência na investigação e melhorar a competitividade da indústria europeia de cibersegurança.

Objetivos da ciberunidade conjunta

Garantir uma resposta coordenada da UE a ameaças, incidentes e crises de cibersegurança de grande dimensão.

Melhorar o conhecimento da situação dos intervenientes na cibersegurança e a comunicação ao público em geral.

Assegurar a capacidade de resposta conjunta.

Proteção de dados

É essencial garantir a proteção dos dados e a privacidade para que as pessoas possam confiar em tecnologias novas e inovadoras. Neste sentido, a proteção dos dados e a privacidade fazem parte da solução para muitos problemas e facilitam a dupla transição digital e ecológica.

A liderança da UE em matéria de proteção de dados mostra que as suas regras neste domínio podem ser o padrão de referência para a regulamentação da economia digital. Concretamente, quando países terceiros asseguram um nível de proteção de dados equivalente ao da UE, esta pode utilizar o seu instrumento mais abrangente para as transferências de dados, conhecido como «verificação da adequação». Nessa base, os dados podem circular livremente e em segurança entre a UE e o país em questão, facilitando o comércio e melhorando a eficácia da cooperação em matéria de regulamentação e aplicação da lei em benefício dos cidadãos e das empresas.

Na sequência da criação do maior espaço mundial de fluxos de dados livres e seguros com o Japão em 2019, a UE continuou a trabalhar com os parceiros internacionais para fazer convergir as regras de proteção de dados, a fim de facilitar as transferências de dados e, simultaneamente, garantir um elevado nível de proteção dos dados pessoais transferidos para o estrangeiro.

Em 2021, a UE adotou duas decisões de adequação para o Reino Unido, uma das quais abrange, pela primeira vez, o intercâmbio de dados entre as autoridades responsáveis pela aplicação do direito penal. Concluiu também com êxito as suas conversações com a Coreia do Sul, que resultaram na adoção de uma decisão de adequação relativa às transferências nos domínios comercial e da cooperação regulamentar. Além disso, ao longo de 2021, realizaram-se negociações entre a UE e os EUA sobre um eventual acordo para suceder ao quadro do Escudo de Proteção da Privacidade, na sequência da anulação deste pelo Tribunal de Justiça da União Europeia.

Em 2021, a Comissão adotou igualmente novas cláusulas contratuais-tipo para o tratamento de dados pessoais. Estas cláusulas ajudam as organizações a cumprir as regras de proteção de dados quando externalizam operações de tratamento a subcontratantes dentro da UE/do Espaço Económico Europeu e quando transferem dados para o estrangeiro.

A Comissão tomou igualmente medidas para assegurar que os Estados-Membros cumprem as suas obrigações ao abrigo das regras da UE em matéria de proteção de dados. Em fevereiro, o Tribunal de Justiça decidiu que a Espanha não tinha transposto atempadamente a diretiva sobre a proteção de dados na aplicação da lei. O Tribunal aplicou sanções pecuniárias a Espanha. Na sequência do acórdão, Espanha tomou as medidas necessárias para pôr termo a este incumprimento.

A identidade digital europeia

Muitas pessoas já utilizam carteiras digitais nos seus telemóveis inteligentes para armazenar os cartões de embarque quando viajam ou cartões bancários virtuais, e 63 % dos cidadãos da UE querem uma identificação digital única e segura para todos os serviços em linha. Ao abrigo das novas regras propostas pela Comissão em junho, qualquer cidadão, residente ou empresa na UE poderá ter uma carteira europeia de identidade digital, se assim o desejar. Trata-se de uma carteira digital pessoal que permite ao seu portador armazenar e utilizar dados para todos os tipos de serviços, desde a apresentação de uma declaração fiscal até ao aluguer de um automóvel.

Margrethe Vestager sorridente atrás de uma tribuna.
Margrethe Vestager, vice-presidente executiva da Comissão Europeia com o pelouro Uma Europa Preparada para a Era Digital e comissária responsável pela Concorrência, na conferência de imprensa sobre a identidade digital europeia, em Bruxelas, Bélgica, 3 de junho de 2021.

Os cidadãos poderão, de forma segura, provar a sua identidade e partilhar documentos eletrónicos a partir das suas carteiras europeias de identidade digital no seu telemóvel inteligente. Poderão igualmente ter acesso a serviços em linha utilizando a sua identificação digital nacional, que será reconhecida em toda a UE. A identidade digital europeia irá contribuir para alcançar alguns dos objetivos das Orientações para a Digitalização. Por exemplo, até 2030, todos os serviços públicos essenciais deverão estar disponíveis em linha, todos os cidadãos deverão ter acesso aos seus registos médicos eletrónicos e 80 % deles deverão utilizar a identificação digital.

Conectividade avançada

A Comissão adotou o primeiro programa de trabalho da vertente digital do Mecanismo Interligar a Europa (MIE Digital), que define os objetivos das medidas apoiadas pela UE necessárias para melhorar as infraestruturas de conectividade digital da Europa num período de três anos. Estas medidas receberão mais de mil milhões de euros de financiamento entre 2021 e 2023. Ao promover o investimento público e privado, o MIE Digital contribuirá para implantar as infraestruturas a gigabits e 5G, equipar as principais vias de transporte e comunidades da UE com redes 5G, interligar tecnologias avançadas como os serviços de computação em nuvem e de comunicação quântica e, por último, criar plataformas digitais operacionais para o armazenamento, a partilha e o tratamento de dados dos setores da energia e dos transportes.

A Empresa Comum Redes e Serviços Inteligentes, cujo objetivo é preparar as redes 6G, foi criada em 2021 e adotou o seu primeiro programa de trabalho com um financiamento público de cerca de 240 milhões de euros. A empresa comum tem por missão reforçar a capacidade da UE em matéria de sistemas 6G.

Melhores condições para os consumidores

Na sequência da recomendação de 2020 apelando para um maior investimento na banda larga, os Estados-Membros chegaram a acordo, em março, sobre um conjunto comum de instrumentos de boas práticas da UE. Estes instrumentos visam reduzir o custo da implantação das redes de capacidade muito elevada e garantir um acesso ao espetro de radiofrequências 5G atempado, eficiente e favorável ao investimento.

As tarifas de itinerância (roaming) foram abolidas em 2017; desde então, os cidadãos podem utilizar o seu telemóvel sem custos adicionais quando viajam na UE. A fim de garantir que será possível continuar a usufruir da itinerância gratuita, a Comissão propôs, em fevereiro, prorrogar por mais 10 anos as regras em vigor, que de contrário expirariam em 2022. Em dezembro, o Parlamento e o Conselho adotaram o regulamento, que entrará em vigor em 1 de julho de 2022. As novas regras proporcionarão aos viajantes serviços de itinerância ainda mais eficientes. Os novos benefícios incluem o mesmo débito de dados móveis no estrangeiro que no país de origem, o acesso eficiente aos serviços de emergência no estrangeiro e maior transparência no que toca aos custos das linhas telefónicas diretas (hotlines) e dos números de atendimento ao cliente quando este se encontra no estrangeiro.

Proteger os consumidores nas operações em linha

Ao longo dos últimos 20 anos, registou-se um aumento constante das vendas em linha e, em 2020, 71 % dos consumidores fizeram compras em linha, adquirindo frequentemente novos produtos tecnológicos. Em junho, a Comissão Europeia propôs a revisão de dois conjuntos de regras da UE com o intuito de reforçar os direitos dos consumidores à luz destas alterações.

Se for adotado, o novo regulamento relativo à segurança geral dos produtos abordará os riscos relacionados com estes novos produtos tecnológicos, nomeadamente os eventuais riscos ligados à conectividade ou à cibersegurança. Terá igualmente em conta os eventuais riscos relacionados com as compras em linha, mediante, por exemplo, a introdução de obrigações relacionadas com a segurança dos produtos para os mercados em linha. O novo regulamento garantirá que os mercados cumprem estas obrigações, de modo que não possam ser oferecidos aos consumidores produtos perigosos e que eles não os comprem. A proposta visa, de um modo mais geral, garantir que todos os produtos que chegam aos consumidores da UE, quer sejam comprados em linha ou numa loja local, são seguros, independentemente de serem provenientes de dentro ou de fora da UE. No caso de haver produtos perigosos a chegar aos consumidores, as novas regras visam garantir a sua rápida retirada dos mercados da UE.

O objetivo da proposta de revisão da Diretiva Crédito aos Consumidores é assegurar que os consumidores recebem a informação certa no momento certo, em forma adaptada aos dispositivos digitais, para que compreendam exatamente o que estão a comprar. Se for adotada, a diretiva abrangerá novos produtos de crédito de risco e novos intervenientes no mercado e melhorará as regras que permitem avaliar se um consumidor tem ou não capacidade para reembolsar o empréstimo, inclusivamente quando essas avaliações são efetuadas de forma automatizada. A diretiva revista solicitará aos Estados-Membros que promovam a educação financeira e assegurem a disponibilização aos consumidores de aconselhamento em matéria de dívidas.

Em dezembro, a Comissão emitiu orientações sobre a interpretação e a aplicação de três diretivas da UE em matéria de direito do consumidor: a Diretiva relativa às práticas comerciais desleais, a Diretiva relativa aos direitos dos consumidores e a Diretiva relativa às indicações de preços. Estas orientações irão ajudar os Estados-Membros, os consumidores, os comerciantes, os juízes, os profissionais da justiça e outras partes interessadas a melhor compreender a forma de aplicar às novas práticas a legislação da UE em vigor em matéria de defesa do consumidor, em especial no que diz respeito às transições digital e ecológica, e as recentes alterações a estas diretivas introduzidas pela Diretiva Modernização.

Acabar com a frustração dos consumidores e os resíduos eletrónicos

CONSUMIDORES

2,4 mil milhões de EUR

gastos anualmente pelos consumidores em carregadores autónomos.

38 % dos consumidores

queixam-se de problemas devido a carregadores incompatíveis.

AMBIENTE

11 000 toneladas

anuais de resíduos eletrónicos provenientes de carregadores eliminados ou não utilizados.

Apenas 2 em cada 3 carregadores comprados

são utilizados pelos consumidores.

Após anos de trabalho com a indústria eletrónica numa abordagem voluntária, que já contribuiu para reduzir o número de tipos diferentes de carregadores de telemóveis de 30 para três, a Comissão propôs, em setembro, legislação que pretende introduzir um carregador comum para todos os dispositivos eletrónicos. O formato USB-C tornar-se-á o novo carregador normalizado para todos os telemóveis inteligentes, tabletes, câmaras, auscultadores, altifalantes portáteis e consolas de videojogos portáteis. Além disso, a Comissão propôs separar a venda de carregadores da venda de dispositivos eletrónicos. Uma solução única de carregamento será mais conveniente para todos e reduzirá os resíduos eletrónicos — um contributo importante tanto para a transição digital como para a transição ecológica.

CONSUMIDORES

Ajudar os consumidores a poupar

250 milhões de EUR

por ano em compras desnecessárias de carregadores.

AMBIENTE

Reduzir os resíduos eletrónicos em quase

1 000 toneladas

por ano.

Competências para a era digital

Em maio, a Comissão, juntamente com vários parceiros nos Estados-Membros, lançou a Plataforma para as competências e o emprego na área digital, um balcão único que congrega informação de alta qualidade, iniciativas e recursos sobre competências digitais. Numa altura em que 44 % das pessoas na UE carecem de competências digitais básicas, a nova plataforma ajudará a colmatar o défice de competências e a reforçar a Coligação para a Criação de Competências e Emprego na Área Digital e as suas 25 coligações nacionais. Em novembro, a Comissão publicou uma ferramenta de autoavaliação gratuita para as competências digitais, em 29 línguas.

Digitalização da indústria

Para reforçar a posição da UE na construção da próxima geração de microcircuitos, a Comissão lançou, em julho, a Aliança Industrial para os Processadores e as Tecnologias de Semicondutores. Esta aliança visa criar a capacidade de conceção e de fabrico necessária para produzir a próxima geração de processadores e componentes eletrónicos. O objetivo é identificar e dar resposta aos pontos de estrangulamento, necessidades e dependências que afetam atualmente toda a indústria. O motivo que presidiu à criação da aliança foi a ambição da Comissão de melhorar a soberania tecnológica da UE, aumentando a sua quota na produção mundial de semicondutores de 10 % para 20 % até 2030. No seu discurso sobre o estado da União Europeia, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, anunciou uma lei europeia sobre os circuitos integrados que visa criar um ecossistema europeu de circuitos integrados de vanguarda que inclua a produção. A proposta foi adotada no início de 2022.

Transformação digital

Inteligência artificial

A inteligência artificial, na qual se incluem as mais recentes técnicas de aprendizagem automática, é utilizada para criar inovações numa grande variedade de domínios, o que permite melhorar os serviços, os cuidados médicos e os bens de consumo ao nosso dispor. No entanto, as pessoas na UE precisam de ter a certeza de que os sistemas de inteligência artificial são utilizados de forma segura e cumprem a legislação. Embora esses sistemas possam ser utilizados para resolver muitos dos desafios que a sociedade atualmente enfrenta, alguns acarretam riscos que têm de ser devidamente avaliados para evitar resultados indesejáveis. Por exemplo, muitas vezes não é possível descobrir por que razão ou de que forma um sistema de inteligência artificial gerou um determinado resultado, como uma decisão automatizada ou uma previsão. Assim sendo, pode ser difícil avaliar se alguém foi injustamente desfavorecido, por exemplo numa decisão de contratação ou na atribuição de prestações de segurança social.

Para fazer face a estes e a outros desafios, a Comissão publicou, em abril, a sua proposta para o primeiro quadro jurídico mundial em matéria de inteligência artificial, acompanhada de um plano coordenado atualizado com os Estados-Membros. Ambas as iniciativas visam transformar a UE na plataforma mundial para uma inteligência artificial excelente e fiável. As novas regras aplicáveis às máquinas complementarão esta abordagem, adaptando as regras de segurança, a fim de aumentar a confiança dos utilizadores na nova geração de produtos, mais versátil. O novo Regulamento relativo à segurança geral dos produtos, se vier a ser adotado, complementará estas regras com uma «rede de segurança».

O novo Regulamento Inteligência Artificial ajudará a garantir a segurança e os direitos fundamentais das pessoas e das empresas e, simultaneamente, reforçará a adoção das tecnologias em toda a UE, assim como o investimento e a inovação neste contexto. A proposta estabelece uma abordagem baseada no risco, recomendando requisitos mais rigorosos para os sistemas de inteligência artificial que apresentam maiores riscos.

O Plano Coordenado descreve as mudanças nas políticas e o investimento necessários ao nível dos Estados-Membros para reforçar a posição de liderança da UE no desenvolvimento de uma inteligência artificial centrada no ser humano, sustentável, segura, inclusiva e fiável. O plano propõe ações colaborativas conjuntas para assegurar que todos os esforços estão em consonância com a Estratégia europeia para a inteligência artificial e o Pacto Ecológico Europeu, tendo simultaneamente em conta os novos desafios decorrentes da pandemia de COVID-19.

Uma sala de operações.
O projeto Conscious Distributed Adaptive Control (no domínio da inteligência artificial) contribuiu para o desenvolvimento e a validação clínica de tecnologias inovadoras utilizadas para reabilitar mais de 3 000 doentes vítimas de acidente vascular cerebral em toda a Europa.
Uma cultura num campo.
O Centro de Excelência para Tecnologias Avançadas na Agricultura Sustentável e a Segurança Alimentar está a desenvolver tecnologias de sensores inteligentes e de grandes volumes de dados que poderão ajudar os agricultores a produzir mais alimentos de uma forma que seja sustentável para a sociedade, para os rendimentos dos agricultores e para o ambiente.
Uma mulher a olhar para o telemóvel.
O projeto WeVerify disponibiliza sistemas de verificação que podem ajudar os verificadores de factos, os jornalistas, os ativistas dos direitos humanos e os cidadãos a desmentir notícias falsas e a verificar factos em linha.

A UE já financiou uma série de projetos de inteligência artificial e ofereceu soluções em muitas áreas da sociedade, incluindo a agricultura, os cuidados de saúde e o combate à desinformação.

Aliança Europeia no domínio dos Dados Industriais, da Computação Periférica e da Computação em Nuvem

Os dados são um recurso importante na economia industrial e cada vez mais estão a ser armazenados na nuvem. As empresas podem aceder a recursos informáticos alojados por terceiros na Internet, em vez de construírem a sua própria infraestrutura informática. Este conjunto de recursos é geralmente conhecido por computação em nuvem. Em 2021, 42 % das empresas da UE utilizaram a computação em nuvem (em comparação com 36 % em 2020 e 19 % em 2016). Prevê-se que, até 2025, 80 % de todos os dados sejam tratados em dispositivos inteligentes mais próximos do utilizador — conhecidos como computação periférica — em vez de em grandes centros de dados como hoje.

Por estas razões, a nova Aliança Europeia no domínio dos Dados Industriais, da Computação Periférica e da Computação em Nuvem visa reforçar a posição da indústria da UE no domínio das tecnologias de computação em nuvem e periférica, reunindo, para o efeito, empresas, Estados-Membros e peritos neste domínio. A aliança ajudará a desbloquear o poder da computação em nuvem e da computação periférica e apoiará o desenvolvimento de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, a Internet das coisas e a tecnologia 5G, ao mesmo tempo que proporcionará uma infraestrutura de computação em nuvem sustentável e garantirá às pessoas na UE um maior controlo sobre os seus dados pessoais.

Esta infografia mostra como o processamento de dados se vai alterar.

Em 2018, 80 por cento do tratamento e da análise de dados ocorreram em centros de dados e instalações de computação centralizadas, e 20 por cento em objetos inteligentes conectados. Em 2025, 20 por cento do tratamento e da análise de dados ocorrerão em centros de dados e instalações de computação centralizadas, e 80 por cento em objetos inteligentes conectados.

Supercomputadores

Com a produção constante de cada vez maiores quantidades de dados, a natureza da computação está a mudar. Atualmente, os supercomputadores podem realizar milhares de biliões (15 zeros) — e, em breve, triliões (18 zeros) — de operações por segundo e estão a ajudar a resolver problemas complexos, que vão desde a análise e atenuação dos efeitos das alterações climáticas e o reforço dos conhecimentos em vários domínios científicos até ao desenvolvimento de tratamentos para a COVID-19.

A fim de permitir à UE tornar-se líder mundial no domínio da supercomputação, foi criada, em 2018, a Empresa Comum para a Computação Europeia de Alto Desempenho, com o intuito de reunir os recursos europeus e nacionais necessários para adquirir e instalar supercomputadores e tecnologias de topo de gama. Esta iniciativa reúne a UE, os 27 Estados-Membros, três outros países e dois membros do setor privado: a Plataforma Tecnológica Europeia para a Computação de Alto Desempenho e a DAIRO (Data, AI and Robotics)/Big Data Value Association.

Em julho de 2021, a UE adotou um novo regulamento que abre caminho ao desenvolvimento da próxima geração de supercomputadores na Europa, além de aumentar a capacidade da empresa comum para mobilizar fundos do Horizonte Europa, do Programa Europa Digital e do MIE Digital, a fim de aumentar o investimento na supercomputação e na computação quântica e de apoiar a ambiciosa agenda de investigação e inovação da UE. Somado aos investimentos dos países participantes e dos membros do setor privado, este investimento ascenderá a cerca de 7 mil milhões de euros.

A UE adquiriu sete supercomputadores de craveira mundial. O Discoverer, na Bulgária, o MeluXina, no Luxemburgo, e o Vega, na Eslovénia, ficaram plenamente operacionais em 2021; seguir-se-ão, em 2022, as inaugurações do Karolina, na Chéquia, do Leonardo, em Itália, do Deucalion, em Portugal, e do LUMI, na Finlândia.

Grande plano de um supercomputador com o logótipo Vega.
O Vega, o primeiro supercomputador de craveira mundial da UE, lançado em Maribor, na Eslovénia, em abril de 2021, pode efetuar 6,9 mil biliões de cálculos por segundo. © IZUM archive, 2021

Financiamento digital

Em 2021, a Comissão conseguiu, juntamente com os colegisladores, avançar nos dossiês dos mercados de criptoativos e do regulamento relativo à resiliência operacional digital, que a Comissão tinha proposto em setembro de 2020 no âmbito do seu pacote de financiamento digital. Além disso, em dezembro, os Estados-Membros aprovaram o acordo alcançado com o Parlamento sobre um regime-piloto para as infraestruturas de mercado baseadas na tecnologia de registo distribuído (DLT — Distributed Ledger Technology). Os criptoativos são uma das principais aplicações desta tecnologia no setor financeiro. O regime-piloto estabelece as condições para a obtenção de uma autorização para explorar uma infraestrutura de mercado baseada na DLT, define quais são os instrumentos financeiros baseados nesta tecnologia que podem ser negociados e especifica a cooperação entre os operadores da infraestrutura de mercado baseada na DLT e as autoridades. Este regime-piloto irá permitir aos reguladores da UE e aos participantes no mercado adquirir experiência com a tecnologia DLT (ou seja, a tecnologia que é utilizada para a negociação e liquidação de instrumentos financeiros «tokenizados») e garantir-lhes-á que podem gerir os riscos ligados à proteção dos investidores, à integridade do mercado e à estabilidade financeira.

Conectividade internacional

O cabo transatlântico EllaLink, que liga Sines, em Portugal, a Fortaleza, no Brasil, é a primeira ligação de dados direta e de elevada capacidade entre a Europa e a América Latina. A UE ajudou a criar uma autoestrada digital de 34 000 km para facilitar o intercâmbio de dados sobre investigação e educação e, ao mesmo tempo, reduzir para metade o tempo da operação. Este marco importante é o ponto de partida para promover mais colaborações entre os dois continentes ao longo dos próximos 25 anos. A nível mundial, a iniciativa «Building the Europe Link with Latin America», que permite a partilha de dados de computação de alto desempenho e de dados de observação da Terra, irá chegar a 65 milhões de utilizadores em mais de 12 000 instituições de ensino e investigação na Europa, na América Latina e nas Caraíbas.

Um casal com uma criança pequena; os três cheiram uma flor num parque.

Proteger as pessoas e as liberdades

Uma União Europeia mais saudável

A pandemia de COVID-19 deu lugar de destaque à saúde pública na agenda da UE. Em setembro de 2020, a presidente Ursula von der Leyen anunciou a intenção de construir uma União Europeia da Saúde mais forte, e a Comissão Europeia lançou já as bases necessárias para o efeito, tirando partido do que aprendeu com a pandemia.

Preparar e dar resposta às crises sanitárias

O primeiro pilar da União Europeia da Saúde é a preparação e a resposta a situações de crise. A legislação da UE sobre as ameaças transfronteiriças para a saúde está a ser revista, a fim de ter em conta os ensinamentos retirados da pandemia de COVID-19. A Agência Europeia de Medicamentos e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, que foram autênticos baluartes na luta contra a COVID-19, vão ter um mandato reforçado, para poderem responder a futuras situações de emergência. Pretende-se que estas importantes agências de saúde da UE prestem mais aconselhamento científico e assegurem uma maior coordenação em situações de emergência. Reduzir-se-á o risco de escassez de medicamentos graças a um melhor acompanhamento e a mais preparação. Se as propostas da Comissão forem aprovadas, será possível declarar uma emergência de saúde pública ao nível da UE quando as circunstâncias o exigirem, o que permitirá introduzir determinadas medidas para uma resposta mais enérgica.

Embora a pandemia de COVID-19 ainda não tenha terminado, a UE tem de estar preparada para futuras ameaças transfronteiriças para a saúde. Em junho, a Comissão Europeia apresentou uma comunicação sobre as primeiras lições da pandemia, e o seu contributo para melhorar a ação a nível nacional e à escala da UE. Isto permitirá antecipar de melhor forma os riscos para a saúde pública e melhorar o planeamento das medidas de emergência, o que levará a uma capacidade de resposta conjunta mais rápida e mais eficaz a todos os níveis. A comunicação centra-se na preparação e na resposta no domínio da saúde e baseia-se nas 10 primeiras lições desta crise sanitária, em função das quais a UE deve agir.

Este vídeo explica como a preparação e a resposta a emergências da União Europeia foram alteradas desde o início da pandemia de COVID-19.
VÍDEO A Autoridade Europeia de Preparação e Resposta a Emergências Sanitárias.

No âmbito da sua resposta, a Comissão criou a Autoridade Europeia de Preparação e Resposta a Emergências Sanitárias (HERA). Elemento central da União Europeia da Saúde, a HERA terá dois modos de funcionamento diferentes: um modo de preparação e um modo de emergência. Em geral, esta autoridade contribuirá para melhorar o desenvolvimento, o fabrico, a aquisição e a distribuição de contramedidas médicas essenciais (tais como vacinas, antibióticos, equipamento médico, testes de diagnóstico e equipamento de proteção individual) na UE.

O pacote relativo à criação da HERA foi adotado em 16 de setembro. A autoridade iniciou as suas funções em 1 de outubro, com base nos alicerces estabelecidos pela incubadora HERA, que arrancou em fevereiro de 2021 com o objetivo de preparar a UE perante a ameaça crescente das novas variantes do coronavírus. A HERA, cujo orçamento total indicativo ascende a 6 mil milhões de euros para o período de 2022 a 2027, funciona desde 1 de janeiro de 2022.

Enquanto estiver em modo de preparação, os trabalhos da HERA destinar-se-ão a avaliar ameaças e recolher informações, promover a investigação e o desenvolvimento, dar resposta aos desafios do mercado, garantir o fornecimento de equipamento médico e reforçar os conhecimentos e as competências.

As medidas de emergência da HERA incluem o acompanhamento, o abastecimento, a aquisição e o fabrico das contramedidas médicas necessárias numa situação de crise, a ativação do mecanismo EU FAB (uma rede de capacidades de produção de vacinas e medicamentos sempre disponíveis), a ativação de planos de investigação e inovação de emergência, a elaboração de um inventário das instalações de produção de contramedidas médicas relevantes para situações de crise e a facilitação de financiamento de emergência.

A autoridade será responsável por diversas atividades a nível internacional: colaborar com parceiros mundiais para resolver os estrangulamentos da cadeia de abastecimento internacional, expandir a capacidade de produção mundial, reforçar a vigilância mundial e facilitar a cooperação com as partes interessadas a nível mundial e o apoio a estas, para garantir a disponibilidade e a acessibilidade de contramedidas médicas nos Estados-Membros da UE e em países terceiros. As medidas incluem ainda a acumulação de conhecimentos especializados que permitam desenvolver capacidades locais de fabrico e distribuição e o apoio a contramedidas médicas financiadas ou adjudicadas pela UE.

A HERA colabora com os Estados-Membros, o Parlamento Europeu, as agências da UE e diversos intervenientes — investigadores, empresas biotecnológicas, fabricantes e entidades reguladoras — para detetar e caracterizar rapidamente novas variantes, adaptar as vacinas sempre que necessário e aumentar as capacidades de produção de contramedidas médicas. Por exemplo, recorreu ao grupo de peritos europeu sobre variantes de SARS-CoV-2 para aconselhamento sobre a necessidade de produzir vacinas novas ou adaptadas e de elaborar medidas adicionais de saúde pública ao nível da UE devido ao aparecimento de novas variantes. A autoridade tem mantido contactos estreitos com os Estados-Membros e os produtores de vacinas, que começaram a analisar a variante Ómicron e a testar a eficácia das suas vacinas contra esta. A HERA mantém ainda contactos com países terceiros para explorar domínios de cooperação e de intercâmbio.

Plano europeu de luta contra o cancro

O segundo pilar da União Europeia da Saúde combate a segunda maior causa de morte na UE. Em 2020, 2,7 milhões de pessoas na UE foram diagnosticadas com cancro, uma doença com graves consequências físicas e mentais para os doentes, os sobreviventes e os seus entes queridos. O cancro representa ainda um encargo considerável para os sistemas de saúde e segurança social e compromete o crescimento e a competitividade da economia, bem como a saúde dos trabalhadores. No entanto, 40 % dos cancros são evitáveis, pois ou estão relacionados com o estilo de vida (regime alimentar, atividade física, consumo de álcool e tabaco, etc.) ou a poluição ambiental, ou existem vacinas contra eles.

O plano europeu de luta contra o cancro, adotado em fevereiro de 2021, visa combater a doença em todas as fases, integrando a saúde em todas as políticas e envolvendo uma pluralidade de interessados. Assenta em 10 iniciativas emblemáticas para realizar progressos — ao nível da prevenção, da deteção precoce, do diagnóstico e tratamento e da qualidade de vida dos doentes e sobreviventes do cancro — e, ao mesmo tempo, garantir a todos os doentes um acesso equitativo a cuidados de saúde de elevada qualidade.

Stella Kyriakides, com o laço cor de rosa da luta contra o cancro da mama na lapela, olha para além da câmara.
Stella Kyriakides, comissária responsável pela Saúde e Segurança dos Alimentos, por ocasião de uma visita ao centro de investigação de oncologia pediátrica St Anna Kinderkrebsforschung, em Viena, Áustria, 1 de outubro de 2021.

No âmbito do programa Horizonte Europa, a missão da UE contra o cancro — uma das cinco novas missões da UE anunciadas em setembro de 2021 — funcionará em coordenação com o plano europeu de luta contra o cancro para melhorar a vida de mais de três milhões de pessoas até 2030, graças a uma melhor prevenção, a tratamentos mais eficazes e a uma maior qualidade de vida. Globalmente, o programa UE pela Saúde e outros instrumentos da UE darão um importante contributo financeiro de cerca de 4 mil milhões de euros aos Estados-Membros e às partes interessadas, para tornar os seus sistemas de saúde mais robustos e melhorar a prevenção do cancro e os cuidados oncológicos.

A infografia apresenta algumas das principais ações do plano europeu de luta contra o cancro.

As ações principais incidem na prevenção, no diagnóstico, no tratamento e na qualidade de vida. Visam reduzir a poluição ambiental e o consumo nocivo de álcool e tabaco, promover um estilo de vida mais saudável, garantir o acesso ao rastreio do cancro da mama, do colo do útero e colorretal a 90 por cento da população elegível da União Europeia até 2025, vacinar pelo menos 90 por cento das raparigas na União Europeia contra o vírus do papiloma humano e aumentar significativamente a vacinação dos rapazes até 2030, bem como garantir o acesso a centros nacionais integrados de oncologia a 90 por cento dos doentes elegíveis até 2030. Isto foi possível graças a 4 mil milhões de euros de financiamento. Graças a progressos alcançados em matéria de deteção precoce, terapias eficazes e cuidados de apoio, há mais de 12 milhões de sobreviventes de cancro na União Europeia.

Estratégia farmacêutica para a Europa

A estratégia farmacêutica para a Europa, lançada em 2020, constitui o terceiro pilar e representa uma remodelação total dos sistemas farmacêuticos da UE. Dará resposta aos desafios com que os sistemas farmacêuticos da UE há muito se deparam, promoverá a inovação (inclusive necessidades médicas ainda sem resposta) e assegurará a disponibilidade de medicamentos, tanto em situações de crise como em circunstâncias normais. As suas ações emblemáticas incluem uma revisão da legislação farmacêutica da UE e o diálogo estruturado sobre a segurança do aprovisionamento de medicamentos. Este último processo teve início em fevereiro de 2021 e tem por objetivo identificar as medidas estratégicas que reforçarão a capacidade de resistência das cadeias de aprovisionamento de produtos farmacêuticos e garantirão o fornecimento de medicamentos.

A Comissão está a investir mais do que nunca nestas prioridades urgentes no domínio da saúde. O novo Programa UE pela Saúde, lançado em março, é a resposta ambiciosa da UE à pandemia de COVID-19. Vai além da resposta a situações de crise e visa melhorar e promover a saúde na UE, reforçar os sistemas nacionais de saúde e melhorar o acesso a medicamentos, dispositivos médicos e produtos necessários em situações de crise.

Com o programa UE pela Saúde, a UE vai investir 5,3 mil milhões de EUR a preços correntes em ações com valor acrescentado ao nível da UE, complementando as políticas dos Estados-Membros e prosseguindo um ou vários objetivos do programa.

Melhorar e promover a saúde na UE.

Proteger os cidadãos da UE de ameaças sanitárias transfronteiras graves.

Melhorar os medicamentos, os dispositivos médicos e os produtos importantes em situações de crise.

Reforçar os sistemas de saúde.

Reforçar a nossa democracia

O debate democrático e as formas de acesso das pessoas à informação transformaram-se nos últimos anos e fazem-se cada vez mais através da Internet. Nunca como agora houve tantos cidadãos na UE a exercer os seus direitos democráticos de voto e de elegibilidade nas eleições para o Parlamento Europeu e nas eleições autárquicas do seu Estado-Membro de residência. Além disso, a propaganda de teor político tem vindo a ganhar importância nas campanhas na UE. Para refletir esta nova realidade e reforçar a democracia e a integridade das eleições, a Comissão apresentou, em novembro, novas propostas relativas a anúncios de teor político, aos direitos eleitorais dos cidadãos da UE que exerceram o seu direito à livre circulação e ao financiamento dos partidos políticos europeus.

As propostas baseiam-se na experiência adquirida nas eleições de 2019 para o Parlamento Europeu e concretizam as prioridades anunciadas no Plano de Ação para a Democracia Europeia e no relatório de 2020 sobre a cidadania da UE. Para que as eleições de 2024 para o Parlamento Europeu se possam realizar de acordo com os mais elevados padrões democráticos, há que velar por que as novas regras entrem em vigor e sejam plenamente aplicadas pelos Estados-Membros até à primavera de 2023.

Propaganda de teor político

A comunicação digital e a Internet oferecem inúmeras oportunidades para que os políticos cheguem aos cidadãos e para que estes participem no debate democrático. No entanto, a experiência em eleições recentes mostra que a digitalização e a propaganda em linha podem por vezes ser utilizadas para manipular e desinformar (ver também o capítulo 1 sobre a ação contra a desinformação).

Em novembro, a Comissão propôs legislação para garantir uma maior transparência na propaganda política. Os requisitos de transparência harmonizados incluirão a prestação das informações necessárias para que os cidadãos, as autoridades competentes e outras partes interessadas possam identificar claramente um anúncio de teor político, bem como determinar a origem da mensagem política e quem a financiou. As técnicas de direcionamento e amplificação só serão autorizadas se respeitarem requisitos de transparência válidos. Desta forma, as pessoas poderão determinar se e de que forma são alvo de propaganda política e decidir se a querem ou não receber.

A proposta complementará as regras estabelecidas pela Comissão na proposta de ato legislativo sobre os serviços digitais, a fim de estabelecer as regras aplicáveis com antecedência suficiente em relação às eleições para o Parlamento Europeu de maio de 2024.

Liberdade dos meios de comunicação social

908 jornalistas e profissionais da comunicação social foram atacados em 23 Estados-Membros em 2020.

175 jornalistas e profissionais da comunicação social foram vítimas de agressões ou incidentes durante os protestos na UE em 2020.

73 % das mulheres jornalistas foram vítimas de violência em linha em 2020.

23 jornalistas foram assassinados na UE desde 1992, tendo a maioria dos assassinatos ocorrido nos últimos seis anos.

A liberdade dos meios de comunicação social é fundamental para o bom funcionamento da democracia. Dando continuidade ao Plano de Ação para a Democracia Europeia, a UE está a tomar medidas para preservar a liberdade dos meios de comunicação social e combater as ameaças que os põem em risco. Em setembro, a Comissão apresentou uma recomendação sobre a segurança dos jornalistas, que dá orientações aos Estados-Membros sobre como melhorar a segurança física e em linha dos jornalistas e profissionais dos meios de comunicação social. A recomendação destaca as novas ameaças em linha, em especial contra as mulheres jornalistas e aqueles que representam minorias ou relatam a situação destas.

Uma nova iniciativa consistirá na proteção dos jornalistas e dos defensores de direitos contra a litigância de má-fé que visa dissuadi-los de se envolverem em questões de interesse público. Em outubro, a Comissão lançou uma consulta pública para identificar os problemas neste domínio e auscultar opiniões sobre o que urge fazer. A Comissão deverá apresentar uma proposta de iniciativa da UE sobre esta questão em 2022. A UE financia também projetos sobre a liberdade e o pluralismo dos meios de comunicação. O Euromedia Ownership Monitor é um desses projetos: foi lançado em setembro de 2021 para criar uma base de dados com informações por país sobre a propriedade dos meios de comunicação social, avaliar os quadros jurídicos aplicáveis e identificar eventuais riscos de transparência neste domínio.

A Comissão pôs ainda em prática as medidas descritas no Plano de Ação para os Meios de Comunicação Social. Por exemplo, no verão, a Comissão lançou um convite à apresentação de propostas para parcerias europeias de jornalismo no âmbito do programa Europa Criativa. A Comissão preparou igualmente as próximas etapas depois de a presidente von der Leyen anunciar, no seu discurso sobre o estado da União de 2021, que a lei europeia sobre a liberdade dos meios de comunicação social será adotada em 2022.

Em paralelo, a Comissão continuou a acompanhar a situação da liberdade e do pluralismo dos meios de comunicação social em todos os Estados-Membros no âmbito do seu relatório anual sobre o Estado de direito.

Preservar o Estado de direito

Em julho, a Comissão publicou o segundo relatório anual sobre o Estado de direito na UE, que inclui capítulos específicos relativos a cada Estado-Membro. O relatório sobre o Estado de direito é concebido como um ciclo anual para promover o Estado de direito, prevenir a ocorrência de problemas ou o seu agravamento e dar-lhes resposta. O relatório está organizado em torno de quatro pilares principais: sistemas judiciais nacionais; quadros de combate à corrupção; pluralismo e liberdade dos meios de comunicação social; e outras questões institucionais relacionadas com os equilíbrios de poderes essenciais para o bom funcionamento da democracia.

Esta edição de 2021 dá conta da evolução registada desde o último relatório e tem em conta o impacto da pandemia de COVID-19. Globalmente, o relatório revela um grande número de desenvolvimentos positivos nos Estados-Membros da UE, nomeadamente nos domínios em que estão a ser dirimidas as dificuldades identificadas no relatório de 2020.

No entanto, subsistem preocupações em alguns Estados-Membros, por exemplo no que diz respeito à independência do poder judicial e à situação dos meios de comunicação social. Esta pandemia mostrou igualmente como é importante conseguir manter um sistema de equilíbrio de poderes, que contribui para consolidar o Estado de direito.

A Comissão continuou também a exercer o seu papel de guardiã dos Tratados através da instauração de processos por infração. Em abril, a Comissão intentou uma ação contra a Polónia no Tribunal de Justiça, referente à lei de 2019 aplicável ao sistema judicial e à continuação das atividades da Secção Disciplinar do Supremo Tribunal nos processos disciplinares contra juízes. A Comissão solicitou igualmente ao Tribunal de Justiça que ordenasse medidas provisórias, que foram autorizadas pelo Tribunal em 14 de julho.

Em setembro, a Comissão solicitou ao Tribunal de Justiça que aplicasse sanções financeiras diárias à Polónia enquanto as medidas provisórias ordenadas pelo Tribunal em 14 de julho não fossem aplicadas na íntegra. Em 27 de outubro, o Tribunal ordenou o pagamento de uma sanção pecuniária diária de um milhão de euros por incumprimento.

No contexto de outro processo por infração, a Comissão enviou igualmente à Polónia uma carta de notificação para cumprir nos termos do artigo 260.o, n.o 2, do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, pela não adoção das medidas necessárias para dar pleno cumprimento ao acórdão do Tribunal de Justiça de 15 de julho de 2021, que considerou que a legislação polaca relativa ao regime disciplinar aplicável aos juízes não é compatível com o direito da União. A resposta está a ser objeto de uma análise exaustiva antes de se tomar uma decisão quanto às medidas a adotar.

Em julho, a Comissão deu início a processos por infração contra a Hungria relacionados com a proteção dos direitos fundamentais e o princípio da não discriminação (ver também o capítulo 7).

Para além dos processos por infração, que incidem em violações específicas do direito da UE, o artigo 7.o do Tratado da União Europeia prevê o procedimento mais geral para defender os valores comuns da União, incluindo o Estado de direito. O Conselho continua a analisar dois procedimentos, intentados pela Comissão contra a Polónia em 2017 e pelo Parlamento Europeu contra a Hungria em 2018, com vista a determinar a existência de um risco manifesto de violação grave dos valores da União. A Comissão informou o Conselho sobre a mais recente evolução nos domínios abrangidos pelas propostas fundamentadas tanto em 2020 como em 2021.

Proteger o orçamento da União Europeia

O regulamento de 2020 relativo a um regime geral de condicionalidade para a proteção do orçamento da União garante que esta está mais bem preparada para lidar com violações dos princípios do Estado de direito que afetam o orçamento da União. Em conjunto com os outros instrumentos já em vigor, garante que cada euro vai para onde é necessário e cria valor acrescentado para os cidadãos.

Desde a entrada em vigor do regulamento, em janeiro de 2021, a Comissão tem acompanhado a situação em todos os Estados-Membros e recolhido informações. O relatório da Comissão sobre o Estado de direito é uma das fontes de informação a que a Comissão pode recorrer para identificar e avaliar as violações dos princípios do Estado de direito nos termos do regulamento. A análise da Comissão tem igualmente em conta as decisões do Tribunal de Justiça, os relatórios do Tribunal de Contas Europeu e as conclusões de organizações internacionais pertinentes. A Comissão está a elaborar um conjunto de orientações para esclarecer diversos elementos relacionados com o funcionamento do regulamento.

Dialogar com os cidadãos

Em outubro, o Parlamento e o Conselho aprovaram uma alteração ao Regulamento Aarhus que reforçará a capacidade da sociedade civil europeia e possibilitará que um público mais vasto exerça o escrutínio das decisões que afetam o ambiente. As organizações da sociedade civil podem solicitar às instituições da UE que revejam as suas medidas, a fim de assegurar uma melhor proteção do ambiente e uma ação climática mais eficaz.

Em 2021, a Comissão respondeu a duas iniciativas de cidadania europeia, cada uma das quais apoiada por mais de um milhão de cidadãos da UE. A Comissão definiu já medidas de acompanhamento não legislativas em resposta à iniciativa «Minority SafePack» relativa à diversidade cultural e linguística e, no que respeita à iniciativa «End the Cage Age», anunciou a sua intenção de apresentar uma proposta para a eliminação gradual das gaiolas de determinados animais de exploração antes de 2024. No seguimento da iniciativa de 2014 «Right2Water», a diretiva revista relativa à qualidade da água destinada ao consumo humano entrou em vigor em janeiro; por sua vez, o regulamento relativo à transparência e sustentabilidade do sistema da UE de avaliação de risco na cadeia alimentar entrou em vigor em março, em resposta à iniciativa de 2017 «Proibição do glifosato». Em 2021, foram registadas 11 novas iniciativas.

A Comissão lançou 116 consultas públicas em 2021 e recebeu 757 315 reações, bem como 104 771 respostas a outras oportunidades de apresentar observações (por exemplo, roteiros e projetos de atos legislativos). A Comissão respondeu ainda às 283 sugestões recebidas até à data sobre o portal Dê a sua opinião: Simplificar!. A Plataforma Rumo ao Futuro, que consiste num grupo de peritos de alto nível, tem em conta as sugestões pertinentes ao elaborar o seu programa de trabalho anual. Este grupo é composto por representantes das autoridades nacionais, regionais e locais dos Estados-Membros, do Comité Económico e Social Europeu, do Comité das Regiões Europeu e de partes interessadas que representam organizações empresariais e não governamentais. A rede de representantes nacionais das PME dá o seu contributo e está representada nas reuniões do grupo.

Migração e asilo

Em setembro, a Comissão adotou o seu primeiro relatório intercalar sobre o novo pacto em matéria de migração e asilo, um ano após a sua adoção em setembro de 2020. Tal como assinalou, enquanto não houver uma reforma global do sistema de asilo e migração da UE, esta continuará mais vulnerável e menos preparada para reagir à evolução das circunstâncias.

Em fevereiro, a Comissão apresentou ao Conselho a sua primeira avaliação factual sobre cooperação com os países parceiros em matéria de readmissão, tal como previsto no Código de Vistos revisto e em consonância com a abordagem abrangente relativa à política de migração delineada no novo pacto em matéria de migração e asilo. Esta primeira avaliação foi acompanhada de uma comunicação sobre a forma como a UE pretende reforçar a cooperação em matéria de regresso e de readmissão.

Em abril de 2021, a Comissão adotou a sua primeira estratégia da UE sobre o regresso voluntário e a reintegração, que tem por objetivo aumentar o número de regressos voluntários e contribuir para um regresso digno e com humanidade, bem como melhorar a cooperação com os países parceiros em matéria de readmissão. A reintegração ajudará os repatriados dos Estados-Membros da UE e de países terceiros a aproveitar oportunidades no seu país de origem, a contribuir para o desenvolvimento da sua comunidade e a aumentar a confiança no sistema de migração.

A estratégia apresenta instrumentos e orientações para tornar os regressos mais sustentáveis através de uma maior cooperação nos países parceiros. A par da estratégia, a Comissão publicou o quadro da UE para o aconselhamento em matéria de regresso, e um instrumento de assistência à reintegração, que define os requisitos para o desenvolvimento (nos Estados-Membros) de estruturas de aconselhamento em matéria de regresso, por exemplo, os recursos humanos necessários e o respetivo financiamento, bem como a utilização do instrumento de consulta, para garantir um fluxo seguro de informações entre os conselheiros em matéria de regresso e os serviços de reintegração.

Na sequência das tentativas da Bielorrússia para desestabilizar a UE e os seus Estados-Membros facilitando a migração irregular e da sua decisão de suspender o Acordo UE-Bielorrússia sobre readmissão, a Comissão propôs a suspensão, em setembro, de determinadas disposições do acordo com a Bielorrússia sobre a facilitação da emissão de vistos, aplicável apenas aos funcionários do regime bielorrusso e não aos cidadãos comuns. O Conselho aprovou a proposta da Comissão em novembro.

Depois de analisar as necessidades financeiras e operacionais da Letónia, da Lituânia e da Polónia, a Comissão vai disponibilizar mais 200 milhões de euros para a gestão das fronteiras, precisamente para dar resposta à instrumentalização dos migrantes patrocinada por Estados na fronteira externa da UE. Em paralelo, intensificou o diálogo com determinados países terceiros, a fim de os alertar para a situação e velar por que atuem para impedir que os seus cidadãos nacionais caiam na armadilha montada pelas autoridades bielorrussas.

As atividades da Comissão e do alto representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Josep Borrell, foram apresentadas na comunicação conjunta «Resposta à instrumentalização dos migrantes patrocinada por Estados na fronteira externa da UE», adotada em 23 de novembro.

Em 1 de dezembro, a Comissão apresentou uma proposta para que os Estados-Membros da UE mais afetados possam adaptar temporariamente os seus sistemas de asilo às novas realidades. Para ajudar as pessoas vulneráveis retidas na Bielorrússia, a Comissão afetara 700 000 euros de financiamento humanitário até ao final do ano e está pronta a disponibilizar fundos adicionais. A UE mobilizará igualmente até 3,5 milhões de euros no total para apoiar os regressos voluntários da Bielorrússia. Por seu turno, o pessoal das agências da UE, entre as quais a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, a Agência da União Europeia para o Asilo (ex-Gabinete Europeu de Apoio em matéria de Asilo) e a Agência da União Europeia para a Cooperação Policial, está pronto para ser destacado para as fronteiras externas e auxiliar os Estados-Membros da UE em caso de necessidade, estando já operacional nos Estados-Membros em questão. No intuito de estabelecer um quadro permanente, a Comissão adotou, em 14 de dezembro, uma proposta de alteração do Código das Fronteiras Schengen, a par de uma proposta de regulamento relativo à resposta a situações de instrumentalização.

Luta contra o tráfico de seres humanos

A infografia apresenta informação sobre o tráfico de seres humanos.

72 por cento das vítimas de tráfico são mulheres e raparigas e 23 por cento são homens e rapazes, sendo o sexo das vítimas desconhecido em 5 por cento dos casos. Cerca de metade das vítimas são cidadãos da União Europeia. 60 por cento das vítimas são traficadas para exploração sexual e 15 por cento são traficadas para fins de exploração laboral.

Em abril, a Comissão adotou a estratégia da UE em matéria de luta contra o tráfico de seres humanos, cuja abordagem abrangente se estende a todas as áreas: da prevenção e proteção das vítimas às ações penais e à condenação dos traficantes. A estratégia inclui iniciativas jurídicas, políticas e operacionais em quatro domínios: reduzir a procura que fomenta o tráfico de todas as formas de exploração; desmantelar o modelo de negócios dos traficantes; proteger, apoiar e capacitar as vítimas, sobretudo as mulheres e as crianças; e a dimensão internacional. A nova coordenadora da luta antitráfico da UE iniciou as suas funções em 1 de julho de 2021.

Em setembro, a Comissão adotou o Plano de Ação Renovado da UE contra o Tráfico de Migrantes (2021-2025), que estabelece as medidas para combater e prevenir a introdução clandestina de migrantes, bem como para assegurar a proteção plena dos direitos fundamentais dos migrantes. O plano propõe ainda o alargamento das medidas restritivas e o reforço das sanções penais contra os passadores, e introduz medidas para prevenir a exploração dos migrantes e aumentar os conhecimentos sobre a introdução clandestina destes. O plano de ação tem em conta o papel cada vez mais preponderante dos intervenientes estatais que viabilizam a migração irregular e usam seres humanos para criar pressão nas fronteiras externas da União para fins políticos, como aconteceu em 2021 na fronteira da UE com a Bielorrússia. A Comissão também apresentou medidas para reforçar a eficácia da diretiva referente a sanções aplicáveis aos empregadores. Estas medidas, que têm por objetivo aplicar sanções aos empregadores que recrutam pessoas que não têm o direito de permanecer na UE, proteger os direitos dos migrantes irregulares e possibilitar a realização de inspeções, serão aplicadas em 2022.

Em novembro, a Comissão e o alto representante propuseram medidas destinadas a prevenir e restringir as atividades dos operadores de transportes que facilitem ou participem na introdução clandestina de migrantes ou no tráfico de seres humanos para a UE. Estas medidas vêm reforçar o conjunto de instrumentos da UE para apoiar os Estados-Membros na luta contra a migração irregular e o tráfico de seres humanos.

Proporcionar proteção aos que dela necessitam

A Comissão prosseguiu os seus esforços para melhorar a gestão da migração e as capacidades de acolhimento e condições de vida dos migrantes, sobretudo na Grécia. Reforçou o apoio às autoridades nacionais por meio do grupo de trabalho para a gestão da migração, que foi criado em 2020 com o objetivo de melhorar as capacidades de acolhimento e as condições de vida dos migrantes em Lesbos e nas ilhas do norte do mar Egeu. O primeiro novo centro de acolhimento e identificação em Samos foi inaugurado em setembro, a que se seguiram os novos centros em Cós e Leros em novembro. Em 2022, serão inaugurados novos centros em Quios e Lesbos. A Comissão concedeu 276 milhões de euros à Grécia para a construção destes cinco centros.

A Comissão também facilita e coordena a recolocação de diferentes grupos de migrantes a partir da Grécia, de Itália e de Malta em Estados-Membros da UE que assumiram esse compromisso. Graças aos enormes esforços envidados pelas organizações participantes e à solidariedade dos Estados-Membros com o apoio da Comissão Europeia, mais de 4 600 pessoas foram recolocadas a partir da Grécia noutros Estados-Membros em 2020 e 2021, e cerca de 3 000 foram recolocadas a partir de Itália e Malta entre 2018 e o final de 2021.

Em julho, a Comissão lançou um exercício de compromissos de reinstalação e admissão por motivos humanitários no período de 2021-2022. No total, os Estados-Membros comprometeram-se a disponibilizar 60 000 lugares de reinstalação e admissão por motivos humanitários para países e regiões prioritários e para afegãos em risco. Os Estados-Membros podem recorrer ao apoio financeiro da UE e ao apoio operacional da Agência da União Europeia para o Asilo para honrar os compromissos assumidos.

Ylva Johansson e Notis Mitarachi com máscara e auscultadores de radiocomunicação num helicóptero.
Ylva Johansson, comissária dos Assuntos Internos (à direita), e Notis Mitarachi, ministro grego das Migrações e Asilo, numa visita a Lesbos, Grécia, em 29 de março de 2021. Ylva Johansson visitou ainda os centros de acolhimento em Lesbos e Samos e avaliou o estado de desenvolvimento das novas instalações de acolhimento de migrantes e requerentes de asilo.

Em junho, chegou-se a acordo sobre o novo mandato do Gabinete Europeu de Apoio em matéria de Asilo; o mandato entrou em vigor no início de 2022, quando o Gabinete foi substituído pela Agência da União Europeia para o Asilo. O novo mandato visa criar um sólido quadro normativo, operacional e prático para que a Agência disponha dos meios necessários para assistir os Estados-Membros e os possa ajudar a reforçar os seus sistemas de asilo e acolhimento. Em 2021, o Gabinete alargou a assistência prestada a Espanha, à Letónia e à Lituânia (que se juntaram assim à Grécia, a Itália, a Chipre e a Malta).

A migração irregular em números

Entre janeiro e novembro de 2021, houve cerca de 182 600 migrantes irregulares em todas as rotas, em comparação com 114 400 no mesmo período em 2020 (125 100 no ano inteiro) e pouco menos de 127 000 no mesmo período em 2019 (141 700 no ano inteiro).

Reforçar o sistema de acolhimento dos requerentes de asilo na Grécia

O apoio prestado pela Comissão Europeia auxiliou a Grécia a criar alojamento público para requerentes de asilo vulneráveis, com base no regime de apoio de emergência das Nações Unidas à integração e ao alojamento. Em 2019, a Grécia aceitou assumir a gestão da rede de alojamentos deste regime. Foi uma tarefa gigantesca, que diariamente exigiu aconselhamento técnico no local. A Comissão assegurou a assistência técnica, que foi financiada pelo Programa de Apoio às Reformas Estruturais da UE/instrumento de assistência técnica. Os funcionários do Ministério da Migração e do Asilo receberam aconselhamento sobre o reforço das capacidades e podem contar atualmente com procedimentos internos rápidos e um quadro jurídico eficiente para gerir o sistema de acolhimento e fiscalizar as condições.

Segundo os dados da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, a partir de novembro de 2021, após a flexibilização das medidas relativas à COVID-19, a passagem ilegal das fronteiras em todas as fronteiras externas da UE registou uma tendência de subida (+60 % em relação ao mesmo período em 2020), com picos significativos nas rotas do Mediterrâneo Central e dos Balcãs Ocidentais.

Em 2021, houve igualmente um aumento das travessias irregulares do canal da Mancha. Os Estados-Membros costeiros da UE e o Reino Unido já estabeleceram uma cooperação operacional prática que se destina sobretudo a combater as redes de introdução clandestina de migrantes, tal como previsto no Acordo de Comércio e Cooperação entre a UE e o Reino Unido (ver a Declaração política conjunta sobre asilo e regresso). Os Estados-Membros contam ainda com o apoio das agências da UE, nomeadamente a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, a Agência da União Europeia para a Cooperação Judiciária Penal e a Agência da União Europeia para a Cooperação Policial. Em concreto, a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira lançou a operação conjunta Costa de Opala para apoiar os serviços de vigilância aérea em França, com o objetivo de combater os passadores e evitar que se percam vidas no mar.

O gráfico apresenta dados sobre as passagens ilegais das fronteiras para a União Europeia nas principais rotas do Mediterrâneo.

Nas três principais rotas (Mediterrâneo Ocidental, Mediterrâneo Central e Mediterrâneo Oriental), as passagens ilegais das fronteiras mantêm o padrão repetitivo observado desde 2014, com picos anuais no final do verão e um número de passagens por mês que, em geral, não é superior a 50000. Entre o final de 2015 e o início de 2016 houve um pico significativo na rota oriental, que atingiu um máximo de cerca de 230000 passagens ilegais em outubro de 2015. Note-se que a rota do Mediterrâneo Ocidental inclui a rota do Atlântico (também referida como rota da África Ocidental).

A rota migratória do Mediterrâneo Central continua a ser a que mais vítimas faz em todo o mundo: desde 2014 já se registaram mais de 20 000 mortes e desaparecimentos. Em 2021, foram declarados mortos ou desaparecidos 2 819 migrantes em travessias nas rotas do Mediterrâneo e da África Ocidental, em comparação com 2 325 em 2020.

Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira

A aplicação do regulamento de 2019 sobre a Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira e o novo mandato da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) avançou no bom sentido com o primeiro destacamento do corpo permanente da Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira, em 1 de janeiro de 2021, que inclui os primeiros agentes com farda da UE.

Espera-se que o destacamento do corpo permanente aumente a capacidade da agência para apoiar os Estados-Membros em todas as áreas operacionais, inclusive nas atividades relacionadas com o regresso.

A Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira destaca, em média, 2 000 agentes para as fronteiras externas da UE, em estreita cooperação com os Estados-Membros. A agência também reforçou consideravelmente o quadro de direitos fundamentais estabelecido pelo regulamento sobre a Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira, procedendo à nomeação do novo provedor de direitos fundamentais e ao recrutamento dos primeiros agentes de controlo dos direitos fundamentais.

Execução do Plano de Ação sobre Integração e Inclusão

Em 2021, a UE prosseguiu a implementação do Plano de Ação sobre a Integração e a Inclusão para 2021-2027, que se centra na educação e formação, no emprego e nas competências, nos serviços de saúde e na habitação. Entre as novas medidas adotadas em 2021 destaca-se a parceria entre a Comissão e o Comité das Regiões Europeu lançada em março para reforçar a cooperação e apoiar os municípios, as regiões e as zonas rurais da UE nos seus esforços para integrar os migrantes.

Pacote de medidas relativas às competências e talentos

No âmbito do novo pacto em matéria de migração e asilo de 2020, a iniciativa de parcerias para atração de talentos foi lançada em junho de 2021 para reforçar as relações com os principais países parceiros em matéria de migração, adequando as necessidades do mercado de trabalho da UE às competências dos trabalhadores desses países. As parcerias proporcionam vias seguras e legais de migração e estão abertas a estudantes, licenciados e trabalhadores com qualquer nível de qualificação. Asseguram também oportunidades de ensino e formação profissional e de apoio à integração dos migrantes que regressam aos países de origem.

Espaço Schengen

Em junho, a Comissão adotou uma estratégia para um espaço Schengen plenamente funcional e resiliente, acompanhada de uma proposta de revisão do mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen. Foram propostas ações em três domínios: a gestão eficaz das fronteiras externas da UE; medidas para compensar a ausência de controlos nas fronteiras internas; e uma governação sólida (avaliação, acompanhamento e preparação).

A estratégia contém iniciativas para um espaço Schengen mais forte e mais completo, que tira partido da experiência adquirida nos últimos cinco anos, inclusive durante a pandemia de COVID-19. Avalia os progressos da implementação de um dos sistemas de gestão de fronteiras tecnologicamente mais avançados do mundo nas fronteiras externas da UE e prevê novas iniciativas neste domínio. Dá ainda destaque a medidas de reforço interno do espaço Schengen, tais como uma maior cooperação policial e judiciária. Por último, propõe o alargamento do espaço Schengen sem controlos nas fronteiras internas à Bulgária, à Croácia e à Roménia, que estão a aplicar a maior parte das regras de Schengen, mas sem todos os benefícios decorrentes do facto de fazerem parte do espaço Schengen (bem como a Chipre, logo que este país tenha concluído com êxito o processo de avaliação Schengen atualmente em curso).

A proposta de revisão do mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen pretende tornar este mecanismo mais eficaz, eficiente e rápido, bem como aumentar a sua importância política e adequá-lo ao fim a que se destina. A proposta está atualmente em fase de negociação no Conselho e a Comissão está a envidar todos os esforços para facilitar o bom andamento do processo.

Em 14 de dezembro, a Comissão adotou uma proposta de alteração do Código das Fronteiras Schengen, que tem por objetivo assegurar que os controlos nas fronteiras internas só sejam introduzidos como último recurso, tendo, no entanto, em conta o direito dos Estados-Membros de o fazerem em circunstâncias excecionais. A proposta procura ainda responder aos desafios decorrentes da instrumentalização da migração irregular. Uma outra proposta relativa à resposta a situações de instrumentalização no domínio da migração e do asilo foi adotada em simultâneo.

Continuaram a registar-se progressos com vista à implantação de uma arquitetura informática comum na UE, com novos sistemas interligados de gestão das fronteiras, migração e aplicação da lei. Quando estiver implantada, a interoperabilidade assegurará que todos os sistemas informáticos comunicam entre si e que as autoridades nacionais dispõem de informações completas e exatas, no pleno respeito das regras de proteção de dados.

Questões relativas à segurança

Continuam a surgir novas ameaças à segurança a nível transfronteiras e transetoriais cada vez mais complexas, que exigem que a UE intensifique a cooperação e a coordenação no domínio da segurança. A pandemia de COVID-19 pôs à prova a capacidade de resistência da infraestrutura crítica da Europa e dos seus sistemas de preparação e gestão de crises. Em 2021, a UE prosseguiu a aplicação da estratégia de 2020 para a União da Segurança, a fim de proteger todos os cidadãos da UE e promover o nosso modo de vida europeu, introduzindo novas iniciativas em domínios como o terrorismo e a radicalização, a criminalidade organizada, a cibersegurança e as ameaças híbridas.

Prevenir e combater o terrorismo e a radicalização

O regulamento relativo ao combate à difusão de conteúdos terroristas em linha entrou em vigor em 7 de junho de 2021 e será plenamente aplicável um ano depois. O regulamento permite que os Estados-Membros enviem decisões de supressão a determinados prestadores de serviços de alojamento virtual que prestam serviços na UE, bem como suprimir, no prazo de uma hora, materiais que incitem ou defendam a prática de infrações terroristas, promovam as atividades de grupos terroristas ou contenham instruções ou técnicas para a prática de infrações terroristas.

O regulamento prevê ainda garantias que irão reforçar a responsabilidade e a transparência das medidas tomadas para suprimir os conteúdos terroristas e evitar supressões por erro de discursos legítimos. Além disso, estabelece medidas para assegurar a proteção dos direitos e liberdades fundamentais, por exemplo, velando por que o material difundido para fins educativos, jornalísticos, artísticos ou de investigação não seja suprimido.

Em 2021, o Fórum da UE sobre a Internet — uma plataforma presidida pela Comissão que reúne os Estados-Membros e as empresas tecnológicas para debater a utilização da Internet pelos terroristas e combater o abuso sexual de crianças na Internet — apresentou um «pacote de conhecimentos» sobre grupos violentos, símbolos e manifestos de extrema-direita proibidos, para auxiliar as plataformas digitais a moderarem os conteúdos.

Em julho, a Comissão Europeia apresentou um ambicioso pacote de propostas legislativas para reforçar as regras da UE em matéria de luta contra o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo. O pacote inclui uma proposta de criação de uma nova autoridade da UE para o combate ao branqueamento de capitais. Tem por objetivo melhorar a deteção das transações e atividades suspeitas e colmatar as falhas utilizadas pelos criminosos para branquear receitas ilícitas ou financiar atividades terroristas através do sistema financeiro.

As medidas reforçam consideravelmente o atual quadro da UE, ao ter em conta desafios novos e emergentes relacionados com a inovação tecnológica, entre os quais figuram as moedas virtuais, uma maior integração dos fluxos financeiros no mercado único e a natureza global das organizações terroristas. As propostas ajudarão a criar um quadro muito mais coerente em toda a UE, graças a regras diretamente aplicáveis, como, por exemplo, o limite de 10 000 euros ao nível da UE para os pagamentos avultados em numerário. Estas medidas facilitarão o cumprimento pelos operadores sujeitos às regras em matéria de luta contra o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo, sobretudo aqueles que desenvolvem atividades transfronteiras.

Tendo em conta a evolução da situação no Afeganistão, o Coordenador da Luta Antiterrorista, juntamente com a Presidência do Conselho, a Comissão, o Serviço Europeu para a Ação Externa e as agências competentes da UE, elaborou um Plano de Ação de Luta contra o Terrorismo para o Afeganistão.

Combate à criminalidade organizada e transfronteiras

Em abril, a Comissão publicou a estratégia da UE para lutar contra a criminalidade organizada, que define ações para reforçar a cooperação policial e judiciária; assegurar investigações mais eficazes para desmantelar as estruturas de criminalidade organizada; eliminar os lucros gerados pela criminalidade organizada; e preparar as autoridades policiais e o sistema judiciário para a era digital. A Comissão propôs ainda uma série de medidas para que os Estados-Membros possam tirar pleno partido da Plataforma Multidisciplinar Europeia contra as Ameaças Criminosas.

Ao longo de 2021, a Comissão intensificou as suas ações para assegurar um controlo reforçado das armas de fogo na UE e nos países vizinhos. A Comissão adotou medidas que melhorarão o acesso dos Estados-Membros às informações necessárias para a aprovação de pedidos de aquisição ou detenção de determinadas armas de fogo (atualmente, os Estados-Membros não são sistematicamente informados das recusas de concessão de uma licença de arma de fogo noutros países da UE). O relatório de aplicação, publicado em outubro, salientou os efeitos positivos da legislação da UE atualmente em vigor, que proíbe as armas de fogo mais perigosas e evita a conversão ilícita de armas de alarme e sinalização em armas de fogo letais. O relatório identificou também algumas deficiências remanescentes, que levaram à instauração de 76 processos por infração, bem como aspetos que devem ainda ser melhorados, tais como a digitalização do cartão europeu de arma de fogo e um controlo mais rigoroso da aquisição e detenção de projetos para impressão 3D de armas.

Esta infografia contém dados sobre as atividades criminosas na União Europeia.

As redes criminosas dedicam-se a uma vasta gama de atividades, tais como o tráfico de drogas, a criminalidade organizada contra o património, a introdução clandestina de migrantes, o tráfico de seres humanos e a cibercriminalidade. Infiltram-se na economia legal e aproximadamente 70 por cento estão envolvidas no branqueamento de capitais, cerca de 60 por cento dedicam-se a práticas de corrupção e mais de 80 por cento fazem uso de estruturas comerciais legais. A sua atividade cruza fronteiras, sendo 65 por cento dos grupos criminosos compostos por membros de múltiplas nacionalidades. Adaptaram-se rapidamente à pandemia, tendo sido detetadas ofertas fraudulentas de 1100 milhões de doses de vacinas por um preço total de 15,4 mil milhões de euros.

Na sequência da sua comunicação de 2020 sobre a digitalização da justiça, a Comissão apresentou em dezembro um pacote de iniciativas para modernizar os sistemas judiciais da UE e intensificar a cooperação judiciária transnacional em matéria civil, comercial e penal. O pacote inclui três propostas:

  • um regulamento que visa melhorar a comunicação digital transnacional entre as autoridades judiciárias e garantir o acesso à justiça em matéria civil, comercial e penal,
  • uma alteração do Regulamento Eurojust, com o objetivo de criar uma base jurídica para a realização de audições orais por videoconferência e reforçar a coordenação e a cooperação entre as autoridades nacionais competentes para a investigação e o exercício da ação penal em matéria de infrações terroristas,
  • um regulamento destinado a criar uma plataforma de colaboração para aumentar a eficiência e a eficácia das investigações e das ações penais conduzidas pelas equipas de investigação conjuntas em processos transnacionais.

Pretende-se, com estas iniciativas, concretizar as ambições da Comissão de criar um espaço europeu de liberdade, segurança e justiça verdadeiramente eficiente e resiliente.

Didier Reynders profere um discurso à frente de um cartaz do painel de avaliação da justiça na União Europeia.
Didier Reynders, comissário da Justiça, apresenta o painel de avaliação da justiça na UE de 2021, que avalia a eficiência, a qualidade e a independência dos sistemas judiciais em todos os Estados-Membros, em Bruxelas, Bélgica, 8 de julho de 2021. Ao longo do ano, os trabalhos do painel incidiram sobretudo na digitalização da justiça, que manteve os tribunais em funcionamento durante a pandemia de COVID-19 e tornou os sistemas judiciais mais acessíveis e eficientes.

Em 2021, a Comissão prosseguiu as negociações com vários países, incluindo Israel, a Nova Zelândia e a Turquia, sobre o intercâmbio de dados pessoais entre a Agência da União Europeia para a Cooperação Policial e as respetivas autoridades competentes.

A Procuradoria Europeia iniciou as suas atividades em 1 de junho de 2021. No final do ano, tinha já iniciado mais de 500 investigações de fraudes lesivas dos interesses financeiros da UE que, no total, causaram prejuízos de 5 mil milhões de euros ao orçamento da UE.

Em 2021, uma equipa da Agência da União Europeia para a Cooperação Policial que integrava representantes da Bélgica, da Alemanha, de Espanha, da Croácia e dos Países Baixos desmantelou um bando de traficantes de armas que inundara a Europa com armas de fogo ilicitamente modificadas. Foram detidas 18 pessoas e apreendidas 350 armas. A operação foi realizada no âmbito da Plataforma Multidisciplinar Europeia contra as Ameaças Criminosas.

Na sequência das propostas de revisão do mandato da Agência da União Europeia para a Cooperação Policial, apresentadas em 2020, a Comissão propôs, em dezembro, um código de cooperação policial da UE para reforçar a cooperação policial entre os Estados-Membros e dotar os agentes da polícia na UE de instrumentos mais modernos para o intercâmbio de informações. O código — que inclui uma recomendação sobre a cooperação policial operacional e novas regras sobre partilha de informações — contribuirá para melhorar as operações transfronteiras, definirá canais de comunicação e calendários claros para o intercâmbio de informações e reforçará o papel da agência.

Por seu turno, a revisão das regras relativas ao intercâmbio automático de determinadas categorias de dados ajudará a tornar mais eficaz a deteção de relações transfronteiras entre os crimes na UE e contribuirá para colmatar as lacunas de informação, reforçar as atividades de prevenção, deteção e investigação de infrações penais na UE e promover a segurança de todos os habitantes da Europa. O pacote sobre cooperação policial inclui três propostas legislativas: uma proposta de recomendação do Conselho sobre a cooperação policial operacional; uma diretiva relativa ao intercâmbio de informações entre autoridades responsáveis pela aplicação da lei dos Estados-Membros; e um regulamento relativo ao mecanismo de intercâmbio automatizado de dados no âmbito da cooperação policial («Prüm II»).

Margaritis Schinas gesticula enquanto discursa de uma tribuna.
Margaritis Schinas, vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela Promoção do Modo de Vida Europeu, na conferência de imprensa sobre o código de cooperação policial da UE, que se realizou em Bruxelas, Bélgica, em 8 de dezembro de 2021.

A par do pacote de medidas de luta contra o branqueamento de capitais, a Comissão apresentou uma proposta para que as autoridades responsáveis pela aplicação da lei tenham acesso aos futuros registos das contas bancárias interligados. Estas autoridades poderão assim determinar rapidamente se um suspeito é titular de contas bancárias noutros Estados-Membros, o que facilitará as investigações financeiras e a recuperação de bens em processos transfronteiras.

Gestão de crises

Proteção Civil

Janez Lenarčič entrevistado por um repórter; ao fundo, veículos de emergência e uma floresta.
Janez Lenarčič, comissário responsável pela Gestão de Crises (à direita), numa deslocação à Grécia, durante a qual se encontrou com equipas de bombeiros na região de Oinói e visitou o centro rescEU, em 25 de agosto de 2021.

A pandemia de COVID-19 mostrou que é necessário reforçar o mecanismo de proteção civil da UE, para poder responder com mais rapidez e eficácia às emergências graves. Em maio de 2021, entrou em vigor um novo ato legislativo que dota a UE de instrumentos mais adequados para enfrentar catástrofes que afetem vários países ao mesmo tempo. A UE aumentou também os fundos destinados à proteção civil, a fim de apoiar os esforços de resposta dos Estados-Membros.

Juntamente com os Estados-Membros, a UE continuou a desenvolver a reserva de equipamento médico e de proteção rescEU. Além disso, prosseguiu os trabalhos de reforço da frota rescEU de aviões e helicópteros de combate a incêndios, que complementarão as capacidades nacionais. De futuro, serão disponibilizadas mais capacidades rescEU para poder dar resposta a acidentes químicos, biológicos, radiológicos e nucleares. Em paralelo, a UE concederá um apoio financeiro significativo para reforçar as medidas de prevenção e preparação que reduzem o risco de catástrofes e ajudam as comunidades a resistir melhor a diferentes crises.

Em 2021, o mecanismo de proteção civil da UE recebeu um número recorde de pedidos de assistência. Dos 114 pedidos, 61 % estavam relacionados com a pandemia de COVID-19.

As alterações climáticas já afetam todas as regiões do mundo e o verão de 2021 deixou entrever os verões europeus que o futuro nos pode reservar. A época de incêndios de 2021 foi marcada por uma das maiores mobilizações do mecanismo de proteção civil da UE dos últimos 10 anos na Europa e um dos maiores números de sempre de ativações simultâneas do mecanismo de combate aos incêndios florestais.

Em resposta aos incêndios florestais que assolaram a região do Mediterrâneo e dos Balcãs Ocidentais, a UE destacou uma frota de 16 aviões e quatro helicópteros, mais de 290 veículos e mais de 1 300 equipas de primeira intervenção para a Albânia, a Argélia, Chipre, a Grécia, a Itália, a Macedónia do Norte e a Turquia através do mecanismo de proteção civil da UE. As operações de emergência foram reforçadas a partir do espaço graças ao serviço de gestão de emergências Copernicus da UE, que proporcionou mapas atualizados das zonas afetadas. Só em 2021, o serviço de cartografia rápida do satélite Copernicus produziu mais de 580 mapas de regiões em todo o mundo.

Duas escavadoras numa rua, em trabalhos de remoção de entulho e outros danos causados pelas inundações.
Consequências das inundações em Pepinster, Bélgica, 17 de julho de 2021.

Quando as inundações devastaram várias zonas da Europa em julho, a UE coordenou o envio para a Bélgica de embarcações de salvamento, helicópteros e mais de 150 elementos de equipas de resgate de França, de Itália e da Áustria. O sistema europeu de sensibilização para cheias do programa Copernicus alertou as autoridades para o risco de inundações antes da situação de emergência, e o serviço de cartografia rápida foi ativado na Bélgica, na Alemanha, nos Países Baixos e na Suíça para dar apoio às equipas de primeira intervenção.

Ao longo de 2021, o apoio da UE permitiu salvar vidas em risco devido a catástrofes em todo o mundo, auxiliando, por exemplo, as populações da Guiné na sequência de um surto de ébola, do Haiti após o terramoto e da República Democrática do Congo após uma erupção vulcânica. Em resposta à evolução da situação no Afeganistão, a UE coordenou o repatriamento de cidadãos da UE e de outras pessoas vulneráveis através do seu mecanismo de proteção civil.

Combater a exploração e os abusos sexuais de crianças

Em julho, a UE aprovou um regulamento relativo a uma derrogação temporária de determinadas disposições relativas à confidencialidade das comunicações e dos dados de tráfego previstas na legislação que rege a privacidade nas comunicações eletrónicas. Trata-se de uma das oito medidas da estratégia da UE para uma luta mais eficaz contra o abuso sexual das crianças, que visa dar uma resposta integral a estes crimes. A estratégia destina-se a apoiar iniciativas de prevenção que possam, acima de tudo, evitar que as crianças se tornem vítimas, bem como prestar assistência às vítimas e apoiar as autoridades policiais, para garantir medidas rápidas que permitam salvar as vítimas dos abusos cometidos e deter os autores dos crimes.

Panorâmica dos participantes no Parlamento Europeu.
Primeira reunião dos painéis de cidadãos europeus, de 17 a 19 de setembro de 2021. Fonte: PE, Brigitte Hase

Conferência sobre o Futuro da Europa

Em 2021, inaugurou-se a Conferência sobre o Futuro da Europa, um conjunto de conversas e debates protagonizados pelos cidadãos, num contexto que lhes permite partilhar ideias e ajudar a definir o nosso futuro comum.

Em março, o Parlamento Europeu, a Presidência portuguesa do Conselho da União Europeia e a Comissão Europeia aprovaram uma declaração comum sobre a Conferência sobre o Futuro da Europa. Um conselho executivo — composto por representantes das três instituições e observadores, provenientes, designadamente, dos parlamentos nacionais — supervisiona os trabalhos da conferência, assistido por um secretariado comum. O Parlamento organizou o evento inaugural em Estrasburgo, em 9 de maio (Dia da Europa).

Graças à sua plataforma digital e a eventos ao vivo, que reúnem, à distância e presencialmente, cidadãos, decisores políticos, autoridades locais, regionais e nacionais, representantes da sociedade civil e parceiros sociais de toda a UE, todos estes intervenientes irão poder trocar ideias sobre uma vasta gama de temas. Os debates são organizados em torno de nove temas, entre outros as alterações climáticas e o ambiente, a saúde, a migração e a educação, embora também seja possível apresentar observações sobre qualquer outro tema que diga respeito aos cidadãos. A plataforma, que está disponível nas 24 línguas oficiais da UE, permite que os intervenientes interajam, partilhem informações sobre eventos da conferência, apresentem propostas e defendam ou comentem as ideias apresentadas.

Em junho, em paralelo com a sessão plenária inaugural (o órgão responsável pelo debate de recomendações, sem resultados predeterminados e sem limitar o âmbito a domínios políticos predefinidos), realizou-se em Lisboa, Portugal, e em linha um evento destinado aos cidadãos europeus que deu início à participação destes nos trabalhos da conferência. Este evento reuniu os 27 representantes dos painéis ou eventos de cidadãos nacionais (um por Estado-Membro), a presidente do Fórum Europeu da Juventude e mais de 50 cidadãos escolhidos para participar nos painéis de cidadãos europeus da conferência, além de um grupo de estudantes Erasmus. Debateram as expectativas em relação à conferência com os três copresidentes do conselho executivo: o deputado do Parlamento Europeu, Guy Verhofstadt, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus de Portugal, Ana Paula Zacarias, e a vice-presidente da Comissão, Dubravka Šuica.

A Conferência sobre o Futuro da Europa tem quatro painéis de cidadãos europeus, que abrangem os temas da plataforma em linha, cada um deles reunindo cerca de 200 cidadãos da UE, de todas as idades e de todos os horizontes, provenientes de todos os Estados-Membros. Os jovens desempenham um papel central na definição do futuro do projeto europeu e participam ativamente na conferência: um terço de cada painel de cidadãos europeus é composto por jovens com idades entre os 16 e os 25 anos. Os painéis são de importância crucial: debatem ideias lançadas no âmbito dos eventos realizados em toda a UE, bem como propostas apresentadas através da plataforma digital, e formulam recomendações que serão discutidas nas sessões plenárias.

Emmanuel Macron, António Costa, David Sassoli e Ursula von der Leyen reunidos em palco na inauguração de um painel.
Da esquerda para a direita: Emmanuel Macron, presidente de França; António Costa, primeiro-ministro de Portugal e presidente em exercício do Conselho da União Europeia; David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu; e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, na inauguração da Conferência sobre o Futuro da Europa, em Estrasburgo, França, 9 de maio de 2021. Fonte: PE, Eric Vidal

Os painéis de cidadãos europeus iniciaram as suas deliberações em Estrasburgo, de 17 a 19 de setembro, e na primeira reunião debateram-se temas como uma economia mais forte, a justiça social, o emprego, a transformação digital, a educação, a juventude, a cultura e o desporto. Os debates basearam-se nos contributos que cidadãos de toda a UE apresentaram na plataforma em linha. O painel sobre democracia/valores europeus, direitos, Estado de direito e segurança encerrou os trabalhos e formulou projetos de recomendações para a sessão plenária da conferência num contexto híbrido (presencialmente e à distância), em Florença, Itália, de 10 a 12 de dezembro. Em 2021, realizaram-se outras sete sessões de painel sobre todos os temas da conferência, em Estrasburgo e em linha.

Em 23 de outubro, realizou-se uma sessão plenária para analisar o trabalho dos painéis de cidadãos europeus, contributos na plataforma digital multilingue, painéis de cidadãos nacionais e outros eventos.

Em 2021, foram organizados 4 639 eventos em todos os Estados-Membros, que contaram com a participação de mais de 340 000 pessoas. A plataforma digital multilingue registou mais de 41 000 inscrições. Partilharam-se 12 500 ideias, foram apresentados 18 000 comentários e as opiniões de outras pessoas foram apoiadas mais de 52 000 vezes. Em 2021, a plataforma registou mais de 4,1 milhões de consultas. Prevê-se que três painéis de cidadãos europeus concluam os seus trabalhos em janeiro e fevereiro de 2022. Estão agendados plenários da conferência para janeiro, março e abril. O conselho executivo da conferência deverá apresentar o relatório final na primavera de 2022.

Um trabalhador com equipamento de proteção agita a mistura em fusão num alto-forno.

Reforçar a economia

Recuperação económica da Europa

Num contexto de grande incerteza, a economia da UE recuperou com vigor em 2021, após a grave recessão causada pela pandemia em 2020. Os resultados alcançados pela UE com a campanha de vacinação contra a COVID-19 e a atenuação do impacto socioeconómico da pandemia alicerçaram a recuperação sustentada. Com o avanço das campanhas de vacinação e a supressão das restrições, assistiu-se na primavera à retoma do crescimento, cujo dinamismo prosseguiu ao longo do verão, graças à reabertura da economia. No outono, a economia da UE tinha recuperado o nível de produção anterior à pandemia.

De um modo geral, as previsões económicas europeias do outono de 2021 apontavam para um crescimento do produto interno bruto de 5,0 % em 2021, e de 4,3 % em 2022, tanto na UE como na área do euro. Embora a rapidez da recuperação possa variar consoante os países da UE, prevê-se que no início de 2023 todos os Estados-Membros atinjam, pelo menos, os níveis económicos anteriores à crise. Acompanhando o crescimento da economia em 2022, o mercado de trabalho deverá recuperar totalmente. Estima-se a criação de 3,4 milhões de postos de trabalho em 2022 e 2023, o que fará baixar a taxa de desemprego na UE para 6,5 % em 2023.

Contribuíram para a recuperação as medidas de estímulo económico sem precedentes tomadas na fase inicial da crise, ao nível da UE e a nível nacional, incluindo o instrumento europeu de apoio temporário para atenuar os riscos de desemprego numa situação de emergência (SURE), a primeira iniciativa da UE tendo por objetivo financiar os regimes de redução do tempo de trabalho (ver capítulo 1). Entretanto, intensificaram-se os esforços de recuperação a longo prazo com o lançamento, no verão, do plano de recuperação de 800 mil milhões de euros da UE, NextGenerationEU (ver capítulo 1). A implementação do Mecanismo de Recuperação e Resiliência será muito importante para incentivar o investimento privado e público nos próximos meses e anos. Ao apoiar reformas e investimentos pelos Estados-Membros, tem por objetivo atenuar o impacto económico e social da pandemia causada pelo coronavírus e tornar as economias e sociedades da UE mais sustentáveis, mais resilientes e mais bem preparadas para enfrentar os desafios e as oportunidades inerentes à dupla transição ecológica e digital. Além disso, o programa InvestEU proporcionará à UE um financiamento crucial a longo prazo, mobilizando investimento privado para apoiar a recuperação.

O Semestre Europeu, o quadro para acompanhar e coordenar as políticas económicas e de emprego em toda a UE, foi temporariamente adaptado em 2021 no intuito de se coordenar com o Mecanismo de Recuperação e Resiliência. A publicação da estratégia anual para o crescimento sustentável lançou o ciclo de 2021 do semestre e prosseguiu a estratégia de crescimento de 2020 com base no Pacto Ecológico Europeu e no conceito de sustentabilidade competitiva. Todos os planos nacionais de recuperação e resiliência associaram investimentos a reformas que visam dar resposta às recomendações específicas por país emitidas no âmbito do Semestre Europeu, por exemplo, sobre mercados de trabalho, educação, cultura, cuidados de saúde, justiça e sustentabilidade a longo prazo das finanças públicas.

Muito embora o impacto da pandemia na atividade económica tenha diminuído significativamente, a COVID-19 ainda não foi neutralizada. A recuperação depende muito da evolução da pandemia, tanto no interior como no exterior das fronteiras europeias. Dependerá igualmente do ritmo a que a oferta se adapta à rápida evolução da procura após a reabertura da economia. A subida dos preços da energia, sobretudo do gás e da eletricidade, é outro problema com que a economia da UE se vê confrontada a curto prazo.

Elisa Ferreira discursa de uma tribuna.
Elisa Ferreira, comissária responsável pela Coesão e Reformas, na conferência de imprensa sobre o instrumento de assistência técnica para apoiar as reformas nos Estados-Membros, em Bruxelas, Bélgica, 2 de março de 2021. No mesmo dia, a Comissão aprovou 226 projetos — dos 27 Estados-Membros — que apoiam as reformas nacionais destinadas a reforçar o crescimento sustentável. Estas iniciativas inserem-se no âmbito do instrumento de assistência técnica, que faz parte do orçamento da UE para 2021-2027 e do Plano de Recuperação da Europa. Visa promover a coesão económica, social e territorial da UE, apoiando os esforços dos Estados-Membros na execução das reformas.

Estratégia industrial para a Europa

Em maio, a Comissão atualizou a estratégia industrial da UE para assegurar que as ambições industriais da UE têm em conta os ensinamentos retirados da crise da COVID-19, reafirmando simultaneamente as suas prioridades políticas. A atualização incide na preparação do mercado único para fazer face a futuras crises; análise de meios para reduzir as dependências e vulnerabilidades estratégicas da UE, no âmbito de cadeias de abastecimento e ecossistemas industriais sensíveis; e aceleração da dupla transição ecológica e digital da indústria da UE.

A estratégia atualizada articula as medidas em torno de três domínios fundamentais. Em primeiro lugar, com o objetivo de reforçar a resiliência do mercado único, a estratégia apresentou uma análise dos 14 ecossistemas industriais da UE e sugeriu a criação de um instrumento de emergência do mercado único para fazer face às eventuais repercussões de futuras crises na livre circulação de pessoas, bens e serviços.

Thierry Breton mostra uma parte de um equipamento.
Thierry Breton, comissário responsável pelo Mercado Interno, por ocasião da visita às instalações de investigação e produção de semicondutores em Dresden, Alemanha, 12 de novembro de 2021.

Em segundo lugar, a estratégia levou a cabo uma apreciação aprofundada das dependências estratégicas da UE. Identificaram-se 137 produtos em ecossistemas sensíveis no âmbito dos quais a UE depende fortemente de fornecimentos externos, e realizaram-se seis análises circunstanciadas sobre matérias-primas, baterias, princípios farmacêuticos ativos, hidrogénio, semicondutores e tecnologias de computação em nuvem e periférica. Para reduzir dependências estratégicas, a atualização propõe a criação de parcerias internacionais diversificadas, acompanhadas de medidas para reforçar as capacidades da UE, o que inclui a criação de novas alianças industriais em domínios fundamentais para ajudar a atrair investimento privado em plena conformidade com as regras de concorrência da UE. Em julho, foram lançadas duas novas alianças industriais: a aliança para os dados industriais, a computação em nuvem e periférica e a aliança para os processadores e as tecnologias de semicondutores.

Em terceiro lugar, a estratégia anunciou medidas para apoiar a dupla transição ecológica e digital da UE. Inclui novas medidas de apoio à criação conjunta de vias de transição em parceria com a indústria, as autoridades públicas, os parceiros sociais e as partes interessadas. O processo iniciou-se com o setor do turismo e as indústrias com utilização intensiva de energia, a que se seguiram o setor da construção e a economia social. A estratégia apoia igualmente um quadro regulamentar coerente no intuito de alcançar os objetivos do pacote para concretizar o Pacto Ecológico e a Década Digital da Europa, designadamente através da implantação de fontes de energia renováveis e da garantia de acesso a eletricidade abundante, a preços acessíveis e descarbonizada. Dá igualmente destaque às pequenas e médias empresas graças à criação de consultores em matéria de sustentabilidade no âmbito da rede europeia de empresas, que foi renovada e reforçada (ver mais abaixo), e de modelos empresariais baseados em dados. Por último, incentiva o investimento para melhorar as competências e requalificar a mão de obra, tendo em vista apoiar a dupla transição ecológica e digital.

Impulsionar o mercado único

Em abril, a Comissão adotou o Programa a favor do Mercado Único, um pacote de 4,2 mil milhões de euros para apoiar e reforçar a governação do mercado único até 2027, com destaque para a recuperação económica. O programa consolida medidas em domínios como a segurança alimentar, a proteção dos consumidores, as estatísticas, a normalização e a competitividade. Assegurará uma maior eficiência no mercado único, proporcionando simultaneamente uma melhor relação custo-benefício para os consumidores e as empresas. Neste contexto, a Comissão lançou candidaturas para uma rede europeia de empresas renovada e reforçada (que entrou em funcionamento em 1 de janeiro de 2022) e projetos Euroclusters, com vista a ajudar as pequenas e médias empresas na via da transição para a sustentabilidade, a digitalização e a resiliência e a intensificar a sua capacidade de crescimento, tanto no mercado único como a nível internacional.

Os domínios prioritários do novo Programa a favor do Mercado Único.

Um mercado único eficaz

  • Aplicar, fazer cumprir e continuar a desenvolver regras no que respeita a direito comercial, concorrência, branqueamento de capitais e livre circulação de capitais, bens e serviços.
  • Assegurar que os serviços financeiros satisfazem as necessidades dos consumidores, da sociedade civil e dos utilizadores finais.
  • Melhorar a aplicação das regras de concorrência na economia digital e reforçar a cooperação com os Estados-Membros.
  • Auxiliar os adquirentes públicos a fazer um bom uso do dinheiro dos cidadãos.

Estatísticas europeias

  • Financiar a elaboração e a divulgação de estatísticas de elevada qualidade, para apoiar a tomada de decisões fundamentadas e avaliar o impacto.

Normas eficazes

  • Conceder apoio financeiro para desenvolver normas europeias de qualidade e segurança dos produtos e serviços aplicáveis em toda a UE.

Segurança dos alimentos

  • Prevenir, controlar e erradicar doenças animais e pragas vegetais e, ao mesmo tempo, apoiar a produção alimentar sustentável e o bem-estar dos animais.

Proteger os consumidores

  • Garantir que os produtos colocados no mercado são seguros e que os consumidores conhecem as regras.
  • Ajudar as autoridades nacionais a trabalhar em conjunto de forma eficiente.

Competitividade

Apoio às empresas:

  • conceder apoio financeiro, tais como subvenções e garantias de empréstimos às PME, a título do fundo InvestEU,
  • facilitar o acesso aos mercados e reduzir os encargos administrativos,
  • apoiar a adoção da inovação e responder aos desafios globais e sociais,
  • promover um contexto favorável às empresas e uma cultura empresarial.

Política espacial

O programa espacial da UE, adotado em abril de 2021 com um orçamento de 14,9 mil milhões de euros, a mais avultada dotação de sempre para uma iniciativa espacial da UE, moderniza e reúne sob a égide de um único programa três iniciativas emblemáticas: Galileo, Serviço Europeu Complementar de Navegação Geoestacionária (EGNOS) e Copernicus. Constitui a base para apoiar a indústria espacial e favorece a liderança tecnológica e a resiliência da Europa no domínio espacial.

A infografia mostra algumas das características da indústria espacial europeia.

A indústria espacial europeia tem um valor estimado entre 46 e 54 mil milhões de euros e sustenta mais de 250000 postos de trabalho. Nos próximos 7 anos, receberá 14,9 mil milhões de euros de investimento da União Europeia. Estão em órbita mais de 30 satélites da União Europeia. Estes satélites são utilizados para aumentar a eficiência na agricultura e nas pescas, proteger o ambiente e combater as alterações climáticas, monitorizar e reagir a catástrofes naturais, aumentar a segurança das fronteiras e combater a pirataria no mar, melhorar a saúde dos cidadãos e otimizar os transportes. Um terço dos satélites mundiais é fabricado na União Europeia.

Com a crescente importância do espaço na promoção dos objetivos da UE, como o desenvolvimento, a competitividade, a sustentabilidade e a segurança, a Agência do GNSS Europeu, criada em 2010, foi substituída em junho de 2021 pela Agência da União Europeia para o Programa Espacial, que tem uma missão mais ampla. A Comissão assinou igualmente um acordo de parceria financeira com esta nova agência e a Agência Espacial Europeia.

Alguns domínios de aplicação

Agricultura

O programa espacial da UE torna possível a agricultura de precisão e soluções de agricultura integrada. Ajuda os agricultores a aumentar os rendimentos em mais de 10 % e a poupar mais de 20 % em adubos, combustíveis e pesticidas, e possibilita o funcionamento de máquinas autónomas.

Resposta a catástrofes naturais

O programa espacial da UE apoia operações de salvamento aquando de inundações, incêndios, terramotos, furacões e catástrofes de origem humana.

Cidades inteligentes

O programa espacial da UE é fundamental para a cartografia urbana, o planeamento e a monitorização das infraestruturas, e contribui para melhorar o transporte urbano e uma gestão inteligente de resíduos.

Energia de fontes renováveis

O programa espacial da UE intervém no processo de localização das instalações de produção de energia renovável, avaliando o potencial de produção de energia e os impactos ambientais.

Saúde

O programa espacial da UE contribui para as previsões da qualidade do ar e da radiação ultravioleta, que têm impacto na nossa saúde.

O programa espacial da UE fornece infraestruturas críticas para a transformação digital. Os dados espaciais são um fator essencial para as inovações digitais, como os veículos autónomos, as soluções inteligentes e as redes de telecomunicações sem fios 5G.

Para continuar a desenvolver a sua própria indústria espacial, a Europa precisa de corrigir a atual escassez de capital de risco e a falta de concorrência em determinados mercados espaciais. Tal permitirá, nos próximos anos, melhorar a oferta de tecnologia do programa espacial e reforçar a autonomia espacial da UE. Permitirá também criar numerosos postos de trabalho altamente qualificados noutros setores, como os produtos e serviços que é possível oferecer graças aos dados espaciais. O novo fundo Cassini, com uma dotação de mil milhões de euros, ajudará as empresas inovadoras a conquistar novos mercados relacionados com o espaço, atraindo mais investimento privado. Reforçará igualmente o crescimento da indústria espacial da UE em geral, ajudando as empresas em fase de arranque a utilizar de forma mais eficaz os dados espaciais gerados pelas infraestruturas da UE.

Programa espacial da UE para um ecossistema espacial competitivo

Galileo

O programa espacial da UE acelerará a implantação dos satélites de segunda geração Galileo, para melhorar o seu desempenho e robustez.

Copernicus

O programa espacial da UE acelerará o processo de modernização da infraestrutura e dos serviços Copernicus para apoiar a excelência da UE a nível mundial no domínio da observação da Terra.

Cassini

A UE criará um fundo de investimento espacial no valor de mil milhões de EUR para acelerar a expansão de PME inovadoras e empresas em fase de arranque que trabalham no domínio espacial e no desenvolvimento de tecnologias e processos revolucionários.

Indústria da defesa

Em fevereiro de 2021, com o Plano de Ação sobre as Sinergias entre as Indústrias Civis, da Defesa e do Espaço, a UE tomou medidas para reforçar a sua vantagem tecnológica e industrial. Criou iniciativas ambiciosas para consolidar a inovação, tirando partido e explorando o potencial disruptivo das tecnologias no cruzamento, em termos de utilizações, entre os setores civil, espacial e da defesa, como os microprocessadores, as cibertecnologias, as tecnologias quânticas e a inteligência artificial.

Os principais objetivos do plano são melhorar a complementaridade entre os programas e instrumentos pertinentes da UE, assegurar que os fundos da UE aplicados na investigação e inovação no domínio da defesa obtenham dividendos económicos e tecnológicos que beneficiem a sociedade no seu conjunto, e facilitar a utilização, pelas indústrias da defesa, dos resultados da investigação da indústria civil e da inovação impulsionada pela sociedade civil. Estão previstas 11 iniciativas para responder à concorrência geopolítica e reforçar a soberania tecnológica da UE. O plano de ação cria um Observatório das Tecnologias Críticas. Além disso, abre caminho ao lançamento de três projetos emblemáticos (que a Comissão irá apresentar em 2022) com potencial para se tornarem fatores de mudança:

  • tecnologias de drones para a competitividade da indústria da UE neste domínio crítico,
  • conectividade espacial segura para facultar um sistema de conectividade de alta velocidade e resiliente em toda a UE, com base na encriptação quântica, e
  • gestão do tráfego espacial para evitar colisões que possam resultar da proliferação de satélites e detritos espaciais.

O Fundo Europeu de Defesa, adotado em abril de 2021, apoiará a investigação e o desenvolvimento colaborativos no domínio da defesa e promoverá uma base industrial e tecnológica de defesa inovadora e competitiva. A adoção do primeiro programa de trabalho anual, em junho, possibilitou o lançamento de convites à apresentação de propostas no valor de 1,2 mil milhões de euros de financiamento da UE.

A ausência de cooperação entre os Estados-Membros no domínio da segurança e da defesa custa anualmente entre 25 e 100 mil milhões de EUR.

Atualmente, o planeamento das capacidades de defesa e cerca de 80 % dos concursos públicos no domínio da defesa são geridos a nível puramente nacional, o que cria uma onerosa duplicação das capacidades de defesa.

Apenas 9 % da investigação e da tecnologia no domínio da defesa são realizadas com base na cooperação entre Estados-Membros.

O fundo reforça a vantagem tecnológica da UE e desenvolve as capacidades essenciais para a sua autonomia estratégica aberta e a sua resiliência, sendo um fator crucial para uma UE mais segura e competitiva. O programa de trabalho visa agregar recursos e desfragmentar o mercado da defesa da UE, o que garante uma melhor relação custo-benefício, e o desenvolvimento, em paralelo, de tecnologias e equipamentos de ponta que estariam fora de alcance se não houvesse conjugação de esforços.

O novo fundo foi precedido de dois programas precursores: a Ação Preparatória para a Investigação em Defesa e o Programa Europeu de Desenvolvimento Industrial no domínio da Defesa. Em junho, este último concedeu 158 milhões de euros de financiamento a 26 novos projetos de capacidades de defesa em domínios tão diversos e complementares como a segurança marítima, o conhecimento da situação do ciberespaço e o combate terrestre e aéreo.

Sistemas financeiros, União Bancária e União dos Mercados de Capitais

Sistemas económicos e financeiros abertos e resilientes

A UE defende uma economia mundial mais resiliente e aberta, o bom funcionamento dos mercados financeiros internacionais e um sistema multilateral baseado em regras.

Em janeiro, a Comissão Europeia apresentou uma nova estratégia para promover a abertura, a solidez e a resiliência do sistema económico e financeiro da UE nos próximos anos. Assenta em três vertentes que se reforçam mutuamente: confirmar o papel internacional do euro; consolidar a resiliência das infraestruturas dos mercados financeiros da UE; e melhorar a eficácia do regime de sanções da UE. A estratégia visa permitir que a UE desempenhe um papel de liderança na governação económica mundial, protegendo-a simultaneamente de práticas desleais e abusivas, como medidas de países terceiros com impacto extraterritorial ou influência política indevida sobre os operadores da UE.

Para além da conclusão da União Bancária e dos progressos no contexto da União dos Mercados de Capitais, a Comissão tenciona reforçar o papel internacional do euro, contactando parceiros de países terceiros para promover a sua utilização e apoiando o desenvolvimento de instrumentos e índices de referência denominados em euros. A emissão de obrigações denominadas em euros de elevada qualidade no âmbito do NextGenerationEU — proposta em julho — dará mais profundidade e liquidez aos mercados de capitais da Europa nos próximos anos, tornando-os mais atrativos para os investidores, tal como o euro. O reforço do papel internacional do euro não só beneficiará a UE, como também contribuirá para fortalecer a estabilidade do sistema financeiro global, ao oferecer mais oportunidades de diversificação das reservas de moeda estrangeira, o que atenuará a vulnerabilidade aos choques monetários externos.

Christine Lagarde conversa com Paschal Donohoe.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (à direita), e Paschal Donohoe, presidente do Eurogrupo, na reunião do Eurogrupo dos ministros das Finanças da área do euro, em Bruxelas, Bélgica, 8 de novembro de 2021.

Em janeiro de 2021, a Comissão e o Banco Central Europeu decidiram colaborar para analisar diversas opções de conceção e as implicações regulamentares conexas do euro digital, uma forma digital de moeda do banco central que ofereceria uma maior escolha aos consumidores e às empresas. O euro digital seria um complemento do numerário, que deverá permanecer amplamente disponível e utilizável. Pode apoiar as estratégias da UE em matéria de financiamento digital e de pagamentos de pequeno montante, dado o seu potencial como meio de pagamento adicional, inovador e seguro. O euro digital poderá também intensificar o papel internacional do euro e apoiar a autonomia estratégica aberta da UE. Em julho, a Comissão congratulou-se com a decisão do Banco Central Europeu de dar início à fase de estudo do euro digital. Esta fase, de dois anos, analisará tanto as possíveis opções de conceção como as necessidades dos utilizadores, e ainda a melhor forma de prestar serviços financeiros utilizando o euro digital. A Comissão colabora com o Banco Central Europeu sobre as várias opções e a forma como estas interagem com os objetivos políticos da UE.

Aprofundar a União dos Mercados de Capitais

O pacote de medidas relativo à União dos Mercados de Capitais, adotado em novembro, é um instrumento importante para promover o crescimento sustentado e garantir o acesso das empresas europeias ao financiamento. As propostas têm como objetivo garantir um melhor acesso dos investidores às informações sobre empresas e aos dados de negociação. As medidas incentivarão também o investimento a longo prazo e tornarão a venda transfronteiras de fundos de investimento mais fácil e segura. De um modo geral, as propostas pretendem facilitar a ligação entre as empresas da UE e os investidores, melhorar o acesso das empresas ao financiamento, alargar as oportunidades de investimento para os pequenos investidores e reforçar a integração dos mercados de capitais da UE.

O pacote assenta em quatro pilares: a proposta relativa ao ponto de acesso único europeu; a revisão do fundo europeu de investimento a longo prazo; a revisão da Diretiva Gestores de Fundos de Investimento Alternativos; e a revisão do Regulamento Mercados de Instrumentos Financeiros, que introduz o sistema de informação consolidada da UE .

A proposta relativa ao ponto de acesso único europeu tem por objetivo aumentar a visibilidade e a acessibilidade das informações sobre as empresas e os produtos de investimento da UE. Vai permitir superar a fragmentação dos dados em função das fronteiras nacionais, na medida em que pretende melhorar o acesso a estas informações ao nível da UE, reforçando assim as oportunidades de investimento tanto dos investidores institucionais como dos pequenos investidores. As empresas da UE, especialmente as de menor dimensão em mercados mais pequenos, vão aceder mais facilmente a fontes de financiamento. O ponto de acesso único também incluirá informações em matéria de sustentabilidade publicadas pelas empresas, o que apoiará a transição para o investimento sustentável — um dos objetivos do Pacto Ecológico Europeu. Enquanto espaço comum de dados, é uma pedra angular da estratégia de financiamento digital da UE.

A revisão dos Fundos Europeus de Investimento a Longo Prazo facilitará o investimento por parte quer de investidores profissionais quer de pequenos investidores em projetos digitais ou sustentáveis ou em capitais próprios a longo prazo das PME, sem descurar um elevado nível de proteção dos pequenos investidores.

A revisão da Diretiva Gestores de Fundos de Investimento Alternativos visa reforçar a eficiência e a integração do mercado dos fundos de investimento alternativos. A proposta harmoniza as regras relativas aos fundos que concedem empréstimos às empresas. Tal facilitará a concessão de crédito à economia real, protegendo simultaneamente os investidores e garantindo a estabilidade financeira. A revisão clarifica igualmente as regras em matéria de delegação que permitem que os gestores de fundos obtenham conhecimentos especializados junto de países terceiros, sem perturbar uma prática empresarial que contribuiu para o êxito mundial dos fundos da UE. A revisão assegurará um nível adequado de informação e coordenação entre as autoridades de supervisão da UE.

Os ajustamentos das regras de negociação da UE assegurarão uma maior transparência nos mercados de capitais. Irão também reforçar a equidade das condições de concorrência entre as bolsas de valores e os bancos de investimento. A revisão introduzirá um sistema de informação consolidada da UE, que permitirá aos investidores aceder a dados de negociação, em tempo quase real, relativos a ações, obrigações e derivados em todas as plataformas de negociação na UE. Até à data, este acesso tem sido limitado a um pequeno número de investidores profissionais. O sistema tornará os mercados públicos mais fáceis para os investidores e contribuirá para que as ações, as obrigações e os instrumentos derivados sejam mais transparentes e eficientes. As bolsas de valores, em especial as de menor dimensão, receberão a sua quota-parte das receitas geradas pelos dados que fornecem ao sistema.

Seguros

As seguradoras são essenciais para muitos aspetos da economia da UE: proporcionam financiamento a longo prazo às empresas, contribuem para orientar a poupança para os mercados financeiros e a economia real, e oferecem uma proteção vital às empresas e às famílias, incluindo soluções para o rendimento da reforma.

Em setembro, a Comissão adotou uma revisão exaustiva das regras da UE em matéria de seguros (conhecidas por Solvência II). Os objetivos gerais são garantir que as seguradoras e resseguradoras na UE continuam a investir e a apoiar as prioridades políticas da UE, em especial o financiamento da recuperação pós-COVID, a conclusão da União dos Mercados de Capitais e a afetação de fundos destinados à implementação do Pacto Ecológico Europeu. A revisão colmata igualmente as lacunas das regras atuais e torna o setor dos seguros e resseguros mais resiliente, de modo a poder resistir a futuras crises e proteger melhor os tomadores de seguros.

Pacote Bancário

Em outubro, a Comissão adotou a revisão das regras bancárias da UE, finalizando a aplicação do Acordo de Basileia III na UE. A revisão consistiu nos seguintes elementos legislativos: uma proposta de alteração da Diretiva Requisitos de Fundos Próprios, uma proposta de alteração do Regulamento Requisitos de Fundos Próprios e uma proposta distinta de alteração do Regulamento Requisitos de Fundos Próprios no domínio da resolução.

As novas regras permitirão que os bancos da UE resistam melhor a potenciais choques económicos futuros, contribuindo simultaneamente para a recuperação da Europa após a pandemia de COVID-19 e para a transição para a neutralidade climática.

Basileia III: novas regras aplicáveis a modelos internos

Será introduzido um novo limite para garantir que os riscos não são subestimados pelos bancos quando utilizam os seus próprios modelos de cálculo.

Melhor supervisão

As autoridades de supervisão terão instrumentos mais sólidos para fiscalizar os bancos da UE, inclusive grupos bancários complexos. Serão introduzidas normas mínimas para a supervisão de sucursais de bancos de países terceiros na UE.

Sustentabilidade

Os bancos terão de ter em conta os riscos ambientais, sociais e de governação na gestão das suas atividades.

Tributação e alfândegas justas, simples e modernas

Em maio, a Comissão apresentou uma comunicação sobre a tributação das empresas para o século XXI. Esta comunicação anunciou várias medidas destinadas a melhorar a equidade e a transparência fiscais e a apresentar uma visão a longo prazo do sistema de tributação das empresas da UE. O objetivo é criar um enquadramento fiscal para as empresas que apoie a recuperação, o crescimento sustentável e o investimento. Ao mesmo tempo, a Comissão marcou uma forte presença nos debates internacionais sobre a reforma do imposto sobre as sociedades, que devia, em última análise, garantir que todas as empresas são tributadas de forma equitativa, independentemente do local onde exercem a atividade. Estas conversações culminaram no acordo histórico sobre a reforma do sistema fiscal internacional entre 136 jurisdições, que os ministros das Finanças do G20 aprovaram em julho.

Uma proposta legislativa adotada pela Comissão em dezembro de 2021 visa, em especial, a rápida transposição na UE do acordo internacional sobre a tributação mínima efetiva das multinacionais, conhecido como o segundo pilar do acordo internacional. A proposta estabelece as modalidades segundo as quais os princípios da taxa de imposto efetiva de 15 % serão aplicados na prática, de forma adequada e coerente, na UE.

Em dezembro, a Comissão adotou igualmente uma nova iniciativa para combater o recurso abusivo de entidades fictícias para fins fiscais indevidos. A proposta deve garantir que as entidades da UE com uma atividade económica nula ou mínima não usufruem de quaisquer benefícios fiscais e que não representam qualquer encargo financeiro para os contribuintes.

Em 2020, o comércio eletrónico na UE atingiu um total de 757 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 10 % em relação aos 690 mil milhões de euros do ano anterior. Dois mil e vinte foi um ano excecional, que ficou marcado pela pandemia de COVID-19 e pelo papel importante do comércio eletrónico daí decorrente, tanto para a sociedade como para a economia. Em julho de 2021, entraram em vigor novas regras em matéria de IVA para as compras em linha. As regras visam simplificar os procedimentos para o comércio eletrónico transfronteiras e assegurar condições de concorrência equitativas entre empresas e plataformas da UE e de países terceiros. Além disso, proporcionam maior transparência aos compradores em linha na UE no que diz respeito à fixação de preços e à escolha dos consumidores.

Em 2021, graças ao novo sistema de controlo das importações 2, assistiu-se a um importante reforço da União Aduaneira contra as ameaças à segurança intrínseca e extrínseca. Este sistema permite que os serviços aduaneiros combatam de forma mais eficaz o tráfico ilícito de mercadorias nas fronteiras externas da UE e consigam gerir o risco crescente da entrada de mercadorias não seguras na UE através do comércio eletrónico.

Concorrência leal

Uma concorrência dinâmica torna a economia da UE mais resiliente, já que incentiva os intervenientes do mercado a inovar, investir e aumentar a respetiva competitividade. Com as suas decisões em matéria antitrust, de concentrações e de auxílios estatais, a Comissão protege os consumidores de práticas comerciais desleais e garante-lhes o acesso a uma escolha mais ampla de produtos inovadores e de qualidade, a preços justos. A título de exemplo, segundo estimativas prudentes da Comissão Europeia, as poupanças anuais dos clientes decorrentes da proibição de cartéis e das intervenções em matéria de concentrações na UE situam-se entre 14 e 23,3 mil milhões de euros.

A aplicação rigorosa e equitativa das regras de concorrência da UE promove a coesão e a igualdade de tratamento entre os intervenientes do mercado, o que gera crescimento e emprego. Em 2021, a Comissão continuou a aplicar as regras de concorrência em todos os mercados. Para conseguir antecipar a mudança, intensificou também a revisão em curso dos instrumentos da política de concorrência. Em especial, as novas orientações relativas aos auxílios estatais no domínio do clima, da energia e do ambiente foram um resultado notável deste processo em 2021, contribuindo assim para tornar a economia mais ecológica, em consonância com os objetivos políticos da Comissão.

Os trabalhos em curso, definidos na comunicação «Uma política de concorrência adaptada aos novos desafios», têm o objetivo de continuar a apoiar a economia no contexto da pandemia (ver também o capítulo 1), intensificar a recuperação e propiciar a dupla transição ecológica e digital, bem como um mercado único mais resiliente.

Um casal brinca em casa com uma criança de tenra idade.

Construir uma Europa justa e social

Uma economia inclusiva

Plano de Ação sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais

Em março, a Comissão Europeia propôs um plano de ação que estabelece iniciativas concretas para realizar os 20 princípios do Pilar Europeu dos Direitos Sociais. Partindo de uma ampla consulta pública que contou com mais de mil contributos escritos, definiu três grandes objetivos que a UE deve alcançar até 2030: garantir o emprego a, pelo menos 78 % das pessoas com idade compreendida entre os 20 e os 64 anos; assegurar a participação de, pelo menos, 60 % dos adultos em ações de formação anuais; e tirar, no mínimo, 15 milhões de pessoas — das quais, pelo menos, cinco milhões devem ser crianças — de situações de pobreza ou exclusão social. Este novo conjunto de objetivos foi aprovado pelos dirigentes da UE na Cimeira Social do Porto, que se realizou em 7 e 8 de maio, por ocasião da qual os dirigentes da UE, os parceiros sociais e os representantes da sociedade civil se comprometeram a continuar a aplicar o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, sob o lema «tempo de agir».

Esta infografia mostra as principais metas sociais, de emprego e formação para 2030.

Até 2030, a União Europeia pretende que 78 por cento da população entre os 20 e os 64 anos tenham emprego e 60 por cento de todos os adultos participem anualmente em ações de formação, e visa também reduzir em, pelo menos, 15 milhões o número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social.

Locais de trabalho mais seguros e saudáveis

A fim de proteger melhor os trabalhadores contra os acidentes e as doenças relacionados com o trabalho, a UE aprovou em junho o quadro estratégico da UE para a saúde e segurança no trabalho para o período de 2021 a 2027. Este quadro identifica os principais desafios, estabelece objetivos e apresenta medidas para melhorar a saúde e a segurança dos trabalhadores nos próximos anos, e responde ainda às novas necessidades em matéria de proteção dos trabalhadores resultantes das transições digital e ecológica, das novas formas de trabalho e da pandemia de COVID-19. Ao mesmo tempo, o quadro continua a combater os riscos habituais em termos de saúde e segurança no trabalho, como os acidentes de trabalho ou a exposição a produtos químicos perigosos, e preconiza uma abordagem «visão zero» para acabar com as mortes relacionadas com o trabalho na UE.

Proteger as pessoas que trabalham nas plataformas digitais

As plataformas digitais de trabalho são fonte de emprego e rendimento para cerca de 28 milhões de pessoas na UE. Nos últimos cinco anos, a economia das plataformas quintuplicou. Em dezembro, a Comissão propôs medidas para melhorar as condições de trabalho das pessoas que trabalham nas plataformas digitais. Crê-se que, graças à proposta de diretiva, entre 1,7 e 4,1 milhões de pessoas possam ser reclassificadas como trabalhadores por conta de outrem, o que lhes permitirá usufruir dos direitos e da proteção social a que têm direito. Outras continuarão a ser classificadas como trabalhadores por conta própria e a gozar da plena autonomia e da proteção conferidas a nível nacional ao trabalho independente. A diretiva garantirá também que todas as pessoas que trabalham nas plataformas digitais e os seus representantes tenham um melhor entendimento dos algoritmos utilizados no contexto do trabalho em plataformas digitais, e que esses algoritmos sejam sempre sujeitos a um controlo humano.

Quais as vantagens de ser considerado trabalhador?

Períodos de repouso garantidos e férias pagas.

Pelo menos o salário mínimo nacional ou setorial (se aplicável).

Proteção em termos de segurança e de saúde.

Prestações de desemprego, por doença e cuidados de saúde.

Licença de maternidade, paternidade e parental.

Direitos de pensão.

Prestações por acidentes de trabalho e por doenças profissionais.

Autoridade Europeia do Trabalho

Um homem ceifa um campo com uma gadanha.
Em setembro, a Autoridade Europeia do Trabalho organizou a sua primeira inspeção conjunta entre dois Estados-Membros — França e Bulgária —, no intuito de combater violações graves e recorrentes dos direitos laborais e sociais dos trabalhadores sazonais no setor da agricultura.

Em maio de 2021, a Autoridade Europeia do Trabalho passou a desempenhar as suas funções de forma independente da Comissão. A Autoridade Europeia do Trabalho tem como função assegurar que as regras europeias em matéria de mobilidade dos trabalhadores e de coordenação da segurança social são aplicadas de forma equilibrada, simples e eficaz e contribuir para que cidadãos e empresas usufruam mais facilmente dos benefícios do mercado único.

Combate à situação de sem-abrigo

A UE, os Estados-Membros e as organizações da sociedade civil comprometeram-se pela primeira vez a trabalhar em conjunto para lutar contra a situação de sem-abrigo na UE. Em junho, lançaram conjuntamente a plataforma europeia de luta contra a condição de sem-abrigo para estimular o diálogo, facilitar a aprendizagem mútua, melhorar a recolha de dados e o acompanhamento e estreitar a cooperação entre todas as organizações empenhadas em lutar contra este problema. A Declaração de Lisboa sobre esta nova plataforma, assinada em junho, fixou objetivos ambiciosos: alojamento de emergência acessível, seguro e adequado para todos aqueles que dele necessitem; uma oferta de alojamento adequado para as pessoas que deixam uma instituição (por exemplo, prisão ou hospital); alojamentos de emergência ou de transição utilizados apenas na medida do estritamente necessário; e luta contra a discriminação dos sem-abrigo. A partir de 2022, as atividades da plataforma incluirão o lançamento de um projeto para contar o número de pessoas que se encontram na situação de sem-abrigo em várias cidades da UE e eventos de aprendizagem mútua para identificar e promover boas práticas assentes em dados concretos, bem como a utilização dos fundos da UE.

Nicolas Schmit, Milan Krajniak e outros, todos de máscara, embrenhados numa conversa.
Nicolas Schmit, comissário responsável pelo Emprego e pelos Direitos Sociais (segundo a contar da esquerda), e Milan Krajniak, ministro do Trabalho, dos Assuntos Sociais e da Família da Eslováquia (à direita), por ocasião de uma visita ao abrigo de St Luisa de Marillac, gerido pela Depaul Slovensko, uma organização de beneficência cofinanciada pelo Fundo Social Europeu e pelo Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas mais Carenciadas, em Bratislava, Eslováquia, em 8 de novembro de 2021.

Dar mais oportunidades à juventude

Em dezembro de 2021, a taxa de desemprego dos jovens ascendeu a 14,9 % na UE, ou seja, 2,75 milhões de pessoas com menos de 25 anos. Em setembro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou uma nova iniciativa denominada ALMA (Aim, Learn, Master, Achieve, ou seja, Aspirar, assimiLar, doMinar, Alcançar), que visa aumentar o apoio da UE aos jovens que não trabalham, não estudam nem seguem qualquer formação e que são desfavorecidos, por exemplo, devido à falta de qualificações ou a uma deficiência, ou por serem oriundos da imigração. A iniciativa ALMA vai ajudá-los a entrar no mercado de trabalho, combinando o acompanhamento personalizado e a formação no seu Estado-Membro de origem com um estágio profissional noutro Estado-Membro. Pretende-se assim melhorar as competências, os conhecimentos e a experiência dos jovens, dar-lhes uma oportunidade de criar ligações novas em toda a Europa que, de outro modo, não seriam possíveis, e, por fim, ajudá-los a entrar no mercado de trabalho. A iniciativa ALMA será executada ao abrigo do Fundo Social Europeu Mais e terá um orçamento anual estimado de 15 milhões de euros.

Neste vídeo, uma participante no Corpo Europeu de Solidariedade relata a sua experiência.
VÍDEO No contexto da sua formação para integrar o Corpo Europeu de Solidariedade, Virna fala-nos de como concebeu o seu projeto de solidariedade e de todas as suas interrogações para conseguir transformar as suas ideias em realidade.

Em abril, a Comissão lançou o novo programa do Corpo Europeu de Solidariedade para o período de 2021 a 2027. Com um orçamento de mais de mil milhões de euros, o novo programa criará oportunidades para cerca de 275 000 jovens, que poderão assim contribuir para a resposta aos desafios sociais e humanitários graças a ações de voluntariado ou aos seus próprios projetos de solidariedade. Graças à orientação temática dos seus projetos, o programa apoia as grandes prioridades políticas da UE, como a transição ecológica e digital, a inclusão, o envolvimento dos jovens nos processos democráticos e a sua participação cívica.

Em setembro, a Comissão lançou a nova aplicação Erasmus+, um balcão único para estudantes Erasmus+ em mobilidade que contém todas as informações necessárias para estudar e viver no estrangeiro. Através desta aplicação, os estudantes em mobilidade podem obter um cartão europeu de estudante digital. Válido em toda a UE, o cartão constitui um meio fácil e seguro de identificação nas instituições de ensino superior e de acesso aos serviços e representa um passo importante rumo à criação do espaço europeu da educação. O programa Erasmus para jovens empresários foi alargado ao Canadá, à Coreia do Sul e a Taiwan em 2021, oferecendo assim mais oportunidades para adquirir experiência com um empresário no estrangeiro.

A Presidente von der Leyen anunciou ainda, em setembro, uma proposta para que 2022 fosse declarado o ano europeu da juventude, a fim de incentivar a UE, os Estados-Membros e os órgãos de poder local e regional a celebrar, apoiar e dialogar com os jovens numa perspetiva de pós-pandemia. No âmbito do ano europeu da juventude, pretende-se, sobretudo, incentivar a participação e o envolvimento dos jovens em todas as políticas da UE, promover o seu desenvolvimento pessoal, social e profissional, e sublinhar as novas oportunidades que as transições ecológica e digital lhes poderão proporcionar.

Em outubro, a Comissão deu início ao processo de distribuição de 60 000 passes ferroviários gratuitos no âmbito da iniciativa DiscoverEU. Esta iniciativa oferece aos jovens de 18 anos de todas as origens a oportunidade de viajarem pela UE, aprenderem com outras culturas, fazerem novas amizades e explorarem a sua identidade europeia. Como os passes não foram distribuídos em 2020 devido à pandemia de COVID-19, os jovens de 19 anos foram também autorizados a participar em 2021.

Plano de Ação para a Economia Social

Em dezembro, a Comissão apresentou um plano de ação para ajudar a economia social europeia a prosperar, partindo do seu potencial económico e de criação de emprego, bem como da sua contribuição para uma recuperação justa e inclusiva, e para as transições ecológica e digital. As organizações da economia social são entidades que colocam em primeiro lugar objetivos sociais e ambientais, reinvestindo a maior parte dos seus lucros na própria organização. Existem 2,8 milhões de entidades da economia social na UE, que empregam 13,6 milhões de pessoas e oferecem soluções para os desafios das nossas sociedades. Estas entidades podem enfrentar dificuldades para desenvolver e expandir as suas atividades e, por conseguinte, não são suficientemente compreendidas e reconhecidas. Precisam de mais e melhor apoio, não só para crescerem e prosperarem como também para terem um impacto mais significativo na sociedade. O plano de ação visa facilitar o arranque e a expansão das organizações da economia social.

Desenvolver os conhecimentos e as competências das pessoas

Na UE, cada vez mais pessoas precisam de atualizar os seus conhecimentos, aptidões e competências para colmatarem inadequações entre a sua educação formal e as necessidades da sociedade e do mercado de trabalho, ambos em rápida evolução. Em dezembro, a Comissão apresentou propostas de recomendações do Conselho relativas às contas de aprendizagem individuais e às microcredenciais, anunciadas na comunicação de 2020 sobre a agenda de competências para a Europa e o espaço europeu da educação.

As contas individuais de aprendizagem consistem em direitos individuais de formação. A proposta visa combater o baixo nível de participação dos adultos na formação, reduzir o défice de competências e contribuir para uma economia competitiva e para a justiça social. Com esse fim em vista, a proposta de recomendação combate os principais obstáculos que se colocam atualmente às pessoas que decidem participar numa formação — motivação, tempo e financiamento — solicitando aos Estados-Membros e aos parceiros sociais que:

  • criem contas individuais de aprendizagem e prevejam direitos de formação para todos os adultos em idade ativa,
  • estabeleçam uma lista de formações elegíveis para financiamento pelas contas individuais de aprendizagem, e a tornem acessível através de um registo digital,
  • ofereçam orientação profissional e a validação das capacidades anteriormente adquiridas, bem como licenças remuneradas para formação.

As microcredenciais certificam os resultados de aprendizagem na sequência de uma pequena experiência como, por exemplo, um curso ou uma formação de curta duração. Oferecem uma forma flexível e direcionada de ajudar as pessoas a desenvolver os conhecimentos, as competências e as aptidões de que necessitam para o seu desenvolvimento pessoal e profissional. A proposta da Comissão procura fazer com que as microcredenciais funcionem em todas as instituições, empresas, setores e além-fronteiras. O objetivo é garantir que as microcredenciais são de elevada qualidade e emitidas de forma transparente, a fim de criar confiança nas suas certificações.

Vários fundos da UE estão disponíveis para apoiar a aplicação de medidas destinadas a desenvolver as competências das pessoas, entre os quais o Mecanismo de Recuperação e Resiliência (ver o capítulo 1). O Fundo Social Europeu Mais é o principal instrumento da UE para investir nas pessoas. Com um orçamento total de aproximadamente 99 mil milhões de euros para o período de 2021 a 2027, promove emprego, educação e formação sustentáveis e de elevada qualidade.

O fundo destina-se também a garantir uma proteção social adequada e digna, combater a exclusão social e a pobreza e melhorar as condições de trabalho. No período de 2021 a 2027, o programa para o emprego e a inovação social e o Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas mais Carenciadas serão integrados no Fundo Social Europeu Mais.

Mariya Gabriel sorri enquanto discursa de uma tribuna.
Mariya Gabriel, comissária da Inovação, Investigação, Cultura, Educação e Juventude, na conferência de imprensa sobre o programa Erasmus+ realizada em Bruxelas, Bélgica, em 25 de março de 2021.

O novo programa Erasmus+ para o período de 2021 a 2027 foi lançado em março. Com um orçamento de 26,2 mil milhões de euros, ao qual se juntam cerca de 2,2 mil milhões de euros provenientes dos instrumentos externos da UE, o programa — novo e reformulado — financiará projetos de mobilidade para fins de aprendizagem e de cooperação transfronteiras para 10 milhões de europeus de todas as idades e de todas as origens. O programa vai tentar ser ainda mais inclusivo e apoiar as transições ecológica e digital, como previsto nas prioridades do espaço europeu da educação.

Investigação, inovação e Espaço Europeu da Investigação

Em novembro, todos os Estados-Membros chegaram a acordo quanto a um pacto para a investigação e a inovação na Europa e a governação do espaço europeu da investigação, definindo prioridades e um quadro de governação simplificado para o espaço europeu da investigação, incluindo uma agenda estratégica para o período de 2022 a 2024. Contribuir-se-á assim para promover um melhor alinhamento das estratégias e dos investimentos regionais, nacionais e da UE no domínio da investigação e da inovação. Em consulta com as partes interessadas, os Estados-Membros definirão e acompanharão os progressos de acordo com uma agenda estratégica comum para o espaço europeu da investigação. Os domínios abrangidos vão desde os valores e princípios da investigação e inovação até às prioridades estratégicas de investimento, por exemplo, em infraestruturas de investigação. A Comissão apoiará iniciativas comuns com vista a garantir os investimentos e as reformas políticas a longo prazo no domínio da investigação e inovação.

Uma União da Igualdade

Helena Dalli discursa de uma tribuna.
Helena Dalli, comissária da Igualdade, numa exposição sobre a violência de género intitulada «What were you wearing that day?» («O que tinha vestido nesse dia?»), organizada pela Comissão Europeia e pela Amnistia Internacional, em Bruxelas, Bélgica, em 16 de novembro de 2021.

Igualdade de remuneração por trabalho igual

As novas medidas em matéria de transparência salarial visam garantir que homens e mulheres na UE recebem a mesma remuneração por trabalho igual. A proposta da Comissão, adotada em março, estabelece medidas tais como informações sobre as remunerações para os candidatos a emprego, o direito de conhecer os níveis de remuneração dos trabalhadores que realizam o mesmo trabalho, bem como a obrigação de as grandes empresas comunicarem e avaliarem as disparidades salariais entre homens e mulheres. Os empregadores também não poderão perguntar aos candidatos a emprego os seus antecedentes em matéria de remuneração, para evitar que as disparidades salariais se mantenham no novo emprego. A proposta destina-se ainda a consolidar os instrumentos à disposição dos trabalhadores para reivindicarem os seus direitos e facilitar o acesso à justiça, por exemplo, reforçando o direito à indemnização em caso de discriminação salarial.

Os homens e as mulheres têm direito à igualdade de remuneração na UE desde
1957

A disparidade salarial entre homens e mulheres na UE eleva-se a
14 %

A disparidade nas pensões de homens e mulheres é de
30 %

Direitos da criança

A fim de preparar a UE para a próxima geração de Europeus, a Comissão propôs em 2021 uma nova estratégia global da UE sobre os direitos da criança e uma garantia europeia para a infância. Estas importantes iniciativas políticas contribuirão para a proteção de todas as crianças e ajudá-las-ão a exercerem os seus direitos. As duas iniciativas são o fruto de amplas consultas aos cidadãos, às partes interessadas e, sobretudo, a mais de 10 000 crianças, num esforço deliberado para as colocar no centro da elaboração das políticas da UE. A estratégia foi igualmente publicada em versões de leitura fácil para crianças de várias idades e com diferentes competências de leitura.

A estratégia da UE sobre os direitos da criança baseia-se no princípio fundamental de que todas as crianças na UE e em todo o mundo devem dispor dos mesmos direitos e viver sem discriminação. A estratégia, que pretende integrar os direitos da criança em todas as políticas pertinentes da UE e dos Estados-Membros, prevê ações de acompanhamento em seis domínios temáticos:

  • capacitar as crianças para serem cidadãos ativos e membros de sociedades democráticas,
  • combater a pobreza infantil e promover a inclusão socioeconómica, a saúde e a educação,
  • combater todas as formas de violência contra as crianças e assegurar a sua proteção,
  • reforçar uma justiça adaptada às crianças,
  • apoiar e proteger as crianças no quadro da transição digital, e
  • intensificar os esforços da UE em prol dos direitos da criança no quadro da sua ação externa.

Com efeito, esta estratégia permite também consolidar o papel fundamental da UE na promoção e proteção dos direitos da criança em todo o mundo.

A estratégia reúne num quadro abrangente e coerente todos os instrumentos legislativos, políticos e de financiamento da UE, tanto novos como já existentes, que contribuem para proteger e promover os direitos das crianças. Empenhada em tomar medidas, a Comissão adotou uma garantia europeia para a infância, em 2021, e uma estratégia atualizada para uma Internet melhor para as crianças, em 2022.

Proposta em março, a garantia europeia para a infância tem por objetivo garantir que todas as crianças em risco de pobreza ou de exclusão social na UE tenham acesso aos serviços essenciais que são indispensáveis para promover a igualdade de oportunidades. Entre estes serviços, contam-se a educação e o acolhimento na primeira infância, o enquadramento escolar e peri-escolar, o direito a, pelo menos, uma refeição saudável por dia letivo, e o acesso a cuidados de saúde, a uma alimentação saudável e a habitação adequada. A recomendação foi aprovada pelo Conselho em apenas três meses, e os Estados-Membros nomearam os coordenadores nacionais da garantia para a infância, aos quais incumbe supervisionar a sua execução. Os Estados-Membros devem apresentar os seus planos nacionais até março de 2022.

Combater o racismo

Em maio, a Comissão Europeia nomeou o primeiro coordenador da luta contra o racismo, dando assim cumprimento a um importante compromisso assumido em 2020 no Plano de Ação da UE contra o Racismo. O coordenador interage com os Estados-Membros, o Parlamento Europeu, as organizações da sociedade civil e o meio académico para reforçar as respostas políticas no domínio da luta contra o racismo. Estes trabalham também em estreita colaboração com pessoas de minorias raciais ou étnicas, ouvem as suas preocupações e transmitem-nas à Comissão. O coordenador envidará esforços com os serviços da Comissão para combater o racismo, quer através das políticas de emprego, educação, saúde e habitação quer recorrendo a programas de financiamento como o programa Cidadãos, Igualdade, Direitos e Valores e o Fundo Social Europeu Mais.

A fim de lutar contra o racismo em todas as frentes, a Comissão colaborou com os Estados-Membros, as organizações da sociedade civil e os organismos de promoção da igualdade em 2021 para apoiar a elaboração de planos de ação nacionais contra o racismo e a discriminação racial e reforçar o impacto das ações do coordenador na execução do Plano de Ação da UE contra o Racismo.

Para o efeito, foi criado um subgrupo, que trabalhará com os Estados-Membros e se concentrará na aplicação do plano de ação a nível nacional. Em 19 de março, realizou-se a cimeira europeia contra o racismo, coorganizada pela Comissão e pela Presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, em cooperação com o Intergrupo Antirracismo e Diversidade do Parlamento Europeu.

Igualdade, inclusão e participação dos ciganos

A Recomendação do Conselho relativa à igualdade, à inclusão e à participação dos ciganos, adotada em março, contém uma lista exaustiva de medidas para combater a discriminação e o anticiganismo; promover a inclusão social; promover a participação e a cidadania ativa; e garantir a igualdade de acesso a uma educação de qualidade, ao emprego, à saúde e à habitação. Estas medidas vão desde o combate a várias formas de discriminação estrutural contra os ciganos até à garantia do acesso dos ciganos ao emprego em instituições públicas locais e regionais.

Vera Jourová gesticula junto a uma imagem da roda, símbolo do povo cigano.
Věra Jourová, vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta dos Valores e Transparência, profere um discurso durante a 14.a reunião da plataforma europeia para a inclusão dos ciganos, que se realizou em Bruxelas, Bélgica, em 21 de setembro de 2021.

A recomendação inscreve-se no quadro estratégico a 10 anos para promover a igualdade dos ciganos na UE, e foca sobretudo as parcerias e a capacidade institucional, o apoio à sociedade civil e ao desenvolvimento das comunidades, uma melhor utilização dos fundos e o reforço do acompanhamento. A luta contra o anticiganismo enquanto forma específica de racismo foi objeto de debate na cimeira europeia contra o racismo e na 14.ª reunião da plataforma europeia para a inclusão dos ciganos, realizada em setembro.

Igualdade das pessoas LGBTIQ

Em novembro de 2020, a Comissão adotou a estratégia para a igualdade das pessoas LGBTIQ 2020-2025, que define os principais objetivos e iniciativas para promover a igualdade das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgénero, intersexuais e queer. Desde então, a Comissão criou um subgrupo para a igualdade das pessoas LGBTIQ, no âmbito do grupo de alto nível sobre a não discriminação, igualdade e diversidade, para apoiar e acompanhar os progressos nos Estados-Membros, incluindo no que respeita à elaboração de planos de ação nacionais neste domínio.

Em julho, a Comissão deu início a processos por infração contra a Hungria e a Polónia relacionados com a igualdade e a proteção dos direitos fundamentais. Os processos contra a Hungria referem-se a uma lei recentemente adotada que proíbe ou limita o acesso dos menores de 18 anos a conteúdos que promovam ou retratem as chamadas «divergências em relação à identidade pessoal correspondente ao sexo à nascença, a mudança de sexo ou a homossexualidade» e à obrigação de incluir uma declaração de exoneração de responsabilidade num livro infantil com conteúdo LGBTIQ. Em 2 de dezembro, não tendo até aí obtido resposta às questões suscitadas, a Comissão decidiu enviar um parecer fundamentado à Hungria, concedendo-lhe dois meses para corrigir a situação. Se não o fizer, a Comissão pode decidir instaurar uma ação contra este Estado-Membro no Tribunal de Justiça da União Europeia.

No que diz respeito à Polónia, a Comissão considera que as autoridades polacas não responderam de forma completa e adequada às suas questões sobre a natureza e o impacto das resoluções sobre as chamadas «zonas isentas de ideologia LGBT» adotadas por várias regiões e municípios polacos. No final de 2021, a Comissão estava a analisar a resposta da Polónia à sua carta de notificação para cumprir, antes de tomar uma decisão quanto às próximas medidas a adotar.

Luta contra o antissemitismo

Em outubro, a Comissão adotou a primeira estratégia da UE para combater o antissemitismo e apoiar a vida judaica (2021-2030). No contexto de um aumento preocupante do antissemitismo, a estratégia define um conjunto de medidas articuladas em torno de três pilares: prevenir e combater todas as formas de antissemitismo; proteger e promover a vida judaica na UE; e educar, estudar e salvaguardar a memória do Holocausto. Os Estados-Membros já se comprometeram a prevenir e a combater todas as formas de antissemitismo através de estratégias e planos de ação nacionais em matéria de prevenção do racismo, da xenofobia, da radicalização e do extremismo violento.

Hoje em dia, o antissemitismo assume muitas formas, umas antigas, outras novas: do discurso de ódio em linha aos crimes de ódio e ataques contra os judeus, os seus bens e instituições, até à profanação de cemitérios e monumentos comemorativos.

  • Metade dos cidadãos da UE considera o antissemitismo um problema.
  • Nove em cada 10 (89 %) judeus na UE consideram que o antissemitismo aumentou no seu Estado-Membro.
  • 79 % dos judeus inquiridos não denunciaram a nenhuma organização o incidente antissemita mais grave de que foram vítimas.
  • Os judeus são grandes vítimas de linguagem tóxica em linha. Dependendo da plataforma analisada, são visados pela linguagem tóxica em 6,3 % a 27 % dos casos.

Luta contra os crimes de ódio e o discurso de ódio

Em dezembro, a Comissão solicitou formalmente ao Conselho que ampliasse a lista de «crimes reconhecidos pela UE» estabelecida no Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, de modo a incluir o discurso de ódio e os crimes de ódio. A Decisão-Quadro relativa à luta contra o racismo e a xenofobia por via do direito penal criminaliza apenas o discurso de ódio e os crimes de ódio de cariz racista e xenófobo por motivos de raça, cor, religião, ascendência ou origem nacional ou étnica. A criminalização de outras formas de discurso de ódio e de crimes de ódio — por exemplo, em razão do sexo, da orientação sexual, da idade e da deficiência — varia entre Estados-Membros. Uma decisão do Conselho que amplie a lista de «crimes reconhecidos pela UE» habilitará a Comissão a propor regras mínimas para criminalizar o discurso de ódio e os crimes de ódio por outros motivos para além do racismo e da xenofobia.

A Comissão prossegue os seus trabalhos para assegurar a correta transposição e aplicação da decisão-quadro através do diálogo com as autoridades nacionais e, se necessário, através da instauração de processos por infração. Em 2020 e 2021, a Comissão deu início a processos contra 13 Estados-Membros.

A Comissão prosseguiu os seus trabalhos de luta contra o discurso de ódio e os crimes de ódio racistas e xenófobos, dando orientações e trocando boas práticas com as autoridades nacionais e as organizações da sociedade civil no contexto do grupo de alto nível sobre a luta contra o racismo, a xenofobia e outras formas de intolerância. No que diz respeito à aplicação do código de conduta para a luta contra os discursos ilegais de incitação ao ódio em linha, a Comissão anunciou, em junho, a participação da rede social LinkedIn. Em outubro, a instituição publicou as conclusões da avaliação anual da aplicação do código de conduta, que mostram que, embora os resultados continuem a ser positivos, o ritmo de progresso abrandou.

Estratégia sobre os direitos das pessoas com deficiência

Na UE, há cerca de 87 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Todas as pessoas têm o direito inalienável a uma vida livre de obstáculos e as pessoas com deficiência têm o direito à igualdade de oportunidades, a participar na sociedade em condições de igualdade com os outros e a não serem alvo de discriminação e violência.

50,8 % das pessoas com deficiência têm emprego, em comparação com 75 % das pessoas sem deficiência.

28,4 % das pessoas com deficiência estão em risco de pobreza ou exclusão social, em comparação com 17,8 % das pessoas sem deficiência.

Apenas 29,4 % das pessoas com deficiência concluem um curso superior, em comparação com 43,8 % das pessoas sem deficiência.

52 % das pessoas com deficiência sentem-se discriminadas.

A estratégia sobre os direitos das pessoas com deficiência 2021-2030 — adotada em março e publicada também numa versão de fácil leitura — visa assegurar a sua plena participação na sociedade. Esta estratégia para os próximos 10 anos pretende dar resposta aos muitos desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência. Define ações para reforçar a igualdade em todos os aspetos da vida diária, nomeadamente uma qualidade de vida digna, uma vida autónoma e o pleno usufruto dos direitos humanos e dos direitos na UE, tais como a liberdade de circulação e o direito de voto. A estratégia promove também a igualdade de oportunidades no acesso ao trabalho, à justiça, à educação, aos cuidados de saúde, à cultura, ao desporto e ao turismo, e assegura a proteção contra todas as formas de discriminação.

Proteção e promoção dos direitos fundamentais consagrados na Carta

Em dezembro, a Comissão adotou o seu relatório anual de 2021 sobre a aplicação da Carta dos Direitos Fundamentais da UE, especialmente dedicado à proteção dos direitos fundamentais na era digital. A Comissão lançou igualmente uma campanha de sensibilização, que chama a atenção das pessoas para os direitos que lhes são conferidos pela Carta e para as vias de recurso à sua disposição se os seus direitos forem violados. A Comissão lançou ainda um convite à apresentação de propostas no âmbito do programa Cidadãos, Igualdade, Direitos e Valores para promover e defender os valores da UE. Este convite, no valor de 51 milhões de euros, apoiará os esforços envidados pelas organizações da sociedade civil da UE para proteger e promover os direitos e valores fundamentais. Tanto o relatório como o convite à apresentação de propostas resultam dos compromissos assumidos na estratégia para a aplicação da Carta dos Direitos Fundamentais na União Europeia apresentada pela Comissão em 2020.

Envelhecimento e demografia

A Europa atravessou e continua a enfrentar profundas alterações demográficas. Na UE, a esperança de vida à nascença aumentou cerca de 10 anos tanto para os homens como para as mulheres nas últimas cinco décadas. São necessárias políticas que possam antever e dar resposta a esta tendência, que está a transformar a sociedade e os estilos de vida. Em janeiro, a Comissão publicou o Livro Verde sobre o envelhecimento, a fim de lançar um debate público sobre as oportunidades e os desafios do envelhecimento. Através de uma abordagem baseada no ciclo de vida, o Livro Verde faz uma reflexão sobre o impacto universal do envelhecimento em todas as gerações e fases da vida e procura encontrar o justo equilíbrio entre as soluções sustentáveis para os nossos sistemas de proteção social e a equidade e solidariedade entre gerações.

Em abril, a Comissão lançou o Atlas demográfico, uma ferramenta interativa para acompanhar e avaliar as tendências demográficas a nível local e nacional e ao nível da UE. O Atlas inclui estatísticas e projeções oficiais do Eurostat, novos dados elaborados pelo Centro Comum de Investigação da Comissão e dados históricos sobre temas específicos que fornecem inúmeros elementos de prova da evolução demográfica, contribuindo assim para que a análise demográfica assuma um papel central na definição das políticas da UE. Em junho, o Conselho e a Comissão publicaram relatórios sobre a adequação dos cuidados de longa duração e das pensões, que abordam a questão do bem-estar dos idosos na UE nas próximas décadas. Prevê-se que o número de pessoas que poderá vir a necessitar de cuidados de longa duração na UE-27 aumente de 30,8 milhões em 2019 para 38,1 milhões em 2050; por seu turno, a despesa com cuidados de longa duração na UE deverá aumentar de 1,7 % do PIB em 2019 para 2,5 % do PIB em 2050.

Dois trabalhadores humanitários conversam à frente de um centro de acolhimento.
Criado com a colaboração da UE, um novo centro de acolhimento de refugiados assegura condições de acolhimento seguras, em consonância com as medidas de prevenção da COVID-19. Distrito de Kikuube, oeste do Uganda, 25 de janeiro de 2021.

Promover os interesses e valores europeus no mundo

A União Europeia como parceiro multilateral

A pandemia de COVID-19 demonstrou mais uma vez que a abordagem «o meu país primeiro» não funciona. A UE está por isso convicta de que só uma abordagem multilateral permite responder aos desafios e problemas comuns que a humanidade enfrenta. A UE colabora com os parceiros mundiais nas organizações multilaterais, instituições financeiras internacionais e coligações para tornar a vida melhor, mais saudável e mais segura para as pessoas, na Europa e em todo o mundo. Apoiar uma ordem internacional assente em regras não é apenas uma questão de fé para a União: o multilateralismo tornou possível, a nível mundial, o período mais longo de paz, estabilidade e progresso na via para o desenvolvimento sustentável.

Charles Michel, António Guterres e Ursula von der Leyen, de máscara, à frente da bandeira das Nações Unidas.
Da esquerda para a direita: Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, participaram na 76.a sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, EUA, em 20 de setembro de 2021.

Nas principais organizações multilaterais observa-se uma tendência crescente para o recurso ao veto e a defesa de interesses nacionais em vez da procura de uma base de entendimento. Consequentemente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas enfrenta um impasse e as políticas da Organização Mundial da Saúde e da Organização Mundial do Comércio (OMC) são contestadas.

Para a UE, é desejável e essencial que estas organizações sejam bem-sucedidas. Num contexto de crescente ceticismo público quanto aos benefícios da cooperação multilateral, é fundamental demonstrar por que razão continua a ser pertinente e necessário trabalhar em conjunto com parceiros internacionais como as Nações Unidas. Por conseguinte, em 2021, a UE continuou a apoiar os esforços desenvolvidos pelo secretário-geral das Nações Unidas para reformar o sistema multilateral e adaptá-lo à sua finalidade, em especial no contexto da execução da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Em 2021, a UE e as Nações Unidas trabalharam em conjunto em mais de 170 países

Prevenir e ultrapassar situações de crise

Proteger as pessoas em risco devido a guerras, doenças e catástrofes naturais

Apoiar a não proliferação e o desarmamento

Combater a fome e a má-nutrição

Construir sociedades democráticas e inclusivas

Prestar serviços essenciais

Contribuir para o crescimento económico sustentável e o emprego digno

Combater as alterações climáticas

Combater a pandemia de COVID-19

Em fevereiro, a UE definiu as suas expectativas e ambições para o sistema multilateral numa comunicação conjunta que apela para a modernização das principais instituições e apoia o desenvolvimento de novas normas mundiais e a criação de plataformas de cooperação em domínios como a fiscalidade, a esfera digital e a inteligência artificial.

Josep Borrell posa para a fotografia, ao lado de sete membros dos governos, junto a mesas com a inscrição G7, vendo-se em pano de fundo várias bandeiras, entre as quais se divisam as da União Europeia, de Itália, do Reino Unido e dos Estados Unidos da América.
Josep Borrell, alto representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e vice-presidente da Comissão (à direita), na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros e do Desenvolvimento do G7 destinada a debater os desafios geopolíticos e de segurança, com (da esquerda para a direita) Teodoro L. Locsin, ministro dos Negócios Estrangeiros das Filipinas; Annalena Baerbock, ministra federal dos Negócios Estrangeiros da Alemanha; Luigi Di Maio, ministro italiano dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional; Liz Truss, ministra dos Negócios Estrangeiros, da Comunidade das Nações e do Desenvolvimento do Reino Unido; e Mélanie Joly, ministra canadiana dos Negócios Estrangeiros, em Liverpool, Reino Unido, 12 de dezembro de 2021.

Assumir a liderança nas instâncias multilaterais

A UE é uma das principais forças motrizes da cooperação internacional. Em 2021, continuou a promover objetivos ambiciosos em matéria de sustentabilidade, na perspetiva da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), realizada em Glasgow, Reino Unido (ver capítulo 2), e da Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade em Kunming, China, e a liderar a nível mundial os esforços de execução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Em maio, a UE organizou juntamente com a Presidência italiana do G20 uma Cimeira Mundial da Saúde, a qual culminou numa declaração de princípios que orientará a ação mundial em matéria de saúde nos próximos anos. Na cimeira dos dirigentes do G7, realizada em junho na Cornualha, Reino Unido, a recuperação mundial após a pandemia ocupou um lugar de destaque na ordem de trabalhos, tendo a UE assumido uma posição de liderança. Os líderes do G7 comprometeram-se a fornecer mil milhões de doses de vacinas aos países de baixo e médio rendimento e a acelerar a produção e a entrega de vacinas a nível mundial.

Os líderes do G20 posam para uma fotografia de grupo.
Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, com outros líderes do G20 na Cimeira do G20 realizada em Roma, Itália, em 30 e 31 de outubro de 2021.
Paolo Gentiloni conversa com Janet Yellen, sentados respetivamente à frente das bandeiras da União Europeia e dos Estados Unidos da América.
Paolo Gentiloni, comissário europeu responsável pela Economia (à direita), com Janet Yellen, secretária do Tesouro dos EUA, em Londres, Reino Unido, em 5 de junho de 2021. As relações entre a UE e os EUA foram cruciais para as negociações que conduziram ao acordo de julho sobre uma tributação mais justa das empresas multinacionais.

Na Cimeira do G20 de outubro, realizada em Roma, Itália, os líderes do G20 aprovaram uma proposta dos seus ministros das Finanças que visa o estabelecimento de uma taxa mínima de imposto a nível mundial de, pelo menos, 15 % para as empresas multinacionais. Este acordo alcançado por 136 jurisdições constituiu um avanço decisivo após muitos anos de negociações. O acordo assegurará igualmente que as multinacionais mais rentáveis a nível mundial paguem impostos nos países onde obtêm as suas receitas, e não apenas nos países onde têm a sua sede.

Frans Timmermans e Shinjirō Koizumi, de máscara, cumprimentam-se com um toque de punho fechado enquanto posam para a fotografia.
Frans Timmermans, vice-presidente executivo da Comissão Europeia responsável pelo Pacto Ecológico Europeu (à direita), com Shinjirō Koizumi, ministro japonês do Ambiente, na reunião ministerial conjunta do G20 sobre o clima e a energia, em Nápoles, Itália, em 22 de julho de 2021.

Em 28 e 29 de junho, o alto representante, Josep Borrell, participou nas primeiras reuniões ministeriais presenciais sob a Presidência italiana do G20 em Matera, Itália. No seguimento desses encontros realizou-se uma reunião conjunta dos ministros dos Negócios Estrangeiros e do Desenvolvimento, na qual participou Jutta Urpilainen, comissária responsável pelas Parcerias Internacionais. Os ministros dos Negócios Estrangeiros debateram o multilateralismo e a governação mundial, bem como a forma de combater em conjunto a pandemia e de «reconstruir melhor». Analisaram igualmente as formas de renovar a dinâmica dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente em África.

Paz e segurança

Face aos complexos desafios da situação mundial, a UE precisa de melhorar a sua capacidade de prevenir conflitos e reforçar a paz e a segurança internacionais. Com o novo Mecanismo Europeu de Apoio à Paz (MEAP), a UE assume uma maior responsabilidade enquanto garante da segurança mundial. O mecanismo financiará os custos comuns das missões e operações militares no âmbito da política comum de segurança e defesa, bem como medidas de assistência para apoiar os parceiros no domínio militar e da defesa. A assistência concedida pode beneficiar os parceiros em todo o mundo que enfrentem grandes desafios em matéria de segurança e que os Estados-Membros da UE decidam apoiar.

O Mecanismo Europeu de Apoio à Paz maximizará o impacto, a eficácia e a sustentabilidade do conjunto da ação externa da UE nos domínios da paz e da segurança:

garantindo a dis­po­ni­bi­li­da­de de fi­nan­ci­a­men­to da UE de forma fiável e previsível,

assegurando uma resposta rápida a crises e a prestação de assistência urgente,

prestando apoio a longo prazo aos parceiros da UE para o reforço das capacidades.

O Mecanismo Europeu de Apoio à Paz é um novo fundo no valor de 5 mil milhões de EUR, financiado fora do orçamento da UE para um período de sete anos (2021-2027), que:

cria um instrumento único para financiar todas as ações da política externa e de segurança comum nos domínios militar e da defesa,

substitui o mecanismo Athena e o Mecanismo de Apoio à Paz em África, passando a assumir os aspetos militares e de defesa anteriormente abrangidos por esses instrumentos.

O alto representante, Josep Borrell, em colaboração com os Estados-Membros, fez avançar os trabalhos com vista à elaboração das orientações estratégicas. Estas orientações definem uma visão para a segurança e a defesa nos próximos cinco a 10 anos e apresentam propostas concretas para a ação da UE nas várias dimensões da segurança e defesa, que englobam tanto a gestão de crises e a resiliência como as capacidades e as parcerias. O primeiro projeto das orientações estratégicas foi apresentado pelo alto representante aos Estados-Membros em novembro de 2021, prevendo-se que seja adotado em março de 2022.

Desenvolvimento e ajuda humanitária

A UE e os seus 27 Estados-Membros aumentaram significativamente a assistência aos países parceiros, que ascendeu a 66,8 mil milhões de euros em 2020. A UE é o maior doador de ajuda a nível mundial, fornecendo 46 % da assistência global.

A UE concedeu mais de 2,1 mil milhões de euros em ajuda humanitária em 2021, nomeadamente para dar resposta a necessidades urgentes decorrentes da COVID-19. Os voos da ponte aérea humanitária organizada pela UE levaram mais de 20 toneladas de bens destinados a ajuda humanitária a Moçambique e mais de 177 toneladas ao Haiti, na sequência do terramoto devastador que ocorreu neste país.

Trabalhadores humanitários inspecionam uma remessa de carga.
Em 14 de agosto de 2021, o Haiti foi atingido por um violento sismo que devastou edifícios e habitações, afetou gravemente hospitais e escolas e danificou redes de água, estradas e pontes. A UE mobilizou rapidamente apoio para ser enviado a este país já extremamente frágil.
A UE afetou 3 milhões de euros de financiamento humanitário para dar resposta às necessidades mais urgentes das comunidades afetadas. Organizou igualmente três pontes aéreas humanitárias para fornecer ao Haiti material destinado a salvar vidas humanas, e coordenou a assistência prestada pelos Estados-Membros e canalizada através do Mecanismo de Proteção Civil da UE.
Uma operação de carregamento de um avião, vendo-se, em primeiro plano, uma palete marcada com a bandeira da UE.
No verão de 2021, a UE organizou uma ponte aérea humanitária para Moçambique. Três voos transportaram ajuda humanitária essencial em apoio da província de Cabo Delgado, incluindo donativos provenientes de Itália e de Portugal, imediatamente após o aumento da violência na região.

A UE prestou apoio a pessoas vulneráveis proporcionando assistência vital em países assolados por conflitos, como o Afeganistão, a Etiópia e o Iémen. Continuou também a apoiar as pessoas vulneráveis na Síria, assim como os refugiados sírios que se encontram na Turquia e noutros países da região.

A fim de fazer face a uma série de desafios sem precedentes na área dos esforços humanitários, a Comissão adotou em março uma nova perspetiva estratégica para reforçar o impacto humanitário mundial da UE e assegurar que esta continua a assumir um papel de liderança. A comunicação sobre a ação humanitária da UE propôs ações-chave para uma utilização mais eficiente dos recursos; a prestação de ajuda humanitária de forma mais rápida através do apoio aos parceiros humanitários, nomeadamente através da criação de uma capacidade de resposta humanitária europeia com base numa abordagem «Equipa Europa»; o alargamento da base de doadores dentro e fora da Europa; e o combate às causas profundas das crises através da prestação de ajuda humanitária em estreita colaboração com as organizações de desenvolvimento e de consolidação da paz. A comunicação propôs também medidas concretas para colocar a observância do direito internacional humanitário no centro da ação externa da UE e definiu planos para fazer face ao dramático impacto humanitário das alterações climáticas.

Entre 2021 e 2027, o Instrumento de Vizinhança, de Cooperação para o Desenvolvimento e de Cooperação Internacional — Europa Global, dotado de um orçamento de 79,5 mil milhões de euros para financiamento, dos quais 60,39 mil milhões serão atribuídos a programas geográficos, financiará a cooperação da UE com países terceiros (exceto os beneficiários de assistência de pré-adesão e os países e territórios ultramarinos).

O Instrumento de Vizinhança, de Cooperação para o Desenvolvimento e de Cooperação Internacional – Europa Global será o principal instrumento financeiro de auxílio à erradicação da pobreza e à promoção do desenvolvimento sustentável, da prosperidade e estabilidade.

Mais financiamento para a ação externa da UE

Simplificação: menos instrumentos e integração do Fundo Europeu de Desenvolvimento no orçamento

Flexibilidade numa base plurianual, para dar resposta à evolução da situação

Maior transparência e controlo democrático

O mapa mostra as contribuições do Instrumento de Vizinhança, de Cooperação para o Desenvolvimento e de Cooperação Internacional — Europa Global (I V C D C I-Europa Global), repartidas por região geográfica.

Dotado de um orçamento de 60,39 mil milhões de euros, o pilar geográfico do Instrumento de Vizinhança, de Cooperação para o Desenvolvimento e de Cooperação Internacional — Europa Global (I V C D C I Europa Global) promoverá o diálogo e a cooperação com países terceiros. Cada dotação regional será adaptada às necessidades e prioridades dos respetivos países e regiões e refletirá as prioridades estratégicas da União Europeia. Através do I V C D C I Europa Global, a União Europeia afetará pelo menos 19,32 mil milhões de euros aos países da vizinhança da Europa Oriental e do Norte de África, pelo menos 29,18 mil milhões de euros à África Subsariana, 8,49 mil milhões de euros à Ásia e ao Pacífico e 3,39 mil milhões de euros às Américas e Caraíbas. O mapa mostra também os países abrangidos pelo instrumento de assistência de pré-adesão e pelo instrumento de cooperação com os países e territórios ultramarinos.

A UE amplia e complementa o novo Fundo Europeu para o Desenvolvimento Sustentável Mais através do Instrumento de Vizinhança, Desenvolvimento e Cooperação Internacional — Europa Global (IVCDCI-Europa Global). O fundo viabilizará o investimento em países parceiros que, de outro modo, não seria possível.

Promover os direitos humanos e a democracia a nível mundial

O Plano de Ação em matéria de Igualdade de Género, adotado em novembro de 2020, tem por objetivo tornar a igualdade de género e o empoderamento das mulheres e das raparigas uma prioridade da ação externa da UE. Até 2025, 85 % das novas iniciativas da UE deverão contribuir para que este objetivo seja atingido.

Na Cimeira Mundial da Educação realizada em Londres, Reino Unido, no mês de julho, a UE e os seus Estados-Membros, enquanto Equipa Europa, comprometeram-se a consagrar 1,7 mil milhões de euros à Parceria Global para a Educação, a fim de ajudar a transformar os sistemas de ensino em prol de mais de mil milhões de crianças de ambos os sexos em cerca de 90 países e territórios. Trata-se da maior contribuição a favor desta parceria.

Em dezembro, a presidente Ursula von der Leyen representou a Comissão Europeia na Cimeira para a Democracia organizada pelo presidente dos EUA, Joe Biden. A cimeira reuniu dirigentes de governos, da sociedade civil e do setor privado num esforço para definir uma agenda positiva para a renovação democrática e para fazer face, através de ações coletivas, às maiores ameaças que as democracias enfrentam atualmente. Também em dezembro, a presidente Ursula von der Leyen anunciou o novo programa Europa Global para os direitos humanos e a democracia, com um orçamento de 1,5 mil milhões de euros.

Em 2021, a UE recorreu pela primeira vez ao regime global de sanções em matéria de direitos humanos que tinha adotado em dezembro de 2020, tendo imposto sanções contra pessoas e entidades na China, Coreia do Norte, Eritreia, Líbia, Rússia e Sudão do Sul. As pessoas e entidades visadas são responsáveis por graves violações e abusos dos direitos humanos, desde tortura, execuções extrajudiciais e assassínios até ao desaparecimento forçado de pessoas, detenções arbitrárias e recurso sistemático ao trabalho forçado.

A ação de observação eleitoral continua a ser uma demonstração muito evidente do empenho da UE em apoiar os processos democráticos. Em 2021, apesar dos condicionalismos resultantes da COVID-19, a UE enviou seis missões de observação eleitoral às Honduras, ao Iraque, ao Kosovo (esta designação não prejudica as posições relativas ao estatuto e está conforme com a Resolução 1244/1999 do Conselho de Segurança da ONU e com o parecer do Tribunal Internacional de Justiça sobre a declaração de independência do Kosovo), à Gâmbia, à Venezuela e à Zâmbia. Foram realizadas missões de peritos eleitorais, de menor dimensão, e missões de acompanhamento em mais de 10 países a fim de analisar as eleições, avaliar os progressos realizados na aplicação de recomendações anteriores da UE e ajudar a melhorar as condições para os futuros processos eleitorais. Tendo em conta os novos desafios para a democracia decorrentes das tecnologias digitais, foram introduzidos elementos inovadores nas atividades de observação eleitoral da UE para analisar a dimensão em linha de todos os processos eleitorais. Além disso, a Comissão aprovou, e está a promover a nível internacional, orientações comuns sobre a observação de campanhas em linha e sobre as melhores práticas em matéria de tecnologias eleitorais.

O Ártico

Este vídeo explica porque é necessária uma nova política da União Europeia para o Ártico.
Vídeo: A nova política da UE para o Ártico explicada.

Em outubro, a UE atualizou a sua política para o Ártico a fim de centrar a atenção na ação climática e proteção do ambiente, nos empregos verdes e no reforço da cooperação internacional em toda a região do Ártico, incluindo as iniciativas científicas lideradas pela Europa. Em novembro, a Comissão e o Serviço Europeu para a Ação Externa organizaram um Fórum para o Ártico e um diálogo com os povos indígenas para auscultar as necessidades e as perspetivas dos habitantes da região. Esta iniciativa reforça o empenhamento da UE no Ártico, alinhando-o com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu e com o papel geopolítico da UE no mundo. A UE prosseguirá a colaboração com os seus parceiros a fim de garantir que o Ártico continua a ser uma região pacífica em que existe uma cooperação internacional eficaz.

Os oceanos

Durante o Fórum sobre a Governação Internacional dos Oceanos de 2021, a UE apresentou as suas recomendações sobre a sustentabilidade dos oceanos. A governação internacional dos oceanos é fundamental para travar a perda de biodiversidade e combater as alterações climáticas. A Comissão Europeia anunciou que atualizará a agenda de governação internacional dos oceanos da UE em 2022, a fim de garantir que esta continua a coadunar-se com os objetivos visados.

Em abril e setembro, o comissário responsável pelo Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevičius, organizou reuniões ministeriais para promover o apoio à designação de novas zonas marinhas protegidas no Oceano Antártico. As reuniões realizaram-se antes da 40.a reunião anual da Comissão para a Conservação da Fauna e da Flora Marinhas da Antártida, em outubro, e permitiram coordenar as ações dos copatrocinadores.

Estratégia Global Gateway

Em dezembro, a UE lançou a estratégia Global Gateway, uma nova iniciativa que tem por objetivo desenvolver uma conectividade inteligente, limpa e segura nos setores digital, da energia e dos transportes e reforçar os sistemas de saúde, educação e investigação em todo o mundo. A pandemia de COVID-19 pôs em evidência as lacunas existentes nas infraestruturas mundiais, que conduziram a ruturas nas cadeias de abastecimento e à consequente escassez de produtos médicos e outros produtos, com consequências humanas e económicas significativas. As transições ecológica e digital também estão a criar necessidades adicionais em termos de infraestruturas. A Global Gateway desenvolverá infraestruturas sustentáveis e de elevada qualidade assegurando ao mesmo tempo a sustentabilidade financeira, contando com financiamento da UE, dos seus Estados-Membros e das instituições financeiras europeias (Equipa Europa) e com a participação do setor privado. Tem por objetivo mobilizar até 300 mil milhões de euros em investimentos entre 2021 e 2027.

A melhoria das infraestruturas físicas (por exemplo, aumento do número de cabos de fibra ótica) será complementada por condições comerciais favoráveis às empresas e por uma convergência regulamentar, para reduzir os obstáculos no sistema de distribuição mundial. Os valores democráticos, a igualdade nas parcerias, a boa governação, a neutralidade climática e a segurança serão os princípios orientadores de todas as despesas no âmbito da Global Gateway, em consonância com os princípios da ação externa da UE em matéria de direitos humanos, com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e com os objetivos do Acordo de Paris.

A infografia apresenta os principais domínios de parceria da estratégia global gateway.

Através da estratégia global gateway, a União Europeia apoiará uma internet aberta e segura, o investimento e as regras que tornarão possível a transição para as energias limpas, e todos os modos de transporte ecológicos, inteligentes e seguros. A União Europeia contribuirá igualmente para reforçar as cadeias de abastecimento e a produção local de vacinas e investirá numa educação de elevada qualidade, prestando especial atenção às raparigas, às mulheres e aos grupos vulneráveis.

Estratégia Global Gateway — principais domínios de parceria.

Comércio

O relatório da Comissão sobre comércio e emprego de 2021 mostra que as exportações asseguram mais de 38 milhões de postos de trabalho na UE, ou seja, mais 11 milhões do que há 10 anos. A remuneração destes postos de trabalho é, em média, 12 % superior à dos postos de trabalho na economia em geral.

Em fevereiro, a Comissão apresentou uma estratégia para uma política comercial aberta, sustentável e assertiva. Esta estratégia dá prioridade a uma reforma profunda da OMC, a fim de incluir compromissos mundiais em matéria de comércio e clima, novas regras para o comércio digital e regras reforçadas para combater as distorções da concorrência e restabelecer o seu sistema vinculativo de resolução de litígios.

A nova estratégia visa também reforçar a capacidade do comércio de apoiar as transições digital e climática. Contribuirá para a concretização dos objetivos do Pacto Ecológico Europeu ao promover a transição ecológica no quadro dos acordos comerciais, do Sistema de Preferências Generalizadas e de compromissos no âmbito da OMC. Além disso, eliminará os obstáculos injustificados ao comércio na economia digital, a fim de colher os benefícios das tecnologias digitais nas trocas comerciais. Ao reforçar as suas alianças, tais como a parceria transatlântica, dedicando também maior atenção aos países vizinhos e a África, a UE estará mais apta a moldar a mudança a nível mundial.

A UE adotou simultaneamente uma abordagem mais assertiva para assegurar a aplicação e execução dos seus acordos comerciais, combater as práticas comerciais desleais, defender os valores e normas da UE no estrangeiro, ajudar as pequenas e médias empresas a tirar partido dos acordos comerciais da UE e dar resposta às preocupações em matéria de sustentabilidade.

Em 2021, a UE participou numa série de negociações prioritárias da OMC. As negociações sobre as subvenções às pescas são as únicas negociações em curso que incluem todos os membros da OMC, sendo, por conseguinte, extremamente significativas. Paralelamente, a UE propôs uma iniciativa para manter abertas as cadeias de abastecimento de bens e vacinas relacionados com a COVID-19, limitando as restrições desnecessárias à exportação e promovendo a produção e a distribuição de vacinas. Por último, a UE propôs dar prioridade ao compromisso de determinar de que forma as regras da OMC podem impulsionar ainda mais a sustentabilidade ambiental e atenuar as alterações climáticas.

Embora a 12.a Conferência Ministerial da OMC tenha sido adiada, tal não impediu totalmente que se realizassem progressos. Em 2021, a UE, juntamente com outros 67 membros da OMC, celebrou um acordo para simplificar o comércio de serviços, a iniciativa conjunta sobre a regulamentação interna dos serviços. Este é o primeiro resultado da OMC no domínio do comércio de serviços desde há muito, e as estimativas iniciais mostram que este acordo reduzirá os custos do comércio mundial de serviços em mais de 150 mil milhões de dólares todos os anos. A UE também participará em três novas iniciativas em matéria de comércio e ambiente e comércio e clima.

Sistema de preferências generalizadas

Em setembro, a Comissão adotou uma proposta legislativa que visa reformar o sistema de preferências generalizadas da UE no período de 2024-2034. Este sistema apoia as economias dos países em desenvolvimento ao reduzir ou eliminar os direitos aduaneiros sobre as suas exportações para a União e ao permitir uma maior participação e envolvimento destes países nas cadeias de valor mundiais. A proposta de novo regulamento centra o sistema em maior medida na redução da pobreza e no aumento das oportunidades de exportação dos países mais necessitados. Alarga igualmente a lista de convenções sobre os direitos humanos e laborais, o ambiente e a boa governação que os países beneficiários devem respeitar e agiliza a possibilidade de retirar as preferências da UE em resposta a violações graves e sistemáticas dessas convenções.

Negociações comerciais em curso/novas

O reforço das relações comerciais com a Ásia e a África continuou a ser uma prioridade em 2021. A UE está a aprofundar os seus acordos existentes com a África Oriental e Austral e está a negociar um acordo de facilitação do investimento com Angola. Na região Ásia-Pacífico, prosseguiram as negociações com a Austrália, o Chile, a Indonésia e a Nova Zelândia.

Em maio, a UE e a Índia concordaram em retomar as negociações sobre um acordo comercial equilibrado, ambicioso, abrangente e mutuamente benéfico e em iniciar negociações sobre um acordo autónomo de proteção do investimento e um acordo sobre indicações geográficas.

Instrumento para impedir e contrariar medidas coercivas adotadas por países terceiros

Valdis Dombrovskis discursa de uma tribuna.
Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo da Comissão Europeia com a pasta Uma Economia ao Serviço das Pessoas e comissário responsável pelo Comércio, na conferência de imprensa em que apresentou o novo instrumento proposto para combater o recurso à coerção económica por países terceiros, em Bruxelas, Bélgica, 8 de dezembro de 2021.

O termo coerção económica designa situações específicas em que um país terceiro procura pressionar a UE ou os seus Estados-Membros a fazerem uma determinada escolha política através de medidas formais ou informais como a instituição de direitos aduaneiros ou a cessação de expedições. Em dezembro, a Comissão propôs um novo instrumento para impedir ou, se necessário, combater a coerção económica. O instrumento anticoerção foi concebido para travar a escalada de medidas de coerção específicas e conduzir à sua cessação através do diálogo, numa primeira etapa. No entanto, quando não existe outra forma de combater a intimidação económica, a resposta da União pode consistir em medidas não vinculativas (negociações, determinação de um ato do país terceiro como coercivo) ou, em último recurso, em contramedidas sob a forma de restrições ao comércio, ao investimento ou outras restrições.

Controlo das exportações de produtos de dupla utilização

Em 2021, a UE reforçou a sua capacidade de resposta aos novos riscos de segurança causados pelas tecnologias emergentes. O novo regulamento relativo ao controlo das exportações entrou em vigor em setembro e reforça o controlo do comércio de produtos de dupla utilização — bens e tecnologias civis com possíveis utilizações militares ou de segurança —, melhorando simultaneamente a capacidade da UE de proteger os direitos humanos e apoiar a segurança das cadeias de abastecimento de produtos estratégicos.

O novo quadro permite à UE aplicar um conjunto de medidas importantes para obter conhecimentos especializados e superar desafios específicos, nomeadamente no domínio da cibervigilância — para o qual estão já a ser preparadas orientações em matéria de dever de diligência —, mas também relacionados com as tecnologias emergentes de dupla utilização, como a computação avançada.

Análise do investimento direto estrangeiro

Hoje, mais do que nunca, a abertura da UE ao investimento direto estrangeiro (IDE) tem de ser equilibrada por instrumentos de análise adequados que salvaguardem a nossa segurança e a ordem pública. Os Estados-Membros e a Comissão estão a trabalhar em estreita colaboração para garantir que qualquer investimento direto estrangeiro suscetível de representar um risco para a segurança dos Estados-Membros ou dos ativos essenciais da UE seja objeto de uma análise eficaz. O primeiro relatório anual relativo à análise dos investimentos diretos estrangeiros foi publicado em novembro de 2021.

Investigação e inovação

Em maio, a Comissão adotou uma comunicação sobre a sua abordagem global da investigação e inovação. A nova estratégia assenta em dois objetivos principais. Em primeiro lugar, visa criar um ambiente de investigação e inovação assente em valores comuns e regras acordadas e que seja aberto, para ajudar os investigadores do mundo inteiro a colaborar no quadro de parcerias multilaterais e a encontrar soluções para os desafios globais. Em segundo lugar, pretende garantir a reciprocidade e condições equitativas no que respeita à cooperação internacional em matéria de investigação e inovação. A ação a desenvolver inclui o apoio aos investigadores e respetivas organizações a fim de contribuir para acelerar o desenvolvimento sustentável e inclusivo nos países de baixo e médio rendimento, nomeadamente através de uma ambiciosa «Iniciativa África» no âmbito do programa Horizonte Europa, destinada a reforçar a cooperação com os países africanos. O programa de trabalho do Horizonte Europa para 2021 e 2022 inclui cerca de 40 temas com um orçamento de aproximadamente 350 milhões de euros, ao abrigo de convites à apresentação de propostas que são particularmente relevantes para a cooperação com África.

África

Ao longo de 2021, a UE continuou a trabalhar em estreita colaboração com os seus parceiros em África com base na comunicação conjunta «Rumo a uma estratégia abrangente para África» de 2020. Os ministros dos Negócios Estrangeiros africanos e da UE reuniram-se em Kigali, Ruanda, em outubro, para fazer o balanço da parceria África-UE e definir prioridades conjuntas antes da próxima Cimeira União Europeia-União Africana, em fevereiro de 2022. Foi acordado prosseguir a cooperação na resposta à COVID-19, incluindo em matéria de acesso às vacinas, recuperação económica, investimento nas transições ecológica e digital, paz, segurança e governação, bem como migração e mobilidade.

Em abril, o Fórum Empresarial UE-África reuniu mais de 3 000 participantes de África e da Europa, incluindo representantes dos governos, empresários e investidores, que debateram formas de acelerar a transição para a energia verde em África e de alargar o acesso à energia, criando emprego e assegurando uma recuperação económica sustentável na sequência da COVID-19. Através da série de Debates em linha África-UE, os decisores políticos, os representantes da sociedade civil e os representantes dos jovens de ambos os continentes tiveram a oportunidade de expressar os seus pontos de vista sobre as prioridades futuras.

A Equipa Europa apoia a produção local e o acesso a vacinas, medicamentos e tecnologias da saúde em África. Para o efeito foram disponibilizados mil milhões de euros provenientes do orçamento da UE e das instituições europeias de financiamento do desenvolvimento, e foi estabelecida uma cooperação entre o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças e os Centros Africanos de Prevenção e Controlo das Doenças.

Robert Dussey gesticula enquanto discursa de uma tribuna e Jutta Urpilainen observa-o sorridente.
Jutta Urpilainen, comissária europeia responsável pelas Parcerias Internacionais (à direita), e Robert Dussey, ministro dos Negócios Estrangeiros, da Integração Africana e dos Togoleses no Estrangeiro, presidente do grupo central de negociação e negociador principal da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), participaram na cerimónia em que se procedeu à rubrica do novo Acordo de Parceria OEACP-UE (também referido como acordo pós-Cotonu), em Bruxelas, Bélgica, em 15 de abril de 2021.

Em 15 de abril de 2021, foi rubricado um novo acordo de parceria entre a UE e os membros da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico. O acordo estabelece um quadro para as relações políticas e económicas e as prioridades de cooperação para um período de 20 anos. Contém igualmente um substancial e extenso Protocolo para África — um dos três protocolos regionais — centrado nas necessidades específicas deste continente.

O pilar geográfico do Instrumento de Vizinhança, de Cooperação para o Desenvolvimento e de Cooperação Internacional — Europa Global promove o diálogo e a cooperação com países não pertencentes à UE. O orçamento de 60,39 mil milhões de euros deste pilar do instrumento inclui um montante mínimo de 29,18 mil milhões de euros para a África Subsariana (para 2021-2027).

Etiópia

Em 2021, a UE continuou a acompanhar atentamente a situação na Etiópia. O conflito na região de Tigré provocou uma crise humanitária devastadora, comprometendo a integridade territorial e a estabilidade do país e afetando toda a região. A violência obrigou quase três milhões de pessoas a abandonar as suas casas e mais de cinco milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária urgente. Em dezembro, a UE apelou para um cessar-fogo incondicional e instou todas as partes a encetarem um diálogo nacional inclusivo e transparente. Garantir a proteção da população civil e o acesso sem entraves da ajuda humanitária continuam a ser prioridades fundamentais. A UE apoia os esforços de mediação envidados a nível regional e pela União Africana, liderados pelo alto representante da União Africana para o Corno de África, Olusegun Obasanjo. A UE continua pronta a recorrer a todos os seus instrumentos de política externa, incluindo medidas restritivas, para promover a paz e o respeito do direito internacional humanitário e do direito internacional em matéria de direitos humanos, bem como para ajudar a pôr termo ao conflito. Em 2021, a UE atribuiu mais de 85,2 milhões de euros a projetos humanitários na Etiópia, incluindo 48 milhões de euros especificamente para as pessoas afetadas pelo conflito no norte do país.

Sael

A UE é um dos maiores fornecedores de ajuda humanitária aos países africanos do Sael. Em dezembro, afetou 15 milhões de euros de financiamento humanitário adicional à região, em resposta à crise alimentar sem precedentes que afeta mais de 8,7 milhões de pessoas no Burquina Fasso, no Mali, na Mauritânia e no Níger. Ao longo do ano, a UE atribuiu um montante total de 237,4 milhões de euros ao Sael. Uma parte deste financiamento foi utilizada para ajudar a fazer face à crise alimentar na região, atualmente no seu quarto ano consecutivo, que afeta principalmente as pessoas que vivem em zonas assoladas por conflitos. Em junho, a UE reafirmou o seu apoio aos esforços envidados pelos países do G5 Sael (Burquina Fasso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger) para reforçar a governação, o Estado de direito e a prestação de serviços públicos nos seus territórios.

Os dirigentes da UE condenaram veementemente o golpe de Estado que ocorreu no Mali em 24 de maio de 2021 e declararam que a UE estava disposta a ponderar a adoção de medidas restritivas específicas. Em dezembro, o Conselho estabeleceu um quadro de sanções autónomo contra os responsáveis por ameaças à paz, à segurança ou à estabilidade no Mali ou pela criação de entraves ao processo de transição política.

Charles Michel, de máscara, ouve as explicações durante uma visita ao Institut Pasteur.
Charles Michel, presidente do Conselho Europeu (ao centro), visita o Institut Pasteur em Dacar, Senegal, em 6 de dezembro de 2021. A visita decorreu durante o Fórum Internacional de Dacar sobre a Paz e a Segurança em África, que ocorreu em 5 e 6 de dezembro de 2021.

Balcãs Ocidentais e alargamento

Na Cimeira UE-Balcãs Ocidentais realizada em Brdo pri Kranju, Eslovénia, em outubro de 2021, a UE reafirmou o seu empenhamento em relação à perspetiva europeia da região e ao processo de alargamento. A Comissão começou a aplicar a metodologia de alargamento revista, que se reflete igualmente no seu Pacote Alargamento de 2021, adotado em 19 de outubro, no Plano Económico e de Investimento para a região e no quadro jurídico do Instrumento de Assistência de Pré-Adesão.

O Plano Económico e de Investimento para os Balcãs Ocidentais é um pacote de investimento substancial, uma vez que permitirá mobilizar até 30 mil milhões de euros em investimentos ao longo dos próximos sete anos, o que representa um terço do produto interno bruto da região. O Instrumento de Assistência de Pré-Adesão será a principal fonte de financiamento deste plano, contribuindo para a recuperação a longo prazo após a pandemia, impulsionando o crescimento económico e a convergência e apoiando as reformas necessárias para avançar na via da adesão à UE.

Na Cimeira UE-Balcãs Ocidentais, os dirigentes lançaram a agenda para os Balcãs Ocidentais em matéria de inovação, investigação, educação, cultura, juventude e desporto, que promoverá a excelência científica e a reforma dos sistemas educativos da região, criará mais oportunidades para os jovens e ajudará a evitar a fuga de cérebros. Os dirigentes aprovaram igualmente a elaboração do roteiro para o roaming entre a UE e os Balcãs Ocidentais, com base no sistema Roam like at homeroaming gratuito na região — que entrou em vigor em 1 de julho.

A Albânia e a Macedónia do Norte continuaram a cumprir as condições para o lançamento oficial das negociações de adesão. A UE saudou a abertura das negociações com a Sérvia relativas ao grupo temático 4, «Agenda Verde e conectividade sustentável», em dezembro, e organizou duas conferências políticas intergovernamentais com o Montenegro.

Política de vizinhança

Vizinhança meridional

Olivér Várhelyi e Hala Zayed conversam, sentados frente a frente.
Olivér Várhelyi, comissário europeu responsável pela Vizinhança e Alargamento (à esquerda), durante uma reunião com Hala Zayed, ministra da Saúde do Egito, no Cairo, Egito, em 24 de outubro de 2021. Durante a visita, o Comissário também participou na Semana da Água do Cairo e visitou alguns projetos financiados pela UE.

Em fevereiro, a Comissão Europeia e o alto representante adotaram a nova Agenda para o Mediterrâneo a fim de renovar a parceria com a sua vizinhança meridional. A agenda reitera a importância de um diálogo político renovado e intensificado em todo o Mediterrâneo para reforçar a cooperação em domínios como a paz e a segurança, o Estado de direito, as reformas da administração pública, a saúde, a migração, as alterações climáticas e a transição digital. Inclui igualmente um plano económico e de investimento específico, com iniciativas em setores estratégicos destinadas a estimular uma recuperação socioeconómica sustentável e inclusiva a longo prazo — incluindo no contexto da pandemia de COVID-19 —, gerar prosperidade, aumentar o comércio e apoiar a competitividade.

Temas principais

  • Desenvolvimento humano, boa governação e Estado de direito
  • Resiliência, prosperidade e transição digital
  • Paz e segurança
  • Migração e mobilidade
  • Transição ecológica: resiliência às alterações climáticas, energia e ambiente

Financiamento

A nova agenda orientará a cooperação bilateral, regional e transregional da UE ao abrigo do Instrumento de Vizinhança, de Cooperação para o Desenvolvimento e de Cooperação Internacional — Europa Global.

A Comissão Europeia propõe a mobilização de um montante máximo de 7 mil milhões de EUR ao abrigo do instrumento para o período de 2021-2027, com instrumentos específicos disponibilizados pelo Fundo Europeu para o Desenvolvimento Sustentável Mais e a Plataforma de Investimento da Política de Vizinhança, o que poderá mobilizar até 30 mil milhões de EUR em investimentos públicos e privados na vizinhança meridional.

Síria

A quinta Conferência de Bruxelas subordinada ao tema «Apoiar o futuro da Síria e da região» marcou um aniversário trágico: passados 10 anos desde o início do conflito, mais de 400 000 pessoas morreram, a economia está em queda livre e 90 % dos sírios vivem na pobreza. A pandemia de COVID-19 agravou uma situação já dramática. A conferência permitiu reunir 5,3 mil milhões de euros em novos compromissos globais, incluindo 3,7 mil milhões de euros da UE e dos seus Estados-Membros, para apoiar atividades humanitárias, de resiliência, de estabilização e de desenvolvimento na Síria e na região. A UE continuará a apoiar os esforços liderados pelas Nações Unidas e pelo seu enviado especial, Geir Pedersen, e a empenhar-se a nível diplomático na obtenção de um consenso que possa pôr termo à guerra.

Líbia

A UE procura ajudar a Líbia e o povo líbio a regressar à paz e a retomar a transição para a democracia. Em junho, a UE confirmou o seu empenho no processo de estabilização da Líbia sob os auspícios das Nações Unidas. Na sequência do adiamento das eleições previstas para dezembro de 2021, a UE instou a Líbia a elaborar um plano e um calendário claro para a realização de eleições presidenciais e legislativas inclusivas, livres, justas e credíveis o mais rapidamente possível e em plena conformidade com o roteiro político acordado. A UE propôs apoiar as autoridades líbias na preparação do processo eleitoral.

Representantes com coletes da União Europeia, da Unicef e da Organização Mundial da Saúde olham para um avião na pista. © OMS, 2022
A primeira remessa de vacinas contra a COVID-19 do mecanismo COVAX chega à Jordânia em 13 de março de 2021. © OMS, 2022

Parceria Oriental

Em dezembro, na sexta Cimeira da Parceria Oriental, os dirigentes da UE, dos Estados-Membros e da Arménia, do Azerbaijão, da Geórgia, da Moldávia e da Ucrânia definiram a sua visão comum para o futuro da Parceria Oriental. Esta cimeira de dirigentes, a primeira realizada presencialmente desde há quatro anos, ocorreu num ambiente geopolítico difícil na região e no contexto do grave impacto socioeconómico da pandemia de COVID-19, tendo constituído uma oportunidade para enviar uma mensagem de solidariedade entre a UE e os seus parceiros. Como sinal do apoio da UE ao povo bielorrusso face à repressão exercida pelo regime, foi deixada uma cadeira vazia para a Bielorrússia.

A cimeira aprovou a agenda renovada de cooperação para a Parceria Oriental delineada na proposta apresentada pela Comissão e pelo alto representante em julho. Esta agenda tem como objetivo promover o comércio, o crescimento e o emprego, melhorar a conectividade, reforçar as instituições democráticas e o Estado de direito, apoiar as transições ecológica e digital e promover sociedades justas, inclusivas e que respeitem a igualdade de género. Assenta num plano económico e de investimento para a região com potencial para mobilizar até 17 mil milhões de euros de investimento público e privado para acelerar a recuperação sustentável pós-pandemia e reforçar a resiliência dos parceiros orientais.

Em maio, a Comissão apresentou um plano geral de apoio económico a uma futura Bielorrússia democrática. O plano, no valor de 3 mil milhões de euros, reflete o compromisso da UE de apoiar o desejo do povo bielorrusso de uma transição democrática pacífica. Em dezembro, a Comissão anunciou igualmente um novo apoio imediato de 30 milhões de euros ao povo bielorrusso, em especial para os jovens e os meios de comunicação social independentes.

Em junho, a Comissão anunciou um plano de relançamento da economia para a República da Moldávia, que mobilizará até 600 milhões de euros para promover investimentos que apoiarão uma recuperação sustentável e inclusiva após a crise da COVID-19 no país. Em novembro, a UE anunciou um apoio extraordinário de 60 milhões de euros à Moldávia para ajudar a fazer face ao aumento dos preços do gás e reforçar a transição ecológica e a segurança energética do país.

Maroš Šefčovič e Denys Shmyhal, de máscara, inspecionam amostras à frente de um pequeno grupo.
Maroš Šefčovič, vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelas Relações Interinstitucionais e Prospetiva (segundo a partir da esquerda), e Denys Shmyhal, primeiro-ministro da Ucrânia (à esquerda), visitam instalações de produção de titânio em Zhytomyr, Ucrânia, em 12 de julho de 2021. Ambos participaram na conferência de alto nível sobre a parceria estratégica entre a UE e a Ucrânia no domínio das matérias-primas essenciais e das baterias, seguida da cerimónia de assinatura do Memorando de Entendimento sobre a Parceria Estratégica entre a UE e a Ucrânia no domínio das Matérias-Primas e das Baterias.

Em outubro, realizou-se em Kiev a 23.a cimeira entre a UE e a Ucrânia, na qual foram debatidos os progressos conseguidos numa série de domínios de cooperação, bem como as possibilidades de intensificação desses progressos. Os dirigentes reafirmaram a sua determinação em reforçar a associação política e a integração económica entre a Ucrânia e a UE, com base no acordo de associação e na sua zona de comércio livre abrangente e aprofundado. Os domínios em que os dirigentes acordaram em reforçar a integração e a cooperação económicas incluem a integração dos mercados e sistemas energéticos da Ucrânia no mercado da energia da UE, o estabelecimento de condições de concorrência equitativas, a continuação do trânsito de gás através da Ucrânia para além de 2024, a modernização do sistema ucraniano de transporte de gás e o reforço da segurança energética na UE.

A UE e a Ucrânia estão a aplicar o acordo de associação e a explorar as possibilidades de uma maior cooperação setorial. A cooperação foi reforçada em vários domínios, por exemplo na esfera digital, em que a Ucrânia está muito avançada, e no âmbito do diálogo de alto nível sobre o Pacto Ecológico para ajudar a Ucrânia na sua transição ecológica. A UE presta um apoio substancial às reformas na Ucrânia, incluindo a reforma fundiária, a descentralização e a reforma da justiça.

No contexto dos desafios à segurança europeia impostos pela Rússia, a UE intensificou o seu apoio para assegurar a resiliência da Ucrânia. Tal incluiu a adoção de uma medida de assistência — no valor de 31 milhões de euros — ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz para apoiar as capacidades das forças armadas ucranianas, incluindo as unidades médicas militares, a logística e a ciberdefesa. Em 2021, a UE lançou também um diálogo com a Ucrânia sobre cibersegurança.

Em outubro, a Ucrânia assinou um acordo com a UE sobre a sua participação no Horizonte Europa (o Programa-Quadro de Investigação e Inovação da UE) e nos programas de investigação e formação da Euratom.

A UE prosseguiu a sua estreita cooperação com a Geórgia em 2021. Intensificou igualmente os seus esforços para reforçar a resiliência, a reconciliação e a consolidação da paz no Sul do Cáucaso, em particular disponibilizando mais de 17 milhões de euros em ajuda humanitária e de recuperação rápida às pessoas mais afetadas pelas recentes hostilidades no Alto Carabaque.

O Acordo de Parceria Abrangente e Reforçado entre a UE e a Arménia, que visa aprofundar e reforçar as relações entre as duas partes, entrou em vigor em março de 2021.

Turquia

Em 2021, as relações UE-Turquia continuaram a estar no centro da atenção política. Ambas as partes envidaram esforços para relançar a cooperação, a fim de reduzir as tensões através do reforço do diálogo e de intercâmbios sobre questões de interesse mútuo. Em março, a Comissão Europeia e o alto representante adotaram uma comunicação conjunta sobre a situação das relações políticas, económicas e comerciais UE-Turquia, que foi saudada pelo Conselho Europeu em 25 de março de 2021. A UE concordou em colaborar com a Turquia de forma faseada, proporcionada e reversível a fim de reforçar a cooperação numa série de domínios de interesse comum, desde que o desanuviamento prossiga e que a Turquia participe de forma construtiva e sob reserva das condições estabelecidas. Embora tenham continuado a existir divergências e tensões no que diz respeito à situação no Mediterrâneo Oriental, marcadas sobretudo por desenvolvimentos preocupantes em Varóssia, verificou-se um desanuviamento da situação geral em comparação com o ano anterior.

No seguimento do mandato do Conselho Europeu (declaração de 25 de março de 2021 e conclusões de 24 e 25 de junho de 2021) relativo ao lançamento dos trabalhos em domínios de interesse mútuo, a UE realizou diálogos de alto nível com a Turquia sobre o clima, a migração e segurança e a saúde. Foi retomado o diálogo ao nível dos altos funcionários sobre questões relacionadas com a luta contra o terrorismo. No domínio da migração, a Declaração UE-Turquia de março de 2016 continuou a produzir resultados, mantendo-se como quadro fundamental para a cooperação em matéria de migração. A Turquia prosseguiu os seus esforços louváveis para acolher cerca de quatro milhões de refugiados provenientes da Síria e de outros países, e a UE continuou a prestar um importante apoio financeiro para este efeito. Tanto a UE como a Turquia continuaram a beneficiar das suas relações comerciais, embora a existência de alguns obstáculos ao comércio tenha continuado a dificultar a boa cooperação e os progressos, mau grado as repetidas tentativas da UE para debater esta questão com a Turquia.

No que diz respeito à situação interna, em especial a situação atual no domínio dos direitos e liberdades fundamentais, a Turquia não inverteu a tendência negativa de afastamento da UE. As questões relativas ao Estado de direito e aos direitos fundamentais na Turquia, nomeadamente os ataques aos partidos políticos e meios de comunicação social, continuam a ser uma grande preocupação para a UE e atentam contra os princípios do respeito da democracia, do Estado de direito e dos direitos das mulheres. A retirada da Turquia da Convenção de Istambul e a sua recusa em aplicar os acórdãos do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem suscitaram grande preocupação. A UE continuou a abordar estas questões junto das autoridades turcas a todos os níveis, uma vez que fazem parte integrante das obrigações da Turquia enquanto país candidato, e a ausência de progressos a este respeito prejudica seriamente as perspetivas de reforço da cooperação entre a UE e a Turquia. As negociações de adesão da Turquia continuam numa situação de impasse.

Estados Unidos

Ursula von der Leyen e Joe Biden caminham junto a bandeiras da União Europeia e dos Estados Unidos da América, dispostas alternadamente.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, com Joe Biden, presidente dos EUA, na Cimeira UE-EUA, em Bruxelas, Bélgica, 15 de junho de 2021.

A tomada de posse do presidente Joe Biden e da sua nova administração abriu um novo capítulo nas relações entre a UE e os EUA. A Cimeira UE-EUA de 15 de junho, em Bruxelas, marcou o início de uma parceria transatlântica renovada e definiu uma agenda conjunta para a cooperação UE-EUA na era pós-pandemia. A cimeira centrou-se na cooperação em quatro domínios fundamentais: a resposta à COVID-19 e a saúde mundial; o clima e a biodiversidade; o comércio e a tecnologia; bem como a ação e a segurança a nível mundial. Os principais resultados da cimeira incluem três novas iniciativas comerciais importantes. Os dirigentes acordaram em criar um quadro de cooperação para as aeronaves civis de grandes dimensões, a fim de resolver, entre outras questões, o litígio Airbus-Boeing no âmbito da OMC; em dirimir as divergências existentes quanto às medidas relativas ao aço e ao alumínio até ao final do ano; e em criar um Conselho de Comércio e Tecnologia UE-EUA. Esta foi a primeira cimeira entre a UE e os EUA desde 2014 e constituiu a primeira visita de um presidente dos EUA às instituições da UE desde 2017.

Valdis Dombrovskis profere um discurso junto a bandeiras da União Europeia e dos Estados Unidos da América, dispostas alternadamente.
Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo da Comissão Europeia com a pasta Uma Economia ao serviço das Pessoas, na primeira reunião do Conselho de Comércio e Tecnologia UE-EUA, em Pittsburgh, EUA, 29 de setembro de 2021.

O Conselho de Comércio e Tecnologia UE-EUA, lançado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente dos EUA, Joe Biden, destina-se a funcionar como um fórum para coordenar as abordagens das principais questões mundiais em matéria de comércio, economia e tecnologia e para aprofundar as relações comerciais e económicas transatlânticas com base em valores democráticos comuns. Na primeira reunião deste conselho, realizada em 29 de setembro em Pittsburgh, EUA, ambas as partes adotaram uma declaração conjunta que define em maior pormenor o seu âmbito e o programa de trabalho.

Em outubro, a UE e os EUA chegaram a um acordo sobre medidas relativas ao aço e ao alumínio que conduziu ao restabelecimento das importações com isenção de direitos aduaneiros, nos EUA, de aço e alumínio provenientes da UE, com base nos volumes comerciais anteriores, enquanto a UE suspendeu os direitos aduaneiros correspondentes sobre os produtos dos EUA. No âmbito deste acordo, as duas partes tencionam negociar, pela primeira vez, um acordo global sobre a descarbonização da produção de aço.

Em 23 de outubro de 2021, a Croácia foi integrada no programa de isenção de vistos dos EUA. Alcançar a plena reciprocidade em matéria de isenção de vistos com os EUA continua a ser uma prioridade da UE, pelo que estão em curso os trabalhos com vista a incluir no programa os três Estados-Membros restantes (Bulgária, Chipre e Roménia).

Canadá

Na Cimeira UE-Canadá realizada em Bruxelas em junho, os dirigentes debateram a forma de trabalhar em conjunto para pôr termo à pandemia de COVID-19 e avançar para uma recuperação sustentável, centrada nas pessoas e inclusiva. Também reafirmaram os seus compromissos ambiciosos em matéria de luta contra as alterações climáticas e de proteção do ambiente, bem como a sua determinação em promover os valores democráticos, a paz e a segurança. Além disso, lançaram um novo diálogo entre o Canadá e a UE sobre saúde, um Fórum da Parceria Oceanos e uma Parceria Estratégica sobre Matérias-Primas.

América Latina

A reunião de dirigentes da UE e da América Latina e Caraíbas de 2 de dezembro de 2021 marcou o reatar do diálogo birregional ao mais alto nível seis anos após a última cimeira. Os dirigentes de ambas as regiões identificaram vias de cooperação para a recuperação pós-COVID-19, as transições ecológica e digital, a inclusão social e a luta contra as desigualdades. O futuro trabalho conjunto será apoiado pelo pilar geográfico do novo instrumento Europa Global, que reservou um montante mínimo de 3,395 mil milhões de euros para as Américas e Caraíbas para o período de 2021-2027.

No âmbito do renovado compromisso de alto nível da UE para com a região, o alto representante, Josep Borrell, realizou em novembro a sua primeira viagem à América Latina, que incluiu visitas ao Brasil e ao Peru. No caso do Peru, o país mais afetado pela COVID-19 a nível mundial, a visita mostrou o pleno apoio da UE durante este período difícil. No Brasil, a visita do alto representante demonstrou a determinação da UE em renovar o diálogo com este parceiro estratégico fundamental, inclusivamente no que diz respeito a um compromisso crítico sobre questões ambientais. A visita ocorreu no seguimento da participação de Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, na Cimeira da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, realizada no México em setembro.

Os trabalhos com vista à celebração e assinatura dos acordos de associação da UE com o Mercosul, o Chile e o México prosseguiram ao longo de 2021, a fim de revitalizar as relações da UE com a América Latina e promover valores comuns e a recuperação económica em ambos os lados do Atlântico.

Em consonância com os esforços desenvolvidos pela UE para apoiar uma solução pacífica e democrática para a crise na Venezuela, foi enviada uma missão de observação eleitoral da UE a fim de acompanhar as eleições regionais e locais realizadas em 21 de novembro. A UE enviou igualmente uma missão de peritos eleitorais para as eleições legislativas e presidenciais no Peru. Na Colômbia, o apoio ao processo de paz, que marcou o seu quinto aniversário em 2021, continuou a ser fundamental para a parceria reforçada da UE com a Colômbia.

Rússia

Em 16 de junho, o alto representante e a Comissão Europeia apresentaram uma comunicação conjunta sobre as relações UE-Rússia, que definiu os principais pontos da política da UE em relação à Rússia. A comunicação propôs que fosse prosseguida uma abordagem equilibrada, com base na qual a UE irá condenar, sancionar e dialogar com a Rússia. Ao mesmo tempo, sublinhou que o empenhamento construtivo dos dirigentes russos é indispensável para melhorar as relações entre a UE e a Rússia. As conclusões do Conselho Europeu de 24 e 25 de junho salientaram, entre outros aspetos, que a plena aplicação dos acordos de Minsk, destinados a conduzir a uma solução pacífica para o conflito no leste da Ucrânia, continua a ser a condição essencial para qualquer alteração substancial das relações da UE com a Rússia.

A UE continuou a prestar especial atenção às violações dos direitos humanos na Rússia, incluindo a repressão dos meios de comunicação social independentes. A UE condenou estas ações e pronunciou-se a favor dos valores democráticos nas suas declarações públicas e diligências, bem como através da imposição de sanções. A UE continuará a evocar as questões relacionadas com os direitos humanos e as liberdades fundamentais junto das autoridades russas e nas instâncias internacionais.

Na sequência do reforço do dispositivo militar da Rússia na Ucrânia e em torno da sua fronteira e da retórica agressiva daquele país, as conclusões do Conselho Europeu de 16 de dezembro sublinharam a necessidade urgente de a Rússia desanuviar as tensões, reiteraram o total apoio da UE à soberania e à integridade territorial da Ucrânia e salientaram que qualquer nova agressão militar contra a Ucrânia provocará uma resposta com gravíssimas consequências e enormes custos, incluindo medidas restritivas coordenadas com os parceiros. A UE está a desenvolver uma coordenação e cooperação estreitas com os seus parceiros transatlânticos, tanto a nível bilateral como em fóruns multilaterais como o G7 e a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa.

Indo-Pacífico

O crescente peso económico, demográfico e político da região do Indo-Pacífico — que se estende da costa oriental de África até aos Estados insulares do Pacífico — torna-a um interveniente fundamental na definição da ordem internacional assente em regras e na resposta aos desafios globais. A região inclui sete membros do G20 (África do Sul, Austrália, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia e Japão), bem como a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Em setembro de 2021, a Comissão e o alto representante adotaram uma comunicação conjunta sobre a estratégia da UE para a cooperação no Indo-Pacífico. Na sequência da crise da COVID-19, a UE centrar-se-á na criação das condições para uma recuperação socioeconómica sustentável e inclusiva e colaborará ativamente com os seus parceiros nos oito domínios seguintes:

  • prosperidade sustentável e inclusiva,
  • transição ecológica,
  • governação dos oceanos,
  • governação e parcerias digitais,
  • conectividade,
  • segurança e defesa, e
  • segurança humana.

Em junho, o alto representante, Josep Borrell, visitou a Indonésia e a sede da ASEAN, reafirmando o desejo da UE de aprofundar as relações com a Indonésia — uma das maiores democracias e economias do mundo, que assumirá a presidência do G20 em 2022 e a presidência da ASEAN em 2023 —, bem como de continuar a desenvolver a parceria estratégica da UE com a ASEAN. Em dezembro de 2020, a UE e a ASEAN abriram um novo capítulo na sua relação de longa data ao tornarem-se parceiros estratégicos, com o compromisso de realizar cimeiras regulares.

China

As relações com a China contam-se entre as mais importantes para a UE, mas também entre as mais difíceis. Em 2021, a UE continuou a aplicar a sua abordagem multifacetada em relação à China, que se baseia na comunicação conjunta «Uma perspetiva estratégica», de março de 2019. No quadro desta abordagem, a UE lida com a China simultaneamente como um parceiro de cooperação, um rival económico e um adversário sistémico.

A situação dos direitos humanos na China continuou a ser motivo de preocupação para a UE em 2021. Em 22 de março, a UE impôs sanções ao abrigo do regime global de sanções em matéria de direitos humanos contra quatro pessoas e uma entidade da China, refletindo a seriedade da sua preocupação em relação às graves violações dos direitos humanos em Xinjiang. A UE lamentou as medidas desproporcionadas tomadas pela China em resposta às sanções da UE. Em 19 de julho, o alto representante, Josep Borrell, em nome da UE, instou as autoridades chinesas a tomarem medidas contra a ciberatividade maliciosa com origem no seu território. Quanto ao diálogo específico UE-China em matéria de direitos humanos, a UE exerceu uma pressão contínua para que este se realizasse.

A UE continuou a cooperar com a China com vista a promover os valores e interesses europeus, bem como para fazer face aos desafios globais, como as alterações climáticas. No âmbito do diálogo de alto nível UE-China sobre ambiente e clima, foram realizadas duas reuniões em 2021, em 1 de fevereiro e 27 de setembro. Esta última reunião resultou na adoção de um comunicado conjunto. A possível cooperação em matéria de segurança e política externa foi debatida no quadro do diálogo estratégico UE-China, em 28 de setembro. Realizaram-se igualmente várias outras reuniões de alto nível e reuniões de trabalho, refletindo a ampla estrutura de diálogo que continua a existir entre a UE e a China.

Em 1 de março de 2021, entrou em vigor o acordo bilateral UE-China relativo à proteção das indicações geográficas na China e na UE. O acordo protege cerca de 200 denominações agroalimentares chinesas e da UE contra as imitações, trazendo benefícios comerciais mútuos e dando a conhecer aos consumidores os produtos autênticos das duas regiões. Ao longo do período de quatro anos após a sua entrada em vigor, o acordo será alargado de modo a abranger mais 350 denominações de ambas as partes. O mercado chinês apresenta um grande potencial de crescimento para o setor europeu da alimentação e bebidas. Em 2020, a China foi o terceiro maior mercado para os produtos agroalimentares da UE, atingindo os 17,7 mil milhões de euros.

Josep Borrell acena para a câmara e Wang Yi, num ecrã, retribui a saudação.
Josep Borrell, alto representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e vice-presidente da Comissão Europeia (atrás à direita), numa videoconferência com Wang Yi, ministro dos Negócios Estrangeiros e conselheiro de Estado chinês, por ocasião do 11.o diálogo estratégico UE-China, em Bruxelas, Bélgica, 28 de setembro de 2021.

Japão

O ano de 2021 marcou o 20.o aniversário da parceria estratégica entre a UE e o Japão. Na 27.a Cimeira UE-Japão, realizada por videoconferência em 27 de maio, os dirigentes acordaram em criar uma Aliança Verde, a primeira iniciativa bilateral deste tipo entre a UE e um país parceiro (ver também o capítulo 2). Os dirigentes adotaram igualmente uma declaração conjunta abrangente, que englobou os três temas fundamentais dos debates da cimeira: questões de âmbito mundial, relações bilaterais e política externa e de segurança.

Índia

Em 8 de maio, a UE e a Índia realizaram um encontro de dirigentes no Porto, Portugal, em formato híbrido (presencialmente e à distância), com a participação de todos os Estados-Membros da UE. O encontro marcou um novo reforço da parceria estratégica UE-Índia, aproveitando a dinâmica proporcionada pela última cimeira, em junho de 2020. As duas partes chegaram a acordo sobre uma Parceria de Conectividade abrangente, que abarca a cooperação nos setores digital, da energia, dos transportes e das atividades interpessoais e assenta no apoio à dupla transição digital e ecológica. Atualmente, a UE e a Índia constituem um mercado combinado de 1 800 milhões de pessoas, com um produto interno bruto combinado de 16,5 biliões de euros por ano. A nova parceria visa, por conseguinte, congregar recursos, normas e conhecimentos especializados para satisfazer as necessidades da próxima geração de infraestruturas sustentáveis e de qualidade. Prevê a realização de trabalhos conjuntos no domínio das normas e do ambiente regulamentar, bem como em projetos concretos de infraestruturas. A Parceria de Conectividade UE-Índia é a segunda parceria deste tipo, após a parceria celebrada com o Japão em setembro de 2019 (ver a secção «Comércio» supra para mais informações sobre as relações comerciais UE-Índia).

Em preparação do encontro de dirigentes, realizou-se em 28 de abril de 2021 a primeira reunião do diálogo de alto nível entre a UE e a Índia sobre as alterações climáticas.

Mianmar/Birmânia

Um violento golpe de Estado militar pôs termo ao processo de democratização em Mianmar/Birmânia em 1 de fevereiro de 2021, dia em que iria tomar posse o novo parlamento, sob a liderança de Aung San Suu Kyi. A UE apelou para a libertação imediata de todos os prisioneiros e para o restabelecimento das autoridades democraticamente eleitas. Ao mesmo tempo que duplicou a sua ajuda humanitária direta às populações mais vulneráveis, em conformidade com os princípios humanitários internacionais, a UE suspendeu imediatamente todos os programas de ajuda ao desenvolvimento e pagamentos ao Governo e impôs sanções contra os principais responsáveis pelo golpe de Estado, incluindo o comandante-chefe e o seu adjunto. As medidas são um sinal para a junta militar de que as suas ações não ficam impunes. Paralelamente, a UE e os seus Estados-Membros têm vindo a desenvolver uma forte iniciativa diplomática, procurando sensibilizar todas as principais partes interessadas (ASEAN, China, Índia e Japão), em estreita coordenação com os seus parceiros britânicos e americanos. A UE intensificou também a sua ajuda humanitária em resposta às repercussões regionais da crise em Mianmar/Birmânia, apoiando em especial os refugiados Roinjas no Bangladexe e noutras partes da região.

Afeganistão

Na sequência da evolução da situação no Afeganistão durante o verão, na reunião do G20 sobre o Afeganistão realizada em outubro a Comissão anunciou um pacote de ajuda humanitária no valor de mil milhões de euros para o povo afegão e os países vizinhos, a fim de atender às necessidades urgentes enquanto a ajuda ao desenvolvimento está suspensa. A UE não reconheceu o regime talibã e fez depender o nível da sua intervenção do cumprimento de critérios de referência fundamentais.

Quando os talibãs tomaram o poder no Afeganistão, a atenção centrou-se sobretudo na evacuação não só dos cidadãos da UE, mas também dos 800 afegãos que se sentiam ameaçados por terem colaborado com a UE e desejavam abandonar o país. Até à data, graças aos esforços conjugados da UE e dos seus Estados-Membros, foram postas em segurança cerca de 29 000 pessoas, incluindo pessoal local, defensores dos direitos humanos e pessoas que a UE formou, tais como juízas.

Para responder às necessidades de proteção dos cidadãos afegãos, a Comissão anunciou um regime de apoio aos afegãos em situação de risco. O regime combina medidas a curto prazo (evacuação e passagem segura) com medidas de médio a longo prazo, em especial a reinstalação, a admissão por motivos humanitários e outras vias complementares, bem como a integração. Os Estados-Membros da UE assumiram compromissos específicos em matéria de reinstalação e admissão por motivos humanitários, que irão implementar até ao final de 2022 com o apoio financeiro da UE e o apoio operacional da Agência da União Europeia para o Asilo.

David Sassoli e Vương Đình Huệ cumprimentam-se com um toque de cotovelo em frente ao logótipo do Parlamento Europeu.
David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu (à direita), com Vương Đình Huệ, presidente da Assembleia Nacional do Vietname, em Bruxelas, Bélgica, 8 de setembro de 2021. Fonte: PE, Daina Lelardic

Acordo de Comércio e Cooperação União Europeia-Reino Unido

O ano de 2021 marcou o início de uma nova relação com o Reino Unido na sequência da sua saída da UE, em 31 de janeiro de 2020, e do termo do período de transição, em 31 de dezembro de 2020. O objetivo da UE é estabelecer uma relação positiva e estável com o Reino Unido. A UE e o Reino Unido continuam a ser parceiros com valores partilhados e terão de enfrentar lado a lado vários desafios globais.

Atualmente, as relações entre a UE e o Reino Unido são regidas por quatro tratados. Em 2021, a Comissão Europeia centrou-se em assegurar a sua aplicação plena e eficaz e o funcionamento das suas estruturas de governação.

A aplicação do Acordo de Saída foi prosseguida através de numerosas reuniões dos seus órgãos, em especial o Comité Misto e os comités temáticos especializados. Foram envidados esforços significativos para proteger os direitos dos cidadãos e dedicou-se especial atenção à colaboração com o Reino Unido tendo em vista a aplicação do Protocolo relativo à Irlanda/Irlanda do Norte. Em resposta às preocupações das partes interessadas, a Comissão apresentou soluções práticas nos domínios da alimentação, da fitossanidade e da saúde animal, das questões aduaneiras, do fornecimento de medicamentos e do diálogo com as autoridades e partes interessadas da Irlanda do Norte.

A aplicação do Acordo de Comércio e Cooperação teve início em 1 de maio de 2021 e progrediu principalmente através de reuniões constitutivas dos órgãos conjuntos criados pelo acordo, incluindo o Conselho de Parceria, o Comité de Parceria Comercial, os comités especializados e os comités especializados do comércio. As questões relacionadas com as pescas e a garantia de condições de concorrência equitativas exigiram especial atenção.

Em outubro de 2021, a Comissão iniciou igualmente negociações para um futuro acordo entre a UE e o Reino Unido sobre Gibraltar, a fim de abolir todos os controlos físicos de pessoas e mercadorias que circulam entre Espanha e Gibraltar, preservando simultaneamente o espaço Schengen e o mercado único da UE.

Paralelamente, em 11 de outubro de 2021 entrou em vigor o regulamento relativo à Reserva de Ajustamento ao Brexit, destinada a atenuar os efeitos do Brexit na UE. Este instrumento permitirá atribuir mais de 5 mil milhões de euros aos Estados-Membros para apoiar as regiões, os setores e as comunidades da UE mais afetados pela saída do Reino Unido.

Da esquerda para a direita: Charles Michel, David Sassoli, Ursula von der Leyen e António Costa reunidos para uma fotografia de grupo no exterior.
Da esquerda para a direita: Charles Michel, presidente do Conselho Europeu; David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu; Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia; e António Costa, primeiro-ministro de Portugal e presidente em exercício do Conselho da União Europeia, na Cimeira Social do Porto para a aplicação do Plano de Ação sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, Porto, Portugal, 7 de maio de 2021.

Evoluções no plano institucional

Legislar melhor

Prosseguindo os esforços levados a cabo para melhorar o processo legislativo da UE, em abril a Comissão adotou a comunicação «Legislar melhor» de 2021. A comunicação apresenta uma série de medidas, nomeadamente:

  • a simplificação da possibilidade de apresentar contributos, mediante a consolidação das consultas públicas num único convite à apresentação de informações através do portal «Dê a sua opinião»,
  • o reforço da transparência, ao melhorar o acesso aos dados que fundamentam todas as propostas legislativas, nomeadamente aperfeiçoando as ligações entre os vários registos de dados e criando um registo de dados comum, em conjunto com o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia,
  • A aplicação da abordagem «entra um, sai um», a fim de garantir que quaisquer novos encargos sejam compensados através da eliminação de encargos equivalentes no mesmo domínio de intervenção,
  • a integração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas no quadro «Legislar Melhor» e a melhoria das avaliações de impacto através de uma melhor análise e comunicação dos principais impactos, em particular os relacionados com as transições ecológica e digital e a sua dimensão socialmente justa e equitativa,
  • a integração da prospetiva estratégica no programa «Legislar melhor».

A análise anual dos encargos de 2020, publicada em junho, mostrou de que forma a legislação da UE foi simplificada em domínios de intervenção como os serviços financeiros, os transportes, a fiscalidade, as alfândegas e o ambiente. Em novembro de 2021, a Comissão deu seguimento à comunicação «Legislar melhor» com a publicação de novas orientações para legislar melhor e um novo conjunto de ferramentas, que proporcionam orientações abrangentes, perguntas essenciais e exemplos concretos e contêm 69 ferramentas.

Prospetiva estratégica

O relatório de prospetiva estratégica de 2021, apresentado em setembro, identifica as principais megatendências mundiais que continuarão a afetar a UE até 2050: as alterações climáticas e outros desafios ambientais; a hiperconectividade e as transformações tecnológicas; a pressão sobre a democracia e os valores; e as mudanças na ordem mundial e na demografia. O relatório também identifica 10 domínios nos quais a UE pode reforçar a sua capacidade e liberdade de ação. Além disso, a Comissão elaborou uma série de relatórios de prospetiva mais específicos, nomeadamente sobre as indústrias da defesa e do espaço, os territórios europeus e os empregos «verdes» enquanto empregos do futuro.

Para desenvolver a cooperação com os Estados-Membros em matéria de prospetiva, foi lançada em abril a rede de prospetiva à escala da UE e a primeira reunião ministerial neste contexto realizou-se em maio. Por último, o conjunto atualizado de ferramentas para legislar melhor inclui um instrumento de prospetiva específico para as avaliações de impacto e as avaliações. A conferência de 2021 do sistema de análise da estratégia e política europeias, coorganizada pelo Parlamento e pela Comissão, realizou-se em novembro. Os debates realizados ao longo de dois dias centraram-se nas tendências globais a longo prazo suscetíveis de ter repercussões na Europa e no papel que a análise prospetiva desempenha nos esforços envidados para garantir uma melhor preparação para enfrentar as transições e os choques futuros.

Assuntos institucionais

O acordo entre o Parlamento, o Conselho e a Comissão sobre um registo de transparência obrigatório entrou em vigor em 1 de julho. Este acordo alarga pela primeira vez o âmbito do registo de transparência ao Conselho. Além disso, torna o registo obrigatório, pelo que as instituições signatárias devem agora impor a inscrição dos representantes de grupos de interesses no registo como condição prévia para a realização de atividades de representação de interesses.

A resposta à pandemia de COVID-19 e o correspondente trabalho de coordenação desenvolvido pela UE continuaram a ser uma das principais prioridades das Presidências do Conselho portuguesa e eslovena. A Presidência portuguesa assegurou a adoção das recomendações revistas sobre as viagens no interior da UE e com destino à UE. Negociou igualmente a legislação relativa ao Certificado Digital COVID da UE e assegurou a sua adoção em tempo útil antes do verão. A Presidência eslovena procedeu em seguida a uma análise dos ensinamentos retirados da COVID-19, centrando-se no impacto transfronteiras das medidas aplicadas em domínios fundamentais, como o mercado único.

O Parlamento adotou numerosas medidas no âmbito do seu procedimento de emergência em resposta à pandemia de COVID-19. Em especial, a pedido da Comissão, o Parlamento examinou as possíveis alterações ao Certificado Digital COVID da UE diretamente em sessão plenária, o que lhe permitiu conduzir e concluir as negociações interinstitucionais a tempo do verão, sem comprometer o seu controlo democrático e o seu papel legislativo.

O Parlamento continuou a reunir-se de forma híbrida (presencialmente e à distância), tanto nas comissões como em sessão plenária, durante a maior parte do ano. Em junho, retomou as suas sessões plenárias em Estrasburgo. Em novembro, tornou obrigatória a utilização do certificado COVID para aceder às suas instalações, retomando as atividades totalmente presenciais, mas para as últimas sessões do ano voltou a adotar a forma híbrida. A Comissão esteve fisicamente presente em todas as reuniões plenárias.

Em setembro, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, proferiu no Parlamento o discurso anual sobre o estado da União.

A Presidência portuguesa colocou a recuperação no topo da sua agenda. Paralelamente, assegurou a finalização e a aprovação formal das propostas relativas a vários atos setoriais no âmbito do atual orçamento de longo prazo. Facilitou ainda a aprovação da decisão relativa aos recursos próprios, que era essencial para permitir à Comissão Europeia começar a contrair empréstimos para a recuperação ao abrigo do NextGenerationEU. A primeira emissão de obrigações NextGenerationEU também ocorreu durante a Presidência portuguesa, em junho de 2021.

O acordo sobre a Lei Europeia do Clima foi outro dos pontos fortes do seu mandato. A Presidência portuguesa também contribuiu de forma decisiva para fazer avançar os trabalhos sobre as principais propostas da agenda digital, como o regulamento sobre os serviços digitais, o regulamento sobre os mercados digitais e o regulamento sobre a governação de dados. Além disso, Portugal desempenhou um papel fundamental no lançamento da Conferência sobre o Futuro da Europa, e organizou com êxito uma Cimeira Social no Porto.

Um trabalhador na plataforma de uma grua estica uma faixa na empena de um edifício.
Colocação da faixa da Presidência eslovena do Conselho no edifício Justus Lipsius, sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, Bélgica, 1 de julho de 2021.

Em julho, Portugal passou o testemunho à Eslovénia na Presidência do Conselho. A Eslovénia deu prioridade à adoção dos planos nacionais de recuperação e resiliência — essenciais para mobilizar o financiamento ao abrigo do Mecanismo de Recuperação e Resiliência — e assegurou a adoção de conclusões específicas sobre a resiliência face a crises futuras. A Eslovénia também se centrou no pacote de propostas destinadas a concretizar o Pacto Ecológico Europeu, preparando simultaneamente a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), em Glasgow, Reino Unido, e a Conferência sobre Biodiversidade (COP15). Desempenhou também um papel decisivo no avanço dos trabalhos sobre os preços da energia num contexto de crise.

A Eslovénia prosseguiu os trabalhos relativos ao pacote de financiamento digital, ao regulamento sobre os mercados digitais e ao regulamento sobre os serviços digitais, tendo chegado a um acordo político sobre o regulamento relativo à governação de dados. A saúde foi outro aspeto fundamental desta Presidência, no decurso da qual se chegou a acordo sobre o papel reforçado da Agência Europeia de Medicamentos e a renovação do mandato do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças. Durante a Presidência eslovena, a Conferência sobre o Futuro da Europa entrou numa fase fundamental de debates com os cidadãos.

Por último, a Eslovénia liderou os debates sobre o Afeganistão, a Bielorrússia e os aspetos externos da migração, incluindo o financiamento. Foi também atribuída grande importância ao diálogo da UE com os seus parceiros através da preparação de várias cimeiras, incluindo a Cimeira UE-Balcãs Ocidentais.

Charles Michel gesticula enquanto profere um discurso.
Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, na Cimeira Social realizada no Porto, Portugal, em 7 de maio de 2021.

Comité Económico e Social Europeu e Comité das Regiões Europeu

Ambos os comités forneceram à Comissão contributos importantes e relevantes, quer mediante a elaboração de pareceres quer de outras formas.

Em especial, o Comité Económico e Social Europeu adotou uma resolução sobre a participação da sociedade civil nos planos nacionais de recuperação e resiliência e o Comité das Regiões Europeu apresentou o Barómetro Regional e Local Anual da UE. Ambos os comités contribuíram ativamente para a preparação do programa de trabalho da Comissão para 2022 e da Conferência sobre o Futuro da Europa.

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